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Índice de Massa Corporal Pode Influenciar a Variabilidade da Frequência Cardíaca

Índice de Massa Corporal Pode Influenciar a Variabilidade da Frequência Cardíaca

Autores:

Thalys Sampaio Rodrigues,
Levindo José Garcia Quarto,
Daniela Bassi,
Ramona Cabiddu,
Audrey Borghi-Silva

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.111 no.4 São Paulo out. 2018

https://doi.org/10.5935/abc.20180201

Lemos com interesse o artigo de Bassi et al.,1 intitulado “Efeitos da Coexistência de Diabetes Tipo 2 e Hipertensão sobre a Variabilidade da Frequência Cardíaca e Capacidade Cardiorrespiratória”, publicado na edição de julho de 2018. Os autores investigaram a influência da hipertensão arterial sistêmica na modulação autonômica cardíaca em pacientes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2) e avaliaram a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) na capacidade de exercício nesses pacientes. Eles concluíram que a hipertensão afeta negativamente a função autonômica cardíaca, com maior comprometimento da VFC, quando comparada aos pacientes normotensos com DM2.

Alguns aspectos deste estudo requerem discussão. Como relatado anteriormente, vários fatores podem ter impacto nos índices de VFC, incluindo sexo, resistência à insulina, índice de massa corporal (IMC), hiperlipidemia, hipertensão, cardiomiopatia isquêmica e não isquêmica e tabagismo.2-4 Por exemplo, o aumento do IMC pode diminuir a VFC, particularmente quando a adiposidade central está presente.5 De fato, o grupo hipertenso apresentou um IMC maior quando comparado ao grupo normotenso (28 ± 4,4 vs 31 ± 3,8, p = 0,031). Dada a falta de controle do IMC entre os dois grupos, as conclusões dos autores devem ser consideradas com cautela.

Por fim, sabe-se que a disfunção miocárdica subclínica é altamente prevalente em pacientes diabéticos e está independentemente associada à neuropatia autonômica cardíaca.6 No entanto, os autores consideraram apenas a história clínica consistente com doença cardíaca isquêmica para estratificação/exclusão de pacientes para análise. Acreditamos que uma avaliação cardiovascular mais detalhada, incluindo ecocardiografia para determinar a massa ventricular esquerda e a disfunção diastólica do ventrículo esquerdo, seria importante para melhor estratificar os pacientes e fortalecer suas conclusões.

REFERÊNCIAS

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