Há relação entre os índices antropométricos e o decréscimo dos parâmetros seminais?

Há relação entre os índices antropométricos e o decréscimo dos parâmetros seminais?

Autores:

Juliana Christofolini,
Raphael Augusto Saab de Almeida Barros,
Milton Ghirelli Filho,
Denise Maria Christofolini,
Bianca Bianco,
Caio Parente Barbosa

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.12 no.1 São Paulo jan./mar. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/S1679-45082014AO2781

INTRODUÇÃO

A obesidade é um grave problema de saúde observado em todo o mundo.(1) Por volta de 1,6 bilhão de adultos (acima de 15 anos de idade) são classificados como portadores de sobrepeso (índice de massa corporal − IMC − entre 25 e 30kg/m2) e 400 milhões como obesos (IMC≥30kg/m2).(1) O peso dos brasileiros também vem aumentando nos últimos anos. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), aplicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde, mostraram que, no período entre 2008 e 2009, o excesso de peso já afetava metade dos brasileiros, independentemente do gênero.(2) A obesidade é um importante fator de risco à vida e está associada à alta morbimortalidade, principalmente por doenças cardiovasculares(3,4) e diabetes(5). Também está relacionada a outras doenças, como câncer(6) e doenças crônicas não transmissíveis, tais como osteoartrose,(7) doenças hepáticas e da vesícula biliar,(8) apneia do sono,(9) depressão(10) e infertilidade.(11)

As consequências da obesidade na fertilidade feminina têm sido amplamente estudadas, porém estudos na população masculina são menos frequentes.(12) Postula-se que homens obesos apresentam risco aumentado para a disfunção erétil.(13) Também é proposto que o sobrepeso e a obesidade nos homens podem levar à queda nos níveis de SHBG (sigla do inglês sex hormone-binding globulin), aumentando os níveis de estradiol e provocando alterações na secreção de gonadotrofinas.(14,15)

Uma redução significativa dos níveis de testosterona em relação aos níveis séricos de estradiol foi observada em homens com excesso de peso ou obesidade (IMC>25kg/m2) quando comparados aos níveis séricos dos homens com menor IMC.(15) Essa variação estaria associada ao acúmulo de tecido adiposo,(15,16) e a consequente variação hormonal poderia levar à oligozoospermia. Mais recentemente, também foi descrito que o sobrepeso e a obesidade estão relacionadas a menores níveis de inibina B, (17,18) um marcador de função das células de Sertoli e da espermatogênese. Além disso, alguns estudos têm pesquisado se o excesso de peso afeta a integridade do DNA dos espermatozoides,(19) sendo este um marcador independente da qualidade seminal(20) e que prediz fertilidade.(21,22)

Foi relatada também maior prevalência de oligozoospermia em homens com sobrepeso/obesidade em relação aos homens com peso adequado. Porém, não foi encontrada qualquer relação entre o aumento do IMC e a porcentagem de espermatozoides móveis.(23)

Outros autores relataram uma correlação negativa entre obesidade e vários parâmetros seminais na população no geral. No entanto, há controvérsias quanto à extensão desta relação.(23-25)

OBJETIVO

Investigar a influência do índice de massa corporal e da circunferência abdominal sobre parâmetros seminais.

MÉTODOS

Foram convidados a participar da pesquisa pacientes do gênero masculino, entre os casais com dificuldades reprodutivas que procuraram tratamento para infertilidade no Instituto Ideia Fértil de Saúde Reprodutiva do Centro de Reprodução Humana e Genética da Faculdade de Medicina do ABC, requisitados de forma consecutiva durante o período de outubro de 2011 a março de 2012. Os pacientes com varicocele, criptorquidia, hipospádia, traumas, reversão de vasectomia e alterações cromossômicas e/ou microdeleção do cromossomo Y foram excluídos do estudo.

Os dados clínicos e antropométricos somente foram coletados após a exposição dos objetivos do estudo e a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Saúde e Bem Estar da Mulher (ISBEM).

Assim, foram selecionados 118 homens para a avaliação de IMC e circunferência abdominal. A média de idade dos homens foi de 35,59±7,47 anos, enquanto as parceiras apresentaram média de 34,03±5,39 anos. O tempo médio de infertilidade dos casais foi de 3,38±3 anos.

Noventa e três indivíduos (76,85%) declararam não possuir nenhuma comorbidade e também não fazer uso de nenhum tipo de medicamento. Em relação às doenças ou malformações genitais, 105 (86,77%) declararam não apresentar nenhuma doença/malformação. Dos pacientes que relataram alguma queixa, 5 citaram doenças sexualmente transmissíveis (4,14%) e os outros 11 pacientes citaram outras doenças e malformações, como hérnias inguinais, hidrocele e fimose (9,09%).

O IMC foi calculado de acordo com a fórmula de Quetelet, dividindo o peso em quilogramas pela altura ao quadrado em metro: IMC = peso em kg/(altura em m)2.

Para verificar a influência dos parâmetros antropométricos sobre as variáveis da análise seminal, os participantes foram separados de acordo com seu status nutricional por meio do IMC, criando, assim, um grupo controle (18<IMC≤25) e um grupo de estudo (IMC>25).

Levando em consideração que o IMC pode ter um viés em relação aos pacientes que apresentem alta porcentagem de massa magra, que podem ser classificados com IMC>25, foi utilizada também a medida da circunferência abdominal como critério de separação dos participantes em uma segunda análise. Assim, foram obtidos também dois grupos, sendo um controle (circunferência abdominal <94cm) e um de estudo (circunferência abdominal ≥94cm). A circunferência abdominal foi aferida com fita métrica inelástica na altura da cicatriz umbilical com os voluntários em posição ortostática.

Para esses grupos, o espermograma foi realizado e avaliado em data oportuna e de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2010. Os valores de corte para a normalidade espermática adotados para as variáveis foram: volume (V) >1,5mL; concentração total (CT) >39 milhões; concentração inicial (CI) >15 milhões; progressivos (PR) >32% ou progressivos + formas não progressivas (NP)=40%.

A análise dos dados obtidos foi realizada pelo programa estatístico Statistical Package for Social Sciences (SPSS), versão 16.0. Foi utilizado o teste t de Student para comparação entre as variáveis quantitativas e o teste χ2 e o teste não paramétrico Kruskal-Wallis para as variáveis qualitativas com valor de significância estatística estabelecido em 5% ou p<0,05.

RESULTADOS

A distribuição do número de pacientes de acordo com IMC foi demonstrada na tabela 1. A média de peso dos pacientes foi de 87,0±19,29kg, enquanto a média de altura foi de 1,75±0,074m.

Tabela 1 . Distribuição do número de pacientes de acordo com índice de massa corporal 

IMC Número de pacientes (%)
&lt;25 31 (26,2)
25≤IMC&lt;30 56 (47,7)
30≤IMC&lt;35 21 (17,7)
35≤IMC&lt;40 5 (4,2)
≥40 5 (4,2)

Total 118 (100)

A circunferência do abdômen teve média de 96,42 e desvio padrão de ±13,99cm. A distribuição do número de pacientes, de acordo com classes de circunferência abdominal, está demonstrada na tabela 2.

Tabela 2 . Distribuição do número de pacientes de acordo com circunferência abdominal 

CA (cm) Número de pacientes (%)
&lt;94 54 (45,7)
≥94 e &lt;102 30 (25,4)
≤102 34 (28,8)

Total 118 (100)

Na análise seminal, foram observadas as variáveis: V, CT, CI e concentração final (CF), bem como as formas móveis e imóveis dos espermatozoides.

As comparações dos resultados da análise seminal entre os grupos de IMC e circunferência abdominal estão na tabela 3. A análise qualitativa entre os grupos não apresentou diferença estatística nos resultados encontrados, sendo que os valores de p para as relações V x IMC, e V em relação à circunferência abdominal foram 0,462 e 0,548, respectivamente. Para CT de espermatozoides em relação ao IMC, CT x circunferência abdominal, os valores de p foram de 0,932 e 0,378. Em relação à CI e o IMC, a CI e a circunferência abdominal foram 0,297 e 0,833, respectivamente. Os valores de p encontrados para PR em relação ao IMC, PR e a circunferência abdominal foram 0,875 e 0,169, respectivamente.

Tabela 3 . Comparação de valores seminais de pacientes que ficaram abaixo dos valores de referência de acordo com o índice de massa corporal e os valores de circunferência abdominal 

Variáveis Pacientes com IMC &gt;25 Pacientes com IMC ≤25 Valor de p Pacientes com CA&gt;94 Pacientes com CA&lt;94 Valor de p
Volume &lt;1,5mL 14,94% (n 13) 9,68% (n 3) 0,462 12,50% (n 8) 16,36% (n 9) 0,548
CT &lt;39 milhões 21,84% (n 19) 22,58% (n 7) 0,932 18,75% (n 12) 25,45% (n 14) 0,378
CI &lt;15 milhões 25,29% (n 22) 16,13% (5) 0,297 23,44 % (n 15) 21,82% (12) 0,833
PR inicial &lt;32% 14,94% (n 13) 16,13% (n 5) 0,875 10,94% (n 17) 20,00% (11) 0,169

DISCUSSÃO

A obesidade masculina tem sido alvo de grande discussão quanto ao seu impacto na fertilidade, com grande controvérsia na literatura.

No presente trabalho não foram encontradas diferenças estatísticas nos dados analisados, entre os grupos de IMC ou de circunferência abdominal, que permitissem relacionar a queda na qualidade seminal de homens com excesso de peso e/ou obesidade. Nossos resultados são similares aos de outros estudos maiores, como o de Chavarro et al.,(26) que estudaram 483 homens, membros de casais inférteis, e também não encontraram diferenças significantes entre homens obesos e eutróficos, no que diz respeito à concentração de espermatozoides e sua motilidade, apesar de encontrar um maior V de ejaculado em homens não obesos. Similarmente, Jessen et al.,(18) em seu estudo com 1.558 homens dinamarqueses, também não encontraram diferenças significativas entre o número total de espermatozoides móveis e o V do ejaculado, mostrando, porém, uma redução da concentração e na contagem total de espermatozoides no grupo de homens de menor IMC (<20kg/m2). Em contrapartida, outros estudos têm mostrado que a obesidade leva a alterações em quase todos os parâmetros seminais, tais como concentração, V do ejaculado, formas móveis e progressivas de espermatozoides.(27,28)

No presente estudo também não foi encontrada diferença significativa quando analisados a circunferência abdominal e os parâmetros seminais, contrastando com os achados de Fejes et al., (29) que encontraram em seu estudo uma associação entre aumento da adiposidade e a queda na motilidade dos espermatozoides. Porém, não podemos desconsiderar que o tamanho de nossa amostra tenha influenciado nossos resultados. Corroborando nossos achados, Strain et al.(30) não encontraram alterações no V do ejaculado e na motilidade dos espermatozoides, verificando também que não se alteraram a contagem total de espermatozoides e a libido com o aumento da obesidade, sugerindo que esse quadro de hipogonadismo hipogonadotrófico seja leve.

Embora nossos dados suportem a afirmação de que a obesidade não leva a alterações consideráveis nos parâmetros seminais, parece haver alterações na fecundidade de homens obesos. Em nosso estudo, 87% dos participantes apresentavam sobrepeso ou obesidade, enquanto em outro estudo,(26) também realizado em uma clínica para tratamento de infertilidade, 75% dos homens apresentaram-se acima do peso ideal. Ao contrário dos achados ainda inconsistentes a respeito da influência do IMC sobre os parâmetros seminais, existe uma relação do excesso de peso com parâmetros hormonais.(24,26,31-34) Somando estes achados às alterações hormonais, que evidenciam disfunção dos túbulos seminíferos e hipogonadismo hipogonadotrófico, podemos suportar a hipótese de que a obesidade é um fator de risco para a queda da fecundidade e que, junto de outros fatores de risco leves, como diminuição da libido e/ou alterações no desempenho sexual, poderá levar a infertilidade.(24)

CONCLUSÃO

O presente estudo não encontrou diferença estatística entre o índice de massa corporal e circunferência abdominal e a queda na qualidade seminal de homens com excesso de peso e/ou obesidade.

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