Fatores associados à aceitação da vacina influenza entre trabalhadores de saúde: conhecimento, atitude e prática

Fatores associados à aceitação da vacina influenza entre trabalhadores de saúde: conhecimento, atitude e prática

Autores:

Tiago Pereira de Souza,
William Mendes Lobão,
Carlos Antônio de Souza Teles Santos,
Maria da Conceição Chagas de Almeida,
Edson Duarte Moreira Júnior

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.24 no.8 Rio de Janeiro ago. 2019 Epub 05-Ago-2019

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232018248.21912017

Abstract

Influenza vaccine is recommended for all health workers, but vaccination coverage remains unsatisfactory. A cross-sectional study that aimed to identify factors associated with influenza vaccination was carried out with health workers from a large Hospital Complex in Salvador, Bahia. A self-administered questionnaire was used based on the models “Knowledge, Attitudes and Practices” and “Health Belief Model”. The dependent variable was the vaccination status against influenza in 2014, and the independent variables were sociodemographic factors, vaccine history, knowledge and attitudes about influenza/influenza vaccine. Logistic regression was used, odds ratio was calculated with 95% confidence intervals, adjusting for sex, age and occupation. The best multivariate model was chosen through backwards elimination and the Akaike Information Criterion. 755 workers participated. Influenza vaccine coverage was 61.5%, being higher among nurses (69.0%) and lower among physicians (49.1%). The factors associated with being vaccinated against influenza were: knowing that even when healthy, one must vaccinate against influenza (OR = 3.15; 95%CI:1.74-5.71); knowing that the vaccine does not protect for many years (OR = 2.08; 95%CI:1.30-3.33); and not to be afraid of post-vaccine adverse effects (OR = 1.93; 95%CI: 1.26-2.95).

Key words Influenza vaccination; Determinants; Health workers; Knowledge; Attitudes

Introdução

No mundo, estima-se que anualmente ocorram de 3 a 5 milhões de casos graves de influenza, culminando em 250 a 500 mil óbitos, aumento das hospitalizações, e prejuízos sociais e econômicos1.

Por outro lado, a vacinação é uma ferramenta eficaz na prevenção da influenza e na redução dos casos graves e hospitalizações relacionados a essa doença2-4. Os trabalhadores de saúde constituem um dos grupos prioritários para os quais a vacina influenza é recomendada anualmente5; além da proteção individual, a vacinação destes indivíduos reduz, indiretamente, o adoecimento e a mortalidade dos pacientes assistidos por instituições de saúde6,7.

No entanto, estudos realizados em diferentes locais do mundo frequentemente evidenciam baixa cobertura da vacina influenza entre trabalhadores de saúde, o que pode repercutir em adoecimento, absenteísmo e transmissão de influenza para pacientes, comprometendo o adequado funcionamento dos serviços de saúde8-12.

Diversos fatores podem estar relacionados à vacinação contra influenza, e a identificação destes pode subsidiar a elaboração de políticas e estratégias que resultem na ampliação da cobertura vacinal. No Brasil, onde a vacina influenza é recomendada para todo trabalhador de saúde13, a produção científica voltada à identificação de fatores relacionados à vacinação deste grupo prioritário ainda é escassa14. Este estudo pretende estimar qual a cobertura da vacina influenza entre trabalhadores de saúde de um complexo hospitalar da cidade de Salvador, e identificar fatores associados à vacinação contra influenza.

Métodos

Trata-se de um estudo transversal, realizado com trabalhadores de saúde de um complexo hospitalar filantrópico de Salvador, onde em 2014, com apoio da Secretaria Municipal de Saúde, ocorreram campanhas de vacinação contra influenza em dois momentos: de 12 a 22 de maio, e de 15 a 17 de outubro (a vacina continuou sendo oferecida nas Unidades Básicas de Saúde até o mês de dezembro). A referida instituição, que está entre os maiores complexos de saúde do Brasil com atendimento exclusivo ao Sistema Único de Saúde (SUS), possui: três enfermarias de clínica médica, três unidades de longa permanência, duas de clínica cirúrgica, uma unidade de oncologia, um centro de tratamento intensivo (CTI) adulto, um hospital pediátrico (com três enfermarias e um CTI pediátrico), um centro geriátrico, um centro de atenção à pessoa com deficiência (CAPD), ambulatório, uma central de materiais esterilizados (CME), banco de sangue, laboratório de bioquímica e cozinha hospitalar. A instituição possui 1.005 leitos, realiza anualmente cerca de 16 mil internamentos, dois milhões de atendimentos ambulatoriais e 10 mil cirurgias.

Os participantes do estudo foram trabalhadores de saúde das seguintes categorias: enfermeiros, técnicos/auxiliares de enfermagem, médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, técnicos de laboratório, trabalhadores da higienização, agentes hospitalares e copeiros. Os critérios de inclusão na pesquisa foram: 1) pertencer a alguma das categorias citadas anteriormente, e 2) estar em exercício profissional no período da coleta de dados. Os critérios de exclusão foram 1) ter começado a trabalhar na área de saúde a partir de janeiro de 2015 e não responder à questão sobre vacinação contra influenza no ano de 2014.

Os dados foram coletados entre os meses de janeiro e maio de 2015 durante reuniões/treinamentos que ocorrem todo mês com cada categoria profissional. O instrumento de coleta de dados foi um questionário estruturado autoaplicável, construído com base em outros utilizados anteriormente em estudos com temática e metodologia semelhantes, sendo realizadas adaptações ao contexto local e aos interesses do estudo. O instrumento foi submetido à análise de três juízes e pré-testado entre trabalhadores de saúde.

A variável dependente foi recebimento de vacinação contra influenza em 2014 (1-sim; 0-não) e as variáveis independentes, descritas a seguir, pertenceram a quatro domínios distintos: I) sociodemográfico: sexo, idade, profissão, setor de trabalho (onde trabalhou por maior tempo durante os 12 meses anteriores à pesquisa); II) conhecimentos sobre: benefícios da vacinação contra influenza (eficácia, duração da proteção); possíveis barreiras/malefícios da vacinação (segurança e efeitos adversos); susceptibilidade à influenza; gravidade, contagiosidade, formas de prevenção e etiologia da influenza; e grupos prioritários para a vacinação; III) atitude: existência ou não de medo de eventos adversos pós-vacinais; IV) histórico vacinal: situação para as vacinas contra difteria e tétano (dT) e hepatite B.

A idade e o tempo de experiência profissional foram categorizados em faixas. A variável “Profissão” foi categorizada em: enfermeiros, médicos, técnicos/auxiliares de enfermagem, outros profissionais de saúde (fisioterapeutas, nutricionistas e técnicos de laboratório) e profissionais de apoio (higienização, agentes hospitalares e copeiros, que atuam em atividades que dão suporte/apoio aos serviços assistenciais). Os setores de trabalho foram agrupados em: clínica médica, clínica cirúrgica, clínica pediátrica, UTI (adulto e pediátrica), unidades de pacientes institucionalizados (centro geriátrico e CAPD), ambulatório, centro cirúrgico, setores onde há pouco/nenhum contato com pacientes (CME, laboratório, banco de sangue e cozinha hospitalar), mais de um setor, e sem informação.

A situação quanto à vacina dT foi categorizada em “adequada” (reforço há menos de 10 anos) e “inadequada” (não saber se recebeu ou nunca ter recebido o reforço, não recordar há quanto tempo recebeu, ou ter recebido há mais de 10 anos). A situação vacinal para hepatite B foi classificada como “adequada” (já ter recebido três ou mais doses da vacina) ou “inadequada” (não saber se já recebeu ou nunca ter recebido alguma dose da vacina, não se recordar da quantidade de doses já recebidas, ter recebido menos de 3 doses).

Utilizou-se o modelo teórico de “Conhecimentos, Atitudes e Práticas” (CAP), que possibilita conhecer o que os indivíduos sabem a respeito de um assunto, como se sentem diante do mesmo, e de que maneira os conhecimentos e atitudes são traduzidos através das suas práticas15. Também foi utilizado o modelo Health Belief Model (HBM), bastante usado na compreensão dos fatores que influenciam a aceitação ou recusa da vacina influenza11, segundo o qual a adesão a cuidados de saúde como a vacinação é influenciada pelas percepções da gravidade e da susceptibilidade a determinada doença, pela percepção dos possíveis benefícios e dos eventuais malefícios/barreiras que a ação de saúde pode ocasionar, e pelos fatores externos que podem dispor ou não à ação16,17.

Aplicou-se a análise descritiva para obtenção da frequência absoluta e percentuais das variáveis estudadas. A associação entre as variáveis independentes e a vacinação contra influenza foi verificada pelo teste qui-quadrado (χ2) e modelo de regressão logística, mediante o qual obteve-se a odds ratio (OR), com intervalos de 95% de confiança (IC95%). As variáveis que apresentaram valor de p ≤ 0,20 na análise bivariada foram selecionadas para compor o modelo multivariado inicial. Para seleção das variáveis do modelo multivariado final, utilizou-se o procedimento de eliminação retrógrada e o “Critério de Informação de Akaike” (AIC). As variáveis sexo, faixa etária e profissão foram utilizadas como variáveis de ajuste do modelo multivariado. Foram consideradas estatisticamente significantes as associações que apresentaram valor de p ≤ 0,05. Os dados foram digitados no programa EpiData versão 3.1, e as análises feitas através do Stata versão 13, licenciado no Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz-Bahia). O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Santo Antônio, em 22/07/2014, e foram respeitados os princípios da ética em pesquisas envolvendo seres humanos, contidos na Declaração de Helsinque (e suas reformulações subsequentes) e também normatizados na Resolução CNS 466/12.

Resultados

Dos 820 indivíduos incluídos na pesquisa, 65 (7,9%) foram excluídos, ficando a amostra composta por 755 trabalhadores de saúde. O estudo alcançou 57,7% (113/196) dos enfermeiros que trabalham na instituição, 41,3% (310/751) dos técnicos de enfermagem, 61,0% (94/154) dos outros profissionais de saúde (fisioterapeutas, nutricionistas e técnicos de laboratório), e 51,5% (122/237) dos trabalhadores do apoio (higienização, copeiros e agentes hospitalares). Não foi possível conhecer o percentual de médicos alcançado pelo estudo, pois a Instituição não informou o quantitativo desses profissionais.

Na Tabela 1, são apresentadas as características sociodemográficas e situação vacinal (Influenza, dT e hepatite B) dos trabalhadores de saúde.

Tabela 1 Características sociodemográficas e história vacinal dos trabalhadores de saúde de um Complexo Hospitalar de Salvador, em 2014. 

Característica Total
(n = 755)*
%
Sexo (n = 747)
Feminino 616 82,5
Masculino 131 17,5
Faixa etária (n = 682)
19-24 anos 72 10,6
25-29 anos 232 34,0
30-34 anos 180 26,4
35-39 anos 78 11,4
40-44 anos 54 7,9
45-49 anos 32 4,7
50-54 anos 15 2,2
55-59 anos 12 1,8
≥ 60 anos 7 1,0
Tempo de experiência
(n = 730)
< 1 ano 86 11,8
1 ano 84 11,5
2-5 anos 323 44,2
6-10 anos 131 18,0
11-15 anos 35 4,8
16-20 anos 28 3,8
≥ 21 anos 43 5,9
Função (n = 749)
Técnico/auxiliar de enfermagem 310 41,4
Enfermeiro 113 15,2
Médico 110 14,7
Higienização 85 11,3
Fisioterapeuta 55 7,3
Copeiro 31 4,1
Nutricionista 22 2,9
Técnico de laboratório 17 2,3
Agente hospitalar 6 0,8
Setor de trabalho (n = 749)
Clínica médica 286 38,2
Ambulatório 75 10,0
Clínica pediátrica 57 7,6
Mais de um setor 57 7,6
Clínica cirúrgica 54 7,2
Sem informação 50 6,7
Geriatria 41 5,5
UTI adulto 33 4,4
UTI pediátrica 25 3,3
Centro Cirúrgico 22 2,9
Central de Material Esterilizado 17 2,3
Banco de sangue 11 1,5
Laboratório 10 1,3
Centro de Acolhimento à Pessoa com Deficiência 6 0,8
Cozinha 5 0,7
Vacina influenza em 2014
(n = 755)
Sim 464 61,5
Não 291 38,5
Vacina dT - reforço (n = 751)
Não sabe se tomou/nunca tomou 98 13,1
Já tomou, mas não lembra há quanto tempo 212 28,2
Tomou há mais de 10 anos 48 6,4
Tomou há menos de 10 anos 393 52,3
Vacina hepatite B - nº de doses (n = 730)
Não sabe se tomou alguma dose/nunca tomou 31 4,3
Já tomou, mas não lembra quantas doses 168 23,0
Tomou menos de 3 doses 95 13,0
Tomou 3 doses ou mais 436 59,7

*Varia conforme número de perdas (missing).

Observa-se predominância de mulheres (82,5%) e pessoas mais jovens - 44,6% dos indivíduos possuíam entre 19 e 29 anos, e apenas 5% tinham 50 ou mais anos. A idade variou entre 19 e 86 anos, com média de 32,5 anos (desvio padrão = 8,6).

Cerca de dois terços referiram cinco anos ou menos de experiência profissional na área da saúde, com 23,3% trabalhando, no máximo, há 1 ano. O tempo médio de experiência foi de seis anos (desvio padrão = 7,0), com valores variando entre 0,2 e 54 anos. Quanto à categoria profissional, observou-se maior predominância de técnicos de enfermagem (41,4%), seguido de enfermeiros (15,2%) e médicos (14,7%).

A maior parte dos profissionais trabalhou nos 12 últimos meses anteriores a pesquisa, predominantemente na clínica médica (38,2%) e no ambulatório (10,0%). A maioria (52,3%) referiu recebimento do último reforço da vacina dT há menos de 10 anos (conforme recomendação), e 59,7% relataram situação adequada para a vacina hepatite B (três doses ou mais). A cobertura global da vacina influenza em 2014 foi de 61,5% (464/755). Os enfermeiros foram aqueles que mais se vacinaram contra essa doença (69,0%), seguido dos trabalhadores do apoio (65,6%); por outro lado, a categoria médica foi a que apresentou menor cobertura vacinal (49,1%).

A Tabela 2 apresenta as características sociodemográficas e histórico vacinal dos indivíduos, segundo situação da vacina influenza em 2014.

Tabela 2 Características sociodemográficas e história vacinal dos trabalhadores de saúde num Complexo Hospitalar de Salvador, segundo estado vacinal para influenza em 2014. 

Característica Total
(n = 755)*
Vacinados ORbruto
(IC 95%)
p valor
(n = 464)*
n n %
Sexo (n = 747)
Feminino 616 384 62,3 1
Masculino 131 76 58,0 0,84 (0,57-1,23) 0,356
Faixa etária (n = 682)
19-29 anos 304 194 63,8 1
30-39 anos 258 155 60,1 0,85 (0,61-1,20) 0,363
40-49 anos 86 59 68,6 1,24 (0,74 - 2,07) 0,412
≥ 50 anos 34 18 52,9 0,64 (0,31 - 1,30) 0,216
Tempo de experiência (n = 730)
< 1 ano 86 58 67,4 1
1 ano 84 58 69,0 1,08 (0,56 - 2,06) 0,822
2-5 anos 323 199 61,6 0,78 (0,47 - 1,28) 0,321
6-10 anos 131 72 55,0 0,59 (0,33 - 1,04) 0,068
11-15 anos 35 18 51,4 0,51 (0,23 - 1,14) 0,101
16-20 anos 28 17 60,7 0,75 (0,31 - 1,80) 0,515
≥ 21 anos 43 26 60,5 0,74 (0,35 - 1,58) 0,434
Função (n = 749)
Médico 110 54 49,1 1
Enfermeiro 113 78 69,0 2,31 (1,34 - 3,99) 0,003
Técnico/auxiliar de enfermagem 310 189 61,0 1,62 (1,05 - 2,51) 0,031
Outros profissionais de saúde** 94 61 64,9 1,92 (1,09 - 3,37) 0,024
Apoio*** 122 80 65,6 1,98 (1,17 - 3,35) 0,012
Setor de trabalho (n = 749)
Ambulatório 75 36 48,0 1
Clínica médica 286 173 60,5 1,66 (1,00 - 2,77) 0,052
Clínica cirúrgica 54 29 53,7 1,26 (0,62 - 2,53) 0,523
Clínica pediátrica 57 37 64,9 2,00 (0,99 - 4,07) 0,054
Unidades de pacientes institucionalizados**** 47 29 61,7 1,75 (0,83 - 3,67) 0,141
UTI (adulto e pediátrica) 58 36 62,1 1,77 (0,88 - 3,56) 0,108
Centro cirúrgico 22 19 86,4 6,86 (1,87 - 25,16) 0,004
Pouco/nenhum contato com pacientes***** 43 33 76,7 3,58 (1,54 - 8,28) 0,003
Mais de um setor 57 32 56,1 1,39 (0,69 - 2,77) 0,355
Sem informação 50 37 74,0 3,08 (1,41 - 6,71) 0,005
Reforço vacina dT (n = 751)
Inadequado 358 209 58,4 1
Adequado (há menos de 10 anos) 393 251 63,9 1,26 (0,94 - 1,69) 0,123
Vacina hepatite B (n = 730)
Inadequado 294 171 58,2 1
Adequado (3 doses ou mais) 436 280 64,2 1,29 (0,95 - 1,75) 0,099

*Varia conforme número de perdas (missing) ;

**Fisioterapeutas, nutricionistas e técnicos de laboratório;

***Copeiros, higienização e agentes hospitalares .

****Geriatria e Centro de Atenção à Pessoa com Deficiência ;

*****Central de Material e Esterilização, banco de sangue, laboratório, cozinha hospitalar .

Profissionais do sexo feminino, com idade de 40 a 49 anos e 1 ano de experiência profissional foram os que mais se vacinaram contra influenza em 2014. Aqueles com situação adequada em relação às vacinas dT ou hepatite B vacinaram-se mais contra influenza que aqueles cuja situação vacinal estava inadequada. No entanto, a análise bivariada não evidenciou associação significante entre receber a vacina contra influenza, e o sexo, idade, tempo de experiência ou situação de outras vacinas recomendadas para trabalhadores de saúde (p > 0,05). A profissão mostrou associação com o recebimento da vacina influenza (p < 0,05): tendo como referência os médicos, a cobertura vacinal foi significativamente superior em todas as demais categorias, destacando-se enfermeiros (OR = 2,31; IC95%: 1,34 - 3,99) e trabalhadores do apoio (OR = 1,98; IC95%: 1,17 - 3,35). Ter trabalhado nos últimos 12 meses predominantemente no centro cirúrgico ou em setores onde há pouco ou nenhum contato com pacientes foi um fator relacionado ao recebimento da vacina influenza de modo estatisticamente significante. Dos 504 indivíduos que não temiam os efeitos adversos pós vacinação contra influenza, 66,7% receberam a vacina em 2014 e, entre os que temiam, a cobertura foi de apenas 52,2%. Não temer os eventos adversos pós-vacinais mostrou-se associado à vacinação (OR = 1,84; IC95%: 1,32 - 2,55).

Na Tabela 3, foram avaliados os julgamentos dos profissionais de saúde perante sentenças avaliativas dos conhecimentos acerca da influenza e da vacina influenza, segundo situação para essa vacina em 2014.

Tabela 3 Conhecimentos dos trabalhadores de saúde de um Complexo Hospitalar de Salvador, segundo estado vacinal para influenza em 2014. 

Declaração Total
(n = 755)*
Vacinados
(n = 464)*
ORbruto
(IC 95%)
p valor
n % n %
A vacina da gripe é recomendada para todos os trabalhadores de saúde (V) (n = 728)
Não concordo 39 5,4 21 53,8 1
Concordo (correto) 689 94,6 430 62,4 1,42 (0,74 - 2,72) 0,286
Pessoas com doenças crônicas, como diabetes, asma e insuficiência cardíaca, devem tomar a vacina da gripe (V) (n = 730)
Não concordo 72 9,9 43 59,7 1
Concordo (correto) 658 90,1 408 62,0 1,10 (0,67 - 1,81) 0,705
A vacina da gripe é segura (V) (N = 733)
Não concordo 99 13,5 44 44,4 1
Concordo (correto) 634 86,5 407 64,2 2,24 (1,46 - 3,44) 0,000
Vacinar trabalhadores de saúde pode prevenir a transmissão de gripe para pacientes (V) (n = 736)
Não concordo 120 16,3 73 60,8 1
Concordo (correto) 616 83,7 383 62,2 1,06 (0,71 - 1,58) 0,782
A vacina da gripe é muito eficaz / funciona bem (V) (n = 725)
Não Concordo 238 32,8 130 54,6 1
Concordo (correto) 487 67,2 318 65,3 1,56 (1,14 - 2,14) 0,006
Quem lava/higieniza as mãos e usa máscaras corretamente não precisa tomar a vacina da gripe (F) (n = 736)
Concordo 42 5,7 25 59,5 1
Não concordo (correto) 694 94,3 427 61,5 1,09 (0,58 - 2,05) 0,796
Quem trabalha na área de saúde está menos exposto ao vírus da gripe (F) (n = 733)
Concordo 69 9,4 39 56,5 1
Não concordo (correto) 664 90,6 415 62,5 1,28 (0,78 - 2,12) 0,331
Quem tem boa saúde não precisa tomar a vacina da gripe (F) (n = 740)
Concordo 71 9,6 29 40,8 1
Não concordo (correto) 669 90,4 426 63,7 2,54 (1,54 - 4,18) 0,000
A gripe é uma doença pouco contagiosa (transmissível) (F) (n = 734)
Concordo 87 11,9 53 60,9 1
Não concordo (correto) 647 88,1 398 61,5 1,03 (0,65 - 1,62) 0,915
A vacina da gripe protege por muitos anos (F) (n = 739)
Concordo 126 17,1 67 53,2 1
Não concordo (correto) 613 82,9 388 63,3 1,52 (1,03 - 2,24) 0,034
A gripe não mata pessoas jovens e saudáveis (F) (n = 732)
Concordo 186 25,4 121 65,1 1
Não concordo (correto) 546 74,6 331 60,6 0,83 (0,59 - 1,17) 0,283
A gripe não é uma doença grave, porque quase nunca mata (F) (n = 727)
Concordo 193 26,5 119 61,7 1
Não concordo (correto) 534 73,5 330 61,8 1,01 (0,72 - 1,41) 0,973
Mulheres grávidas não devem tomar a vacina da gripe (F) (n = 719)
Concordo 214 29,8 122 57,0 1
Não concordo (correto) 505 70,2 326 64,6 1,37 (0,99 - 1,90) 0,057
A vacina da gripe também protege contra resfriado (F) (n = 718)
Concordo 226 31,5 136 60,2 1
Não concordo (correto) 492 68,5 306 62,2 1,09 (0,79 - 1,50) 0,606
Receber muito vento, chuva ou ficar em locais muito frios podem causar gripe (F) (n = 733)
Concordo 456 62,2 288 63,2 1
Não concordo (correto) 277 37,8 162 58,5 0,82 (0,61 - 1,12) 0,208
A vacina da gripe às vezes pode causar gripe (F) (n = 734)
Concordo 499 68,0 313 62,7 1
Não concordo (correto) 235 32,0 141 60,0 0,89 (0,65 - 1,23) 0,478

*Varia de acordo com número de perdas (missing).

Entre aqueles que concordaram que a vacina influenza é segura, 64,2% receberam-na em 2014, enquanto que entre os que discordaram a cobertura vacinal foi de 44,4%, havendo associação estatisticamente significante entre conhecer que esta vacina é segura e aceitar recebê-la (OR = 2,24; IC95%: 1,46-3,44). A cobertura vacinal foi significativamente superior entre os trabalhadores que sabiam que a vacina influenza é muito eficaz/funciona bem (65,3%), em relação àqueles que discordaram dessa afirmação (54,6%) - (OR = 1,56; IC95%: 1,14 - 2,14).

Entre os trabalhadores que corretamente discordaram que “quem tem boa saúde não precisa tomar a vacina da gripe”, 63,7% vacinaram-se, confrontando com a cobertura vacinal de apenas 40,8% entre os que julgaram a informação incorretamente (OR = 2,54; IC95%:1,54-4,18). Os profissionais que corretamente discordaram de que “a vacina da gripe protege por muitos anos” vacinaram-se mais contra influenza (63,3%) que os demais (53,2%) - essa diferença foi estatisticamente significante (OR = 1,52; IC95%:1,03 - 2,24).

Na análise multivariada (Tabela 4), evidenciou-se que o conhecimento de que mesmo quem tem boa saúde precisa tomar a vacina influenza constitui o mais forte preditor da vacinação (OR = 3,15; IC95%: 1,74 - 5,71).

Tabela 4 Fatores associados e não associados à vacinação contra influenza entre trabalhadores de saúde de um Complexo Hospitalar de Salvador, em 2014 (modelo multivariado). 

Variável Análise multivariada
OR (IC 95%)* p valor
A vacina da gripe é segura (V)
Não concordo 1
Concordo (correto) 1,61 (0,89 - 2,90) 0,113
A vacina da gripe é muito eficaz / funciona bem (V)
Não Concordo 1
Concordo (correto) 1,50 (0,99 - 2,28) 0,059
Quem tem boa saúde não precisa tomar a vacina da gripe (F)
Concordo 1
Não concordo (correto) 3,15 (1,74 - 5,71) 0,000
A vacina da gripe protege por muitos anos (F)
Concordo 1
Não concordo (correto) 2,08 (1,30 - 3,33) 0,002
Medo de eventos adversos pós-vacinais
Sim 1
Não sei/não conheço 0,74 (0,33 - 1,68) 0,475
Não 1,93 (1,26 - 2,95) 0,002
Situação vacinal (combinação): dT (reforço) e hepatite B
Não sabe se já tomou / nunca tomou as vacinas dT (reforço) e hepatite B 1
Já tomou as vacinas dT (reforço) e/ou hepatite B (ao menos uma dose) 2,46 (0,85 - 7,09) 0,096

*Ajustado por sexo, faixa etária e função profissional.

Saber que a vacina influenza não protege por muitos anos também manteve-se como um fator associado à vacinação (OR = 2,08; IC95%1,30-3,33), assim como não ter medo dos efeitos adversos pós-vacinais (OR = 1,93; IC95%: 1,26-2,95). Houve associação em nível borderline entre conhecer a eficácia da vacina e a prática de vacinar-se (OR = 1,50; IC95%: 0,99 - 2,28).

Discussão

A cobertura vacinal global da vacina influenza (61,5%) foi superior à encontrada em alguns outros estudos nacionais semelhantes, que apontaram taxas de 43,2% e 51,3%18,19, porém inferior à meta estabelecida pelo Ministério da Saúde do Brasil (80,0%) e às taxas de cobertura reportadas por esse órgão para o Brasil, Bahia e Salvador em 2014 - 96,6%, 90,2% e 90,6%, respectivamente20.

Estudos com trabalhadores de saúde em diferentes regiões do mundo apontam taxas de vacinação contra influenza variáveis, mas frequentemente são identificadas baixas coberturas21-26.

Os enfermeiros foram os trabalhadores que mais se vacinaram (69,0%), e a associação entre pertencer a essa categoria profissional e ter maior cobertura vacinal (análise bivariada) também foi evidenciada por outros estudos8,12. Por sua vez, a cobertura mais baixa ocorreu entre os médicos (49,1%), o que ratifica resultados apontados por alguns pesquisadores18, porém confronta outros que apontam relação entre ser médico e vacinar-se mais27,28.

Tal qual apontado por Corace et al.29, conhecer que a vacina influenza é indicada mesmo para indivíduos previamente saudáveis mostrou-se um preditor da vacinação. Segundo Stretcher e Rosenstock17, esse tipo de associação pode ter ocorrido porque compreender-se como indivíduo suscetível a determinado desfecho negativo estimula práticas adequadas de saúde, ao passo que desconsiderar esse risco reduz a chance de adoção de medidas de promoção, prevenção e proteção da saúde. Nesse contexto, alguns pesquisadores complementam que a justificativa de que possui um sistema imunológico fortalecido e eficaz tem desmotivado trabalhadores de saúde a se vacinar contra influenza28,30.

No presente estudo, observou-se associação significativa entre conhecer que a proteção da vacina influenza não dura muito tempo e a prática de recebê-la. Essa predisposição pode ocorrer porque, possivelmente, aqueles indivíduos que sabem que a proteção não é duradoura sentem-se mais vulneráveis à influenza à medida que o tempo passa, e por isso tendem a vacinar-se mais que aqueles que desconhecem essa informação. No entanto, isso não é unanimidade entre os pesquisadores, e alguns estudos afirmam que conhecer o tempo de proteção da vacina influenza não interfere na sua aceitação31,32.

Embora a ocorrência de eventos adversos graves pós recebimento da vacina influenza seja rara33-35, pesquisas apontam o temor dessas reações como importante fator que influencia na decisão de vacinar-se ou não36-38. Quanto a isso, no presente estudo observou-se que há associação significativa entre não ter medo das reações adversas pós-vacinais e aceitar se vacinar contra influenza, ratificando resultados encontrados por Rehbmann et al.39.

Conclusão

Este trabalho mostrou-se importante por abordar uma temática ainda pouco explorada pela literatura científica nacional, e por conseguir identificar fatores associados ao recebimento da vacina influenza, contribuindo com o entendimento de elementos envolvidos no processo de aceitação desta vacina por trabalhadores de saúde do país. Dessa maneira, pode contribuir com a elaboração de estratégias voltadas à ampliação da cobertura da vacina influenza entre os trabalhadores de saúde, grupo indispensável ao adequado funcionamento dos serviços de saúde.

Uma das limitações desse estudo foi seu desenvolvimento em uma única instituição de saúde, restringindo potencialmente a extrapolação dos resultados. No entanto, deve-se considerar que o estudo ocorreu em um complexo hospitalar de referência estadual e regional, onde um grande quantitativo de profissionais trabalha em diferentes áreas e especialidades, portanto, dotado de grande diversidade. Outra limitação foi a não conferência da carteira vacinal dos trabalhadores de saúde para confirmação da sua vacinação contra influenza em 2014, possibilitando a ocorrência de respostas “socialmente adequadas”. No entanto, possivelmente isso tenha sido atenuado pela técnica de aplicação do questionário (autoaplicável, em vez de entrevista). Por fim, a utilização de uma amostra de conveniência dentro da instituição representa uma limitação, contudo, nas reuniões das diferentes categorias profissionais, o instrumento foi igualmente oferecido a todos os indivíduos presentes.

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