Incontinência urinária após parto vaginal ou cesáreo

Incontinência urinária após parto vaginal ou cesáreo

Autores:

João Bosco Ramos Borges,
Telma Guarisi,
Ana Carolina Marchesini de Camargo,
Thomaz Rafael Gollop,
Rogério Bonassi Machado,
Pítia Cárita de Godoy Borges

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.8 no.2 São Paulo abr./jun. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/s1679-45082010ao1543

INTRODUÇÃO

Incontinência urinária é definida pela International Continence Society (ICS) como qualquer perda involuntária de urina(1). A prevalência de incontinência urinária é bastante variada, de acordo, principalmente, com o tipo de população e as diferentes faixas etárias estudadas, ocorrendo mais em mulheres do que em homens, e estima-se que uma em cada quatro mulheres tem algum tipo de perda urinária(2). Em Campinas, São Paulo, por meio de inquérito populacional, foi observado que 35% das mulheres entre 45 e 60 anos apresentavam queixa de incontinência urinária de esforço (IUE)(3).

Dentre os vários tipos de incontinência urinária em mulheres, a mais frequente é a IUE, definida como a queixa de perda involuntária de urina no esforço físico, espirro ou tosse(1). A segunda causa mais frequente decorre de hiperatividade detrusora, traduzida, na maior parte das vezes, pela urge-incontinência (UI) – perda involuntária associada a forte desejo miccional. Muitas vezes, podemos encontrar a associação dos dois tipos de queixa, caracterizando a incontinência urinária mista (IUM).

A IUE tem como principais fatores de risco a gravidez e o parto, principalmente durante os anos de vida reprodutiva da mulher(47). Especialmente o parto vaginal(8), em virtude dos danos que pode provocar à integridade da musculatura e inervação do assoalho pélvico. Essa musculatura e inervação representam importante fator na manutenção da continência urinária.

Procura-se associar também as alterações fisiológicas da gravidez, como modificação das relações anatômicas entre bexiga e útero, diminuição da força da fáscia que ancora o colo vesical, e também os níveis elevados de progesterona e a instabilidade vesical como argumentos que podem justificar a não proteção atribuída ao parto cesáreo(910).

Contrariamente, outros achados apontam taxas insignificantes de incontinência em pacientes com passado de parto cesáreo, quando comparadas àquelas com partos vaginais(911).

Um das limitações dos estudos é que, ao se referir às pacientes com passado de partos cesáreos, não se considerou se o parto ocorreu após um período de permanência em trabalho de parto ou se foi indicação eletiva, não precedida de contrações.

OBJETIVOS

Avaliar a prevalência de incontinência urinária de esforço, urge-incontinência e incontinência urinária mista entre mulheres residentes no município de Jundiaí, São Paulo, bem como a relação entre o tipo de incontinência urinária e a história obstétrica.

MÉTODOS

Foram entrevistadas 332 mulheres, com idade a partir de 16 anos, que compareceram por qualquer motivo (acompanhando familiares ou indo a consultas de qualquer outra especialidade) às unidades básicas de saúde – no período de Março de 2005 a Abril de 2006 – onde responderam questões relacionadas à incontinência urinária, em um estudo de corte transversal, do tipo inquérito, sobre a saúde da mulher no município de Jundiaí. Utilizou-se questionário pré-testado contendo questões utilizadas no EPINCONT Study (Epidemiology of Incontinence in the Country of Nord-Trondelag). Tais questões sobre incontinência urinária incluíram: IUE, definida como perda de urina durante esforços como tossir, rir ou carregar peso; UI, quando a mulher refere perda urinária associada à urgência miccional; IUM, quando a mulher apresenta queixa de perda urinária devida aos esforços, associada à UI ou à urgência urinária (vontade incontrolável de urinar), à frequência urinária (número de micções ao dia), disúria (ardor ao urinar) e noctúria (mais de duas micções durante a noite). A história obstétrica incluiu número de gestações, tipo de término dos partos (apenas vaginal, apenas cesáreo, vaginal e cesáreo) e ocorrência ou não de trabalho de parto precedendo os partos cesáreos. Outras variáveis estudadas foram idade, índice de massa corpórea (IMC) e tabagismo. Para a análise estatística, utilizou-se o teste do χ2 e odds ratio (IC95%).

Este projeto foi aprovado pela Comissão de Ética e Pesquisa da Faculdade de Medicina de Jundiaí – FMJ.

RESULTADOS

Das 332 mulheres entrevistadas, quase um quarto apresentou queixa de algum tipo de perda urinária (Figura 1).

Figura 1 Distribuição das mulheres de acordo com a presença de incontinência urinária 

O principal tipo de incontinência urinária referido foi a IUE, que representou metade das mulheres com queixa (Figura 2).

Figura 2 Distribuição percentual das mulheres de acordo com o tipo de incontinência urinária 

O grupo de mulheres sem nenhuma queixa de perda urinária foi usado como controle (n = 247) para a comparação das diversas variáveis analisadas com o tipo de incontinência urinária. Dos fatores analisados, observou-se que a idade entre 35 e 64 anos, IMC maior ou igual a 30 e ter passado por, pelo menos, uma gestação foram os que mostraram associação positiva com a queixa de IUE (Tabela 1).

Tabela 1 Fatores associados à queixa de incontinência urinária de esforço 

Fatores n OR IC95%
S/Q IUE
Idade (anos)
16-34 110 3 Ref,
35-44 46 11 8,77 (2,13-50,48)
45-54 40 14 12,83 (3,28-71,99)
55-64 32 6 6,88 (1,36-44,12)
65 or + 18 2 4,07 (0,31-37,63)
Total 247 36
IMC
< 30 200 22 Ref,
≥ 30 35 13 3,38 (1,45-7,81)
Total 235 35
Tabagismo
Não 158 17 Ref,
Sim 88 18 1,9 (0,88-4,1)
Total 246 35
Número de gestações
Nenhuma 56 1 Ref,
1-2 87 17 10,94 (1,61-465,32)
3 ou + 104 18 9,69 (1,44-410,9)
Total 247 36

S/Q: sem queixa; IUE: incontinência urinária de esforço; OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança de 95%; IMC: índice de massa corpórea; Ref.: valor de referência.

Já em relação à UI, não houve associação significativa com nenhuma das variáveis analisadas (Tabela 2).

Tabela 2 Fatores associados à queixa de urge-incontinência 

Fatores n OR IC95%
S/Q UI
Idade (anos)
16-34 110 5 Ref.
35-44 46 1 0,48 (0,01-4,46)
45-54 40 2 1,1 (0,10-7,05)
55-64 32 2 1,38 (0,13-8,88)
65 or + 18 1 1,22 (0,02-11,86)
Total 247 11
IMC
< 30 200 10 Ref.
≥ 30 35 0 Not calculable
Total 235 10
Tabagismo
Não 158 6 Ref.
Sim 88 5 1,5 (0,35-6,06)
Total 246 11
Número de gestações
Nenhuma 56 1 Ref.
1-2 87 5 3,32 (0,34-154,89)
3 ou + 104 5 2,69 (0,29-129,58)
Total 247 11

S/Q: sem queixa; UI: urge-incontinência; OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança de 95%; IMC: índice de massa corpórea; Ref.: valor de referência.

Nos casos de mulheres que apresentavam tanto queixa de IUE como de UI, observou-se associação significativa com idade acima de 55 anos, IMC maior ou igual a 30 e ter passado por três ou mais gestações (Tabela 3).

Tabela 3 Fatores associados à incontinência urinária mista 

Fatores n OR IC95%
S/Q IUM
Idade (anos)
16-34 110 3 Ref.
35-44 46 2 1,59 (0,13-14,35)
45-54 40 5 4,58 (0,84-30,51)
55-64 32 11 12,6 (3,02-73,06)
65 or + 18 4 8,15 (1,24-58,84)
Total 247 25
IMC
< 30 200 14 Ref.
≥ 30 35 8 3,27 (0,15-9,11)
Total 235 22
Tabagismo
Não 158 13 Ref.
Sim 88 12 1,66 (0,67-4,07)
Total 246 25
Número de gestações
Nenhuma 56 1 Ref.
1-2 87 6 3,86 (0,45-180,76)
3 ou + 104 18 9,69 (1,44-410,9)
Total 247 25

S/Q: sem queixa; IUM: incontinência urinária mista; OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança de 95%; IMC: índice de massa corpórea; Ref.: valor de referência.

Quando se compararam os grupos em relação ao tipo de parto, viu-se que apenas parto normal ou apenas parto cesáreo precedido por contrações mostrou associação positiva com IUE. Ter passado apenas por partos normais também mostrou associação positiva com a IUM (Tabela 4). O tipo de parto, independentemente de ser precedido ou não por contrações uterinas, não mostrou associação com a UI (dados não mostrados em tabela).

Tabela 4 Comparação entre o tipo de parto com as diferentes queixas de incontinência urinária 

Parto Queixa OR (IC95%)
S/Q IUE IUM IUE IUM
Nenhum 56 1 1 Ref. Ref.
Apenas normais 105 16 17 8,53 (1,25-364,12) 9,07 (1,34-385,56)
Apenas cesáreas 46 6 2 7,3 (0,83-341,94) 2,43 (0,12-146,16)
Com contrações 19 4 1 11,79 (1,04-590,57) 2,95 (0,04-235,39)
Sem contrações 27 2 1 4,15 (0,2-248,99) 2,07 (0,03-165,66)
Total 207 22 19

S/Q: sem queixa; IUE: incontinência urinária de esforço; IUM: incontinência urinária mista; OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiança de 95%; Ref.: valor de referência.

DISCUSSÃO

A incontinência urinária é problema comum, que acomete mulheres na menacme e na menopausa. Está associada com perda da independência e diminuição da qualidade de vida, limitando a participação nas atividades domésticas e na vida social. Os dados de prevalência de IUE são bastante variáveis, dependendo da faixa etária, das características da população e do critério diagnóstico utilizado. As cifras vão de 12 a 56%(3,12-14). A prevalência de incontinência urinária é pouco estudada no Brasil. O entendimento dos sintomas urinários, fatores associados, com ênfase no tipo de parto foi o objetivo da avaliação por questionário nesta amostra populacional.

Em estudo realizado por meio de entrevistas com homens e mulheres brasileiras, com idade a partir de 55 anos, foi encontrada maior prevalência entre as mulheres (43%)(15). Nos dados observados no presente trabalho, observou-se que, aproximadamente, uma em cada quatro mulheres entrevistadas referiu algum tipo de perda urinária, o que está de acordo com os resultados encontrados recentemente por Contreras Ortiz(2).

Dentre as formas de incontinência urinária, a mais frequente no presente estudo foi a IUE, referida por, aproximadamente, metade das mulheres com queixa, seguida pela IUM, relatada por um terço delas. A UI esteve presente em 15% das mulheres com algum tipo de incontinência urinária.

Entre os vários fatores que podem estar associados à prevalência de incontinência urinária, estão raça e tabagismo, que, neste trabalho, não mostraram associação significativa. Esses resultados estão de acordo com outros estudos(3). Por outro lado, IMC igual ou maior a 30 se associou significativamente com IUE, diferentemente de uma pesquisa anterior, em que tal associação não foi observada(3).

Estudos anteriores observaram aumento na prevalência de UI com o aumento da idade, de 2 para 19%, com marcada elevação acima dos 44 anos(16). No presente trabalho, a IUM associou-se significativamente com idade superior a 55 anos. Com relação à idade, a faixa etária entre 35 e 64 anos associou-se significativamente à IUE. Entretanto, essa associação não foi encontrada no grupo com idade superior a 65 anos, o que também foi observado em levantamentos anteriores(4).

No que diz respeito à história obstétrica, observou-se nesta casuística risco aproximadamente dez vezes maior de IUE nas pacientes com uma ou mais gestações em relação às nulíparas. Dados semelhantes foram encontrados em outros estudos(1011), sendo que, em outro estudo nacional, o risco foi cinco vezes maior(10). Em tal estudo, foi avaliada a amostra hospitalar, o que poderia justificar uma prevalência menor, já que, talvez, seja composta por mulheres que estejam mais atentas à procura de assistência obstétrica. A presente casuística avaliou amostra populacional que frequenta postos de saúde por qualquer motivo.

Com relação à forma de parto, houve maior risco de IUE e IUM entre as mulheres que tiveram apenas partos normais. Mais interessante ainda foi ter observado um risco maior de IUE entre as mulheres que tiveram apenas partos cesáreos, quando esses foram precedidos por um período de trabalho de parto. Meyer et al.(17) também observaram menor prevalência de IUE em mulheres submetidas a parto cesáreo eletivo, quando comparadas àquelas com partos vaginais e espontâneos, e prevalência ainda menor em relação àquelas com partos fórcipes (3, 21 e 36%, respectivamente).

No entanto, contrariando os achados acima, vários estudos têm demonstrado maior incidência de IUE em mulheres com partos vaginais em relação àquelas com parto cesáreo, e maior incidência ainda em relação às nulíparas(10-11,17). No entanto, em todos esses estudos, não se avaliou a ocorrência ou não de contrações de trabalho de parto precedendo a cesárea, o que, sem dúvida, pode justificar as diferenças encontradas. É sabido que o trabalho de parto por si só pode provocar alterações na estática do assoalho pélvico, independentemente do tipo de parto, o que é visto como um dos principais fatores etiopatogênicos da IUE(18).

É discutível se a gravidez apenas já seria motivo suficiente para determinar alterações que levariam ao aparecimento da incontinência urinária. Entretanto, sabe-se que muitas mulheres apresentam esse sintoma durante a gestação e deixam de referi-lo algum tempo após o parto(7,19). Talvez essas mulheres apresentem maior risco para o desenvolvimento de incontinência urinária no futuro.

Nenhuma das variáveis estudadas associou-se significativamente à UI, talvez pelo reduzido número de mulheres com esse sintoma. Os fatores referentes à gestação e ao parto realmente parecem associar-se à IUE. Também a IUM, que inclui a IUE, associou-se significativamente à ocorrência de partos normais.

CONCLUSÕES

Os resultados deste estudo permitiram concluir que a prevalência de incontinência urinária é alta entre mulheres e que a IUE atinge preferencialmente mulheres com antecedente de algum tipo de parto, ainda que este tenha sido cesáreo, parecendo ser o trabalho de parto o principal fator associado à ocorrência dessa queixa. Novos estudos são necessários para confirmar esses dados e, principalmente, tentar avaliar outros fatores relacionados ao parto que possam contribuir para o desenvolvimento de incontinência urinária. De posse desses conhecimentos, se faz necessário identificar prováveis estratégias para a prevenção ou a minimização desse importante problema que aflige as mulheres.

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