Estudo de Perfusão Miocárdica em Obesos sem Doença Cardíaca Isquêmica Conhecida

Estudo de Perfusão Miocárdica em Obesos sem Doença Cardíaca Isquêmica Conhecida

Autores:

Tufi Dippe Jr.,
Cláudio Leinig Pereira da Cunha,
Rodrigo Julio Cerci,
Arnaldo Lafitte Stier Jr.,
João Vicente Vítola

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.112 no.2 São Paulo fev. 2019 Epub 17-Dez-2018

https://doi.org/10.5935/abc.20180250

Resumo

Fundamento:

A obesidade associa-se a um risco aumentado de diabetes mellitus do tipo 2 (DM), doença cardíaca isquêmica (DCI) e mortalidade cardiovascular. Vários estudos demonstraram o valor diagnóstico e prognóstico da cintilografia de perfusão miocárdica com tomografia computadorizada por fóton único (CPM-SPECT) na avaliação de pacientes com suspeita de DCI, inclusive na população de obesos. Dados sobre fatores de risco clínicos, e sua associação com perfusão miocárdica anormal em obesos, são escassos na população brasileira.

Objetivo:

Determinar quais são os fatores associados à anormalidade de perfusão miocárdica em obesos sem DCI conhecida.

Métodos:

Estudamos pacientes obesos sem DCI conhecida que foram encaminhados para avaliação por CPM-SPECT entre janeiro de 2011 até dezembro de 2016. Variáveis clínicas e resultados da CPM-SPECT foram obtidos de forma sistematizada. A distribuição das variáveis contínuas foi avaliada utilizando-se os testes de Shapiro-Wilk e Shapiro-Francia. Utilizou-se o teste t de Student não pareado para comparar as médias das variáveis contínuas com distribuição normal, e o teste do Chi quadrado para análise das variáveis binomiais. Considerou-se o valor de p < 0,05 como estatisticamente significativo. A associação das variáveis clínicas para a presença de anormalidade de perfusão miocárdica foi determinada por análise de regressão logística univariada e multivariada, calculando-se e apresentando-se os respectivos odds ratios (OR) e intervalos de confiança (IC) de 95.

Resultados:

A amostra do estudo foi de 5.526 pacientes obesos. O índice de massa corporal médio dos nossos pacientes foi de 33,9 ± 3,7 kg/m2, 31% eram portadores de DM, e anormalidades de perfusão foram observadas em 23% do total da amostra. Os fatores associados à anormalidade de perfusão miocárdica, após análise multivariada, foram: idade (OR: 1,02, IC 95%: 1,01-1,03, p < 0,001), DM (OR: 1,57, IC 95%: 1,31-1,88, p < 0,001), presença de angina típica antes do exame (OR: 2,45, IC 95%: 1,82-3,31, p < 0,001), necessidade de utilização de protocolo com estresse farmacológico (OR: 1,61, IC 95%: 1,26-2,07, p < 0,001), menor esforço físico avaliado em equivalentes metabólicos durante o teste ergométrico (OR: 0,89, IC 95%: 0,85-0,94, p < 0,001) e menor fração de ejeção do ventrículo esquerdo após estresse (OR: 0,989, IC 95%: 0,984-0,994, p < 0,001).

Conclusão:

Os fatores associados à anormalidade de perfusão miocárdica em pacientes obesos sem DCI conhecida foram idade, DM, presença de angina típica, disfunção ventricular e incapacidade para o estresse físico como variáveis clínicas, além da capacidade funcional durante o estresse físico.

Palavras-chave: Obesidade; Diabetes Mellitus; Reperfusão Miocárdica/cintilografia; Doença da Artéria Coronariana/fisiopatologia

Abstract

Background:

Obesity is associated with an increased risk of type 2 diabetes mellitus (DM), ischemic heart disease (IHD) and cardiovascular mortality. Several studies have demonstrated the diagnostic and prognostic value of single photon computed tomography-myocardial perfusion scintigraphy (SPECT-MPI) in the evaluation of patients with suspected IHD, including in obese population. Data on clinical risk factors and their association with abnormal myocardial perfusion in obese patients are scarce in the Brazilian population.

Objective:

To determine the factors associated with abnormal myocardial perfusion in obese individuals without known IHD.

Methods:

We studied obese patients without known IHD who were referred for evaluation through SPECT-MPI between January 2011 and December 2016. Clinical variables and results of SPECT-MPI were obtained systematically. The distribution of continuous variables was assessed using the Shapiro-Wilk and Shapiro-Francia tests. We used the unpaired Student t test to compare the means of continuous variables with normal distribution and the Chi Square test for binomial variables analysis. A p value < 0.05 was considered statistically significant. The association of the clinical variables for the presence of factors associated with abnormal myocardial perfusion was determined by univariate and multivariate logistic regression analysis, and respective odds ratios (OR) and 95% confidence intervals (CI).

Results:

The study sample consisted of 5,526 obese patients. Mean body mass index (BMI) of our patients was 33.9 ± 3.7 kg/m2, 31% had DM, and myocardial perfusion abnormalities was observed in 23% of the total sample. The factors associated with abnormal myocardial perfusion on multivariate analysis were: age (OR: 1.02, 95% CI 1.01-1.03, p < 0.001), DM (OR: 1.57, 95% CI 1.31-1.88, p < 0.001), typical angina before the test (OR: 2.45, 95% CI: 1.82-3.31, p < 0.001), need for pharmacologic stress test (OR: 1.61, 95% CI: 1.26-2.07, p < 0.001), less physical effort evaluated in metabolic equivalents (METs) during the exercise treadmill test (OR: 0.89, 95% CI: 0.85-0.94, p < 0.001) and a lower post-stress left ventricular ejection fraction after stress (LVEF; OR: 0.989, 95% CI: 0.984-0.994, p < 0.001).

Conclusion:

The factors associated with abnormal myocardial perfusion in obese patients without known IHD were age, DM, presence of typical angina, ventricular dysfunction, and inability to undergo physical stress as clinical variables, in addition to functional capacity during physical stress.

Keywords: Obesity; Diabetes Mellitus; Myocardial Reperfusion/radionuclide imaging; Coronary Artery Disease/physiopathology

Introdução

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define obesidade como a presença de um índice de massa corporal (IMC) ≥ 30 kg/m2.1 Em 2016, mais de 1,9 bilhões de pessoas apresentavam excesso de peso, sendo que mais de 650 milhões eram obesas.2

No Brasil, a pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) do Ministério da saúde, realizada em 2016, revelou que 53,8% dos brasileiros adultos estavam acima do peso ideal. A proporção de pessoas obesas com mais de 18 anos de idade era de 18,9%.3

A obesidade é um fator de risco independente de doença cardiovascular. Além disso, aumenta a incidência de fatores de risco tradicionais, como a hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus do tipo 2 (DM) e dislipidemias, implicando em uma maior incidência da doença cardíaca isquêmica (DCI), aumento da mortalidade cardiovascular, mortalidade total e risco de morte súbita.4-6 Estudos de coorte apontam que a obesidade também é um fator risco independente para o desenvolvimento da doença arterial coronariana (DAC).7-9

Vários estudos demonstraram o valor diagnóstico e prognóstico da cintilografia de perfusão miocárdica com tomografia computadorizada por fóton único (CPM-SPECT) em pacientes com suspeita ou DCI estabelecida,10-12 inclusive na população de pacientes obesos.13-15 No entanto, as informações sobre os fatores preditivos de CPM-SPECT anormal em obesos do nosso meio são escassas.

O objetivo desse estudo foi determinar quais são os fatores associados à CPM-SPECT anormal em uma grande população de obesos sem DCI conhecida.

Métodos

Pacientes

No período de janeiro de 2011 até dezembro de 2016, estudamos pacientes obesos sem DCI conhecida submetidos à CPM-SPECT.

As seguintes informações clínicas foram obtidas de forma prospectiva por meio de um questionário padrão: idade, sexo, peso, altura, IMC, sintomas antes do exame (dor típica, dor atípica, ausência de dor e cansaço), história cardiológica prévia (cineangiocoronariografia, infarto agudo do miocárdio, cirurgia de revascularização miocárdica e angioplastia coronariana), HAS, DM, dislipidemia, tabagismo, uso de medicamentos e história familiar de DCI.

Em relação à CPM-SPECT, analisamos a modalidade de estresse utilizado durante o exame: teste ergométrico (TE) isolado, estresse farmacológico isolado ou protocolo combinado (TE e estresse farmacológico). Nos casos de estresse físico, o esforço realizado foi quantificado por meio de equivalentes metabólicos (METs). Os resultados dos padrões de perfusão miocárdica (normal, isquemia, fibrose ou fibrose e isquemia associada) e a fração de ejeção do ventrículo esquerdo (FEVE) após estresse também foram analisados.

Todos os exames foram adquiridos em gama-câmara CardioMD (Philips, Milpitas, CA, EUA) ou Vertex (ADAC, Milpitas, CA, EUA). As imagens foram revisadas logo após a aquisição, e sempre foi realizada uma nova imagem na posição prona quando havia dúvida quanto à presença de artefato, principalmente diafragmático. Tanto o laudo final como a modalidade do defeito de perfusão miocárdica levaram em conta ambas aquisições das imagens.

Análise estatística

Todas as variáveis contínuas são apresentadas como médias e desvios padrões, e todas as variáveis categóricas como valor absoluto e porcentagem. Para a avaliação da distribuição de todas as variáveis contínuas, utilizamos os testes de Shapiro-Wilk e Shapiro-Francia para determinar a normalidade.

Utilizamos o teste t de Student não pareado para comparar as médias das variáveis contínuas com distribuição normal e o teste do Chi quadrado para análise das variáveis binomiais. Considerou-se o valor de p < 0,05 como estatisticamente significativo.

A associação das variáveis clínicas, tipo de estresse empregado e função ventricular esquerda com a presença de CPM-SPECT anormal, foi determinada por análise de regressão logística univariada, seguida de análise multivariada. Calculou-se então os respectivos odds ratios (OR) e intervalos de confiança de 95%.

Todas as análises foram realizadas com o auxílio de software específico Stata Statistical Software, Release 11 (College Station, TX: StataCorp LP).

Resultados

Características demográficas dos pacientes

No período de janeiro de 2011 a dezembro de 2016, um total de 5526 obesos foram encaminhados para avaliação por meio de CPM-SPECT. A Tabela 1 apresenta as características demográficas dos pacientes estudados.

Tabela 1 Características demográficas dos pacientes com índice de massa corporal (IMC) ≥ 30 kg/m2 e sem doença cardíaca isquêmica conhecida 

Características Média (desvio padrão) ou número (porcentagem)
Idade (anos) 59,4 (12,2)
IMC em kg/m 33,9 (3,7)
Sexo masculino 2605 (47,1%)
DM 1727 (31,5%)
HAS 4106 (74,3%)
História familiar de DCI 1081 (19,5%)
Tabagismo 466 (8,4%)
Dislipidemia 2996 (54,2%)
Sintomas antes do exame
Assintomático 2996 (55,0%)
Angina atípica 1210 (22,3%)
Angina típica 362 (6,6%)
Cansaço 878 (16,1%)
Protocolo de estresse
Físico 3576 (64,7%)
Farmacológico 1950 (35,3%)
Esforço físico em METs 8,52 (2,37)
FEVE em % 59,2 (17,6)
FEVE maior que 50% 4821 (92,9%)
FEVE de 30 até 49% 330 (6,4%)
FEVE menor que 30% 38 (0,7%)
CPM-SPECT anormal 1288 (23,3%)
Isquemia isolada 1228 (22,2%)
Isquemia maior que 10% do VE 74 (1,3%)
Fibrose isolada 22 (0,4%)
Fibrose e isquemia associada 38 (0,7%)

IMC: índice de massa corporal; DM: diabetes mellitus; HAS: hipertensão arterial sistêmica; DCI: doença cardíaca isquêmica; METs: equivalentes metabólicos; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo pós-esforço; CPM-SPECT: cintilografia de perfusão miocárdica- single photon emission tomography; VE: ventrículo esquerdo.

Características demográficas dos pacientes de acordo com o gênero

A amostra total dos pacientes obesos era composta de 2921 mulheres e 2605 homens. A Tabela 2 apresenta as características demográficas dos pacientes de acordo com o gênero.

Tabela 2 Características demográficas dos pacientes de acordo com o gênero 

Homens Mulheres Valor de p
n = 2605 n = 2921
Idade; média (DP) 56,7(11,8) 61,7(12) < 0,0001
ÍMC em kg/m2; média (DP) 33,6(4,1) 34,2(3,3) < 0,0001
DM; n (%) 773 (29,7) 954 (32,7) 0,02
HAS; n (%) 1843 (70,7) 2263 (77,5) < 0,001
História familiar de DCI; n (%) 429 (16,5) 652 (22,3) < 0,001
Tabagismo; n (%) 270 (10,4) 196 (6,7) < 0,001
Dislipidemia; n (%) 1369 (52,5) 1627 (55,7) 0,02
Sintomas antes do exame; n (%) < 0,001
Assintomático 1701 (65,8) 1295 (45,2)
Angina atípica 433 (16,7) 777 (27,2)
Angina típica 108 (4,2) 254 (8,9)
Cansaço 343 (13,3) 535 (18,7)
Protocolo do estresse; n (%) < 0,001
Físico 1895 (72,7) 1681 (57,5)
Farmacológico 710 (27,3) 1240 (42,5)
Esforço físico em METs; média (DP) 8,7 (2,2) 6,8 (2,1) < 0,0001
FEVE em %; média (DP) 54,1 (18,4) 63,9 (15,5) 0,04
FEVE; n (%) < 0,0001
FEVE maior que 50% 2126 (89,4) 2695 (95,9)
FEVE de 30 a 49% 227 (9,5) 103 (3,7)
FEVE menor que 30% 25 (1,0) 13 (0,5)
CPM-SPECT anormal; n (%) 475 (18,2) 813 (27,8) < 0,001
Isquemia 436 (16,7) 792 (27,1)
Isquemia maior que 10% do VE 45(1,7) 29 (0,9) 0,017
Fibrose 13 (0,5) 9 (0,3)
Fibrose e isquemia associada 26 (1) 12 (0,4)

Dados apresentados como médias (DP), números absolutos ou percentagem de pacientes. IMC: índice de massa corporal; DM: diabetes mellitus; HAS: hipertensão arterial sistêmica; DCI: doença cardíaca isquêmica; METs: equivalentes metabólicos; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo após estresse; CPM‑SPECT: cintilografia de perfusão miocárdica- single photon emission tomography; VE: ventrículo esquerdo.

Distribuição dos pacientes de acordo com o IMC

A maioria dos pacientes (70,2%) apresentavam obesidade grau I. A tabela 3 apresenta a distribuição dos pacientes de acordo com o IMC.

Tabela 3 Distribuição dos pacientes de acordo com o índice de massa corporal 

IMCClassificação 30 a 34,9 kg/m2Obesidade grau I* 35 a 39,9 kg/m2Obesidade grau II* ≥ 40 kg/m2Obesidade grau III*
Número (%) de pacientes n = 3.880 (70,2%) n = 1.207 (21,8%) n = 439 (7,9%)

IMC: índice de massa corporal.

*Organização Mundial de Saúde1

Percentual de anormalidade de perfusão de acordo com o IMC

Entre os 5526 pacientes obesos, não observamos uma diferença estatisticamente significativa em relação ao percentual de CPM-SPECT anormal de acordo com os níveis de IMC. A figura 1 mostra o percentual de CPM-SPECT anormal de acordo com o IMC.

Figura 1 Percentual de cintilografia de perfusão miocárdica - single photon emission tomography (CPM-SPECT) anormal de acordo com o índice de massa corporal dos pacientes avaliados (n = 5526); p < 0,05 foi considerado estatisticamente significativo. 

Fatores associados à anormalidade de perfusão miocárdica

Após análise univariada, observamos que os fatores associados à anormalidade de perfusão miocárdica foram a idade (OR: 1,04, IC 95%: 1,04-1,05, p <0,001), sexo feminino (OR: 1,18, IC 95%: 1,18-1,21, p < 0,001), DM (OR: 1,96, IC 95%: 1,72-2,23, p < 0,001), HAS (OR: 1,79, IC 95%: 1,53-2,10, p < 0,001), dislipidemia (OR: 1,19, IC 95%: 1,04-1,34, p < 0,008), presença de angina típica (OR: 1,96, IC 95%: 1,55-2,48, p < 0,001) ou cansaço (OR: 1,29, IC 95%: 1,08-1,54, p = 0,004) antes do exame, menor duração média do esforço físico em minutos durante o TE (OR: 0,81, IC 95%: 0,78-0,84, p < 0,001) e menor FEVE média (OR: 0,996, IC 95%: 0,993-0,999, p < 0,041).

Após análise multivariada (Tabela 4), idade, presença de angina típica antes do exame, necessidade de utilização de protocolo com estresse farmacológico, menor esforço físico avaliado em METs, e menor FEVE após estresse associaram-se à anormalidade de perfusão miocárdica.

Tabela 4 Fatores associados à anormalidade de perfusão após análise multivariada em pacientes obesos (índice de massa corporal ≥ 30 kg/m2 e sem doença cardíaca isquêmica conhecida (n = 5526) 

OR (IC95%) Valor de p
n = 5526
Idade; anos 1,02 (1,01 - 1,03) < 0,001
Índice de massa corporal
30 a 34,9 kg/m2 Referência
35 a 39,9 kg/m2 0,91 (0,73 - 1,12) 0,38
≥ 40 kg/m2 0,99 (0,68 - 1,45) 0,97
Sexo masculino 0,82 (0,67 - 1,01) 0,052
Diabetes mellitus 1,57 (1,31 - 1,88) < 0,001
Hipertensão arterial sistêmica 1,21 (0,98 - 1,50) 0,08
Dislipidemia 1,14 (0,96 - 1,36) 0,13
Sintomas antes do exame
Assintomático Referência
Angina atípica 1,21 (0,97 - 1,49) 0,08
Angina típica 2,45 (1,82 - 3,31) < 0,001
Cansaço 0,93 (0,72 - 1,20) 0,59
Protocolo do estresse; n (%)
Físico Referência
Farmacológico 1,53 (1,18-1,98) < 0,001
Esforço físico em METs 0,89 (0,85-0,93) < 0,001
FEVE; n(%)
FEVE maior que 50% Referência
FEVE de 30 a 49% 7,42 (5,3-10,4) < 0,001
FEVE menor que 30% 10,2 (2,6-40,3) < 0,001

IMC: índice de massa corporal, DCI: doença cardíaca isquêmica; METs: equivalentes metabólicos; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo após estresse. Considerou-se o valor de p < 0,05 como estatisticamente significativo.

Discussão

Nosso estudo revela uma forte associação entre obesidade e outros fatores de risco cardiovascular. Sabemos que obesidade leva à resistência insulínica, HAS, dislipidemia, aumento de marcadores inflamatórios, tromboembolismo e apneia do sono, conhecidos fatores de risco para DAC.4 A obesidade é um importante fator na patogênese e progressão da DAC, havendo uma relação quase linear entre IMC e risco de DAC a partir de um valor acima de 25 kg/m2.7

Xingping et al.,12 avaliaram a relação entre o IMC e o valor prognóstico da CPM-SPECT em 2096 obesos sem DAC conhecida (idade média de 62 ± 12 anos). Os autores observaram uma elevada prevalência de DM, dislipidemias e HAS: 22%, 47% e 61%, respectivamente.12 Mais recentemente, os investigadores do The Southern Community Cohort Study examinaram a relação entre o IMC e mortalidade tardia em adultos jovens. A população de obesos ao final do período de acompanhamento foi de 6276 indivíduos (idade média de 50 ± 7,8 anos). Nesse grupo, os autores também observaram uma elevada prevalência de fatores de risco associados: DM em 35,9%, dislipidemias em 38,8%, e HAS em 66,4%.13,14

A Organização Mundial de Saúde (OMS) acredita que o sobrepeso e a obesidade sejam responsáveis por 44% do risco de desenvolvimento de DM.1 A International Diabetes Federation (IDF) estima uma prevalência de DM no Brasil entre 10 a 12% da população adulta, totalizando mais de 14,5 milhões de diabéticos em nosso país. Além disso, a IDF projeta um aumento de 60% nos novos casos de DM na América Latina nos próximos 15 anos.15

O estudo DIAD (Detection of Ischemia in Asymptomatic Diabetics) avaliou se a detecção de isquemia miocárdica silenciosa poderia reduzir eventos cardiovasculares em pacientes com diabetes assintomáticos. Um total de 1123 pacientes foram randomizados para serem submetidos, ou não, à CPM-SPECT. Após seguimento médio de 4,8 anos, os autores não observaram diferenças significativas em relação à taxa de eventos entre os dois grupos.16 A presença de DM implica em significativo aumento do risco cardiovascular, bem como maior utilização de métodos diagnósticos, incluindo o uso racional da medicina nuclear.17-19

Um percentual significativo de nossos pacientes (55%) era assintomático antes do exame, sendo que esse percentual foi maior entre os homens. A elevada proporção de obesos assintomáticos em nossa amostra pode ser justificada por vários motivos: estratificação de eventos futuros em pacientes considerados de alto risco cardiovascular, exames cardiológicos prévios alterados ou inconclusivos, pacientes encaminhados para avaliação pré-operatória, ou ainda, a presença de certas anormalidades eletrocardiográficas que limitam a realização do TE (bloqueio do ramo esquerdo, ritmo de marcapasso artificial ou pré-excitação ventricular).20,21

No cenário da avaliação pré-operatória, a III Diretriz de Avaliação Perioperatória da Sociedade Brasileira de Cardiologia sugere que as indicações da CPM-SPECT seriam semelhantes às do TE, isto é, pacientes com estimativa de risco intermediário de complicações submetidos à cirurgia vascular, mas sem condições cardiovasculares graves no perioperatório. Ainda, a CPM-SPECT seria a melhor opção nos casos de limitação física, impossibilidade de interpretação do eletrocardiograma por alteração basal do segmento ST e naquelas situações onde o resultado do TE foi possivelmente falso positivo.22

A decisão de investigar a presença de DCI em pacientes obesos deve ser semelhante à população em geral, e se baseia principalmente na presença de sintomas clínicos, como dor torácica e cansaço, e/ou a presença de outros fatores de risco associados. A capacidade de se exercitar, e a presença ou não de um eletrocardiograma interpretável, nos orientam em relação à escolha do método de investigação.

Obesos são mais propensos a serem testados para a presença de DCI, pois apresentam mais comumente fatores de risco associados, cansaço, baixa capacidade funcional e limitações musculoesqueléticas.23,24

Um total de 35% de nossos pacientes utilizou protocolos de estresse farmacológico, sendo que esse percentual foi maior entre as mulheres do que entre os homens (42,5% versus 27,3%). Nosso achado foi semelhante aos 38% encontrados no estudo de Xingping et al.,12 mencionado anteriormente.

Duvall et al.,25 estudando o valor prognóstico e diagnóstico da CPM-SPECT em 433 obesos mórbidos, observaram que 77,4% dos pacientes utilizaram protocolos de estresse farmacológico, revelando diminuição da capacidade funcional de acordo com a progressão do IMC. A utilização de protocolos de estresse farmacológico associa-se à baixa capacidade funcional, limitações físicas não cardíacas, falta de motivação para exercitar-se, disfunção ventricular esquerda, doenças pulmonares, anormalidades no eletrocardiograma de repouso mencionadas acima, e a suspensão incorreta de certos medicamentos entes do exame (betabloqueadores, por exemplo).20,21

Em relação às diferenças demográficas por gênero, as mulheres foram a maioria em nossa amostra, e apresentaram um perfil de risco cardiovascular mais grave: eram mais velhas, tinham um IMC médio mais elevado, e apresentavam maior prevalência de fatores de risco associados (DM, HAS e dislipidemias). As mulheres apresentaram percentualmente menores taxas de angina típica quando comparadas aos homens, utilizaram mais comumente protocolos de estresse farmacológico e desempenharam menor esforço físico durante o TE. O percentual de anormalidade perfusional na CPM-SPECT também foi maior nas mulheres do que nos homens (27,8% versus 18,2%).

Estudos demonstram que mulheres com diagnóstico de DAC é estabelecida em mulheres, elas tendem a ser mais velhas, apresentam doença mais difusa, e um pior prognóstico quando comparadas aos homens, incluindo uma maior mortalidade após infarto agudo do miocárdio e cirurgia de revascularização miocárdica. A utilização de métodos diagnósticos e prognósticos eficazes, incluindo a medicina nuclear, é fundamental para reduzir a morbimortalidade por DCI nesse grupo populacional específico.18,26 Em um trabalho realizado previamente em nosso grupo, Cerci et al.,27 estudando 2250 mulheres, observaram uma forte e independente associação entre CPM-SPECT anormal e mortalidade em mulheres do Brasil.27

Em nosso país, dispomos de poucas informações sobre fatores associados à anormalidade de perfusão miocárdica em pacientes obesos. Nossos dados revelaram que a idade, DM, angina típica antes do exame, utilização de protocolos com estresse farmacológico, menor intensidade do esforço físico realizado durante o TE e menor FEVE média após estresse foram os fatores associados à anormalidade perfusional. Esses achados corroboram os resultados de estudos prévios realizados com pacientes obesos e não obesos, com ou sem antecedentes de DCI. Citando novamente o estudo de Xingping et al.,12 os fatores preditivos de mortalidade cardíaca e CPM-SPECT anormal em 2096 obesos sem DAC conhecida foram a idade, DM, utilização de protocolos com estresse farmacológico e redução da FEVE. A maior capacidade de exercitar-se conferiu um menor risco de morte.14 Korbee et al.,15 demonstraram que a presença de CPM-SPECT anormal, idade, DM e antecedentes de insuficiência cardíaca associaram-se com eventos cardiovasculares maiores e mortalidade em obesos num período de até seis anos de acompanhamento após o exame. Essas informações já foram incorporadas por diretrizes médicas que abordam as indicações apropriadas para a utilização da cardiologia nuclear em pacientes com suspeita de DAC.28

Os obesos são um grupo de maior risco para o desenvolvimento de DAC; por outro lado, tais pacientes, principalmente aqueles portadores de obesidade grave, representam um desafio para todas as formas de exames complementares que utilizam imagens do coração.29,30

A obesidade pode afetar a qualidade das imagens da CPM-SPECT, reduzindo a especificidade do método pela presença de atenuação diafragmática ou aumento da atividade extracardíaca do radiotraçador. O emprego de doses maiores dos radiotraçadores, a utilização de técnicas de correção de atenuação, a aquisição de imagens pronas, entre outras estratégias, podem reduzir o número de exames falso-positivos relacionados à obesidade. O sexo masculino e a utilização de protocolo de estresse físico, por meio do emprego do TE, associam-se a melhor qualidade das imagens em pacientes obesos submetidos à CPM-SPECT.27,28

A tomografia por emissão de pósitrons (PET) com rubídio-82 parece ser o método não invasivo de escolha para a avaliação diagnóstica e prognóstica de obesos com suspeita de DAC. Estima-se que a sensibilidade e especificidade da PET com rubídio-82 e da CPM-SPECT sejam de 91% e 89% e, 87% e 73%, respectivamente.31

Chow et al.,32 em um grande estudo multicêntrico, avaliaram o valor prognóstico (risco de mortalidade total e cardíaca) em 6037 pacientes, sendo 2016 obesos. Após um acompanhamento médio de 2,2 anos, os autores concluíram que a PET com rubídio-82 melhorou a estimativa prognóstica dos pacientes em todas as faixas de peso. A presença de uma PET normal associou-se a uma mortalidade anual muito baixa nos indivíduos com peso normal, sobrepeso ou obesidade: 0,38%, 0,43% e 0,15%, respectivamente.32

Embora não tenhamos informações anatômicas provenientes de cineangiocoronariografia ou angiotomografia coronariana dos pacientes encaminhados para esses exames após a CPM-SPECT, acreditamos que os casos de CPM-SPECT anormal englobem um amplo espectro fisiopatológico, incluindo casos falso-positivos pela presença de artefatos, casos de DCI sem componente obstrutivo (associados à disfunção endotelial ou falência da microcirculação coronariana) e, em sua maioria, casos com a presença de DAC obstrutiva.

Limitações

Os dados de nosso estudo foram coletados de forma sistemática, utilizando um questionário padrão aplicado por técnicos de enfermagem, enfermeiras ou médicos. Logo, algumas informações sobre variáveis clínicas são provenientes de autorrelatos dos pacientes.

A maioria dos pacientes obesos não foram submetidos a técnicas de correção de atenuação, estratégia que ajuda a diminuir o percentual de casos de CPM-SPECT anormal associados à presença de artefatos (exames falso-positivos).

Nosso estudo baseou-se em variáveis fisiológicas e detecção de isquemia, logo, não temos informações anatômicas provenientes de cineangiocoronariografia ou angiotomografia das artérias coronárias dos pacientes que foram referendados para esses métodos diagnósticos após o resultado da CPM-SPECT. Desta forma, não temos como avaliar o percentual real de casos de falso-positivos ou de CPM-SPECT anormal associados à DAC obstrutiva ou de outras formas de DCI decorrente de disfunção endotelial ou falência da microcirculação coronariana.

Conclusões

Os fatores associados à perfusão miocárdica anormal em pacientes obesos sem DCI conhecida, após ajuste para as variáveis relevantes (análise multivariada), foram: idade (2% de aumento no risco para cada um ano a mais de idade), DM (57% de aumento no risco em pacientes portadores de DM), angina típica (245% de aumento no risco em pacientes com angina típica quando comparado aos assintomáticos), utilização de estresse farmacológico durante o exame (61% de aumento no risco quando comparado ao estresse físico por meio de TE), menor intensidade do esforço físico avaliado em METs (10% de redução no risco para cada MET adicional realizado durante o TE) e FEVE após estresse (1% de redução no risco para cada 1% a mais na FEVE).

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