Experimentação de tabaco e fatores associados entre adolescentes da zona rural de Vitória da Conquista, BA, Brasil

Experimentação de tabaco e fatores associados entre adolescentes da zona rural de Vitória da Conquista, BA, Brasil

Autores:

Roberta Mendes Abreu Silva,
Vanessa Moraes Bezerra,
Danielle Souto de Medeiros

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.2 Rio de Janeiro fev. 2019

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018242.02962017

Abstract

The aim of this study is to describe incipient tobacco use and associated factors among adolescents from the rural zone of southwestern Bahia. It was based on data from the cross-sectional Adolescer research project among 390 adolescents conducted in 2015. Data were analyzed using frequency and chi-square measurements and Poisson regression with robust variance to estimate the prevalence ratios (PR) for incipient tobacco use in relation to the explanatory variables. Among the adolescents, 5.1% had smoked at some stage and 0.3% smoked regularly. The following variables were associated with incipient smoking: male gender (PR = 6.46); having had sexual intercourse at some stage in life (PR = 20.55); having parents who rarely or never understood their problems (PR=7.89); having 3 or more friends (PR = 0.10). Despite low incipient smoking or the prevalence of regular smoking, which indicate the adoption of a healthier lifestyle or greater autonomy and decision-making ability for non-smoking, it is acknowledged that there is no safe level of exposure to tobacco. The recommendation is that an intersectoral partnership between education and health be created to foster health promotion and disease prevention, with an emphasis on curtailing smoking habits.

Key words Adolescent; Adolescent health; Rural areas; Smoking; Epidemiological studies

Introdução

A adolescência é uma etapa da vida entre 10 e 19 anos, que marca a passagem da infância para a idade adulta1. Nessa fase, os adolescentes adotam novas práticas de comportamentos e estabelecem maior autonomia, o que proporciona exposição a várias situações de risco para a saúde, como por exemplo, o tabagismo, o consumo de outras drogas, a alimentação inadequada e o sedentarismo2.

Exposições a situações de risco, tais como o uso de tabaco e álcool, têm impacto direto sobre a saúde do adolescente e podem estender-se ao longo da vida3,4. Sabe-se que o hábito de fumar aumenta o risco de morbimortalidade por doenças crônicas e causas evitáveis nessa população5. Além dos problemas causados pelo consumo de tabaco na adolescência, existem indicativos de que seu uso está associado à permanência do consumo durante a vida adulta, principalmente quando o cigarro é inserido ainda nessa fase da vida4-6.

A geração de adolescentes no Brasil representa um total de 34.157.633 indivíduos, sendo que, deste contingente, 18% vivem em áreas rurais, o que dificulta o acesso dos mesmos a serviços públicos como educação e saúde7. Observa-se que as vulnerabilidades não estão distribuídas de forma homogênea na relação sociedade e espaço, sobretudo na zona rural, evidenciadas pela ausência ou escassez de opções de lazer e cultura, pela prática de esportes e ambientes de convívio públicos, afetando a vida dos adolescentes e jovens, principalmente em aspectos relacionados à saúde8.

As desigualdades repercutem, sobretudo, sobre as comunidades quilombolas e estão relacionadas à resistência étnica, cultural e histórica dessa população9. Estudos realizados anteriormente com a população adulta quilombola, estritamente rural, reportaram prevalências elevadas de doenças, acesso restrito aos serviços de saúde, bem como hábitos e comportamentos inadequados10-12. Contudo, informações sobre adolescentes de zona rural no Brasil são raras e não foram encontrados trabalhos sobre tabagismo em adolescentes quilombolas na nossa revisão.

Devido às mudanças de comportamento observadas na adolescência e a exposição a frequentes situações de risco, como a experimentação de tabaco, torna-se evidente a maior atenção que essa fase requer. Diante disso, este trabalho teve como objetivo descrever a exposição e os fatores associados à experimentação do tabaco entre adolescentes quilombolas e não quilombolas residentes na zona rural do sudoeste da Bahia.

Métodos

O presente estudo é de base populacional, do tipo seccional e com abordagem domiciliar. Os dados foram obtidos através da Pesquisa “ADOLESCER: Saúde do Adolescente da Zona Rural e seus condicionantes”, realizado em 2015 na cidade de Vitória da Conquista, BA.

Para a estimativa populacional foram utilizados os dados da ficha de cadastramento das famílias (Ficha A) preenchida pelos Agentes Comunitários de Saúde durante as visitas domiciliares. O universo amostral foi composto por 811 adolescentes, divididos nos estratos: quilombolas (N = 350), formado por residentes de comunidades quilombolas reconhecidas pela Fundação Palmares, e não quilombolas (N = 461).

No intuito de assegurar a representatividade e tornar viável a pesquisa, foi realizada uma estratégia amostral que abarcasse tanto a extensão territorial quanto a população de adolescentes que residiam nas comunidades rurais. Desta forma, foram utilizados como princípios amostrais: 1) selecionar domicílios proporcionalmente ao número de adolescentes por comunidade e 2) entrevistar apenas um adolescente por domicílio. Além disso, visando possibilitar a estimativa dos parâmetros para adolescentes quilombolas e não quilombolas, a amostra foi calculada separadamente para cada estrato.

Para o cálculo amostral foram considerados os seguintes parâmetros: prevalência de 50%; precisão de 5%; nível confiança de 95% e efeito de desenho igual a 1,0. Foram ainda acrescidos 15,0% para possíveis perdas, totalizando 242 adolescentes não quilombolas. Entretanto, para as comunidades quilombolas, como seria entrevistado apenas um adolescente por domicílio, o que levaria à superação do número existente de domicílios nas comunidades, foram acrescidos 7,1% para perdas nesse estrato, totalizando 197 indivíduos. Foram excluídos do estudo adolescentes e/ou responsáveis impossibilitados de responder o questionário, por estarem alcoolizados no momento da coleta dos dados ou apresentarem transtornos mentais graves com envolvimento cognitivo.

A amostragem para os adolescentes não quilombolas ocorreu em duas etapas: seleção aleatória de domicílios que continham adolescentes, de acordo com a distribuição proporcional de adolescentes por comunidade; e seleção aleatória dos adolescentes em cada domicílio. Para os adolescentes quilombolas foram visitados todos os domicílios procedendo-se apenas seleção aleatória dos adolescentes do domicílio.

O instrumento utilizado para a realização das entrevistas foi um questionário semiestruturado, organizado em blocos temáticos que incluíram características sociodemográficas, comportamentos de risco e proteção para a saúde, entre os quais o tabagismo foi abordado. Esse questionário foi adaptado ao contexto da zona rural, e proveniente de duas pesquisas realizadas no Brasil: Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE)13 e Pesquisa Nacional de Saúde (PNS)14.

A participação no estudo foi voluntária, a pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética da Universidade Federal da Bahia. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e/ou o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido.

Foi realizado um estudo piloto em uma comunidade rural não participante do estudo principal, para avaliar os instrumentos de coleta de dados e a viabilidade da pesquisa.

Os entrevistadores foram previamente treinados e realizaram as entrevistas nos domicílios sorteados com auxílio de computadores portáteis (HP Pocket Rx®5710). O software Questionnaire Development System (QDSTM; NOVA Research Company®), versão 2.6.1, foi utilizado para a programação e armazenamento dos dados. Foram feitas reentrevistas em 5% da amostra para a análise de confiabilidade das informações e garantia da qualidade dos dados.

Para descrever o tabagismo entre os adolescentes foram utilizadas as seguintes variáveis: experimentação do tabaco durante a vida (não e sim); para aqueles que responderam positivamente a essa questão, foram ainda descritos a idade de experimentação (em anos); fumo atual (sim, diariamente; sim, menos que diariamente; não fuma atualmente); tabagismo regular, definido como o relato de ter fumado pelo menos um dia nos últimos trinta dias anteriores à realização da pesquisa (não e sim); para aqueles que não fumavam atualmente foi avaliado o fumo no passado (não e sim, diariamente ou menos que diariamente).

A variável dependente foi experimentação do tabaco, obtida a partir da pergunta: “Alguma vez na vida você já fumou cigarro, mesmo que uma ou duas tragadas?”. As variáveis independentes foram estabelecidas com base num modelo de análise, construído a partir de uma ampla revisão da literatura, dividido em: sociodemográficas e econômicas; estilo de vida e condição de saúde; e contexto familiar e social.

As variáveis sociodemográficas e econômicas avaliadas foram: sexo, idade (em anos), raça/cor autodeclarada (não negra – branca, amarela ou indígena; negra – preta ou parda); nível econômico (B e C; D e E, de acordo os critérios da Associação Brasileira de Pesquisas e Mercados – ABEP)15; escolaridade do adolescente (em anos de estudo) e trabalho atual (não, sim).

Para caracterizar o estilo de vida e a condição de saúde, foram utilizadas as variáveis: ter tido relação sexual alguma vez na vida (não e sim); experimentação de uma dose de bebida alcoólica alguma vez na vida (não e sim). O contexto familiar e social foi descrito a partir das variáveis: residir em comunidade quilombola (não e sim), composição familiar (mora com os pais, mora com o pai ou com a mãe, não mora com os pais); frequência com que pais ou responsáveis entenderam os problemas e preocupações (na maior parte do tempo/sempre; às vezes; nenhum ou raramente); amigos próximos (até 2; 3 e mais); sentir-se sozinho (nunca/ raramente, às vezes, na maioria das vezes/ sempre); pessoas que fumaram na presença do adolescente nos últimos 7 dias (não e sim); pais ou responsáveis fumantes (nenhum, pelo menos um dos pais ou responsável); reação da família à experimentação do tabaco (se importaria muito ou um pouco, não iriam se importar ou não sabe).

Foram realizadas análises, para a amostra total e para cada estrato (quilombola e não quilombola), através de distribuição de frequência para as variáveis categóricas e medidas de tendência central (mediana) para as variáveis contínuas, considerando a distribuição não normal. As diferenças entre as proporções para os grupos foram testadas com a distribuição qui-quadrado de Pearson, qui-quadrado de tendência linear ou teste exato de Fischer. As diferenças entre os dados numéricos não paramétricos foram avaliados pelo o teste de Wilcoxon-Mann-Whitney.

A Razão de Prevalência (RP) foi usada como medida de associação entre a ocorrência da experimentação do tabaco e as variáveis explicativas de interesse. Essa medida e seu intervalo de confiança de 95% (IC95%) foram estimadas por regressão de Poisson com variância robusta. Dado que o desfecho tem baixa ocorrência nessa população e a fim de assegurar o poder de detecção para a análise multivariada considerou-se apenas a amostra total. Desta forma, foram incluídas no modelo inicial todas as variáveis que, na análise bivariada, apresentaram associação com a experimentação do tabaco em nível de significância inferior a 20%. Para todos os testes e para permanência das variáveis no modelo final, foi utilizado o nível de significância de 5%. Os modelos foram comparados pelo critério de Akaike e pelo critério de informação Bayesiana. A adequação do modelo foi avaliada pelo qui-quadrado.

Foi realizada a análise de calibração dos fatores naturais de expansão para a avaliar o efeito das perdas sobre o desfecho estudado16. As estimativas de ponto da prevalência de experimentação de tabaco com e sem o fator de calibração foram comparadas pelo teste qui-quadrado. O programa Stata, versão 12.0, foi utilizado na análise dos dados.

Resultados

Entre os adolescentes, foram feitas 390 entrevistas, sendo 167 quilombolas e 223 não quilombolas, com perdas de 15,2% e 7,9%, respectivamente. As perdas foram diferenciais em relação ao sexo, com maior predominância no sexo masculino, para os adolescentes não quilombolas (p valor 0,038). Entretanto, a estimativa da experimentação do tabaco, com e sem o fator de calibração para essa variável, não apresentou diferença significativa. Assim, as análises foram conduzidas sem considerá-lo. Os principais motivos das perdas foram: domicílio fechado após a terceira visita (29,5%), adolescente não encontrado após a terceira visita (24,6%) e recusa (23,0%).

Dentre os adolescentes entrevistados, a mediana da idade foi de 14,8 (RP = 1,48; IC 95%: 1,29-1,70) anos e de escolaridade foi de 6 anos de estudo (RP = 1,27; IC 95%: 1,15-1,41). Quanto ao tabagismo, 5,1% relataram a experimentação do tabaco alguma vez na vida, 0,3% fumava diariamente e 0,5% menos que diariamente, 0,3% fumava regularmente e 1,8% fumou diariamente ou menos que diariamente no passado. Residir em comunidades quilombolas ou não quilombolas não diferiram significativamente em relação a essas variáveis (Tabela 1). A mediana de idade de experimentação do tabaco pela primeira vez para amostra total foi de 15 anos (amplitude 12-19); para não quilombolas foi de 15 anos (amplitude 13-18) e para quilombolas 15,5 anos (amplitude 12-19).

Tabela 1 Descrição do hábito de fumar pelos adolescentes de zona rural. Bahia, 2015. 

Variáveis categóricas Amostra total Quilombola Não Quilombola p valor
n* % n* % n* %
Experimentação do tabaco 0,794
Não 370 94,9 159 95,2 211 94,6
Sim 20 5,1 8 4,8 12 5,4
Fumo atual 1,000
Sim, diariamente 1 0,3 0 0,0 1 0,5
Sim, menos que diariamente 2 0,5 1 0,6 1 0,5
Não fuma atualmente 387 99,2 166 99,4 221 99,0
Fumo regular 0,428
Não 389 99,7 166 99,4 223 100,0
Sim 1 0,3 1 0,6 0 0,0
Tabagismo no passado 0,247
Não 383 98,2 166 99,4 217 97,3
Sim, diariamente ou menos que diariamente 7 1,8 1 0,6 6 2,7

*n – frequência absoluta.

Valor de p calculado pelo teste do qui-quadrado de Pearson.

Valor de p calculado pelo teste exato de Fischer.

Do total de adolescentes entrevistados, 51,3% eram do sexo feminino, 76,4% eram negros (pretos ou pardos), 61,3% pertencentes às classes econômicas D e E, 61,8% não trabalhavam e 42,8% residiam em comunidades quilombolas. A maioria relatou que não teve relação sexual alguma vez na vida (73,6%), que não tomou uma dose de bebida alcoólica alguma vez na vida (71,8%) (Tabela 2).

Tabela 2 Características da população (variáveis categóricas), prevalência, razão de prevalência e intervalo de confiança 95% de experimentação do tabaco entre adolescentes da zona rural. Bahia, 2015. 

Variáveis n* % Amostra Total
P(%) RP bruta IC 95%§
Quilombola
Sim 167 42,8 4,8 0,89 0,37-2,13
Não 223 57,2 5,4 1,00
Sexo
Feminino 200 51,3 3,0 1,00
Masculino 190 48,7 7,4 2,46 0,96-6,27
Raça/Cor
Não negra 92 23,6 3,3 1,00
Negra 298 76,4 5,7 1,75 0,52-5,85
Nível Econômico
B e C 151 38,7 5,3 1,06 0,44-2,52
D e E 239 61,3 5,0 1,00
Trabalho
Não 241 61,8 2,5 1,00
Sim 149 38,2 9,4 3,77 1,48-9,62
Relação sexual alguma vez na vida
Não 287 73,6 0,7 1,00
Sim 103 26,4 17,5 25,08 5,91-106,40
Experimentação de dose de bebida alcoólica
Não 280 71,8 1,1 1,00
Sim 110 28,2 15,5 14,4 4,31-48,32
Composição Familiar
Mora com os pais 264 67,7 4,9 1,00
Mora apenas com o pai ou com a mãe 91 23,3 5,5 1,12 0,41–3,05
Não mora com os pais 35 9,0 5,7 1,16 0,27-4,94
Pais entenderam problemas e preocupações
Na maior parte do tempo/ sempre 163 42,3 2,5 1,00
Às vezes 124 32,2 1,6 0,66 0,12–3,54
Nenhum ou raramente 98 25,5 14,3 5,82 1,97-17,21
Amigos próximos
Até 2 66 16,9 12,1 1,00
3 e mais 324 83,1 3,7 0,31 0,13-0,72
Sentir-se sozinho
Nunca/ raramente 247 63,3 4,5 1,00
Às vezes/Na maioria das vezes/sempre 143 36,7 6,3 1,41 0,60-3,33
Fumar na presença nos últimos 7 dias
Não 162 41,5 1,2 1,00
Sim 228 58,5 7,9 6,39 1,50-27,23
Pais ou responsável fumante
Nenhum 279 71,7 5,0 1,00
Pelo menos um pai ou responsável 110 28,3 5,5 1,09 0,43-2,76
Reação da família a experimentação do tabaco
Se importaria muito ou um pouco 346 88,9 4,9 1,00
Não iria se importar ou não sabe 43 11,1 7,0 1,42 0,43-4,65

*n – frequência absoluta.

P – prevalência.

RP– razão de prevalência.

§IC 95% - Intervalo de Confiança 95%.

Ao considerar o contexto familiar e social, a maioria dos adolescentes morava com os pais (67,7%), 42,3% dos pais entenderam seus problemas e preocupações na maior parte do tempo ou sempre. A maior parte dos adolescentes disse que tinha três amigos ou mais (83,1%), nunca ou raramente sentiram-se sozinhos (63,3%), que não existiram pessoas que fumaram em sua presença nos últimos 7 dias (41,5%), que não possuíam pais fumantes (71,7%), que a família se importaria se ele experimentasse tabaco (88,9%) (Tabela 2).

Observou-se maior prevalência de experimentação do tabaco por adolescentes: do sexo masculino (7,4%); raça/cor negra (5,7%); nível econômico B e C (5,3%); para os que trabalhavam (9,4%); para os que não residiam em comunidades quilombolas (5,4%); para os que já tiveram relação sexual alguma vez na vida (17,5%); para os que já tomaram uma dose de bebida alcoólica (15,5%) (Tabela 2).

Ocorreu maior prevalência de fumo entre os adolescentes: que não moravam com os pais (5,7%); entre aqueles que os pais raramente ou nunca entenderam seus problemas e preocupações (14,3%); que tinham até dois amigos próximos (12,1%); que sentiam-se sozinhos na maior parte das vezes ou sempre (6,3%); que tinham pessoas fumando em sua presença nos últimos 7 dias (7,9%); que possuíam pelo menos um pai ou responsável fumante (5,5%); que a família não se importaria caso ele experimentasse cigarro (7,0%) (Tabela 2).

Considerando os estratos separadamente, a experimentação de tabaco foi significativamente mais frequente entre os adolescentes não quilombolas que trabalhavam, tiveram relação sexual alguma vez na vida, já experimentaram uma dose de bebida alcoólica e tinham pais que nenhuma vez ou raramente entendiam seus problemas e preocupações. Aqueles que relataram ter 3 e mais amigos próximos apresentaram menor prevalência desse desfecho. Para os adolescentes quilombolas, a maior experimentação de tabaco foi observada entre os que tiveram relação sexual e que já tinham experimentado uma dose de bebida alcoólica alguma vez na vida (Tabela 3).

Tabela 3 Prevalência, razão de prevalência e intervalo de confiança 95% de experimentação do tabaco entre adolescentes quilombolas e não quilombolas da zona rural. Bahia, 2015. 

Variáveis Quilombola (n=167) Não Quilombolas (n=223)
P(%)* RP bruta IC 95% P(%)* RP bruta IC 95%
Sexo
Feminino 0,0 - 5,5 1,00
Masculino 10,5 § § 5,3 0,96 0,32-2,88
Raça/Cor
Não negra 7,4 1,00 1,5 1,00
Negra 4,3 0,58 0,12-2,73 7,0 4,53 0,59-34,50
Nível Econômico
B e C 5,0 1,06 0,22-5,06 5,4 1,01 0,33-3,04
D e E 4,7 1,00 5,4 1,00
Trabalho
Não 2,6 1,00 2,4 1,00
Sim 9,4 3,58 0,89-14,51 9,4 3,97 1,1-14,31
Relação sexual alguma vez na vida
Não 0,8 1,00 0,7 1,00
Sim 14,9 17,87 2,25-142,23 15,6 32,80 4,31-249,56
Experimentação de dose de bebida
Não 1,6 1,00 0,65 1,00
Sim 15,0 9,53 1,99-45,56 15,7 24,04 3,15-183,44
Composição Familiar
Mora com os pais 4,7 1,00 5,1 1,00
Mora apenas com o pai ou com a mãe 2,4 0,52 0,06-4,36 8,0 1,57 0,49-5,01
Não mora com os pais 10,5 2,25 0,47-10,83 0,0 § §
Pais entenderam problemas e preocupações
Na maior parte do tempo/ sempre 2,9 1,00 2,2 1,00
Às vezes 1,9 0,66 0,06-7,14 1,4 0,65 0,06-7,12
Nenhum ou raramente 11,6 4,07 0,82-20,16 16,4 7,61 1,70-34,06
Amigos próximos
Até 2 7,4 1,00 15,4 1,00
3 e mais 4,3 0,58 0,12-2,73 3,3 0,21 0,07-0,62
Sentir-se sozinho
Nunca/ raramente 4,7 1,00 4,3 1,00
Às vezes/Na maioria das vezes/sempre 5,0 1,07 0,26-4,34 7,2 1,69 0,56-5,07
Fumar na presença nos últimos 7 dias
Não 0,0 1,00 2,3 1,00
Sim 8,7 § § 7,4 3,20 0,72-14,30
Pais fumantes
Nenhum 4,3 1,00 5,6 1,00
Pelo menos um pai ou responsável 6,1 1,43 0,35-5,79 4,9 0,89 0,25-3,17
Reação da família a experimentação do tabaco
Se importaria muito/um pouco 4,3 1,00 5,4 1,00
Não iria se importar/não sabe 8,0 1,88 0,40-8,83 5,6 1,04 0,14-7,61

*P – prevalência.

RP-razão de prevalência.

IC 95%-intervalo de confiança 95%.

§- Não foi possível estimar.

Na análise multivariada para a amostra total, mostraram-se associados à ocorrência de experimentação do tabaco após ajuste: a) sexo masculino (RP = 6,46); b) ter tido relação sexual alguma vez na vida (RP = 20,55); c) ter pais que raramente ou nunca entenderam os seus problemas (RP = 7,89); d) ter 3 ou mais amigos (RP = 0,10) (Tabela 4).

Tabela 4 Análise multivariada e fatores associados à ocorrência da experimentação de tabaco entre adolescentes da zona rural. Bahia, 2015. 

Variáveis *RP ajustada IC 95%
Sexo
Masculino 7,46 2,82–19,78
Feminino 1,00
Relação sexual alguma vez na vida
Não 1,00
Sim 20,55 5,66–74,65
Frequência com que pais entenderam os problemas e preocupações
Sempre ou na maior parte 1,00
Às vezes 0,76 0,14–4,18
Nenhum ou raramente 7,89 2,16–28,82
Amigos próximos
Até 2 1,00
3 ou mais 0,10 0,04–0,28

*RP – razão de prevalência.

IC 95% - intervalo de confiança 95%.

Discussão

Esta pesquisa revelou que a prevalência de experimentação do tabaco em adolescentes de zona rural foi baixa quando comparada à encontrada em estudos tanto nacionais4,6,17,18, quanto internacionais19-21. No estudo de Siziya et al.21, realizado na zona rural de Zâmbia, a prevalência foi de 27% de adolescentes que relataram ter fumado. Abreu e Caiaffa17 mostraram que 11,7% dos adolescentes e jovens residentes na zona urbana de Belo Horizonte experimentaram cigarro alguma vez na vida; para a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2015)18 observa-se que 18,4% dos escolares experimentaram tabaco nas capitais brasileiras e 14,2% na região Nordeste.

Apesar da baixa prevalência encontrada entre adolescentes de zona rural, é importante destacar que não existe nível seguro de exposição ao tabaco6, uma vez que a dependência a nicotina não depende do uso diário de tabaco. Assim, mesmo o uso de cigarro irregular pode estimular a dependência a nicotina22. Sabe-se que, a exposição ao tabagismo na adolescência tem inúmeras implicações para o bem-estar e a saúde do adolescente repercutindo por toda a sua vida4.

As baixas prevalências de experimentação do tabaco observadas no presente trabalho podem ter ocorrido devido aos diferentes comportamentos sociais estabelecidos entre o adolescente da zona rural e suas fontes de socialização, sendo estes comportamentos sujeitos a variações culturais. Um menor consumo de tabaco pode acontecer quando o adolescente tem maior capacidade de negação e uma maior confiança na sua capacidade de controlar o uso do cigarro. Além disso, outros fatores como a autoestima, e o meio social podem reduzir ou neutralizar o risco do adolescente ter o primeiro contato ou consumir continuamente o tabaco, tornando-se então mais resilientes às pressões sociais23,24.

Apesar das populações quilombolas e não quilombolas diferirem culturalmente9, não foram encontradas diferenças nos comportamentos dos adolescentes relacionados ao tabagismo. Ressalta-se que, nas áreas rurais, há uma menor oferta de serviços, entre estes, a educação. De um modo geral, há mais variedade de oferta de escolas de nível fundamental I, inclusive em comunidades menores. Já para os níveis fundamental II e médio, os alunos são concentrados em espaços localizados, geralmente, nas sedes dos distritos25,26. Desta forma, os adolescentes de zona rural estão sujeitos a um mesmo espaço e meio social dentro da escola, podendo assumir comportamentos semelhantes.

O tabagismo regular (ter fumado pelo menos um dia nos últimos trinta dias) entre os adolescentes da zona rural foi também inferior aos estudos encontrados4,21,27,28, como o dos escolares em Zâmbia (27%)21, escolares no Sul do Brasil (4,4%)27 e o VI Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas, em que a porcentagem de uso de tabaco foi de 4,1% na capital baiana28. Observa-se que, apesar da ocorrência da experimentação do tabaco, a baixa frequência do consumo regular pode indicar que os adolescentes da zona rural estudada têm maior autonomia e capacidade de decisão para a permanência ou não do consumo do tabaco.

A precocidade da experimentação do tabaco entre os adolescentes, tanto quilombolas quanto não quilombolas, foi semelhante ao observado em outras pesquisas, nas quais as idades variaram entre 12 e 17 anos17,19,29. Sabe-se que indivíduos que iniciam o hábito de fumar com idade menor ou igual a 15 anos apresentam duas vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão quando comparados aos que iniciam depois dos vinte anos30. Logo, adquirir o hábito de fumar durante a adolescência aumenta o risco de morbimortalidade por doenças crônicas e causas evitáveis e relaciona-se a problemas de saúde futuros, já que seu uso está associado à permanência do consumo durante a vida adulta4-6. Percebe-se a necessidade de fomentar discussões sobre o tabagismo, bem como suas repercussões na saúde do adolescente. Tais discussões podem ser realizadas a partir de estimulação de parcerias intersetoriais entre educação e saúde, visando tornar a sala de aula um local favorável para essa abordagem.

Neste estudo, a experimentação do tabaco foi 6,46 vezes mais prevalente no sexo masculino, o que difere dos trabalhos mais atuais, nos quais não há diferença significativa entre os sexos3,4,6,31. Corrobora com os nossos achados o relatório do Suplemento sobre Tabagismo da Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílios (PNAD), em 200832, que revelou que, entre os indivíduos de 15 a 24 anos, o maior percentual para fumo diário ou ocasional era do sexo masculino (14,8%). Pesquisa anterior apontou que no sexo masculino fatores como a autoafirmação e a busca por inserir-se na turma foram as maiores influências para o início do tabagismo, revelando a necessidade de pertencimento e busca da identidade entre esses adolescentes33. No contexto rural, onde a presente pesquisa foi desenvolvida, somam-se a essas questões uma cultura ainda fortemente relacionada ao gênero.

A ocorrência de relação sexual e a experimentação de uma dose bebida alcoólica também mostraram-se positivamente associados à experimentação de tabaco no meio rural, apesar deste último não ter se mantido significativo após o ajuste. Já foi observado uma maior prevalência de tabagismo regular entre os adolescentes escolares que experimentaram álcool e tiveram relação sexual4. Tal fato pode ser explicado pela maior tendência na adolescência tanto para o aparecimento de comportamentos desfavoráveis ou de risco como também de relações sexuais inseguras, já que a adoção de novas práticas e estabelecimento de maior autonomia proporciona exposição a várias situações desfavoráveis para a saúde2,34.

A não compreensão dos pais acerca dos problemas dos adolescentes mostrou elevar a prevalência de experimentação do tabaco em 6,89 vezes. Percebe-se a importância das interações familiares, assim como do meio social onde o adolescente está inserido, de forma tal que dificuldades percebidas nestas interações podem se estabelecer na vida do adolescente como fatores que influenciariam o surgimento de problemas, como o consumo de cigarro e outras drogas, durante essa etapa da vida que repercutem até a vida adulta35.

Neste estudo, ter pessoas que fumaram na presença do adolescente nos 7 dias anteriores à entrevista mostrou aumentar a prevalência de experimentação do tabaco, mas não manteve significância na análise multivariada. Diferente desse achado, Barreto et al.6, evidenciaram associação entre o tabagismo regular e alguém ter fumado na presença do adolescente na última semana, indicando aumento da prevalência conforme o aumento dos dias de exposição, sendo este ainda mais prevalente entre os meninos. Os autores explicam que a exposição do adolescente a outros fumantes poderia reforçar esse hábito6. Entretanto, os questionários utilizados como base para a coleta de dados dessa pesquisa não possibilitaram identificar quem eram os indivíduos próximos aos adolescentes que fumavam e que poderiam ter ou não influência sobre esse comportamento.

Ter mais amigos próximos permaneceu negativa e independentemente associada à experimentação do tabaco. Estudos discutem que a presença de mais amigos na vida do adolescente pode aumentar a sua autoestima e resiliência frente às pressões ambientais e sociais23,24. No entanto, não se pode descartar a possibilidade desses amigos terem hábitos mais saudáveis, o que reforçaria e influenciaria tais comportamentos entre os mesmos, visto que, conforme a teoria do aprendizado social, os adolescentes poderiam aprender um determinado comportamento através da observação ou repetição de comportamentos de pessoas próximas36. De um modo geral, os adolescentes da zona rural pesquisada apresentaram hábitos de alimentação e comportamentos mais saudáveis que os de zonas urbanas.

Este estudo apresenta algumas limitações, por ter um desenho transversal, não é possível inferir a natureza temporal de algumas das associações observadas. A extrapolação dos resultados a outras populações de adolescentes rurais deve considerar semelhanças geográficas com a região estudada. Ainda, considerando a que o critério de classificação dos adolescentes quilombolas foi a delimitação territorial das comunidades reconhecidas pela Fundação Palmares, é possível que, dada a proximidade geográfica das comunidades, adolescentes que se autoidentificam como quilombolas possam residir nos arredores. Assim, não se pode excluir a possibilidade de subestimação de algumas medidas.

A realização de estudos sobre a experimentação de tabaco por adolescentes constitui uma demanda importante em nosso país, uma vez que este tema ainda é insuficientemente abordado e os estudos realizados até o momento são, em sua maioria, restritos a escolares residentes na zona urbana. O presente trabalho adquire relevância por ter sido desenhado de modo a propiciar uma visão da experimentação do tabaco por adolescentes de zona rural, incluindo adolescentes quilombolas.

Considerações finais

As baixas prevalências de experimentação do tabaco e do seu uso regular entre os adolescentes da zona rural podem indicar a adoção de um estilo de vida mais saudável ou ainda uma maior autonomia e capacidade de decisão para o não consumo. Entretanto, a exposição ao tabagismo ainda acontece precocemente.

Por agrupar os adolescentes de uma maneira regular, é importante reconhecer o papel da escola no acesso a essa população. Dessa forma, uma parceria intersetorial educação-saúde poderia fortalecer ações de promoção da saúde e prevenção de doenças, com ênfase no tabagismo.

Nas regiões rurais também existem muitos adolescentes não escolarizados; ressalta-se então a necessidade de outras atividades que possam favorecer a educação em saúde diretamente nas comunidades. Considerando as particularidades desse grupo e a importância da sua socialização como influência negativa à experimentação do tabaco, a educação entre pares seria uma estratégia bastante interessante. Adolescentes conversam de “igual pra igual” com outros adolescentes sobre diferentes assuntos, e eles têm como base a própria comunidade em que vivem. Assim, conhecendo a realidade dos seus pares, organizam atividades mais próximas da cultura local.

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