Influência do laser de baixa potência no salto vertical em indivíduos sedentários

Influência do laser de baixa potência no salto vertical em indivíduos sedentários

Autores:

Camila Mayumi Martin Kakihata,
Jéssica Aline Malanotte,
Jessica Yumie Higa,
Tatiane Kamada Errero,
Sandra Lucinei Balbo,
Gladson Ricardo Flor Bertolini

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.13 no.1 São Paulo jan./mar. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/S1679-45082015AO3243

INTRODUÇÃO

Durante a atividade física extenuante, é comum os músculos apresentarem um declínio progressivo no desempenho e na potência, que, em grande parte, recupera-se após um período de repouso. Esse fenômeno reversível, geralmente descrito como fadiga muscular, funciona como processo de defesa do organismo, na tentativa de impedir que as reservas de energia do corpo se esgotem.(1-3)

O desenvolvimento da fadiga muscular é promovido por contrações repetidas e está associada ao tipo e intensidade do exercício, aos grupos musculares envolvidos, ao substrato bioquímico e ao acúmulo de metabólitos. Além disso, a fadiga muscular também diminui as fontes de trifosfato de adenosina (ATP), como o glicogênio muscular e a fosfocreatina.(1)

Tal fadiga pode ser ocasionada por gestos desportivos, como o salto vertical, que se caracteriza por um movimento dinâmico, complexo e com diferentes ativações motoras, que resultam em rápida ação muscular excêntrica, seguida de contração máxima concêntrica.(4) Tal gesto também é utilizado como uma das melhores formas para se avaliarem os níveis de potência mecânica (PM) muscular,(5) sendo prejudicada diretamente pela fadiga, a qual é passível de ser mensurada pelo índice de fadiga obtido no teste de salto vertical contínuo de 60 segundos.(6)

Uma das possíveis formas de prevenir a fadiga e melhorar a recuperação do músculo esquelético é por meio da irradiação do laser de baixa potência (LBP), devido aos efeitos fisiológicos e terapêuticos proporcionados, como o aumento do metabolismo celular, que amplifica a síntese de proteínas, ATP, RNA e, principalmente, da função e da estrutura mitocondrial.(7) Essa adaptação estrutural eventualmente resulta na capacidade de proporcionar níveis elevados de respiração e de energia (ATP) para as células, o que caracteriza uma adaptação metabólica.(8)

Existem diversas pesquisas sobre o efeito do LBP no metabolismo celular, entretanto sua aplicação na melhora do desempenho muscular ainda é pouco explorada. Há trabalhos que visam avaliar a fadiga eletromiográfica(9,10) e o ganho de força,(11) mas não foram encontrados estudos avaliando o resultado puro do LBP sobre uma atividade funcional, como o salto, avaliado por plataformas de salto.

OBJETIVO

Verificar os efeitos do laser de baixa potência (660nm), sobre o tríceps sural, durante o salto vertical em indivíduos sedentários; avaliar a potência muscular durante 1 minuto e em quatro “trechos” específicos de 15 segundos; e analisar o índice de fadiga e a dor muscular de início tardio.

MÉTODOS

O estudo foi realizado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), campus Cascavel, sendo aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisas, sob parecer 056/2013, CAAE: 15570413.1.0000.0107. Tem caráter de ensaio clínico experimental, transversal, com amostragem por conveniência.

Os critérios de inclusão foram ser voluntário, que nos 6 meses anteriores ao estudo não praticaram atividade física regular, não utilizaram medicamentos e/ou suplementos nutricionais, e não tiveram lesão muscular, óssea ou articular dos membros inferiores, nem doenças do sistema cardiovascular e/ou sistêmicas. Os critérios de exclusão foram: voluntários que relataram mal-estar durante os testes aplicados e/ou que não compareceram nos dias agendados.

Grupo amostral

Para a pesquisa, foram avaliados 36 voluntários, acadêmicos da UNIOESTE dos quais, apenas 22 foram inclusos no estudo. Os voluntários apresentaram idade de 21,27±2,8 anos (21,5, IQ, 21-28) e 16 eram do sexo feminino. Os motivos das exclusões foram a realização de atividades físicas e lesões osteomusculares recentes.

As características antropométricas dos voluntários, em valores médios, foram estatura de 1,68±0,10m (1,65, IQ, 1,64-1,80), massa corporal de 64,59±13,97kg (64, IQ, 53-75) e índice de massa corporal de 22,51±3,57kg/m2 (23,44, IQ, 19,70-23,14). Os voluntários inclusos na pesquisa assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e receberam orientação para comparecer no centro de reabilitação física da UNIOESTE, que foi o local da avaliação, em dia pré-determinado e horário conveniente para cada indivíduo. A amostra foi dividida aleatoriamente, por sorteio com envelope opaco, em três grupos: G1 (n=8), sem a aplicação do LBP (grupo controle); G2 (n=7), submetido a 6 dias de aplicação do LBP; G3 (n=7), submetido a dez dias de aplicação do LBP.

Observou-se que sete indivíduos por grupo, para uma diferença a ser detectada de 7,5W.kg-1, com desvio padrão de 5,5, apresentaram poder do teste de 80%, com nível de significância de 5%. Todos foram avaliados por meio de saltos, 5 dias distintos, sendo que o primeiro dia de avaliação ocorria sempre no início da semana.

Protocolo dos saltos

O teste de salto de 60 segundos(12,13) consistiu na realização de saltos verticais máximos, do tipo Counter Movement Jump, pela presença de contramovimento em sua execução, sobre uma placa de contato de 50x66cm, conectada ao sistema MultiSprint Full (software Multisprint), que forneceu o tempo de voo e de contato de cada salto, bem como o número de saltos.

No 1o dia, os indivíduos foram orientados sobre como o salto deveria ser executado, e o realizaram da seguinte maneira: o voluntário se posicionou sobre a placa de contato com as mãos na cintura, com o olhar na direção de um ponto fixado na altura dos olhos e iniciou o salto com aproximadamente 110o de flexão de joelho, repetindo durante 60 segundos sem interrupção, com a máxima potência possível. Os indivíduos foram orientados a manter o tronco na vertical e os joelhos em extensão durante o voo. Todos os voluntários saltaram descalços, para não haver influência no resultado pelas diferenças entre os calçados. Durante o salto, estavam presentes dois observadores, sendo que um era responsável pelo incentivo verbal e o outro por registrar os dados − ambos cegos com relação a qual grupo pertencia o voluntário. Em todas as avaliações (AV), os mesmos dois observadores estiveram presentes.

Todos os grupos realizaram os saltos nos mesmos dias, sendo que o protocolo diferiu apenas no 1o e último dia de intervenção. No 1o dia, foi realizado o salto (AV1), sucedido de 5 minutos de descanso, e foi aplicado o LBP nos grupos G2 e G3. Posteriormente, todos saltaram novamente (AV2). Nesse dia, foram realizados dois saltos, visando verificar algum efeito imediato na aplicação do LBP.

As avaliações seguintes aconteceram no 5º (AV3), 8º (AV4), 12º dia (AV5), sendo feita a aplicação do LBP precedida do salto nos grupos G2 e G3 − para G1 foi realizado apenas o salto. No último dia de avaliação, correspondente ao 15º dia (AV6), houve apenas a realização do salto, independente do grupo (Quadro 1).

Quadro 1 Cronograma do protocolo do laser de baixa potência e do salto vertical 

Dia Segunda Terça Quarta Quinta Sexta Sábado e domingo
1 2 3 4 5 6 e 7
G1 SVC-SVC _ _ _ SVC _
G2 SVC-LBP-SVC _ LBP _ LBP-SVC _
G3 SVC-LBP-SVC LBP LBP LBP LBP-SVC _

Dia 8 9 10 11 12 13 e 14

G1 SVC _ _ _ SVC _
G2 LBP-SVC _ LBP _ LBP-SVC _
G3 LBP-SVC LBP LBP LBP LBP-SVC -

Dia 15          

G1 SVC          
G2 SVC          
G3 SVC          

SVC: salto vertical com contramovimento; LBP: laser de baixa potência; G: grupo.

A PM, expressa em W.kg-1, foi obtida pela seguinte equação:

Na qual “g” é a aceleração da gravidade (9,81m.s-2), “Tf” é a soma do tempo de voo de todos os saltos, e “n” é o número de saltos realizados durante o período de 60 segundos.

Em complemento, também foi calculada a PM para cada trecho de 15 segundos, oriundos do teste de 60 segundos, adequando-se as entradas da equação para cada trecho, quanto ao número de saltos e à duração do período de avaliação (de 60 segundos para 15 segundos).(12) Foi obtida a PM dos cinco trechos, a saber: trecho geral (0 a 60 segundos), 1o quarto (0 a 15 segundos), 2o quarto (16 a 30 segundos), 3o quarto (31 a 45 segundos) e 4o quarto (46 a 60 segundos).

O índice de fadiga foi estimado entre o pico de PM, correspondente à potência média desenvolvida nos primeiros 15 segundos e à potência média dos últimos 15 segundos do teste, conforme proposto por Hespanhol et al.(6) Os índices de fadiga foram expressos em valores percentuais por regra de três simples.

Protocolo da aplicação do laser de baixa potência

O voluntário permaneceu deitado em decúbito ventral, com a região do tríceps sural descoberta. Primeiramente, foi realizada a assepsia do local de aplicação e, em seguida, o laser foi irradiado, em uma angulação de 90° com o tecido, com leve pressão e de forma pontual (oito pontos, distribuídos uniformemente), conforme figura 1. A aplicação aconteceu de proximal para distal e de lateral para medial. Os parâmetros de irradiação foram comprimento de onda (660nm); potência de saída (30mW); área do spot (0,06cm2); densidade de potência (0,5W/cm2); energia irradiada por ponto (0,24J); densidade de energia (4J/cm2); tempo de irradiação (8 segundos); quantidade de pontos irradiados (oito pontos); e energia total irradiada (1,92J).

Figura 1 (A) Demarcação dos pontos de aplicação do laser de baixa frequência. (B) Demonstração da aplicação do laser de baixa frequência 

Avaliação da dor muscular de início tardio

Para avaliação da dor, foi utilizada a Escala Visual Analógica (EVA), que consiste em uma linha reta de 10cm, não numerada, indicando-se em uma extremidade a marcação “sem dor” e, na outra, “pior dor imaginável”. Por essa escala, foi questionado ao voluntário a intensidade de dor nos dias posteriores ao salto. Foram realizadas 5 avaliações, referentes a 72 horas, após cada dia de salto.

Análise estatística

Para a análise estatística, foi utilizado o software Statical Package for Social Sciences (SPSS), versão 15, e, para as comparações, foi utilizada a Análise de Variância (ANOVA) modelo misto, com pós-teste de Bonferroni, sendo adotado α=0,05.

RESULTADOS

De acordo com a análise entre os grupos e entre as avaliações, não houve diferença significativa entre as variáveis da fadiga [F(3,1; 58,7)=1,30; p=0,282] e da PM no trecho geral [F(6,2; 60)=1,83; p=0,106] (Tabela 1).

Tabela 1 Resultado das avaliações da fadiga e potência no trecho geral 

  AV1 AV2 AV3 AV4 AV5 AV6
Fadiga G1 8,665±4,68 9,922±6,11 10,88±6,31 7,768±3,00 8,487±2,95 8,432±2,32
G2 14,02±6,70 14,69±5,79 15,43±9,94 14,63±8,05 14,63±8,97 14,97±8,11
G3 9,696±3,91 9,928±3,79 10,05±3,00 11,25±3,52 9,875±1,94 10,05±2,76
Potência no trecho geral G1 12,98±4,80 14,24±5,80 12,86±6,95 10,61±3,75 10,81±3,85 10,23±3,13
G2 15,70±5,40 16,46±5,96 16,73±7,80 16,58±6,96 16,39±8,07 17,26±7,56
G3 13,22±5,10 12,15±5,09 13,01±3,69 13,00±4,06 13,01±3,18 13,18±3,35

G: grupo; AV: avaliações.

Na análise da potência nos quatro trechos também não houve diferença significativa entre os grupos e entre as avaliações, sendo observado no primeiro quarto F(3,3;63,1)=0,091 (p=0,973), no segundo quarto F(3,3;63,7)=1,02 (p=0,394), no terceiro quarto F(2,7;51,6)=0,504 (p=0,663) e no quarto quarto F(7,6;59,1)=0,840 (p=0,481) (Tabela 2).

Tabela 2 Avaliações da potência nos trechos do primeiro ao quarto quarto 

  AV1 AV2 AV3 AV4 AV5 AV6
1o quarto G1 14,82±4,88 15,78±5,22 14,79±7,15 14,26±6,00 13,42±5,81 12,49±4,95
G2 19,12±5,79 19,80±6,29 19,11±6,05 19,59±6,77 19,18±8,10 20,47±7,04
G3 15,72±6,07 14,23±6,01 15,89±5,55 15,52±5,73 15,93±4,69 16,66±4,95
2o quarto G1 13,57±5,92 14,80±7,17 14,47±8,74 11,79±4,34 11,97±4,80 10,74±3,49
G2 16,65±4,54 17,66±5,60 18,09±8,21 17,43±6,44 17,12±7,49 18,39±7,43
G3 14,99±5,17 13,68±6,24 15,33±5,37 13,99±5,01 14,59±4,09 14,54±3,85
3o quarto G1 12,22±7,28 12,34±7,27 11,94±6,94 10,05±3,86 9,93±3,55 9,78±2,99
G2 15,41±6,36 15,55±5,55 16,97±9,34 16,37±7,59 15,65±8,22 16,68±7,56
G3 13,40±6,15 11,46±5,35 12,13±2,98 12,40±3,67 12,50±2,90 12,31±2,96
4o quarto G1 8,66±4,68 9,92±6,11 10,88±6,31 7,76±3,00 8,48±2,95 8,43±2,32
G2 14,02±6,70 14,69±5,79 15,43±9,94 15,00±8,05 14,63±8,97 14,97±8,11
G3 9,69±3,91 9,92±3,79 10,05±3,00 11,25±3,52 9,87±1,94 10,05±2,76

G: grupo; AV: avaliações.

Ao avaliar a dor muscular tardia, houve diferença significativa [F(1,6;31,5)=89,59; p<0,001] entre a AV1 com AV2-AV5, sendo AV1 maior do que as demais avaliações. Contudo, na comparação entre os grupos, não houve diferença significativa (Tabela 3).

Tabela 3 Resultados das avaliações da dor muscular de início tardio 

Grupos AV1 AV2* AV3* AV4* AV5*
G1 6,8±2,2 0,3±0,7 0,1±0,4 0 0
G2 4,7±2,6 1±1,7 0,1±0,4 0 0
G3 5,1±2 0,1±0,4 0,4±1,1 0,4±1,1 0

* Diferença significativa ao comparar com AV1. G: grupo; AV: Avaliações.

DISCUSSÃO

A terapia com LBP na prevenção da fadiga muscular vem sendo pesquisada recentemente. No entanto, ainda não são claros os mecanismos biológicos que fundamentam os resultados positivos observados em estudos clínicos, inferindo-se tais achados a efeitos do laser sobre o estresse oxidativo, a atividade mitocondrial e a microcirculação.(14)

No presente estudo, avaliou-se a ação pura do LBP sobre variáveis de uma atividade comumente realizada na prática esportiva, não havendo efeitos imediatos e tardios significativos na fadiga muscular durante o salto vertical. Resultado semelhante quanto à fadiga foi observado por Leal Jr. et al.,(14) que sugeriram que o resultado ocorreu devido à utilização do laser de comprimento de onda vermelho, que possui menor penetração na pele, quando comparado ao infravermelho, o que poderia ter levado à menor quantidade de energia fornecida ao tecido, ocasionando efeitos apenas no pico de torque das primeiras contrações. De forma concordante, Vieira et al.,(8) utilizando um cluster de 808nm com energia total de 18J (por membro), durante 9 semanas após treinos com cicloergometro, observaram efeito protetor do laser com respeito à fadiga muscular.

Também utilizando terapia com cluster, com diodos emitindo dentro do comprimento de onda vermelho (660nm) e também infravermelho (850nm), sobre três pontos do quadríceps e dose total de 125,1J, Baroni et al.(15) avaliaram a fadiga muscular por meio de torque em dinamômetro isocinético. Esses autores observaram menor diminuição de torque após teste de fadiga. Ao utilizarem um cluster 808nm (50,4J de energia total), Ferraresi et al.(16) verificaram ganho de força com a associação deste com treino ativo, superior ao obtido com apenas treino de força. Leal Jr. et al.,(1) utilizando cluster multidiodo infravermelho (810nm, 60J de energia total), sobre dois pontos no bíceps braquial de atletas, em que a fadiga foi induzida por movimentos de flexão e extensão do cotovelo, observaram diferença significativa na diminuição da fadiga e na melhora no desempenho muscular. Os autores sugeriram que o resultado se deu pela utilização do laser multidiodo, que é capaz de irradiar vários pontos ao mesmo tempo, somando maior área de irradiação. No presente estudo, foi utilizado o laser com apenas um diodo em oito pontos e em um grupo muscular relativamente grande.

A hipótese sugerida é a de que favoreceu o uso do laser para a inexistência de efeitos positivos como também a baixa dose de energia aplicada no estudo, de apenas 1,92J por membro. Tal fato possivelmente explica a ausência de melhora nos resultados tanto para a fadiga quanto para a potência em grandes áreas de irradiação. No estudo de Toma et al.,(9) foi avaliado o uso do LBP (808nm, 10mW, 7J) no reto femoral, imediatamente após um protocolo de fadiga do músculo esquelético em mulheres idosas. Não foram observadas alterações na fadiga eletromiográfica, porém o número de repetições de exercícios de flexo-extensão atingido pelo grupo LBP foi maior. Já Kelencz et al.,(10) utilizando LED (640nm, com 40nm de banda), em voluntários saudáveis, com irradiação em oito pontos do masseter direito (1,044J, 2,088J ou 3,132J por ponto), obtiveram aumento na atividade muscular (1,044J por ponto) e aumento no tempo antes da fadiga (2,088J por ponto), sem mudança na força de contração. Sugere-se, então, uma relação dose-dependente desse tipo de irradiação não coerente na região do vermelho sobre o processo de fadiga muscular.

Para a variável da potência muscular em todas as formas avaliadas, também não houve efeitos significativos para o LBP. O treinamento de força melhora a potência anaeróbica, em razão da melhor sincronização no recrutamento das fibras musculares.(6) Assim, alude-se que diferentes resultados poderiam ser encontrados se houvesse um treinamento de força associado ao LBP. Essa relação já foi relatada por Vieira et al.(8) e Ferraresi et al.(16) ao aplicarem o laser após treinamento de resistência, havendo melhora do desempenho muscular.

Em relação à dor muscular tardia, houve diferença significativa entre a primeira avaliação e as seguintes, pois a dor foi maior após o primeiro dia de salto e, com o passar das avaliações, houve um declínio. Foschini et al.(17) justificam tal fato, com o estresse gerado pelo exercício no organismo e com a permanência do estímulo, posto que o corpo tende a gerar adaptações na sua estrutura e função, e, assim, a dor tende a diminuir. Os grupos com LBP também não apresentaram-se diferentes do grupo controle, ou seja, não interferiram positivamente na dor muscular de início tardio, conforme fato relatado por Craig et al.(18,19) Já Liu et al.(20) observaram efeitos positivos da terapia com laser HeNe em ratos submetidos a modelo de lesão por contração excêntrica de gastrocnêmios, com inibição do processo inflamatório, mas apenas com doses altas (43J/cm2). Ainda, Douris et al.,(21) em protocolo de produção de dor muscular de início tardio para bíceps braquial, mostraram efeitos analgésicos da terapia com 8J/cm2, mas, o equipamento utilizado foi cluster, com diodos emitindo dentro do vermelho (660nm) e do infravermelho (880nm).

Salientam-se como limitações do estudo a falta de um período de adaptação ao movimento, para que os voluntários se familiarizassem com o gesto motor do salto; e o fato de o recrutamento de vários grupamentos musculares no protocolo de exercício, sendo que o LBP foi aplicado em apenas um grupo muscular. De acordo com os resultados encontrados, no presente estudo e na literatura, não existe um consenso a respeito dos parâmetros ideais de aplicação do LBP para reduzir ou retardar a fadiga, e melhorar a potência muscular, o que é corroborado por Oliveira et al.,(22) que afirmaram que este é o maior desafio das pesquisas.

Além disso, na literatura, existem poucos estudos que analisam a quantidade de sessões necessárias para que o LBP seja eficaz na fadiga e na potência muscular. Por isso, sugerem-se mais estudos que comparem a eficácia de comprimentos de onda diferentes e que analisem a área e o tempo de irradiação do LBP, incluindo instrumentos como a eletromiografia para a análise muscular.(23,24)

CONCLUSÃO

O laser de baixa potência (660nm) e os parâmetros definidos para aplicação, neste estudo sobre o músculo tríceps sural de indivíduos sedentários, não demonstraram eficiência em relação à fadiga e nem à potência muscular durante o salto vertical. Também não houve melhora da dor muscular de início tardio.

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