Extensão popular: a pedagogia da participação estudantil em seu movimento nacional

Extensão popular: a pedagogia da participação estudantil em seu movimento nacional

Autores:

Pedro José Santos Carneiro Cruz

ARTIGO ORIGINAL

Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versão impressa ISSN 1414-3283versão On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.18 supl.2 Botucatu 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622013.0494

A Articulação Nacional de Extensão Popular (ANEPOP) reúne sujeitos envolvidos em ações de extensão universitária orientadas pelo referencial teórico-metodológico da Educação Popular (EP). Participam estudantes, professores, técnicos e movimentos populares ligados a essas ações de extensão, visando compor espaços de troca de experiências, discussão e estudos sobre suas possibilidades e dificuldades e construir coletivamente estratégias de luta para fortalecer institucionalmente essa vertente de extensão no cenário universitário brasileiro.

Envolvendo-se ativamente no processo de criação e desenvolvimento da ANEPOP, os pesquisadores deste estudo teceram reflexões críticas sobre essa experiência, especialmente quanto às repercussões desse tipo de vivência para a formação universitária na perspectiva da EP. Particularmente, chamou a atenção o quanto a participação na construção de um movimento nacional, no campo da EP, ajudou os extensionistas a desenvolverem aprendizados distintos dos acumulados nos projetos e nos programas locais de extensão.

Então, por se considerar que a pedagogia do Movimento Nacional de Extensão Popular é um problema de pesquisa, este estudo foi desenvolvido no decorrer do Curso de Mestrado em Educação, com o objetivo primeiro de analisar o significado pedagógico da participação estudantil na organização ANEPOP. Para tanto, utilizaram-se metodologias de pesquisa qualitativa, por meio das quais é possível apreender os aspectos pedagógicos inerentes a esta experiência, em especial, a sistematização de experiências. Assim, inicialmente, procedeu-se ao resgate histórico da ANEPOP e se valorizou o acesso dos pesquisadores aos registros dos acontecimentos e das diferentes ações e reações, incluindo suas observações pessoais, as conversas informais e os seus olhares curiosos. Em seguida, empreendeu-se uma análise crítica, tendo como foco a explicitação dos elementos pedagógicos desta experiência, bem como situações-limite e inéditos viáveis que ela traz para a atual discussão a respeito da formação estudantil e da reforma universitária.

Observou-se que, na ANEPOP, os aprendizados estudantis residiam, sobretudo, no aprimoramento de sua participação política e no estreitamento com lutas compromissadas com a difusão e a institucionalização da EP, bem como na comunicação com outras experiências regionais e nacionais no campo da Extensão Popular, o que favorecia aprendizados sobre metodologias educativas emancipatórias no cenário universitário.

Vivenciar a ANEPOP é constatar a expressão vibrante de um número significativo de atores universitários e sociais dedicados à construção permanente da utopia de uma universidade popular, ou seja, participativa, libertária, amorosa e democrática, onde a EP deixe de ser algo estranho ou esquisito para significar uma matriz orientadora e uma fonte permanente de inspirações de uma instituição – a universidade – que dê sentido à vida de todas as pessoas.

Há, portanto, uma singularidade nessa pedagogia, expressa marcantemente na capacidade de inserir os estudantes em espaços de protagonismo com repercussões de amplitude nacional e com interfaces de ordem conjuntural. Ainda se revela o aprendizado de conviver entre diferentes numa escala pouco exercitada no âmbito dos projetos locais de extensão.

Assim, a EP deixa de ser somente inspiração teórica ou bandeira de luta e vai sendo incorporada como principio ético e filosófico, como um horizonte segundo o qual esses estudantes procuram guiar e conduzir suas ações individuais e coletivas.

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