Estudos de avaliação do conhecimento nutricional de adultos: uma revisão sistemática

Estudos de avaliação do conhecimento nutricional de adultos: uma revisão sistemática

Autores:

Lídia Bezerra Barbosa,
Sandra Mary Lima Vasconcelos,
Lourani Oliveira dos Santos Correia,
Raphaela Costa Ferreira

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.21 no.2 Rio de Janeiro fev. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015212.20182014

Introdução

As causas de maior mortalidade no mundo, hoje, são doenças que poderiam ser evitadas com alimentação adequada, prática regular de exercícios físicos e um estilo de vida saudável, com lazer, controle de estresse, e com cuidado pessoal e com o meio ambiente1. Tais enfermidades são as chamadas doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), as quais, no Brasil, representam uma elevada carga, contribuindo para o aumento do ônus econômico com gastos devido a enfermidades como diabetes, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares, entre outras; a existência de longas filas nas unidades de saúde pública para consultas, aumento da necessidade de exames especializados e cirurgias, entre outros problemas2.

Nesse contexto, um dos aspectos importantes para a melhoria da qualidade de vida de uma população é o aumento da sua capacidade de compreender os fenômenos relacionados à sua saúde. O conhecimento sobre um determinado desfecho em saúde, principalmente sobre as DCNT e seus fatores de risco, pode ser útil para ajudar a evitar o surgimento de um agravo, podendo também influenciar na busca pelo tratamento, quando já se têm informações precisas sobre a doença estabelecida2,3.

O conhecimento pode ser definido como uma informação factual e interpretativa que leva à compreensão/entendimento ou que é útil para se tomar alguma decisão ou desenvolver alguma ação informada previamente4. Na psicologia cognitiva, podem-se distinguir dois tipos principais de conhecimento: o declarativo e o processual. O primeiro é definido como o conhecimento de fatos e coisas, o conhecimento de “o que é”. Por exemplo, que o limão é uma boa fonte de vitamina C, que o consumo adequado de frutas e legumes pode prevenir a hipertensão, entre outros. Já o processual é o conhecimento sobre a forma como as ações são executadas. São exemplos: como escolher entre dois lanches o que é mais saudável ou como compor uma dieta equilibrada5,6.

A teoria social cognitiva enfatiza que o comportamento do indivíduo é determinado pela interação de fatores pessoais, bem como ambientais7. Neste contexto, Motta et al.8 expõem que a experiência pessoal de cada indivíduo configura pressupostos cognitivos que irão constituir princípios de valores e crenças que dão, mediante a realidade vivenciada por cada um, sentido e previsão aos acontecimentos; assim, o comportamento e o resultado advindo deste são dependentes tanto das escolhas conscientes do indivíduo como dos fatos que ocorrem no meio em que o homem estiver inserido, e como consequência disso fatores como influências sociais do ambiente no qual se está inserido, falta de motivação, sentimentos de baixa autoestima, crenças e tradições da sociedade colaboram para inibir modificações no estilo de vida, principalmente nos hábitos alimentares8.

Diante dessa premissa, vêm-se estabelecendo atividades educativas que se propõem a transmitir informações voltadas para provocar mudanças nos hábitos de vida dos indivíduos, tendo em vista que o homem constrói seu saber a cada dia, a partir do que vê, ouve, sente e percebe. Ele observa, separa e seleciona o que considera importante para sua vida e passa a usar o aprendido em consonância com a sua cultura. É assim que ele transforma a si mesmo e o mundo ao seu redor (ou ainda, resiste às transformações)9. É na prática cotidiana de suas vivências que o homem se aprimora em suas ações. Segundo Paulo Freire10: “... o que é fundamental é fazer. É lançar-se numa prática e ir aprendendo-reaprendendo, criando-recriando...”.

No que diz respeito à alimentação, o conhecimento sobre o que se deve comer e a conscientização da importância de uma alimentação saudável é o primeiro passo para ocorrer mudanças no comportamento alimentar. Contudo, a relação entre o que as pessoas realmente sabem e o que elas fazem tem sido considerada como “altamente tênue”. O conhecimento não estimula a mudança, mas atua como uma ferramenta importante quando as pessoas anseiam mudar, haja vista que o conhecimento raramente prevê mudança de comportamento11. Nessa perspectiva, o conhecimento nutricional (CN) pode ser definido como o processo cognitivo individual relativo à informação sobre alimentação e nutrição12, podendo ter alguma relação com a seleção alimentar13 e com o sucesso na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis14.

Triches e Giugliani15 afirmam que o CN dos indivíduos pode favorecer o consumo de alimentos saudáveis e assim promover mudanças nos hábitos alimentares, podendo, dessa forma, reduzir os riscos de aparecimento das doenças crônicas não transmissíveis. Spronk et al.16, em uma revisão sistemática sobre a relação entre CN e a ingestão dietética de adultos, realizada com estudos do tipo ensaios clínicos randomizados, transversais e quase-experimental, concluíram que a maioria dos estudos apresentou uma associação fraca e positiva entre CN e consumo alimentar. Entretanto, de acordo com o modelo conhecimento-atitude-comportamento, o conhecimento pode não provocar mudanças positivas e significativas no comportamento alimentar, tornando-se indispensável ter uma motivação, um incentivo para que isso ocorra17.

Desta forma, a avaliação do CN é uma discussão que merece destaque, tendo em vista que o nível deste conhecimento pode estar relacionado com o comportamento alimentar das pessoas e também pode influenciar na mudança de um padrão inadequado, bem como promover alterações no estado nutricional. Diante desse contexto, este estudo teve como objetivo revisar de forma sistematizada a literatura indexada relativa a estudos que avaliaram o nível de conhecimento em nutrição de indivíduos adultos com ênfase aos aspectos metodológicos e de conteúdo.

Métodos

Trata-se de um estudo de revisão sistemática de literatura. A pergunta que direcionou a revisão foi: “Que métodos estão sendo utilizados em estudos observacionais transversais para avaliar o nível de conhecimento geral de nutrição em indivíduos adultos?”.

Estratégia de busca

A identificação dos artigos realizou-se em abril de 2013 com busca em 3 bases de dados eletrônicas: Medical Literature Library of Medicine (Medline), via PubMed; Scientific Electronic Library (SciELO); e Literatura Latino-Americana e do Caribe (Lilacs), via Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Tendo o PubMed como referência, limitou-se a busca aos limites “humanos”; “idade”, usando os três filtros disponíveis: “Adult: 19+ years, Young Adult: 19-24 years e Adult:19-44 years”; e, aos idiomas “inglês, português e espanhol”. Quando necessário, a inserção desses limites foi adaptada aos recursos disponíveis nas demais bases de dados.

Os termos empregados para a busca dos artigos foram identificados nos Descritores em Ciências da Saúde (DECS), dos quais foram selecionadas as seguintes palavras-chaves e seus respectivos termos em inglês: estado nutricional (nutritional status), índice de massa corporal (body mass index), avaliação nutricional (nutrition assessment), hábitos alimentares (food habits), consumo de alimentos (food consumption), conhecimento (knowledge) e conhecimentos, atitudes e práticas em saúde (health knowledge, attitudes, practice). A estratégia de busca foi organizada de diferentes formas a fim de atender as especificidades de cada base de dados. Utilizaram-se os operadores lógicos OR e AND para realizar a combinação dos termos utilizados na procura das publicações.

Critérios de elegibilidade

Foram considerados elegíveis os estudos que preenchessem os seguintes critérios: estudo do tipo observacional transversal; participantes com idade > 18 anos, independente do sexo, país, etnia e nível socioeconômico; e estudos que descrevessem como foi avaliado o nível de conhecimento sobre nutrição em seus aspectos gerais.

Excluíram-se artigos de revisão; estudos epidemiológicos do tipo caso-controle, coorte, ecológico e de intervenção; pesquisas com crianças e adolescentes; artigos em duplicidade nas bases de dados; estudos com avaliação exclusivamente qualitativa; estudos de desenvolvimento, validação e reprodutibilidade de questionários de conhecimento em nutrição; artigos que avaliaram o conhecimento para aspectos específicos da nutrição e alimentação como, por exemplo, somente frutas, verduras e legumes, gorduras, fibras; e artigos que não abordavam o conhecimento nutricional.

Seleção dos artigos

De maneira independente, dois autores avaliaram os artigos obtidos pela estratégia de busca inicial, por título e resumo, utilizando os critérios de elegibilidade e exclusão predefinidos. As discordâncias ocorridas na seleção foram resolvidas por consenso. Mantendo-se a discordância, pesquisadores mais experientes eram consultados.

A descrição dos estudos foi realizada a partir da análise das seguintes informações: ano de publicação; periódico e ano de realização do estudo; local do estudo; público-alvo; tamanho amostral; objetivos; variáveis antropométricas, dietéticas, sociodemográficas e econômicas; instrumentos empregados para avaliar o conhecimento nutricional, destacando-se a sua forma de aplicação, critérios para classificação e avaliação e as associações observadas entre o conhecimento nutricional e as demais variáveis.

Avaliação da qualidade metodológica dos artigos

Os artigos incluídos foram avaliados por dois autores, de acordo com os critérios da iniciativa STROBE (Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology)18, em que da mesma forma que no estudo de Mendes et al.19 cada um dos 22 critérios recebeu uma pontuação de 0 (não atende) a 1 (atende). Após a avaliação dos critérios, cada artigo recebeu uma nota de 0 a 22 de cada revisor. A pontuação final foi obtida calculando-se a média das notas dos autores. De acordo com a nota final, realizou-se a classificação ordinal dos manuscritos. A pontuação global foi convertida em percentual para avaliar a qualidade dos artigos, classificando-os em 3 categorias, de acordo com Mataratzis et al.20: A – quando o estudo preenchesse mais de 80% dos critérios estabelecidos no STROBE; B – quando 50%-80% dos critérios do STROBE fossem alcançados; e C – quando menos de 50% dos critérios fossem preenchidos. Nos casos de divergência, a opinião de outros dois pesquisadores era consultada.

Resultados

Foram identificados 3.623 artigos. Após a análise dos títulos, resumos e aplicação dos critérios de exclusão, 25 trabalhos foram selecionados para o presente estudo conforme ilustrado na Figura 1. No que se refere à avaliação da qualidade metodológica pelos critérios do STROBE18, dos estudos analisados nenhum foi classificado como de qualidade C; 8% (n = 2) e 92% (n = 23) foram considerados de qualidade A e B, respectivamente (Tabela 1).

Figura 1 Fluxograma das etapas de seleção dos artigos revisados. 

Tabela 1 Qualidade dos estudos segundo os critérios do STROBE (Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology). 

Os artigos revisados estão apresentados nos Quadros 1 e 2 em termos de ano/local de realização da pesquisa, descrição da amostra, variáveis estudadas, objetivos, resumo dos instrumentos utilizados para avaliação e classificação do CN e associações com este.

Quadro 1 Estudos de avaliação do CN publicados nos últimos 10 anos: fonte, descrição da amostra, variáveis estudadas e objetivos. 

*Medline, Lilacs e SciELO; ** Sociodemográficas e econômicas, antropométricas e dietéticas, respectivamente.

Legenda: H: homens; M: mulheres; IMC: Índice de Massa Corporal; CN: conhecimento nutricional; EUA: Estados Unidos da América; SI: Sem informação; EN: estado nutricional; QFA: Questionário de Frequência Alimentar; R24H: Recordatório de 24 horas; AR2dias: Autorregistro de 2 dias.

Quadro 2 Estudos de avaliação do conhecimento nutricional: instrumentos aplicados, escores de avaliação e associações do conhecimento nutricional com as variáveis estudadas. 

* Medline, Lilacs e Scielo; ** Forma de aplicação dos questionários.

Legenda: a - Questionário de Parmenter e Wardle45; b - Questionário construído especificamente para o estudo; c- Questionário de Harnack et al.46 traduzido e validado para o português por Scagliusi et al.13; d- Questionário de Henderson Sabry et al.47 ; e - Questionário baseado no Sistema de Orientação Alimentar MyPyramid48 e na Pesquisa de Conhecimento sobre Saúde e dieta do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos49; NI – não informado; CN- conhecimento nutricional; DCNT- doença crônica não transmissível.

Ano/local de realização da pesquisa

As publicações nessa área tiveram início no ano 2000, com pequeno número até 2003 (em média uma publicação/ano), retornando em 2005 com os estudos de Lin e Lee28 e Schaller e James32. A partir desse ano, a média passou a ser de três artigos/ano. Os estudos foram realizados no período entre 1999 e 2010. Entretanto, 36% dos autores (n = 9) não informaram o ano de realização da pesquisa. Outro ponto importante a ser destacado é que o trabalho de Mimiran et al.43 foi realizado em 1999, revelando uma diferença de 11 anos entre o ano de ocorrência do estudo e a sua publicação.

Os periódicos com maior número de artigos publicados foram o Asia Pacific Journal of Clinical Nutrition e o Journal of The American Dietetic Association, com três publicações cada um (12%).

Os estudos de avaliação do conhecimento nutricional ocorreram nos cinco continentes, sendo o Brasil o país que apresentou maior número de publicações (n = 4; 16%). Na sequência, os Estados Unidos da América (EUA) e a Austrália respondem por 12% (n = 3) das publicações cada um.

Descrição da amostra

Em sua maioria, o público-alvo foram adultos de ambos os sexos, com idade entre 18 e 75 anos, com exceção dos estudos de Zawila et al.35, Freitas et al.26, Pon et al.25, Holdsworth et al.33, Nuss et al.23, De Vriendt et al.40, Castro et al.30, Galindo Gómez et al.41 e Mc Leod et al.4 2, que foram realizados apenas com mulheres. Esses estudos representam 36% (n = 9) dos artigos revisados.

O menor tamanho amostral foi de 21, e o máximo, de 2.027 indivíduos. Vale ressaltar que essas amostras, em sua quase totalidade, foram obtidas por conveniência.

Variáveis estudadas e objetivos

A maioria dos estudos não realizou análise de variáveis dietéticas, antropométricas, socioeconômicas e demográficas simultaneamente, o que ocorreu em apenas 32% dos estudos25,26,29,39-43. Entretanto, as informações sociodemográficas e econômicas foram avaliadas em todos eles. Destes, 25% (n = 6) fizeram uso apenas dessa avaliação, sendo mais frequente o uso das variáveis idade, sexo, grau de escolaridade, ocupação, renda, estado civil, número de filhos e etnia. Quanto aos dados de avaliação nutricional, as variáveis mais estudadas foram: peso, altura, índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura (CC) e do quadril (CQ) e o consumo alimentar. Em todos os artigos que os autores utilizaram dados antropométricos (n = 14) foi avaliado o IMC. Entretanto, CC e CQ foram analisadas concomitantemente apenas por Pon et al.25 e Mirmiran et al.43.

O instrumento de avaliação do consumo alimentar utilizado em 61,54% (n = 8) dos 13 estudos que analisaram a dieta foi o questionário de frequência de consumo alimentar (QFA)6,25,26,36,39,42-44.

De um modo geral, a finalidade dos estudos foi descrever e/ou avaliar o conhecimento nutricional e correlacioná-lo com o estado nutricional, o comportamento alimentar ou ainda com variáveis sociodemográficas e econômicas. Embora em 40% dos estudos25,26,31-33,35-38,43 os autores não explicitassem no texto do artigo o objetivo de verificar a existência de associações, a maioria deles apresentou esses dados nos resultados.

Instrumentos de avaliação do Conhecimento Nutricional

Observa-se que 44% (n = 11) dos manuscritos utilizaram questionários desenvolvidos para seus próprios estudos6,23,25,28,31,33,39,41-43. De modo geral, o conteúdo abordado nas avaliações tratou de nutrientes (carboidratos, lipídios, proteínas, vitaminas, minerais e fibras); benefícios da alimentação para saúde; relação dieta-doença (obesidade, doença cardiovascular e doença não transmissível em geral); frutas e legumes; sal e pirâmide alimentar. O questionário Nutritional Knowledge Questionnaire (NQK)45 foi utilizado em 32% dos estudos (n = 8); o NQK foi desenvolvido e validado para ser utilizado na população inglesa, com 18 anos ou mais, e avalia conhecimento acerca das recomendações dietéticas, fontes de nutrientes, escolha de alimentos do cotidiano e relações dieta-doença. A escala de conhecimento nutricional de Harnack et al.46, traduzida e validada para o português por Scagliusi et al.13, foi usada em 16% (n = 4) dos artigos21,26,27,30; esta escala avalia o conhecimento sobre a relação entre dieta e doença, quantidade de fibras e lipídios nos alimentos e as recomendações de ingestão de frutas e hortaliças. Schaller e James32 estudaram enfermeiros e utilizaram o questionário desenvolvido por Henderson Sabry et al.47, especificamente para estes profissionais. Kolodinsky et al.29 fizeram uso do questionário baseado no Sistema de Orientação Alimentar MyPyramid48 e na Pesquisa de Conhecimento sobre Saúde e Dieta do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos49, que aborda conhecimento sobre energia, gordura total, saturada e trans, açúcares adicionados, fibras e sobre a importância de manter um peso saudável e de comer uma variedade de frutas e legumes.

A forma de avaliação das respostas desses questionários não foi expressa em 44% (n = 11) das publicações. Em 28% (n = 7), foi informada apenas a pontuação máxima que poderia ser alcançada se todas as questões fossem respondidas corretamente22,32,36,38,40,42,44. Os outros 28% classificaram o CN em baixo ou pobre ou fraco (de 0 a 9 pontos); moderado ou médio (de 7 a 10 pontos) e alto ou elevado (acima de 10). Essas pontuações sofreram variação de acordo com a metodologia utilizada pelos autores, com diferentes pontuações nos escores de classificação.

Associações com o Conhecimento Nutricional

Foram identificadas associações entre o CN e as variáveis socioeconômicas e demográficas (idade, sexo, escolaridade e renda familiar) em 64% dos estudos. Todavia, Holdsworth et al.33 não encontraram relação entre CN e escolaridade. Já o IMC, avaliado em 56% dos estudos (n = 14), dos quais 42,8% (n = 6) verificaram sua associação com CN apresentou associação positiva27,41, negativa40 e nenhuma associação22,33; no estudo de Nuss et al.23, observou-se que mulheres que tiveram menos de 5% de retenção de peso (em comparação com peso pré-gestacional, avaliado pelo IMC) durante o primeiro ano pós-parto tiveram um maior CN.

Encontraram-se associações entre o CN e vários aspectos positivos da dieta (n = 10):alimentação saudável em geral29,34; maior consumo de frutas e legumes6,36,40; baixo consumo de açúcares simples, gorduras e sal, entre outros28,36.

Diante dos achados compilados nos Quadros 1 e 2, algumas conclusões expostas, de acordo com o público-alvo avaliado, foram: para mulheres os determinantes mais importantes do conhecimento nutricional foi o nível educacional, a idade e seu tipo de ocupação40; a educação nutricional para indivíduos idosos é importante, e o desenvolvimento de programas de educação nutricional deve considerar os baixos níveis educacionais dos idosos28; o conhecimento de nutrição é um importante alvo para educação em saúde e possui o potencial de contribuir para a melhoria da qualidade da dieta34; e o conhecimento dos alimentos, de suas propriedades nutricionais e das recomendações sobre as porções a serem ingeridas e a frequência de consumo devem ser objetos essenciais nos programas de educação nutricional ao longo da vida dos indivíduos36.

Discussão

Esta é a primeira revisão sistemática a tratar de estudos transversais que avaliaram o nível de conhecimentos gerais sobre nutrição de indivíduos adultos; no entanto, de modo semelhante ao trabalho de Sarno et al.50, devido à heterogeneidade das características das populações, dos métodos e dos instrumentos utilizados pelos autores dos manuscritos, não foi possível realizar uma síntese por metanálise.

A identificação de 25 artigos que atendiam aos critérios de inclusão definidos nesta revisão demonstra que a avaliação do nível de CN de adultos tem sido uma questão que está ganhando destaque entre os pesquisadores de todo o mundo. Embora não tenha sido utilizado nenhum filtro de ano de publicação, visando à inclusão de todos os estudos vinculados ao tema da revisão, as publicações têm um marco inicial recente (ano 2000), e o número de publicações/ano só veio a aumentar a partir de 2005, atingindo uma média de 3 publicações/ano, o que também revela que esta é uma temática atual. De acordo com Verbeek et al.51, o número de publicações é empregado como uma medida para quantificar o progresso e a evolução da ciência.

Na avaliação dos critérios do STROBE, todos os artigos selecionados para revisão apresentaram percentuais a partir de 50%, o que os classificou nas categorias A e B. Nos estudos de Mirmiram et al.43 e Kresić et al.44 com percentual de avaliação de 80%, portanto “categoria A STROBE”, o CN foi associado a idade (p < 0,01), escolaridade (p < 0,01) e sexo (p < 0,05) no primeiro, e, ao consumo de porções alimentares dentro do que é preconizado pela pirâmide alimentar (p < 0,001), no segundo.

O fato de os estudos terem ocorrido em países distribuídos nos 5 continentes, do tamanho amostral variar ampla e distintamente entre eles, de quase todos os artigos não analisarem as variáveis dietéticas, antropométricas, sociodemográficas e econômicas concomitantemente, bem como de utilizarem diferentes instrumentos de mensuração, traz limitações para uma discussão dos resultados, na medida em que dificulta comparações. Silveira e Santos52 e Barros et al.53 também chamam atenção para essa dificuldade de não se poder comparar os resultados de estudos que utilizam metodologias diversificadas. Além desses aspectos, os próprios manuscritos citam as suas próprias limitações: uso de questionário de conhecimento nutricional não validado para a população específica35,41; uso de dados autorrelatados29,42; métodos de pontuação dos questionários de CN não validados42; técnica de amostragem utilizada22,33; o fato de alguns indivíduos estudados terem participado de programas educacionais com temas relacionados à nutrição e saúde27, e o tamanho amostral – uso de amostra relativamente pequena27,29; neste aspecto, Schaller e James32 referem, como limitação, que embora o tamanho da amostra fosse suficiente para estimar a prevalência de CN com adequado poder estatístico, era inadequado para realizar a análise de regressão. Assim, as limitações desta revisão à luz das apresentadas pelos manuscritos dificultaram a compilação e as comparações dos resultados obtidos, sendo importante a realização de mais estudos sobre esta temática, utilizando instrumentos e métodos validados e/ou adequados ao estudo.

A análise de variáveis sociodemográficas e econômicas por todos os autores permite comentar que este é um aspecto considerado importante e influenciador do CN, bem como do estado geral de saúde dos indivíduos. Um estudo em três bairros pobres de Fortaleza (Ceará, Brasil), realizado pelo Banco Mundial, avaliou o risco social da pobreza e encontrou como fatores de risco o baixo nível de escolaridade e de capital social, a desestruturação familiar e a gravidez precoce, dentre outros54. A pobreza se evidencia quando parte da população não é capaz de gerar renda suficiente para ter acesso sustentável aos recursos básicos (água, saúde, educação, alimentação, moradia, renda e cidadania) que garantam uma qualidade de vida digna. Tais condições socioeconômicas interferem na condução dos cuidados com a saúde e com a alimentação, pois dizem respeito a elementos da estrutura familiar que podem afetar consideravelmente a qualidade de vida, assim como da alimentação54-56.

No que tange ao instrumento de coleta de dados sobre o CN, pode-se observar que a escolha deste foi bem diversificada, no entanto, na maioria dos manuscritos (44%), o questionário utilizado foi criado especificamente para cada pesquisa6,23,25,28,31,33,35,39,41,43. Os pesquisadores desenvolvem os seus próprios questionários com o intuito de que os itens abordados nesse novo instrumento sejam justamente os considerados relevantes para o estudo específico, atendendo às características da população12,57. Entretanto, considera-se que sempre que existir um instrumento de coleta de dados apropriado para uma população, não há necessidade de ser desenvolvido um outro instrumento (a ser aplicado em uma outra população), desde que sejam reavaliadas as suas propriedades psicométricas, e estas sejam consideradas confiáveis57. Contudo, mesmo tendo-se utilizado diferentes questionários de avaliação do CN, observa-se que o conteúdo abordado nesses instrumentos não é tão divergente entre si e em todos tem-se uma visão geral do conhecimento sobre nutrição dos indivíduos.

Dentre os estudos que apresentaram o ponto de corte utilizado para classificação dos níveis de conhecimento (Quadro 2), apenas os que utilizaram a escala de conhecimento nutricional de Harnack et al.46, traduzida e validada para o português por Scagliusi et al.13, dispuseram do mesmo ponto de corte para a avaliação do CN21,26,27,30,deixando em evidência que a dinâmica desta não está completamente entendida.

No que diz respeito às associações entre as variáveis estudadas, foi encontrado que o CN estava relacionado com idade, renda e escolaridade23,24,28,31,32,37,38,40,42,43. Nicastro et al.58, Obayashi et al.59 e Sapp e Jensen60 também evidenciaram associação positiva entre a escolaridade e a pontuação obtida em questionário de conhecimento nutricional, deixando clara a importância da educação escolar como um fator básico para obtenção de conhecimentos relacionados à nutrição. Segundo Zawila et al.35, o maior CN que tem sido observado no público feminino sustenta a hipótese de que este público possui uma constante preocupação com aspectos estéticos, resultando desta forma em uma busca relativamente maior por informações relacionadas à alimentação.

Os estudos que investigaram associações com dados antropométricos (Quadro 2) revelam diferentes resultados nessa análise com IMC, não permitindo apontar para uma tendência a um efeito protetor contra o aumento de massa corporal, pois, embora existam evidências sugerindo que o CN possa determinar escolhas alimentares, e assim estimular a adoção de hábitos alimentares saudáveis e, consequentemente, prevenir o aumento de massa corporal13,30, esta relação não é universal. Não está bem elucidado se o CN conduz a práticas alimentares salutares13. De acordo com Dattilo et al.27, o que se tem disponível na literatura abordando a associação entre o CN e o estado nutricional da população é bastante limitado e, quando se têm indícios de existência de pesquisas, poucas são as que utilizaram metodologias devidamente validadas.

No que diz respeito aos aspectos dietéticos, de uma maneira geral, maior CN associou-se a escolhas e práticas alimentares saudáveis. No entanto, embora o CN seja um possível fator que possa modificar de modo salutar o comportamento alimentar das pessoas, não é o único fator determinante. Por exemplo, segundo Montero Bravo et al.61, na avaliação de uma amostra de 105 estudantes universitários dos cursos da área de saúde (incluindo nutrição), mesmo quando os alunos acreditavam ter um bom conhecimento nutricional, este não estava necessariamente compatível com seus hábitos alimentares. Esta discussão expõe a natureza complexa dessa linha de investigação e explica as conclusões dos estudos discordantes entre si; ainda e principalmente deixa evidente que mais estudos são necessários para avaliar a relação entre o CN e comportamento alimentar, sobretudo em decorrência das limitações que foram detectadas em alguns manuscritos.

Conclusão

Os estudos que avaliaram o nível de conhecimento em nutrição de indivíduos adultos ainda são escassos, utilizam diversos instrumentos e escores de avaliação, assim como diferentes variáveis, objetivos e tamanho amostral, dificultando uma análise dos seus determinantes. Há uma maior tendência de avaliar sua relação com variáveis sociodemográficas e econômicas do que com estado nutricional antropométrico e dados dietéticos, incluindo práticas e escolhas alimentares. Apresentam qualidade metodológica predominantemente B segundo critérios STROBE, e número bastante reduzido de STROBE A, o que é compatível com o perfil revelado.

REFERÊNCIAS

1. Rodrigues LPF, Roncada MJ. Educação nutricional no Brasil: evolução e descrição de proposta metodológica para escolas. Com Ciências Saúde 2008; 19(4):315-322.
2. Duncan BB, Chor D, Aquino EML, Bensenor IM, Mill JG, Schmidt MI, Lotufo PA, Vigo A, Barreto SM. Doenças Crônicas Não Transmissíveis no Brasil: prioridade para enfrentamento e investigação. Rev Saude Publica 2012; 46(Supl. 1):126-134.
3. Vuori I, Paronen O, Oja P. How to develop local physical activity promotion programmes with national support: the Finnish experience. Patient Education and Counseling 1998; 33(Supl. 1):111-120.
4. Glanz K, Rimer BK, Lewis FM. Health Behavior and Health Education: Theory, Research and Practice. 3rd ed. San Francisco. Calif: Jossey-Bass Publications; 2002.
5. Worsley A. Nutrition knowledge and food consumption: can nutrition knowledge change food behaviour? Asia Pacific J Clin Nutr 2002; 1(Supl. 3):579-585.
6. Dickson-Spillmann M, Siegrist M. Consumers’ knowledge of healthy diets and its correlation with dietary behaviour. J Hum Nutr Diet 2011; 24(1):54-60.
7. Sharma SV, Gernand AD, Day RS. Nutrition knowledge predicts eating behavior of all food groups except fruits and vegetables among adults in the Paso del Norte region: Qué Sabrosa Vida. J Nutr Educ Behav 2008; 40(6):361-368.
8. Motta DG, Motta CG, Campos RR. Teorias Psicológicas da Fundamentação do Aconselhamento Nutricional. In: Diez-Garcia RW, Cervato-Mancuso AM, Vannucchi H, organizadores. Mudanças alimentares e educação nutricional. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2011. p. 53-65.
9. Alcides ECA. Promoção das práticas alimentares enquanto ação de Agentes Comunitários de Saúde em bairro da cidade de Salvador, Bahia [dissertação]. Salvador: Universidade Federal da Bahia; 2011.
10. Freire P. Como trabalhar com o povo. São Paulo: Centro de Referência Paulo Freire; 1983.
11. Chapman KM, Ham JO, Liesen P, Winter L. Applying behavioral models to dietary education of elderly diabetic patients. J Nutr Educ Behav 1995; 27(2):75-79.
12. Axelson ML, Brinberg D. The measurement and conceptualization of nutrition knowledge. J Nutr Educ Behav 1992; 24(5):239-246.
13. Scagliusi FB, Polacow VO, Cordás TA, Coelho D, Alvarenga M, Philippi ST, Lancha Júnior AH. Tradução, adaptação e avaliação psicométrica da Escala de Conhecimento Nutricional do National Health Interview Survey Cancer Epidemiology. Rev Nutr 2006; 19(4):425-436.
14. Després JP, Lamarche B. Low intensity endurance exercise training, plasma lipoporotein and the risk of coronary heart disease. J Intern Med 1994; 236(1):7-22.
15. Triches RM, Giugliani ERJ. Obesidade, práticas alimentares e conhecimentos de nutrição em escolares. Rev Saude Publica 2005; 39(4):541-547.
16. Spronk I, Kullen C, Burdon C, O’Connor H. Relationship between nutrition knowledge and dietary intake. Br J Nutr 2014; 111(10):1713-1726.
17. Aldrich L. Consumer use of information: implications for food policy. Washington: USDA; 1999. An Economic Research Service Report, USDA, Agricultural Handbook, Report D.C.; n. 715.
18. Von Elm E, Altman DG, Egger M, Pocock SJ, Gøtzsche PC, Vandenbroucke JP; STROBE Initiative. Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE) statement: guidelines for reporting observational studies. BMJ 2007; 335(7624):806-808.
19. Mendes KG, Theodoro H, Rodrigues AD, Olinto MTA. Prevalência de síndrome metabólica e seus componentes na transição menopáusica: uma revisão sistemática. Cad Saude Publica 2012; 28(8):1423-1437.
20. Mataratzis PSR, Accioly E, Padilha PC. Deficiências de micronutrientes em crianças e adolescentes com anemia falciforme: uma revisão sistemática. Rev Bras Hematol Hemoter 2010; 32(3):247-256.
21. Oliveira FL, Russo FM, Menegatti I, Toya MM, Stulbach E, Garcia LS, Peron AN, Dattilo M. Avaliação do conhecimento nutricional de atletas de judô. Lécturas Educación Física y Deportes [periódico na Internet]. 2009 [acessado 2015 Mar 06]; 14(138). Disponível em:
22. O’Brien G, Davies M. Nutrition knowledge and body mass index. Health Educ Res [serial on the Internet]. 2007 [cited 2015 Mar 21]; 22(4):[about 5p.]. Available from: .
23. Nuss H, Freeland-graves J, Clarke K, Klohe-lehman D, Milani TJ. Greater Nutrition Knowledge Is Associated with Lower 1-Year Postpartum Weight Retention in Low-Income Women. J Am Diet Assoc 2007; 107(10):1801-1806.
24. Parmenter K, Waller J, Wardle J. Demographic variation in nutrition knowledge in England. Health Educ Res 2000; 15(2):163-174.
25. Pon LW, Noor-Aini MY, Ong FB, Adeeb N, Seri SS, Shamsuddin K, Mohamed AL, Hapizah N, Mokhtar A, Wan HW. Diet, nutritional knowledge and health status of urban middle-aged Malaysian women. Asia Pac J Clin Nutr 2006; 15(3):388-399.
26. Freitas ECB, Alvarenga MS, Scagliusi FB. Avaliação do conhecimento nutricional e frequência de ingestão de grupos alimentares em vegetarianos e não vegetarianos. Rev Bras Nutr Clin 2006; 21(4):267-272.
27. Dattilo M, Furlanetto P, Kuroda AP, Nicastro H, Coimbra PCFC, Simony RF. Conhecimento nutricional e sua associação com o índice de massa corporal. Nutrire Rev Soc Bras Aliment Nutr 2009; 34(1):75-84.
28. Lin W, Lee YW. Nutrition knowledge, attitudes and dietary restriction behaviour of Taiwanese elderly. Asia Pac J Clin Nutr 2005; 14(3):221-229.
29. Kolodinsky J, Harvey-Berino JR, Berlin L, Johnson RK, Reynolds TW. Knowledge of current dietary guidelines and food choice by college students: better eaters have higher knowledge of dietary guidance. J Am Diet Assoc 2007; 107(8):1409-1413.
30. Castro NMG, Dáttilo M, Lopes LC. Avaliação do conhecimento nutricional de mulheres fisicamente ativas e sua associação com o estado nutricional. Rev Bras Ciênc Esporte 2010; 32(1):161-172.
31. Lin W, Hang C-M, Yang H-C, Hung M-H. 2005-2008 Nutrition and Health Survey in Taiwan: the nutrition knowledge, attitude and behavior of 19-64 year old adults. Asia Pac J Clin Nutr 2011; 20(2):309-318.
32. Schaller C, James EL. The nutritional knowledge of Australian nurses. Nurse Educ Today 2005; 25(5):405-412.
33. Holdsworth M, Delpeuch F, Landais E, Eymard-duvernay S, Maire B. knowledge of dietary and behaviour-related determinants of non-communicable disease in urban Senegalese women. Public Health Nutr 2006; 9(8):975-981.
34. Wardle J, Parmenter K, Waller J. Nutrition knowledge and food intake. Appetite 2000; 34(3):269-275.
35. Zawila LG, Steib C-SM, Hoogenboom B. The Female Collegiate Cross-Country Runner: Nutritional Knowledge and Attitudes. J Athl Train 2003; 38(1):67-74.
36. Gámbaro A, Raggio L, Dauber C, Claudia Ellis A, Toribio Z. Nutritional knowledge and consumption frequency of foods--a case study. Arch Latinoam Nutr 2011; 61(3):308-315.
37. Carrillo E, Varela P, Fiszman S. Influence of nutritional knowledge on the use and interpretation of Spanish nutritional food labels. J Food Sci 2012; 77(1):1-8.
38. Hendrie GA, Coveney J, Cox D. Exploring nutrition knowledge and the demographic variation in knowledge levels in an Australian community sample. Public Health Nutr 2008; 11(12):1365-1371.
39. Al Riyami A, Al Hadabi S, Abd El Aty MA, Al Kharusi H, Morsi M, Jaju S. Nutrition knowledge, beliefs and dietary habits among elderly people in Nizwa, Oman: implications for policy. East Mediterr Health J 2010; 16(8):859-867.
40. De Vriendt T, Matthys C, Verbeke W, Pynaert I, De Henauw S. Determinants of nutrition knowledge in young and middle-aged Belgian women and the association with their dietary behaviour. Appetite 2009; 52(3):788-792.
41. Galindo Gómez C, Juárez Martínez L, Shamah Levy T, García Guerra A, Avila Curiel A, Quiroz Aguilar MA. Nutritional knowledge and its association with overweight and obesity in Mexican women with low socioeconomic level. Arch Latinoam Nutr 2011; 61(4):396-405.
42. McLeod ER, Campbell KJ, Hesketh KD. Nutrition Knowledge: A Mediator between Socioeconomic Position and Diet Quality in Australian First-Time Mothers. J Am Diet Assoc 2011; 111(5):696-704.
43. Mirmiran P, Mohammadi-Nasrabadi F, Omidvar N, Hosseini-Esfahani F, Hamayeli-Mehrabani H, Mehrabi Y, Azizi F. Nutritional knowledge, attitude and practice of Tehranian adults and their relation to serum lipid and lipoproteins: Tehran lipid and glucose study. Ann Nutr Metab 2010; 56(3):233-240.
44. Kresić G, Kendel Jovanović G, Pavicić Zezel S, Cvijanović O, Ivezić G. The effect of nutrition knowledge on dietary intake among Croatian university students. Coll Antropol 2009; 33(4):1047-1056.
45. Parmenter K, Wardle J. Development of a general nutrition knowledge questionnaire for adults. Eur J Clin Nutr 1999; 53(4):298-308.
46. Harnack L, Block G, Subar A, Lane S, Brand R. Association of cancer prevention-related nutrition knowledge, beliefs, and attitudes to cancer prevention dietary behavior. J Am Diet Assoc 1997; 97(9):957-965.
47. Henderson Sabry J, Hedley M, Kirstine M. Nutrition applications in public health nursing: a survey of needs and preferences of public health nurses for continuing education in nutrition. Can J Public Health 1987; 78(1):51-56.
48. US Department of Agriculture, Center for Nutrition Policy and Promotion. MyPyramid Food Guidance System Education Framework. [cited 2015 Feb 15]. Available from: framework.pdf
49. US Department of Agriculture, Agricultural Research Service. What we eat in America 1994-1996 Continuing Survey of Food Intake by Individuals and the1994-96 Diet and Health Knowledge Survey. [cited 2015 Jan 16]. Available from:
50. Sarno F, Jaime PC, Ferreira SRG, Monteiro CA. Consumo de sódio e síndrome metabólica: uma revisão sistemática. Arq Bras Endocrinol Metab 2009; 53(5):608-616.
51. Verbeek A, Debackere K, Luwel M, Zimmermann E. Measuring progress and evolution in science and technology – I: The multiple uses of bibliometric indicators. Int. J Manag Rev 2002; 4(2):179-211.
52. Silveira DS, Santos IS. Adequação do pré-natal e peso ao nascer: uma revisão sistemática. Cad Saude Publica 2004; 20(5):1160-1168.
53. Barros DC, Saunders C, Leal MC. Avaliação nutricional antropométrica de gestantes brasileiras: uma revisão sistemática. Rev Bras Saude Mater Infant 2008; 8(4):363-376.
54. Verner D, Alda E. Youth At Risk, Social Exclusion, and Intergenerational Poverty Dynamics: A New Survey Instrument with Application to Brazil. World Bank Policy Research Working Paper 3296. [Internet]. 2004. 46p. [cited 2015 Feb 06]. Available from: .
55. Gomes MA, Pereira MLD. Família em situação de vulnerabilidade social: uma questão de políticas públicas. Cien Saude Colet 2005; 10(2):357-363.
56. Diez-Garcia RW. Mudanças Alimentares: Implicações Práticas, Teóricas e Metodológicas. In: Diez-Garcia RW, Cervato-Mancuso AM, Vannucchi H, organizadores. Mudanças alimentares e educação nutricional. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2011. p. 3-17.
57. Parmenter K, Wardle J. Evaluation and design of nutritional knowledge measures. J Nutr Educ Behav 2000; 32(5):269-277.
58. Nicastro H, Dattilo M, Santos TR, Padilha HVG, Zimberg IZ, Crispim CA, Stulbach TE. Aplicação da escala de conhecimento nutricional em atletas profissionais e amadores de atletismo. Rev Bras Med Esporte 2008; 14(3):205-208.
59. Obayashi S, Bianchi LJ, Song WO. Reliability and validity of nutrition knowledge, social-psychological factors, and food label use scales from the 1995 Diet and Health Knowledge Survey. J Nutr Educ Behav 2003; 35(2):83-91.
60. Sapp SG, Jensen HH. Reliability and Validity of Nutrition Knowledge and Diet-Health Awareness Tests Developed from the 1989-1991 Diet and Health Knowledge Surveys. J Nutr Educ Behav 1997; 29(2):63-72.
61. Montero Bravo A, Ubeda Martín N, García González A. Evaluation of dietary habits of a population of university students in relation with their nutritional knowledge. Nutr Hosp 2006; 21(4):466-473.