Infecção por Pseudomonas aeruginosa em pacientes com fibrose cística: evidências científicas sobre o impacto clínico, diagnóstico e tratamento

Infecção por Pseudomonas aeruginosa em pacientes com fibrose cística: evidências científicas sobre o impacto clínico, diagnóstico e tratamento

Autores:

Luiz Vicente Ribeiro Ferreira da Silva Filho,
Flavia de Aguiar Ferreira,
Francisco José Caldeira Reis,
Murilo Carlos Amorim de Britto,
Carlos Emilio Levy,
Otavio Clark,
José Dirceu Ribeiro

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Pneumologia

versão impressa ISSN 1806-3713

J. bras. pneumol. vol.39 no.4 São Paulo jul./ago. 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132013000400015

Introdução

A fibrose cística (FC) é uma doença genética complexa com acometimento multissistêmico e manifestações pulmonares de caráter supurativo.( 1 ) Pacientes com FC nascem com os pulmões normais do ponto de vista estrutural, mas desenvolvem uma doença respiratória progressiva com processos infecciosos recorrentes e crônicos que resultam na formação de bronquiectasias e levam à insuficiência respiratória, principal causa de óbito nesses indivíduos.( 2 )

O defeito básico na FC é relacionado ao transporte epitelial de cloro nas células através da proteína cystic fibrosis transmembrane conductance regulator (CFTR), cuja disfunção foi identificada em 1989 como o mecanismo principal da doença.( 3 ) Existem mais de 1.500 mutações descritas na sequência do gene CFTR, mas a maior parte delas tem prevalência muito baixa, sendo a mutação Î"F508 (deleção de um resíduo de fenilalanina na posição 508) a de maior prevalência em todo o mundo.( 4 )

Pacientes com FC apresentam uma susceptibilidade peculiar à infecção e colonização do trato respiratório por patógenos, como Staphylococcus aureus, Haemophilus influenzae e bacilos gram-negativos não fermentadores de açúcar, incluindo Pseudomonas aeruginosa, complexo Burkholderia cepacia e Stenotrophomonas maltophilia, entre outros.( 5 , 6 ) A prevalência desses patógenos varia com a idade, de tal modo que infecções por S. aureus costumam ocorrer precocemente (em geral já nos primeiros meses de vida), enquanto patógenos como P. aeruginosa tendem a aparecer um pouco mais tardiamente,( 7 ) ainda que essa sequência de infecções sofra uma grande influência das práticas terapêuticas e de vigilância microbiológica, além de hospitalizações, exposição a outros pacientes com FC e condições ambientais ainda pouco esclarecidas.

Habitualmente, o diagnóstico etiológico das infecções respiratórias em pacientes com FC é feito através de culturas de amostras do trato respiratório, como escarro e esfregaço de orofaringe, sendo esse último método utilizado geralmente em lactentes e crianças incapazes de expectorar secreção pulmonar.( 8 ) Nos últimos anos, alguma atenção tem sido dada a métodos alternativos de diagnóstico, como sorologia e técnicas moleculares, especialmente para a identificação precoce da infecção por P. aeruginosa, patógeno com maior impacto para esse grupo de pacientes.( 9 )

As infecções por P. aeruginosa frequentemente adquirem um caráter de persistência (cronicidade), e as cepas sofrem uma mudança fenotípica, caracterizada pela produção de um polissacarídeo denominado alginato.( 6 ) Esse fenótipo bacteriano, denominado mucoide, está associado à maior dificuldade (ou quase impossibilidade) de erradicação do patógeno, suscitando uma grande resposta inflamatória e resultando em uma aceleração da perda funcional e piora do prognóstico dos pacientes.( 6 , 10 , 11 )

Desde o início da década de 90, diversos centros de atendimento a pacientes com FC têm preconizado tratamentos de erradicação da infecção inicial por P. aeruginosa, quando as cepas são mais susceptíveis aos antimicrobianos, a fim de evitar a cronicidade da infecção.( 12 ) Além disso, estratégias de supressão de P. aeruginosa (ou redução da carga bacteriana) com o uso de antibióticos inalatórios representam um dos principais recursos terapêuticos para o manejo desses pacientes cronicamente infectados por P. aeruginosa, promovendo uma melhora da função pulmonar, reduzindo a frequência das exacerbações respiratórias e melhorando a qualidade de vida dos pacientes cronicamente infectados pelo patógeno.( 2 )

Apesar do conhecimento crescente na área de infecções respiratórias em pacientes com FC, existem ainda muitos questionamentos quanto ao conhecimento do real impacto clínico, dos métodos diagnósticos mais adequados e das evidências sobre o tratamento das infecções por P. aeruginosa. As técnicas de medicina baseada em evidências são cada vez mais utilizadas para a construção de diretrizes clínicas e de recomendações para a prática médica. Esse tipo de abordagem permite o uso sistemático das informações científicas disponíveis, com menor ênfase nas experiências isoladas. A presente revisão teve por objetivo abordar conceitos atuais sobre o impacto clínico, o diagnóstico e o tratamento das infecções por P. aeruginosa em pacientes com FC.

Métodos

Para a elaboração do presente trabalho, as seguintes etapas foram realizadas:

    1. Elaboração de perguntas: o grupo de autores, em uma reunião preliminar, definiu as perguntas que seriam respondidas, seguindo os preceitos de PICO, acrônimo baseado em perguntas referentes aos Pacientes de interesse, Intervenção a ser estudada, Comparação da intervenção e Outcome (desfecho) de interesse. As perguntas foram designadas para que um dos autores redigisse uma resposta

    2. Busca na literatura: uma busca inicial na literatura foi realizada na base de dados do Medline, utilizando-se os termos pertinentes a cada pergunta. Um dos autores, especializado em medicina baseada em evidências, procedeu com a seleção inicial dos estudos pertinentes, que foram enviados a cada responsável por elaborar as respostas. Esses então realizaram sua própria busca e acrescentaram outras referências que julgaram relevantes.

    3. Redação inicial das respostas: cada autor foi responsável por redigir respostas que posteriormente foram discutidas pelo grupo inteiro em uma reunião presencial

    4. Reunião de discussão: o grupo realizou uma reunião presencial para discutir e, se fosse o caso, modificar as respostas propostas por cada autor isoladamente. Naquela reunião, novas informações foram buscadas e acrescentadas ao texto inicial. Além disso, uma discussão explícita sobre o nível de evidência (NE) das informações foi conduzida, segundo os critérios de Oxford Centre for Evidence-Based Medicine de 2011,( 13 ) apresentados no Quadro 1

    5. Redação final: Ao final da reunião, cada autor enviou a resposta de consenso da reunião para o autor especializado em medicina baseada em evidências, que foi responsável por rever os NEs, revisar o texto e verificar as referências citadas

    6. Revisão: cada autor revisou e aprovou o texto final de suas respostas e do manuscrito

Quadro 1  Graus de recomendação e níveis de evidência das publicações científicas 

Graus de recomendação
A: Estudos experimentais ou observacionais de melhor consistência
B: Estudos experimentais ou observacionais de menor consistência
C: Relatos de casos (estudos não controlados)
D: Opinião desprovida de avaliação crítica, baseada em consensos, estudos fisiológicos ou modelos animais
Força de evidência
Nível de evidência Estudos sobre prognóstico Estudos sobre tratamento
1a Revisão sistemática de estudos de coorte
(inception cohort ), com validação em
populações diferentes
Revisão sistemática de dois ou mais estudos
randomizados independentes de nível 1b
1b Estudos de coorte individuais (inception)
)cohort)
Estudo randomizado de boa qualidade
metodológica e com número suficiente de
pacientes incluídos
2a Revisão sistemática de estudos de coorte
retrospectivos ou com grupos controle não
tratados em estudos randomizados
Revisão sistemática de estudos de coorte
de nível 2b
2b Estudos de coorte retrospectivos ou com
grupos controle não tratados em estudos
randomizados
Estudos de coorte individuais (incluindo
estudos randomizados de baixa qualidade
3a Revisão sistemática de estudos de casos e
controles nível 3b
3b Estudos de casos e controles
4 Séries de casos Séries de casos
5 Opiniões de especialistas Opiniões de especialistas sem avaliação
crítica explícita ou baseada em fisiopatologia

aDe acordo com Oxford Centre for Evidence-Based Medicine.(13)

Perguntas abordadas no trabalho

    1. A colonização precoce por P. aeruginosa piora o prognóstico do paciente com FC?

    2. A sorologia para a pesquisa de anticorpos antipseudomonas pode ser útil na detecção precoce de infecção por esse agente?

    3. A erradicação da colonização inicial por P. aeruginosa melhora o prognóstico na FC?

    4. Como identificar e tratar a exacerbação pulmonar aguda (EPA) em pacientes colonizados por P. aeruginosa?

    5. Quando iniciar o tratamento crônico com antibiótico inalatório na FC? Quais antibióticos inalatórios podem ser utilizados no tratamento da infecção crônica por P. aeruginosa na FC?

    6. A adesão ao tratamento clínico influencia o prognóstico de pacientes com FC?

    7. A azitromicina é eficaz em reduzir a progressão da doença pulmonar em pacientes com FC colonizados por P. aeruginosa?

    8. Há uma boa correlação entre o antibiograma e a resposta clínica na infecção crônica por P. aeruginosa?

    9. A infecção por P. aeruginosa multirresistente piora o prognostico?

A colonização precoce por P. aeruginosa piora o prognóstico do paciente com FC?

Definições

Colonização significa a presença de bactéria(s) identificada(s) em culturas de suas colônias, ou seja, através do isolamento da bactéria em meio de cultura. A colonização pode ser inicial (ou aguda) – nos primeiros isolamentos da bactéria – ou crônica, conforme os critérios do centro de referência: três ou mais culturas positivas para P. aeruginosa em um período de 6 meses, com pelo menos um mês de intervalo entre elas ou mais do que 50% das culturas positivas em 12 meses.( 14 )

São vários os parâmetros usados para caracterizar o prognóstico na FC. Os mais comuns são as provas funcionais pulmonares e a mediana de sobrevida: a função pulmonar por sua vez é o melhor preditor de sobrevida (NE 2b).( 15 )

A colonização inicial por P. aeruginosa em crianças menores de 2 anos de idade aumenta significativamente a morbidade, e sua associação com S. aureus desde o início aumenta significativamente o índice de mortalidade nos primeiros 10 anos após o diagnóstico (NE 2b).( 10 , 16 ) O escore radiológico piora significativamente e o índice de Tiffeneau (relação VEF1/CVF) cai mais rapidamente após a aquisição de P. aeruginosa em pacientes diagnosticados através da triagem neonatal (NE 2b).( 17 ) Dados do registro nacional da Cystic Fibrosis Foundation mostraram que, entre 1990 e 1998, em pacientes de 1-5 anos de idade (n = 3.325), a presença de P. aeruginosa era o maior índice preditor de morbidade e mortalidade – 2,6 vezes maior do que os que não tinham P. aeruginosa (NE 2b).( 18 )

Em um estudo de coorte nos EUA, a aquisição de P. aeruginosa não mucoide ocorreu em pacientes com uma mediana de idade de 1 ano, sendo observada em 29% dos pacientes menores de 6 meses de idade; a identificação de cepas de P. aeruginosa com fenótipo mucoide ocorreu em pacientes de 4-16 anos de idade (mediana de 13 anos). A erradicação da P. aeruginosa não mucoide, impedindo a cronicidade com fenótipo mucoide, permitiria um melhor prognóstico (NE 2b).( 7 )

A colonização precoce por P. aeruginosa predispõe ao aparecimento de colonização crônica pelo patógeno. Baixos índices de colonização crônica podem ser conseguidos pelo uso de antibióticos inalatórios de maneira intermitente e pelo menor uso de antibióticos endovenosos. Menores índices de colonização crônica por P. aeruginosa melhoram o prognóstico (NE 2b).( 19 )

Recomendação

A colonização precoce por P. aeruginosa, principalmente se associada com a colonização inicial concomitante com S. aureus, piora o prognóstico em termos de morbidade e mortalidade (NE 2b; grau de recomendação [GR] B).

A sorologia para a pesquisa de anticorpos antipseudomonas pode ser útil na detecção precoce de infecção por esse agente?

A identificação precoce da infecção por P. aeruginosa é essencial para a introdução de terapia de erradicação, cujo objetivo é impedir ou postergar a infecção crônica pela bactéria.( 20 )

A infecção respiratória por P. aeruginosa é rotineiramente diagnosticada por meio de escarro, secreção da orofaringe ou aspirado da laringe após fisioterapia respiratória ou inalação com solução de cloreto de sódio hipertônica (3-7%). As culturas positivas das secreções da orofaringe têm alto valor preditivo, mas resultados falso-negativos podem ocorrer.( 21 ) Outros recursos utilizados para o diagnóstico são a cultura do lavado broncoalveolar (LBA), sorologia para detecção de anticorpos específicos no soro e métodos de detecção do DNA bacteriano (por PCR) em amostras de secreção respiratória.( 9 )

A dificuldade em se obter amostras respiratórias representativas das vias aéreas em lactentes e crianças abaixo dos 6 anos de idade indica a necessidade de utilização de métodos complementares ou alternativos à cultura.( 22 ) Na década de 70, a experiência inicial de um grupo de pesquisadores na Dinamarca( 23 ) em relação à utilização das precipitinas séricas para a caracterização do estágio de infecção pulmonar por P. aeruginosa foi o principal incentivo para se utilizar recursos sorológicos na identificação precoce das infecções pelo patógeno.( 24 )

West et al.( 25 ) avaliaram uma coorte de 68 lactentes diagnosticados por triagem neonatal e descreveram a história natural das infecções por P. aeruginosa por 15 anos. A detecção de anticorpos anti-P. aeruginosa permitiu a identificação de infecção pelo patógeno antes de seu isolamento em cultura, sendo que a detecção de anticorpos antilisado celular bacteriano foi identificada 12 meses antes da cultura. Títulos significativos de anticorpos antilisado celular de P. aeruginosa foram detectados antes ou simultaneamente ao primeiro isolamento da bactéria em cerca de 60% dos pacientes (NE 2b).( 25 )

Em 2006, foram publicados no mesmo periódico dois trabalhos com resultados divergentes sobre sorologia: Kappler et al.( 26 ) utilizaram kits comerciais para a realização de ELISA em um estudo prospectivo com 183 pacientes com FC e relataram uma sensibilidade de 86%, especificidade de 96% e valor preditivo positivo de 97%. Os autores propõem o tratamento de erradicação para P. aeruginosa na eventualidade de subida de títulos de anticorpos, mesmo na ausência de culturas positivas (NE 2b).( 26 ) Tramper-Stranders et al.( 27 ) empregaram outros kits de ELISA em 220 pacientes com FC em diferentes condições de infecção por P. aeruginosa e encontraram uma sensibilidade de 96% e especificidade de 79% para o conjunto de métodos. Foram identificadas 15 conversões sorológicas durante o período de estudo com padrões variáveis de resposta, de tal modo que alertam para a possibilidade de falha na identificação da infecção precoce por P. aeruginosa utilizando-se métodos sorológicos (NE 2b).( 27 )

Posteriormente, Ratjen et al.( 28 ) avaliaram a utilidade dos métodos sorológicos na infecção inicial por P. aeruginosa em cerca de 1.800 amostras de soro de 375 pacientes com FC, verificando a variabilidade individual nos títulos de anticorpos, mas observando uma associação entre a resposta sorológica e a intensidade da infecção respiratória, o que sugeriu, segundo os autores, um potencial para seu emprego em conjunto com a microbiologia (NE 2b).( 28 )

Em 2007, da Silva Filho et al.,( 22 ) no Brasil, realizaram um estudo comparativo entre PCR, cultura e sorologia em amostras únicas de 87 pacientes com FC, observando que a associação dos três métodos resultou em uma maior positividade, sendo o PCR o método com maior positividade. Como o estudo foi transversal, não foi possível tirar outras conclusões (NE 3).( 22 ) Os métodos de detecção molecular de P. aeruginosa devem ser vistos com cautela, pois independem de viabilidade bacteriana e sofrem influência de diversos aspectos técnicos, como métodos de extração do DNA, primers utilizados, concentração da amostra, etc.( 9 )

Outro grupo de autores procurou avaliar se seria possível utilizar a saliva como um instrumento de detecção de anticorpos anti-P. aeruginosa em pacientes com FC e em indivíduos normais,( 29 ) descrevendo títulos significativos nos fluidos orais de 15 dos 17 pacientes com FC, mas em nenhum dos voluntários sadios (NE 2b).

Três diferentes métodos sorológicos (ELISA anti-exotoxina A; ELISA CF-IgG; e contraimunoeletroforese) foram analisados comparativamente por Pressler et al.( 30 ) em 791 pacientes com FC da Escandinávia, concluindo que a performance dos testes foi muito semelhante. Outro achado relevante foi a associação dos títulos de anticorpos observados com o tempo e a característica da infecção, de tal modo que a sorologia poderia ser utilizada na caracterização da cronicidade da infecção (NE 2b).( 30 )

Em outro estudo brasileiro, Milagres et al.( 31 ) estudaram 51 pacientes com FC por um período de 2 anos, usando dois tipos de antígenos (lisado bacteriano e recombinante PcrV). Para 44% dos pacientes com culturas previamente negativas ou isolamentos intermitentes, a sorologia permitiu a detecção de P. aeruginosa, em média, 21 meses antes da sua detecção por cultura, sugerindo que o método deve fazer parte da rotina de monitoramento de pacientes com FC (NE 2b).( 31 )

Mais recentemente, dois estudos adicionaram controvérsias ao assunto: Hayes et al.( 32 ) avaliaram por cerca de 6 anos, em um estudo longitudinal, 69 crianças com FC diagnosticada por triagem neonatal, e a sorologia permitiu identificar precocemente a infecção por P. aeruginosa naqueles pacientes. Por outro lado, Douglas et al.( 33 ) descreveram resultados pareados de culturas de LBA e sorologia e identificaram um baixo valor preditivo positivo e um alto valor preditivo negativo utilizando a cultura de LBA como referência. Diante dos achados, há um questionamento quanto ao potencial da sorologia para monitoramento da infecção por P. aeruginosa (NE 2b), ainda que recentemente também a cultura de LBA venha sendo questionada como instrumento de decisão para o tratamento de infecção respiratória em pacientes com FC.( 34 )

Recomendação

Resultados positivos de sorologia e amostras negativas de cultura de secreção respiratória devem alertar para uma busca mais intensa de uma provável infecção, com a repetição do exame ou o uso de métodos mais sensíveis e específicos. Níveis crescentes de anticorpos, por outro lado, estão associados a uma maior chance de infecção persistente e crônica pela bactéria. Sua utilização na prática cotidiana ainda é controversa (NE 2b; GR B).

A erradicação da colonização inicial por P. aeruginosa melhora o prognóstico na FC?

P. aeruginosa é o patógeno mais frequente nas infecções pulmonares dos pacientes com FC. A importância de sua detecção precoce se deve à sua correlação com um declínio mais acentuado da função pulmonar, com comprometimento da qualidade de vida e piora no prognóstico de pacientes cronicamente colonizados pela bactéria. A identificação precoce da infecção por P. aeruginosa é essencial para a introdução de terapia de erradicação, cujo objetivo é impedir ou postergar a infecção crônica pela bactéria em uma fase na qual as cepas são mais susceptíveis aos antibióticos.

Estudos que remontam à década de 1980 investigaram os efeitos do tratamento precoce em pacientes infectados por P. aeruginosa, sugerindo que a erradicação precoce poderia levar a diminuição do número de pacientes com colonização crônica. Há indícios crescentes, desde os estudos iniciais de Littlewood et al.,( 35 ) de que antibioticoterapia iniciada precocemente é uma estratégia eficaz para retardar a infecção crônica por P. aeruginosa.( 36 - 38 )

Uma avaliação mais ampla dos efeitos da terapia de erradicação foi feita por Taccetti et al.,( 12 ) que demonstraram, em uma série de 47 pacientes, que o uso precoce de ciprofloxacina oral + colimicina inalatória resultou em redução da cronicidade, não ocasionando aumento da resistência bacteriana ou da emergência de outros patógenos. Os autores observaram ainda uma redução do declínio da função pulmonar e dos custos de tratamento.( 12 )

Em um estudo publicado recentemente,( 39 ) os autores concluíram que a implementação de um protocolo de intervenção precoce levou a redução da prevalência da infecção crônica por P. aeruginosa, melhora da função pulmonar e redução de custos hospitalares (NE 1b). A decisão sobre qual a melhor estratégia antimicrobiana para realizar a erradicação de P. aeruginosa ainda é controversa. Em um estudo multicêntrico, aberto e randomizado,( 40 ) pacientes com FC (idade ≥ 6 meses) e infecção primária por P. aeruginosa foram tratados durante 28 dias ou 56 dias com tobramicina inalatória administrada duas vezes ao dia. O estudo demonstrou que mais de 90% dos pacientes apresentaram culturas negativas para P. aeruginosa um mês após o término do tratamento, e a maioria dos pacientes permaneceu livre de infecção por até 27 meses. Não houve diferença significativa ao estender o tratamento com tobramicina inalatória por 56 dias (NE 1b).( 40 )

Em outro recente estudo multicêntrico,( 41 ) os participantes foram randomizados igualmente para um de quatro algoritmos de tratamento durante 18 meses. Os esquemas terapêuticos consistiam de: (a) ciclos periódicos (a cada 3 meses) de tobramicina inalatória (300 mg duas vezes por dia) por 28 dias + ciprofloxacina oral (15-20 mg/kg duas vezes por dia) por 14 dias; (b) ciclos periódicos (a cada 3 meses) de tobramicina inalatória por 28 dias + placebo oral por 14 dias; (c) tobramicina inalatória por 28 dias + ciprofloxacina oral por 14 dias em caso de cultura positiva para P. aeruginosa; e (d) tobramicina inalatória por 28 dias + placebo oral por 14 dias em caso de cultura positiva para P. aeruginosa. Os autores concluíram que, após 18 meses, não houve diferenças nas taxas de exacerbação ou de prevalência de P. aeruginosa entre a terapia profilática ou a terapia baseada em culturas positivas. Não houve benefícios adicionais com a adição de ciprofloxacina durante esse estudo (NE 1b).( 41 )

Recomendação

Evidências sugerem que a antibioticoterapia inalatória iniciada precocemente, associada ou não a antibióticos orais, é uma estratégia eficaz para retardar a infecção crônica por P. aeruginosa. Estudos sugerem que a erradicação pode ser obtida em curto prazo (NE 1b; GR A).( 42 )

Como identificar e tratar a exacerbação pulmonar aguda (EPA) em pacientes colonizados por P. aeruginosa?

A EPA é uma complicação comum que ocorre em pacientes com FC. Embora existam diretrizes publicadas sobre o manejo das EPAs em pacientes com FC, não existem dados suficientes para se saber, com certeza, quais as melhores estratégias de tratamento.( 2 )

A infecção crônica por P. aeruginosa torna-se cada vez mais comum à medida que o paciente se torna mais velho e está associada com o aumento de morbidade e mortalidade. A infecção crônica é intercalada com EPAs, que requerem terapia antibiótica adicional e mais agressiva. Existem evidências de que as EPAs resultam em uma perda funcional que habitualmente não é totalmente recuperada com o tratamento.( 43 )

Nas EPAs sem nenhum fator precipitante óbvio, várias questões se apresentam:

    a. Como definir uma EPA?

    b. O tratamento intravenoso de uma EPA deve ser realizado em casa ou no hospital?

    c. O tratamento intravenoso de uma EPA deve incluir qual/quais antibióticos?

    d. Os aminoglicosídeos podem (ou devem) ser usados em dose única?

    e. Qual deve ser o tempo de tratamento intravenoso de uma EPA?

Como definir uma EPA?

Em 1994, Fuchs et al.( 44 ) definiram critérios de EPA na FC, que foram posteriormente utilizados em numerosos trabalhos científicos na área. Segundo aqueles autores, uma EPA poderia ser definida como a necessidade clínica de antibióticos por via intravenosa, indicada pela presença de pelo menos 4 dos 12 sinais ou sintomas abaixo descritos:

  • Mudança no volume ou cor do escarro

  • Hemoptise

  • Aumento da tosse

  • Aumento da dispneia

  • Aumento do mal-estar, fadiga ou letargia

  • Temperatura acima de 38°C

  • Anorexia ou perda de peso

  • Dor ou sensibilidade em seio maxilar

  • Mudança ou aumento de descarga pós-nasal

  • Mudança dos achados no exame físico de tórax

  • Diminuição do VEF1 em 10% ou mais

  • Alterações radiográficas novas

As EPAs são uma importante medida de desfecho em ensaios clínicos porque têm impacto negativo na sobrevida, na qualidade de vida e nos custos (devido aos altos custos de internações hospitalares e medicações), mas vários autores propuseram esquemas alternativos para a caracterização objetiva de EPAs em pacientes com FC,( 45 - 47 ) mas ainda existem controvérsias quanto a essa definição.( 48 )

Em 2011, um grupo formado por especialistas europeus reuniu-se em Hamburgo e propôs novos critérios de consenso para caracterizar uma EPA( 49 ): necessidade de tratamento com antibiótico decorrente de uma mudança recente em pelo menos 2 dos 7 seguintes itens:

  • Mudança no volume ou cor do escarro

  • Aumento da tosse

  • Aumento do mal-estar, fadiga ou letargia

  • Anorexia ou perda de peso

  • Diminuição do VEF1 em 10% ou mais

  • Alterações radiográficas novas

  • Aumento da dispneia

Recomendação

Os critérios de definição de uma EPA derivam de vários estudos, e há um consenso entre os autores de que a maior parte dos critérios é adotada com base na experiência acumulada, mas a base científica é ainda incerta (NE 2b; GR B).( 47 )

O tratamento intravenoso de uma EPA deve ser realizado em casa ou no hospital?

Um estudo de coorte nos EUA com gêmeos e irmãos com FC analisou retrospectivamente as EPAs de 1.535 pacientes, comparando os desfechos de VEF1 de cerca de 5.000 cursos de antibióticos intravenosos no hospital e uma mesma quantidade administrada em domicílio, concluindo que não houve uma diferença quanto ao desfecho funcional entre as duas abordagens (NE 2b).( 43 )

Uma revisão sistemática recente da literatura( 50 ) avaliou se a terapia domiciliar pode ou não substituir a hospitalização nos casos de EPA. Foram pesquisadas várias bases de dados; porém, apenas um pequeno estudo randomizado com 17 pacientes foi encontrado. Os autores concluíram que a evidência atual é por demais restrita; o resultado do único estudo randomizado sugere que, no curto prazo, a terapia em casa é eficaz, mais barata e com redução de perturbações sociais. Há vantagens e desvantagens em termos de qualidade de vida. A decisão de se tentar o tratamento em casa deve ser tomada individualmente. Os autores concluíram que mais pesquisas são necessárias (NE 3a).( 50 )

Recomendação

Não há evidências suficientes para recomendar ou não o tratamento intravenoso domiciliar das EPAs, e as decisões devem ser individualizadas (NE 5; GR D).

O tratamento intravenoso de uma EPA deve incluir qual/quais antibióticos?

Tradicionalmente, a administração intravenosa de uma combinação de beta-lactâmicos com aminoglicosídeos tem sido o esquema terapêutico mais utilizado no tratamento das EPAs em pacientes com FC.( 51 , 52 ) A P. aeruginosa é um patógeno que desenvolve resistência aos antimicrobianos com relativa facilidade,( 53 ) de tal modo que a combinação de drogas com mecanismos de ação distintos pode contribuir para minimizar esse risco. Em um estudo na Inglaterra, os pesquisadores relataram uma alta prevalência de uma cepa de P. aeruginosa resistente à ceftazidima, possivelmente decorrente da prática de monoterapia com essa droga na instituição (NE 4).( 54 )

Uma revisão sistemática publicada em 2005( 55 ) incluiu 27 trabalhos comparando a monoterapia a uma combinação de antibióticos no tratamento de EPAs em pacientes com FC. Os estudos tinham, em sua maioria, qualidade metodológica questionável e eram bastante heterogêneos, dificultando a análise e a interpretação dos resultados. Alguns estudos randomizados, por outro lado, mostraram que a combinação de antibióticos é efetiva no tratamento das EPAs em pacientes com FC (NE 2a).( 56 , 57 ) As diretrizes americanas( 47 ) reconhecem a deficiência de informação, mas recomendam que se institua o tratamento com uma combinação de drogas.

Recomendação

Há evidências para se recomendar a associação de um aminoglicosídeo com um beta-lactâmico para o tratamento de EPAs em pacientes com FC (NE 2a; GR B).

Os aminoglicosídeos podem (ou devem) ser usados em dose única?

Os aminoglicosídeos foram originalmente estudados e aprovados para um regime diário de três injeções ao dia.( 58 ) O reconhecimento de que o efeito bactericida máximo dessa classe de drogas decorre dos valores de pico sérico alcançados motivou pesquisadores, no final da década de 80, a avaliar seu emprego em administração única diária,( 59 ) e verificou-se que essa estratégia é efetiva e segura em diversos cenários clínicos.( 60 ) Em pacientes com FC, resultados de uma meta-análise( 61 ) e de uma revisão sistemática( 62 ) indicam que a administração em dose única diária é efetiva e mais segura (NE 1a).

Recomendação

Os aminoglicosídeos devem ser administrados em dose única diária, com vistas à diminuição dos efeitos colaterais (NE 1a; GR A).

Qual deve ser o tempo de tratamento intravenoso de uma EPA?

Não há diretrizes claras sobre a duração ótima do tratamento antibiótico intravenoso nas EPAs em pacientes com FC. A duração do tratamento baseia-se atualmente nas políticas de cada centro de referência e na resposta individual ao tratamento. Tempos menores de tratamento das EPAs devem melhorar a qualidade de vida e de satisfação do paciente/familiares, além de serem menos onerosos. No entanto, isso pode não ser suficiente para reduzir significativamente a densidade de P. aeruginosa nos pulmões, podendo resultar em uma recorrência precoce de EPA.

Embora uma revisão sistemática( 63 ) tenha concluído que existe uma insuficiência de dados para se recomendar um tempo adequado de tratamento para uma EPA em pacientes com FC, a maioria dos esquemas terapêuticos, em numerosos centros mundiais, varia de 10-14 dias (NE 4).

Dois estudos mais recentes trazem dados interessantes para o assunto. VanDevanter et al.( 64 ) realizaram um estudo retrospectivo de 95 pacientes internados com dois esquemas antimicrobianos distintos e observaram que o tempo médio para se atingir o valor máximo de VEF1 nas internações foi de 8,7 dias (mediana = 10 dias), evidenciando ainda que, em pacientes com função pulmonar basal ruim (VEF1 < 40%), o tempo para se atingir esse valor máximo de VEF1 foi significativamente maior (NE 3b). Em outro estudo recente (também retrospectivo) de avaliação de mais de 10.000 terapias com antibióticos intravenosos em cerca de 1.500 indivíduos com FC, Collaco et al.( 43 ) mostraram que a melhora clínica e funcional foi observada entre o 7º e o 8º dia de terapia, na maior parte dos casos, indicando que menores tempos de tratamento podem ser utilizados em alguns casos (NE 3b).

Recomendação

Não há na literatura uma definição clara sobre o tempo de tratamento de EPA. Entretanto, os resultados sugerem que os antibióticos devem ser administrados por pelo menos 8-10 dias, e pacientes com função pulmonar basal pior podem necessitar períodos mais longos de tratamento intravenoso (NE 3; GR C).

Quando iniciar o tratamento crônico com antibiótico inalatório na FC? Quais antibióticos inalatórios podem ser utilizados no tratamento da infecção crônica por P. aeruginosa na FC?

As infecções crônicas por P. aeruginosa têm um impacto negativo no prognóstico de pacientes com FC, e há evidências, desde a década de 80, de que o uso de terapias que reduzam a quantidade de P. aeruginosa na árvore brônquica contribui para a melhora/estabilização da doença.( 65 , 66 )

O antibiótico inalatório mais estudado em FC é a tobramicina, pois uma formulação específica desta droga (TobiÂ(r); Novartis, São Paulo, Brasil) foi desenvolvida e testada em estudos clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados com placebo com um grande número de pacientes com FC.( 2 )

Nos estudos iniciais, a inalação com tobramicina foi comparada à com placebo ou com o tratamento padrão em pacientes com doença pulmonar moderada a grave (VEF1 < 70% do previsto), sendo o maior deles com uma casuística de 520 pacientes (NE 1).( 67 ) Os três estudos mais significativos tiveram um total de 619 pacientes randomizados. Os resultados mostraram a melhora estatisticamente significativa no VEF1 para aqueles que receberam tobramicina, com um incremento de função pulmonar (VEF1) entre 7,8% e 12,0% (NE 1b).( 67 - 69 )

Naqueles três estudos, avaliou-se ainda a influência do uso de tobramicina inalatória sobre a frequência de EPAs, evidenciando uma redução das hospitalizações e do número de dias no hospital para o grupo tratado com tobramicina inalatória (NE 1b).( 67 - 69 ) A frequência de eventos adversos reportados foi baixa em todos os estudos, principalmente relacionados a zumbido auditivo, problemas de garganta e alterações de voz.

Esses resultados fizeram com que a tobramicina inalatória fosse recomendada por diretrizes internacionais como a opção principal de tratamento desses casos.( 2 )

Dois estudos,( 38 , 70 ) com um total de 202 pacientes, avaliaram a utilização da tobramicina inalatória em pacientes com FC e doença pulmonar leve (VEF1 entre 70% e 89% do previsto). Gibson et al., em uma amostra com 21 pacientes com FC com idade inferior a 6 anos e cultura de LBA com identificação de P. aeruginosa, relataram que o uso da tobramicina inalatória resultava em uma redução da quantidade de P. aeruginosa nas vias aéreas (NE 2b).( 38 ) Outro estudo, com 181 pacientes (6-15 anos de idade) com doença pulmonar leve, comparou o uso de tobramicina inalatória ao de terapia padrão por 56 semanas e observou uma redução significativa na ocorrência de exacerbações requerendo hospitalização (11,0% vs. 25,6%). O estudo foi interrompido precocemente pela magnitude do impacto observado (NE 1b).( 70 ) Não houve melhora significativa do VEF1, mas aqueles tratados com tobramicina inalatória apresentaram uma melhora significativa (10%) nos valores de fluxos expiratórios forçados – FEF50% (NE 1b).( 70 )

A qualidade da evidência para o uso de tobramicina inalatória em pacientes com doença pulmonar leve é ainda limitada pelo número de estudos e de pacientes estudados, e o maior desses estudos( 70 ) foi interrompido no início por conta da força do impacto observado em relação a exacerbações respiratórias.

Outros antibióticos inalatórios são utilizados em pacientes com FC com infecção crônica pela P. aeruginosa, mas a quantidade de evidências científicas ainda é relativamente escassa.( 2 )

A colimicina inalatória ainda é a droga de escolha inicial para nebulização em pacientes com FC e infecção respiratória crônica por P. aeruginosa no Reino Unido.( 71 ) Um estudo comparativo de tobramicina inalatória (300 mg, duas vezes ao dia) e colimicina nebulizada (1.000.000 UI duas vezes ao dia) em 115 pacientes, mostrou que ambos os tratamentos reduziram o conteúdo bacteriano do escarro e aumentaram os valores de VEF1 em 6,7% e 0,37%, respectivamente (NE 2b).( 72 ) Poucos estudos existem sobre o uso de outras drogas, como gentamicina, amicacina e ceftazidima.( 2 )

Novas drogas para uso inalatório foram recentemente testadas a fim de ampliar o leque de possibilidades terapêuticas, com benefícios nas esferas de resistência bacteriana, tolerabilidade e praticidade de administração, impactando em segurança e qualidade de vida do paciente.

Uma das drogas recentemente lançada é o aztreonam inalatório, um beta-lactâmico de anel único (monobactâmico).( 73 ) Em um dos estudos iniciais, um ensaio randomizado, duplo-cego, placebo-controlado foi realizado em 211 pacientes com FC e idade superior a 6 anos, VEF1 entre 25% e 75% do previsto e infecção crônica por P. aeruginosa, todos em uso regular de tobramicina inalatória. Os pacientes receberam 75 mg de aztreonam inalatório ou placebo, duas ou três vezes ao dia, durante 28 dias, com seguimento de mais 56 dias. Os efeitos positivos observados foram um aumento do tempo médio para uma nova exacerbação respiratória em 21 dias, melhora dos escores médios de qualidade de vida, aumento do VEF1 em 6,3% (p = 0,001) e redução da densidade de P. aeruginosa no escarro. Os eventos adversos foram comparáveis entre os grupos. Não houve mudança na suscetibilidade de P. aeruginosa para o aztreonam (NE 2b).( 73 ) Mais recentemente, um estudo foi publicado com dados de uso de aztreonam inalatório por tempo mais prolongado (18 meses).( 74 ) Foram incluídos 274 pacientes, com média de idade de 26 anos, que haviam participado dos outros estudos com a droga em questão. Foi um estudo aberto com duas posologias (75 mg, três ou duas vezes ao dia) em meses alternados. Além de uma alta taxa de adesão ao tratamento, dados de função pulmonar e de qualidade de vida melhoraram em cada curso da droga, sem um aumento significativo das taxas de resistência bacteriana. Pacientes tratados com a posologia de três nebulizações ao dia apresentaram uma melhora significativa na função pulmonar e nos sintomas respiratórios (NE 2b).( 74 )

Uma nova preparação de tobramicina em pó seco utilizando um dispositivo inovador foi comparada, em um estudo de não inferioridade, à tobramicina inalatória comercial.( 75 ) Foram incluídos 517 pacientes com FC, idade superior a 6 anos, VEF1 entre 25% e 75% do previsto e infecção crônica por P. aeruginosa nos últimos 6 meses. O uso do dispositivo de pó seco resultou em uma eficácia semelhante à observada com o de tobramicina inalatória em termos de VEF1 e efeito microbiológico, mas com maiores taxas de efeitos adversos, como disfonia, tosse e disgeusia. Entretanto, o uso de tobramicina em pó seco resultou em valores significativamente maiores de escores de questionários de qualidade de vida (NE 1b).( 75 )

Uma formulação de levofloxacina (MP-376, Aeroquin) foi testada em 151 pacientes com FC com infecção crônica por P. aeruginosa (NE 2b).( 76 ) Três diferentes dosagens foram testadas (120 mg/dia, 240 mg uma vez ao dia e 240 mg duas vezes ao dia) contra placebo durante 28 dias. A densidade de P. aeruginosa no escarro foi reduzida nas três diferentes dosagens, houve um aumento de VEF1 dependente da dose (até 8,7%), além de uma redução significativa na ocorrência de EPA. A droga foi geralmente bem tolerada em relação ao placebo (NE 2b).( 76 )

Uma revisão sistemática da literatura, publicada em 2011,( 77 ) sintetizou a evidência disponível sobre o uso de antibióticos inalatórios em pacientes com FC. A revisão fez diversas comparações, utilizando-se de técnicas de meta-análise. A conclusão foi a de que os antibióticos inalatórios melhoram a função pulmonar e reduzem os índices de exacerbação da infecção por P. aeruginosa, assim como que a melhor evidência indica o uso de tobramicina inalatória (NE 1a).( 77 )

Recomendação

Recomenda-se o uso de tobramicina inalatória em pacientes com FC com idade acima de 6 anos de idade, com infecção crônica por P. aeruginosa e doença pulmonar (VEF1 < 70%) moderada ou grave (NE 1; GR A).

O uso de tobramicina inalatória em pacientes com FC com idade acima de 6 anos de idade, infecção crônica por P. aeruginosa e doença pulmonar leve (VEF1 entre 70 e 89%) é recomendado para reduzir as exacerbações respiratórias (NE 2; GR B).

A evidência para a utilização de tobramicina inalatória na população mais jovem (idade inferior a 6 anos) é ainda muito pobre para permitir qualquer recomendação baseada em evidências.

O uso de outros antibióticos inalatórios, como colimicina, gentamicina e aztreonam, ainda tem poucos dados, e não há evidências para se recomendar seu uso de forma ampla.

A adesão ao tratamento clínico influencia o prognóstico de pacientes com FC?

O tratamento de pacientes com FC baseia-se na prevenção de danos estruturais pulmonares, no manejo da situação nutricional, com suplementação de enzimas e nutrientes, na prevenção de exacerbações e na identificação e tratamento das comorbidades, permitindo uma boa qualidade de vida.( 78 ) Entre os tratamentos diários, a fisioterapia respiratória ocupa um papel de destaque por sua complexidade, pois geralmente requer a colaboração de outro indivíduo, e trata-se de procedimento com um impacto significativo na evolução da doença.( 79 , 80 ) Dada a complexidade da doença e dos vários objetivos envolvidos, fica claro que esquemas terapêuticos complexos e agressivos são frequentemente empregados, ocupando um grande período de tempo na vida dos pacientes e de seus familiares.( 81 )

Nesse universo de tratamento complexo e sem prazo definido para terminar, a adesão ao tratamento recomendado passa a ser um fator de alto impacto no resultado clínico e no prognóstico desses pacientes.( 78 )

As nebulizações representam a parte da terapia medicamentosa mais complexa, porque consomem bastante tempo e são cada vez mais indicadas em pacientes com doença leve.( 2 ) Em um estudo recente de pacientes adultos com FC, a média de tempo gasto com medicações relatado foi de 108 min/dia, e as terapias que envolvem a nebulização representaram 41 min desse período.( 81 ) Mesmo em pacientes asmáticos, com um tempo muito inferior dedicado à administração dos medicamentos, estimativas de adesão à terapêutica com drogas inalatórias variam entre 30% e 50%.( 82 )

Uma das causas de má adesão ao tratamento é a falta de compreensão das orientações médicas por pacientes e familiares, que geralmente também têm compreensão diferente de uma mesma orientação médica ministrada.( 83 )

Existem evidências de que baixas taxas de adesão ao uso de medicamentos na FC estão associadas ao pior controle da doença, absenteísmo escolar e aumento de EPAs (NE 2b).( 84 ) A chegada da adolescência, em geral, piora bastante o cenário, pois é o momento que habitualmente a doença pulmonar se acentua e é justamente quando a adesão ao tratamento fica pior.( 85 ) Há evidências de que a adesão é inversamente proporcional à idade dos pacientes, e também intimamente relacionada a uma visão mais otimista sobre a doença.( 86 )

Um estudo avaliando os fatores associados à má adesão em crianças com asma e FC identificou fatores em comum entre as duas patologias (esquecimento, comportamentos de oposição frente aos pais, dificuldades com o tempo para os procedimentos, efeitos colaterais, dificuldade em engolir comprimidos e sabor de alguns medicamentos), mas descreveu também diversos aspectos que são próprios de cada patologia, de modo que se recomenda uma abordagem doença específica para questões de adesão ao tratamento (NE 2b).( 87 )

Um estudo no Brasil com adultos com FC usando adesão autorreferida mostrou altas taxas de adesão, maior do que a percebida pela equipe médica envolvida no tratamento daqueles indivíduos.( 88 ) Usando outras ferramentas para medir a adesão, como registros de farmácia, Eakin et al.( 89 ) mostraram que a baixa adesão foi associada a um maior risco de EPA com necessidade de uso de antibióticos intravenosos (NE 4). Analisando dados de saúde suplementar nos EUA sobre o reembolso de compra de tobramicina inalatória, Briesacher et al.( 90 ) avaliaram o impacto da adesão ao uso dessa terapêutica nos desfechos clínicos de pacientes com FC. Classificando os pacientes quanto à adesão em “baixa adesão” (< 2 ciclos/ano), “média adesão” (2-3 ciclos/ano) e “alta adesão” (≥ 4 ciclos/ano), os autores verificaram que a alta adesão só foi identificada em 7% dos pacientes, e a baixa adesão esteve associada a um risco aumentado de hospitalização, com maiores custos financeiros para o sistema de saúde (NE 3b). Vale ressaltar que o esquema preconizado para essa terapia é de pelo menos 6 ciclos/ano.

Recomendação

A adesão ao tratamento na FC está ligada à alta carga de tratamento necessária e é pior na adolescência. As terapias por nebulização e a fisioterapia têm os piores índices de adesão, e há evidencias de que essas influenciam desfechos clínicos relevantes, como a necessidade de hospitalização (NE 3; GR C).

A azitromicina é eficaz em reduzir a progressão da doença pulmonar em pacientes com FC colonizados por P. aeruginosa?

Os macrolídeos são drogas bacteriostáticas que agem por inibição da síntese proteica bacteriana, através de ligação com a subunidade ribossomal 50S.( 91 ) Na década de 80, pesquisadores japoneses descreveram sua experiência de uso da eritromicina em baixas doses na panbronquiolite difusa, doença que cursa com bronquiectasias e supuração pulmonar.( 92 ) Aquela experiência inicial motivou novos estudos empregando diferentes macrolídeos no tratamento de doenças respiratórias, como FC, asma e bronquiolite obliterante.( 91 )

Os possíveis mecanismos de ação dos macrolídeos na FC incluem ações no microrganismo, como a redução da virulência da P. aeruginosa, efeitos bactericidas tardios, diminuição da aderência bacteriana ao epitélio respiratório, redução da motilidade bacteriana e interferência na produção de biofilme.( 91 , 93 ) Entre as ações imunomoduladoras dos macrolídeos no hospedeiro, podemos citar a interferência com a produção de elastase pelos neutrófilos, inibição da produção de citocinas inflamatórias pelos macrófagos alveolares e diminuição da hipersecreção de muco.( 91 , 93 )

O macrolídeo mais utilizado em pacientes com FC foi a azitromicina, e o primeiro ensaio clínico encorajador foi publicado em 2002, avaliando 41 pacientes com FC em um ensaio cruzado, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo por 15 meses.( 94 ) O desfecho primário foi a mudança no VEF1, e a dose do fármaco foi administrada em duas faixas de peso corporal: ≤ 40 kg (250 mg/dia) e > 40 kg (500 mg/dia). Os autores observaram uma melhora significativa da função pulmonar (5,4%; IC95%: 0,8-10,5%) no grupo que recebeu azitromicina em comparação ao grupo placebo, e nenhuma diferença significativa foi observada quanto à concentração de bactérias no escarro, tolerância ao exercício e qualidade de vida. O tratamento foi ainda bem tolerado, sem eventos adversos significativos (NE 2b).( 94 )

Posteriormente, um novo estudo multicêntrico, duplo-cego, randomizado e controlado por placebo foi realizado nos EUA com uma casuística de 185 pacientes cronicamente infectados por P. aeruginosa e com idade superior a 6 anos.( 95 ) A dosagem de azitromicina foi igual à do estudo anterior, porém o uso foi de apenas 3 vezes na semana. O desfecho principal também foi o VEF1, e os autores mostraram uma diferença significativa entre os grupos de tratamento e placebo (6,2%; IC95%: 2,6-9,8%). Outros resultados encorajadores foram uma redução no risco de EPA de 35% e um ganho ponderal significativo entre os pacientes que receberam a azitromicina (NE 1b).( 95 ) O mesmo grupo de autores avaliou o efeito da azitromicina em pacientes com FC não infectados por P. aeruginosa ( 96 ); o uso da azitromicina por 24 semanas não resultou em uma melhora significativa do VEF1 quando comparado ao uso de placebo, mas houve uma redução significativa na ocorrência de EPA no grupo tratado com azitromicina (NE 2b).( 96 )

Uma meta-análise recente, avaliando o uso da macrolídeos em pacientes com FC, incluiu 6 ensaios randomizados e controlados por placebo (654 pacientes).( 97 ) O tratamento com azitromicina resultou em melhora significativa de VEF1 e CVF, principalmente em pacientes cronicamente infectados por P. aeruginosa. A incidência de efeitos colaterais não foi significativamente diferente entre o grupo placebo e o tratado com azitromicina (NE 1a).( 97 )

Em uma revisão sistemática recente de uso de macrolídeos em FC, foram incluídos 10 estudos (959 pacientes).( 98 ) Quatro ensaios clínicos (549 pacientes) demonstraram uma melhora significativa da função pulmonar comparando azitromicina ao placebo. A diferença média em período de 6 meses foi de 3,97% (IC95%: 1,74-6,19%). Pacientes em uso de azitromicina tiveram uma redução na ocorrência de EPAs, precisaram de antibióticos orais com menos frequência e tiveram um maior ganho de peso e menor identificação de S. aureus nas culturas de secreção respiratória. Efeitos adversos foram incomuns, embora um aumento da resistência aos macrolídeos tenha sido observado. Os autores concluíram que a azitromicina tem um pequeno efeito benéfico no tratamento de pacientes com FC, no esquema de administração de três vezes/semana, por prazos de 6 meses. Porém, considerando os poucos dados em longo prazo e a preocupação de desenvolvimento de resistência bacteriana aos macrolídeos, as atuais evidências não são fortes o suficiente para indicar o uso de azitromicina para todos os pacientes com FC (NE 1a).( 98 )

Recomendação

O uso de azitromicina em pacientes com FC cronicamente infectados por P. aeruginosa melhora de forma discreta a função pulmonar, reduz a frequência de EPAs e não resulta em efeitos colaterais significativos (NE 1; GR A).

Como a maior parte dos estudos teve duração de cerca de 6 meses, são necessários estudos de longo prazo para confirmar sua eficácia e segurança.

Há uma boa correlação entre o antibiograma e a resposta clínica na infecção crônica por P. aeruginosa?

Na infecção inicial por P. aeruginosa em pacientes com FC, as formas não mucoides costumam ser bastante sensíveis, há uma boa correlação com o antibiograma, e o tratamento costuma ter sucesso. Nas formas crônicas, as formas mucoides de P. aeruginosa predominam, e concentrações mais elevadas dos antibióticos são necessárias; além disso, é frequente a ocorrência de populações mistas de P. aeruginosa no biofilme pulmonar, de tal modo que a correlação entre o antibiograma e a resposta clínica pode não ser boa.( 71 )

Existem descrições de sucesso clínico no tratamento de bactérias resistentes in vitro, e, em um estudo de tratamento de EPAs, o resultado clínico não esteve associado aos valores da concentração inibitória mínima de P. aeruginosa para os antimicrobianos utilizados (NE 2b).( 99 )

Em um estudo que abordou isolados multirresistentes de P. aeruginosa, Aaron et al.( 100 ) não encontraram diferenças nos resultados clínicos e bacteriológicos frente a escolhas do esquema antimicrobiano com base em testes de sensibilidade padrão ou em testes de múltipla combinação (testes de sinergismo) de antibióticos (NE 2b).

A despeito dos achados de falta de correlação entre antibiograma e resposta clínica no tratamento de infecções por P. aeruginosa, existe a recomendação de se realizar culturas periódicas de secreção respiratória de pacientes com FC com o intuito de se detectar a primeira infecção, assim como monitorar mudanças de padrão de sensibilidade ou o aparecimento de novos patógenos, como complexo B. cepacia, Achromobacter xylosoxidans, Aspergillus spp., etc. (NE 5).( 101 )

Recomendação

Apesar de não haver uma boa correlação entre o antibiograma e a resposta clínica na infecção crônica por P. aeruginosa, recomenda-se a realização de culturas periódicas de secreção respiratória desses pacientes, visando à identificação de diferentes espécies bacterianas, ainda que o tratamento para P. aeruginosa não deva ser exclusivamente direcionado pela sensibilidade observada no antibiograma (NE 5; GR D).

A infecção por P. aeruginosa multirresistente piora o prognóstico?

À medida que a sobrevida média de pacientes com FC vem aumentando e a população de adultos com FC vem crescendo, aumenta a preocupação com infecções por P. aeruginosa multirresistente. A definição de P. aeruginosa multirresistente foi estabelecida como a resistência a todas as drogas de pelo menos duas das três seguintes classes de antimicrobianos: fluoroquinolonas, beta-lactâmicos e aminoglicosídeos.( 102 )

Os principais fatores de risco para a infecção por P. aeruginosa multirresistente são diabetes, uso de tobramicina inalatória por longo prazo, frequentes EPAs com hospitalização ou uso de antibióticos intravenosos. Frequentar um centro de tratamento com alta prevalência de Pseudomonas spp. resistente também aumenta o risco de aquisição de P. aeruginosa multirresistente (NE 2b).( 103 )

Em um estudo que seguiu 75 pacientes adultos com FC durante 3 anos, observou-se que a infecção por P. aeruginosa multirresistente foi associada a doença pulmonar mais grave, declínio mais rápido do VEF1, aumento do uso de antibióticos intravenosos e aumento da frequência de consultas médicas (NE 2b).( 104 )

Recomendação

A infecção por P. aeruginosa multirresistente piora o prognóstico de pacientes com FC e aumenta a necessidade de cuidados e o uso de recursos médico-hospitalares (NE 2).

Considerações finais

Existem diversas evidências de que a colonização precoce por P. aeruginosa tem um impacto significativo no prognóstico de pacientes com FC, e que estratégias de erradicação devem ser empregadas, ainda que haja controvérsia sobre qual o melhor esquema terapêutico para tal. O diagnóstico precoce da infecção por P. aeruginosa ainda é um desafio na prática clínica, e a sorologia anti-P. aeruginosa ainda não tem um papel bem estabelecido no dia a dia. As EPAs representam um grande problema para pacientes com FC, e sua identificação e tratamento são complexos, resultando frequentemente em perda funcional significativa. O tratamento de manutenção de pacientes com infecção crônica por P. aeruginosa inclui drogas como azitromicina e antibióticos inalatórios e, a despeito de várias evidências favoráveis ao uso de tobramicina inalatória, existem novas opções de formulação dessa droga, assim como outros antimicrobianos com potencial para uso nesses casos.

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