Hormônios, sexualidade e envelhecimento masculino: um estudo de imagens em websites

Hormônios, sexualidade e envelhecimento masculino: um estudo de imagens em websites

Autores:

Cristiane da Costa Thiago,
Jane Araujo Russo,
Kenneth Rochel de Camargo Júnior

ARTIGO ORIGINAL

Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versão impressa ISSN 1414-3283versão On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.20 no.56 Botucatu jan./mar. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622014.0031

RESUMEN

El enfoque de este trabajo es la construcción de la declinación hormonal masculina relacionada al envejecimiento como parte de un proceso más general de medicalización de la sexualidad y el envejecimiento masculinos. Con la finalidad de alcanzar ese objetivo, se investigaron 14 páginas web de laboratorios farmacéuticos que comercializan drogas para la salud sexual masculina y siete páginas web de asociaciones médico-científicas enfocadas en la salud sexual masculina. Utilizamos las imágenes encontradas en esas páginas como material de análisis. A partir de lo analizado, discutimos la existencia de una alianza entre las asociaciones médico-científicas y la industria farmacéutica que tiende a presentar el envejecimiento masculino como un problema médico, promoviendo la terapia de reposición hormonal (TRH) con testosterona como tratamiento. Tal terapia también se presenta como un medio para recuperar la felicidad, la productividad, la ‘calidad de vida’ y el bienestar.

Palabras-clave: Medicalización; Disfunción sexual fisiológica; Salud sexual; Salud del hombre; Hormonas

Introdução

O objetivo geral do presente estudo consiste em caracterizar o modo como é definido e tratado o declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento, em websites de laboratórios farmacêuticos e associações médico-científicas, analisando o processo de medicalização da sexualidade e envelhecimento masculinos. Para isso, utilizamos, como material de análise, imagens encontradas nesses websites.

O conceito de medicalização apresentado por Conrad1 descreve um processo complexo, a partir do qual problemas não médicos passam a ser definidos e tratados como problemas médicos, geralmente, em termos de distúrbios e desordens. Segundo o autor, tal processo, que contaria com a participação de vários agentes – como a indústria farmacêutica e de equipamentos médicos, a classe médica, a mídia e o público leigo –, seria caracterizado por relações de consumo ‘transformando’ percepções e ideias sobre saúde/doença.

Neste contexto, observamos, atualmente, que o declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento tem ocupado espaço significativo no discurso médico-científico. Em tal discurso, esse declínio é apresentado como problema médico, com sintomas característicos e que necessita de um tratamento específico (reposição hormonal com testosterona).

Na literatura médica, o declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento é caracterizado pela baixa dos níveis do hormônio testosterona, no sangue, em homens, a partir da meia-idade (em torno dos quarenta anos), acompanhado por sintomas característicos como: fadiga, depressão, perda da libido, disfunção erétil, diminuição do tecido muscular, entre outros2.

A escolha da expressão, derivada da biomedicina, ‘declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento’ na construção deste trabalho, ocorreu porque a consideramos, dentre outras existentes, a mais descritiva e neutra possível para o objetivo proposto. Sabemos, entretanto, que seu uso é problemático porque longe de ser apenas a descrição de um estado, já estaria apontando para uma definição médica (por se referir a ‘declínio hormonal’), e bem possivelmente, usando a definição de Conrad1, estaríamos diante da ‘tradução médica’ de um problema não médico, ou seja, de um processo de medicalização. De forma ainda tentativa, podemos pressupor que se trata, aqui, da medicalização da própria velhice masculina, ou, melhor dizendo, do declínio físico e mental que fatalmente acompanha o processo de envelhecimento.

Utilizamos a internet como campo de pesquisa porque, de modo similar à Vargas3, consideramos esse veículo de comunicação um importante dispositivo de produção e divulgação de ideias, conceitos e informações na área de saúde, um recurso a serviço da divulgação científica, da promoção da saúde e de suas implicações para a existência individual e coletiva.

Além disso, determinadas características da internet – a rapidez na transmissão das informações e a variedade de formas pelas quais as mensagens podem ser transmitidas (textos, imagens, vídeos) e facilmente selecionadas e percorridas pelo mouse – certamente, contribuem para seu significativo poder mercadológico, tanto em relação à venda de produtos e serviços quanto à promoção e divulgação de informações.

Nossa intenção é contribuir para que o tema declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento, inserido no debate atual sobre assuntos referentes à saúde masculina, possa ser tratado de maneira crítica, em que a perspectiva da medicalização seja considerada nos processos de desenvolvimento de novas categorias nosológicas ou de novas abordagens das já existentes.

Tais processos seriam marcados pelo incentivo ao consumo de medicamentos e de outras tecnologias de saúde, além de contar com a participação da indústria farmacêutica, profissionais de saúde, mídia, entre outros, como atores que constroem e alimentam esses processos, colaborando com o contexto em que cada vez mais definições médico-patológicas têm sido relacionadas a questões e problemas até então não médicos.

Medicalização, hormônios e envelhecimento masculino: uma breve reflexão

Conrad1, ao descrever o processo de medicalização, chama atenção para o aumento crescente, nos últimos anos, do número de problemas definidos como médicos, antes não abordados nessa esfera. Processos naturais da vida (nascimento, envelhecimento, morte), aspectos fisiológicos (menstruação, sono, fome), características e experiências do ser humano (humor, emoções) e comportamentos antes considerados desviantes são, atualmente, medicalizados.

Podemos perceber que nos discursos médicos, referentes ao declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento, são abordados assuntos gerais que envolvem a saúde masculina, ou seja, tal declínio é relacionado diretamente a questões como: bem-estar, qualidade de vida, autocuidado, busca de auxílio médico e informações sobre saúde por parte dos homens, entre outras.

Parecem surgir, então, novas representações acerca da saúde masculina. Assim, temas como sexualidade e envelhecimento masculinos passam a ser abordados sob novas perspectivas, produzindo normas e ideais que impulsionam a construção de necessidades e formas de consumo. Os veículos de comunicação de massa, como televisão, jornais e internet, funcionam como agentes divulgadores dessas novas representações.

Rohden4 aponta mudanças nas concepções envolvendo o envelhecimento e a sexualidade na atualidade, em que, na relação entre envelhecimento e sexualidade, destaca-se a promoção de comportamentos centrados na valorização do corpo jovem, saudável e sexualmente ativo.

A autora argumenta que tais concepções estariam em contraste com as que admitiam que, com o decorrer dos anos, e as consequentes alterações corporais, tenderia a ocorrer uma suposta diminuição do interesse e atividade sexual. Agora, o que se busca é, supostamente, prolongar a juventude ao máximo e desenvolver a melhor performance sexual possível por meio de hábitos disciplinares e/ou consumo de tecnologias disponíveis4.

No caso da terapia de reposição hormonal masculina, relacionada ao envelhecimento, que vem ocupando papel de destaque tanto nos veículos de comunicação de massa quanto nas publicações científicas, a testosterona é apresentada como ‘o hormônio masculino’, relacionado não só ao prolongamento da juventude e ao bom desempenho sexual (também visto como um tipo de ‘fonte da juventude’ e condição para uma vida saudável), mas, também, como responsável pela recuperação da produtividade, da ‘qualidade’ de vida, do bem-estar e da felicidade ‘perdidos’ pelo homem.

Assim, a terapia de reposição hormonal com testosterona é promovida, muitas vezes, como parte da ‘manutenção’ regular do corpo masculino1 e como um meio para ‘ter’ ou ‘recuperar’ uma vida saudável, produtiva e feliz.

Diferentes categorias/terminologias diagnósticas são empregadas, no meio médico, para caracterizar o declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento como uma perturbação, um distúrbio ou uma deficiência, isto é, algo a ser reparado: andropausa, climatério masculino, menopausa masculina, LOH (late-onset hypogonadism) ou hipogonadismo masculino tardio, ADAM ou DAEM (androgen deficiency of aging male ou deficiência androgênica do envelhecimento masculino), PADAM (partial androgen deficiency of aging male) e, mais recentemente, TDS ou SDT (testosterone deficiency syndrome ou síndrome da deficiência de testosterona)5.

Notamos que, apesar de as diferentes terminologias diagnósticas existentes apresentarem vários pontos em comum, como a similaridade na descrição da maioria dos sintomas referentes a tal baixa hormonal, há diferenças no processo de construção da categoria declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento2,4-13. Desta forma, acreditamos não ser adequado considerá-las sinônimos, ou seja, que elas se diferenciem apenas por suas nomenclaturas.

A utilização de siglas (ADAM ou DAEM, PADAM, SDT ou TDS) tem substituído os termos mais antigos: menopausa masculina, climatério masculino, andropausa. Tal utilização parece fazer parte de um movimento que visa afastar a conotação negativa daqueles, além de ampliar o espectro de diagnóstico, com consequente expansão do mercado consumidor, em um processo análogo ao da substituição da terminologia ‘impotência sexual’ pela terminologia ‘disfunção erétil’14,15.

Desse ponto de vista, é importante atentar que um termo como ‘andropausa’ está mais distanciado das ideias de ‘deficiência’ ou ‘desordem’, podendo remeter para um processo considerado ‘natural’, como a sua contrapartida feminina menopausa, sendo, nesse sentido, menos ‘medicalizável’ do que as siglas ADAM ou DAEM, PADAM, SDT ou TDSd.

Diversos autores, como Angel16,17; Healy18; Fishman19; Oldani20,21, têm apontado o modo como, cada vez mais, as categorias diagnósticas e os medicamentos são produzidos, promovidos e divulgados simultaneamente. Nesse sentido, Applbaum22 sugere que as técnicas de marketing utilizadas pela indústria farmacêutica, a fim de promover medicamentos, colaboraram para a ‘formação’ de um tipo de consumidor: o ‘medical consumer’. Tais técnicas incluiriam a chamada ‘disease mongering’, ou seja, a ‘mercantilização’ de doenças, com a ‘criação’ de novas doenças ou redefinição de condições já existentes23, de maneira que o consumo de alguma medicação seja promovido.

Assim, quando uma medicação trata uma doença específica, ‘descoberta’ pela ciência, esse tratamento passa a ser considerado o único tratamento eficaz para tal doença. Isso impulsiona a comercialização de produtos farmacêuticos, já que os medicamentos são promovidos por meio de afirmações científicas sobre sua eficácia e benefício médico, supostamente, ‘revelados’ por pesquisas clínicas ‘objetivas’19.

A indústria farmacêutica, além de vender seus produtos, ‘vende’ informações sobre eles, de uma maneira cada vez mais significativa e crescente24 Os mais variados meios são utilizados, pela indústria, a fim de atingir tais objetivos, tanto em relação à esfera médica quanto à população leiga. Os meios de comunicação de massa, como televisão, jornais, revistas e internet, são veículos utilizados visando atrair o máximo de compradores para seus produtos.

Nesse sentido, Barros24 chama atenção para a crescente utilização da internet como veículo disseminador de propagandas para os consumidores, onde elas, muitas vezes, são apresentadas como instrumentos educativos ou de informação para a ‘promoção’ da saúde.

Podemos observar, também, a utilização da internet pela indústria farmacêutica como meio de fornecer informações para a classe médica e outros profissionais da saúde. Isso ocorre, por exemplo, em websites de associações médico-científicas e websites de laboratórios farmacêuticos, onde existem áreas de acesso restritas a esses profissionais. Em tais áreas, há informações sobre saúde/doença e medicamentos, oriundas dos laboratórios farmacêuticos.

É nesta perspectiva que o presente estudo pretende analisar imagens, encontradas em websites de laboratórios farmacêuticos e associações médico-científicas, que estejam conectadas a questões referentes à categoria ‘declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento’.

Metodologia

Buscamos analisar as imagens encontradas nos websites pesquisados por meio da formulação de um roteiro de imagens. Nosso intuito foi estabelecer relações entre ideias e elementos vinculados às imagens analisadas e o processo de medicalização presente na definição, promoção e divulgação do declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento, dentro do contexto da medicalização da sexualidade e do envelhecimento masculinos.

O procedimento metodológico desenvolveu-se em três etapas. Na primeira, foi feito um levantamento dos websites a serem analisados. Na segunda, realizou-se a coleta dos dados encontrados nos websites selecionados para análise. Na terceira, as imagens encontradas nos websites foram submetidas a um procedimento de análise de conteúdo para identificação dos principais núcleos temáticos referentes ao declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento, associando-os ao processo de medicalização da sexualidade e envelhecimento masculinos, no contexto de promoção e divulgação de categorias/terminologias diagnósticas ligadas a tal declínio.

Foram considerados, para análise, os websites de laboratórios farmacêuticos que comercializam medicamentos para a saúde sexual masculina. Delimitamos a busca referente à saúde sexual masculina em dois ‘problemas de saúde’ e seus tratamentos mais utilizados no meio médico:

- Disfunção erétil: medicamentos inibidores da fosfodiesterase V (PDE5), como o Viagra® (sildenafila);

- Declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento (andropausa, climatério masculino, menopausa masculina, hipogonadismo masculino tardio ou de início tardio, ADAM ou DAEM, PADAM, TDS ou SDT): medicamentos à base de testosterona, nas suas diversas formas farmacêuticas de apresentação, como o Nebido® (injeção intramuscular de testosterona).

Consideramos relevante pesquisar os websites de laboratórios que comercializam medicamentos para disfunção erétil, pois tal ‘problema de saúde’, referente à esfera sexual masculina, é um dos sintomas do declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento mais enfatizados nos discursos médico-científicos, atualmente.

Para a busca dos websitescom as características acima citadas, utilizamos conhecimento prévio de alguns, que foram analisados durante o período de julho a outubro de 2011, além de uma pesquisa no website Google (http://www.google.com.br), no período de setembro a outubro de 2011, utilizando os seguintes termos-chave:

  • Inibidores da fosfodiesterase 5/Phosphodiesterase-5 inhibitors

  • Testosterona injetável/Testosterone injectable

  • Testosterona comprimido/Testosterone pill

  • Testosterona gel/Testosterone gel

  • Testosterona implante/Testosterone pellet

  • Testosterona adesivo/Testosterone patch

A partir do nome dos medicamentos de referênciae encontrados, buscamos os nomes dos laboratórios que os comercializam, por meio do Google. Encontramos 14 websites de laboratórios em inglês, português e espanhol. Os quatro websites em língua inglesa encontrados foram dos laboratórios: Auxilium, Prostrakam, Watson Pharmaceuticals e Endo Pharmaceuticals. Na língua espanhola, foi o da empresa farmacêutica Laboratórios Beta S.A. Os nove websites em língua portuguesa foram dos laboratórios: Eli Lilly, Bayer Shering Pharma, Grupo EMS, Pfizer, Cristália, Medley, Eurofarma, Abott e Pierre Fabre Laboratórios. Para a análise dos websites de associações médico-científicas, foram utilizadas referências de associações médico-científicas encontradas em pesquisas anteriores25. O website de pesquisa Google foi utilizado como ferramenta de auxílio para a busca dos websites referentes a tais associações. A pesquisa foi realizada durante o período de julho a setembro de 2011.

Foram pesquisados os websites das seguintes associações médico-científicas:

  • SBU (Sociedade Brasileira de Urologia)

  • SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia)

  • ABEIS (Associação Brasileira para o Estudo de Inadequação Sexual)

  • ISSM (International Society for Sexual Medicine)

  • SLAMS (Sociedade Latinoamericana de Medicina Sexual)

  • WAS (World Association for Sexual Medicine)

  • SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana)

A coleta de dados foi feita por meio da busca de material relacionado ao tema pesquisado, nas seguintes seções dos websites de laboratórios farmacêuticos e associações médico-científicas:

  • Saúde masculina

  • Saúde do homem

  • Saúde sexual

  • Saúde sexual masculina

  • Urologia/Saúde urológica

  • Endocrinologia

  • Andrologia

Resultados e discussão

Dos 14 websites de laboratórios encontradosf, dois apresentaram imagens relacionadas ao tema pesquisado (declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento): Bayer Shering Pharma e Auxilium. Dentre as quatro imagens encontradas no website do laboratório farmacêutico Bayer Shering Pharma, resolvemos descartar uma, devido ao seu pequeno tamanho. O mesmo ocorreu em relação à única imagem encontrada no website do laboratório farmacêutico Auxilium. Assim, dentre as cinco imagens encontradas nos websites de laboratórios farmacêuticos, três foram separadas para análise, todas pertencentes ao website da Bayer Shering Pharma.

Dos sete websites de associações médico-científicas analisados, dois apresentaram imagens relacionadas ao tema pesquisado: os websites da SBU e da ISSM. No website da SBU, foram encontradas quatro imagens. Dentre elas, resolvemos separar uma para análise, pois se tratava de uma imagem bastante significativa e ilustrativa para o estudo. Além disso, tinha uma dimensão maior em relação às outras três, que eram bastante pequenas. O website da ISSM continha apenas uma imagem relacionada ao tema de pesquisa, mas, por conta de seu pequeno tamanho, resolvemos descartá-la. Portanto, dentre as cinco imagens encontradas nos websites de associações médico-científicas, foi separada uma para análise, pertencente ao site da SBU. Ao analisarmos as imagens encontradas, observamos características comuns existentes entre elas:

  • Presença apenas de pessoas brancas (homens com cabelos grisalhos e mulheres com cabelos castanho claro na maioria das imagens);

  • Todo casal apresentado é constituído por homem e mulher;

  • As pessoas aparentam ser de classe média alta → pessoas vestidas com roupas de boa qualidade, sóbrias e elegantes (o que sugere certa respeitabilidade);

  • Faixa etária predominante: cinquenta a sessenta anos (há apenas duas imagens que apresentam casais mais jovens, entre 35 e 45 anos);

  • Aparência de ‘saúde’, ‘beleza’ e ‘felicidade’ → pessoas em boa forma física (todos magros, tonificados), a maioria sorrindo (com dentes impecáveis), pele bem tratada (há apenas um homem barbado, porém, sua barba é rala), e, em alguns casos, também bronzeada. Não há nenhum homem calvo.

A fim de analisar o modo pelo qual as imagens se articulam ao consumo de certa identidade, utilizamos o trabalho de França26.

A autora aborda o consumo de uma perspectiva cultural, discutindo as relações existentes entre consumo e ‘construção de identidades’ na esfera de mercado direcionada aos homossexuais. Segundo afirma, o processo de ‘construção identitária’, no contexto do movimento LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) de São Paulo, vincula-se à expansão de um mercado específico para tal público, o que ocorre, paralelamente, à afirmação identitária promovida pelos movimentos sociais.

Seu trabalho é apoiado na disciplina ‘antropologia do consumo’, que tem como um de seus principais pontos: “[...] mostrar em que medida os objetos constituem-se peças-chave para a construção de identidade social, e isso ocorre em todas as épocas e sociedades. Eles demarcam fronteiras, gostos, classes, faixa etária, estilos de vida”27 (p. 7).

Tais objetos assumem valor e significado diversos, dependendo do contexto sociocultural em que estão inseridos. Essa visão afasta o enfoque que considera as identidades como ‘essenciais’ e ‘estáveis’.

Fazendo um paralelo com o trabalho de França26, podemos observar que as imagens encontradas nos websites possuem certo padrão de apresentação, parecendo se dirigir a um público específico (classe média alta, branca, heterossexual, entre cinquenta e sessenta anos).

Assim, ideias e concepções sobre saúde/doença, atreladas ao consumo de bens e serviços de saúde, transmitidas em tais imagens, estariam demarcando classe, faixa etária, orientação sexual e raça para as quais seriam dirigidas. Isso parece fazer parte do processo de construção de um mercado segmentado, que ‘incluiria’ e ‘excluiria’ pessoas a partir de diferenças sociais/raciais e comportamentais, impulsionando a demarcação de um público consumidor, caracterizado pelo valor que determinados hábitos e conceitos relacionados à saúde assumiriam nesse grupo.

No entanto, é preciso considerar que essa é uma via de mão dupla, ou seja, as mensagens transmitidas estariam, de certa forma, indo ao encontro de desejos, ideias, percepções e ‘necessidades’ que ‘transitam’ no imaginário desse grupo, ao mesmo tempo em que contribuem para configurar e reformular tal imaginário. De qualquer modo, as imagens parecem vender, em níveis diferentes, três commodities, a saber: uma deficiência ou transtorno ligado seja à sexualidade masculina, seja ao processo de envelhecimento; um medicamento capaz de tratar a deficiência ou o transtorno; um modo de ser saudável e feliz (o que se sobrepõe por meio da noção de ‘bem-estar’) que envolve certa constituição corporal e estética e, também, certo nível de consumo (explicitado nas roupas, no corte de cabelo, no tom da pele).

A ‘venda’ do ideal corporal/estético/de classe é inseparável da venda do ‘transtorno’ e seu ‘remédio’. Ou seja, o homem que vê esse anúncio é levado a associar a posse de um ‘transtorno’ à distância do ideal. E vice-versa: ficar bom do possível ‘transtorno’, tomando o medicamento sugerido, significa ficar também próximo do ideal (ou seja, ficar também magro, com os músculos torneados, com o cabelo bem cortado, vestindo roupas sóbrias e elegantes, com um sorriso impecável, pele branca, mas bronzeada no tom certo e, sobretudo, com uma bela mulher nos braços).

Vale ressaltar que, apesar das imagens estarem inseridas em um contexto onde questões sobre a saúde masculina são abordadas, dentre elas o declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento, a figura feminina está, muitas vezes, presente. Isso sugere a promoção de certo ‘companheirismo’ entre o homem e a mulher no que se refere a questões de saúde. Além disso, pode refletir a ideia de que o homem, por si só, não cuida de sua saúde, necessitando do apoio e incentivo de uma mulher para isso; e de que, ao se tratar, ao cuidar de sua saúde, o homem estaria ‘satisfazendo’ sua parceira.

A Figura 1, que mostra um casal correndo na praia, com a mulher posicionada na frente do homem, pode ser considerada uma ilustração de tal ideia.

Figura 1 

Na mensagem textual que acompanha a imagem, podemos notar a ênfase na área do relacionamento conjugal, devido ao uso repetido da palavra ‘relacionamento’. A expressão ‘qualidade de vida’, juntamente com a imagem de uma corrida na praia, remete a questões sobre saúde e bem-estar. É importante destacar o uso das palavras função e disfunção, relacionadas, aqui, à disfunção erétil (ao clicarmos na imagem, apareceu um texto referente a esse assunto), considerada, no meio médico, um dos principais sintomas do declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento.

Penn28 argumenta que o sentido de uma imagem visual pode ser ancorado pela mensagem textual que a acompanha, na medida em que tal texto auxilia na ‘extração’ e ‘nomeação’ de significados contidos nas imagens. Assim, como na imagem acima, por exemplo, as palavras/expressões contidas na mensagem textual que a acompanha acabam enriquecendo as possibilidades de interpretação de significados encontrados.

Em relação à presença feminina nas imagens, devemos notar, também, que as questões enfatizadas nessas áreas dos websites (saúde masculina, saúde do homem, saúde sexual masculina, entre outras) – como o declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento, a disfunção erétil, os problemas da próstata e a ejaculação precoce –, são da esfera sexual, e, portanto, envolvem a parceria sexual feminina, já que o público a ser alcançado, nesse caso, é o heterossexual. Assim, é apresentada a ideia, subliminarmente, de que ser homem é ser heterossexual.

As pessoas aparecem sempre sorrindo, o que parece promover a ideia de que o tratamento médico é capaz de ‘devolver’ a felicidade e o bem-estar, não só ao homem, mas à sua companheira também. A Figura 2 é bem ilustrativa, pois mostra dois momentos na vida de um homem: antes e depois da procura por tratamento médico. Nela podemos observar que, antes de procurar ajuda médica, ele está cabisbaixo e sozinho. Depois, aparece feliz, com sua companheira.

Figura 2 

A felicidade das pessoas, tanto dos homens quanto dos casais, e as atividades ao ar livre, mostradas nas imagens, podem ter como objetivo estimular a busca de uma ‘melhor qualidade de vida’ por parte dos homens, que irá proporcionar-lhes ‘mais alegria’, ‘mais felicidade’, levando-os à procura dos meios propostos para atingir tais objetivos, dentre eles: o tratamento de reposição hormonal com testosterona para o declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento.

A Figura 3, por exemplo, mostra um homem maduro, ao ar livre e feliz, aparentemente fazendo algum exercício físico, ao mesmo tempo em que chama atenção para a questão hormonal, com a pergunta ‘Menopausa masculina existe?’.

Figura 3 

Goffman29 discute, de maneira ilustrativa, como os homens e as mulheres são retratados nos anúncios publicitários, onde suas relações sociais estariam representadas. O autor apresenta a ideia de ‘ritual’, referindo-se a comportamentos, ações ou gestos atribuídos tanto aos homens quanto às mulheres, que podem ser observados nesses anúncios.

Tais condutas ‘ritualizadas’ expressariam o que é considerado adequado para cada gênero, no contexto social. Assim, quando uma determinada conduta não se enquadra nos padrões estabelecidos, pode, por exemplo, colocar dúvida sobre a masculinidade dos homens ou a feminilidade das mulheres. Esses ‘rituais de interação’ seriam maneiras codificadas de comportamento, onde as condutas não portariam sentido em si mesmas, mas nos códigos culturais que nelas imprimem significado29.

O autor utiliza a noção de ‘displays de gênero’, que funcionariam como ‘marcadores rituais’, ‘marcas’ de pertencimento a grupos de gênero, ‘ensinados’ e ‘assumidos’ tacitamente, exercendo o papel de ‘controladores sociais de perfomance’29.

Nas imagens publicitárias, ações e comportamentos expressos seriam ‘hiper-ritualizados’, ou seja, ensaiados, produzidos, repetidos até que exprimam com a máxima eficiência, o objetivo publicitário29. Assim, como diz Penn28 (p. 325): “[...] os signos da publicidade são intencionais e serão, por isso, claramente definidos, ou ‘compreendidos’. Sabemos também que a intenção será promover a fama e as vendas do produto”.

Isso nos leva a pensar que tanto os homens quanto as mulheres, em tais anúncios, são retratados de uma maneira idealizada, estereotipada. Além disso, práticas, ideias e conceitos existentes em relação às diferenças entre homens e mulheres, expressas no contexto social, são, muitas vezes, reforçadas, mantidas ou reformuladas por intermédio desse meio de propaganda.

Podemos notar, nas imagens analisadas, algumas dimensões levantadas por Goffman29, no que diz respeito à maneira pela qual os homens e as mulheres são apresentados em anúncios publicitários:

- Tamanho relativo → tendência de os homens serem mais altos ou aparecerem numa posição espacial mais elevada do que as mulheres;

- Toque feminino → tendência de as mulheres, mais do que os homens, aparecerem tocando objetos (traçando delicadamente seus contornos ou superfícies) ou elas mesmas.

É interessante observar que, na imagem mostrando dois momentos na vida de um homem, também já comentada, aparece a mão de uma mulher tocando a mão de um homem. Nesta imagem, o homem também está tocando o rosto da mulher, mas há uma diferença evidente entre os dois modos de tocar. No caso do toque masculino ele parece, nitidamente, segurar o rosto de sua companheira, isto é, ele parece ter tomado a iniciativa da aproximação. Ou seja, comparando as duas maneiras de tocar das mãos, da mulher e do homem, este último parece estar realizando uma ação, enquanto o toque feminino parece mais reativo.

. Ritualização de subordinação → tendência de as mulheres serem apresentadas em ‘poses’ de subordinação em relação aos homens (estarem deitadas ou sentadas enquanto os homens estão em pé, por exemplo). Essa dimensão também abarca a apresentação das mulheres numa condição infantilizada (com gestos e posições infantis) em relação aos homens. A Figura 4 pode ser considerada uma ilustração dessa tendência.

Figura 4 

Nesta imagem, podemos observar que aparece um dos pés de uma mulher levantado para cima, uma posição bastante descontraída e comum entre as crianças. Além disso, a mulher aparece sorrindo, enquanto o homem, além de estar de perfil, parece apenas esboçar um sorriso, o que pode sugerir uma maior seriedade em relação à sua companheira.

- Função de classificação → tendência de as mulheres aparecerem em posições de apoio numa atividade cooperativa.

Ao voltarmos à imagem que mostra um casal correndo na praia (Figura 1), podemos observar um homem e uma mulher representados de uma maneira diferente dessa tendência. Ao invés de aparecer em uma posição de apoio, a mulher ocupa a dianteira, assumindo o comando da corrida. Além disso, podemos pensar, analisando tal imagem, no fato de o homem estar ‘perseguindo’ a mulher, no sentido de querê-la, ao correr atrás dela.

Considerações finais

Neste estudo, apontamos a existência de uma copromoção de doenças e medicamentos, ou seja, ao mesmo tempo em que é divulgada e promovida uma doença, tanto no meio médico-científico quanto no meio leigo, há a promoção de um tratamento farmacológico para resolver tal ‘problema médico’.

Podemos notar que, cada vez mais, temas como felicidade, bem-estar e qualidade de vida estão atrelados a mensagens que visam ‘vender’ uma determinada doença e/ou tratamento para sua cura. Então, trata-se não apenas da ‘mercantilização’ de doenças, mas, também, da ‘mercantilização’ da própria saúde.

A ‘mercantilização’ da saúde pode ser compreendida a partir da perspectiva de se considerar a saúde como um projeto de vida30, em que as pessoas seriam, então, cada vez mais cobradas, ou seja, elas devem estar sempre saudáveis e também tomar todas as precauções com a finalidade de evitar uma possível doença31. Aliada à ideia de saúde como projeto, estaria a concepção de que os meios para realizá-lo envolveriam o consumo de tecnologias de saúde, como os medicamentos, por exemplo.

Nas imagens analisadas, além da idéia de saúde e felicidade nelas expressadas (pessoas sorrindo, ao ar livre, fazendo exercícios físicos), podemos perceber, também, a questão da responsabilidade do homem de procurar ajuda para alcançar não só a cura do problema de saúde, mas, ainda, de resgatar essa felicidade perdida.

Vale ressaltar que essa responsabilidade do homem pode ser estendida, de certa forma, à felicidade e ao bem-estar de sua companheira, ou seja, fica subentendido que, caso o homem seja negligente com sua saúde, não é só a sua felicidade e bem-estar que estarão comprometidos, os de sua parceira também. A presença de casais e mensagens textuais onde a própria palavra relacionamento é enfocada pode ser considerada exemplo desta ideia.

Notamos, então, que a mercantilização da saúde está relacionada à mercantilização de doenças, a partir do momento em que a ampliação de problemas e riscos de saúde estimula, cada vez mais, a busca por tratamentos ou meios preventivos por meio do consumo de tecnologias de saúde.

No caso específico do declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento, há uma questão importante a ser ressaltada. Rohden32 discute o papel dos hormônios na atualidade, que, segundo ela, está diretamente ligado à definição de características e comportamentos individuais, sobretudo os referentes à esfera da diferenciação sexual e da sexualidade. Além disso, há uma crescente importância em relação aos hormônios no que diz respeito ao bem-estar e à qualidade de vida das pessoas.

A testosterona, por exemplo, é caracterizada como ‘o hormônio do homem’, tanto nos discursos médicos quanto nos leigos, apesar de já ser sabido que ela também é encontrada no corpo feminino. Apresentada como tratamento eficaz para a ‘doença’ (o ‘problema’ de saúde declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento), por meio da TRH (terapia de reposição hormonal), atrela-se a vários aspectos da masculinidade e das relações de gênero.

Notamos isso nas imagens analisadas, onde é promovida a ideia de que o homem deve ser forte, viril e potente sexualmente, deixando subentendido que existe o objetivo de ‘satisfazer a companheira’, fazê-la feliz e, assim, ser feliz também. A imagem vendida é a de que ser homem é ser heterossexual, e se esse homem não for capaz de satisfazer sua mulher, ele está doente e infeliz, fazendo sua companheira infeliz também, necessitando, assim, no caso do declínio hormonal masculino relacionado ao envelhecimento, do tratamento de reposição hormonal com testosterona para reverter tal situação.

Neste contexto, insere-se, ainda, a característica levantada por Loe33 ao apontar determinadas drogas que acabaram se tornando ‘lifestyle drugs’, ou seja, drogas com o papel de ‘gerenciar’ comportamentos, sendo, também, ferramentas de aprimoramento (enhancement). Acreditamos que a testosterona vem assumindo o papel de uma ‘droga de estilo de vida’, na medida em que é apresentada como um meio para se alcançar ‘qualidade de vida’ e desempenho ‘melhores’, não só na esfera sexual, a mais focada nos websites pesquisados, mas, também, em outras áreas, incluindo a profissional, a mental e a emocional.

Desta forma, os homens são ‘bombardeados’ com a exigência de uma necessidade de vigilância corporal constante, a fim de manterem seus corpos saudáveis (evitando doenças futuras) e funcionando da melhor maneira possível. Além disso, devem ser felizes, produtivos, jovens, com uma vida sexual ativa, e em boa forma física, sendo as tecnologias disponíveis apresentadas como ferramentas para alcançar tais objetivos.

As relações de consumo, o avanço tecnológico, a velocidade com que as informações são transmitidas constituem aspectos que devem ser levados em conta ao analisarmos o processo de medicalização no momento em que vivemos. Ideias e concepções sobre saúde atreladas ao consumo de tecnologias são construídas e alimentadas em um contexto de convivência entre fatores históricos e socioeconômicos.

Tal contexto é caracterizado pela negociação constante de interesses entre vários atores (indústria, profissionais de saúde, mídia, público leigo, entre outros). Estudos que levem em consideração essas questões são relevantes, pois podem contribuir para a análise referente ao modo pelo qual concepções sobre saúde vêm influenciando as práticas profissionais, bem como para propor caminhos que visem uma utilização mais racional das tecnologias disponíveis.

REFERÊNCIAS

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