Esteatose nodular multifocal simulando metástases hepáticas

Esteatose nodular multifocal simulando metástases hepáticas

Autores:

Eduardo Kaiser Ururahy Nunes Fonseca,
Thiago Raspa Freitas Magdalena,
Fernando Ide Yamauchi,
Marcelo de Castro Jorge Racy,
Cássia Franco Tridente,
Ronaldo Hueb Baroni

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.15 no.2 São Paulo abr./jun. 2017 Epub 20-Abr-2017

http://dx.doi.org/10.1590/s1679-45082017ai3869

Paciente de 56 anos em investigação de lesão expansiva lítica no clivus, posteriormente caracterizada como cordoma condroide, confirmado pela histopatologia, após ressecção da lesão, foi encaminhado para realizar tomografia computadorizada de abdome devido a quadro de desconforto abdominal, para pesquisa de metástases.

A fase sem contraste revelou múltiplas formações nodulares hipoatenuantes de tamanhos diversos, a maior com 3,2cm. Nas fases contrastadas, as lesões apresentavam realce similar ao parênquima adjacente, porém sem significativo efeito de massa ou sinais de agressividade, uma vez que estruturas vasculares (veias hepáticas e ramos portais) atravessavam tais lesões, sem deslocamentos ou invasão. O conjunto dos achados, embora não patognomônicos favorecia a hipótese de esteatose nodular multifocal.

Para confirmação desta hipótese diagnóstica, foi realizada ressonância magnética (RM), no intuito de caracterizar o conteúdo gorduroso no interior das lesões. Na RM, esta característica pode ser explorada pela técnica de chemical shift, na qual se identifica queda de sinal na sequência out phase quando comparada à sequência in phase, corroborando a hipótese de depósitos de gordura microscópica.

Deposições gordurosas no parênquima hepático são frequentes, com prevalência de 15% na população geral.(1,2) Padrões nodulares, entretanto, são mais incomuns, podendo ser confundidos com lesões secundárias, particularmente problemático nos pacientes oncológicos. No caso apresentado, o paciente apresentava um cordoma, lesão rara, mas que pode apresentar metástases de 3 a 48% dos casos – sendo cerca de um quinto delas para o fígado.(3)

Achados como a preservação das estruturas vasculares, denotando falta de efeito de massa, realce próximo ao do parênquima normal e estabilidade, corroboram este diagnóstico. A RM pode ser valiosa para a confirmação desta hipótese, com queda do sinal na sequência out phase quando comparada a sequência in phase, confirmando sua origem gordurosa.(2,4-7)

Figura 1 (A) Tomografia computadorizada sem contraste, evidenciando múltiplos nódulos hepáticos hipoatenuantes. (B) Reconstrução coronal da imagem A, evidenciando múltiplos nódulos hepáticos hipoatenuantes 

Figura 2 (A) Tomografia computadorizada na fase portal, evidenciando múltiplos nódulos hepáticos hipoatenuantes. As estruturas vasculares atravessam os nódulos sem sofrer desvios, denotando ausência de efeito de massa. (B) Reconstrução coronal da imagem A evidenciando múltiplos nódulos hepáticos hipoatenuantes. As estruturas vasculares atravessam os nódulos sem sofrer desvios, denotando ausência de efeito de massa 

Figura 3 Imagem de ressonância magnética em sequências gradiente eco. (A) Imagem em in phase mostra imagens nodulares pouco evidentes no meio do parênquima hepático. (B) Imagem em out phase mostra queda de sinal das lesões, que ficam evidentes, apontando para seu conteúdo gorduroso intracelular 

REFERÊNCIAS

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2. Hamer OW, Aguirre DA, Casola G, Lavine JE, Woenckhaus M, Sirlin CB. Fatty liver: imaging patterns and pitfalls. Radiographics. 2006;26(6):1637-53. Review.
3. Chambers PW, Schwinn CP. Chordoma. A clinicopathologic study of metastasis. Am J Clin Pathol. 1979;72(5):765-76. Review.
4. Kemper J, Jung G, Poll LW, Jonkmanns C, Lüthen R, Moedder U. CT and MRI findings in multifocal hepatic steatosis mimicking malignancy. Abdom Imaging. 2002;27(6):708-10.
5. Kröncke TJ, Taupitz M, Kivelitz D, Scheer I, Daberkow U, Rudolph B, et al. Multifocal nodular fatty infiltration of the liver mimicking metastatic disease on CT: imaging findings and diagnosis using MR imaging. Eur Radiol. 2000; 10(7):1095-100.
6. Tebala GD, Jwad A, Khan AQ, Long E, Sissons G. Multifocal nodular fatty infiltration of the liver: a case report of a challenging diagnostic problem. Am J Case Rep. 2016;17:196-202.
7. Siegelman ES, Chauhan A. MR characterization of focal liver lesions: pearls and pitfalls. Magn Reson Imaging Clin N Am. 2014;22(3):295-313. Review.