Impacto da Ablação da Fibrilação Atrial na Pressão de Enchimento Ventricular Esquerdo e Remodelamento Atrial Esquerdo

Impacto da Ablação da Fibrilação Atrial na Pressão de Enchimento Ventricular Esquerdo e Remodelamento Atrial Esquerdo

Autores:

Simone Nascimento dos Santos,
Benhur Davi Henz,
André Rodrigues Zanatta,
José Roberto Barreto,
Kelly Bianca Loureiro,
Clarissa Novakoski,
Marcus Vinícius Nascimento dos Santos,
Fabio F. Giuseppin,
Edna Maria Oliveira,
Luiz Roberto Leite

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782X

Arq. Bras. Cardiol. vol.103 no.6 São Paulo dez. 2014 Epub 14-Out-2014

https://doi.org/10.5935/abc.20140152

RESUMO

Fundamento:

A disfunção diastólica do ventrículo esquerdo (VE) está associada a novos episódios de fibrilação atrial (FA), e a estimativa das pressões de enchimento do VE através da razão E/e' está relacionada a um pior prognóstico em pacientes com FA. Entretanto, não se sabe se a restauração do ritmo sinusal pode reverter este processo.

Objetivo:

Avaliar o impacto da ablação da FA na estimativa da pressão de enchimento do VE.

Métodos:

Um total de 141 pacientes foi submetido à ablação por radiofrequência (RF) para o tratamento da FA refratária a drogas. Foi realizado ecocardiograma transtorácico 30 dias antes e 12 meses após a ablação. Foram avaliados os parâmetros funcionais do VE, volume do átrio esquerdo indexado (VAEi) e Doppler transmitral pulsado e Doppler tecidual do anel mitral (e' e E/e'). Dezoito pacientes apresentavam FA paroxística, 102 persistente e 21 pacientes FA persistente de longa duração. O acompanhamento incluiu ECG e monitoramento pelo sistema Holter 24h, 3, 6 e 12 meses após a ablação.

Resultados:

Cento e dezessete pacientes (82,9%) não apresentaram FA durante o acompanhamento (média de 18 meses ± 5 meses). O VAEi apresentou redução significativa no grupo com sucesso (30,2 mL/m2 ± 10,6 mL/m2 para 22,6 mL/m2 ± 1,1 mL/m2, p < 0,001) em comparação ao grupo sem sucesso (37,7 mL/m2 ± 14,3 mL/m2 para 37,5 mL/m2 ± 14,5 mL/m2, p = ns). A melhora da estimativa da pressão de enchimento do VE, avaliada através da redução na razão E/e', foi observada apenas após ablação com sucesso (11,5 ± 4,5 vs. 7,1 ± 3,7, p < 0,001), não sendo observada em pacientes com FA recorrente (12,7 ± 4,4 vs. 12 ± 3,3, p = ns). A taxa de sucesso foi menor no grupo com FA persistente de longa duração (57% vs. 87%, p = 0,001).

Conclusão:

A ablação da FA com sucesso está associada ao remodelamento reverso do átrio esquerdo (AE) e a uma melhora da estimativa na pressão de enchimento do VE.

Palavras-Chave: Fibrilação Atrial; Remodelamento Atrial; Ablação por Cateter; Ecocardiografia; Débito Cardíaco; Função Ventricular

ABSTRACT

Background:

Left ventricular (LV) diastolic dysfunction is associated with new-onset atrial fibrillation (AF), and the estimation of elevated LV filling pressures by E/e' ratio is related to worse outcomes in patients with AF. However, it is unknown if restoring sinus rhythm reverses this process.

Objective:

To evaluate the impact of AF ablation on estimated LV filling pressure.

Methods:

A total of 141 patients underwent radiofrequency (RF) ablation to treat drug-refractory AF. Transthoracic echocardiography was performed 30 days before and 12 months after ablation. LV functional parameters, left atrial volume index (LAVind), and transmitral pulsed and mitral annulus tissue Doppler (e' and E/e') were assessed. Paroxysmal AF was present in 18 patients, persistent AF was present in 102 patients, and long-standing persistent AF in 21 patients. Follow-up included electrocardiographic examination and 24-h Holter monitoring at 3, 6, and 12 months after ablation.

Results:

One hundred seventeen patients (82.9%) were free of AF during the follow-up (average, 18 ± 5 months). LAVind reduced in the successful group (30.2 mL/m2 ± 10.6 mL/m2 to 22.6 mL/m2 ± 1.1 mL/m2, p < 0.001) compared to the non-successful group (37.7 mL/m2 ± 14.3 mL/m2 to 37.5 mL/m2 ± 14.5 mL/m2, p = ns). Improvement of LV filling pressure assessed by a reduction in the E/e' ratio was observed only after successful ablation (11.5 ± 4.5 vs. 7.1 ± 3.7, p < 0.001) but not in patients with recurrent AF (12.7 ± 4.4 vs. 12 ± 3.3, p = ns). The success rate was lower in the long-standing persistent AF patient group (57% vs. 87%, p = 0.001).

Conclusion:

Successful AF ablation is associated with LA reverse remodeling and an improvement in LV filling pressure.

Key words: Atrial Fibrillation; Atrial Remodeling; Catheter Ablation; Echocardiography; Stroke Volume; Ventricular Function

Introdução

A disfunção diastólica de grau 1 é frequentemente considerada normal na população idosa, mas descobriu-se que ela é um fator preditivo independente para fibrilação atrial (FA)1. A disfunção diastólica aumenta a probabilidade de FA porque anormalidades no relaxamento do ventrículo esquerdo (VE) levam à redução do esvaziamento passivo do átrio esquerdo (AE), aumento do volume e pressão do AE e distensão das veias pulmonares (VPs), ocasionando remodelamento elétrico2-4. Não se sabe se a ocorrência de FA pioraria ou ainda levaria ao aumento da pressão de enchimento do VE. Há evidências de que a razão da velocidade do fluxo diastólico mitral inicial (E) e velocidade diastólica inicial no anel mitral (e') (E/e') pode ser útil para estimar a pressão de enchimento do ventrículo esquerdo5-9.

A ablação por cateter surgiu como a estratégia mais promissora para o tratamento da FA10-13. Uma vez que a restauração do ritmo sinusal está associada com a remodelamento reverso e melhora da função do AE14-16, nós supomos que a ablação da FA com sucesso melhoraria a pressão de enchimento do VE. Este estudo tem como objetivo avaliar o impacto da ablação da FA na pressão de enchimento do VE, estimada através da razão E/e'.

Métodos

População de Pacientes

Neste estudo, incluímos prospectivamente pacientes consecutivos que apresentavam FA sintomática e refratária a drogas, que haviam sido encaminhados ao Instituto de Brasília de Arritmia para ablação entre Janeiro de 2007 e Julho de 2010. Pacientes com FA paroxística, persistente ou persistente de longa duração foram classificados de acordo com as diretrizes AHA/ACC/ESC/HRS17. Os seguintes critérios de exclusão foram utilizados: doença cardíaca valvular significante, primeiro episódio de FA, trombos ou tumores no AE, hipertireoidismo, angina ou infarto do miocárdio que tivessem ocorrido há menos de 6 meses da ablação, ou contraindicação relacionadas ao uso de varfarina. Pacientes submetidos a procedimentos prévios de ablação percutânea ou cirúrgica para FA também foram excluídos. Terapia anticoagulante com varfarina foi administrada por ao menos um mês antes da ablação e ao menos 4 meses após a ablação em todos os pacientes, incluindo aqueles com FA paroxística. Setenta e três por cento dos pacientes estavam tomando inibidor da enzima conversora de angiotensina-I (IECA) ou bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), durante o ecocardiograma basal e de acompanhamento. Não houve alteração significativa da medicação administrada durante o estudo, com exceção da interrupção da terapia anticoagulante nos casos de ablação bem sucedida em pacientes com baixo risco (CHADS 2 ≤ 1) para ocorrência de embolia.

O ecocardiograma transesofágico (ETE) foi realizado dentro de 24 horas antes a ablação para eliminar suspeita de trombos em AE. A aprovação para este estudo foi obtida junto ao comitê de ética local, e o termo de consentimento foi obtido junto a todos os pacientes.

Estudo eletrofisiológico e técnica de ablação

Um cateter multipolar foi inserido no seio coronário através da veia jugular para registro e estimulação. Antes da primeira punção transeptal foram administrados 3.000 UI de heparina via intravenosa, e doses adicionais de heparina foram administradas para manter o tempo de coagulação ativada > 350 segundos.18 Após o acesso transeptal, um cateter circular para mapeamento foi utilizado para guiar o isolamento das quatro veias pulmonares (VPs). A ablação foi realizada utilizando-se um cateter de 8 mm com ponta não-irrigada (35 W, 50ºC) ou cateter de 3.5 mm com ponta irrigada (25-30W, 42ºC) para conseguir o isolamento do antro das PVs. O objetivo final da ablação foi a eliminação completa dos potenciais de veia pulmonar. Lesões lineares adicionais foram realizadas em FA persistente de longa duração, como relatado previamente18. A ablação foi realizada na região antral de todas as VPs guiada pela presença de potenciais de VPs no cateter de mapeamento circular, com o objetivo de obter o isolamento das VPs. Modificações adicionais do substrato do AE foram realizadas a critério do cirurgião, em sua maioria em pacientes com FA persistente de longa duração, e incluíram teto, linha istmo mitral, ablação do sinus coronário e eletrogramas atriais complexos fracionados a critério do cirurgião. Em linhas gerais, eletrogramas atriais complexos fracionados foram definidos como eletrogramas contínuos ou multicomponentes registrados durante a fibrilação atrial. Não foram feitas tentativas de reinduzir a FA após a ablação.

Quando taquicardia do átrio esquerdo foi induzida, a técnica de mapeamento entrainment foi utilizada para identificar áreas críticas para o circuito de reentrada. Em pacientes com histórico de flutter atrial, foi realizada ablação adicional do istmo cavo-tricúspide.

O ecocardiograma intracardíaco (EIC) foi utilizado para guiar a punção transeptal e ablação com a utilização dos sistemas de ultrassom Sequoia(tm) ou Cypress(tm) (Siemens Medical Solutions USA Inc., Divisão de Ultrassom, Mountain View, CA) e um cateter ACUNAV® defletível, de 5,5-10 MHz e transdutor phased-array (Siemens Medical Solutions USA, Inc.) com Doppler de onda pulsada. Imagens da EIC também foram utilizadas para evitar ablação dentro das VPs ou do apêndice do AE. A partir de Janeiro de 2007, os EICs também passaram a ser usados para guiar a visualização do esôfago.

Ecocardiograma transtorácico (ETT)

ETT foi realizado 30 dias antes e 12 meses após a ablação da FA, utilizando o Sequoia(tm) (Siemens Medical Solutions USA Inc.). As seguintes variáveis foram mensuradas: Diâmetro e volume do VE, fração de ejeção do ventrículo esquerdo e massa do VE, diâmetro e volume do AE, ondas E e A do Doppler pulsado transmitral, ondas e' e a' do Doppler tecidual do anel mitral septal e anel mitral lateral, e quantificação da regurgitação mitral. O volume do AE foi medido utilizando-se o método de Simpson, de acordo com as recomendações da Sociedade Americana de Ecocardiografia, posteriormente o volume do AE foi indexado (VAEi) dividindo-se o valor pela área da superfície corporal (valor de referência < 29 mL/m2) 19. O Doppler tecidual do anel mitral foi utilizado para estimar a pressão de enchimento do VE por ser menos carga-dependente e sua execução ser mais viável em pacientes com FA. O VAEi e razão E/e' puderam ser consistentemente registrados durante o ritmo sinusal ou FA. Noventa e três pacientes (66%) apresentavam FA durante as medidas do ecocardiograma basal. Nestes pacientes, foi feita a média de cinco medidas para o cálculo de todos os dados.

Acompanhamento

Após a realização da ablação, a terapia anticoagulante foi mantida por ao menos 4 meses, e drogas antiarrítmicas foram usadas por 3 meses em todos os pacientes. Durante o primeiro ano de acompanhamento, ECG foi realizado mensalmente, teste ergométrico realizado no sexto mês, ETT realizado no décimo-segundo mês, e o monitoramento por Holter foi realizado no terceiro, sexto, e décimo segundo mês após a ablação. A recorrência foi definida como FA sintomática ou assintomática através dos registros do ECG, teste ergométrico ou monitoramento por Holter, após um período cego de 3 meses. Todos os pacientes foram seguidos por pelo menos um ano.

Análise estatística

As variáveis contínuas foram relatadas como média ± DP e comparadas com o teste t-Student ou ANOVA. As variáveis categóricas foram relatadas em porcentagem e comparadas com o teste chi-quadrado ou teste exato de Fisher, conforme apropriado. O valor de probabilidade < 0,05 foi considerado significante. A variação interobservador e intraobservador foi calculada e expressa como percentual. Todas as análises estatísticas foram realizadas com o SPSS® 16 para Mac.

Resultados

Três pacientes foram excluídos por apresentar regurgitação mitral moderada. A população do estudo compreendeu 141 pacientes [média de idede de 67 anos ± 11 anos, 71 (50,3%) do sexo masculino]. Dezoito (12,8%) pacientes apresentavam FA paroxística, 102 (72,3%) pacientes apresentavam FA persistente e 21 (14,9%) pacientes apresentavam FA persistente de longa duração. O número médio de drogas antiarrítmicas que falharam foi de 2,1 ± 0,7 por paciente. Cento e vinte seis pacientes (89,3%) foram submetidos a um procedimento, nove pacientes (6,4%) foram submetidos a dois procedimentos e seis pacientes (4,3%) foram submetidos a três procedimentos.

Todos os pacientes foram acompanhados por ao menos um ano. Após um período de acompanhamento médio de 18±5 meses, 117 (82,9%) pacientes estavam em ritmo sinusal, dos quais 70,1% não estavam em terapia com drogas antiarrítmicas e 12,8% em terapia com drogas antiarrítmicas que tinham falhado previamente a ablação. Vinte e quatro pacientes (17,1%) apresentaram ritmo de fibrilação atrial no seguimento, sendo definido como grupo de insucesso.

Características Basais

As características basais estão apresentadas na Tabela 1. No grupo de insucesso um número maior de pacientes encontrava-se em classe funcional NYHA II (56,4% vs. 75%, p < 0,0001) e em FA persistente de longa duração (10,2 % vs. 37,5%, p=0,0001) apresentaram, menores valores de VAEi (30,2 mL/m2± 10,6 mL/m2 vs. 37,7 mL/m2± 14,3 mL/m2, p = 0,023), razão E/e' (11,5 ± 4.5 vs. 12,7 ± 4, p = 0,01) e razão E/A (0,9 ± 0,3 vs. 1,15 ± 0,5, p <0,0001) e maior FEVE (68,6% ± 4,9% vs. 63,5% ± 8,6%, p = 0,01) e velocidade e' (8,1 cm/s ± 4,3 cm/s vs. 6,4 cm/s ± 1,8 cm/s, p = 0,009) do que pacientes com insucesso. Não houve variação relevante na área da superfície corporal durante o período do estudo.

Tabela 1 Características basais em pacientes com ablação da fibrilação atrial com sucesso e com insucesso 

Variável Grupo com sucesso (n=117) Grupo com insucesso (n=24) p
Gênero, masculino, n (%) 61 (52,1%) 10 (41,7%) ns
Idade (anos) 68 ± 12 63 ± 9 ns
CF NYHA I 51 (43,5%) I 3 (12,5%) < 0,0001
II 66 (56,4 %) II 18 (75%)
  III 3 (12,5%)
Tipo de FA paroxística18 (15,4%) paroxística 0 0,001
persistente 87 (74,4%) persistente 15 (6,4%)
persistente de longa duração 12 (10,2%) persistente de longa duração 9 (37,5%)
DAC 0 3 (2,6%) ns
Alcoolismo 18 (15,4%) 3 (12,5%) ns
Doença de Chagas 9 (7,7%) 6 (25%) ns
Tabagismo 3 (2,6%) 3 (12,5%) ns
Hipertensão 69 (59%) 18 (75%) ns
DM 6 (5,1%) 3 (12,5%) ns
DPOC 3 (2,6%) 0 ns
DD 61 (52,1%) 17 (52%) <0,01
VAE indexado (mL/m2) 30,2 ± 10,6 37,7 ± 14,3 0,023
DDVE (mm) 48,7 4,4 47,0 ± 1 ns
DSVE (mm) 29,8 3,4 28,0 ± 2,5 ns
Massa do VE (g) 209,4 ± 49,8 186,2 ± 25,2 ns
FEVE (%) 68,6 4,9 63,5 ± 8,6 0,01
Razão E/A 0,9 0,3 1,15 ± 0,05 < 0,0001
e' (cm/s) 8,1 4,3 6,4 ± 1,8 0,009
a' (cm/s) 10,1 0,4 9,0 ± 1,3 ns
Razão E/e' 11,5 4,5 12,7 ± 4,4 0,01

CF: classe funcional; NYHA: New York Heart Association; FA: fibrilação atrial; DAC: doença arterial coronária; DM: diabetes mellitus; DPOC: doença pulmonar obstrutiva crônica; DD: disfunção diastólica; VAE indexado: volume do átrio esquerdo indexado; DDVE: diametro diastólico do ventrículo esquerdo; DSVE: diâmetro sistólico do ventrículo esquerdo; VE: ventrículo esquerdo; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; e’: onda diastólica precoce ao Doppler tecidual do anel mitral; a’: onda diastólica tardia ao Doppler tecidua do anel mitral.

Desfecho

Durante o acompanhamento, a ablação foi bem sucedida em uma porcentagem maior de pacientes com FA paroxística e persistente do que em pacientes com FA persistente de longa duração (87% vs. 57%, respectivamente, p = 0,001). O isolamento das VPs foi alcançado em todos os pacientes desta coorte. Foram realizadas modificações adicionais do substrato do AE frequentemente em pacientes com FA não-paroxística (teto: paroxística = 3 pacientes vs. não-paroxística = 35 pacientes, p = 0,001; linha istmo mitral: paroxística=0 pacientes vs. não-paroxística = 54 pacientes, p < 0,001; CFAE: paroxística = 1 paciente, não-paroxística = 15 pacientes, p < 0,01). O tempo médio de execução do procedimento para toda a coorte foi de 265 ± 55 min (204 ± 51min para FA paroxística, 277 ± 79 min para FA não-paroxística, p = 0,009).

Entre os pacientes com ablação com sucesso, houve melhora significativa na classe funcional NYHA em comparação com pacientes com FA recorrente (p < 0,001) (Tabela 2). Além disso, houve uma redução significativa nos parâmetros de remodelamento reverso do AE em pacientes com sucesso (VAEi: 30,2 mL/m2 ± 10,6 mL/m2 e 22,6 mL/m2 ± 1,1 mL/m2, p < 0,001) (Figura 1). Além disso, no grupo de pacientes com sucesso houve melhora da estimativa da pressão de enchimento do VE, uma vez que a razão E/e' foi significativamente menor após a ablação (11,5 ± 4,5 vs. 7,1 ± 3.7, p < 0,001, respectivamente). O mesmo não foi observado nos pacientes com FA recorrente. Da mesma forma, avaliando apenas o grupo de pacientes com FA paroxística, observamos redução no VAEi (21,8 mL/m2 ± 11,9 mL/m2 to 14,1 mL/m2 ± 5,5 mL/m2, p < 0,001) e na razão E/e' (10,3 ± 3 vs. 5,0 ± 0,5, p < 0,001).

Tabela 2 Características de acompanhamento em pacientes com ablação da fibrilação atrial com sucesso e com insucesso 

Variável Grupo com sucesso (n = 117) p Grupo com insucesso (n = 24) p
  Pré-ablação Pós-ablação   Pré-ablação Pós-ablação  
CF NYHA 1,57 ± 0,5 1,1 ± 0,3 < 0,001 2,0 ± 0,5 2,0 ± 0,4 ns
VAE indexado (ml/m2) 30,2 ± 10,6 22,6 ± 1,1 < 0,001 37,7 ± 14,3 37,5 ± 14,5 ns
DDVE (mm) 49,0 ± 4,7 49,0 ± 5,1 ns 46,0 ± 0,1 49,0 ± 1,0 0,001
DSVE (mm) 29,9 ± 3,6 29,4 ± 3,4 ns 27,0 ± 3,2 27,0 ± 2,1 ns
Massa do VE (g) 195,3 ± 44,5 192,4 ± 51,8 ns 173,5 ± 27,9 178,5 ± 21,3 ns
FEVE (%) 68,6 ± 4,9 70,0 ± 4,7 ns 63,5 ± 8,6 66,0 ± 3,2 ns
Razão E/A 0,9 ± 0,3 1,0 ± 0,3 ns 1,1 ± 0,05 1,5 ± 0,02 ns
e' (cm/s) 8,1 ± 4,3 9,5 ± 2,5 ns 6,4 ± 1,8 7,9 ± 0,5 ns
a' (cm/s) 10,1 ± 0,4 10,0 ± 0,2 ns 9,0 ± 1,3 8,7 ± 0,9 ns
Razão E/e' 11,5 ± 4,5 7,1 ± 3,7 < 0,001 12,7 ± 4 12,0 ± 3,3 ns
Δ VAE indexado (ml/m2) -7,9 ± 5,5   -1,0 ± 0,9 < 0,0001
Δ razão E/e' -3,9 ± 3,4   -1,1 ± 0,9 < 0,0001

CF: classe funcional; NYHA: New York Heart Association; VAE indexado: volume do átrio esquerdo indexado; DDVE: diametro diastólico do ventrículo esquerdo; DSVE: diâmetro sistólico do ventrículo esquerdo); VE: ventrículo esquerdo; FEVE: fração de ejeção do ventrículo esquerdo; e’: onda diastólica precoce ao Doppler tecidual do anel mitral; a’: onda diastólica tardia ao Doppler tecidua do anel mitral.

Figura 1 Exemplo de remodelamento reverso do átrio esquerdo após ablação com sucesso da fibrilação atrial. 1a) Volume indexado do AE antes da ablação; 1b) Volume indexado do AE 12 meses após a ablação. 

Reprodutibilidade

Avariabilidade intraobservador na velocidade da onda E, velocidade da onda e' e volume do AE foi de, 2,0 %, 3.3% e 2.3%, respectivamente. A variabilidade interobservador na velocidade da onde E, velocidade da onda e' e volume do AE foi de, 3,7%, 3,5% e 4,3%, respectivamente.

Discussão

Os principais achados deste estudo foram relacionadas à estimativa da pressão de enchimento do VE e remodelamento reverso do AE. Com a utilização de Ecocardiograma Doppler, demonstramos que a ablação da FA com sucesso reduz o volume do AE e melhora a pressão de enchimento do VE estimada através da razão E/e'.

Remodelamento reverso do AE após ablação da FA

As sobrecarga de volume e pressão são reconhecidamente os principais fatores que levam às respostas ad aptativas que ocorrem no remodelamento do AE. Essas sobrecargas ocasionam distensão do AE e VPs, o que gera atividade elétrica rápida e desorganizada, favorecendo a ocorrência de FA3,4. As respostas adaptativas que levam a este fenômeno são crescimento dos miócitos, hipertrofia, necrose, alterações do tecido conjuntivo fibrocolagenoso e mudanças na expressão de canais iônicos celulares e hormônios atriais, incluindo o peptídeo atrial natriurético20,21. Além disso, na ocorrência de sobrecarga de volume do AE e/ou sobrecarga de pressão do AE, é provável que os miócitos do AE sofram despolarização, aumentando a vulnerabilidade à FA22. Após a ocorrência de FA, a arritmia pode ser mantida por um substrato remodelado, mas a própria FA também promove remodelamento atrial ("FA gera FA")23. Portanto, conforme sugerido anteriormente, a restauração do ritmo sinusal leva à remodelação reversa do AE após ablação bem sucedida, cardioversão elétrica ou cirurgia cardíaca24-26. Bekeuma e cols.16demonstraram que o diâmetro do AE reduziu significantemente em pacientes que mantiveram o ritmo sinusal após a ablação; e que a recorrência da FA estava associada com diâmetros maiores. Verma e cols.27 relataram resultados similares de redução do diâmetro do AE em uma série de pacientes submetidos à ablação extensiva do antro das VPs27. Recentemente, Machino-Ohtsuka e cols.28 relataram significativa remodelação reversa do AE 12 meses após ablação com sucesso. Achados similares foram evidenciados através de ressonância magnética cardíaca29. Nossos resultados estão em concordância com estes estudos porque uma melhora significante no remodelamento reverso do AE foi observada em nossa população com ablação com sucesso, na qual o VAEi reduziu de 30,2 mL/m2± 10,6 mL/m2 para 22,6 mL/m2 ±1,1 mL/m2 (p < 0,001). Utilizamos a medida do volume do AE, o que pode ser considerado mais acurado do que o diâmetro do AE, para avaliar o remodelamento reverso do AE após a ablação da FA. O diâmetro do AE é medido em M-mode utilizando uma única dimensão do AE e pode, portanto, subestimar o tamanho do AE. Por outro lado, o volume do AE indexado é medido utilizando-se a regra biplanar de Simpson (plano apical 4 e 2 câmaras), sendo mais fidedigno. Este método foi validado com tomografia computadorizada30 ressonância magnética31.

É importante ressaltar que o remodelamento reverso do AE também foi observado em pacientes com FA paroxística (21,8 mL/m2 ± 11,9 mL/m2 para 14,1 mL/m2 ± 5,5 mL/m2, p < 0,001). Embora nosso grupo tivesse apenas 18 pacientes com FA paroxística, este achado foi consistente. De maneira similar, 49% dos pacientes no estudo de Beukema e cols.16 tinham FA paroxística e estes pacientes apresentaram uma redução do diâmetro do AE de 40,5 ± 4.4 para 37,5 ± 3.5 mm (p < 0,01). No estudo de Tops e cols.32 61% dos pacientes tinham FA paroxística, mas este subgrupo não foi comparado com os pacientes que apresentavam FA persistente e FA persistente de longa duração. Estes resultados também foram observados no estudo de Reant e cols.33, que mostrou uma redução no diâmetro longitudinal de 59,7 mm ± 7,3 para 53,19 mm ± 7,7 mm seis meses após ablação no subgrupo de pacientes com FA paroxística.

O remodelamento do substrato do AE parece desempenhar um papel importante na taxa de sucesso da ablação da FA, mas o mecanismo responsável pelo remodelamento reverso do AE após uma ablação com sucesso ainda não foi elucidado. Nossos resultados sustentam os dados reportados por Reant e cols.33, que sugeriram que a disfunção diastólica pode causar FA isolada através da combinação do estiramento e aumento do AE e VPs, que são resultantes da pressão diastólica final do VE. Pode-se argumentar que a ablação extensiva provoca o encolhimento do átrio esquerdo e que o remodelamento reverso não estaria relacionado à restauração do ritmo sinusal. Entretanto, em nossos grupos, o remodelamento reverso não foi observado em pacientes com FA recorrente.

Melhora da função diastólica do ventrículo esquerdo

A disfunção diastólica é uma causa comum de sobrecarga de volume e/ou pressão, o que leva ao remodelamento do AE, podendo ainda resultar em heterogeneidade estrutural e eletrofisiológica, gerando substrato para a ocorrência de FA. Portanto, não surpreende que a restauração do ritmo sinusal também pudesse melhorar a função diastólica. A restauração do ritmo sinusal após a ablação resulta em remodelamento reverso do AE, mas estes estudos não observaram um benefício claro na função diastólica do VE. A ausência de um benefício claro pode ser explicada pelo fato de que embora o volume indexado do AE seja um método confiável para avaliar anormalidades na enchimento diastólico do VE34,35, este índice é uma medida da função do AE. Entretanto, Hurrell e cols.36 mostraram que há uma correlação muito boa entre o volume indexado do AE e medida da pressão diastólica invasiva do VE36. O volume indexado do AE tem sido utilizado em diferentes situações como uma medida da função diastólica4,35,37-39. Através da incorporação de outros métodos para estimar a pressão de enchimento do VE, pudemos demonstrar sua melhora após a restauração e manutenção do ritmo sinusal após a realização da ablação da FA.

Embora a análise do Doppler de onda pulsada do fluxo da válvula mitral e fluxo da VP seja comumente utilizada, estas medições podem ser influenciadas pela pré-carga e pós-carga9. Esta limitação é ainda mais pronunciada em pacientes com FA decorrentes de mudanças no enchimento do AE e perda da contração do AE. Nesta situação, o Doppler Tecidual é o método mais acurado para estimar a pressão de enchimento do VE. Em nossa população de estudo, pacientes com ablação da FA sem sucesso, apresentaram menores valores de e' e maior razão E/e' do que pacientes com sucesso, o que sugere uma relação entre pressão de enchimento do VE elevada e o insucesso da ablação. Adicionalmente, houve redução significativa na razão E/e' durante o acompanhamento de pacientes com sucesso, sugerindo que a restauração do ritmo sinusal tem impacto positivo na pressão de enchimento do VE. Os mesmos achados foram observados em pacientes com FA paroxística.

Poucos estudos tentaram avaliar a relação entre FA e padrões de enchimento diastólico ventricular. Melek e cols.40. Reportaram o efeito da cardioversão nos parâmetros de Doppler Tecidual em pacientes com FA persistente. Eles não encontraram nenhuma melhora significativa na função diastólica após a restauração do ritmo sinusal com exceção da função atrial, mas o período de acompanhamento foi muito curto. Por outro lado, alguns estudos demonstraram que o comprometimento do enchimento diastólico era um preditor independente de recorrência tardia após cardioversão41 e ablação42.

Sabe-se que pacientes com pronunciado comprometimento do enchimento ventricular apresentam maior risco para FA. O que não está claro é se a FA pode piorar a função diastólica do VE. Durante FA aguda há alguns mecanismos que explicam a piora da função diastólica, por exemplo, perda de contração do AE, taxa e enchimento irregular do LV e pior sincronicidade AV. Os dados sobre FA de longa duração ainda são escassos. Algumas sugestões sobre os mecanismos foram obtidos nos estudos de Goette e cols.43,44, que mostrou em modelos animais e humanos que a FA leva à baixa regulação da óxido nítrico sintase endotelial e elevação da dimetilarginina assimétrica, que são associados à disfunção vascular e falência cardíaca. Eles também mostraram uma redução nos níveis de aldosterona após a restauração do ritmo sinusal.

Não há muitos dados que comprovem a melhora da função diastólica após ablação da FA com sucesso. Reant e cols.33 descobriram que a função diastólica melhorou significativamente 12 meses após o procedimento, com um aumento no pico de velocidade diastólica lateral inicial de 29% (p < 0,001) na FA paroxística e 46% (p < 0,05) em pacientes com FA crônica. Cha e cols.45. relataram melhora da função diastólica após ablação da FA bem sucedida. A função diastólica foi classificada de 1 a 4 de acordo com as diretrizes ASE46, entretanto todos os pacientes incluídos estavam em ritmo sinusal no momento em que foram realizados seus ecocardiogramas transtorácicos. Nosso estudo incluiu um grande número de pacientes com FA persistente e persistente de longa duração, de forma que 66% deles não estavam em ritmo sinusal durante as medidas ecocardiográficas. Ainda assim, sugerimos uma associação entre a ablação da FA com sucesso e a melhora do enchimento do VE estimado.

Limitações do Estudo

Embora tenhamos demonstrado uma associação entre a redução do volume indexado do AE e melhora na pressão de enchimento do VE em pacientes com ablação da FA com sucesso, reconhecemos que essa associação pode não ser relacionada apenas à ablação. O remodelamento reverso do AE após ablação da FA com sucesso pode ser resultante não apenas da restauração do ritmo sinusal, como também pode ser consequência do melhor sincronismo atrioventricular. Estudos prospectivos adicionais são necessários para confirmar essa hipótese.

Não realizamos acompanhamento ambulatorial pelo período de sete dias, e recorrências assintomáticas da FA podem não ter sido identificadas. Entretanto, os pacientes foram investigados para recorrências assintomáticas da FA durante o primeiro ano de acompanhamento: ECG foi realizado mensalmente, e monitoramento através de Holter foi efetuado nos terceiro, sexto e décimo segundo meses após a ablação.

Por fim, este foi um estudo não randomizado de braço único, e algumas medidas ecocardiográficas que foram consideradas consequências da ablação podem ter sido influenciadas por outros fatores. Por exemplo, após procedimentos invasivos, alguns pacientes tornam-se mais aderentes ao tratamento farmacológico e exercícios, e isso pode ter levado a alterações nas medidas ecocardiográficas independentemente do procedimento de ablação.

Como esta é a experiência inicial de um único serviço particular, a maioria dos pacientes encaminhados para ablação foi classificada em FA persistente ou FA persistente de longa duração, de acordo com o consenso HR de 2007, fazendo com que seja difícil comparar este estudo com outros estudos de ablação da FA que têm em sua maioria pacientes com FA paroxística.

Conclusão

A ablação da FA apresentou resultados melhores em pacientes com FA paroxística e persistente do que naqueles com FA persistente de longa duração. Quando o ritmo sinusal foi mantido consistentemente, houve melhora da estimativa da pressão de enchimento ventricular esquerdo e remodelamento reverso do AE.

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