Fononcologia e novas tendências

Fononcologia e novas tendências

Autores:

Katia Nemr,
Lica Arakawa-Sugueno

ARTIGO ORIGINAL

CoDAS

versão On-line ISSN 2317-1782

CoDAS vol.26 no.3 São Paulo maio/jun. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/201420140263

Em maio último, em pleno dia do trabalho, ocorreu o 1º Simpósio de Fonoaudiologia em Cabeça e Pescoço, paralelamente ao tradicional evento promovido pelo Departamento de Cirurgia de Cabeça e Pescoço do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, conhecido como "Big Neck". Com ênfase em protocolos de avaliação e programas terapêuticos em fononcologia, a programação científica contou com expoentes da fononcologia brasileira. Com uma adesão acima das expectativas, o Simpósio abordou, durante todo o dia, temas empolgantes e discussões enriquecedoras que abrangeram várias esferas da atuação fonoaudiológica em câncer de cabeça e pescoço.

O mesmo sucesso registrado no IX Congresso Brasileiro de Fonoaudiologia em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, realizado durante o XXIV Congresso Brasileiro de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, reforça a constatação de que a fononcologia continua aprimorando-se em áreas de maior tradição, como a adaptação vocal do laringectomizado total, por exemplo, com pesquisas recentes utilizando-se de tecnologia de ponta para a compreensão mais refinada de aspectos anatomofisiológicos, assim como a avaliação mais apurada de recursos terapêuticos, voltando-se para o que podemos chamar de "refinamento terapêutico".

Aspectos até então pouco valorizados pelos pacientes e pelos profissionais, como pequenas queixas de deglutição e/ou voz em pós-operatório tardio de tireoidectomias, têm sido foco de estudos recentes no Brasil com resultados encorajadores, visando à melhor qualidade de vida. Da mesma forma, conceitos de motricidade orofacial estética aplicada a indivíduos submetidos a cirurgias oncológicas de cavidade oral e orofaringe têm apontado resultados terapêuticos que demonstram desde a minimização dos sinais de cicatriz até o refinamento da fonoarticulação.

Em outro extremo, devemos registrar a tendência, apresentada em Brasília, do "fonoaudiólogo paliativista", uma área que desponta com forte integração interdisciplinar no atendimento aos pacientes sem possibilidade de cura.

Essa ampliação nacional da atuação fonoaudiológica em câncer de cabeça e pescoço está em sintonia com a tendência mundial e mostra cientificidade e seriedade por parte dos profissionais e cientistas.

O respeito aos princípios bioéticos e o avanço científico têm sido marcas da fononcologia brasileira, cuja comprovação encontra respaldo no número crescente de pesquisas e publicações de qualidade.

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