Índice de desvantagem vocal em cantores populares e eruditos profissionais

Índice de desvantagem vocal em cantores populares e eruditos profissionais

Autores:

Camila Miranda Loiola-Barreiro,
Marta Assumpção de Andrada e Silva

ARTIGO ORIGINAL

CoDAS

versão On-line ISSN 2317-1782

CoDAS vol.28 no.5 São Paulo set./out. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20162015226

INTRODUÇÃO

Cantores representam uma classe profissional, geralmente de alta demanda vocal com diferentes graus de exigências e requintes, o que interfere de maneira distinta no exercício da profissão(1). Dessa forma, determinadas dificuldades e/ou alterações vocais geram diferentes impactos em relação aos aspectos pessoais e profissionais. Fatores como características demográficas dos sujeitos, tempo de profissão e de formação em canto, além dos gêneros musicais executados por esses indivíduos podem influenciar as questões vocais relacionadas à atividade do canto.

Uma importante ferramenta para avaliar este impacto e analisar o ponto de vista do próprio cantor sobre suas questões vocais são os protocolos de autoavaliação intitulados Índice de Desvantagem Vocal para o Canto Clássico - IDCC(2), destinado ao cantor erudito, e o Índice de Desvantagem Vocal para o Canto Moderno - IDCM(3), elaborado para o cantor popular. Ambos apresentam uma estrutura comum com 30 afirmativas, divididas em três grupos nomeados como incapacidade, desvantagem e defeito, que correspondem, respectivamente, aos domínios funcional (impacto da voz nas atividades profissionais), emocional (seus efeitos psicológicos) e orgânico (autopercepção da emissão vocal). Apresentam uma escala likert de cinco pontos e quanto maior a pontuação, maior é a desvantagem referida pelo cantor. Tais instrumentos têm se mostrado eficazes na verificação da percepção do indivíduo sobre sua desvantagem da voz cantada na atividade profissional(2-5).

Apesar de a tradução para o português ter mantido os termos moderno e clássico nos protocolos, tal nomenclatura não é habitualmente utilizada no Brasil para se referir aos dois grandes gêneros musicais: popular e erudito. As terminologias moderno e clássico também são utilizadas para nomear períodos históricos da arte nos quais se desenvolveram obras musicais com componentes estéticos e formas instrumentais próprias. Posto isso, para este estudo adotou-se popular para o canto moderno (IDCM) e erudito para o IDCC.

Outra questão frequentemente observada é o uso do termo estilo para se referir a gênero musical. Em dicionário especializado(6), gênero musical indica uma ou mais variedades musicais que comungam certa identidade entre si. A definição de estilo, por sua vez, refere-se ao estilo de época ou período e também significa uma maneira particular de se compor e tocar, associada a um compositor, intérprete ou lugar. Portanto, podemos nos deparar com cantores com diferentes estilos, que lhe são próprios e únicos, mesmo que façam parte de um mesmo gênero musical. É importante entender esses conceitos quando se pretende estudar, pesquisar e atuar na área de voz cantada.

Quanto à aplicabilidade do IDCM e IDCC, nota-se que, em ambos os protocolos, há referências a apresentações, shows, repertório e outros aspectos que deixam clara a preocupação em se investigar o profissional que utiliza a voz cantada como instrumento de trabalho e não como hobby ou como forma de interação em um grupo social ou comunidade.

Foi desenvolvida uma pesquisa(3) com o objetivo de verificar a sensibilidade do protocolo IDCM com a sua aplicação em cantores de coral amador, com e sem queixa vocal e em indivíduos não cantores com características demográficas semelhantes. Os resultados indicaram maior desvantagem vocal em cantores com queixa em relação àqueles que relataram não ter problemas vocais e aos não cantores. Concluiu-se que o IDCM é sensível para avaliar cantores e, segundo os autores, pode ser utilizado no mapeamento de problemas vocais.

Em outro estudo com coristas amadores de igreja(4), 42 sujeitos responderam ao protocolo IDCM, um questionário que versou sobre dados demográficos, práticas do canto, além de triagem vocal. Os cantores com qualidade vocal alterada tiveram maiores escores nas subescalas incapacidade e desvantagem e no domínio total. Além disso, aqueles que referiram realizar aulas de canto apresentaram índices menores de desvantagem vocal.

Quanto ao IDCC, em uma população formada por cantores de coros, investigou-se a relação dos escores com gênero, idade, classificação vocal e tempo de dedicação ao canto em 59 cantores, com e sem queixa vocal(2). O escore total foi maior no grupo com queixa, com maior impacto nos domínios orgânico (defeito) e funcional (incapacidade). Entre os cantores sem queixa, houve relação entre o IDCC com a idade e o tempo de canto.

Na comparação entre os gêneros popular e erudito, pouco tem sido abordado, apesar de estar claro que existem características particulares entre esses cantores(7,8). Um estudo(5) mostrou algumas dessas distinções ao analisar o IDCM de 59 cantores populares e o IDCC de 59 eruditos, com e sem queixas vocais. Os resultados mostraram que ambos os grupos apresentaram maiores escores na subescala defeito, seguido por incapacidade e desvantagem. Entre os participantes com queixa vocal, cantores eruditos tiveram maiores escores em comparação aos populares e, no grupo sem queixas, eruditos indicaram menor índice de desvantagem.

Dessa forma, ao considerar a função dos protocolos IDCM e IDCC de verificar, do ponto de vista do cantor profissional, a relação de sua voz com o trabalho, julgou-se necessário desenvolver estudos que possam investigar as peculiaridades de cada gênero musical. Além disso, abranger amostras de população de origens e formações diversas, e não apenas de um grupo de cantores com atividades vocais e vivências semelhantes.

O objetivo deste estudo foi comparar o índice de desvantagem vocal em cantores populares e eruditos profissionais por meio dos protocolos IDCM e IDCC, de acordo com o gênero, a idade, o tempo de atuação profissional e a presença ou ausência de queixa vocal autorreferida.

MÉTODO

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da instituição sob o número de protocolo 140.453.

Com o intuito de obter maior número de respondentes de outras cidades e estados, e assim diversificar suas formações e tipos de atividades profissionais, optou-se por aplicar o IDCM e o IDCC de forma online. Para tanto, os protocolos foram elaborados na íntegra por meio do aplicativo Google Docs®. Foram gerados dois formulários independentes, um destinado a cantores populares e outro a eruditos. Na primeira tela do formulário, constava a apresentação da pesquisa e a informação pré-requisito para sua participação, que era ser cantor profissional há pelo menos um ano. Adotou-se como critério para preencher tal requisito o indivíduo que tivesse a voz cantada como ferramenta básica para o seu exercício profissional, sem a qual não seria possível desenvolver sua atividade ocupacional. Portanto, considerou-se a definição atribuída ao profissional da voz, tal como apresentado no Consenso Nacional sobre Voz Profissional. Na mesma tela, foi apresentado o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), sendo apenas possível dar continuidade às próximas telas se o voluntário marcasse a opção na qual consentia a sua participação no estudo. A segunda tela continha o questionário de caracterização com: iniciais do nome, data de nascimento, gênero, tempo de experiência no canto profissional, gênero musical (no caso do popular, especificar qual gênero executado), classificação vocal (apenas para cantor erudito) e queixa vocal autorreferida. Foi considerada a presença da queixa quando o cantor respondeu de forma afirmativa à questão, com a menção de um ou mais sinais e/ou sintomas vocais. A terceira tela constou do protocolo IDCM, para canto popular, e do IDCC, para o erudito, de acordo com a proposta original traduzida para o Português Brasileiro(2,3).

A coleta foi realizada por meio de amostragem bola de neve (snowball sampling) a partir de contatos pessoais e indicações no início e, posteriormente, cada participante indicou mais um ou dois possíveis voluntários.

Os dados foram digitados em planilha Excel e analisados pelo programa SPSS versão 17.0 para Windows. Realizou-se análise descritiva por meio de frequências absolutas e relativas, medidas de tendência central (média e mediana) e dispersão (desvio padrão, mínimo e máximo). Para a comparação entre as variáveis qualitativas, foi utilizado o teste de associação pelo Quiquadrado. Nas variáveis quantitativas, primeiramente foi testada a aderência à curva normal (teste Komolgorov-Smirnov) e, como estas se mostraram livres de distribuição, foram aplicados testes não paramétricos. O teste de Mann-Whitney foi utilizado para a diferença de médias e Spearman para correlação.

Por fim, realizou-se o teste de regressão linear univariada e múltipla. Para a entrada das variáveis no modelo final, foram selecionados os fatores estatisticamente significativos e os que apresentaram p<20% associados. Esse procedimento foi efetuado para isolar as variáveis de fator de confusão. Dessa forma, quando as variáveis idade e tempo de canto foram significativas na primeira análise estatística, uma nova análise foi realizada com a estratificação dos dados quanto à ausência ou presença de queixa. Esse procedimento foi realizado uma vez que a variável queixa se apresenta de forma qualitativa dicotômica e poderia influenciar na significância das demais variáveis. Assumiu-se um nível descritivo de 5% (p ≤ 0,05) para a significância estatística.

RESULTADOS

A amostra constou de 132 cantores profissionais, 74 (56,1%) populares e 58 (43,9%) eruditos, com maior proporção de mulheres (59,1%), média de idade de 33,5 anos, variando entre 18 e 66 anos.

A Figura 1 apresenta a distribuição dos cantores populares de acordo com o gênero musical executado.

Figura 1 Distribuição dos cantores populares de acordo com o gênero musical executado 

A Figura 2 apresenta a caracterização dos cantores eruditos quanto à sua classificação vocal.

Figura 2 Caracterização dos cantores eruditos quanto à classificação vocal 

Na comparação entre os grupos popular e erudito, houve diferença estatisticamente significativa para as variáveis gênero e queixa autorreferida, (teste Quiquadrado), com maior proporção de mulheres (n=50) no grupo de cantores populares quando comparado ao dos eruditos (n=28). A presença de queixa também foi maior entre os populares (n=34), comparando-se com os eruditos (n=14). Para idade e tempo de experiência profissional no canto, não houve diferença estatisticamente significante (teste Mann-Whitney), sendo em média 34,8 anos de idade nos populares e 31,8 anos nos eruditos, e média do tempo de canto nos populares de 14,6 anos e nos eruditos, 12,6 anos.

Ao comparar os escores de IDCM e IDCC com a variável gênero (Tabela 1), tanto nos cantores populares quanto nos eruditos, não houve diferença estatisticamente significativa em nenhum dos seus escores.

Tabela 1 Análise descritiva dos escores total e das subescalas incapacidade, desvantagem e defeito, do IDCM e IDCC, segundo o gênero, nos cantores populares e eruditos 

IDCM p* IDCC p*
Masculino Feminino Masculino Feminino
N X¯ (dp) mediana Min-Max N X¯ (dp) mediana Min-Max N X¯ (dp) mediana Min-Max N X¯ (dp) mediana Min – Max
Escore total (%) 24 28,1 (26,0) 20,4 0,8-79,2 50 17,7 (14,5) 13,3 0,0-50,8 0,260 30 20,3 (21,7) 15 0,0-80,0 19,9 (22,5) 17,7 0,0- 80,0 0,988
Escore Incapacidade (%) 24 9,0 (8,6) 5,8 0,0-26,7 50 5,4 (4,9) 4,2 0,0-20,0 0,148 30 7,1 (7,8) 3,3 0,0-29,2 28 7,0 (7,2) 3,3 0,0-25,8 0,876
Escore Desvantagem (%) 24 7,8 (8,3) 4,6 0,0- 25,8 50 4,2 (4,3) 2,9 0,0-16,7 0,350 30 5,2 (6,0) 2,9 0,0-20,8 28 5,7 (7,1) 2,9 0,0-26,7 0,838
Escore 24 11,4 (10,0) 9,2 0,0-29,2 50 8,1 (6,6) 7,5 0,0-23,3 0,282 30 7,9 (8,5) 6,3 0,0-31,7 28 7,3 (8,6) 3,8 0,0-27,5 0,656
Defeito (%)

*Mann-Whitney

A Tabela 2 apresenta a correlação entre os escores de IDCM e IDCC com a idade e tempo de experiência profissional no canto. Entre os cantores populares, houve fraca correlação negativa estatisticamente significativa para os escores do protocolo IDCM (exceto desvantagem) e a idade dos sujeitos. Quanto aos cantores eruditos, não houve correlação estatisticamente significativa. Na análise do tempo de canto, nos cantores populares, todos os escores do IDCM mostraram correlação negativa estatisticamente significativa, porém fraca. Nos cantores eruditos, por sua vez, não houve correlação estatisticamente significativa com esta variável e os escores do IDCC.

Tabela 2 Correlação entre os escores total e das subescalas incapacidade, desvantagem e defeito, de IDCM e IDCC com a idade e o tempo de experiência profissional no canto, em anos, dos cantores populares e eruditos 

Idade p* Tempo de canto
IDCM p* IDCC IDCM p* IDCC p*
n r n r n r n r
Escore Total (%) 74 -0,24 0,037 58 -0,07 0,594 74 -0,40 <0,001 58 -0,17 0,197
Escore Incapacidade (%) 74 -0,22 0,055 58 -0,17 0,216 74 -0,37 0,001 58 -0,24 0,075
Escore Desvantagem (%) 74 -0,21 0,077 58 -0,04 0,767 74 -0,40 <0,001 58 -0,13 0,346
Escore Defeito (%) 74 -0,26 0,028 58 -0,03 0,820 74 -0,36 0,002 58 -0,13 0,348

*Teste de Spearman

Em relação à comparação entre a presença e ausência de queixa autorreferida com os protocolos, verificou-se que todos os escores apresentaram diferença estatisticamente significativa, tanto entre os cantores populares quanto entre os eruditos (Tabela 3).

Tabela 3 Análise descritiva dos escores total e das subescalas incapacidade, desvantagem e defeito, de IDCM e IDCC, segundo queixa autorreferida pelos cantores populares e eruditos 

IDCM p* IDCC p*
Sem queixa Com queixa Sem queixa Com queixa
N X¯ (dp) Mediana Min-Max N X¯ (dp) mediana Min-Max N X¯ (dp) mediana Min-Max N X¯ (dp) mediana Min – Max
Escore total (%) 40 10,6 (13,0) 5,8 0,0-60,8 34 33,4 (18,8) 33,3 7,5-79,2 <0,001 44 12,7 (14,5) 7,5 0,0-78,3 14 43,5 (25,0) 42,1 12,5-80,8 < 0,001
Escore Incapacidade (%) 40 3,2 (3,7) 2,5 0,0-18,3 34 10,5 (6,9) 8,8 1,7-26,7 <0,001 44 4,5 (5,2) 3,3 0,0-25,8 14 14,9 (8,1) 12,5 5,0-29,2 < 0,001
Escore Desvantagem (%) 40 2,5 (4,2) 0,8 0,0-18,3 34 8,8 (6,3) 7,5 0,0-25,8 <0,001 44 3,3 (4,1) 2,1 0,0-20,8 14 12,2 (8,1) 12,1 2,5-26,7 < 0,001
Escore Defeito (%) 40 5,0 (6,1) 2,1 0,0-24,2 34 14,1 (7,0) 13,8 3,3-29,2 <0,001 44 4,9 (6,0) 2,9 0,0-31,7 14 16,4 (9,3) 17,1 2,5-30,8 < 0,001

*Mann-Whitney

Entre os cantores populares, idade, tempo de canto e queixa autorreferida mostraram-se estatisticamente significativos para todos os escores do IDCM. A partir desses resultados, foi realizado o modelo múltiplo de regressão linear (Tabela 4) com a estratificação da variável queixa quanto à sua presença ou ausência.

Tabela 4 Análise de regressão múltipla para os escores de IDCM com as variáveis idade e tempo de experiência no canto, segundo a presença ou ausência de queixa autorreferida pelos cantores populares 

Variável IDCM
Sem queixa p* Com queixa p*
N β IC95% N β IC95%
Escore Total (%) Idade 40 -0,1 -058 ; 0,38 0,671 34 0,42 -0,13 ; 1,83 0,087
Tempo de Canto -0,01 -0,55 ; 0,54 0,979 -0,53 -2,28 ; -0,10 0,033
Escore Idade 40 -0,09 -0,16 ; 0,11 0,695 34 0,40 -0,06 ; 0,67 0,101
Incapacidade (%) Tempo de Canto 0,01 -0,16 ; 0,16 0,991 -0,5 -0,82 ; -0,01 0,043
Escore Idade 40 -0,13 -0,20 ; 0,11 0,556 34 0,40 -0,06 ; 0,60 0,110
Desvantagem (%) Tempo de Canto 0,05 -0,16 ; 0,19 0,831 -0,45 -0,71 ; 0,03 0,068
Escore Idade 40 -0,06 -0,25 ; 0,19 0,791 34 0,37 -0,09 ; 0,65 0,131
Defeito (%) Tempo de Canto -0,05 -0,28 ; 0,23 0,834 -0,51 -0,84 ; -0,02 0,040

*Análise de regressão linear

Nessa análise, não houve correlação estatisticamente significativa entre os escores de IDCM e as variáveis: idade e tempo de canto para cantores populares sem queixa autorreferida. Por outro lado, ao analisar o estrato presença de queixa, verificou-se que o tempo de experiência no canto teve correlação negativa estatisticamente significativa no escore total, e nos escores incapacidade e defeito, ajustados pela idade. Ou seja, conforme aumentou o tempo de experiência no canto, tais escores do IDCM diminuíram nos cantores populares que relataram queixa. No entanto, esta correlação não foi verificada no escore desvantagem.

Na análise dos cantores eruditos, somente a variável queixa mostrou associação estatisticamente significativa com os escores do IDCC. Contudo, o tempo de experiência profissional para os escores total e de incapacidade apresentaram p<0,20. Para eliminar a chance de ocorrer qualquer influência de outras variáveis nos resultados, realizou-se a análise desses escores estratificados pela queixa (Tabela 5). Em ambas as estratificações, não houve diferença estatisticamente significativa dessas variáveis.

Tabela 5 Análise de regressão linear univariada para os escores total e incapacidade de IDCC com a variável tempo de experiência no canto, segundo a presença ou ausência de queixa autorreferida pelos cantores eruditos 

Variável IDCC
Sem queixa p Com queixa p
N β IC95% N β IC95%
Escore Tempo de Canto 44 -0,21 -0,67 ; 0,25 0,357 14 0,09 -1,36 ; 1,53 0,989
Total (%)
Escore Tempo de Canto 44 -0,11 -0,28 ; 0,05 0,182 14 -0,02 -0,49 ; 0,45 0,932
Incapacidade (%)

DISCUSSÃO

O recurso online utilizado para a coleta mostrou ser uma excelente opção principalmente ao se considerar a otimização do tempo e a dificuldade de locomoção das pessoas nas grandes cidades. Tal opção também facilitou o contato com a população, uma vez que geralmente esse grupo de profissionais costuma ter horários pouco convencionais em função de suas agendas de shows, reuniões e ensaios. Dessa forma, a ferramenta online permitiu que o cantor tivesse a liberdade de responder o protocolo no horário que lhe fosse conveniente.

Quanto à caracterização da amostra, houve predominância de cantores populares femininos e eruditos masculinos. Estudos anteriores(2-4) também apontam um número maior de mulheres no gênero popular. Nas variáveis idade e tempo de experiência profissional, os grupos se comportaram de maneira semelhante. A média de idade mostra que os sujeitos desse estudo se enquadraram na faixa etária de máxima eficiência vocal, de acordo com a literatura(9). Em ambos os grupos, porém, encontram-se cantores com idade superior a 45 anos e que se mantêm profissionalmente ativos na profissão e sem queixa vocal. Esse dado evidencia que, mesmo que ocorram alterações estruturais, funcionais e/ou hormonais decorrentes do processo natural de envelhecimento, o canto pode auxiliar na longevidade da voz, proporcionando melhores condições de produção vocal ao longo da vida(10,11). Acredita-se, portanto, que a referência que se faz a respeito do período de melhor eficiência vocal talvez possa ser repensada para o cantor profissional.

Com relação à caracterização profissional dos cantores populares, o gênero musical mais executado foi música popular brasileira (MPB), seguido do rock, do gospel e do sertanejo. Em geral, a maior parte dos profissionais que atuam em bares, casas noturnas e outros locais comuns aos cantores populares apresenta repertório de MPB, pop, rock e seus subgêneros. Em estudo(12) que caracterizou 30 cantores da noite com queixa de voz cantada, 26 sujeitos eram intérpretes da MPB. Portanto, foi esperada uma prevalência de sujeitos que executam tais modalidades.

O canto gospel, por sua vez, tem ganhado espaço na indústria fonográfica do Brasil com a criação de um nicho específico no mercado nacional, e também na área científica apresenta uma produção expressiva, com 17 trabalhos publicados entre 2008 e 2012(13). Contudo, a maioria desses estudos aborda uma população geralmente composta por cantores amadores(14,15). Ainda é preciso averiguar como se comportam os cantores do gênero que se inserem na carreira, seus cuidados, dificuldades e atitudes com relação à voz, à saúde e suas relações com o contexto profissional.

O sertanejo também é um gênero de grande abrangência no país, porém é baixa a ocorrência de estudos que investigam exclusivamente essa população. Segundo levantamento sobre a produção científica fonoaudiológica em voz cantada no Brasil entre os anos de 2008 e 2012(13) dentre os 41 estudos sobre canto popular, o sertanejo é um dos subgêneros que aparecem nas pesquisas, porém nem todos os estudos deixam claro qual é a população alvo de cantores nos trabalhos. Segundo as autoras, é importante que o sujeito da pesquisa esteja claramente descrito e localizado, pois só assim é possível relacionar o cantor com o gênero musical, a forma de exercício profissional, entre outros aspectos(13).

Entre os cantores eruditos, quanto à sua classificação vocal, a maioria foi composta por sopranos e tenores. Esses dados refletem a realidade dos cantores eruditos na qual há uma predominância de vozes agudas em ambos os gêneros(4). É importante observar que, para essa população, novos estudos(16) têm avançado em propostas que vão além do conhecimento do perfil da população, com a introdução de investigações sobre questões corporais, sobre conceitos e estratégias utilizadas no canto, entre outras abordagens.

Quanto à presença de queixa autorreferida, a predominância de cantores populares foi esperada, uma vez que se observa, tanto na literatura(7,8) como na vivência clínica, maior ocorrência de queixa e também de alteração vocal em cantores que executam o gênero popular. Em pesquisa(17) que comparou os hábitos de bem-estar vocal de cantores populares e eruditos, os populares apresentaram condições de vida que podem resultar em maior desgaste vocal, como menos horas de descanso ao dia e aumento de carga horária de trabalho. Sobre os eruditos, de acordo com os autores, devido à maior exigência do aparelho fonador e ajustes fonatórios diferenciados, esses cantores passam por vários professores de canto, iniciam suas carreiras cedo e por isso são mais suscetíveis a desenvolver sintomas de disfonia. Porém, o que se observa com frequência são cantores eruditos que, ao contrário, apresentam menor ocorrência desses sintomas justamente por terem maior contato com técnicas e maior dedicação no estudo do canto. O que pode ocorrer, nesse caso, é que a própria categoria musical, devido ao seu refinamento e requinte, apresenta maior exigência com relação à produção vocal, e com isso um mínimo de alteração pode trazer um grande impacto para esses sujeitos(7,8,18).

Além disso, cantores populares com frequência não se limitam à execução de apenas uma modalidade musical, executando diferentes gêneros que requerem ajustes distintos e que podem gerar desgaste se não executados de forma apropriada(18). É fundamental entender a demanda de cada cantor, que é caracterizada pelo grau de solicitação que é imposto ao aparelho fonador(1,7). Também investigar o requinte, que depende do estilo de interpretação pessoal e do repertório do canto e, dessa forma, compreender melhor a queixa e ter uma conduta clínica mais eficiente(7). Todos esses fatores perpassam pela construção do sujeito em sua expressividade e nas suas relações da voz com o trabalho(18).

De acordo com os resultados apresentados, a variável gênero não teve relação com o IDCM e IDCC (Tabela 1). Tal fato demonstra que, apesar de se supor que as percepções entre homens e mulheres com relação à desvantagem na sua voz possam ser díspares, outros aspectos podem ser preponderantes. De maneira geral, os cantores populares apresentaram escores mais altos quando comparados aos eruditos, independentemente do fator gênero. Isso mostra que as questões acerca do gênero musical executado influenciam mais esses profissionais do que propriamente o fato de serem homens ou mulheres. Esse achado difere do estudo(2) no qual as mulheres coristas apresentaram escores mais altos na incapacidade. Contudo, a pesquisa investigou um grupo de cantores de coral, o que representa uma população distinta do presente trabalho.

Reitera-se que os protocolos IDCM e IDCC são direcionados para cantores profissionais, como se observa, por exemplo, na subescala desvantagem questões como: “sinto que minha carreira está em risco por causa do meu problema de voz”; “sou obrigado a cancelar alguns compromissos profissionais por causa da voz”; “colegas, diretores/empresários e críticos já notaram minhas dificuldades vocais”; “evito agendar futuros compromissos profissionais”. Para um cantor amador, dificilmente seria possível responder a essas questões com precisão, pois trata-se de perguntas específicas para quem vive de fato essa realidade. É alto o índice de pesquisas com essa população, uma vez que a maioria dos coros formados por instituições, faculdades, escolas, clubes e organizações é formada por cantores amadores(19). Porém, ao aplicar esses protocolos que pretendem avaliar o desempenho profissional em uma população amadora(3,4) ou mesmo utilizar indivíduos não cantores para comparação no intuito de investigar a sensibilidade do instrumento(3), são procedimentos metodológicos que podem gerar viés e comprometer os resultados. A relação do cantor profissional, cuja voz é determinante para o seu sustento, é completamente diferente daquela estabelecida por um cantor amador, que é o indivíduo que canta por prazer, sem o compromisso da atividade laboral. Na experiência clínica, observamos o quanto o peso do sustento recai sobre as questões emocionais do indivíduo, além da questão competitiva existente em qualquer mercado de trabalho. Nessa perspectiva, deve-se ter clareza na escolha do instrumento em uma pesquisa, uma vez que só assim serão possíveis avanços, ampliações de populações e reprodutibilidade dos estudos.

Com relação à idade (Tabela 2), em primeira análise houve uma fraca correlação negativa com os escores de IDCM indicando que, na medida em que a idade aumentou, diminuiu a dificuldade do cantor popular. Porém, ao realizar uma nova análise com os dados estratificados, que separou os cantores populares de acordo com a presença ou ausência de queixa (Tabela 4), a idade perdeu a significância estatística. Dessa forma, ficou evidente que a variável queixa mascarou os dados referentes à idade. Também nos cantores eruditos essas variáveis não se correlacionaram (Tabela 2).

Logo, para o presente estudo, a idade não foi preponderante nos escores de IDCM e IDCC. Esse resultado difere do estudo(2) que identificou que quanto maior a idade dos cantores eruditos sem queixa da amostra, menor a desvantagem percebida por eles. Porém, na pesquisa citada, não houve uma análise estatística com o isolamento de variáveis e, assim, não foi identificada uma possível presença de fatores de confusão (ou intervenientes). Há respaldo na Epidemiologia(20) de que a idade é um fator potencial de confusão de muitas associações porque, frequentemente, está associada à exposição e à condição (ou doença) em diferentes situações. Isso foi confirmado no presente estudo, no qual a idade foi fator de confusão e precisou ser controlada por meio de ajustamento na análise.

Quanto ao tempo de experiência no canto, após análise de correlação (Tabela 2) e posterior análise de regressão com a estratificação da queixa (Tabela 4), verificou-se que cantores populares sem queixa autorreferida não sofreram a influência da experiência profissional em seu desempenho vocal. Por outro lado, entre aqueles que apresentaram queixa, ter mais experiência mostrou ser um fator que auxilia esse profissional nos aspectos funcionais e orgânicos (incapacidade e defeito, respectivamente). Possivelmente essa experiência o auxilie na postura de palco, nas apresentações e em sua atividade profissional como um todo (nível funcional) e também interfira na percepção das características da emissão vocal (nível orgânico), com o uso de técnicas de respiração, articulação, projeção e outros recursos que auxiliam a superar ou driblar o problema vocal.

Nos cantores eruditos não houve nenhuma relação do IDCC com o tempo de experiência no canto (Tabela 5), fato que pode ser justificado pela bagagem que geralmente essa população possui antes de se profissionalizar. Quando um cantor erudito inicia a sua vida profissional, geralmente passou por vários anos de formação em canto, seja por meio de educação formal ou por professores particulares, às vezes de diferentes abordagens de ensino. O próprio gênero musical demanda tal investimento, dado o requinte exigido pelo seu uso vocal, a complexidade das obras executadas ou até mesmo a cultura de formação musical na área(21,22).

Várias questões permeiam esse cenário e podem justificar a diferença entre os gêneros. Uma delas se refere ao fato de a produção vocal no canto popular ser mais próxima da fala, o que pode fazer com que alguns cantores considerem desnecessária a formação musical e, com isso, iniciam a vida profissional tendo como base seu conhecimento empírico e a confiança em seu talento “nato” para o canto(18). Além disso, no gênero popular não há maneira certa de cantar e o entendimento da voz normal ou alterada varia de acordo com a característica vocal de cada modalidade musical. Diferentes qualidades vocais são aceitas no canto popular (como é o caso da voz soprosa na bossa nova, por exemplo) que não necessariamente representam um problema para o cantor. Por outro lado, no canto erudito, a qualidade vocal é determinante para uma melhor performance(8).

Há um fato importante no canto, presente em qualquer dos gêneros musicais que não é abordado em nenhum dos domínios dos protocolos IDCM e IDCC e, no entanto, apresentam estreitas relações: a interpretação. A criação do estilo interpretativo depende das condições anatomofisiológicas, do estado geral de saúde, do psiquismo e do estado emocional de cada cantor, além de sua formação e experiência profissional(7). A harmonia entre esses aspectos desperta o que chamamos de cantar “com alma”, provoca sensações e emociona o ouvinte. O canto pode ser treinado, imitado, aprendido, mas há algo que não se mensura pela qualidade vocal que é o carisma do cantor e a emoção transmitida pela voz. Isso talvez explique o sucesso de alguns intérpretes, que muitas vezes não é medido por uma qualidade vocal superior, mas sim à emoção e verdade transmitidas pelo canto(8).

Entretanto, o cantar “com alma” não elimina o valor do aspecto técnico e da busca por uma emissão vocal confortável. Para alguns profissionais, o primeiro contato com um professor de canto ou fonoaudiólogo acontece somente quando um problema vocal já está instalado, geralmente fruto da falta de técnica e/ou de ajustes inadequados(8). Felizmente, tem havido uma mudança nessa postura, pois está clara a importância da boa formação para o desenvolvimento de uma voz produzida com qualidade, beleza, técnica, de forma natural e saudável. Além disso, vale pontuar que a anatomia do cantor não está restrita à laringe, pois toda a condição de saúde do sujeito afeta a sua voz. Nessa perspectiva, o fonoaudiólogo não trabalha apenas aspectos estritamente vocais do cantor, mas sim as condições gerais de saúde, que estão direta ou indiretamente relacionadas com a voz(8). Reafirma-se, assim, a necessidade de cantores, sejam populares ou eruditos, buscarem um acompanhamento especializado para auxiliar no processo de formação e profissionalização do canto.

Dessa forma, verificou-se que o IDCM e IDCC apresentaram alta sensibilidade para cantores com queixa vocal, e esse ponto vai ao encontro de outros estudos(2-5). Porém, é necessária uma atenção especial para a forma como essa questão é abordada com o sujeito, que pode não ter claras as diferenças entre uma queixa vocal e um quadro agudo otorrinolaringológico, como gripes, alergias ou afecções de outras naturezas, assim como uma dificuldade técnica.

A existência de queixa vocal é um ponto de partida para o trabalho clínico com cantores. De maneira semelhante, a análise do IDCM e IDCC representa uma ferramenta importante para a compreensão essencial de como esses sujeitos relacionam a voz com a atividade de trabalho. De posse desses conhecimentos, é fundamental que o fonoaudiólogo não somente identifique o problema apresentado, mas que possa fazer uso desses instrumentos em favor da terapia fonoaudiológica ou de qualquer outra intervenção junto a esse profissional da voz.

À vista disso, sugere-se, para estudos futuros, que os cantores possam ser minuciosamente caracterizados para que se entenda a relação do seu uso vocal no contexto profissional e os diversos aspectos geradores e/ou influenciadores dessas dificuldades. Além disso, espera-se que tais protocolos possam auxiliar em intervenções e em toda a assistência oferecida ao paciente, sendo reaplicado periodicamente em diferentes momentos do processo terapêutico como forma de auxílio nas dificuldades percebidas por essa categoria profissional.

CONCLUSÃO

Em relação à comparação do grupo de cantores populares e eruditos em relação ao gênero, idade, tempo de atuação profissional e presença ou ausência de queixa vocal autorreferida com os protocolos IDCM e IDCC, concluiu-se que não houve correlação dos escores de IDCM e IDCC com o gênero e a idade dos cantores. Cantores populares menos experientes e com queixa vocal apresentaram índices mais altos do escore total de IDCM e das subescalas incapacidade e defeito. Cantores eruditos não sofreram influência do tempo de atuação profissional nos escores de IDCC. Dessa forma, o impacto da dificuldade ou problema vocal interfere de formas diferentes nos dois gêneros. Os protocolos IDCM e IDCC mostraram ser importantes não apenas para a identificação de problemas, mas como ferramenta para a compreensão essencial de como esses sujeitos relacionam a voz com a atividade de trabalho.

REFERÊNCIAS

1 Costa HO, Duprat A, Eckley C, Andrada e Silva MA. Caracterização do profissional da voz para o otorrinolaringologista. Braz J Otorhinolaryngol. 2000;66(2):129-34.
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3 Moreti F, Rocha C, Borrego MCM, Behlau M. Desvantagem vocal no canto: análise do protocolo Índice de Desvantagem para o Canto Moderno – IDCM. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2011;16(2):146-51. .
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8 Andrada e Silva MA, Loiola CM, Bittencourt M, Ghirardi A. Trabalho fonoaudiológico com cantores. In: Oliveira IB, Almeida AAF, Raize T, Behlau M, editores. Atuação fonoudiológica em voz profissional. São Paulo: Roca; 2011.
9 Behlau M, Azevedo R, Pontes P. Conceito de Voz normal e classificação das disfonias. In: Behlau M, editor. Voz: o livro do especialista. Rio de Janeiro: Revinter; 2001. p. 53-84.
10 Cassol M, Bós ÂJG. Canto coral melhora sintomas vocais em idosos saudáveis. RBCEH. 2006;3(2):113-22.
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13 Andrada e Silva M, Ghirardi A, Bittencourt M, Assanti L. A voz cantada. In: Motta L, Amorim G, editores. Voz profissional: produção científica da Fonoaudiologia brasileira (2008-2012) [Internet]. São Paulo: SBFa; 2014. Disponível em: www.sbfa.org.br
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18 Andrada e Silva MA. Expressividade no canto. In: Kyrillos L, editor. Expressividade. 1. ed. Rio de Janeiro: Revinter; 2005.
19 Loiola CM, Ferreira LP. Coral amador: efeitos de uma proposta de intervençao fonoaudiológica. Rev CEFAC. 2010;12(1):831-41. .
20 Lima-costa MF, Barreto S. Tipos de estudos epidemiológicos: conceitos básicos e aplicações na área do envelhecimento. Epidemiol Serv Saúde. 2003;12(4):189-201.
21 Sousa JM, Andrada e Silva MA, Ferreira LP. O uso de metáforas como recurso didático no ensino do canto: diferentes abordagens. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2010;15(3):317-28.
22 Gava W Jr, Ferreira LP, Andrada e Silva MA. Apoio respiratório na voz cantada: perspectiva de professores de canto e fonoaudiólogos. Rev CEFAC. 2010;12(4):551-62. .
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