Fatores de risco para absenteísmo de curta duração em um hospital de médio porte

Fatores de risco para absenteísmo de curta duração em um hospital de médio porte

Autores:

Ana Carolina Monteiro Duarte,
Angélica Carvalho Lemos,
Marcus Alessandro de Alcantara

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1414-462Xversão On-line ISSN 2358-291X

Cad. saúde colet. vol.25 no.4 Rio de Janeiro out./dez. 2017

http://dx.doi.org/10.1590/1414-462x201700040174

Abstract

Introduction

Even though there are evidences of absenteeism in the hospital context, more studies are needed beyond the care sector.

Objectives

to investigate the associations between the prevalence of absenteeism of three sectors employees of a philanthropic medium-sized hospital and individual characteristics, life habits, health status and working conditions.

Method

Cross-sectional study with random sample of 123 professionals from care, administrative and support sectors. The data was collected through a self-administered questionnaire that included information on absence from work, socio-demographic, habits and lifestyle characteristics, health status and working conditions. Prevalence ratios of absenteeism and their respective 95% confidence intervals were adjusted by Poisson multivariate regression.

Results

The prevalence of absenteeism due to sickness in last 12 months was 28.5% and it was associated with high physical and psychological demands, working time at the hospital and presence of occupational diseases.

Conclusion

Precarious working conditions are associated sickness absenteeism among professionals investigated. This finding must be considered in the formulation of interventions involving the health promotion of these workers.

Keywords:  quality of health care; occupational risks; psychosocial impact; absenteeism; health services evaluation

INTRODUÇÃO

O absenteísmo é um fenômeno complexo e multifatorial 1 . Aspectos diferentes e superpostos, que incluem a saúde, as características individuais e socioculturais, o ambiente de trabalho, a organização da empresa e a ausência de medidas de controle das faltas, podem estar envolvidos em chances mais ou menos elevadas de o trabalhador se ausentar 2 .

Absenteísmo, ou absentismo, ou ausentismo, corresponde à falta de assiduidade ao trabalho 3 . Tais termos são equivalentes para designar a ausência ao trabalho pelo empregado nas ocasiões em que seria esperada sua presença, independentemente de sua duração 4 . O absenteísmo-doença decorre tanto de doença quanto de lesão acidental, sendo aceito internacionalmente como indicador das condições de saúde dos trabalhadores 5 . A sua análise provê informações não só da situação epidemiológica, mas também das condições de trabalho, subsidiando ações efetivas em saúde ocupacional 6 .

A prevalência de absenteísmo-doença varia de 16,6 a 72,9%, de acordo com a população-alvo e o contexto investigado 2,7 . Apesar dos avanços no conhecimento da exposição dos trabalhadores do setor hospitalar às cargas e dos processos de desgaste que delas decorrem, mudanças nos processos de trabalho para garantir melhores condições laborais ainda estão longe de ser realidade, indicando a necessidade do monitoramento da saúde desses trabalhadores 8 . Assim, indicadores de absenteísmo-doença constituem importantes ferramentas para esse monitoramento.

A literatura específica sobre absenteísmo-doença no ambiente hospitalar, em sua maioria, limita-se a investigar grupos ocupacionais específicos 9 . Estudos na área de enfermagem são amplamente difundidos sob a justificativa de que a categoria representa a maior força de trabalho e está sujeita a diferentes fatores de risco 10 . Argumenta-se que a ausência desses trabalhadores afeta a organização do serviço, gera insatisfação e sobrecarga entre os presentes e compromete a qualidade da assistência prestada ao paciente 2 .

Existem poucos estudos que focalizam o perfil epidemiológico e a prevalência de afastamentos em trabalhadores de diferentes atividades ocupacionais no ambiente hospitalar, tais como trabalhadores de apoio e administrativo. Ainda assim, tais estudos são relevantes, pois confirmam a composição heterogênea dos diferentes setores e a natureza diversa dos desgastes de cada uma das variadas categorias 4,7 . Trabalhadores da assistência, por exemplo, estão expostos a sobrecargas físicas e desgaste emocional 11 , enquanto trabalhadores de apoio sofrem com a fragmentação das tarefas, com as rotinas monótonas de atividades e com os conflitos com chefias 12 .

Assim, apesar da gravidade dos casos de absenteísmo-doença no setor hospitalar e da lacuna de pesquisas que abarquem o conceito ampliado de profissionais da saúde, o presente estudo teve como objetivo investigar associações entre a prevalência de absenteísmo-doença autorreferido, as características individuais, os hábitos e o estilo de vida, o estado de saúde e as condições de trabalho entre trabalhadores de um hospital de médio porte do interior de Minas Gerais.

MÉTODO

Estudo observacional de corte transversal baseado em dados de um inquérito epidemiológico realizado em um hospital filantrópico de médio porte do município de Diamantina, Minas Gerais, em 2015. O hospital é uma entidade de referência macrorregional na região centro-norte de Minas Gerais, que presta atendimento ambulatorial e oferece cirurgias nas principais especialidades médicas para 79 municípios do Vale do Jequitinhonha.

Todos os profissionais (n=173) que estavam em efetivo exercício da sua função foram considerados elegíveis. Aqueles que não estavam em exercício por motivo de saúde ou férias foram substituídos, respeitando-se a distribuição por setor de trabalho.

Calculou-se uma amostra aleatória de acordo com o número e a proporção dos sujeitos elegíveis de um universo de 173 profissionais, respeitada a composição original por setor de trabalho: clínica médica (n=109; 63%), apoio (n=36; 20,8%) e administrativo (n=28; 16,2%). O setor de clínica médica era composto em sua maioria por profissionais técnicos em enfermagem (n=42; 34,2%) e enfermeiros (n=14; 11,4%); os profissionais do apoio trabalhavam na limpeza em sua quase totalidade (n=28; 22,8%); o setor administrativo, por sua vez, apresentou uma grande variabilidade de ocupações, sendo as recepcionistas (n=5; 4,1%) e os faturistas (n=4; 3,3%) as ocupações mais prevalentes.

Para o cálculo do tamanho da amostra final, como os desfechos de interesse apresentaram prevalências diferenciadas, foi tomado como base o evento de maior tamanho amostral (exposição a riscos biológicos=34,2%). Foi considerado ainda um intervalo de 95% de confiança, além de precisão de 5%. Com base nos parâmetros descritos, a amostra foi estimada em 123 profissionais.

Os profissionais foram abordados durante o horário de trabalho e questionados sobre o interesse em participar da pesquisa. Se afirmativo, foi negociado um horário de sua preferência. A coleta foi realizada por meio de entrevista por pesquisadores previamente treinados e em local reservado. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (CAAE no 55464116.5.0000.5108). O Termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi requerido de todos os participantes do estudo.

O absenteísmo-doença foi mensurado pela pergunta: “No último ano, você teve licença médica ou foi afastado do trabalho por motivo de doença?”. Essa variável foi categorizada em duas opções de respostas: 0=não e 1=sim. Nas respostas afirmativas, houve o questionamento ainda sobre o motivo e a frequência dos afastamentos. As opções de respostas para a constância do absenteísmo foram: 0=uma a duas vezes, 1=três a quatro vezes ou 2=mais de quatro vezes. Estudos já demonstraram que o absenteísmo-doença autorreferido se mostrou fortemente correlacionado com medidas baseadas em registros, considerado, portanto, um indicador válido para obter dados sobre absenteísmo-doença 13 .

As variáveis explicativas consideradas na análise dos dados foram as seguintes: (1) informações sociodemográficas (sexo, faixa etária, escolaridade, cor/raça, situação conjugal e presença de filhos); (2) hábitos e estilo de vida (atividade física, atividade de lazer e trabalho doméstico); (3) estado de saúde (doença ocupacional diagnosticada por médico e problemas de saúde); (4) características do trabalho (demanda física, demanda psicológica, controle sobre o trabalho, apoio social no trabalho, ambiente físico, tempo de trabalho, realização de hora extra, outra atividade remunerada e setor de trabalho).

A variável atividade física foi construída diante das respostas (0=sim e 1=não) à pergunta: “Você pratica atividades físicas no tempo de lazer?”.

Em relação à prática de atividade de lazer, a pergunta foi: “Você pratica atividade de lazer (hobbies, cultura, passeio etc.)?”. As respostas foram categorizadas em: 0=sim e 1=não.

Quanto ao trabalho doméstico, a variável baseou-se no grau de responsabilidade do respondente em relação a oito tarefas: cuidados com crianças (higiene, médico e escola), limpeza, cozinha, roupas (lavar e passar), compras e pequenos consertos. As opções de resposta foram: 0=não, 1=às vezes, 2=divide igualmente, 3=quase sempre e 4=inteiramente. Posteriormente, procedeu-se ao somatório dos itens e ao cálculo da mediana para definir as seguintes categorias em relação ao trabalho doméstico: 0=baixa responsabilidade e 1=alta responsabilidade.

Em relação aos problemas de saúde, questionou-se acerca da ocorrência de doenças crônico-degenerativas diagnosticadas por um médico nos últimos 12 meses, cujas respostas foram: 0=não e 1=sim.

A variável doença ocupacional foi questionada da seguinte forma: “Já teve alguma doença ocupacional diagnosticada por médico?”. As opções de resposta foram: 0=não e 1=sim. Nos casos afirmativos, questionou-se qual seria a doença ocupacional e há quanto tempo ela havia sido diagnosticada.

A demanda física do trabalho foi mensurada por meio de seis perguntas que avaliavam a opinião do trabalhador quanto às características físicas das tarefas. As questões abordavam a adoção de posturas inadequadas, a manutenção da postura ortostática ou sentada por longos períodos, a necessidade de andar longas distâncias, a mobilização de pacientes e a ausência de pausa. Todas as perguntas tinham como possíveis respostas: 0=nunca, 1=raramente, 2=às vezes e 3=sempre. Portanto, quanto maior o escore, maior a carga física no trabalho. A variável demanda física foi operacionalizada a partir do somatório dos itens citados que foram, em seguida, categorizados pela mediana em: baixa demanda física (valores iguais ou abaixo da mediana) e alta demanda física (valores acima da mediana).

Os aspectos psicossociais do trabalho foram aferidos por meio do instrumento Job Stress Scale (JSS), que avalia os domínios demanda psicológica (exigências psicológicas do trabalho, tais como pressão de tempo, nível de concentração requerida, interrupção das tarefas e necessidade de esperar pelas atividades realizadas por outros trabalhadores), controle sobre o trabalho (o uso e desenvolvimento de habilidades e a autoridade para tomada de decisão) e apoio social (relações com colegas e chefes) 14 . Para a construção dos indicadores, procedeu-se ao somatório das variáveis referentes a cada um desses domínios, os quais foram analisados separadamente a partir do cálculo das medianas para formar duas categorias para demanda psicológica (baixa/alta), controle (alto/baixo) e apoio social no trabalho (alto/baixo).

O ambiente físico do trabalho foi questionado quanto à ventilação, à temperatura, à iluminação e à qualidade dos móveis oferecidos, como cadeiras e mesas. As opções de resposta foram: 0=muito boa, 1=boa, 2=regular, 3=ruim e 4=muito ruim. Outro ponto questionado foi em relação ao ruído no local de trabalho e fora do local de trabalho, com as seguintes opções de resposta: 0=desprezível, 1=razoável, 2=elevado e 3=insuportável. Novamente, a variável foi construída a partir do somatório das respostas e do cálculo da mediana para definir o ambiente físico: 0=adequado ou 1=inadequado.

As análises basearam-se em modelo hierárquico, que descreve as premissas entre as variáveis na determinação do desfecho. As variáveis independentes foram hierarquizadas em quatro níveis de determinação: no primeiro nível, foram incluídas as informações sociodemográficas por serem mais estáveis ao indivíduo e exercerem influência sobre seu potencial e suas condições de saúde 15 ; no segundo nível, as informações sobre os hábitos e estilos de vida foram inseridas assumindo o pressuposto de que os comportamentos dependem não apenas de opções feitas pelo livre arbítrio das pessoas, mas são influenciadas também pelo meio externo 16 ; no terceiro nível, foram incluídas as informações sobre trabalho, indicando que a saúde das pessoas está mais ou menos vulnerável pelos diferenciais de exposição a condições mais perigosas ou estressantes de trabalho; no quarto nível, foram incluídas as informações sobre o estado de saúde. Associação entre diferentes indicadores de saúde e absenteísmo-doença foi descrita em outros estudos 2,17 . O estado de saúde possui grande influência sobre os demais níveis e está relacionado às condições econômicas, culturais e ambientais da sociedade 16 .

As análises foram realizadas por meio do software Stata, versão 12.0. Análise descritiva foi usada para caracterizar a população investigada. Para verificar os fatores associados à ocorrência de absenteísmo-doença, realizaram-se a análise univariável com estimativas de razões de prevalência (RP) e o cálculo dos respectivos intervalos de confiança. Empregou-se a regressão de Poisson com variância robusta, sendo inseridas no modelo multivariável as variáveis que apresentaram significância estatística com p<0,20.

Abordagem hierarquizada de entrada das variáveis foi adotada para ajuste das RP, conforme os quatro níveis de determinação definidos previamente pelo modelo teórico. Cada bloco de variáveis independentes entrou na equação de regressão em passos separados, conforme a ordem temporal da inclusão das variáveis. As variáveis dos blocos mais distais permaneceram como fatores de ajuste para os blocos hierarquicamente inferiores. Assim, a contribuição específica de um bloco de variáveis ou uma variável em particular pode ser determinada em relação aos efeitos das variáveis introduzidas anteriormente 18 . As variáveis que não estavam significativamente associadas ao absenteísmo-doença (p≤0,10) eram excluídas antes da entrada do próximo bloco de variáveis, e o modelo final contém apenas os fatores que permaneceram associados em nível de p≤0,05.

RESULTADOS

A prevalência de absenteísmo-doença autodeclarado nos últimos 12 meses foi de 28,5% e se restringiu a afastamentos de um a dois episódios por trabalhador. As principais causas de afastamento foram por cirurgia (cinco casos), dor lombar (quatro casos), hérnia de disco (três casos), seguidas de infecção urinária, pneumonia, amigdalite, tendinite, estresse e diarreia, cada condição de saúde associada a dois casos.

A Tabela 1 mostra a descrição completa da amostra.

Tabela 1 Número de observações e de frequências segundo as variáveis analisadas em profissionais de um hospital de Diamantina, Minas Gerais, 2015  

Variáveis n (%)
Características individuais
Sexo
Masculino 28 (22,8%)
Feminino 95 (77,2%)
Faixa etária
18 a 27 anos 36 (29,3%)
28 a 32 anos 26 (21,1%)
33 a 40 anos 32 (26,0%)
Mais de 40 anos 29 (23,6%)
Situação conjugal
Casado ou união estável 66 (53,7%)
Outros 57 (46,3%)
Escolaridade
Ensino superior 42 (34,1%)
Ensino médio 65 (52,9%)
Ensino fundamental 16 (13,0%)
Cor/raça
Branco/amarelo 26 (21,1%)
Outros 97 (78,9%)
Hábitos e estilo de vida
Atividade física
Sim 44 (35,8%)
Não 79 (64,2%)
Atividade de lazer
Sim 88 (71,6%)
Não 32 (26,0%)
Trabalho doméstico
Baixa responsabilidade 67 (54,5%)
Alta responsabilidade 56 (45,5%)
Estado de saúde
Doença ocupacional
Não 105 (85,4%)
Sim 18 (14,6%)
Características do trabalho
Setor de trabalho
Apoio 29 (23,6%)
Assistência 72 (58,5%)
Administração 22 (17,9%)
Tempo de trabalho
0 a 12 meses 44 (35,8%)
1 a 3 anos 27 (22,0%)
3 a 6 anos 23 (18,7%)
Mais de 6 anos 29 (23,6%)
Realização de hora extra
Não 64 (52,0%)
Sim 59 (48,0%)
Demanda física
Baixa 77 (62,6%)
Alta 46 (37,4%)
Demanda psicológica
Baixa 71 (57,7%)
Alta 52 (42,3%)
Controle sobre o trabalho
Baixo 62 (50,4%)
Alto 61 (49,6%)
Apoio social no trabalho
Inadequado 63 (51,2%)
Adequado 60 (48,8%)
Ambiente físico
Ambiente de boa qualidade 73 (59,3%)
Ambiente de má qualidade 50 (40,7%)
Outra atividade remunerada
Não 78 (63,4%)
Sim 45 (36,6%)

A maioria dos participantes era do sexo feminino (77,2%), com média de idade de 34 anos (desvio-padrão [DP]=10,2 anos), faixa etária entre 18 e 32 anos (50,4%), união estável (53,7%), escolaridade no ensino fundamental ou médio (65,8%), com um a dois filhos (47,2%). A renda familiar mensal foi de R$2.326,82 (DP=1.714,14) em média, equivalente a três salários mínimos na época. Em relação à cor/raça, 74% dos profissionais se declararam brancos ou pardos.

Em relação aos comportamentos saudáveis, 20,3% praticavam atividade física de três a cinco vezes por semana. Predominaram os profissionais com relato de atividades de lazer em seu horário de folga (71,5%), contrastando com o percentual igualmente elevado de responsabilidade com as atividades domésticas (45,5%).

Quanto ao tempo de trabalho no hospital, encontrou-se média geral de 5 anos e 8 meses, com uma média na função exercida de 5 anos e 9 meses. As atividades dos profissionais demandavam esforços físicos, com destaque para as posturas inadequadas (71,5%), deslocamentos frequentes (68,3%) e exigência de ficar em pé por muito tempo (65%). A proporção de profissionais com alta demanda psicológica foi elevada (42,3%), contrastando com o percentual igualmente alto de profissionais com baixo controle (50,4%) e baixo apoio social no trabalho (51,2%). O ambiente físico foi avaliado como inadequado por quase metade dos respondentes (40,7%), sobretudo a qualidade da temperatura e da iluminação, avaliadas como muito ruins por 25,2 e 20,3% dos profissionais, respectivamente. Um total de 48% dos profissionais relatou fazer horas extras, enquanto 37,4% informaram exercer outra atividade remunerada.

Um total de 84,4% de trabalhadores relatou ter problemas de saúde, dos quais os mais comuns foram: alergias (43,9%), rinite/sinusite (29,3%), infecção urinária (17,1%), distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (13%) e gastrite (12,2%). Quase 15% dos respondentes afirmaram ter diagnóstico médico de doença ocupacional, com destaque para as tendinites (8,9%).

A Tabela 2 mostra a frequência e a análise univariável da prevalência de absenteísmo-doença de acordo com as variáveis explicativas. Observaram-se maiores prevalências de absenteísmo-doença entre os respondentes que referiram ter doença ocupacional diagnosticada por médico, alta demanda física e alta demanda psicológica.

Tabela 2 Prevalência de absenteísmo-doença e análise univariada segundo as variáveis analisadas em profissionais de um hospital de Diamantina, Minas Gerais, 2015  

Variáveis Prevalência de absenteísmo (%) RP IC 95%
Características individuais
Sexo
Masculino 7 (25,0%) 1
Feminino 28 (29,5%) 1,18 0,57-2,41
Faixa etária
18 a 27 anos 8 (22,2%) 1
28 a 32 anos 7 (26,9%) 1,21 0,50-2,93
33 a 40 anos 13 (40,6%) 1,82 0,86-3,84*
Mais de 40 anos 7 (24,1%) 1,08 0,44-2,65
Situação conjugal
Casado ou união estável 15 (22,7%) 1
Outros 20 (35,1%) 1,54 0,87-2,73*
Escolaridade
Ensino superior 10 (23,8%) 1
Ensino médio 20 (30,8%) 1,29 0,67-2,48
Ensino fundamental 5 (31,3%) 1,31 0,52-3,25
Cor/raça
Branco/amarelo 5 (19,2%) 1
Outros 30 (30,9%) 1,60 0,69-3,74
Hábitos e estilo de vida
Atividade física
Sim 13 (29,6%) 1
Não 22 (27,9%) 0,94 0,52-1,68
Atividade de lazer
Sim 23 (26,1%) 1
Não 10 (31,3%) 1,00 1,00-1,01*
Trabalho doméstico
Baixa responsabilidade 19 (28,4%) 1
Alta responsabilidade 16 (28,6%) 1,00 0,57-1,77
Estado de saúde
Doença ocupacional
Não 25 (23,8%) 1
Sim 10 (55,6%) 2,33 1,36-3,99*
Características do trabalho
Setor de trabalho
Apoio 9 (31,0%) 1
Assistência 21 (29,2%) 0,93 0,48-1,80
Administração 5 (22,7%) 0,73 0,28-1,88
Tempo de trabalho
0 a 12 meses 4 (9,1%) 1
1 a 3 anos 11 (40,7%) 4,48 1,57-12,73*
3 a 6 anos 10 (43,5%) 4,78 1,67-13,64*
Mais de 6 anos 10 (34,5%) 3,79 1,30-11,00*
Realização de hora extra
Não 17 (26,6%) 1
Sim 18 (30,5%) 1,14 0,65-2,01
Demanda física
Baixa 16 (23,8%) 1
Alta 19 (41,3%) 1,98 1,13-3,47*
Demanda psicológica
Baixa 14 (19,7%) 1
Alta 21 (40,4%) 2,04 1,15-3,64*
Controle sobre o trabalho
Baixo 20 (32,3%) 1
Alto 15 (24,6%) 0,76 0,43-1,34
Apoio social no trabalho
Inadequado 18 (28,6%) 1
Adequado 17 (28,3%) 0,99 0,56-1,74
Ambiente físico
Ambiente de boa qualidade 17 (23,3%) 1
Ambiente de má qualidade 18 (36,0%) 1,54 0,88-2,70*
Outra atividade remunerada
Não 20 (25,6%) 1
Sim 15 (33,3%) 1,3 0,74-2,28

*Significativo a 20%.

Legenda: RP=razão de prevalência; IC=intervalo de confiança

Os fatores significativamente associados ao absenteísmo-doença (p<0,20) na análise univariável foram incluídos na análise multivariável ( Tabela 2 ). A prevalência de absenteísmo-doença foi associada à situação conjugal e ao relato de atividades de lazer. Quanto às variáveis relacionadas às características do trabalho, o absenteísmo-doença se associou à demanda física, à demanda psicológica, ao ambiente físico e ao tempo de trabalho. Problemas de saúde e doença ocupacional diagnosticada por um médico também se associaram ao desfecho.

Na análise multivariável, utilizando regressão de Poisson com estimação de variância robusta ( Tabela 3 ), nenhuma variável relacionada às características individuais e aos estilos de vida permaneceu no modelo. Quanto às condições de trabalho, as demandas física e psicológica e o tempo de trabalho no hospital se mantiveram significativamente associados ao absenteísmo-doença. Doença ocupacional diagnosticada por um médico também permaneceu no modelo (p<0,05). Por fim, a suposição de multicolinearidade entre as variáveis independentes foi testada e não houve violação desse pressuposto.

Tabela 3 Análise multivariada dos fatores associados ao absenteísmo-doença em trabalhadores de um hospital de Diamantina, Minas Gerais, 2015  

Variáveis Absenteísmo doença
Modelo ajustado
RP IC 95%
Tempo de trabalho
0 a 12 meses 1
1 a 3 anos 3,59 1,35-3,69
3 a 6 anos 4,10 1,12-3,23
Mais de 6 anos 2,97 1,01-2,92
Demanda física
Baixa 1
Alta 1,91 1,12-3,23
Demanda psicológica
Baixa 1
Alta 1,72 1,01-2,92
Doença ocupacional diagnosticada por médico
Não 1
Sim 2,23 1,35-3,69

Legenda: RP=razão de prevalência; IC=intervalo de confiança

DISCUSSÃO

Este estudo analisou o perfil de 123 profissionais de um hospital de médio porte que responderam, por ocasião de um inquérito, a perguntas sobre fatores associados ao absenteísmo-doença nos últimos 12 meses. Chama atenção a força das variáveis relativas ao ambiente de trabalho em um contexto determinado por aspectos diferentes e superpostos, os quais incluem saúde, características individuais e aspectos socioeconômicos, além de trabalho. Ausência no trabalho por doença foi associada a maior tempo de trabalho, à alta demanda física e psicológica e a doenças ocupacionais.

O perfil da amostra investigada se assemelha às características encontradas em outros estudos no setor hospitalar, com maioria de trabalhadores jovens, do sexo feminino e com ensino médio ou superior 1,19,20 .

A prevalência de absenteísmo-doença autodeclarado foi semelhante aos resultados obtidos com equipes de saúde de hospitais públicos dos Estados da Bahia 7 e do Rio de Janeiro 21 , mas superior a uma amostra de profissionais de enfermagem de três hospitais públicos do Rio de Janeiro 2 . Uma explicação para essas discrepâncias está atrelada aos diferentes parâmetros usados para definir o número e o tipo de ausências do trabalho. Ainda, alguns fatores, como perfil da amostra, setor de trabalho e nível de complexidade, podem interferir nos resultados. Além disso, a decisão de comunicar a doença ocorre em determinado contexto cultural e social, que não é facilmente convertido em variáveis observáveis. Ressalta-se também o peso da percepção do suporte da gestão em relação à ausência de doença 22 .

Coerente aos resultados de um estudo desenvolvido em um hospital universitário de alta complexidade 2 , observou-se que os profissionais que se afastaram por doença são menos antigos no hospital. Contrariamente, Martins et al. 7 observaram que o evento foi predominante entre profissionais, com média de 12,7±8,9 anos de serviço. Afastamentos do trabalho podem fornecer informações a respeito do estado de saúde de determinado grupo de trabalhadores, apesar da dificuldade para se adaptar à natureza da tarefa 23 . Entretanto, a ausência também pode ser um indicador de condições precárias de trabalho 24 . Isso mostra que as relações entre trabalho e saúde são complexas e podem ser bidirecionais.

A despeito dos resultados descritos, constata-se que esses profissionais estão envelhecendo no hospital. Não seria implausível supor um quadro de envelhecimento funcional ou de perda da capacidade para trabalho. Tal condição resulta do equilíbrio entre os recursos humanos (idade, escolaridade e competências) em relação às características do trabalho (físicas e organizacionais) 25 que, sabidamente, acarretam doenças e sintomas, aposentadoria ou afastamento por incapacidade 26 . Sob qualquer ângulo, os resultados indicam a necessidade de elaboração de medidas de transformação da organização do trabalho.

A associação significativamente positiva entre absenteísmo-doença e demanda física não é surpreendente e evoca explicações já descritas na literatura. A exposição constante a longas jornadas de trabalho, o ritmo acelerado de produção, por excesso de tarefas, o transporte e a movimentação de pacientes e de equipamentos e a longa permanência em pé durante a assistência são algumas condições associadas ao desgaste físico no ambiente hospitalar 27,28 . Concomitantemente, a má postura corporal e o espaço físico e mobiliário inadequados são apontados como fatores de risco ergonômico responsáveis por danos à saúde, tais como distúrbios musculoesqueléticos 11 , transtornos mentais 2 e absenteísmo-doença 2 .

A identificação de risco mais elevado de absenteísmo-doença entre profissionais com altas demandas psicológicas no trabalho é convergente com a literatura específica 21 . Por um lado, a organização hospitalar é complexa, considerando que as demandas e necessidades dos clientes não podem ser adiadas e não permitem padronizações excessivas; por outro, o trabalho no hospital pressupõe tratamento personalizado e efetiva integração entre os diversos serviços 29 . Tal realidade se manifesta nas questões relacionais e pressões temporais, sobretudo nas situações agudas de estresse, levando o trabalhador a um processo de desgaste físico e mental 12 . A ausência do trabalho, então, pode ser uma estratégia de enfrentamento das tensões organizacionais que recaem, direta ou indiretamente, sobre a saúde desses profissionais 30 .

Doença ocupacional diagnosticada por um médico influenciou a prevalência de absenteísmo doença. Esse resultado é convergente com alguns estudos 2 , mas não com outros 31 . Os afastamentos de longa duração têm sido mais associados a condições de saúde, enquanto a cultura organizacional ou a (in)satisfação dos trabalhadores com o trabalho, a ausências de curta duração 32 . Entretanto, se o absenteísmo-doença, por definição, é uma expressão de saúde deficiente, não é incorreto esperar que sua prevalência seja mais alta na presença de morbidades 33 . Estudos que considerem períodos de afastamento com durações diferentes poderão subsidiar informações relevantes a respeito dessa temática.

Merece destaque a questão dos índices de absenteísmo-doença por setores de trabalho. Ainda que a variabilidade da ausência do trabalho por setor não tenha sido suficiente para gerar efeito significativo nessa amostra, a alta prevalência de absenteísmo-doença não passa despercebida, sobretudo nos setores de assistência e apoio operacional. Tal resultado não é surpreendente e denota que a vulnerabilidade a agravos à saúde não é exclusiva para profissionais da assistência 15 . Análise dos perfis de diagnósticos associados aos dias de licença médica entre profissionais da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo mostrou que os trabalhadores operacionais são mais vulneráveis a transtornos mentais e a doenças do aparelho circulatório, enquanto o desgaste físico é um fator de risco universal 12 .

A composição heterogênea de cada setor limita inferências sobre os determinantes de adoecimentos, mas a alta prevalência de absenteísmo-doença, independentemente do setor, indica a necessidade de ampliar o foco de pesquisas para além dos profissionais da assistência. Não se trata simplesmente de apontar ambientes ou tarefas de risco, prevenção e proteção ao trabalhador, mas compreender a marcante complexidade dos serviços prestados no espaço hospitalar. É preciso ir além e voltar os olhos para as suas especificidades ao estabelecer políticas que incidam sobre a organização do trabalho dos diferentes setores de um hospital.

Esclarece-se que o universo amostral desta pesquisa é restrito a uma população de trabalhadores de um hospital de médio porte da cidade de Diamantina, portanto comparações devem ser feitas com cautela. Contudo, a amostra representativa dos diferentes setores que compõem a força de trabalho no hospital sugere adequada validade interna.

A seleção da amostra não incluiu aposentados precocemente ou que não puderam manter-se em seus postos por conta de problemas de saúde. Um possível efeito do trabalhador sadio deve ser considerado 33 .

A prevalência de absenteísmo-doença foi estimada por meio de autorrelato, sujeito ao viés de memória ou de informação, o que implicaria superestimação ou subestimação da informação 2 . Entretanto, a existência comprovada de correlação entre dados autorreferidos de absenteísmo-doença e medidas baseadas em registro 34 bem como a prevalência de absenteísmo-doença coerente com a literatura reforçam a validade dos dados apresentados nesta pesquisa.

Apesar dessas limitações, conclui-se que os resultados apresentados reforçam a influência do ambiente de trabalho hospitalar sobre a suscetibilidade dos trabalhadores aos riscos de adoecimento. Cresce em relevância o papel da gestão em aceitar fatores pouco explorados que incidem sobre o processo de trabalho em hospitais públicos, tais como as condições de trabalho. A maneira como o trabalho é realizado e a cultura organizacional, articuladas a outros fatores, são determinantes para a saúde dos sujeitos que operam o sistema. Em última instância, tais fatores influenciam os gastos econômicos e a qualidade da assistência, conclamando medidas capazes de transformar a realidade sanitária dos trabalhadores hospitalares sem desconsiderar as especificidades dos diferentes setores de trabalho.

É reconhecida a missão básica de prestar assistência ao paciente na organização hospitalar. Entretanto, desconsiderar questões específicas do processo de trabalho de determinadas categorias ou de certos setores não apenas os coloca em risco de adoecimento e de afastamento do trabalho, mas também limita ações efetivas de prevenção e promoção à saúde no ambiente hospitalar 2 . Especula-se ainda, em última instância, se a própria atividade-fim do hospital possa ser prejudicada considerando a relevância do suporte desses trabalhadores à máquina hospitalar.

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