versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170
Arq. Bras. Cardiol. vol.108 no.5 São Paulo maio 2017
https://doi.org/10.5935/abc.20170051
Uma mulher de 32 anos com histórico de dois anos de dores no peito foi internada em nosso departamento devido à exacerbação ocorrida 3 dias antes. No exame físico, encontramos desdobramento fixo da segunda bulha na área pulmônica da paciente. Um ecocardiograma foi realizado e mostrou uma comunicação interatrial (CIA) de 15 mm do tipo veia cava inferior. Após a obtenção do consentimento da paciente, um modelo cardíaco de impressão tridimensional foi impresso. Tentamos vários tamanhos de oclusores de CIA no modelo para cobrir completamente o defeito, o que indicou como adequado um oclusor de 28 mm. Assim, colocamos um oclusor de CIA de 28 mm durante a operação e obtivemos sucesso após a primeira tentativa. A paciente foi reexaminada por ecocardiografia, que mostrou uma posição favorável do oclusor da CIA sem qualquer shunt da esquerda para direita.
A impressão tridimensional (impressão em 3D) é uma nova tecnologia que converte imagens médicas bidimensionais em um objeto tangível, permitindo não só uma visão abrangente das estruturas anatômicas cardíacas, mas também a simulação pré-operatória para escolher o tamanho ótimo do oclusor de CIA. Embora tenha sido aplicada na ortopedia, cirurgia geral e outras áreas, o uso da impressão 3D em cardiologia ainda está em sua infância. Nosso caso mostrou a viabilidade do uso de um modelo de impressão cardíaca em 3D para guiar o fechamento percutâneo de CIA. É provável que aumente a taxa de sucesso e reduza o tempo de operação na cardiologia intervencionista, especialmente os casos complexos de CIA, e mais estudos devem ser realizados para ampliar seus campos de aplicação.
Figura 1 Corte apical de quatro câmaras à ecocardiografia mostrando uma CIA de 15 mm com shunt da esquerda para a direita (A). Modelo cardíaco de impressão tridimensional em vista inteira (B) ou sendo separado para mostrar a CIA (C). Um oclusor de 28 mm foi colocado para fechar completamente a CIA (D). Colocação intraoperatória de um oclusor de CIA de 28 mm após uma tentativa (E). Ecocardiografia pós-operatória em corte apical de quatro câmaras, mostrando não haver shunt da esquerda para direita (F).