Estilo de vida saudável dos adolescentes

Estilo de vida saudável dos adolescentes

Autores:

Adilson Marques,
Nuno Loureiro,
Bruno Avelar-Rosa,
Ana Naia,
Margarida Gaspar de Matos

ARTIGO ORIGINAL

Jornal de Pediatria

versão impressa ISSN 0021-7557versão On-line ISSN 1678-4782

J. Pediatr. (Rio J.) vol.96 no.2 Porto Alegre mar./abr. 2020 Epub 11-Maio-2020

http://dx.doi.org/10.1016/j.jped.2018.09.002

Introdução

O período de adolescência pode ser crítico para a saúde e a ocorrência de doenças durante a vida dos indivíduos,1 porque há algumas evidências de que hábitos adquiridos na adolescência podem permanecer até a idade adulta. Por exemplo, os hábitos de consumo alcoólico durante a adolescência aumentam a probabilidade de consumo pesado na vida adulta,2 assim como o consumo alimentar na adolescência é um preditor do consumo na idade adulta.3 Por esse motivo, várias doenças crônicas podem ter sua origem e progressão durante a adolescência.1

Para melhorar a saúde dos adolescentes, é importante promover comportamentos saudáveis desde a infância e, principalmente, durante a adolescência. Comportamentos saudáveis são um fator determinante para a saúde; mudanças positivas podem ter impacto sobre os desfechos gerais da saúde.4 Os principais comportamentos associados à saúde dos adolescentes são: atividade física, menos tempo envolvido com multimídia, alimentação saudável, ausência de consumo de álcool e tabaco,4-6 assim como uso de cafeína/ estimulantes, privação de sono, uso de drogas, sexo sem proteção e relacionamentos não saudáveis.7 Durante a transição para a adolescência e durante essa fase da vida, há um aumento do desejo de experimentar coisas novas, juntamente com a coragem e a curiosidade de testar comportamentos diferentes, muitas vezes não saudáveis.8

Como a adolescência é um momento crítico para estabelecer uma base para a saúde de uma pessoa,1,2 é importante compreender a prática comportamental durante a transição do início da adolescência até o seu fim. Estudos sobre hábitos saudáveis de adolescentes têm sido focados na relação entre comportamentos individuais e seus desfechos sobre a saúde.9,10 São raras as tentativas de combinar vários comportamentos relacionados à saúde para criar uma solução que expresse um estilo de vida saudável.11 Essa medida pode ser importante para as políticas públicas de saúde, influencia a maneira como os programas criados para promover estilos de vida saudáveis são desenvolvidos. Assim, há uma necessidade de entender como comportamentos saudáveis e um estilo de vida saudável variam durante essa fase da vida. Dessa forma, com uma amostra ampla e representativa de adolescentes de 37 países e regiões, este estudo teve como objetivo examinar a associação entre a idade e as mudanças na prevalência de comportamentos saudáveis autorrelatados em adolescentes.

Métodos

Procedimentos e participantes

Os dados são provenientes da base de dados da pesquisa internacional Health Behavior in School-aged Children (HBSC), de 2010, disponível em http://www.uib.no/en/hbscdata. A pesquisa HBSC é feita a cada quatro anos em diversos países da Europa e da América do Norte, em amostras representativas de base escolar.12 A pesquisa analisa comportamentos e estilos de vida em adolescentes das 6ª, 8ª e 10ª séries, com 11, 13 e 15 anos. Em cada país, os adolescentes são recrutados em escolas selecionadas aleatoriamente de uma lista estratificada por regiões. Os procedimentos da pesquisa HBSC são desenvolvidos através de um protocolo de pesquisa padronizado internacionalmente, a fim de permitir comparações transculturais. Os métodos e a descrição do instrumento podem ser encontrados em outros estudos.12 A pesquisa foi conduzida e aprovada de acordo com as diretrizes éticas dos comitês de ética de cada país. Por exemplo, em Portugal, a pesquisa foi conduzida de acordo com o Comitê de Ética da Faculdade de Medicina do Porto e o Sistema Nacional de Proteção de Dados. O consentimento informado por escrito para participar do estudo foi exigido dos pais ou responsáveis, com a aprovação dos adolescentes. A participação foi anônima e não houve incentivos para participação.

O número de adolescentes que participaram da pesquisa do HBSC 2010 foi de 213.594 (105.099 meninos, 108.496 meninas). Para o presente estudo, os adolescentes selecionados foram aqueles que relataram níveis de atividade física, comportamento sedentário baseado em tempo de tela, ingestão de frutas e vegetais, consumo de álcool e tabagismo e com 11, 13 e 15 anos (ou seja, as faixas etárias equivalentes às 6ª, 8ª e 10ª séries escolares). A amostra final foi composta por 148.839 adolescentes (71.415 meninos, 77.424 meninas). A amostra final não diferiu na distribuição por gênero, idade e comportamentos relacionados à saúde de todos os adolescentes participantes do HBSC 2010 e daqueles que não foram incluídos na análise.

Medidas

Características sociodemográficas

Os adolescentes relataram idade, sexo, pessoas com quem moravam e número de irmãos. Além disso, a escala de afluência familiar foi usada para avaliar o nível socioeconômico. Foi perguntado aos adolescentes se a família possuía carro, se eles tinham um quarto individual, se viajavam nas férias e o número de computadores que havia na casa. Posteriormente, um escore composto foi calculado com base nas respostas a esses quatro itens e uma escala de três pontos foi obtida: baixa (0 a 2), média (3 a 5) e alta (6 a 9).

Comportamentos de estilo de vida saudável e escore composto do estilo de vida saudável

Foi solicitado aos adolescentes que relatassem o número de dias em que tinham sido fisicamente ativos por pelo menos 60 minutos/dia nos últimos sete dias. Antes de responder, os adolescentes receberam uma definição de atividade física,13 acompanhada de exemplos de algumas atividades relevantes para a idade. As respostas foram dadas em uma escala de 8 pontos (0 = nenhum a 7 = diariamente). As respostas foram dicotomizadas em ≤ 6 vezes ou sete vezes por semana, de acordo com as diretrizes de atividade física.13 Foi solicitado aos adolescentes que indicassem o tempo habitual (horas por dia) em que assistiam a televisão, jogavam videogames e usavam o computador. O comportamento baseado em tempo de tela foi calculado pela soma desses comportamentos. O tempo de comportamento sedentário baseado em tela foi dicotomizado em ≥ 2 horas e < 2 horas diárias.14 Foi solicitado aos adolescentes que relatassem a frequência com que consumiam frutas e vegetais. As opções foram "nunca", "menos de uma vez por semana", "uma vez por semana", "2-4 dias por semana", "5-6 dias por semana", "uma vez por dia" e "várias vezes ao dia. Os itens foram dicotomizados em "menos do que uma vez por dia" e "diariamente", pois o consumo diário de frutas e vegetais é um importante comportamento saudável em escolares.15,16 Foi perguntado aos adolescentes com que frequência consumiam álcool (por exemplo, cerveja, vinho, destilados). Para cada opção, as opções de resposta foram: "nunca", "raramente", "todo mês", "toda semana" e "todos os dias". A ingestão de álcool é prejudicial para a saúde dos adolescentes.17 As recomendações são de abstinência alcoólica para essa faixa etária.18 Assim, as respostas foram dicotomizadas entre consumo de álcool (independentemente da frequência) e ausência de consumo. O uso de produtos de tabaco foi avaliado através da questão: "Com que frequência você fuma atualmente?" As opções de resposta eram "todos os dias", "pelo menos uma vez por semana, mas não todos os dias", "menos de uma vez por semana" ou "nunca". Como não há limiar de segurança para o tabagismo, as respostas foram recodificadas como fumante atual (regular ou eventual) e não fumante.

A maioria dos estudos sobre a saúde do adolescente tem se focado na relação entre um desfecho específico de saúde e um dado comportamento9,10 Entretanto, são raros os estudos que tentaram combinar vários comportamentos relacionados à saúde para criar uma medida que expressasse um estilo de vida saudável.11 Tal medida poderia ser importante para as políticas públicas de saúde, influenciariamdo a maneira como os programas criados para promover estilos de vida saudáveis são desenvolvidos. Dessa forma, combinando todos esses comportamentos saudáveis, foi criado um escore composto para um estilo de vida saudável. Os adolescentes ganhavam um ponto ao marcar cada uma das seguintes categorias de estilo de vida saudável: a) atividade física diária, b) consumo diário de frutas e vegetais, c) gasto menor do que duas horas diárias em comportamento sedentário baseado em tela, d) ausência de consumo de álcool, e) não fumar. O escore de estilo de vida saudável variou de 0 a 5, com escore total de cinco comportamentos saudáveis que representavam um estilo de vida saudável.

Análise de dados

Para toda a amostra, foram calculadas estatísticas descritivas (média, desvio-padrão e porcentagens). Estimativas e intervalos de confiança de 95% foram relatados para a prevalência de comportamentos de estilo de vida saudável e para o número de critérios de comportamento atendidos. Além disso, o número médio de comportamentos relatados também foi calculado. Essa informação foi estratificada por idade (11, 13 e 15 anos). Foram usados o teste qui-quadrado para tendências e Ancova para analisar a relação entre a idade dos adolescentes, os comportamentos de estilo de vida saudável e o número de comportamentos relatados. A análise foi estratificada por gênero. A análise estatística foi feita com o software SPSS (IBM SPSS, estatística para Windows, versão 24, NY, EUA). O nível de significância adotado foi de p < 0,05.

Resultados

As características dos dados da amostra são apresentadas na tabela 1. A maioria dos adolescentes morava com a mãe (94,1%), 77% moravam com o pai em casa e mais de 80% tinham irmãos. Apenas 5% foram classificados como de nível socioeconômico mais baixo. Os demais eram de nível socioeconômico médio (34,7%) ou alto (60,3%).

Tabela 1 Características dos participantes (n = 148.839) 

%
Sexo
Meninos 48,0
Meninas 52,0
Idade
11 anos 29,5
13 anos 35,0
15 anos 35,5
Vive com a mãe
Não 5,9
Sim 94,1
Vive com o pai
Não 23,0
Sim 77,0
Tem irmãos ou irmãs
Não 16,8
1-2 irmãos/irmãs 66,8
≥3 irmãos/irmãs 16,4
EAF
Baixa 5,0
Média 34,7
Alta 60,3

EAF, escala de abastança familiar.

A tabela 2 apresenta a prevalência de comportamentos de estilo de vida saudável?. Entre os meninos de 15 anos, os comportamentos saudáveis menos prevalentes foram tempo de tela menor do que duas horas/dia (12,8%, IC95%: 11,7-14,0), consumo de frutas e vegetais todos os dias (16,2%, IC95%: 15,1, 17,3) e prática diária de atividade física (18,9%, IC95%: 17,8, 20,0). Por outro lado, a prevalência de meninos que não consumiam álcool (89,1,5%; IC95%: 88,6, 89,6) e não fumavam (97,3%; IC95%: 97,1, 97,5) foi maior aos 11 anos. A prevalência de todos os comportamentos saudáveis diminuiu significativamente com a idade e a tendência decrescente foi mais pronunciada em relação ao consumo de álcool (-43,5%; IC95%: -44,1, -42,8) e tabagismo (-21,6%; IC95%: -22,1; -21.0) do que em relação à atividade física, tempo de tela inferior a duas horas/dia e consumo diário de frutas ou vegetais. Apenas 4,7% (IC 95%: 3,4, 6,0) dos meninos de 11 anos tinham um estilo de vida saudável. Os números são ainda menores aos 13 anos (3,0%; IC95%: 1,8, 4,2) e 15 anos (1,5%; IC95%: 0,3, 2,7). A queda apresentou uma tendência significativa (-3,3%; IC95%: -3,6; -2,9).

Tabela 2 Comportamento de uma medida composta de estilo de vida saudável 

Meninos
Comportamento de estilo de vida saudável 11 anos (n = 21.138) % (IC 95%) 13 anos (n = 24.816) % (IC 95%) 15 anos (n = 25.461) % (IC 95%) pb Diferença entre 15 e 11 anos (IC 95%)
Atividade física diária 26,6 (25,4, 27,7) 23,9 (22,8, 25,0) 18,9 (17,8, 20,0) < 0,001 -7,7 (-8,4, -6,9)
Tempo de tela < 2 horas/dia 24,7 (23,5, 25,9) 16,1 (15,0, 17,2) 12,8 (11,7, 14,0) < 0,001 -11,9 (-12,6, -11,2)
Consumo diário de frutas e vegetais 22,5 (21,3, 23,7) 19,1 (18,0, 20,2) 16,2 (15,1, 17,3) < 0,001 -6,3 (-7,0, -5,6)
Sem consumo de álcool 89,1 (88,6, 89,5) 76,9 (76,3, 77,5) 55,3 (54,4, 56,1) < 0,001 -33,8 (-34,6, -33,1)
Sem tabagismo 97,3 (97,1, 97,5) 91,8 (91,4, 92,2) 76,7 (76,1, 77,3) < 0,001 -20,6 (-21,2, -20,1)
Número de comportamentos relatados
Nenhum 0,4 (-1,0, 1,7) 1,7 (0,5, 3,0) 6,4 (5,2, 7,6) < 0,001 6,0 (5,7, 6,3)
1 comportamento 3,9 (2,6, 5,2) 8,9 (7,7, 10,1) 19,6 (18,5, 20,7) < 0,001 15,7 (15,2, 16,3)
2 comportamentos 27,9 (26,7, 29,0) 30,9 (29,9, 32,0) 33,4 (32,4, 34,4) < 0,001 5,6 (4,7, 6,4)
3 comportamentos 42,9 (41,9, 43,9) 39,9 (38,9, 40,9) 29,6 (28,5, 30,6) < 0,001 -13,3 (-14,2, -12,5)
4 comportamentos 20,2 (19,0, 21,4) 15,6 (14,4, 16,7) 9,5 (8,3, 10,7) < 0,001 -10,7 (-11,3, -10,0)
5 comportamentos a 4,7 (3,4, 6,0) 3,0 (1,8, 4,2) 1,5 (0,3, 2,7) < 0,001 -3,3 (-3,6, -2,9)
Todos os comportamentos Média (IC 95%) Média (IC 95%) Média (IC 95%) pc Média (IC 95%)
Média do comportamento relatado 2,6 (2,6, 2,6) 2,3 (2,3, 2,3) 1,8 (1,8, 1,8) < 0,001 -0,8 (-0,8, -0,8)
Meninas
Comportamento de estilo de vida saudável 11 anos (n = 22788)
% (IC 95%)
13 anos (n = 27207) % (IC 95%) 15 anos (n = 27429) % (IC 95%) pb Diferença entre 15 e 11 anos (IC 95%)
Atividade física diária 18,2 (17,0, 19,4) 12,9 (11,8, 14,0) 9,4 (8,3, 10,6) < 0,001 -8,8 (-9,4, -8,2)
Tempo de tela < 2 horas/dia 33,3 (32,3, 34,4) 20,6 (19,5, 21,6) 18,7 (17,6, 19,8) < 0,001 -14,6 (-15,4, -13,9)
Consumo diário de frutas e vegetais 29,3 (28,2, 30,4) 23,8 (22,8, 24,9) 22,6 (21,5, 23,6) < 0,001 -6,7 (-7,5, -5,9)
Sem consumo de álcool 93,0 (92,6, 93,3) 76,8 (76,2, 77,4) 49,5 (48,7, 50,3) < 0,001 -43,5 (-44,1, -42,8)
Sem tabagismo 98,8 (98,7, 99,0) 92,1 (91,8, 92,4) 77,3 (76,7, 77,8) < 0,001 -21,6 (-22,1, -21,0)
Número de comportamentos relatados
Nenhum 0,2 (-1,1, 1,5) 2,4 (1,2, 3,6) 8,7 (7,6, 9,9) < 0,001 8,6 (8,2, 8,9)
1 comportamento 2,8 (1,5, 4,0) 10,3 (9,2, 11,5) 23,1 (22,1, 24,1) < 0,001 20,4 (19,8, 20,9)
2 comportamentos 29,0 (27,9, 30,1) 34,6 (33,6, 35,5) 34,0 (33,0, 35,0) < 0,001 5,0 (4,2, 5,8)
3 comportamentos 44,1 (43,1, 45,1) 37,5 (36,5, 38,4) 26,1 (25,0, 27,1) < 0,001 -18,0 (-18,9, -17,2)
4 comportamentos 19,6 (18,4, 20,8) 13,2 (12,1, 14,4) 7,2 (6,1, 8,4) < 0,001 -12,4 (-13,0, -11,8)
5 comportamentosa 4,4 (3,2, 5,7) 2,0 (0,8, 3,2) 0,8 (-0,3, 2,0) < 0,001 -1,5 (-1,7, -1,3)
Todos os comportamentos Média (IC 95%) Média (IC 95%) Média (IC 95%) pc Média (IC 95%)
Média do comportamento relatado 2,7 (2,7, 2,7) 2,3 (2,3, 2,3) 1,8 (1,8, 1,8) < 0,001 -0,9 (-0,9, -0,9)

IC, intervalo de confiança.

aAdolescentes com um estilo de vida saudável.

bAvaliado pelo teste do qui-quadrado para tendência.

cAvaliado por Ancova para análise de contraste linear. As análises foram ajustadas para o fato de morar com a mãe, morar com o pai, ter irmãos ou irmãs e escala de abastança familiar.

Entre as meninas de 15 anos, a prática de atividade física diária foi o menos prevalente dos comportamentos saudáveis (9,4%; IC95%: 8,3; 10,6), seguido do tempo de tela menor do que duas horas/dia (18,7%; IC95%: 17,6; 19,8) e consumo diário de frutas e vegetais (22,6%, 95% CI: 21,5, 23,6). Mais de 90% das meninas de 11 anos não consumiam álcool (93,0%; 95% CI: 92,6. 93,3) e não fumavam (98,8%; 95% CI: 98,7, 99,0). No entanto, essa prevalência diminui mais de 43% para o não consumo de álcool e mais de 20% para o não tabagismo. Apenas 4,4% (IC 95%: 3,2, 5,7) das meninas em 11 anos apresentavam um estilo de vida saudável. Os números diminuem para 2% (IC 95%: 0,8, 3,2) aos 13 anos e depois para menos de 1% aos 15 anos. A queda apresentou uma tendência significativa (-1,5%; IC95%: -1,7, -1,3).

A média dos comportamentos saudáveis por país, estratificada por idade, é apresentada na tabela 3. A média de comportamentos saudáveis diminuiu significativamente em todos os países, dos 11 aos 15 anos.

Tabela 3 Média de comportamentos saudáveis em cada país do estudo HBSC 

Países Total Meninos média (IC 95%) Meninas média (IC 95%)
11 anos 13 anos 15 anos 11 anos 13 anos 15 anos
Irlanda 3222 3,0 (2,9, 3,1) 2,6 (2,6, 2,7) 2,2 (2,2, 2,3) 3,0 (2,9, 3,1) 2,6 (2,5, 2,7) 2,0 (1,9, 2,1)
Macedônia 3073 2,9 (2,8, 2,9) 2,5 (2,5, 2,6) 2,2 (2,1, 2,2) 3,0 (2,9, 3,1) 2,5 (2,5, 2,6) 2,3 (2,3, 2,4)
Suíça 5435 3,0 (3,0, 3,1) 2,6 (2,5, 2,6) 1,9 (1,8, 2,0) 3,2 (3,1, 3,2) 2,7 (2,6, 2,7) 2,1 (2,0, 2,2)
EUA 4951 2,8 (2,8, 2,9) 2,6 (2,6, 2,7) 2,3 (2,2, 2,4) 2,9 (2,9, 3,0) 2,5 (2,5, 2,6) 2,2 (2,1, 2,2)
Luxemburgo 3029 3,0 (2,9, 3,1) 2,6 (2,5, 2,7) 2,0 (1,9, 2,1) 2,9 (2,8, 3,0) 2,6 (2,5, 2,6) 2,1 (2,0, 2,2)
Bélgicaa 3266 2,9 (2,8, 3,0) 2,4 (2,3, 2,5) 2,0 (1,9, 2,1) 2,8 (2,8, 2,9) 2,4 (2,4, 2,5) 1,9 (1,8, 2,0)
Israel 3026 2,7 (2,6, 2,7) 2,4 (2,3, 2,5) 2,0 (1,9, 2,1) 2,7 (2,6, 2,7) 2,5 (2,4, 2,5) 2,3 (2,2, 2,3)
Islândia 9301 2,7 (2,6, 2,7) 2,3 (2,3, 2,4) 2,0 (1,9, 2,0) 2,9 (2,8, 2,9) 2,5 (2,5, 2,5) 2,0 (2,0, 2,1)
Canadá 11672 2,6 (2,6, 2,7) 2,4 (2,4, 2,4) 2,0 (2,0, 2,1) 2,8 (2,8, 2,9) 2,3 (2,2, 2,3) 1,9 (1,9, 1,9)
França 4771 2,7 (2,6, 2,8) 2,3 (2,3, 2,4) 1,9 (1,8, 1,9) 2,8 (2,7, 2,8) 2,4 (2,3, 2,4) 2,0 (1,9, 2,0)
Áustria 3778 2,9 (2,8, 3,0) 2,5 (2,4, 2,5) 1,6 (1,5, 1,6) 3,1 (3,0, 3,1) 2,4 (2,3, 2,5) 1,5 (1,4, 1,6)
Espanha 3919 2,8 (2,7, 2,9) 2,3 (2,2, 2,3) 1,9 (1,8, 1,9) 2,8 (2,7, 2,9) 2,3 (2,2, 2,3) 1,7 (1,6, 1,8)
Alemanha 3871 2,8 (2,7, 2,8) 2,3 (2,2, 2,3) 1,6 (1,5, 1,7) 2,9 (2,8, 3,0) 2,4 (2,3, 2,5) 1,7 (1,6, 1,8)
Romênia 3678 2,6 (2,5, 2,7) 2,2 (2,1, 2,3) 1,7 (1,7, 1,8) 2,7 (2,6, 2,8) 2,3 (2,3, 2,4) 2,0 (1,9, 2,0)
Eslováquia 3813 2,5 (2,5, 2,6) 2,3 (2,2, 2,3) 1,9 (1,8, 1,9) 2,6 (2,6, 2,7) 2,2 (2,1, 2,3) 1,9 (1,8, 1,9)
Bélgicab 3257 2,6 (2,6, 2,7) 2,3 (2,2, 2,4) 1,6 (1,6, 1,7) 2,7 (2,6, 2,8) 2,4 (2,3, 2,5) 1,7 (1,6, 1,8)
Portugal 3349 2,6 (2,5, 2,6) 2,3 (2,2, 2,3) 1,7 (1,7, 1,8) 2,6 (2,6, 2,7) 2,2 (2,1, 2,2) 1,9 (1,8, 2,0)
Inglaterra 2243 2,6 (2,5, 2,7) 2,3 (2,2, 2,4) 1,9 (1,8, 2,0) 2,7 (2,6, 2,8) 2,2 (2,1, 2,2) 1,7 (1,6, 1,8)
Polônia 3229 2,5 (2,4, 2,6) 2,1 (2,1, 2,2) 1,9 (1,8, 2,0) 2,6 (2,6, 2,7) 2,2 (2,2, 2,3) 1,8 (1,8, 1,9)
Ucrânia 3858 2,5 (2,5, 2,6) 2,2 (2,1, 2,3) 1,8 (1,7, 1,9) 2,7 (2,6, 2,8) 2,2 (2,1, 2,3) 1,7 (1,7, 1,8)
Eslovênia 4337 2,6 (2,5, 2,6) 2,1 (2,1, 2,2) 1,6 (1,5, 1,7) 2,7 (2,6, 2,8) 2,3 (2,2, 2,3) 1,8 (1,7, 1,9)
Suécia 5423 2,5 (2,4, 2,5) 2,2 (2,1, 2,2) 1,8 (1,7, 1,8) 2,7 (2,6, 2,7) 2,1 (2,1, 2,2) 1,7 (1,6, 1,8)
Hungria 4151 2,6 (2,5, 2,7) 2,1 (2,0, 2,2) 1,6 (1,6, 1,7) 2,8 (2,7, 2,8) 2,2 (2,1, 2,3) 1,6 (1,5, 1,7)
Rússia 4371 2,3 (2,3, 2,4) 2,2 (2,1, 2,3) 1,9 (1,8, 2,0) 2,4 (2,3, 2,4) 2,1 (2,1, 2,2) 1,9 (1,8, 1,9)
República Tcheca 3815 2,5 (2,4, 2,6) 2,2 (2,1, 2,2) 1,7 (1,6, 1,7) 2,8 (2,7, 2,8) 2,0 (2,0, 2,1) 1,6 (1,5, 1,7)
Países Baixos 3675 2,5 (2,4, 2,6) 2,2 (2,1, 2,3) 1,6 (1,5, 1,7) 2,7 (2,6, 2,7) 2,2 (2,1, 2,2) 1,5 (1,4, 1,6)
Dinamarca 2876 2,5 (2,5, 2,6) 2,1 (2,0, 2,2) 1,5 (1,4, 1,6) 2,7 (2,7, 2,8) 2,2 (2,1, 2,2) 1,5 (1,4, 1,6)
Grécia 3610 2,5 (2,4, 2,5) 2,1 (2,0, 2,2) 1,6 (1,6, 1,7) 2,6 (2,5, 2,6) 2,1 (2,0, 2,1) 1,6 (1,5, 1,7)
Escócia 5480 2,5 (2,4, 2,5) 2,1 (2,0, 2,1) 1,7 (1,7, 1,8) 2,6 (2,6, 2,7) 2,0 (1,9, 2,0) 1,6 (1,5, 1,6)
Groenlândia 575 2,6 (2,4, 2,8) 2,1 (1,9, 2,3) 1,4 (1,2, 1,7) 2,6 (2,5, 2,8) 2,0 (1,8, 2,2) 1,3 (1,0, 1,5)
Itália 4058 2,3 (2,2, 2,3) 2,0 (1,9, 2,0) 1,5 (1,5, 1,6) 2,6 (2,5, 2,6) 2,0 (2,0, 2,1) 1,6 (1,5, 1,6)
Croácia 5510 2,4 (2,3, 2,4) 2,1 (2,0, 2,1) 1,5 (1,4, 1,5) 2,6 (2,5, 2,6) 2,0 (2,0, 2,1) 1,4 (1,3, 1,4)
País de Gales 3208 2,4 (2,3, 2,5) 2,0 (2,0, 2,1) 1,7 (1,6, 1,8) 2,5 (2,4, 2,5) 1,8 (1,7, 1,9) 1,5 (1,4, 1,6)
Estônia 2805 2,3 (2,2, 2,4) 1,9 (1,8, 2,0) 1,4 (1,3, 1,5) 2,4 (2,3, 2,5) 1,7 (1,6, 1,8) 1,3 (1,3, 1,4)
Letônia 3318 2,3 (2,2, 2,3) 1,8 (1,7, 1,9) 1,3 (1,3, 1,4) 2,3 (2,3, 2,4) 1,8 (1,7, 1,9) 1,2 (1,1, 1,3)
Finlândiac 3103 2,4 (2,3, 2,5) 1,8 (1,7, 1,8) 2,3 (2,2, 2,3) 1,8 (1,7, 1,9)
Noruegac 1783 2,3 (2,2, 2,4) 1,7 (1,6, 1,8) 2,3 (2,2, 2,4) 1,7 (1,6, 1,8)

EUA, Estados Unidos da América; IC, intervalo de confiança.

aFrancês.

bFlamengo.

cSem dados de adolescentes com 11 anos. A comparação foi feita entre 15 e 13 anos.Diferenças entre as idades foram testadas por Ancova. As análises foram ajustadas para o fato de viver com a mãe, viver com o pai, ter irmãos ou irmãs e escala de abastança familiar.Em todos os países foi observada diferença significativa na média de comportamento relatada entre as idades (p < 0,001).Os países foram organizados pela média geral de comportamentos saudáveis relatados.

Discussão

Este estudo teve como objetivo examinar a associação entre idade e mudanças na prevalência autorrelatada de comportamentos saudáveis em adolescentes. Com o aumento da idade, a prevalência de adolescentes com estilo de vida saudável diminuiu. Apenas 4,7% dos meninos e 4,4% das meninas com 11 anos, 3,0% dos meninos e 2,0% das meninas com 13 anos e 1,5% dos meninos e 0,8% das meninas com 15 anos de idade obtiveram um escore perfeito no estilo de vida saudável. Como um estilo de vida saudável tem um impacto positivo na saúde e é essencial para prevenir o início precoce de doenças crônicas,4 esses resultados mostram que a maioria dos adolescentes está em risco. As escolhas em relação à saúde durante a adolescência podem comprometer sua saúde futura.

Em relação à atividade física, há uma forte queda em sua prática dos 11 a 15 anos. Todos os países e regiões apresentaram resultados semelhantes que demonstraram uma diminuição da atividade física por idade. A redução de atividade física por idade também foi documentada em estudos prévios, com medidas objetivas de atividade física.19,20 À medida que os adolescentes ficam mais velhos, eles ganham maior independência e são expostos a outros ambientes e influências (por exemplo, escola e pares). Além disso, o custo das atividades também influencia a diminuição da atividade física com a idade. A atividade física durante a infância é principalmente informal. No entanto, os adolescentes tendem a praticar atividade física formal, que tem custos econômicos associados (por exemplo, tornar-se membro de academias, compra de equipamentos). Dessa forma, entre os adolescentes socioeconomicamente desfavorecidos, há menos oportunidades e, naturalmente, o número de praticantes de atividade física diminui com a idade.

Em consonância com estudos anteriores,21,22 o presente estudo indica que o comportamento sedentário baseado em tempo de tela aumenta ao longo da adolescência. Essa tendência tende a aumentar, uma vez que o tempo de tela com novas mídias aumentou significativamente nos últimos anos, especialmente depois que smartphones e dispositivos portáteis, como tablets, alcançaram mais de 50% do consumo entre adolescentes.23 Esse achado provavelmente reflete duas realidades para os adolescentes: maior demanda acadêmica e maior necessidade de interação social. Atualmente, muitos aplicativos voltados para dispositivos com tela podem ser usados como ferramentas para ajudar os alunos nos deveres de casa e em diversos conteúdos escolares.22

Uma redução no consumo de frutas e vegetais na adolescência tem sido relatada24 e a idade é considerada um fator determinante desse consumo.25 A trajetória decrescente do consumo de frutas e vegetais começa na infância e continua até o início da idade adulta.26 Do início até a metade da adolescência, essa trajetória decrescente destaca-se das múltiplas mudanças no estilo de vida e nos aspectos físicos e ambientais que ocorrem na adolescência, como a influência dos pares ou sua disponibilidade nas escolas.25 A maior liberdade na escolha dos alimentos vivenciada pelos adolescentes e o nível de apoio ao consumo de frutas e vegetais durante essa fase podem explicar a deterioração no consumo desses itens durante a adolescência com o aumento da idade.24

Com relação ao uso de álcool e tabaco, esses comportamentos tendem a ser agrupados; as trajetórias de consumo dessas substâncias estão ligadas entre si.27 À medida que a idade aumenta, o consumo de álcool e o tabagismo também aumentam. Entre os comportamentos saudáveis, esses apresentaram uma maior redução com a idade. A mesma tendência foi observada anteriormente,27 o que significa que a transição do início até a metade da adolescência é um período crítico para o consumo alcoólico e o tabagismo.

A diminuição geral da prevalência de comportamentos saudáveis com a idade mostra que os adolescentes têm um estilo de vida prejudicial à sua saúde, colocam em risco sua saúde no futuro. Isso fica claro neste estudo, no qual menos de 2% têm um estilo de vida saudável aos 15 anos. Como foi demonstrado, os adolescentes se tornam mais independentes com a idade; eles começam a ter interesses diferentes, sofrem forte influência dos colegas e passam mais tempo na escola sem a supervisão dos pais. Portanto, são necessárias intervenções para reverter o aumento da prevalência de estilos de vida não saudáveis. As escolas são uma forma de proporcionar aos adolescentes habilidades para administrar e melhorar seu estilo de vida.28 As escolas são importantes porque praticamente todos os adolescentes frequentam a escola, onde passam muito tempo, e nas escolas recebem os conhecimentos que podem ser usados para melhorar sua saúde. Há evidências de que a intervenção de componente único ou de multicomponentes nas escolas pode melhorar os comportamentos saudáveis dos adolescentes em curto e longo prazo.24,25,28 Portanto, um grande número de adolescentes poderia se beneficiar dessas intervenções.

Este estudo tem pontos fortes e limitações que devem ser reconhecidos. Um ponto forte é que os achados são provenientes de um estudo internacional composto por 42 países com os mesmos instrumentos padronizados, são, portanto, passíveis de comparações. Vale ressaltar a força do fato de que apenas 5% dos participantes têm baixo nível na escala de abastança familiar. Espera-se, portanto, que seja possível generalizar os resultados, porque não há variação significativa entre o nível socioeconômico dos adolescentes. O banco de dados do estudo HBSC contém vários valores ausentes. Mais de 40.000 adolescentes não relataram os comportamentos saudáveis e foram excluídos da análise de dados porque não foi possível criar um escore combinado de estilo de vida saudável baseado nos cinco comportamentos saudáveis. A coleta de dados baseou-se em informações autorrelatadas, sujeitas a vieses. Além disso, consumir frutas ou vegetais diariamente não significa que os adolescentes necessariamente consumiram as porções recomendadas para esses itens. Seria importante medir com precisão o consumo de frutas e vegetais para determinar se o consumo está em acordo com as diretrizes/recomendações.15 Por fim, o desenho transversal impede uma inferência causal para a relação entre um estilo de vida saudável e a idade.

Os resultados deste estudo destacam que ainda há muito trabalho a ser feito para promover estilos de vida saudáveis e conscientizar os adolescentes sobre os potenciais benefícios para a sua saúde. Sabe-se que os comportamentos relacionados à saúde são estabelecidos durante esse período de desenvolvimento. Por isso, compreender a melhor forma de promover estilos de vida saudáveis ainda é de importância crucial nessa fase da vida. Também é importante destacar que a menor prevalência de adolescentes com estilo de vida saudável parece corroborar que comportamentos não saudáveis tendem a se agrupar.29 As escolas também podem melhorar o estilo de vida dos adolescentes através do conhecimento. Os seguintes pontos são importantes para ensinar aos adolescentes: as diretrizes físicas,13 os problemas de saúde associados ao comportamento sedentário com base no tempo de tela,30 a recomendação sobre a quantidade de tempo adequada a ser gasto com esse comportamento,14 os hábitos de alimentação saudável, a recomendação sobre o consumo diário de frutas e vegetais15,16 e a abstinência de álcool18 e tabagismo. O conhecimento pode não ser suficiente para melhorar o estilo de vida dos adolescentes, mas ter o conhecimento posto em prática pode aumentar as chances de conscientizar os adolescentes sobre a importância de comportamentos saudáveis, com a intenção de que essa geração possa tomar decisões fundamentadas no conhecimento sobre sua saúde.

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