Factors associated with non-compliance with antiretrovirals in HIV/AIDS patients

Factors associated with non-compliance with antiretrovirals in HIV/AIDS patients

Autores:

Elielza Guerreiro Menezes,
Simone Rodrigues Fernandes dos Santos,
Giane Zupellari dos Santos Melo,
Gisele Torrente,
Arlene dos Santos Pinto,
Yara Nayá Lopes de Andrade Goiabeira

ARTIGO ORIGINAL

Acta Paulista de Enfermagem

Print version ISSN 0103-2100On-line version ISSN 1982-0194

Acta paul. enferm. vol.31 no.3 São Paulo May/June 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201800042

Resumen

Objetivo

Identificar los factores asociados a la no adhesión al tratamiento antirretroviral en portadores de VIH/SIDA en Hospital de referencia de Manaus.

Métodos

Estudio con abordaje cuantitativo, transversal, de base hospitalaria, desarrollado con 100 participantes con VIH/SIDA en seguimiento ambulatorio. Datos recolectados mediante cuestionario autoaplicable, denominado “Cuestionario para evaluación de la adhesión al tratamiento antirretroviral en personas con VIH/SIDA” (CEAT-VIH). Se realizó análisis descriptivo, utilizando el test de Chi-cuadrado de Pearson Chi-square para el valor de p.

Resultados

Predominio de sexo masculino (57%), faja etaria de 40 a 59 años (34%), educación secundaria (49%), sin trabajo fijo (84%), ingresos mensuales de 1 a 3 salarios mínimos (54%), solteros (47%), heterosexuales (76%), con pareja sexual (56%), sin vida sexual activa (61%), tiempo de diagnóstico de 6 meses a 5 años (59%), sin internaciones hospitalarias (59%). El nivel de adhesión predominante fue la mediana adhesión (85%). Las variables sociodemográficas con asociación estadísticamente significativa con la adhesión al TARV fueron la orientación sexual (p=0,010) y el tiempo de diagnóstico (p=0,035).

Conclusión

El estudio mostró que las personas que conviven con VIH adhieren al TARV, aunque con mediana adhesión, y los principales factores asociados a tal resultado fueron la orientación sexual y el tiempo de diagnóstico.

Palabras-clave: Terapia antirretroviral; VIH; Síndrome de inmunodeficiencia adquirida; Cumplimiento de la medicación; Cooperación del paciente

Introdução

Descrita pela primeira vez em 1981 a Síndrome da Imunodeficiência humana, teve várias alterações tanto demográficas como epidemiológicas.(1)

Com a descoberta de novos medicamentos nos últimos anos, obteve-se avanços no combate ao HIV, este fato teve impacto no prognóstico e epidemiologia da doença, causando uma diminuição relevante da morbidade e mortalidade em pessoas vivendo com o vírus no Brasil e no mundo, porém esses medicamentos trazem novos desafios para a compreensão e enfretamento dessa doença.(2,3)

Apesar dessas alterações no perfil do HIV/AIDS, ainda encontra-se elevado o número de soropositivos, para o UNAIDS - Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS, só haverá possiblidade de controle da doença quando todos os infectados estiverem em tratamento. Por isso estabeleceu-se a meta “90-90-90”, cujo objetivo é que todas as pessoas infectadas estejam em tratamento até 2020 e que 90% das pessoas vivendo com HIV saibam que tem o vírus e 90% recebam a TARV- Terapia Antirretroviral e 90% desses tenha supressão viral.(4)

Sendo que a adesão ao tratamento é um dos maiores desafios da atenção a pessoa que convive com o HIV, pois é uma das peças chaves para reduzir as futuras complicações e para melhorar e prolongar a qualidade de vida dos indivíduos acometidos pelo vírus. A utilização correta dos antirretrovirais gera uma diminuição de custos com futuras internações decorrentes de complicações da infecção, como também da necessidade de trocar o medicamento por outros mais complexos e dispendiosos.(5)

Para ter uma boa reabilitação e estabilidade do paciente acometido com HIV/AIDS é fundamental uma boa aderência ao tratamento, nesse sentido uma política de acesso universal a terapia faz-se com estudos sobre a identificação dos fatores que levam à interrupção da terapia medicamentosa sendo de grande relevância para uma melhor compreensão do problema e atuação adequada dos profissionais de saúde, propiciando uma qualidade e expectativa de vida maior a essas pessoas.(6)

Nesse contexto, o objetivo do presente estudo foi identificar os fatores associados à não adesão ao tratamento antirretroviral em portadores de HIV/ AIDS em um Hospital de referência em Manaus.

Métodos

Trata-se de um estudo com abordagem quantitativa, transversal de base hospitalar, realizado no Ambulatório da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, a coleta de dados ocorreu nos meses de outubro de 2017 à janeiro de 2018, os participantes foram captados para o estudo durante o comparecimento à consulta ambulatorial de rotina. As entrevistas foram realizadas dentro do consultório médico permitindo o sigilo e a confidencialidade das informações obtidas.

A amostra foi consecutiva e não probabilística de acordo com os critérios de inclusão. Pacientes de ambos os sexos com idade igual ou superior a 18 anos; Pacientes com diagnósticos de HIV há mais de seis meses; Estar cadastrado na UDM-Unidade de Dispensação de Medicamentos da Instituição; Fazer uso do TARV- terapia antirretroviral há pelo menos seis meses cadastrados no sistema I Doctor. De acordo com esses critérios, 100 participantes foram incluídos no estudo.

Para a coleta de dados foi utilizado o Questionário autoaplicável, denominado “Questionário para a avaliação da adesão ao tratamento antirretroviral em pessoas com HIV/AIDS” (CEAT – VIH), que foi validado para a versão brasileira por Remor, Milner-Moskovics e Preussler(7) Este instrumento objetiva identificar o nível de adesão ao tratamento antirretroviral. Tem um caráter multidimensional, pois abrange os principais fatores que podem modular o comportamento da adesão em relação ao tratamento.(7) Composto por 20 questões, o CEAT-VIH avalia o grau de adesão dos pacientes à TARV em 3 níveis: baixa (d” 52 pontos ou < 50%); média (53 a 78 pontos ou 50 a 84%); e alta (e” 79 pontos ou > 85%). A pontuação mínima é 17 e a máxima é 89, quanto maior a pontuação, maior o nível de adesão ao tratamento.(7)

Os dados sociodemográficos relacionados aos pacientes foram obtidos por meio da aplicação de um questionário semiestruturado, elaborado pela pesquisadora do estudo.

Os dados coletados foram organizados e sistematizados em planilha do Excel®, e analisados no software Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 2.0.

Para a caracterização sociodemográfica e a descrição dos escores dos domínios foram utilizadas estatística descritiva. As variáveis foram expressas em frequências absolutas e relativas, independentes do nível de mensuração. Para a análise, foram realizados testes de qui-quadrado, foram considerados estatisticamente significantes as análises inferenciais que apresentaram p <0,05.

O desenvolvimento do estudo atendeu as normas nacionais de ética em pesquisa envolvendo seres humanos e obteve aprovação do comitê de ética em pesquisa sob nº do CAEE 74054217.4.0000.5016.

Resultados

Deste estudo 100 participantes respondentes ao questionário referente aos dados sociodemográficos e adesão a TARV. Primeiramente analisaram-se as variáveis referentes aos aspectos sociodemográficos. Onde predominou o sexo masculino (57%). A faixa etária predominante foi entre 40 a 59 anos (34%) com escolaridade de 2º Grau (49%), no tocante ao vínculo empregatício relataram estar desempregado (84%), com renda mensal de 1 a 3 salários mínimos (54%), sendo que a maioria deles relatavam ser autônomos, estar solteiros (47%), a orientação sexual predominante foi de heterossexuais (76%), com parceiro sexual (56%), não tem vida sexual ativa (61%), tempo de diagnóstico entre 6 meses a 5 anos (59%), em relação a internação hospitalar predominante foi de nenhuma internação (59%), durante o tratamento antirretroviral em pacientes com HIV atendidos durante o estudo (Tabela 1).

Tabela 1 Distribuição dos dados sociodemográficos dos 100 participantes que constituem a população deste estudo 

Variáveis n(%)
Sexo
Masculino 57(57,0)
Feminino 43(43,0)
Idade
18 a 29 anos 10(10,0)
30 a 39 anos 28(28,0)
40 a 59 anos 34(34,0)
50 a 59 anos 14(14,0)
>60 anos 14(14,0)
Escolaridade
Analfabeto 2(2,0)
1º Grau 35(35,0)
2º Grau 49(49,0)
3º Grau 14(14,0)
Vínculo Empregatício
Sim 16(16,0)
Não 84(84,0)
Renda Mensal
< 1 salário mínimo 42(42,0)
1 a 3 salários mínimos 54(54,0)
3 a 5 salários mínimos 3(3,0)
> 5 salários mínimos 1(1,0)
Estado Civil
Solteiro 47(47,0)
Casado 11(11,0)
Vivendo como casado 33(33,0)
Separado 4(4,0)
Divorciado 1(1,0)
Viúvo 4(4,0)
Orientação Sexual
Homossexual 18(18,0)
Bissexual 6(6,0)
Heterossexual 76(76,0)
Tem parceiro sexual
Sim 56(56,0)
Não 44(44,0)
Vida Sexual Ativa
Sim 39(39,0)
Não 61(61,0)
Tempo de diagnóstico
6 meses a 5 anos 59(59,0)
6 anos a 10 anos 28(28,0)
11 a 15 anos 7(7,0)
16 a 20 anos 6(6,0)
Antecedentes de Internação
Nenhuma vez 59(59,0)
1 a 3 vezes 35(35,0)
3 a 5 vezes 2(2,0)
> 5 vezes 4(4,0)

Dos 100 entrevistados, 85% foram classificados com adesão média, 13% com alta e apenas 2% tiveram baixa adesão de acordo com suas respostas e somatória de pontos do CEAT/HIV. O escore mínimo obtido no estudo foi de 47 e o máximo de 82 com valor médio de 70,63 e desvio padrão de 7,67 (Tabela 2).

Tabela 2 Classificação dos dados relativos à adesão ao tratamento com antirretrovirais 

Níveis de adesão* n(%)
Baixo 2(2,0)
Médio 85(85,0)
Alto 13(13,0)

*Níveis definidos segundo a classificação de adesão ao tratamento antirretroviral da versão validada para a língua portuguesa (Brasil) do “cuestionario para la Evaliación de la Adhesión al tratamiento antirretroviral –CEAT/HIV

Observou-se associação estatisticamente significativa entre duas variáveis sociodemográficas e os níveis de adesão à TARV, a orientação sexual (p=0,010) e o tempo de diagnóstico (p=0,035).

Ao serem avaliadas as variáveis sexo, faixa etária, escolaridade, vínculo empregatício, renda mensal, estado civil, parceiro sexual, vida sexual ativa e antecedentes de internações não observou – se associação estatisticamente significativa (Tabela 3).

Tabela 3 Distribuição dos dados sociodemográficos e Nível de Adesão à terapia Antirretroviral 

Variáveis Alta adesão n(%) Média adesão n(%) Baixa adesão n(%) Total n(%) p-value*
Sexo
Masculino 9(16) 46(80) 2(4) 57(100) 0,274
Feminino 4(9) 39(91) 0(0) 43(100)
Faixa Etária
18 a 29 anos 1(10) 9(90) 0(0) 10(100) 0,438
30 a 39 anos 3(11) 23(82) 2(7) 28(100)
40 a 59 anos 7(20) 27(80) 0(0) 34(100)
50 a 59 anos 1(7) 13(93) 0(0) 14(100)
>60 anos 1(7) 13(93) 0(0) 14(100)
Escolaridade
Analfabeto 0(0) 2(100) 0(0) 2(100) 0,622
1º Grau 3(9) 31(88) 1(3) 35(100)
2º Grau 8(16) 41(84) 0(0) 49(100)
3º Grau 2(14) 11(79) 1(7) 14(100)
Vínculo Empregatício
Sim 2(12) 14(88) 0(0) 16(100) 0,819
Não 11(13) 71(85) 2(2) 84(100)
Renda Mensal
< 1 salário mínimo 2(5) 39(93) 1(2) 42(100) 0,443
1 a 3 salários mínimos 11(20) 42(78) 1(2) 54(100)
3 a 5 salários mínimos 0(0) 3(100) 0(0) 3(100)
> 5 salários mínimos 0(0) 1(100) 0(0) 1(100)
Estado Civil
Solteiro 7(15) 39(83) 1(2) 47(100) 0,735
Casado 1(9) 10(11,8) 0(0) 11(100)
Vivendo como casado 3(9) 29(88) 1(3) 33(100)
Separado 0(0) 4(100) 0(0) 4(100)
Divorciado 0(0) 1(100) 0(00 1(100)
Viúvo 2(50) 2(50) 0(0) 4(100)
Orientação Sexual
Homossexual 6(33) 11(61) 1(6) 18(100) 0,010
Bissexual 2(33) 4(67) 0(0) 6(100)
Heterossexual 5(6) 70(92) 1(2) 76(100)
Tem parceiro sexual
Sim 6(46,2) 49(57,6) 1(50,0) 56(100) 0,728
Não 7(53,8) 36(42,4) 1(50,0) 44(100)
Vida Sexual Ativa
Sim 6(15) 32(82) 1(3) 39(100) 0,800
Não 7(11) 53(87) 1(2) 61(100)
Tempo de diagnóstico
6 meses a 5 anos 6(10) 52(88) 1(2) 59(100) 0,035
6 anos a 10 anos 3(11) 25(89) 0(0) 28(100)
11 a 15 anos 3(43) 4(57) 0(0) 7(100)
16 a 20 anos 1(17) 4(66) 1(17) 6(100)
Antecedentes de Internação
Nenhum 6(10) 52(88) 1(2) 59(100) 0,781
1 a 3 vezes 7(20) 27(77) 1(3) 35(100)
3 a 5 vezes 0(0) 2(100) 0(0) 2(100)
> 5 vezes 0(0) 4(100) 0(0) 4(100)

*p-values calculados pelo teste de qui-quadrado de pearson chi-square comparando o nível de adesão a cada variável

Discussão

Nota-se a precariedade de pesquisas relacionadas a esse tema na região Norte do País, onde teve a maior taxa de crescimento de mortalidade em decorrência da AIDS nos últimos 10 anos.(8)

A caracterização sociodemográfica dos participantes confirma com o perfil dos soropositivos do Brasil, com predomínio do sexo masculino, faixa etária entre 40 a 59 anos, escolaridade 2º grau (Ensino Médio), renda mensal entre 1 a 3 salários mínimos, solteiros e heterossexuais, com parceiro sexual, porém sem vida sexual ativa.

Estudos realizados em outras regiões apontaram que 60% dos infectados eram do sexo masculino e 58,7% com faixa etária entre 40 a 59 anos.(9) Porém em contra partida, estudos realizados fora do Brasil identificou que o sexo feminino predominava.(10)

Em um outro estudo, foram achados resultados semelhantes ao do presente estudo, com predomínio de escolaridade de ensino médio e renda mensal entre 1 a 3 salários mínimos.(11)

Estudos mostram que quanto maior o nível de escolaridade melhor é a percepção das pessoas, assim como o acesso as informações referentes ao HIV/AIDS.(3) Nesse sentido esperava – se ter um resultado de pessoas com o nível de escolaridade menor do que o obtido, como em alguns estudos onde prevaleceram a baixa escolaridade,(1) nota-se que o resultado do presente estudo comprova como o perfil do HIV no Brasil vem mudando com o passar dos tempos.

O resultado deste estudo corroborou com os de outros autores onde prevaleceu os solteiros.(12) Estudos evidenciaram que os solteiros apresentam menor chance de usar preservativo que os casados,(4) isso pode influenciar no aumento dos riscos de infecção e transmissão. Sendo eles mais promíscuos e menos cuidadosos com sua saúde pelo fato deles terem que cuidar sozinhos de si mesmo.(14)

No ano de 2016 foi registrado predomínio entre heterossexuais em quase todas as regiões do Brasil com exceção da região sudeste que predominou entre homossexuais.(15) Estes dados afirmam ainda mais a mudança no perfil do HIV/AIDS, que na fase inicial da doença prevalecia entre os homossexuais.(12)

No que se refere ao vínculo empregatício nota-se alguns estudos realizados com resultados diferentes do encontrado neste, com prevalência de pessoas convivendo com o vírus e vínculo empregatício formal.(9)

Observa-se que a maioria tinham parceiros sexuais, porém não possuíam vida sexual ativa, alguns participantes relataram ter perdido o prazer sexual com a descoberta do vírus. Em um estudo realizado em outra região pessoas vivendo com HIV referiram restrição ou supressão de suas práticas sexuais pelo fato de ter que revelar suas situações de portadores do vírus e o medo da transmissão da doença, mas elas mantiveram ativa a sua vida sexual,(16) o que não ocorreu com os participantes deste estudo, pois prevaleceu inatividade sexual.

Quanto ao tempo de diagnóstico de 6 meses a 5 anos, houve discordância desse resultado em estudos realizados em outras regiões, onde prevaleceram o tempo ≥ 10 anos de pessoas vivendo com HIV.(9) Porém poucos estudos estão relacionados ao tempo de diagnóstico, em sua maioria eles estudam o tempo de tratamento.

Em relação aos antecedentes de internações os resultados mostraram que prevaleceu nenhuma internação nos participantes do estudo, não foram encontrados na literatura estudos referente a esta variável.

Houve limitações neste estudo devido o curto tempo de coleta de dados, e pelo fato da coleta de ter sido realizada em somente um consultório e se tratando de um estado com um número elevado de soropositivos, considera a população deste estudo pequena.

O presente trabalho traz uma contribuição importante ao apresentar os fatores associados à não adesão a TARV e ao mensurar o nível de adesão dos soropositivos, possibilitando traçar estratégias para diminuir esses fatores e melhorar a adesão a terapia medicamentosa.

Em relação ao nível de adesão à TARV nos participante com prevalência da média adesão, também foram encontrados resultados semelhantes a esses, utilizando o mesmo instrumento de avaliação, o CEAT-HIV, que é considerado o mais específico para avaliar o nível de adesão, apesar de suas limitações.(17)

Torna-se preocupante esse resultado, pois pode ocorrer falha virologia, tornando a carga viral detectável durante o tratamento, sendo uma barreira para o sucesso da terapia, podendo levar a riscos de progressão da doença, resistência viral e como consequência a diminuição de futuras terapias.(11)

Para ter uma boa efetividade da terapia é necessário que o paciente consuma pelo menos 95% das medicações prescritas, com intuito de manter a carga viral indetectável, podendo diminuir razoavelmente a possibilidade de transmissão do vírus, por isso a efetividade da TARV depende da adesão.(8)

Em contrapartida, outros estudos realizados em outras partes do Brasil com resultados bastantes discordantes com o desse estudo, onde prevaleceu o nível de alta adesão, podendo ser explicado pela variação do estilo de vida, acesso a um tratamento de qualidade e diagnóstico precoce.(9)

Devido a AIDS ser classificada como doença crônica, não podemos julgar esse nível de adesão como definitivo, pois ele pode variar em qualquer período durante a terapia, por isso é importante que os profissionais de saúde estimulem essa adesão.(11)

Dentre as variáveis estudadas aquelas que estão associadas a adesão a TARV, são a orientação sexual, onde foram encontrados estudos com resultados semelhantes em que a orientação sexual mostrou-se estatisticamente significante.(18)

A outra variável que apresentou estatística significativa foi o tempo de diagnóstico, alguns estudos dizem que quanto maior o tempo de diagnóstico melhor é a adesão,(9) porém o resultado desse estudo não comprovou isso, pois teve variações nos resultados.

Conclusão

O estudo mostrou que pessoas portadoras do HIV aderem a Terapia Antirretroviral, porém com média adesão e os principais fatores associados a esse resultado foram a orientação sexual e o tempo de diagnóstico. Resultado preocupante, podendo estar relacionado com o aumento de transmissibilidade da doença e o aumento no número de casos de HIV no Amazonas. Nesse sentido sugere o acompanhamento da adesão a TARV em pessoas que convivem com o vírus, partindo do princípio que a adesão é um processo contínuo que envolve não somente os soropositivos, mas a família e os profissionais de saúde, é de suma importância a busca ativa de pessoas que abandonaram o tratamento, pois essas nem entraram na pesquisa, pelo fato de não realizarem acompanhamento no local de realização do estudo.

REFERÊNCIAS

1. Medeiros ARC, Lima RLFC, Medeiros LB, Moraes RM, Vianna RPT. Análise de sobrevida de pessoas vivendo com HIV/AIDS. Rev Enferm UFPE Online, 2017; 11(1):47-56.
2. Sousa AI, Pinto VL. Carga viral comunitária do HIV no Brasil, 2007 - 2011: potencial impacto da terapia antirretroviral (HAART) na redução de novas infecções. Rev Bras Epidemiol. 2016;19(3):582–93.
3. Galvão MT, Soares LL, Pedrosa SC, Fiuza ML, Lemos LA. Fiuza ML, et al. Qualidade de vida e adesão à medicação antirretroviral em pessoas com HIV. Acta Paul Enferm. 2015;28(1):48–53.
4. Silva RA, Castro RR, Pereira IR, Oliveira SS. Questionário para avaliação das ações de controle do HIV/Aids na Atenção Básica. Acta Paul Enferm. 2017;30(3):271–9.
5. Bandeira D, Weiller TH, Damaceno AN, Cancian NR, Santos GS, Beck ST. Adesão ao tratamento antirretroviral: uma intervenção multiprofissional. Rev Enferm Centro Oeste Min. 2016;6(3):2446–53.
6. Silva RA, Nelson AR, Duarte FH, Prado NC, Holanda JR, Costa DA. Avaliação da adesão à terapia antirretroviral em pacientes com Aids. Rev Fund Care Online. 2017;9(1):15–20.
7. Remor E, Milner-Moskovics J, Preussler G. Adaptação brasileira do “Cuestionario para la Evaluación de la Adhesión al Tratamiento Antiretroviral”. Rev Saude Publica. 2007;41(5):685–94.
8. Garbin CA, Gatto RC, Garbin AJ. Adesão à Terapia antirretroviral em pacientes HIV soropositivos no Brasil: uma revisão de literatura. Arch Health Invest. 2017;6(2):65–70.
9. Foresto JS, Melo ES, Costa CR, Antonini M, Gir E, Reis RK. Adesão à terapêutica antirretroviral de pessoas vivendo com HIV/aids em um município do interior paulista. Rev Gaúcha Enferm. 2017;38(1):e63158.
10. Remor KV, Ogliari LC, Sakae TM, Galato D. Adesão aos antirretrovirais em pessoas com HIV na grande Florianópolis. Arq Catarin Med. 2017;46(2):53–64.
11. Jacques IJ, Santana JM, Moraes DC, Souza AF, Abrão FM, Oliveira RC. Avaliação da adesão a terapia antirretroviral entre pacientes em atendimento ambulatorial. Rev Bras Ciênc Saúde. 2015; 18(4):303-8.
12. Moura JP, Faria MR. Caracterização e perfil epidemiológico das pessoas que vivem com HIV. Rev Enferm UFPE Online, 2017; 11(12): 5214-20.
13. Silva WS, Oliveira FJ, Serra MA, Rosa CR, Ferreira AG. Fatores associados ao uso de preservativo em pessoas vivendo com HIV/AIDS. Acta Paul Enferm. 2015;28(6):587–92.
14. Ferreira TC, Souza AP, Júnior RS. Perfil clínico e epidemiológico dos portadores do HIV/AIDS com coinfecção de uma unidade de referência especializada em doenças infecciosas parasitárias especiais. Rev Univ Vale Rio Verde. 2015;13(1):419–31.
15. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Vigilância em Saúde. Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS. 2017; vol. 20.
16. Carvalho PM, Anchiêta LS, Queiroz MM, Aragão AO, Nichiata LY. Sexualidade de pessoas vivendo com HIV/Aids. Rev Interdisciplinar. 2013;6(3):81–8.
17. Moraes DC, Oliveira RC, Costa SF. Adesão de homens vivendo com HIV/Aids ao tratamento antiretroviral. Esc Anna Nery. 2014;18(4):676–81.
18. Lemos LA, Fiuza ML, Reis RK, Ferrer AC, Gir E, Galvão MT. Adesão aos antirretrovirais em pessoas com coinfecção pelo virus da imunodeficiência humana e tuberculose. Rev Lat Am Enfermagem. 2016;24:e2691.