Fatores que interferem na sexualidade de idosos: uma revisão integrativa

Fatores que interferem na sexualidade de idosos: uma revisão integrativa

Autores:

Danielle Lopes de Alencar,
Ana Paula de Oliveira Marques,
Márcia Carréra Campos Leal,
Júlia de Cássia Miguel Vieira

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123

Ciênc. saúde coletiva vol.19 no.8 Rio de Janeiro ago. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232014198.12092013

ABSTRACT

The scope of this article is to analyze the scientific evidence addressing the factors that influence the sexuality of the elderly. It involved an online search carried out in pairs, including original articles published between 2006 and October 2011 in Portuguese, English or Spanish, which fulfilled the requirements of the study. The MEDLINE, LILACS, CidSaúde and BDENF databases were used with the key words: sexualidade e idoso / sexuality and elderly / sexualidad y anciano. The articles selected were assessed for methodological quality using two instruments, namely CASP and the Hierarchical Classification of Evidence. After analysis, 15 articles were included in the review, which discuss the culture of asexuality of the elderly, whereby the experience of sexuality only prevails among younger people. The absence of the partner due to widowhood, attributing value to beauty standards of the young, the occurrence of disease, use of medication, and changes in sexual physiology were identified as important factors that influence the sexuality of the elderly. The conclusion drawn is that social and cultural factors, changes in body physiology, and the occurrence of disease interfere with the sexuality of the elderly, making it necessary for nursing professionals to be proactive in debunking myths and providing orientation.

Key words: Sexuality; Elderly individuals; Nursing

Introdução

O envelhecimento no Brasil se destaca por um processo de reestruturação demográfica da qual cada vez mais cresce quantitativamente com perspectivas de que em 2020 tenhamos um número maior de dependentes financeiramente sobrepondo a população economicamente ativa1, implicando a necessidade de novas discussões para se buscar estratégias que englobem a amplitude do termo saúde da pessoa idosa, reconhecendo-o em sua totalidade, dentre elas sua sexualidade. A velhice, enquanto etapa da vida, na concepção de muitos, ainda, é marcada como sinônimo de incapacidades, seja de ordem física ou mental, tornando os idosos improdutivos no campo econômico e social2. A abordagem no processo de envelhecimento engloba vários aspectos, na perspectiva do desenvolvimento humano, com enfoque biológico e psicológico, nas questões socioeconômicas e na abordagem cultural, que realça os estereótipos e as percepções dos mesmos e dos outros ao seu respeito2. A sexualidade quando relacionada ao envelhecimento traduz mitos e tabus, resultando na concepção de que idosos são pessoas assexuadas3. A sexualidade do idoso deve ser compreendida partindo do princípio de que ela se compõe da totalidade deste indivíduo, devendo ser considerado o seu sentido holístico. Sendo, portanto, não somente fator biológico, como também biopsicossociocultural4. Face ao aumento contínuo da população idosa e da necessidade de cuidados que visualizem a promoção da sua qualidade de vida, são necessários estudos na área do envelhecimento, que abordem não apenas o aparecimento das doenças, como também temáticas que considerem o idoso em toda sua identidade humana, incluindo a sua sexualidade. A investigação sobre os fatores que interferem na vivência da sexualidade dos idosos, sem estigmas e repreensões, comuns nessa faixa etária, deve ser estimulada no campo científico e nos espaços sociais, tendo por atores do processo educativo os profissionais de saúde, dentre estes o enfermeiro. Portanto, o estudo objetivou analisar as evidências científicas dos últimos seis anos que retratam os fatores que interferem na sexualidade dos idosos.

Materiais e métodos

Trata-se de uma revisão integrativa, cuja finalidade foi reunir e sintetizar resultados de pesquisas sobre um delimitado tema ou questão, de maneira sistemática e ordenada, contribuindo para o aprofundamento do conhecimento acerca do tema investigado5. Esse método científico constitui a Prática Baseada em Evidência (PBE), a qual permite a utilização de resultados para prática clínica. A Enfermagem baseada em evidências é caracterizada pela tomada de decisões do profissional ocasionada pela aplicabilidade de informações válidas, testadas e baseadas em pesquisas6.

Uma das finalidades da PBE é encorajar a utilização de resultados experimentados e avaliados em pesquisas na assistência prestada à saúde em seus níveis de atuação, reforçando a importância da pesquisa para prática profissional6. Para elaboração da presente revisão, foram utilizadas as seguintes etapas: formulação da questão de pesquisa; seleção dos artigos e estabelecimento dos critérios de inclusão; obtenção dos artigos que constituíram a amostra; avaliação dos artigos; interpretação dos resultados e apresentação da revisão integrativa7. Para a primeira etapa elaborou-se a seguinte questão norteadora: quais são as evidências científicas publicadas nos últimos seis anos que abordam os fatores que interferem na sexualidade dos idosos? A segunda etapa constituiu-se na busca dos artigos, esta ocorreu em pares, em outubro de 2011, de forma on-line, utilizando os descritores em Ciências da Saúde (DeCS): sexualidade e idoso/ sexuality and aged/ sexualidad y anciano.

As bases de dados eletrônicas empregadas para seleção dos artigos foram: Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline), Literatura Latino Americano em Ciências da Saúde (Lilacs), Cidades Saudáveis (CIDSAÚDE) e Bases de Dados em Enfermagem (BDENF). Os artigos selecionados obedeceram aos critérios de inclusão: ser artigo original; ter sido publicado entre os anos de 2006 até o mês de outubro de 2011; responder à questão norteadora; e estar nas línguas portuguesa, inglesa ou espanhola. Foram excluídos os trabalhos que envolviam idosos e adultos na publicação e estudos que consideravam indivíduos com idade inferior a 60 anos, por definição no Brasil o idoso deve ter idade igual ou superior a 60 anos. A terceira etapa teve como objetivo a avaliação da qualidade metodológica dos estudos posteriormente à seleção dos artigos, os mesmos foram submetidos a dois instrumentos, por dois autores da presente revisão integrativa, de forma separada: o primeiro instrumento foi adaptado do Critical Appraisal Skills Programme - CASP, esse instrumento possui 10 itens que são pontuados, incluindo: 1) objetivo; 2) adequação do método; 3) apresentação dos procedimentos teórico-metodológicos; 4) critérios de seleção da amostra, 5) detalhamento da amostra; 6) relação entre pesquisadores e pesquisados; 7) respeito aos aspectos éticos; 8) rigor na análise dos dados; 9) propriedade para discutir os resultados e 10) contribuições e limitações da pesquisa. Ao final do instrumento, o estudo foi classificado em nível A (6 a 10 pontos), significando possuir boa qualidade metodológica e viés reduzido; ou nível B (até 5 pontos), indicando qualidade metodológica satisfatória, porém com tendência a viés. No presente estudo optou-se pela utilização dos artigos classificados no nível A.

O segundo instrumento foi o critério de Classificação Hierárquica das Evidências para Avaliação dos Estudos8, sendo considerados os estudos nos seguintes níveis: (1) revisão sistemática ou metanálise; (2) ensaios clínicos randomizados; (3) ensaio clínico sem randomização; (4) estudos de coorte e de caso-controle; (5) revisão sistemática de estudos descritivos e qualitativos e (6) único estudo descritivo ou qualitativo. Após aplicação dos instrumentos, foi realizada leitura breve dos títulos e resumos para posterior seleção dos artigos que atendessem aos critérios de inclusão adotados. Na quarta etapa, os artigos foram lidos crítica e exaustivamente, sendo separados em três eixos temáticos que convergiam pela similaridade dos seus resultados, são eles: aspectos socioculturais, mudança fisiológica e condição de saúde.

Resultados

Realizada a busca, conforme os critérios estabelecidos, a amostra foi representada por 16 artigos, a seleção e exclusão de acordo com cada base de dados estão representados na Tabela 1. Após aplicação do instrumento da CASP, um artigo foi excluído por estar evidenciado no nível B, sendo a amostra reduzida para 15 artigos. Na Medline, foram publicados 692 artigos, destes, 65 estavam entre os anos de publicação de 2006 a 2011. Foram excluídos 61, sendo a amostra representada por quatro artigos, todos na língua inglesa. Na Lilacs, 135 artigos foram publicados, contudo apenas 28 estavam no ano delimitado, posteriormente, 20 estudos foram excluídos e nove permaneceram na amostra, destes, cinco na língua portuguesa e quatro na língua espanhola, dois destes artigos também foram encontrados na BDENF, reduzindo a amostra para sete. Na base de dados BDENF, foram encontradas cinco referências, mas apenas três artigos respeitavam aos critérios de inclusão, apenas dois sendo avaliados, todos pertencem à língua portuguesa. Na CIDSAÚDE, dois artigos foram encontrados e somente um foi incluído na amostra, o qual pertence à língua espanhola.

Tabela 1 Relação dos artigos selecionados conforme Base de dados. Recife, 2012. 

Artigos
Base de Dados Encontrados Selecionados Excluídos Analisados
BDENF 5 3 1 2
CIDSAÚDE 2 1 1 1
LILACS 135 28 20 7
MEDLINE 692 65 60 5

O Quadro 1 detalha os artigos, conforme título/periódico/autoria/objetivo/resultados/ano de publicação. Dos estudos da presente revisão, oito artigos utilizaram o desenho metodológico quantitativo e sete a pesquisa qualitativa. Quanto à autoria, oito foram realizados por enfermeiros, seis por médicos e um por uma fisioterapeuta. Apenas um artigo trouxe a discussão da educação em saúde como mediadora no processo da sexualidade dos idosos, entretanto todos relatam a importância da atuação profissional no aconselhamento ou na visão do profissional na temática da sexualidade ao tratarem pacientes idosos, seja na atenção básica ou hospitalar. Quanto ao nível de evidência, cinco artigos se encontram no nível 6, tendo apenas um, no nível 3. Na coleta de dados, utilizaram o método da entrevista semiestruturada, grupo focal, observação participante, questionário Quociente Sexual - versão feminina, questionário de satisfação sexual (GRISS), inventário de saúde sexual masculino, índice de cinco itens internacionais de disfunção erétil (IIEF-5). Para organização dos dados, encontrou-se a utilização da análise estatística descritiva, Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), análise temática, análise do discurso.

Quadro 1 Identificação dos artigos, conforme título, autor (es), objetivo(s), metodologia, principais resultados, ano de publicação. Recife, 2012. 

Discussão

Aspectos Socioculturais

A influência da cultura sobre a assexualidade dos idosos encontra-se discutida em alguns artigos9-11, preconceitos e tabus estão presentes quando os sujeitos pertencem à faixa etária dos 60 anos9,11. A percepção que a sociedade tem acerca da prática sexual na terceira idade ainda transcorre nos moldes de que a pessoa quando alcança a fase da velhice deixa de ser sexual, adotando a assexualidade. O significado da sexualidade se reduz, em sua maioria, ao órgão genital e ao coito, reduzindo-o para a atividade sexual. Nessa fase da vida, a ausência do companheiro fixo delimita para alguns idosos como o fim das práticas sexuais4,9,11. A sexualidade não é expressa somente pelo ato sexual10 e o sexo nem sempre significa penetração, é preciso separar a genitalidade da sexualidade3. À medida que o corpo não responde mais ao desejo, as adaptações sexuais se tornam necessárias e ajudam na expressão da sexualidade em idosos10. Ao considerar a sexualidade em sua denominação, deve-se compreender e esclarecer aos idosos que mesmo na ausência de parceiro, a busca pelo prazer pode ser obtida por outras formas e que sua identidade sexual não se estabelece pela presença do outro. Os fatores que podem interferir na expressão da sexualidade ou no ato sexual transcorrem pelos aspectos individuais, fisiológicos e sociais, e apesar das limitações que podem ocorrer na velhice, a satisfação sexual ainda pode permanecer12. As dificuldades na aceitação da sexualidade nessa fase podem advir tanto pela ausência de informação como na conceituação que a sexualidade esteja restrita a genitalidade, concepção essa que existe entre os idosos e sociedade11.

Em uma atividade educativa realizada com 25 idosos, percebeu-se a necessidade de programas de educação sexual que visem à sensibilização quanto às questões sobre o tema e construções de novos conceitos que ainda permeiam sobre a assexualidade na velhice, tendo por público alvo não somente pessoas idosas, como também os não idosos13. Faz-se necessário que esse processo educativo tenha espaço em diversos momentos durante a atuação profissional, seja na atenção básica ou hospitalar, permitindo de fato o início nas mudanças sociais e pessoais quanto à sexualidade dos idosos.

O julgamento e a vigilância que a sociedade mantém sobre a pessoa idosa faz com que a mesma se sinta inibida a expressar com naturalidade sua identidade sexual14,15,22. Isso faz com que o mesmo assimile esses reflexos como verdade, levando a privações pessoais, passando a adotar comportamento de acordo com as expectativas sociais11. O modelo de educação dos antepassados unidos ao atual envolvem regras repressoras e mesmo quando os idosos se sentem repreendidos quanto a sua sexualidade, a maioria discursa que seus desejos e vontades ainda continuam e que desejam vivenciá-los, mesmo com as mudanças fisiológicas ocorridas3,9,10,12,16,22.

O preconceito do sexo na velhice é adotado por se acreditar que a fase de vivenciar a sexualidade está condicionada à idade dos mais jovens9. Em um Grupo da Terceira Idade, com a participação de 15 idosas, identificou-se a continuidade pelo interesse sexual entre todas as entrevistadas e quando a relação sexual estava ausente, o namoro e o companheirismo foram indicados como substitutos do sexo. Outro aspecto considerado pelas idosas refere-se à beleza corporal, ligada à juventude e devido ao avanço da idade não se sentem atraentes para terem relação sexual3. O sentimento da feminilidade ou de não mais se sentirem atraentes devido às mudanças físicas ocasionada pelo envelhecimento, retrata o declínio da função sexual, principalmente pelas idosas10. Corroborando, estudos3,23demonstram a concepção errônea de que no climatério e na menopausa a sexualidade se exaure e isso se relaciona ao conceito de que a atração somente ocorre com a beleza da juventude e vigor físico.

A presença fixa do parceiro sexual é relatada como aspecto positivo para continuidade das relações sexuais, e isso contribui favoravelmente para abstinência sexual das mulheres, visto que as mesmas estão mais propensas à viuvez. Enquanto que nos homens a reação ocorre de forma diferente, parte dos idosos procuram outras companheiras, em sua maioria jovens, para continuarem as relações sexuais3,4,16,22. Quando existe o parceiro sexual, o desejo de manter as atividades sexuais ocorreu em 75% dos idosos, em uma totalidade de 162 participantes, quando ocorre a ausência desse parceiro fixo, observa-se declínio significativo das relações sexuais, em que apenas 14,3% referem manter o desejo sexual16,22.

Mudanças Fisiológicas

As mudanças fisiológicas que são esperadas no processo do envelhecimento podem influenciar na resposta sexual dos idosos, seja no sexo masculino ou feminino9,10,17. As transformações na fisiologia sexual masculina embora não ocorram de forma uniforme entre todos os homens caracterizam-se quanto aos aspectos: ereção mais flácida, sendo necessário mais tempo para alcançar o orgasmo; ereções involuntárias noturnas diminuem; ejaculação retardada e redução do líquido pré-ejaculatório17.

Na fisiologia feminina, as alterações se iniciam na fase da menopausa, com a diminuição dos hormônios pelos ovários; a pele tende a ficar mais fina e seca; a lubrificação vaginal diminui, podendo ocorrer a dispaurenia; o orgasmo fica em menor duração devido às contrações vaginais estarem mais fracas e em menor número10. A autoerotização pode ser uma prática quando não há existência de um parceiro sexual. O sexo vaginal deixa de ser a principal fonte de prazer e o erotismo apresenta-se mais difuso, passando a se manifestar por outras formas de estimulação e outras zonas erógenas9,10,14.

Pesquisa23 realizada com 36 participantes verificou-se que 10 idosos relataram que preferiam carícias, quatro citaram carícias e beijos e outros quatro praticavam a masturbação para alcançarem a satisfação sexual, da amostra, nenhum dos idosos relatou o ato sexual como fonte de prazer. Como zona erógena, (8) mencionaram a cabeça, seguida de boca e pescoço (6), mamilos, peito e genitais (2), como zona secundária, rosto (7), mamilos (5) peito (4), genitais (30), boca (2), pescoço e nuca (1). Em estudo com 125 idosos, a prática da masturbação esteve presente tanto em homens como em mulheres, apesar de serem mais prevalentes entre os homens (67,1%), as mulheres (13,4%) que a praticavam mencionaram o ato como fonte de prazer e para alívio das tensões14.

As idosas preferem carícias, beijos e toques com manipulação do corpo e partes íntimas e não necessariamente o ato do coito para obter prazer. Na fase da velhice, as mudanças ocorridas na função sexual levam esses idosos a expressarem a relação sexual em outros meios que não sejam necessariamente o coito15. As carícias e o toque desempenham papel fundamental no exercício da sexualidade, por isso descobrir o poder do carinho, do beijo, da fala pode diferenciar a vivência do sexo3.

Condição de Saúde

A presença de enfermidade, tanto no parceiro como no próprio idoso, foi fator envolvido para ausência ou diminuição da prática sexual, principalmente quando a doença ocorre no homem, pois comumente afetam a potência masculina4,13,16,18-22. Estudo17 que objetivou determinar a prevalência da Disfunção Erétil (DE), por meio do inventário de saúde sexual, tendo por casuística 124 idosos que se submeteram ao procedimento de angiografia coronária, identificou 31,3% de ausência da atividade sexual entre os homens com diagnóstico de Doença Arterial Coronariana (DAC).

Na avaliação dos idosos sexualmente ativos, a disfunção sexual foi mais prevalente entre os que tinham DAC (85,7%), em relação aos que não apresentavam DAC (72,7%). Analisando a influência da incontinência urinária de urgência sobre a sexualidade de 60 pacientes com idade media de 65 anos, acompanhados por 24 semanas, Ruiz et al.18verificam a relação entre a presença de incontinência urinária e a recusa para a prática sexual nestes pacientes, os quais relatam que a perda da urina durante o ato sexual influencia a diminuição ou ausência da prática sexual.

É necessário avaliar o impacto da patologia sobre a sexualidade desses pacientes, já que estão mais propensos a problemas emocionais e de isolamento social. Em estudo que explorou as experiências de 22 pacientes com diagnóstico e tratamento para câncer de bexiga, foram relatados especificamente as mudanças na função e imagem corporal, as relações sexuais e a intimidade como desafios para estes pacientes devido ao processo cirúrgico21. O diagnóstico e o tratamento do câncer de próstata foram representativos na interferência da potência sexual masculina20. No estudo de Peréz Martínez e Arcia Chavéz14, o interesse pelo sexo e pela atividade sexual ocorre em 75% dos homens e 69% das mulheres, com frequência que varia de uma vez por semana ou mais.

Os distúrbios na função sexual encontrados são: hábitos de tabagismo (47,7%), lesões de nervos periféricos causados por diabetes mellitus (35,3%), depressão e uso de medicamentos para tratamento de doenças crônicas. Estudo que avalia independência funcional com satisfação de vida evidencia que os idosos com declínios funcionais apresentam menor satisfação com a vida24, esses resultados podem ocasionar mudanças quanto a vivência da sexualidade, pois ao decorrer dos anos os idosos tendem a diminuir sua capacidade física por mudanças fisiológicas que são esperadas e redirecionar vivências como o sexo para outras atividades, como o autocuidado.

Outro fator importante que advêm com as mudanças nesta fase é a insatisfação com a própria imagem corporal relacionado pelo aumento do peso25, principalmente nas mulheres, conduzindo que as mesmas sejam mais insatisfeitas com sua aparência física, levando a diminuição ou ausência nas relações afetivas com o outro, condicionado pela não aceitação de si e com isso a recusa para o sexo.

Conclusão

A presente revisão evidenciou que além das modificações fisiológicas que o corpo apresenta com o decorrer dos anos e que podem interferir na prática sexual, a cultura da assexualidade e o preconceito social com os mais velhos favorecem a construção do estereótipo que a sexualidade está designada aos mais jovens, repreendendo em idosos desejos e vontades no campo sexual.

A análise dos estudos permitiu visualizar por meio dos 15 estudos os fatores que interferem na sexualidade do idoso, remetendo à importância da atuação dos profissionais da saúde na educação sexual dos mais velhos, a fim de contribuir, por meio de atividades educativas, para desmistificação que permeia o exercício da sexualidade da população idosa.

A educação em saúde vem a ser a estratégia na construção de conceitos que visualizem o idoso como indivíduo livre para vivenciar sua sexualidade desprendida de mitos e preconceitos que se solidificaram socialmente, sendo necessário considerar que essas ações educativas devem envolver idosos e não idosos, pois o envelhecimento é inerente ao ser humano e questões sobre a sexualidade precisam ser discutidas no percurso de todas as etapas da vida. Portanto, a sexualidade permanece em construção ao longo da trajetória do ser humano, e frente a este processo, destaca-se o papel do enfermeiro como educador, inserindo a educação em saúde nos espaços de atuação profissional, no que se refere à educação sexual.

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