Estudo epidemiológico do trauma ortopédico em um serviço público de emergência

Estudo epidemiológico do trauma ortopédico em um serviço público de emergência

Autores:

Lúcia de Fátima da Silva Santos,
Juliany Marques Abreu da Fonseca,
Bruna Lorena Soares Cavalcante,
Cremilda Monteiro Lima

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1414-462Xversão On-line ISSN 2358-291X

Cad. saúde colet. vol.24 no.4 Rio de Janeiro out./dez. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1414-462x201600040128

Abstract

Introduction

The trauma has emerged as a serious public health problem, because it compromises the individual’s functionality as its social and economic participation in society.

Method

Retrospective study using information of 1390 records. Data collection occurred from September 2011 to February 2012 and the variables studied were: age, gender, mechanism of injury, the affected body part, treatment performed, conduction mode, day of the week that the service was performed, length of hospital stay and hospital output condition.

Results

The results showed a predominance of men in the age group 18-38 years. The orthopedic trauma was found more often in the lower limbs (23.2%) due to traffic accidents (60.1%). Surgical treatment was the most common (89.8%) and the majority of the patients progressed to discharge from the hospital (79.4%). Sunday was the day of the week that most trauma victims were admitted (18.9%) and ambulances from inside the municipalities were the main way to the hospital (34.1%). Most patients remained hospitalized for a period of 1 to 15 days (89.4%).

Conclusion

The results confirmed the need for preventive measures of orthopedic trauma associated with the awareness of the population on the morbidity caused by orthopedic trauma.

Keywords:  epidemiology; orthopedics; traumatology; emergency medical services

INTRODUÇÃO

O trauma é um agravo à saúde, definido como um evento nocivo caracterizado por alterações estruturais ou pelo desequilíbrio fisiológico do organismo resultante da troca de energia entre os tecidos e o meio1,2. É considerado uma morbidade que compromete a funcionalidade do indivíduo e sua participação social e econômica na sociedade3.

Por ano cerca de 60 milhões de pessoas no mundo sofrem algum tipo de traumatismo, contribuindo com uma em cada seis internações hospitalares2. Considerando essa realidade e a dimensão dos números envolvidos, o trauma vem ocupando espaço de destaque nas estatísticas de diagnósticos e internações hospitalares, caracterizando-se como a pandemia da vida moderna e um grave problema de saúde pública, uma vez que atingiu o primeiro lugar como etiologia de morbimortalidade na população de 0 a 39 anos de idade4-7.

Assim, conhecer a epidemiologia do trauma se torna essencial para descrever a morbidade, a incapacidade e as limitações das vítimas, bem como definir o alvo mais importante para a prevenção a partir da gravidade das lesões8.

Diante do exposto, o presente estudo teve como objetivo descrever o perfil das vítimas de trauma ortopédico internadas em um hospital público de Teresina, no Estado do Piauí.

MÉTODOS

Trata-se de um estudo epidemiológico, retrospectivo, com abordagem quantitativa, desenvolvido no Hospital de Urgências de Teresina Professor Zenon Rocha (HUT).

Os dados foram coletados mediante análise de 1.566 prontuários no período de setembro de 2011 a fevereiro de 2012. As variáveis estudadas foram: idade, sexo, mecanismo de trauma, parte do corpo afetada, tratamento realizado, condição de saída hospitalar, modo de condução, dia da semana em que o atendimento foi realizado e tempo de internação.

No estudo, incluíram-se pacientes maiores de 18 anos, internados na clínica ortopédica do hospital, com diagnóstico de lesão traumática ortopédica comprovada por laudos de exames complementares anexados aos prontuários ou nestes descritos.

Neste estudo, definiu-se trauma conforme a Classificação Internacional de Doenças, 10ª Revisão (CID-10)9. Consideraram-se as CIDs de S00 a T14 pertencentes ao capítulo XIX, “Lesões, envenenamento e algumas outras consequências de causas externas”, uma vez que se relacionam às condições traumáticas. O mecanismo de trauma foi classificado de acordo com critérios preconizados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) expresso na CID-1010.

O banco de dados foi construído no programa Microsoft Office Excel (Microsoft ®) 2007 por meio de dupla digitação a fim de evitar inconsistências. Posteriormente, exportaram-se os dados para planilhas do Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 18.0, para análise estatística, a qual constou de descrição das frequências das variáveis e associação entre as variáveis nominais (mecanismos de trauma, tratamento realizado e condição de saída hospitalar), sem utilização de fator de ponderação. Para tanto, foram aplicados os testes de qui-quadrado de associação, complementado pelo teste exato de Fisher nos casos em que a frequência esperada de observação fosse menor do que cinco. Nas análises de associação, o mecanismo de trauma foi considerado como variável dependente. Considerou-se o nível de significância de 5% (p<0,05) para rejeição da hipótese de igualdade entre os grupos estudados.

Em cumprimento à Resolução nº 466/2012, do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, previamente à realização do estudo, o projeto foi submetido à avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual do Piauí e aprovado conforme Parecer nº 63055, CAAE nº 02454412.5.0000.5209.

RESULTADOS

Foram analisados 1.566 prontuários pertencentes a pacientes internados na clínica ortopédica do HUT no período de 1º de setembro de 2011 a 29 de fevereiro de 2012. Destes, 1.390 foram incluídos no estudo, e 176, excluídos por não obedecerem aos critérios de inclusão.

A análise quanto ao perfil epidemiológico evidenciou que a maior parte das vítimas de trauma ortopédico internadas no HUT, no período analisado, constitui-se por homens (81%) e jovens entre 18 e 38 anos (61,9%) (Tabela 1).

Tabela 1 Perfil epidemiológico dos pacientes vítimas de trauma ortopédico atendidos no Hospital de Urgências de Teresina Professor Zenon Rocha (HUT), no período de setembro de 2011 a fevereiro de 2012, em Teresina, no Piauí 

Variável n %
Sexo
Masculino 1126 81,0
Feminino 264 19,0
Idade
18-38 861 61,9
39-59 361 26,0
60-80 134 9,6
81-100 34 2,4

Os dados da Tabela 2 demonstram que os acidentes de trânsito foram os mecanismos de trauma mais frequentes (60,2%). Os membros inferiores foram os mais afetados, com destaque para o segmento joelho/perna (23,2%), seguidos pelo acometimento de múltiplas regiões (23,2%). O tratamento cirúrgico foi o mais realizado (89,8%) em todos os mecanismos de trauma, com maior predominância entre as vítimas de acidente de moto (45,8%). A maioria dos pacientes evoluiu para alta, com melhora do quadro (79,4%). Em toda a população estudada houve registro de apenas três óbitos (0,2%). As ambulâncias de municípios do interior foram o principal meio de condução dos pacientes ao hospital (34,1%). Durante o período estudado, o domingo foi o dia da semana em que houve maior número de atendimento de pacientes vítimas de trauma (18,9%). A maioria dos pacientes permaneceu internada no hospital por um período de 1 a 15 dias (89,4%).

Tabela 2 Caracterização da amostra quanto às variáveis relativas ao trauma, no período de setembro de 2011 a fevereiro de 2012, em Teresina, no Piauí 

Variável n %
Mecanismo de trauma
Acidentes de trânsito/carro 60 4,3
Acidentes de trânsito/motociclista 695 50
Acidentes de trânsito/pedestre/atropelamento 69 5
Acidentes de trânsito envolvendo animal 12 0,9
Prática esportiva 1 0,1
Quedas 249 17,9
Preensão/esmagamento 1 0,1
Agressão física 68 4,9
Ferimento por perfurocortante 112 8,1
Tentativa de suicídio 1 0,1
Outros 122 8,8
Parte do corpo afetada
Cabeça e pescoço 9 0,6
Tórax 1 0,1
Abdome/lombar/dorso/pelve 2 0,1
Ombro/braço 138 9,9
Cotovelo/antebraço 157 11,3
Punho/mão 144 10,4
Quadril/coxa 147 10,6
Joelho/perna 323 23,2
Tornozelo/pé 146 10,5
Múltiplas regiões 322 23,2
Tratamento realizado
Conservador 81 5,8
Cirúrgico 1243 89,4
Não especificado 61 4,4
Conservador e cirúrgico 5 0,4
Condição de saída hospitalar
Alta 1104 79,4
Alta a pedido 17 1,2
Alta por evasão 22 1,6
Transferência 244 17,6
Óbito 3 0,2
Modo de condução
Veículo próprio ou de terceiros 382 27,5
Ambulância do serviço de atendimento móvel de urgência (SAMU) 407 29,3
Ambulância qualquer (na cidade de Teresina) 71 5,1
Ambulância de unidades do interior 474 34,1
Veículo da polícia rodoviária federal 2 0,1
Veículo da polícia militar 9 0,6
Ônibus ou a pé 31 2,2
Ambulância do corpo de bombeiros 1 0,1
Não informado 13 0,9
Dias da semana
Domingo 263 18,9
Segunda-feira 211 15,2
Terça-feira 199 14,3
Quarta-feira 195 14,0
Quinta-feira 192 13,8
Sexta-feira 159 11,4
Sábado 171 12,3
Tempo de internação (dias)
1-15 1242 89,4
16-30 104 7,4
31-60 37 2,7
61-80 6 0,4
81-101 1 0,1

Conforme é apresentado na Tabela 3, a abordagem cirúrgica foi a conduta adotada no tratamento de 91,6% dos pacientes internados por acidente de moto e de 94,1% dos pacientes internados vítimas de trauma por agressão física.

Tabela 3 Distribuição das vítimas de trauma ortopédico segundo o tratamento realizado e mecanismo de trauma, no período de setembro de 2011 a fevereiro de 2012, em Teresina, no Piauí 

Mecanismo de trauma Tratamento realizado
Conservador Cirúrgico Não especificado Conservador e cirúrgico Total
Acidentes de trânsito/carro 2 57 0 1 60
Acidentes de trânsito/motociclista 33 637 24 1 695
Acidentes de trânsito/pedestre/atropelamento 3 62 4 0 69
Acidentes de trânsito envolvendo animal 1 11 0 0 12
Prática esportiva 0 1 0 0 1
Quedas 16 209 23 1 249
Preensão/esmagamento 0 1 0 0 1
Agressão física 3 64 1 0 68
Ferimento por perfurocortante 5 102 3 2 112
Tentativa de suicídio 0 1 0 0 1
Outros 18 98 6 0 122
Total 81 1243 61 5 1390

p-valor=0,004; Intervalo de confiança de 95%; n=1.390

A condição de saída hospitalar apontou elevado percentual de alta (79,4%), seguido das transferências (17,5%). No período do estudo, registraram-se apenas três óbitos (0,2%), todos em vítimas de acidente de moto (Tabela 4).

Tabela 4 Distribuição das vítimas de trauma ortopédico segundo a condição de saída hospitalar e mecanismo de trauma, no período de setembro de 2011 a fevereiro de 2012, em Teresina, no Piauí 

Mecanismo de trauma Condição de saída hospitalar
Alta Alta a pedido Alta por evasão Transferência Óbito Total
Acidentes de trânsito/carro 47 3 0 10 0 60
Acidentes de trânsito/motociclista 525 4 7 156 3 695
Acidentes de trânsito/pedestre 57 0 0 12 0 69
Acidentes de trânsito envolvendo animal 9 1 0 2 0 12
Prática esportiva 0 0 0 1 0 1
Quedas 206 4 4 35 0 249
Preensão/esmagamento 1 0 0 0 0 1
Agressão física 52 3 4 9 0 68
Ferimento por perfurocortante 99 1 3 9 0 112
Tentativa de suicídio 1 0 0 0 0 1
Outros 107 1 4 10 0 122
Total 1104 17 22 244 3 1390

p-valor=0,001; Intervalo de confiança de 95%; n=1.390

DISCUSSÃO

O HUT foi fundado em 1941 e localiza-se na zona Centro-Sul do município de Teresina. Trata-se de um serviço público de referência no atendimento de urgência e presta atendimento a pacientes de todas as faixas etárias, do próprio Estado e de alguns Estados vizinhos, como Maranhão, Pará e Tocantins11.

O perfil clínico-epidemiológico dos pacientes internados na clínica traumato-ortopédica do HUT foi formado por indivíduos predominantemente do sexo masculino, jovens, vítimas de trauma por acidentes de trânsito, com destaque para aqueles envolvidos com motocicletas e atropelamentos.

Atribui-se ao predomínio de vítimas jovens e do gênero masculino12,13 a exposição dessa população a fatores de risco, como a imaturidade no trânsito, a pouca experiência para dirigir, a motivação e influência do grupo de amigos, o consumo de álcool e drogas14, além de ser a faixa etária em que há a influência comportamental representada pela impulsividade e agressividade6,15. Nesse sentido, resultados semelhantes são encontrados em pesquisas nacionais6,8,15-17 e internacionais18,19.

Neste estudo, as vítimas de acidentes de moto representaram metade da casuística e formaram, com as vítimas de atropelamentos e de acidentes de carro, a grande maioria dos pacientes cirúrgicos.

Acredita-se que o elevado percentual de acidentes envolvendo motociclistas no Estado do Piauí esteja diretamente relacionado ao número de motocicletas circulantes, fenômeno que ocorre na maioria das cidades do país, considerando-se a relação custo/benefício de sua utilização e a aceitação e aprovação da população11.

Em geral, motociclistas e pedestres representam as vítimas de ocorrência de trânsito com maior risco de lesões graves e maior necessidade de internamento devido à fragilidade e à falta de proteção do corpo humano diante de um veículo6,8,17,20. Além disso, o pedestre possui massa corporal relativamente pequena quando comparada à de um veículo automotor; logo, oferece pouca resistência e absorve a energia do impacto, o que eleva as taxas de morbimortalidade para esse grupo de vítimas17.

Observou-se, neste estudo, alta prevalência da abordagem cirúrgica como forma de tratamento em todos os mecanismos de trauma analisados. Esse dado aponta a necessidade de serviços de atendimento preparados para uma abordagem multidisciplinar, considerando que as cirurgias de emergência são frequentes em vítimas de trauma e geralmente realizadas diante de situações clínicas delicadas, tais como trauma tissular maciço e incontrolável, hipovolemia, choque, hipoperfusão, hipóxia tissular, hipotermia e coagulação intravascular disseminada por consumo21.

Ademais, o trauma ortopédico exige fixação ortopédica definitiva e precoce, principalmente no paciente politraumatizado, uma vez que essa conduta diminui os índices de morbidade e mortalidade por reduzir as complicações pulmonares e outras decorrentes da permanência prolongada no leito22.

Convém salientar também que, em um estudo dos custos de um mês de assistência de emergência realizada em dois hospitais municipais do Rio de Janeiro, verificou-se que, quando considerado o custo total de todas as vítimas da amostra estudada, as cirurgias representaram a variável de custo mais importante23. Destaca-se ainda que as internações por traumatismos exigem para o tratamento um gasto médio mais elevado do que aquelas em que o diagnóstico de internação tenha sido uma causa natural24.

Apesar de que em nossa realidade não se tenha um cálculo, de forma estruturada, dos custos financeiros envolvidos na atenção às vítimas de trauma ortopédico, mas levando-se em conta a gravidade e o número de vítimas que demandaram por procedimentos cirúrgicos e internações, deduz-se o montante dos recursos gastos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para pagamento desses procedimentos e de como eles constituem gasto significativo para a assistência hospitalar.

Quanto à parte do corpo afetada, estudos analisados25-27 mostram que, em vítimas de acidentes, os membros são os segmentos corpóreos mais atingidos25-27, visto serem as regiões mais desprotegidas, havendo menor incidência de traumas em regiões da cabeça, tórax e pelve26,27 – dado que corrobora o nosso estudo.

Nos acidentes de trânsito, as extremidades são mais vulneráveis ​​a lesões e são comumente atingidas em decorrência do trauma direto ou após a vítima ser jogada para fora do veículo26.

Em motociclistas, os traumas em membros superiores são comuns, uma vez que o equipamento de segurança fornece proteção somente para a cabeça, deixando os membros desprotegidos25,27. Nos acidentes automobilísticos, as fraturas de ombro/braço, especificamente as fraturas da diáfise do úmero, podem ser justificadas pelo apoio dos corpos com o braço no painel, muitas vezes para compensar a falta do cinto de segurança no momento da colisão, havendo uma combinação de flexão e grande força de rotação interna na extremidade superior28.

Segundo Andrade et al.29, a natureza das lesões pode influenciar o tipo de tratamento do paciente, o tempo de internação e as condições de saída hospitalar. Este estudo evidenciou como tempo médio de internação o intervalo de 1 a 15 dias, com um tempo mínimo de 1 dia e máximo de 101 dias, equiparando-se aos resultados encontrados no estudo das características das vítimas de acidentes de motocicletas em hospital de Fortaleza, no Estado do Ceará29. Outros estudos também apontam esse tempo como período médio de internação de vítimas de trauma ortopédico30,31.

Quando analisados os dias da semana em que ocorreram mais admissões, o domingo e a segunda-feira apresentaram, respectivamente, as maiores frequências. Isso pode ser atribuído à maior incidência de comportamentos perigosos no final de semana, como a ingestão de álcool e o desrespeito às leis de trânsito, resultando em maior número de acidentes nesse período, estendendo a procura por assistência hospitalar também à segunda-feira. Achados semelhantes foram relatados por Ganne32 e Vieira et al.16.

Em relação à condição de saída hospitalar, este estudo evidenciou grande percentual de alta em contrapartida do registro de óbito. Um estudo que analisou as características e as intercorrências transoperatórias em vítimas de acidentes de trânsito considerou que a realização da cirurgia ortopédica pode atuar como fator de proteção para o óbito nesses pacientes21.

As transferências representaram o segundo maior percentual de condição de saída hospitalar neste estudo, o que se justifica por se tratar de um hospital de urgência com uma elevada demanda de pacientes. Assim, quando é necessário um segundo tempo cirúrgico ou maiores recursos, parte dos pacientes internados é transferida para outras unidades hospitalares, desocupando os leitos para os quadros agudos13,33.

Dentre os meios de condução dos pacientes traumatizados, a ambulância do interior foi o transporte predominantemente utilizado. Desse modo, entende-se que a maioria das vítimas admitidas no serviço estudado é proveniente de cidades do interior do Estado e são levadas ao hospital de referência da capital para receber assistência médica especializada e com melhores recursos.

Diante desses resultados, os índices de morbidade se tornam mais preocupantes, pois o predomínio de adultos jovens nessas ocorrências produz impacto negativo e significativo na economia do Estado, por envolver pessoas em plena idade produtiva14.

Esta pesquisa apresentou como limitação, para discussão dos resultados encontrados, a escassez de estudos que tivessem como objetivo conhecer as características epidemiológicas de pacientes vítimas de trauma ortopédico.

CONCLUSÃO

Os acidentes de trânsito envolvendo motocicletas, carros e pedestres constituem parcela importante das vítimas de trauma ortopédico no município de Teresina. A partir desta investigação, evidencia-se o perfil dos pacientes vítimas de trauma internados na clínica ortopédica do HUT, onde se observa a predominância de indivíduos jovens, principalmente do sexo masculino, a maior parte vítimas de trauma por acidentes de trânsito, provenientes do interior do Estado, submetidos a tratamento cirúrgico, que tiveram como desfecho a alta hospitalar.

A magnitude dos dados apresentados demonstra uma situação alarmante de saúde pública, tendo em vista o risco de morte ou de sequelas graves muitas vezes incapacitantes e/ou permanentes provocadas pelo trauma ortopédico. Diante desse cenário, medidas preventivas do trauma ortopédico associadas à conscientização da população, em especial condutores de motocicletas e de carros, devem ser estimuladas. Ademais, espera-se que os resultados aqui apresentados forneçam subsídios para o estabelecimento de estratégias de organização e de estruturação dos serviços de saúde para o atendimento da população do município.

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