Força muscular respiratória, função pulmonar e expansibilidade toracoabdominal em idosos e sua relação com o estado nutricional

Força muscular respiratória, função pulmonar e expansibilidade toracoabdominal em idosos e sua relação com o estado nutricional

Autores:

Fernanda dos Santos Pascotini,
Elenir Fedosse,
Mônica de Castro Ramos,
Vanessa Veis Ribeiro,
Maria Elaine Trevisan

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão On-line ISSN 2316-9117

Fisioter. Pesqui. vol.23 no.4 São Paulo out./dez. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1809-2950/16843223042016

RESUMEN

El propósito de este estudio fue describir la fuerza muscular respiratoria (FMR), la función pulmonar (FP) y la expansibilidad toracoabdominal (ET) y asociarlas con el estado nutricional de adultos mayores. Se trata de un estudio observacional transversal, del cual participaron 50 adultos mayores de ambos sexos, entre 60 y 84 años de edad, sin diagnostico anterior de patologías respiratorias, y que fueron invitados por los medios locales. Se les evaluaron la presión inspiratoria (PImax) y la presión espiratoria (PEmax) máximas, la capacidad vital forzada (CVF), el volumen espiratorio forzado en el primer segundo (VEF1), la cirtometría toracoadominal y las medidas antropométricas (peso, altura, índice de masa corporal y estado nutricional). Los valores de la PImax, la PEmax, la CVF y el VFE1 fueron inferiores a los valores previstos para los participantes (p<0,05), así como las medidas de expansibilidad toracoabdominal. Referente al estado nutricional, se clasificaron 10 adultos mayores en desnutridos, 24 en eutróficos y 16 en obesos. Los valores de los parámetros respiratorios no se asociaron con el estado nutricional (p>0,05). Se concluye que el envejecimiento influyó en los parámetros respiratorios evaluados en el grupo. El estado nutricional, a su vez, no influyó en las medidas de la FMR, FP y ET.

Palabras clave Adulto Mayor; Fuerza Muscular; Respiración

INTRODUÇÃO

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)1, a tendência de envelhecimento da população brasileira se manteve na última pesquisa, e o número de idosos (indivíduos com mais de 60 anos) irá quadruplicar até o ano de 2060, representando quase 27% de toda a população brasileira.

O processo de envelhecimento traz uma gama de modificações fisiológicas que acarretam na redução da massa muscular, força e função em muitos sistemas. No sistema respiratório, são observadas alterações no tecido conjuntivo que aumentam a rigidez da caixa torácica e reduzem o componente elástico dos pulmões, influenciando diretamente na mecânica respiratória2, acarretando na redução da mobilidade da caixa torácica, elasticidade pulmonar e capacidade vital forçada (CVF) (3, bem como do volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1), da complacência torácica e aumento da complacência pulmonar, entre outras alterações4.

Outro fenômeno relacionado ao envelhecimento é a redução da força dos músculos respiratórios. Sendo assim, os idosos apresentam diminuição da pressão inspiratória máxima (PImáx), em decorrência da fraqueza dos músculos inspiratórios, e diminuição da pressão expiratória máxima (PEmáx) devido à redução da força dos músculos abdominais e intercostais5),(6.

Outros aspectos que se modificam de forma perceptível durante o envelhecimento estão associados à composição corporal do idoso, que tende a ganhar peso progressivamente até em torno de 70 anos, diminuindo após essa idade7 e apresentando uma redistribuição de gordura corporal das extremidades para a área visceral8, podendo interferir no sistema respiratório.

Estudos relacionados às características respiratórias de idosos frequentemente abordam patologias respiratórias, e poucos enfocam a população idosa sem queixas. É de fundamental importância conhecer as mudanças fisiológicas para que se atue na prevenção de patologias. Além disso, com o crescente aumento da população idosa, os profissionais de saúde devem preparar-se para atender a essa demanda, a fim de promover melhor qualidade de vida a esses indivíduos. Sendo assim, o objetivo desta pesquisa é descrever a FMR, FP e ET e associá-las com seu estado nutricional.

METODOLOGIA

Estudo observacional transversal, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição de origem sob protocolo número 0356.0.243.000-11. Todos os participantes foram orientados sobre a pesquisa e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

O cálculo amostral foi estimado para obter um nível de significância (alfa) de 5% (p<0,05) e poder (beta) de 80%, tendo como base o estudo de Burneiko et al. (9. Para o cálculo, foi considerado o resultado relacionado ao percentual PImáx, por ser a variável que apresentou maior desvio-padrão (DP=15,64). Foi utilizado o programa WinPepi versão 10.5 e, conforme o cálculo, a previsão foi uma amostra de 46 indivíduos.

Foram incluídos na pesquisa idosos de ambos os sexos, com idade entre 60 e 84 anos, sem diagnóstico prévio de patologias respiratórias, convidados através de mídia local. Foram excluídos idosos que apresentavam patologias neurológicas e/ou psiquiátricas, sintomas de resfriado e/ou afecções respiratórias no dia da avaliação, etilistas, tabagistas atuais e ex-tabagistas há menos de dez anos, cirurgia abdominal e torácica há menos de cinco anos.

Inicialmente, foram realizados os seguintes procedimentos de avaliação: FMR, FP e mobilidade toracoabdominal.

As pressões respiratórias máximas foram verificadas pelo manovacuômetro digital Microhard MVD500 (Globalmed - Porto Alegre/RS) com os pacientes sentados, usando clipes nasal e bocal firmes entre os lábios. Foram realizadas duas manobras de aprendizado e combinado o gesto manual que indicaria quando os pulmões estivessem inflados/desinflados10.

Para medir a PImáx, solicitou-se expiração em nível de volume residual (VR), seguida de inspiração rápida e forte ao nível da capacidade pulmonar total (CPT), sustentada por pelo menos três segundos, com estímulo verbal do examinador. Para a PEmáx, solicitou-se inspiração máxima ao nível da CPT seguida de expiração máxima até o nível do VR, mantendo-a por pelo menos três segundos, com estímulo verbal do examinador11. Foram efetuadas cinco manobras máximas, com intervalo de um minuto de descanso e, posteriormente, selecionadas três manobras aceitáveis e reprodutíveis (diferença de 10% ou menos entre os esforços), sendo registrado o valor mais alto12 e comparado ao valor predito pela equação de Neder et al. (13, de acordo com idade e sexo.

A CVF e o VEF1 foram obtidos pelo espirômetro Respiradyne II (Model 5-7930P Sherwood Medical Co), a partir da inspiração máxima, seguida de uma expiração rápida e sustentada no bocal do aparelho por pelo menos seis segundos. Houve estímulo para que o esforço fosse “explosivo” no início da manobra, repetida até obter três manobras aceitáveis e reprodutíveis14. Todas as medidas foram obtidas na posição sentada com uso de clipe nasal. Os avaliadores foram cegados quanto ao desfecho do estudo.

Para medir a ET pela cirtometria, foram utilizadas três fitas métricas, adaptadas com uma alça em cadarço de algodão para servir de guia no deslizamento das fitas durante os movimentos respiratórios. Em decúbito dorsal, as fitas foram posicionadas em três pontos anatômicos de referência - prega axilar, apêndice xifoide e linha umbilical, e as medidas foram feitas em repouso, após inspiração máxima (CPT) e após expiração máxima (VR), sob o comando do pesquisador. Para cada ponto foram feitas três medidas nos três diferentes momentos, com intervalos de um minuto entre elas15 e selecionada a medida com maior coeficiente de amplitude.

Mensuraram-se a massa corporal e estatura para calcular o índice de massa corporal (IMC), com a balança digital G-Life CA4000 150 kg (Magna - São Paulo/SP) e os indivíduos descalços, vestindo roupas leves. A estatura foi mensurada por meio de um estadiômetro portátil com resolução de 1 mm (Sanny - Fortaleza/CE), estando os indivíduos: descalços; em posição ereta; encostados em uma superfície plana vertical; braços ao longo do corpo; joelhos em contato; calcanhares unidos e pontas dos pés afastadas, formando ângulo de 60º; além da cabeça ajustada ao plano de Frankfurt e em inspiração profunda. Para a medida, o cursor do estadiômetro foi rebaixado lentamente até tocar o topo da cabeça em sua parte média, sem empurrá-la para baixo. O cursor foi fixado e a leitura da régua foi feita até o milímetro mais próximo, registrando o escore16. O estado nutricional foi definido pelo IMC, sendo considerado desnutrido o idoso com IMC <22kg/m2, eutrófico entre 22 e 27 kg/m2 e obeso >2717.

Por fim, os dados foram submetidos à estatística não paramétrica por meio do teste de Wilcoxon, teste U de Mann-Whitney e teste de Kruskal-Wallis, adotando um nível de significância de 5%.

RESULTADOS

Participaram do estudo 50 idosos (35 mulheres e 15 homens), com média de idade de 69,48±7,02 anos (68,57±6,54 anos para mulheres e 71,60±7,84 anos para homens), massa corporal de 69,42±12,67 kg (65,94±11,99 kg para mulheres e 77,53±10,60 kg para homens) e estatura de 1,64±0,07 m (1,61±0,05 para mulheres e 1,71±0,05 m para homens). Os valores previstos e obtidos dos parâmetros respiratórios dos idosos, em função do sexo, estão apresentados na Tabela 1.

Tabela 1 Comparação dos valores previstos e obtidos para os parâmetros respiratórios de idosos, por sexo 

Parâmetro Sexo 1Q Mediana 3Q Média DP p-valor
PImáx FEM Previsto 74,14 77,57 79,53 76,8 3,21 <0,001*
Obtido 42 45 58 51,43 15,08
MAS Previsto 91,3 98,1 103,3 97,53 6,21 <0,001*
Obtido 45 57 75 59,33 17,74
PEmáx FEM Previsto 70,46 74,73 77,17 73,77 4 <0,001*
Obtido 46 57 67 58,37 15,67
MAS Previsto 100,5 107,79 113,46 107,62 6,47 0,001*
Obtido 63 67 80 73,8 23,94
CVF FEM Previsto 2,39 2,56 2,73 2,57 0,24 <0,001*
Obtido 1,75 2,16 2,6 2,17 0,57
MAS Previsto 3,39 3,57 3,75 3,55 0,45 0,002*
Obtido 2,44 2,73 3,01 2,83 0,67
VEF1 FEM Previsto 1,89 2,05 2,21 2,06 0,25 <0,001*
Obtido 1,44 1,67 2,09 1,77 0,47
MAS Previsto 2,66 2,76 2,97 2,76 0,36 <0,001*
Obtido 1,85 2,14 2,64 2,15 0,62

*p≤0,05 - Teste de Wilcoxon

PImáx: pressão inspiratória máxima (cmH2O); PEmáx: pressão expiratória máxima (cmH2O); CVF: capacidade vital forçada (l/min); VEF1: volume expiratório forçado no primeiro segundo (l/s); DP: desvio-padrão; 1Q: primeiro quartil; 3Q: terceiro quartil; FEM: sexo feminino; MAS: sexo masculino

Na Tabela 2 observa-se os valores de ET referentes à prega axilar, ao apêndice xifoide e à linha umbilical, em função do sexo dos idosos.

Tabela 2 Comparação dos valores previstos e obtidos para os parâmetros de ET de idosos em função do sexo 

Parâmetro Sexo 1Q Mediana 3Q Média DP p-valor
Prega axilar FEM 3 4 5 4,11 1,66 0,762
MAS 3 4 5 4,33 1,54
Total 3 4 5 4,18 1,61
Apêndice xifoide FEM 2 3 4 3,11 1,23 0,052
MAS 2 4 5 3,93 1,39
Total 2 3 4 3,36 1,32
Linha umbilical FEM 3 4 4 3,63 1,14 0,374
MAS 2 3 4 3,33 1,11
Total 3 3,5 4 3,54 1,12

*p≤0,05 - Teste de Mann-Whitney

DP: desvio-padrão; 1Q: primeiro quartil; 3Q: terceiro quartil; FEM: sexo feminino; MAS: sexo masculino

A Tabela 3 apresenta a caracterização dos idosos com relação ao estado nutricional.

Tabela 3 Caracterização dos idosos com relação ao estado nutricional 

Estado nutricional % Idade (média±DP) anos
DES 10 20 69,6±7,42
EUT 24 48 68,6±6,76
OBE 16 32 70,62±7,43

DES: desnutridos; EUT: eutróficos; OBE: obeso; nº: número de sujeitos; %: porcentagem de sujeitos; DP: desvio-padrão

A Tabela 4 apresenta a comparação das variáveis obtidas com relação ao estado nutricional.

Tabela 4 Comparação das variáveis obtidas com relação ao estado nutricional 

Variável Estado nutricional Média DP Q1 Mediana Q3 p-valor
PImáx obtida DES 51,7 13,91 42 51,5 57 0,966
EUT 53,71 15,5 44 50,5 63
OBE 55,08 19,06 43 49 89
PEmáx obtida DES 57,1 13,99 46 64 65 0,670
EUT 63,17 21,68 49,5 61,5 70
OBE 65,77 19,47 42 52 73
CVF obtida DES 2,6 0,54 2,19 2,37 2,83 0,441
EUT 2,41 0,73 1,85 2,45 2,89
OBE 11,16 24,73 1,5 2,43 2,76
VEF1 obtida DES 1,99 0,47 1,72 1,93 2,08 0,511
EUT 1,95 0,53 1,5 1,85 2,44
OBE 12,12 28,63 1,14 2 2,55
AXILAR DES 4,6 1,78 3 4 6 0,693
EUT 4,17 1,63 3 4 5
OBE 3,88 1,5 2 3 5
XIFOIDE DES 3,3 1,16 3 3,5 4 0,841
EUT 3,29 1,4 2 3 4
OBE 3,63 1,36 3 4 6
UMB DES 3,1 0,74 3 3 4 0,209
EUT 3,83 1,24 3 4 5
OBE 3,29 1,07 1,75 3 4

*p≤0,05 - Teste de Kruskal-Wallis

PImáx: pressão inspiratória máxima (cmH2O); PEmáx: pressão expiratória máxima (cmH2O); CVF: capacidade vital forçada (l/min); VEF1: volume expiratório forçado no primeiro segundo (l/s); DES: desnutridos; EUT: eutróficos; OBE: obesos; DP: desvio-padrão; 1Q: primeiro quartil; 3Q: terceiro quartil

DISCUSSÃO

As pressões respiratórias máximas apresentaram-se abaixo dos valores previstos para a idade e o sexo13. Estudos anteriores4),(18)-(21 também verificaram que a FMR apresentou-se reduzida em relação aos valores previstos em idosos, segundo a equação em função da idade e do sexo13. Com o avançar da idade, a redução da força dos músculos respiratórios assemelha-se à redução da força dos músculos esqueléticos, especialmente após a sexta década de vida20.

Vale ressaltar que, mesmo a PImáx estando diminuída, nenhum idoso apresentou sintomatologia relacionada à redução de força inspiratória. Já a PEmáx, apesar de não estar diretamente ligada às atividades ventilatórias, deve ser avaliada, já que participa intimamente das atividades não ventilatórias, como o espirro e tosse, que, quando não efetivos, podem afetar a saúde pulmonar20.

Nabil22 observou em seu estudo com 325 idosos uma relação inversa das pressões respiratórias máximas com a idade, ou seja, na medida em que a idade aumenta, as pressões respiratórias diminuem. A redução da FMR também foi observada por estudo23 em 100 indivíduos entre 40 e 89 anos de idade de ambos os sexos, concluindo que com o avançar da idade as forças musculares inspiratória e expiratória se reduzem. Simões et al. (24 salientam que a redução nos valores pressóricos são indícios de redução da FMR que ocorre nos idosos com maior faixa etária, estando diretamente relacionada ao envelhecimento. Esse fato foi confirmado pelas fortes correlações negativas entre idade e pressões respiratórias encontradas em seu estudo, com 60 idosos subdivididos em três faixas de idade: 60 a 69, 70 a 79 e 80 a 90 anos.

Essas mudanças podem ser ligadas ao envelhecimento, que, por sua vez, engloba alterações fisiológicas que revelam diminuição da massa muscular (sarcopenia) e fibras musculares, principalmente do tipo II21. Assim sendo, com a redução da massa muscular, os músculos respiratórios perdem sua eficiência em gerar força, refletindo em menores valores de pressão respiratórias máximas2),(24.

A senescência engloba modificações na estrutura postural, e as articulações passam a ficar mais rígidas, calcificando e degenerando as cartilagens e fundindo os ossos, alterando a postura do indivíduo, diminuindo a mobilidade de sua caixa torácica e consequentemente reduzindo as pressões respiratórias máximas. Ainda, o músculo diafragma tem função primordial no sistema respiratório, executando cerca de 60% da função respiratória, e seu desempenho satisfatório depende das estruturas que o envolvem. Um desequilíbrio postural influenciará na ação da gravidade sobre tal estrutura, e consequentemente ocorrerão déficits em seu desempenho, dificultando os processos de inspiração e expiração18),(22),(25.

O grau de mobilidade torácica verificada no presente estudo está abaixo dos parâmetros de normalidade para um adulto jovem saudável, que é em torno de 7 cm26. Não encontramos na literatura pesquisada os valores de referência específicos para a população idosa, somente em adultos jovens saudáveis, mas é sabido que esse valor se reduz em idosos devido às modificações da estrutura torácica26. Autores salientam que a redução da complacência torácica em indivíduos saudáveis é mais evidente a partir dos 80 anos, apesar de já estar presente desde os 5027.

A performance funcional pulmonar máxima é atingida, em média, aos 20 anos na mulher e aos 25 anos no homem. Posteriormente, inicia-se uma lenta e progressiva redução, que se mantém, todavia, em condições de proporcionar uma adequada troca de gases mesmo em idades extremas em indivíduos saudáveis. A CVF apresenta uma queda de 25% entre 20 e 70 anos de idade, e aos 70 anos seu valor é de 75% do valor aos 20 anos28.

No presente estudo, a CVF e o VEF1 apresentaram-se reduzidas nos idosos, concordando com outros estudos29),(30. A diminuição da expansibilidade torácica encontrada pode explicar, em parte, a redução da CVF, já que é o índice da capacidade de distensão do sistema toracopulmonar30, além da redução da FMR.

O estado nutricional não afetou os parâmetros respiratórios. Estudo correlacional31 verificou a relação entre gordura corporal e função pulmonar de 17 idosas de 60 a 80 anos, selecionadas por conveniência de um grupo para a terceira idade, e não encontraram associação entre as variáveis de composição corporal e IMC com as variáveis de função pulmonar. Não foram encontrados outros estudos que relacionam o IMC/estado nutricional e parâmetros respiratórios da população estudada neste trabalho. Uma hipótese é que esse resultado possa ter sido determinado pelo uso do IMC como determinante de obesidade, ao invés de utilizar outros métodos mais fidedignos. Sugere-se também que a localização da gordura poderia afetar o sistema respiratório, já que o excesso de gordura abdominal poderia comprimir o diafragma e comprometer a respiração.

Como limitação do estudo, salienta-se a ausência de um grupo-controle (composto por adultos) para fins de comparação.

CONCLUSÃO

O envelhecimento influenciou nos parâmetros respiratórios nesse grupo de estudo, independente do sexo. Evidenciou-se diminuição das pressões respiratórias máximas, da CVF, VEF1 e ET. O estado nutricional, por sua vez, não influenciou os valores de FMR, VP e ET. Ressalta-se a importância desse conhecimento aos profissionais da saúde, a fim de que, na prática clínica, as ações sejam direcionadas para prevenir e promover a saúde dos idosos.

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