Estilo de vida de escolares com e sem transtorno do desenvolvimento da coordenação

Estilo de vida de escolares com e sem transtorno do desenvolvimento da coordenação

Autores:

Andressa Ribeiro Contreira,
Renata Capistrano,
Annelise do Vale Pereira de Oliveira,
Thais Silva Beltrame

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão impressa ISSN 1809-2950

Fisioter. Pesqui. vol.21 no.3 São Paulo jul./set. 2014

http://dx.doi.org/10.590/1809-2950/48921032014

INTRODUÇÃO

Hábitos de vida ou estilo de vida são comportamentos individuais que englobam os aspectos cotidianos, cuidados com a alimentação, higiene e sono, tarefas laborais, de vida diária, lazer e atividade física1 , 2.

Devido às alterações econômicas e sociais, os hábitos das pessoas têm passado por transformações que refletem na sua qualidade de vida, como o aumento dos compromissos profissionais, disponibilidade de tecnologias, aumento da insegurança e diminuição dos espaços públicos devido à urbanização3 , 4. Essas alterações restringem a prática de atividade física e tornam os hábitos de vida predominantemente sedentários.

As transformações também se refletem no estilo de vida de crianças e adolescentes, que acabam optando por atividades mais estáticas, como uso do computador, jogos eletrônicos e televisão5 - 8. Tais comportamentos prejudicam a obtenção das bases motoras necessárias para a aquisição de habilidades mais complexas, o que pode afastá-los de práticas motoras, acentuando o risco de sobrepeso/obesidade9. Tratando-se de crianças com déficits motores ou transtorno do desenvolvimento da coordenação (TDC), a barreira para a prática de atividade física é a própria coordenação motora pobre10.

Investigações têm sido desenvolvidas em vários países buscando conhecer as características de crianças e adolescentes quanto ao estilo de vida, com enfoque nas atividades motoras, evidenciando distintas preferências de atividades, maior participação nas atividades físicas para o sexo masculino e ainda aspectos negativos dos hábitos sedentários em relação ao desempenho motor e à saúde5 , 11 - 19.

Conforme destacado por Poletto20, são necessárias pesquisas com enfoque nos fenômenos relacionados ao cotidiano de crianças e adolescentes, e não somente nos aspectos biológicos, tendo em vista que nessa fase da vida eles são sensíveis às condições do ambiente que podem alterar seu comportamento. Diante da escassez de pesquisas averiguando o estilo de vida de crianças com déficits motores18 e considerando os reflexos do ambiente no desenvolvimento motor, buscou-se investigar o estilo de vida de escolares de 11 a 13 anos com e sem TDC de Florianópolis (SC).

METODOLOGIA

Local do estudo

O estudo foi realizado em uma escola da rede estadual, localizada na região central de Florianópolis (SC), considerada uma das maiores escolas da América Latina.

A pesquisa foi aprovada em seus aspectos éticos pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob o parecer nº 224/2010, e as coletas de dados ocorreram nos meses de fevereiro a maio de 2011.

Participantes

Os escolares faziam parte de um universo de 590 alunos, de ambos os sexos, com idades de 11 a 13 anos, e foram selecionados de forma não probabilística. Foi autorizado pela equipe pedagógica o convite a 400 alunos, sendo estregues, dessa forma, 400 Termos de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLEs), dos quais se obteve o retorno de 130 termos assinados pelos pais ou responsáveis, permitindo a participação dos escolares na pesquisa.

Os critérios de inclusão considerados foram: participação voluntária dos alunos; faixa etária estabelecida; autorização dos pais ou responsáveis; ausência de problemas físicos nos membros inferiores ou superiores que impossibilitassem a realização das avaliações (indicados pelos professores).

Diante desses critérios, dos 130 termos entregues, foi possível realizar as avaliações de estilo de vida e desempenho motor em 108 escolares (72 meninas e 36 meninos), com média de idade 11,31 anos (±0,54 anos). A perda amostral ocorreu devido ao período de greve escolar, faltas na escola nos dias das coletas e de alguns intervenientes, dentre eles o estado de saúde dos participantes e as condições climáticas.

Instrumentos

Para avaliação motora, foi utilizada a Movement Assessment Battery for Children 2 21, cujas tarefas são apropriadas para as seguintes faixas etárias: faixa etária 1 (3 a 6 anos); faixa etária 2 (7 a 10 anos); faixa etária 3 (11 a 16 anos).

As habilidades avaliadas são destreza manual (tempo em segundos), lançar/receber (número de acertos) e equilíbrio estático e dinâmico (tempo em segundos e número de passos). Conforme a pontuação obtida, crianças e adolescentes podem ser classificados em 3 categorias: indicativo de problema motor (escore ≤5º), problema motor limítrofe (escore entre o 5º e o 16º) e desenvolvimento motor normal/típico (escore ≥16º). Neste estudo, o termo utilizado para indicativo de problemas motores foi "provável TDC", que é indicado pelo fato de não se ter estabelecido um diagnóstico formal por um médico pediatra ou terapeuta ocupacional12.

Para identificação do estilo de vida, foi utilizado o Inventário de Estilo de Vida na Infância e Adolescência (EVIA) adaptado à realidade brasileira22. O inventário é destinado a crianças e adolescentes com idades de 7 a 14 anos, sendo composto por questões referentes aos hábitos de vida nos seguintes aspectos: organização do cotidiano; participação sociocultural; participação em práticas esportivas. Foram acrescentadas duas questões relativas à participação dos pais em atividades físicas ou esportes (alternativas sim/não) e nas aulas de educação física (alternativas sim/não).

Procedimentos para coleta de dados

Foram realizadas reuniões com a equipe pedagógica para explanação dos objetivos da pesquisa, bem como para informações sobre os turnos disponibilizados pela escola para a coleta de dados. As avaliações ocorreram em ambiente escolar adequado e iluminado, sendo cedida pela escola uma sala ampla para ser utilizada durante todo o período de realização do estudo.

A avaliação motora (MABC-2) teve duração de 40 a 45 minutos, variando de acordo com a habilidade dos alunos para a realização das tarefas. Os testes motores foram realizados individualmente por avaliadores previamente capacitados, seguindo a ordem do protocolo, por meio da realização, primeiramente, das tarefas de destreza manual (invertendo pinos, montagem do triângulo e desenho da trilha), habilidades com bola (recebendo a bola com uma mão, arremesso da bola no alvo) e finalizando com as tarefas de equilíbrio (equilíbrio sobre a tábua, caminhar sobre a linha, saltando em tapetes).

Ao final das avaliações motoras foi aplicado o EVIA. A aplicação do questionário teve duração de, aproximadamente, 15 minutos e foi realizada individualmente em forma de entrevista pelos avaliadores, com o objetivo de dinamizar a coleta de dados e ainda esclarecer as dúvidas dos alunos em relação às questões.

Análise dos dados

Os dados foram analisados no programa estatístico SPSS, versão 17.0, utilizando-se estatística descritiva (média, desvio-padrão, frequência simples e porcentagem) e inferencial. Para verificação da associação entre as variáveis (classificação motora e estilo de vida), foram utilizados os testes não paramétrico do χ2 e exato de Fisher com ajuste residual, adotando-se um nível de significância de p<0,05.

RESULTADOS

Verificou-se que 73 (67,6%) escolares apresentaram desenvolvimento motor típico (DMT), 24 (22,2%), risco de transtorno do desenvolvimento da coordenação (risco TDC), e 11 (10,2%), provável transtorno do desenvolvimento da coordenação (PTDC). Tendo em vista o objetivo do estudo de comparar os hábitos de vida dos escolares com e sem TDC, os escolares que apresentavam risco de TDC não foram inseridos nas análises.

Destaca-se que a variação do n na distribuição de frequência das respostas do questionário EVIA foi em decorrência de os escolares terem assinalado mais de uma alternativa em algumas questões, o que acabou invalidando suas respostas.

Para as atividades realizadas dentro de casa, foi encontrada associação estatisticamente significativa entre a classificação motora PTDC e a atividade jogar videogame (Tabela 1). Para as demais atividades, as características foram semelhantes segundo a classificação motora.

Tabela 1 Associação entre as atividades realizadas dentro de casa e a classificação motora dos escolares 

Atividades dentro de casa DMT
(n=73)
PTDC
(n=11)
Valor p
f (%) f (%)
Ver televisão
Muitas vezes
Pouco/nunca
Jogar videogame
Muitas vezes
Pouco/nunca
Leitura de lazer
Muitas vezes
Pouco/nunca
Escutar música
Muitas vezes
Pouco/nunca
Conversar/brincar amigos
Muitas vezes
Pouco/nunca
Estudar
Muitas vezes
Pouco/nunca
Tarefas domésticas
Muitas vezes
Pouco/nunca

41 (57,7)
30 (42,3)

11 (15,5)
60 (84,5)

21 (29,6)
50 (70,4)

50 (70,4)
21 (29,6)

44 (62,0)
27 (38,0)

32 (45,1)
39 (59,4)

39 (54,9)
32 (45,1)

7 (63,3)
4 (36,4)

7 (63,3)¥
4 (36,4)

4 (40,0)
6 (60,0)

8 (80,0)
2 (20,0)

7 (63,6)
4 (36,4)

6 (54,5)
5 (45,5)

8 (72,7)
3 (27,3)


1,000

0,002*


0,489


0,717


1,000


0,558


0,338

DMT: desenvolvimento motor típico; PTDC: provável transtorno do desenvolvimento da coordenação; f: frequência; teste do χ2; p: índice de significância

*nível de significância p<0,05

¥: ajuste residual (>-2,5; <+2,5)

Em relação às atividades realizadas fora de casa, os hábitos de vida dos escolares com e sem TDC mostraram-se similares, conforme apresentado na Tabela 2.
Quanto à participação sociocultural, não houve associação entre participar de atividades em grupo (p=0,651), materiais (p=0,993) e locais para o lazer (p=0,653) com a classificação motora dos escolares. Verificou-se que 63,6% dos escolares com PTDC e 56,3% dos escolares com DMT declararam participar de atividades em grupo, com destaque, para ambos, das atividades religiosas/dança e oficinas na escola.

Tabela 2 Associação entre as atividades realizadas fora de casa e a classificação motora dos escolares 

Atividades fora de casa DMT
(n=73)
PTDC
(n=11)
Valor p
f (%) f (%)
Conversar ou brincar com amigos
Muitas vezes
Pouco/nunca
Passear a pé
Muitas vezes
Pouco/nunca
Passear de carro
Muitas vezes
Pouco/nunca
Andar de bicicleta
Muitas vezes
Pouco/nunca
Andar de patins/roller
Muitas vezes
Pouco/nunca
Andar de skate
Muitas vezes
Pouco/nunca
Jogar bola
Muitas vezes
Pouco/nunca
Ir ao cinema/shopping
Muitas vezes
Pouco/nunca

36 (51,4)
34 (48,6)

31 (44,3)
39 (55,7)

35 (49,3)
36 (50,7)

20 (28,6)
50 (70,4)

5 (7,2)
64 (92,8)

10 (14,1)
61 (85,9)

28 (39,4)
43 (60,6)

23 (32,4)
 48 (67,6)

7 (70,0)
3 (30,0)

4 (40,0)
6 (60,0)

5 (50,0)
5 (50,0)

3 (30,0)
7 (70,0)

1 (10,0)
9 (91,3)

1 (10,0)
9 (90,0)

5 (50,0)
 5 (50,0)

4 (40,0)
6 (60,0)


0,326


1,000


1,000


1,000


0,569


1,000


0,233


0,724

DMT: desenvolvimento motor tipico; PTDC: provavel transtorno do desenvolvimento da coordenacao; f: frequencia; teste do χ2; p: indice de significancia

*nivel de significancia p<0,05

Não foram encontradas associações entre a classificação motora e a prática de esportes com orientação (p=0,349), participação dos pais em atividades físicas (p=0,173) e participação nas aulas de educação física (p=0,575). Contudo, notou-se que a maioria dos escolares em ambos os grupos não tem o hábito de praticar esportes. Observou-se maior participação em atividades físicas para os pais dos escolares com DMT; já ao observar a participação dos escolares nas aulas de educação física, verificou-se que em ambos os grupos a maioria deles tem esse hábito.

DISCUSSÃO

Nas atividades realizadas dentro de casa não houve associação com a classificação motora; as atividades mais frequentes foram escutar música, conversar/brincar com amigos e assistir à televisão. Koerich et al. 23 encontraram resultados similares para escolares com e sem dificuldades motoras, o que permite inferir que nessa faixa etária os hábitos de atividades dentro de casa são comuns, independentemente da classificação motora.

Para a atividade jogar videogame, foi encontrada associação significativa com a classificação PTDC. Esses dados vão ao encontro de estudo18 no qual foram avaliadas as relações entre o perfil psicomotor e o estilo de vida de escolares de João Pessoa (PB), verificando-se que 44,3% das crianças com distúrbios motores preferiam atividades como assistir à televisão, navegar na internet e jogos eletrônicos, enquanto escolares sem distúrbios motores preferiam atividades dinâmicas (andar de bicicleta/praticar esportes).

A permanência diante da televisão ou outros meios audiovisuais na infância e adolescência contribui para a sedentarização das atividades cotidianas e aumento do peso corporal, refletindo em um baixo desempenho em tarefas motoras11 , 24. Tal aspecto foi constatado em investigações5 , 11 , 16 realizadas com crianças portuguesas, brasileiras e alemãs, observando-se associação das habilidades motoras com a atividade assistir à televisão, indicando que crianças com menor tempo dedicado a essas atividades apresentaram desempenho motor superior às que dedicavam um tempo maior.

A partir dessas considerações, é importante destacar pesquisas atuais que têm apontado evidências contrárias às do presente estudo, verificando que os Exergames (exercício e game) ou Nintendo Wii apresentam resultados positivos para o aumento da prática de atividade física em crianças e adolescentes, quando comparados aos games tradicionais considerados sedentários25 , 26. Essas pesquisas de revisão verificaram que esses jogos contribuem para um aumento no gasto calórico, melhora dos aspectos psicológicos e motivacionais e ainda são utilizados por médicos e fisioterapeutas em programas de reabilitação motora, contribuindo para melhor motivação e aderência aos programas25 , 26.

O estudo realizado por Finco e Fraga27 vai ao encontro dessas informações ao constatar a contribuição do game Wii Fit para uma maior interação corporal. Os autores verificaram as percepções em três comunidades virtuais quanto à influência do jogo em suas práticas de alimentação e atividade física. Os resultados revelados pelos participantes indicaram pontos de vista positivos sobre o game, o qual aumentou seu interesse pela prática de atividade física, maiores cuidados com o peso corporal e aspectos de saúde, bem como a importância da adoção de alimentação saudável. Corroborando esses achados, uma pesquisa internacional investigou as associações entre a mídia eletrônica (televisão e games) no bem-estar (alimentação e estilo de vida) de crianças pequenas, encontrando piores resultados para assistir à televisão, quando comparados ao uso de jogos eletrônicos28.

As informações das pesquisas anteriormente apresentadas apontam a importância de conhecer o tipo de jogo eletrônico utilizado nos hábitos de vida das crianças e adolescentes, pois há uma diferenciação entre os benefícios advindos dos Exergames e dos games tradicionais apontados como estimuladores de atividades sedentárias. Neste estudo, não foram identificados os tipos de games utilizados, fato que pode ser considerado uma limitação; contudo, os adolescentes com PTDC apresentaram maiores frequências dessas práticas, o que pode indicar que se tratavam de games tradicionais.

Para as atividades fora de casa, em ambos os grupos foram verificadas ocorrências para conversar/brincar com amigos, passear de carro, passear a pé, jogar bola e ir ao cinema, sem associação com a classificação motora. Hábitos semelhantes para escolares com e sem dificuldades motoras foram encontrados em uma pesquisa23, sendo as atividades de maior ocorrência jogar bola, passear de carro e conversar/brincar com amigos. Já em outra investigação18, verificou-se que escolares com distúrbios da coordenação motora relataram, em sua maioria, não praticar nenhuma atividade, enquanto grande parte das crianças com desenvolvimento típico indicou participar de esportes, diante do que se observa que são mais ativas do que as crianças com o distúrbio motor.

Quanto à verificação da participação dos escolares com PTDC e DMT nas atividades em grupos, encontrou-se que a maioria deles tem tal hábito, sem associação significativa. As atividades mais frequentes foram as religiosas, teatro, dança e oficinas na escola. No estudo de Silva29 avaliando os hábitos de vida em escolares com TDC de 10 e 11 anos, verificou-se que as atividades mais frequentes eram as realizadas no centro paroquial, dança e atividades em clubes desportivos. Um aspecto positivo verificado no presente estudo é a grande participação de escolares com provável TDC nessas atividades, já que, conforme apontado pela literatura, estes têm preferência por atividades mais solitárias ou individuais. Poulsen30 confirma essa assertiva ao avaliar as atividades físicas de lazer de meninos com TDC de 10 a 13 anos, evidenciando que estes reportaram baixa participação nas atividades com equipes e alta participação em atividades estruturadas que exigem níveis baixos de aptidão física e menor gasto de energia, como grupos de canto na igreja.

Com relação à participação em esportes com orientação, notou-se que, mesmo não ocorrendo associação significativa entre a participação esportiva e a classificação motora, os escolares com provável TDC apresentaram menor frequência de participação nessas práticas, o que pode ocorrer pela própria coordenação motora limitada. Crianças com dificuldades motoras evitam os ambientes nos quais se desenvolvem atividades físicas, pelo fato de apresentarem insucessos diante das mesmas, já que a pobre coordenação motora limita a realização de movimentos complexos como os requeridos nos esportes ou jogos19.

Sobre a participação dos pais em atividades físicas ou esportes, obteve-se uma minoria de pais de escolares com PTDC praticando atividades físicas (27,3%), sem associação significativa. Quando os pais são ativos fisicamente os filhos apresentam maior probabilidade de participar de atividades físicas ou esportes, e essa participação depende da disponibilidade e incentivo dos pais, estímulo a locais de atividades de lazer e equipamentos para as práticas31. Seabra et al. 14 corroboram essa ideia ao constatar que 70% dos escolares revelaram praticar atividades físicas ou esportes porque seus pais, irmãos e pares participavam. Conforme os autores, a família praticando esportes tem uma grande influência na prática esportiva de crianças e adolescentes.

Observou-se que em ambos os grupos a maioria dos escolares participa das aulas de educação física, o que é positivo e contrasta com a literatura, pois aponta-se uma menor participação de crianças com dificuldades motoras, menor autoconfiança, bem como menor gosto pelas aulas de educação física12.

As limitações encontradas no presente estudo estão relacionadas a não identificação dos tipos de jogos eletrônicos praticados pelos escolares, o que poderia ter indicado se o uso do game caracteriza uma prática realmente sedentária.

CONCLUSÃO

Com base nos resultados do presente estudo é possível concluir que os escolares com DMT e PTDC apresentaram estilos de vida semelhantes e com características sedentárias na maioria das atividades dentro e fora de casa, e a atividade jogar videogame esteve associada ao PTDC.

Destaca-se a relevância da verificação do estilo de vida dos escolares, que com as avaliações motoras e de saúde servem como subsídios para a elaboração das aulas de educação física na escola, tendo em vista a importância desses aspectos para o desenvolvimento motor.

Sugere-se para futuros estudos a investigação dos tipos de jogos eletrônicos utilizados, a relação desses jogos com as características motoras dos escolares, bem como a verificação de fatores psicossociais que melhor explicam o comportamento das crianças e adolescentes para a prática de atividades físicas.

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