Fatores associados à obesidade geral e ao percentual de gordura corporal em mulheres no climatério da cidade de São Paulo, Brasil

Fatores associados à obesidade geral e ao percentual de gordura corporal em mulheres no climatério da cidade de São Paulo, Brasil

Autores:

Ana Paula França,
Maria de Fátima Nunes Marucci,
Maria de Lourdes do Nascimento da Silva,
Manuela de Almeida Roediger

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.23 no.11 Rio de Janeiro nov. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1413-812320182311.26492016

Abstract

To verify the association between obesity and demographic, clinical and lifestyle variables in climacteric women, a cross-sectional study was conducted in outpatient clinics, with 469 women aged 40 to 65 years in the city of São Paulo, Brazil. The dependent variables were: obesity according to body mass index (BMI) and obesity according to percentage of body fat (% BF). The main explanatory variable was: climacteric phase (pre or postmenopausal); and control variables were: age; years of formal study; parity; menopausal hormone therapy (MHT) use; physical activity practice and smoking habit. Multiple regression analysis was performed using the Stata 9.2 software. According to the BMI, obesity was positively associated with parity (RR = 1.62, 95% CI = 1.11-2.37) and, negatively, with years of formal study (RP = 0.71, CI 95% = 0.55-0.91) and with physical activity practice (PR = 0.45, 95% CI = 0.33-0.61). According to the % BF, obesity was positively associated with parity (PR = 1.60, 95% CI = 1.03-2.49) and negatively with physical activity practice (PR = 0.43; 95% CI = 0.29-0.63). While being active physically was protective, multiparity was a risk factor for developing obesity for women in this study.

Key words: Obesity; Parity; Physical activity; Climacteric; Menopause

Introdução

Embora existam diferenças nas prevalências e tendências de acordo com o grupo etário e estrato social, praticamente todos os países estão vivenciando uma epidemia de obesidade, impulsionada, em grande parte, pela liberalização do comércio global, o crescimento econômico e a rápida urbanização1,2.

Em todo o mundo, o índice de massa corporal (IMC) aumentou em média, por década, 0,4 kg/m2 entre os homens e 0,5 kg/m2 entre as mulheres, entre 1980 e 20083. Em 2014, mais de 1,9 bilhões de adultos apresentavam excesso de peso (IMC ≥ 25kg/m2) e mais de 600 milhões eram obesos (IMC ≥ 30kg/m2)4.

O risco de doenças cardíacas, acidentes vasculares encefálicos, diabetes e certos tipos de câncer aumentam progressivamente com o aumento do IMC5,6. Das 57 milhões de mortes ocorridas no mundo em 2008, 36 milhões - quase dois terços – foram atribuídas a doenças não transmissíveis6,7.

Em 2011, no Brasil, as doenças crônicas não transmissíveis foram responsáveis por 72,7% do total de mortes, com destaque para as doenças do aparelho circulatório (30,4% dos óbitos), as neoplasias (16,4%) e o diabetes (5,3%)8. Embora, neste país, a taxa de mortalidade geral por doenças não transmissíveis tenha apresentado queda de 20% entre 1996 e 2007, principalmente ao sucesso da implementação de políticas de saúde voltadas à diminuição do tabagismo e à expansão da atenção primária, a prevalência de diabetes e hipertensão aumentaram, em paralelo ao aumento do excesso de peso, associados às mudanças desfavoráveis na qualidade da dieta e no padrão de atividade física9.

A prevalência de excesso de peso ainda é maior nos países de renda média alta, contudo, elevação mais rápida está ocorrendo nos países de renda média baixa4. Em algumas regiões do mundo, como nas Américas, mais de 50% das mulheres estão acima do peso7. Nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, no período de 2006 a 2012, observou-se aumento na prevalência de obesidade de 11,4% para 17,4% em adultos. Neste período, o aumento da prevalência nos homens foi semelhante entre todos grupos socioeconômicos, enquanto no grupo de mulheres a prevalência de obesidade aumentou naquelas com 8 anos ou menos de escolaridade9,10.

É fato que a obesidade se desenvolve somente quando, cronicamente, a ingestão excede o gasto de energia, contudo, inúmeros estudos têm mostrado que fatores sociodemográficos e comportamentais estão associados ao aumento do peso corporal11-14.

Apesar do elevado e crescente índice de obesidade entre as mulheres brasileiras, poucas investigações foram feitas sobre os fatores que poderiam estar associados à esta afecção, sobretudo naquelas que estão na fase do climatério. Nesse contexto, o objetivo deste trabalho é identificar a prevalência de obesidade e sua associação com variáveis sociodemográficas, clínicas e relacionadas ao estilo de vida em mulheres de 40 a 65 anos atendidas em dois ambulatórios públicos da cidade de São Paulo, SP.

Material e métodos

Delineamento e amostra estudada

Estudo transversal realizado no Ambulatório de Saúde da Mulher no Climatério (ASMUC), do Centro de Saúde Escola “Geraldo de Paula Souza” da Faculdade de Saúde Pública da USP, no período de Abril a Setembro de 2002, e no Ambulatório de Ginecologia do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP), no período de janeiro de 2006 a fevereiro de 2007.

Nos períodos citados, todas as mulheres inscritas nos referidos serviços foram convidadas a participar do estudo, considerando como critérios de inclusão ter idade entre 40 e 65 anos completos. Os critérios de exclusão incluíram: ter diagnóstico de doença cardiovascular, ter sido submetida à histerectomia ou ooforectomia parcial, e o não cumprimento do protocolo para a realização do exame de bioimpedância elétrica (realização de atividade física intensa no dia anterior, sauna nas últimas 8 horas e/ou ingestão de bebidas alcoólicas nas últimas 12 horas). A pesquisa foi aprovada pelos Comitês de Ética em Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública e do Hospital Universitário da USP, e as mulheres que aceitaram participar do estudo assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

Variáveis de estudo

A variável dependente foi obesidade, identificada pelo índice de massa corporal (IMC = peso/estatura2), adotando-se a classificação da Organização Mundial da Saúde15: não obesa (< 30,0 kg/m2) ou obesa (≥ 30,0 kg/m2); e de acordo com o percentual de gordura corporal (%GC), obtido pelo método de bioimpedância elétrica (BIA), utilizando-se aparelho portátil RJL-SYSTEMS e adotada a classificação sugerida por Gallagher et al.11: não obesa (< 40% em mulheres de 40 a 59 anos e < 42% em mulheres de 60 a 65 anos) ou obesa (≥ 40% em mulheres de 40 a 59 anos e ≥ 42% em mulheres de 60 a 65 anos).

A variável explanatória principal foi fase do climatério, considerando pré-menopausa (ciclo menstrual regular e amenorreia por até 11 meses) ou pós-menopausa (amenorreia por período igual ou superior a 12 meses consecutivos e ooforectomia bilateral).

As variáveis de controle foram: idade (em anos completos); anos de estudo (< 7 anos ou ≥ 8 anos); nível de atividade física (sedentária e insuficientemente ativa ou ativa e muito ativa); paridade (0, 1 e 2 partos ou 3 e mais partos); uso de terapia hormonal da menopausa (não usuária e usuária há menos de 12 meses ou usuária por pelo menos 12 meses); hábito de fumar (nunca fumaram e ex-tabagistas ou tabagistas).

O nível de atividade física foi identificado pelo Questionário Internacional de Atividade Física - International Physical Activity Questionnaire-IPAQ, desenvolvido pela OMS16 e validado para a população brasileira adulta de 20 a 34 anos16 e em mulheres idosas17.

Análise estatística

Para verificar a associação entre cada variável dependente (obesidade segundo o IMC e segundo o %GC), a explanatória principal (fase do climatério) e as variáveis de controle (idade, anos de estudo, paridade, nível de atividade física, hábito de fumar e uso de terapia hormonal da menopausa), foram realizados os testes t de student e o qui quadrado de Pearson, anotando-se o valor p descritivo do teste.

Para cada variável dependente foi feita modelagem mediante regressão glm (general linear model) múltipla, com família binomial e ligação (“link”) logarítmica, permitindo a obtenção direta de razões de prevalências (RP). Na primeira etapa da modelagem, além da variável explanatória principal, foram incluídas as variáveis de controle com p < 0,20 nas análises bivariadas. Eventuais interações foram examinadas, entre a variável explanatória principal (fase do climatério) e as demais variáveis, para teste de interação no modelo múltiplo. Em etapas subsequentes, as variáveis de controle com p > 0,10 e as variáveis de interação com p > 0,05 foram excluídas do modelo. Todas as análises foram realizadas utilizando o software Stata 9.2.

Resultados

Foram entrevistadas 469 mulheres de 40 a 65 anos, sendo 172 pacientes ASMUC (FSP/USP) e 297 do Ambulatório de Ginecologia do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU/USP).

Estavam no período de pré-menopausa 49,9% das mulheres (41,2% menstruavam regularmente e 8,7% não menstruavam há menos de 12 meses); enquanto 50,1% não menstruavam há mais de 12 meses, caracterizando a pós-menopausa. A maior parte das mulheres tinha entre 45 a 54 anos, sendo a média etária de 51,3 anos (mediana: 51,0 anos; desvio-padrão: 6,9 anos).

A maioria (55,4%) referiu ter pelo menos oito anos de estudo; 47,3% referiram ter três ou mais partos, sendo, em média, 2,5 partos/mulher. Quanto ao nível de atividade física, 55,4% eram sedentárias ou insuficientemente ativas. Sobre o hábito de fumar atual, 85,9% das mulheres relataram não fumar e, dentre estas, 23,2% eram ex-tabagistas. Do total das mulheres, 13,2% utilizavam terapia hormonal da menopausa oral e referiram utilizar, em média, por 3,0 anos.

A prevalência de obesidade, segundo o IMC, foi 32,0%. Na análise bivariada o nível de atividade física, paridade, anos de estudo e idade associaram-se à obesidade segundo o IMC (p < 0,05) (Tabela 1).

Tabela 1 Distribuição das mulheres de 40 a 65 anos atendidas em ambulatórios públicos da cidade de São Paulo, segundo obesidade (identificada pelo IMC) e variáveis sociodemograficas, clínicas e relacionadas ao estilo de vida. 

Variáveis explanatórias Obesidade (IMC) RP valor de p

Não (n = 319) Sim (n = 150)

(n) (%) (n) (%)
Fase do climatério
Pré-menopausa (n = 234) 167 71,4 67 28,6 1 0,122*
Pós-menopausa (n = 235) 152 64,7 83 35,3 1,23
Terapia hormonal da menopausa
Nunca usou, já usou ou usa há menos de 12 meses (n = 415) 277 66,7 138 33,3 1 0,127**
Usa por, no mínimo, 12 meses (n = 54) 42 77,8 12 22,2 0,67
Hábito de fumar
Nunca fumou ou ex-tabagista (n = 404) 273 67,6 131 32,4 1 0,614
Tabagista (n = 65) 46 70,8 19 29,2 0,90
Nível de atividade física
Sedentária ou insuficientemente ativa (n = 260) 149 57,3 111 42,7 1 0,000**
Ativa ou muito ativa (n = 209) 170 81,3 39 18,7 0,44
Paridade
0, 1 ou 2 partos (n = 120) 97 80,8 23 19,2 1 0,001**
3 ou mais partos (n = 349) 222 63,6 127 36,4 1,90
Anos de estudo
Até 7 anos (n = 209) 128 61,2 81 38,8 1 0,005**
8 anos ou mais (n = 260) 191 73,5 69 26,5 0,68
Idade (variável contínua)
Média 50,9 52,3 0,043**

RP – razão de prevalências. *variável explanatória principal, selecionada a priori para o modelo múltiplo; ** variáveis com p<0,20, selecionadas para inclusão no modelo múltiplo.

No modelo múltiplo, a paridade (RP = 1,62; p = 0,012) associou-se positivamente à obesidade segundo o IMC, enquanto o nível de atividade física (RP = 0,45; p = 0,000) e ter oito ou mais anos de estudo (RP = 0,71; p = 0,008) associaram-se negativamente a este desfecho. Portanto, no presente estudo, ser sedentária ou insuficientemente ativa, ter três ou mais partos e até sete anos de estudo implicou maior risco de obesidade. É importante ressaltar que a fase do climatério, apesar de não se manter estatisticamente significativa (p = 0,071), permaneceu no modelo final por ter sido definida como explanatória principal (Tabela 2).

Tabela 2 Modelo da regressão “glm” (general linear model), da obesidade (identificada pelo IMC), em mulheres de 40 a 65 anos, atendidas em ambulatórios públicos da cidade de São Paulo. 

Variáveis Explanatórias 1ª etapa 2ª etapa 3ª etapa 4ª etapa Modelo Final

RP (IC 95%) valor de p RP (IC 95%) valor de p RP (IC 95%) valor de p RP (IC 95%) valor de p RP (IC 95%) valor de p
Fase do climatério
Pré-menopausa 1 1 1 1 1
Pós-menopausa 1,42 (0,98-2,06) 0,068 1,33 (1,03-1,71) 0,027 1,25 (0,90-1,62) 0,071 1,43 (1,02-2,02) 0,041 1,25 (0,90-1,62) 0,071
Terapia hormonal da menopausa
Nunca usou, já usou ou usa há menos de 12 meses 1 1
Usa por no mínimo 12 meses 0,66 (0,41-1,08) 0,098 0,66 (0,41-1,09) 0,104
Nível de atividade física
Sedentária ou insuficientemente ativa 1 1 1 1 1
Ativa ou muito ativa 0,45 (0,33-0,62) 0,000 0,46 (0,33-0,62) 0,000 0,45 (0,33-0,61) 0,000 0,45 (0,33-0,62) 0,000 0,45 (0,33-0,61) 0,000
Paridade
0, 1 ou 2 partos 1 1 1 1 1
3 ou mais partos 1,59 (1,09-2,33) 0,016 1,57 (1,08-2,30) 0,017 1,62 (1,11-2,37) 0,012 1,63 (1,12-2,34) 0,011 1,62 (1,11-2,37) 0,012
Anos de estudo
Até 7 anos 1 1 1 1 1
8 anos ou mais 0,70 (0,55-0,90) 0,006 0,71 (0,55-0,91) 0,007 0,71 (0,55-0,91) 0,008 0,85 (0,57-1,26) 0,418 0,71 (0,55-0,91) 0,008
Idade
(variável contínua) 0,99 (0,97-1,02) 0,687
Fase do climatério x grau de instrução
(variável de interação) 0,73 (0,44-1,23) 0,239

RP – razão de prevalências.

A prevalência de obesidade, segundo o %GC, foi 24,7%. O nível de atividade física e a paridade associaram-se à obesidade segundo o %GC (p < 0,05), na análise bivariada (Tabela 3).

Tabela 3 Distribuição das mulheres de 40 a 65 anos atendidas em ambulatórios públicos da cidade de São Paulo, segundo obesidade (identificada pelo %GC) e variáveis sociodemográficas, clínicas e relacionadas ao estilo de vida. 

Variáveis explanatórias Obesidade (%GC) RP valor de p

Não (n = 353) Sim (n = 116)

(n) (%) (n) (%)
Fase do climatério
Pré-menopausa (n = 234) 179 76,5 55 23,5 1 0,538*
Pós-menopausa (n = 235) 174 74,0 61 26,0 1,11
Terapia hormonal da menopausa
Nunca usou, já usou ou usa há menos de 12 meses (n = 415) 308 74,2 107 25,8 1 0,167**
Usa por, no mínimo, 12 meses (n = 54) 45 83,3 9 16,7 0,65
Hábito de fumar
Nunca fumou ou ex-tabagista (n = 404) 302 74,8 102 25,2 1 0,528
Tabagista (n = 65) 51 78,5 14 21,5 0,85
Nível de atividade física
Sedentária ou insuficientemente ativa (n = 260) 173 66,5 87 33,5 1 0,000**
Ativa ou muito ativa (n = 209) 180 86,1 29 13,9 0,41
Paridade
0, 1 ou 2 partos (n = 120) 101 84,2 19 15,8 1 0,013**
3 ou mais partos (n = 349) 252 72,2 97 27,8 1,76
Anos de estudo
Até 7 anos (n = 209) 151 72,2 58 27,8 1 0,174**
8 anos ou mais (n = 260) 202 77,7 58 22,3 0,80
Idade (variável contínua)
Média 51,2 51,9 0,317

RP – razão de prevalências. *variável explanatória principal, selecionada a priori para o modelo múltiplo. ** variáveis com p < 0,20, selecionadas para inclusão no modelo múltiplo.

No modelo múltiplo, a paridade (RP = 1,60; p = 0,035) manteve-se positivamente associada à obesidade, segundo o %GC, enquanto o nível de atividade física permaneceu negativamente associado (RP = 0,43; p = 0,000) ao mesmo desfecho, ou seja, ter três ou mais partos e ser sedentária ou insuficientemente ativa implicou maior risco de obesidade. Mais uma vez, ressalta-se que, apesar da variável fase do climatério não se manter estatisticamente significativa (p = 0,373), permaneceu no modelo final por ter sido definida como explanatória principal (Tabela 4).

Tabela 4 Modelo da regressão “glm” (general linear model), da obesidade (identificada pelo %GC), em mulheres de 40 a 65 anos, atendidas em ambulatórios públicos da cidade de São Paulo. 

Variáveis Explanatórias 1ª etapa Modelo final

RP (IC 95%) valor de p RP (IC 95%) valor de p
Fase do climatério
Pré-menopausa 1 1
Pós-menopausa 1,17 (0,86-1,60) 0,314 1,15 (0,85-1,56) 0,373
Terapia hormonal da menopausa
Nunca usou, já usou ou usa há menos de 12 meses 1
Usa por no mínimo 12 meses 0,68 (0,37-1,25) 0,216
Nível de atividade física
Sedentária ou insuficientemente ativa 1 1
Ativa ou muito ativa 0,43 (0,30-0,63) 0,000 0,43 (0,29-0,63) 0,000
Paridade
0, 1 ou 2 partos 1 1
3 ou mais partos 1,54 (0,99-2,38) 0,056 1,60 (1,03-2,49) 0,035
Anos de estudo
Até 7 anos 1
8 anos ou mais 0,81 (0,60-1,10) 0,176

RP – razão de prevalências.

Discussão

Neste estudo, mais de um terço das mulheres apresentaram obesidade, identificada pelo IMC. As tendências de elevação na prevalência de obesidade na população feminina em países em desenvolvimento, como o Brasil, mais do que triplicou nos últimos 40 anos, de acordo com inquéritos populacionais nacionais: era de 5,3% em 197518, 10,2% em 199618, 13,1% em 200320 e 16,9% em 200921. Inquéritos telefônicos para a vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas (VIGITEL), realizados na população brasileira, também mostraram aumento da prevalência de obesidade em mulheres com mais de 18 anos na última década: era de 11,5% em 20069, 17,3% em 201210 e 17,9% em 201421.

Estudos populacionais também mostram que a prevalência de obesidade é ainda maior nas mulheres acima dos 40 anos. Nos Estados Unidos, 39,5% das mulheres de 40 a 59 anos eram obesas em 2011-201222. No Brasil, dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2008-2009 mostraram que 21,5% e 26,0% das mulheres brasileiras de 45-54 e 55-64 anos, respectivamente, estavam obesas20. Resultados do VIGITEL também mostraram maior prevalência de obesidade em mulheres desses mesmos grupos etários, comparando-se às mulheres adultas, além de aumento na prevalência no período de 2006 a 2012: de 15,1% para 24,3% nas mulheres de 45-54 anos, e de 20,4% para 25,7% nas mulheres de 55-64 anos9,10. Comparando-se aos resultados mencionados, a prevalência de obesidade constatada no presente estudo foi substancialmente maior, o que poderia ser atribuído não apenas a diferenças regionais, como também por se tratar de amostra cadastrada em ambulatórios específicos de atenção às mulheres na fase do climatério.

Além da utilização do IMC para diagnóstico e classificação da obesidade, desde o início da década passada, observa-se aumento do interesse em medidas que discriminem a quantidade de gordura corporal e sua relação às doenças relacionadas ao excesso de peso11,23,24, visto que o aumento na quantidade de gordura corporal está mais freqüentemente associado à alterações metabólicas prejudiciais à saúde25,26.

O percentual de gordura corporal das mulheres deste estudo foi semelhante ao verificado em outros trabalhos com mulheres de 40 anos ou mais. Por meio do mesmo método (BIA), na população feminina americana, foram constatadas médias de %GC de 35,4%, 37,3% e 36,9%, nos grupos etários de 40 a 49 anos, 50 a 59 anos e 60 a 69 anos, respectivamente27. Em estudo com mulheres chinesas, foram obtidas médias de 32,6%, 34,4% e 35,6%28; e em mulheres inglesas, constataram-se 34,0%, 36,8% e 38,4% nos mesmos grupos etários29.

Enquanto alguns estudos, transversais e longitudinais, indicam associação positiva entre idade e obesidade segundo o IMC29-31 e segundo o %GC em mulheres11,27,29, essa relação não foi verificada neste trabalho. Contudo, faz-se necessário ressaltar que a amplitude da idade era maior, nos estudos que mostraram esta relação.

Apesar da questão do aumento de peso entre mulheres na fase do climatério ser frequentemente relatada, sua relação com a transição da menopausa ainda permanece incompreendida32. A diminuição do gasto energético, atribuída às mudanças endócrinas abruptas características do período, fomentou o início de inúmeras investigações sobre a possível relação existente entre a menopausa e o aumento de peso na mulher33,34, entretanto, essa relação não foi confirmada por estudos longitudinais posteriores35-37, ou foi confirmada por estudos que consideraram o efeito da menopausa pequeno em relação a outros fatores38. No presente estudo não foi verificada associação entre a fase do climatério e obesidade, de acordo com os dois critérios adotados (IMC e %GC).

Deve-se considerar que resultados controversos da literatura sobre a relação da menopausa com as mudanças corporais (aumento do peso, do conteúdo e distribuição da gordura corporal) podem ser decorrentes de diversos fatores, como o uso de diferentes técnicas de mensuração das variáveis antropométricas e critérios de diagnóstico de obesidade, escassez de estudos prospectivos, que possibilitem acompanhamento de mulheres durante a transição menopausal, assim como pela falta de controle por outras variáveis, como a idade e o nível de atividade física.

Neste estudo, a prática insuficiente de atividade física associou-se à maior prevalência de obesidade, segundo o IMC e o %GC, e este parece ser o fator mais claramente associado ao aumento de peso e da massa gordurosa na mulher, demonstrado amplamente na literatura. Diversos outros estudos também associaram a prática de atividade física regular à prevenção do aumento de peso e das alterações adversas na quantidade e distribuição de gordura corporal em mulheres, frequentemente relacionadas ao envelhecimento e à transição menopausal39-41.

Em estudo prospectivo42, maior nível de atividade física, menor paridade e maior grau de instrução foram importantes para reduzir o impacto do aumento do IMC em mulheres na pré e na pós-menopausa. Estudo populacional norte-americano confirmou a contribuição da prática de atividade física regular para prevenir ou atenuar o aumento de peso e na circunferência da cintura em mulheres de 42 a 52 anos, em 3 anos de seguimento12.

Em 2014, 56,0% das mulheres adultas brasileiras foram consideradas insuficientemente ativas, percentual que aumentou com a elevação da idade, e a diminuir com o aumento da escolaridade21. A proporção de mulheres brasileiras insuficientemente ativas foi semelhante à observada no presente estudo (55,4%), porém, cabe ressaltar que foram utilizados critérios diferentes para classificação da prática de atividade física.

Neste estudo, o nível de instrução associou-se negativamente à obesidade identificada pelo IMC. Dados sobre a prevalência de obesidade segundo quartis de escolaridade em 37 países em desenvolvimento mostraram que a probabilidade de obesidade nos países com menor nível socioeconômico excedeu a mesma probabilidade naqueles com maior nível socioeconômico43. Inquéritos populacionais brasileiros confirmam que a tendência de obesidade reflete o aumento das desigualdades, com o deslocamento do maior risco para adultos de menores estratos de renda e educação13.

Dados do Ministério da Saúde do Brasil10 mostraram a tendência de diminuição da frequência de obesidade, medida pelo IMC, com o aumento do nível de escolaridade, sendo essa relação uniforme entre as mulheres de 27 estados brasileiros: a prevalência de obesidade foi de 24,8% em mulheres com 0 a 8 anos de estudo, 17,2% naquelas com 9 a 11 anos de estudo e 10,6% naquelas com 12 anos ou mais de estudo.

Em outros países com cenário socioeconômico distinto, esta relação também foi estudada. Na China, a prevalência de obesidade é menor do que nos países ocidentais, porém, estudo representativo com indivíduos de 18 a 74 anos, também constatou a relação inversa do risco de obesidade, segundo o IMC, ao nível educacional, em homens e mulheres44. Na Finlândia, o nível de escolaridade também esteve inversamente associado ao IMC em mulheres de 30 a 64 anos45. De forma semelhante aos achados do presente estudo, foi encontrada associação inversa entre grau de instrução e IMC, enquanto a mesma relação não foi encontrada com o %GC, em mulheres iranianas de 18 a 40 anos46.

Com relação à história reprodutiva, enquanto sua associação ao excesso de peso na população feminina vem sendo amplamente demonstrada na literatura internacional, no Brasil poucos estudos tiveram como objetivo verificar esta relação. Mais recentemente, no sul do Brasil, a menarca precoce (variável não verificada no presente estudo) e a paridade foram os mais fortes preditores da obesidade em mulheres de 40 a 65 anos residentes em Caxias do Sul, após ajuste por variáveis demográficas, socioeconômicas e comportamentais47. Em 465 mulheres de 45 a 69 anos, residentes na área urbana de Maringá, os fatores que mais fortemente associaram-se ao excesso de peso foram: ter três ou mais partos (OR: 1.78; 95% IC: 1.06-3.00) e não usar THM (OR: 1.69; 95% IC: 1.06-2.63)48.

A análise dos dados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), provenientes de inquérito realizado em todas as regiões do território brasileiro no ano de 2006, mostraram que a paridade exerce influência sobre a obesidade nas mulheres brasileiras em idade reprodutiva, sendo a associação do tipo dose-resposta, ou seja, mais pronunciada entre as mulheres que possuem filhos do que entre as nulíparas14.

No presente estudo, mesmo após controle pelo nível de atividade física, maior paridade manteve-se associada à obesidade de acordo com o %GC, embora outros estudos não confirmem essa associação. O %GC, obtido a partir de métodos radiológicos como a DEXA e a tomografia computadorizada, apresentou-se associado à paridade em mulheres de 18 a 76 anos porém, após ajuste por idade, hábito de fumar e nível de atividade física, esta relação não permaneceu significativa49.

Com relação ao hábito de fumar, embora alguns estudos mostrem valores médios de IMC menores em indivíduos tabagistas, comparados aos não tabagistas e, também, que poderia haver tendência de aumento de peso naqueles que abandonam o tabagismo44,50,51, não foi constatada associação entre hábito de fumar e obesidade neste estudo, da mesma forma que o observado com a terapia hormonal da menopausa (THM).

Não há evidências de que a reposição estrogênica propicie aumento de peso em mulheres na pós-menopausa37,48,52 ou, então, que a THM poderia prevenir o aumento de peso em mulheres nessa fase da vida53,54. Apesar dos dados sugestivos de estudos realizados com animais, a literatura atual não fornece evidências convincentes de que a terapia estrogênica atenuaria o aumento de peso em mulheres na pós menopausa55.

Apesar da dificuldade para comparação dos resultados, devido a utilização de diferentes métodos e critérios para o diagnóstico da obesidade, associações bastante conclusivas entre paridade e nível de atividade física ao desfecho obesidade foram demonstrados em diversos estudos com mulheres, além do presente.

Não obstante, este estudo apresenta certas limitações para extrapolação dos seus resultados, relacionadas principalmente ao delineamento transversal e à amostragem por conveniência. Estudos de abrangência nacional são necessários para investigar a prevalência de obesidade e fatores associados na população feminina brasileira, de modo a oferecer subsídios para a formulação de políticas públicas voltadas à saúde integral da mulher.

Conclusão

Constatou-se obesidade, segundo o IMC, em 32,0% das mulheres e, segundo o %GC, em 24,7% delas. A prevalência foi maior nas sedentárias, insuficientemente ativas e naquelas que referiram ≥ 3 partos. Neste estudo, a atividade física constitui-se como fator de proteção, enquanto a paridade (≥ 3 partos) representou fator de risco para a obesidade.

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