Impacto da intervenção motivacional no aumento do nível de atividade física

Impacto da intervenção motivacional no aumento do nível de atividade física

Autores:

Aneci Sobral Rocha,
Marcio Marega

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.8 no.1 São Paulo jan/mar. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/s1679-45082010ao1442

INTRODUÇÃO

Nos últimos anos, os estudos na área da atividade física relacionada à saúde vêm apontando o estilo de vida como um dos mais importantes indicadores de saúde da população(1). Nahas o define como “o conjunto de ações habituais que refletem as atitudes, valores e oportunidades nas vidas das pessoas”(2). Nas últimas duas décadas, evidências demonstraram que um estilo de vida saudável associado à prática regular de atividades físicas contribui para a prevenção e controle de doenças crônicas, incluindo as cardiovasculares, hipertensão, obesidade, diabetes, osteoporose, ansiedade e depressão(1,3-9). A atividade física traz importantes benefícios à saúde, porém grande parte da população é fisicamente inativa(811). Mais de 2 milhões de mortes são atribuídas à inatividade física a cada ano no mundo inteiro(1214).

Os números relativos ao sedentarismo obtidos em um levantamento nacional nos EUA, em 1997 e 1998, mostraram que aproximadamente quatro em cada dez dos adultos norte-americanos (38,3%) não participavam de qualquer atividade física no lazer(6). Esses dados colocam hoje a inatividade física como um dos mais importantes problemas de Saúde Pública do país(15).

Devido a esses estudos, é de grande interesse realizar a avaliação do nível de atividade física da população como forma de prevenir tais riscos e incentivar a prática regular da atividade física(1621).

Vários levantamentos têm sido realizados para determinar o nível de atividade física mediante o uso de questionários(17). As propostas atuais sugerem incluir o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ), desenvolvido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças norte-americano (Centers for Disease Control and Prevention, CDC)(14,17,22-23).

O CDC e o American College of Sports Medicine apresentaram uma nova mensagem de incentivo à atividade física que tem como principal objetivo fazer com que o indivíduo saia de uma condição de sedentarismo e inicie uma nova condição, na qual um mínimo de atividade física já traz benefícios cardiovasculares: “Todo indivíduo deve acumular ao menos 30 minutos de atividade física, na maioria dos dias da semana, em intensidade moderada, de forma contínua ou fracionada(2427). Vários estudos sobre Intervenção Motivacional e a mudança dos estágios comportamentais em relação à atividade física têm sido realizados nos últimos anos(2829). Há um grande potencial na proposta de incentivo à atividade física(10). Os melhores resultados aparecem após seis semanas de intervenção, quando todos os indivíduos, independentemente do estágio comportamental, tornam-se significativamente mais ativos(8,30). Porém, alguns estudos demonstram que esses efeitos não se mantêm após oito meses da intervenção, sugerindo que intervenções mais intensivas e por maior tempo podem ser necessárias para promover a adoção da atividade física de forma mais duradoura(8,31-33). Existem evidências na literatura demonstrando que, na fase adulta, as intervenções relacionadas aos hábitos de saúde e atividade física sofrem mais resistência e os comportamentos são menos passíveis de alterações(34).

OBJETIVO

Verificar se a proposta de incentivo à prática regular de atividade física por meio da Intervenção Motivacional colabora para o aumento dos níveis de atividade física.

MÉTODOS

Amostra

Foram avaliados 1.879 indivíduos, sendo 1.559 do sexo masculino (83%) e 320 do sexo feminino (17%), com bom estado de saúde, do Grupo Social A, selecionados durante a Revisão Continuada de Saúde no Centro de Medicina Preventiva do Hospital Israelita Albert Einstein, Unidade Check-Up, Jardins.

O grupo foi formado basicamente por executivos. A Revisão Continuada de Saúde consiste por uma entrevista com o clínico, realização de exames laboratoriais, teste ergométrico, exames de imagem e consulta com ginecologista, urologista, nutricionista e fisioterapeuta.

No momento da admissão o indivíduo recebeu as informações necessárias para o seu atendimento, envolvendo:

    –. consentimentos para os procedimentos, incluindo-se neste momento o consentimento livre e esclarecido para a participação na pesquisa;

    –. direitos e deveres do paciente;

    –. informações gerais sobre os procedimentos, cuidados, riscos e alternativas de procedimento.

Instrumentos

O Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) foi desenvolvido em 1996 pelo Dr. Michael Booth, em Sidney, Austrália. Em 2000, foi realizado um estudo em 12 países (incluindo o Brasil), visando a determinar a confiabilidade e validade do instrumento(16,20). Os resultados demonstraram que o IPAQ é um instrumento com boa estabilidade de medidas e precisão aceitável para uso em estudos populacionais com adultos jovens e de meia idade(3536). O IPAQ apresenta vantagens: ter duas formas (curta e longa)(36), a possibilidade de se estimar o gasto calórico e de classificação (sedentário, pouco ativo, ativo e muito ativo), maior chance de comparações, e estar adaptado para o nosso meio(16,20).

Foi utilizada a forma curta do IPAQ na forma de entrevista, referente à semana anterior de atividade do indivíduo. O IPAQ contém perguntas referentes à frequência, duração e intensidade da atividade física, que pode ser classificada em leve, moderada ou vigorosa. Lembrando que atividades leves resultam em um gasto calórico de 3,3 unidades metabólicas (METs) (1 MET: 3,5 ml/kg/min), moderadas são atividades que resultam em um gasto de 4,0 METs, e atividades vigorosas resultam em um gasto de 8,0 METs(37). Os indivíduos foram classificados em quatro grupos: sedentários, pouco ativos, ativos e muito ativos.

Na primeira avaliação fisioterápica, os indivíduos receberam orientações motivacionais, incentivando a prática regular de atividades físicas, apresentando a mensagem do CDC e do American College of Sports Medicine: “Todo indivíduo deve acumular ao menos 30 minutos de atividade física na maioria dos dias da semana, em intensidade moderada, de forma contínua ou fracionada”(24,26,37). Nas demais avaliações fisioterápicas, os indivíduos receberam as mesmas orientações e foram feitas comparações com as avaliações anteriores para se determinar o grau de sensibilização desses indivíduos à mensagem do CDC e do American College of Sports Medicine, sob a forma de Intervenção Motivacional.

A Intervenção Motivacional (IM) é uma técnica cognitivo-comportamental relativamente nova, que tem como objetivo ajudar os pacientes a identificarem e mudarem comportamentos que possam colocá-los em risco para o desenvolvimento de doenças, ou ajudá-los a prevenirem complicações de doenças crônicas. A IM baseia-se no Modelo Transteorético da teoria elaborada por Prochaska e Marcus, mais conhecida como Estágios de Mudança Comportamental (EMC)(28,38). Na tabela 1, podemos verificar os estágios de mudança de comportamento e suas respectivas características.

Esse modelo, embora primariamente psicológico, reconhece que fatores específicos do processo de mudança, como a percepção dos benefícios (prós) e das barreiras (contras), incluem em sua análise fatores sociais e do ambiente físico.

Tabela 1 Estágios de mudança de comportamento e suas características 

Estágios Características
Pré-contemplação O indivíduo não tem intenção de mudar o seu comportamento nos próximos seis meses
Contemplação O indivíduo tem a séria intenção de mudar o comportamento nos próximos seis meses
Preparação O indivíduo pretende agir num futuro próximo (em geral no próximo mês)
Ação O comportamento já foi incorporado por menos de seis meses
Manutenção A ação já acontece há mais de seis meses e as chances de retorno ao antigo comportamento são mínimas

Fonte: Adaptado de Prochaska e Marcus(38).

Considerar os processos cognitivos e comportamentais, além dos fatores internos e do ambiente envolvidos na adoção do novo comportamento relacionado à saúde, talvez possa ser o motivo para esse modelo ganhar destaque na área relacionada à saúde e, particularmente, na atividade física. Outra vantagem desse modelo reside no fato de que, ao se fazer uma classificação do sujeito, há indícios de qual poderia ser a intervenção mais adequada para cada tipo de comportamento identificado(28,38).

Coleta de dados

Os indivíduos foram avaliados pelo IPAQ entre abril de 2005 e fevereiro de 2009. A aplicação do IPAQ foi realizada por dois avaliadores. Os dois avaliadores foram sempre os mesmos.

Critérios de classificação

Intensidade da atividade física

A análise da classificação das atividades como leves, moderadas e vigorosas foi realizada seguindo-se os critérios desenvolvidos pelo IPAQ, no qual leve é o menor nível de atividade física, e encaixam-se aqueles indivíduos que não preenchem o critério para as categorias seguintes.

Moderada é a atividade física realizada segundo qualquer um dos seguintes critérios:

    –. três dias ou mais de atividade vigorosa por pelo menos 20 minutos por dia;

    –. cinco dias ou mais de atividade moderada ou caminhada por pelo menos 30 minutos por dia;

    –. cinco dias ou mais de qualquer combinação de caminhada, atividade moderada ou vigorosa acumulando um mínimo de 600 MET's/minutos/semana.

Vigorosa é a atividade física realizada segundo qualquer um dos seguintes critérios:

    –. três dias de atividade vigorosa, acumulando um mínimo de 1.500 MET's/min/semana;

    –. sete dias ou mais de qualquer combinação de caminhada, atividades moderadas ou vigorosas acumulando um mínimo de 3.000 MET's/minutos/semana.

Nível de atividade física - IPAQ

Para analisar os dados do nível de atividade física pelo IPAQ, foi usado o consenso realizado entre o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS) e o CDC de Atlanta em 2002, considerando os critérios de frequência e duração, que classifica os indivíduos em categorias:

Muito ativo: aquele que cumpriu as recomendações de:

    –. atividade vigorosa: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão e/ou;

    –. atividade vigorosa: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão + moderada e/ou;

    –. caminhada: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão.

    –. Ativo: aquele que cumpriu as recomendações de:

    –. atividade vigorosa: ≥ 3 dias/sem e ≥ 20 minutos por sessão e/ou;

    –. atividade moderada ou caminhada: ≥ 5 dias/sem e ≥ 30 minutos por sessão e/ou;

    –. qualquer atividade somada: ≥ 5 dias/sem e ≥ 150 minutos/sem (caminhada + moderada + vigorosa).

    –. Pouco ativo: aquele que realiza atividade física insuficiente para ser classificado como ativo, pois não cumpre as recomendações quanto à frequência ou duração. Para realizar essa classificação, soma-se a frequência e a duração dos diferentes tipos de atividades (caminhada + moderada + vigorosa). Este grupo foi dividido em dois subgrupos, de acordo com o cumprimento ou não de alguns dos critérios de recomendação.

Pouco ativo:

    –. Pouco ativo A: aquele que atinge pelo menos um dos critérios da recomendação quanto à frequência ou duração da atividade; frequência de 5 dias/semana ou duração de 150 minutos/semana;

    –. Pouco ativo B: aquele que não atingiu nenhum dos critérios da recomendação quanto à frequência ou duração.

Sedentário: aquele que não realizou nenhuma atividade física por pelo menos dez minutos contínuos durante a semana(17).

Em nossa análise, não subdividimos o grupo de pouco ativos na classificação pelo IPAQ.

Nível de atividade física - número de MET's

Para realizarmos a análise do Nível de Atividade Física de acordo com o Número de MET's, utilizamos a seguinte classificação:

  1. Sedentários: de 0 a 150 MET's;

  2. Pouco ativos: de 151 a 630 MET's;

  3. Ativos: de 631 a 3.149 MET's;

  4. Muito ativos: acima de 3.150 MET's(35).

Consideramos como indivíduos sensibilizados pela Intervenção Motivacional, todos aqueles que migraram de sedentários para pelo menos pouco ativos, aqueles que mantiveram-se pouco ativos e/ou tornaram-se ativos e muito ativos, além dos participantes que permaneceram ativos e muito ativos.

Índice de sensibilização

O índice de sensibilização representa o quanto aumenta, em número de indivíduos ou percentualmente, o grupo de indivíduos que atingem a recomendação de ativos ou muito ativos.

Análise dos dados

Foi analisada uma tabela contendo mais de 10 mil atendimentos. Desta análise, foram incluídos na pesquisa os indivíduos avaliados por duas ou três vezes. Excluíram-se os indivíduos avaliados apenas uma vez ou avaliados quatro vezes devido ao número insuficiente da amostra.

Foi realizada uma avaliação entre os grupos de homens e mulheres que tiveram duas e três passagens na Unidade de Check-Up, comparando-se a melhora no nível de atividade física (NAF), a melhora da média do número de unidades metabólicas (METs) e o Índice de Sensibilização (IS).

Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa Albert Einstein nº 09/1191.

RESULTADOS

A tabela 2 apresenta as características dos participantes do estudo.

Tabela 2 Características da amostra 

População Homens Mulheres Total
n (%) 1.559 (83,0%) 320 (17,0%) 1.879
Idade 46,3 ± 8,8 43,4 ± 8,4 45,8 ± 8,8

A tabela 3 mostra a distribuição dos indivíduos que participaram do estudo entre os níveis de atividade física e a classificação dos indivíduos insuficientemente ativos e que atingiam a recomendação de atividade física.

Tabela 3 Distribuição da amostra entre os Níveis de Atividade Física: amostra geral 

Características Homens (%) Mulheres (%) Total (%)
Sedentários 15,06 4,2 19,27
Pouco ativos 30,76 6,33 37,09
Ativos 29,75 4,74 34,49
Muito ativos 7,4 1,76 9,15
Insuficientemente ativos (sedentários + pouco ativos) 45,82 10,54 56,36
Atingem a recomendação (ativos + muito ativos) 37,15 6,49 43,64

Valores expressos em %

Inicialmente, pudemos constatar que a maior parte da nossa amostra era de indivíduos insuficientemente ativos (56,4%).

A tabela 4 mostra a distribuição da amostra entre os grupos de atividade física de acordo com os gêneros e as alterações após a Intervenção Motivacional.

Tabela 4 Distribuição da amostra entre os Níveis de Atividade Física para homens e mulheres 

Características Homens Mulheres
Início (%) Após IM (%) Início (%) Após IM (%)
Sedentários 21,6 19,8 27,3 23,5
Pouco ativos 44,1 41,3 41,2 34,9
Ativos 42,6 47,4 30,8 40,5
Muito ativos 10,6 10,5 11,4 11,8
Insuficientemente ativos 65,7 61,1 68,5 58,5
Atingem a recomendação 53,2 57,8 42,2 52,2

IM: intervenção motivacional

Quando dividimos nossa amostra entre homens e mulheres, constatamos que há uma maior proporção de indivíduos insuficientemente ativos entre as mulheres.

As figuras 1 e 2 mostram a variação dos níveis de atividade física após a Intervenção Motivacional entre os grupos de duas e três avaliações para homens e mulheres, respectivamente.

Figura 1 Resultado da intervenção motivacional nos homens 

Figura 2 Resultado da intervenção motivacional nas mulheres 

Dentro da presente amostra, apenas o grupo de mulheres que passou por três avaliações não apresentou aumento do nível de atividade física.

A variação da média do número de METs entre homens e mulheres após a Intervenção Motivacional pode ser conferida na figura 3.

Figura 3 Resultado da Intervenção motivacional na média do número de MET's de cada grupo 

Também nessa avaliação, o grupo de mulheres que passou por três avaliações foi o único que não obteve melhora após a Intervenção Motivacional.

O número de indivíduos insuficientemente ativos (sedentários e pouco ativos) diminuiu consideravelmente após a Intervenção Motivacional. A tabela 5 apresenta o aumento do número de indivíduos que atingiram o nível de atividade física atualmente recomendado para promoção de saúde.

Para avaliar o aumento desse grupo de indivíduos, foi empregado o Índice de Sensibilização.

DISCUSSÃO

A proposta de incentivo à atividade física na forma de Intervenção Motivacional foi muito positiva em ambos os grupos: homens e mulheres.

No início do presente estudo, mais da metade da nossa amostra era de indivíduos insuficientemente ativos (sedentários + pouco ativos), sendo que, quando dividida a amostra entre os gêneros, este número era maior entre as mulheres. Pesquisa do Datafolha (1997) citou que, entre a população analisada, a maior parte mencionou a falta de tempo como principal barreira à prática de atividade física(21), justificativa que também encontramos em nossa amostra por se tratar de executivos.

Após a reavaliação, constatou-se um aumento no nível de atividade física dos indivíduos, sendo que entre as mulheres este aumento foi maior.

O grupo de homens que receberam a proposta de incentivo à atividade física por três vezes obteve resultados em relação aos níveis de atividade física melhores que o grupo de homens que receberam a proposta de incentivo por duas vezes. No grupo de mulheres, o resultado foi melhor no grupo avaliado por duas vezes. Esse resultado se deve ao número reduzido da amostra de mulheres que compuseram o grupo que recebeu a proposta três vezes. Esse fato pode ser considerado um fator de limitação do estudo.

Tabela 5 Distribuição dos indivíduos em relação ao nível da atividade física antes e após a Intervenção Motivacional 

População Sedentários Pouco ativos Ativos Muito ativos Insuficientemente Ativos Atingem a recomendação Índice de sensibilização (%)
n (%) n (%) n (%) n (%) n (%) n (%)
Homens Antes 253 (13,46) 487 (25,92) 459 (24,43) 112 (5,96) 740 (39,38) 571 (30,39)
2 avaliações Após 236 (12,56) 466 (24,8) 501 (26,66) 108 (5,75) 702 (37,36) 609 (32,41) 38 6,7
Homens Antes 30 (1,6) 91 (4,84) 100 (5,32) 27 (1,44) 121 (6,44) 127 (6,76)
3 avaliações Após 23 (1,22) 76 (4,04) 120 (6,39) 29 (1,54) 99 (5,27) 149 (7,93) 22 17,3
Mulheres Antes 73 (3,89) 110 (5,85) 77 (4,1) 29 (1,54) 183 (9,74) 106 (5,64)
2 avaliações Após 61 (3,25) 92 (4,9) 105 (5,59) 31 (1,65) 153 (8,14) 136 (7,24) 30 28,3
Mulheres Antes 6 (0,32) 9 (0,48) 12 (0,64) 4 (0,21) 15 (0,8) 16 (0,85)
3 avaliações Após 7 (0,37) 9 (0,48) 12 (0,64) 3 (0,16) 16 (0,85) 15 (0,8) -1 -6,3
Homens Antes 283 (15,06) 578 (30,76) 559 (29,75) 139 (7,4) 861 (45,82) 698 (37,15)
Após 259 (13,78) 542 (28,85) 621 (33,05) 137 (7,29) 801 (42,63) 758 (40,34) 60 8,6
Mulheres Antes 79 (4,2) 119 (6,33) 89 (4,74) 33 (1,76) 198 (10,54) 122 (6,49)
Após 68 (3,62) 101 (5,38) 117 (6,23) 34 (1,81) 169 (8,99) 151 (8,04) 29 23,8
Geral Antes 362 (19,27) 697 (37,09) 648 (34,49) 172 (9,15) 1059 (56,36) 820 (43,64)
Após 327 (17,4) 643 (34,22) 738 (39,28) 171 (9,1) 970 (51,62) 909 (48,38) 89 10,9

Em relação à média do número de METs, houve aumento de forma geral, sendo que tal aumento foi maior entre as mulheres. Esse resultado talvez se deva ao fato de que havia um número maior de mulheres insuficientemente ativas. Em estudos realizados em populações na América Latina, as mulheres reportaram ser mais inativas do que os homens(21).

Houve diminuição considerável do grupo de indivíduos insuficientemente ativos, com maior resistência à mudança de comportamento no grupo de sedentários em ambos os sexos.

Quando dividido o grupo de mulheres entre duas e três avaliações, o grupo de três avaliações não apresentou aumento do número da média de METs.

Ao avaliar o Índice de Sensibilização, constatou-se que houve maior sensibilização entre as mulheres, o que sugere que este grupo seja mais favorável em manter a mudança comportamental. Em um estudo comparativo entre homens e mulheres, concluiu-se que as mulheres têm mais tendência à participação em atividades físicas regulares do que os homens(17).

A avaliação do Índice de Sensibilização na amostra geral foi muito satisfatória, atingindo os resultados esperados. Estes resultados demonstram a efetividade do trabalho de incentivo à atividade física na forma de Intervenção Motivacional.

CONCLUSÃO

Com base nestes resultados, percebe-se que é de extrema importância a continuidade de projetos que estimulem a prática da atividade física, com objetivo de atingir as recomendações atuais para a saúde entre os insuficientemente ativos, principalmente entre os sedentários, que apresentaram maior resistência à conscientização. Estes resultados demonstram que a intervenção motivacional é uma ferramenta eficaz para a promoção da atividade física principalmente quando realizada de forma contínua e por longos períodos. Concluímos ser de grande importância o incentivo da prática regular de atividade física por meio de programas de informação de seus benefícios à saúde.

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