Inovações na Atenção Primária em Saúde: o uso de ferramentas de tecnologia de comunicação e informação para apoio à gestão local

Inovações na Atenção Primária em Saúde: o uso de ferramentas de tecnologia de comunicação e informação para apoio à gestão local

Autores:

Luiz Felipe Pinto,
Cristianne Maria Famer Rocha

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.21 no.5 Rio de Janeiro maio 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015215.26662015

Introdução

O uso de novas tecnologias de informação e comunicação em saúde tem crescido nas últimas décadas, com o advento do uso de email e de mídias sociais, que dinamizam o fluxo de dados e informações para a tomada de decisão de gerentes e gestores, assim como contribuem para a questão da produção do conhecimento em redes e ampliação dos canais de comunicação para acesso aos serviços de saúde1,2. Diversas experiências que combinam e integram o uso de ferramentais digitais vêm sendo construídas por intermédio de “Observatórios de Saúde Pública” e são continuamente aperfeiçoadas e regularmente atualizadas.

Ferreira3 é quem modernamente melhor define o que é um Observatório de Saúde Pública, quando afirma que:

[...] para além de serem centros de análise são também estruturas bem claras de comunicação para dentro (informando/ apoiando/ avaliando a tomada de decisão e a intervenção, nomeadamente, a nível local) e para fora do sector de saúde (fazendo a advocacia da saúde e influenciando as políticas públicas com maior impacto na saúde).

Na revisão da literatura feita por esta autora, ela destaca que, em geral, são estruturas nacionais e/ou regionais, criadas como resultado de uma decisão estratégica do gestor principal de uma instância governamental, financiadas total ou parcialmente pelo governo. Quando são formados regionalmente, funcionam de modo articulado com atuação “em rede” e plano de trabalho comum. Permitem observar e analisar de uma forma crítica, continuada e sistemática a evolução de indicadores de estado de saúde de uma população em geral ou uma subpopulação específica, reunindo para isto, equipes multidisciplinares, especialistas de uma determinada temática, com a finalidade de identificar e analisar realidades, contextos, fatos e processos.

A análise histórica dos Observatórios de Saúde na América do Sul e Central revela que a opção esteve focada entre a questão da gestão de profissionais de saúde/saúde dos trabalhadores nos serviços de saúde4,5.

No Brasil, uma possibilidade levantada por Pinto6, um dos primeiros autores a trazer esta abordagem multifacetada, refere-se ao uso de um conjunto de dimensões para monitoramento de um sistema ou serviço de saúde, do micro ao macro de um espaço geográfico: setor censitário, microárea de uma Equipe de Saúde da Família, bairro, distrito, município, enfim qualquer locorregião de interesse. Essas dimensões – demográfica, socioeconômica, mortalidade, morbidade e fatores de risco, cobertura, recursos (físicos, humanos e financeiros) – podem ser instrumentalizadas em fichas de qualificação7 que facilitam a compreensão e a interpretação dos limites e potencialidades para cada indicador de saúde apresentado. As abordagens podem ser de cunho longitudinal e/ou transversal.

Na Europa, a opção tem sido de comparar os sistemas e serviços de saúde, interfaceando atenção primária em saúde e atenção hospitalar e indicadores sociais, econômicos, ambientais, morbimortalidade e desigualdades em saúde4.

Observatórios de Saúde na Europa

O Observatório Europeu dos Sistemas e Políticas de Saúde é coordenado pelo Escritório Regional para a Europa da Organização Mundial da Saúde (OMS). É uma parceria que inclui os Governos da Áustria, Bélgica, Finlândia, Irlanda, Países Baixos, Noruega, Eslovénia, Espanha, Suécia e Reino Unido, a Região do Vêneto na Itália, a União Nacional Francesa de Fundos de Seguro de Saúde (UNCAM), a Comissão Europeia, o Banco Europeu de Investimento, o Banco Mundial, a London School of Economics and Political Science (LSE) e London School of Hygiene & Tropical Medicine (LSHTM) e a própria OMS. Promove a saúde baseada em evidências por meio de uma análise abrangente e rigorosa da dinâmica dos sistemas de saúde na Europa, envolvendo-se diretamente com os gestores públicos. Atua em parceria com pesquisadores, centros de pesquisa, governos e organizações internacionais. Seus valores incluem a pesquisa para o benefício da população, excelência, integridade, responsabilização (‘accountability’) e a garantia de que as análises de dados realizadas não discriminem grupos sociais, étnicos, culturais e religiosos8. Apóia e financia pesquisas com comparações entre os sistemas de saúde da Europa e países desenvolvidos fora da Europa, de que é exemplo o clássico de Saltman et al.9 que analisam a atenção primária em saúde e como a organização desta área com outras áreas do sistema de saúde poderiam melhorar o resultado em saúde de um país, assim como busca compreender de que forma o uso de novas tecnologias podem ser integradas a este nível de atenção.

Hemmings e Wilkinson10 descreveram a Rede Nacional de Observatórios Regionais de Saúde Pública criada na Inglaterra, em 1999, para reforçar a disponibilidade e uso de informações sobre saúde a nível local, em cada sistema de saúde regional do País. Inicialmente, os Observatórios estavam associados às universidades para dar um maior rigor acadêmico ao seu trabalho. Suas principais tarefas seriam o apoio às entidades locais no monitoramento de saúde e doença, identificando lacunas de informação de saúde, orientando sobre os métodos de saúde e avaliando o impacto da desigualdade de saúde, além de poder traçar cenários para fazer alertas precoces de futuros problemas de saúde pública11.

Essa Rede de Observatórios se baseou no primeiro Observatório que já existia quando o Governo decidiu criar a Rede Nacional: o Liverpool Public Health Observatory, criado na década de 1990. Conforme pode ser analisado, ainda nos dias de hoje, este Observatório Regional é o que possui a maior produção do conhecimento disseminada na Inglaterra, além de ferramentas para pesquisa científica em Saúde Pública12. Algumas das temáticas analisadas incluem planejamento familiar, fertilidade e aborto, doenças coronarianas, serviços de recuperação de dependentes químicos, inclusive álcool, asma e poluição ambiental, causas ambientais de morte e incapacidade, tuberculose e pobreza.

Em 2014, existiam doze Observatórios Regionais de Saúde Pública no Reino Unido. Entre estes, nove desenvolviam suas atividades na Inglaterra de forma conjunta, a partir de um plano de trabalho que contém componentes nacionais e locais. Produzem informações, dados e inteligência para apoio à tomada de decisão dos gestores, sobre o cuidado em saúde da população de sua área de abrangência. Estas estruturas passaram a integrar o Departamento de Saúde do Governo, sendo, a partir de 1º de abril de 2013, gerenciado por uma das agências executivas do Ministério da Saúde – a Public Health England.

O Observatório de Saúde da Cidade de Londres13 produz informações sobre os 7,8 milhões habitantes que vivem nesta cidade, além de desenvolver programas de capacitação para profissionais de saúde de todos os outros Observatórios Regionais e atuar em parceria com agências nacionais do Governo. Lidera a área temática de desigualdades em saúde e estudos sobre tabagismo e é a referência para todos os outros Observatórios Regionais.

O Yorkshire and Humber Public Health Observatory (YHPHO), criado em 2004, também produz informações, dados e inteligência para apoio à tomada de decisão dos gestores, sobre o cuidado em saúde da população de sua área de abrangência. Desenvolve suas atividades em parceria com o NHS, autoridades sanitárias locais, pesquisadores e agências nacionais. Sua área temática de atuação se refere a diabetes, economia da saúde, e saúde da criança, do adolescente e da mulher. Está localizado fisicamente dentro do campus da Universidade de York14.

Por outro lado, tanto, o Eastern Region Public Health Observatory (ERPHO), como o North East Public Health Observatory (NEPHO) atuam nas áreas temáticas de doenças infecciosas e riscos ambientais, tais como radiações, riscos químicos e envenenamentos15,16.

Em 1999, foi criado o Observatório Português de Sistemas de Saúde (OPSS) associado à Escola Nacional de Saúde Pública, da Universidade Nova de Lisboa, em Portugal. Sakellarides17, que coordenou a criação desse Observatório, afirmou, na época, que “a criação de um observatório português para o sistema de saúde pode proporcionar uma análise contínua, prospectiva, interactiva e pedagógica da evolução do sistema de saúde português. Poderá constituir uma contribuição positiva das instituições de investigação e ensino do país para a superação da situação actual”.

Barbosa18 analisou o OPSS, destacando que o mesmo contribuiu para o Observatório Europeu dos Sistemas de Saúde da OMS, promovendo a criação de redes interinstitucionais de investigação nessa área. Além dessa contribuição externa, este Observatório tinha como objetivos a análise prospectiva do sistema de saúde de Portugal, publicando periodicamente relatórios conjunturais em sua página institucional como o “Relatório da Primavera 2013”19. Além disso, este Observatório vem contribuindo, ao longo dos anos, para a análise do Sistema Nacional de Saúde português, composto conforme organograma do Ministério da Saúde de Portugal por órgãos da administração direta, indireta (em que se localizam as cinco administrações regionais de saúde) e empresas públicas20.

O Observatório Regional de Saúde do Alentejo foi criado pela Administração Regional de Saúde do Alentejo/Ministério da Saúde para acompanhar e monitorar as reclamações, sugestões e elogios dos usuários do Serviço Nacional de Saúde, bem como das decisões a elas relacionadas. Atua disponibilizando informações sobre saúde pública para a população, divulgando indicadores que permitem avaliar a satisfação e participação dos usuários, além de desenvolver atividades de formação aos profissionais de saúde da região. Contudo, na análise desse Portal, não se constatou o uso de qualquer base de dados local em estudos próprios ou em parceria com outros órgãos, indicando, portanto, ser um “Observatório” que não produz dados de fonte primária nem analisa fontes secundárias. Limita-se a disponibilizar esses materiais e outras informações institucionais da administração de saúde local, servindo, portanto como uma grande biblioteca virtual em saúde local21.

O Observatório Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo corresponde à área chamada de “Grande Lisboa”. Conforme Quitério et al.22, a “Grande Lisboa” compreende nove conselhos e o Conselho de Lisboa é formado por 24 freguesias. Na área da saúde, este Conselho, em 2012, foi redividido em três Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) com dezoito unidades de saúde: Lisboa Norte (com quatro centros de saúde), Lisboa Central (com nove centros de saúde) e Lisboa Ocidental e Conselho de Oeiras (com cinco centros de saúde). Em termos de comparação da divisão administrativa geográfica, com a realidade brasileira, a “Grande Lisboa” corresponderia a uma “Região Metropolitana”; o Conselho de Lisboa a um “município”; e cada Freguesia a um “bairro” ou “distrito” (subdivisão de um município).

Este Observatório foi criado pela Administração Regional de Saúde local/Ministério da Saúde para apoiar o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, em áreas temáticas como: nutrição, saúde infantil, saúde materna, saúde reprodutiva, imunização, HIV/AIDS, tuberculose, água e saneamento. As dimensões pesquisadas incluem mortalidade, carga da doença, doenças transmissíveis e não transmissíveis, fatores de risco, saúde ambiental, violência e equidade. Seus objetivos incluem: divulgar a cadeia de informação, através da integração do conhecimento existente sobre os fatores de risco e os seus efeitos na saúde, de forma a permitir uma melhor compreensão desta problemática, análise das situações de saúde dos agrupamentos de centros de saúde para apoiar a elaboração dos Planos Regionais de Saúde, melhoria da comunicação do risco junto à população, promoção da integração do conhecimento e da inovação, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social do país23. Uma de suas principais contribuições foi a consolidação do “Relatório do Perfil da Cidade de Lisboa e arredores”24 e do “Retrato da Saúde em Lisboa”22.

O Observatório Regional de Saúde da Ilha de França (Observatoire Régional de Santé Île-de-France) foi criado em 1974 como apoio à Prefeitura local e, posteriormente, tornou-se um Departamento Técnico do Instituto de Desenvolvimento e Urbanismo da Região de Paris (IAURP). A Região da Ilha de França é composta por oito departamentos. Muitas vezes a região é confundida com a Aglomeração Parisiense, cuja área corresponde a apenas 20% da Região de Île-de-France, embora concentre 90% da sua população.

Seus objetivos se relacionam ao apoio à gestão local na área da saúde pública, sendo financiado por um Conselho Regional e pela Agência Regional de Saúde da Ilha de França25. Este Observatório observa, acompanha, analisa e informa. Elabora anualmente seu plano de trabalho com seus parceiros locais, inclusive instituições científicas e financiadores. Participa na elaboração de diferentes planos regionais de saúde pública, realiza estudos de demanda de coletividades locais, analisa problemas de saúde em programas regionais, compreende os determinantes sociais, econômicos e ambientais e as desigualdades entre os territórios em que atua. Desenvolve estudos sobre a percepção das pessoas e seus comportamentos de prevenção, acompanhando a evolução e tendências ao longo dos anos.

Estuda, além disso, os diversos ciclos de vida e analisa morbidade e mortalidade, comportamentos e uso de álcool, tabaco e drogas, modos de vida (nutrição, sexualidade e contracepção), saúde ambiental. Suas metodologias incluem abordagem quali-quantitativa, cruzamento e avaliação de dados, realização de enquetes, construção de indicadores sociossanitários e georreferenciamento dos eventos25.

Outros países europeus também utilizam estratégias semelhantes, algumas de âmbito nacional, outras de âmbito regional. Na Espanha, o Observatório do Sistema Nacional de Saúde é um órgão dependente do Ministério da Saúde e Consumo e proporciona uma análise permanente do Sistema Nacional de Saúde em seu conjunto, através de estudos comparados dos serviços de saúde das comunidades autônomas a respeito da organização, prestação de serviços e gestão sanitária, com a elaboração, entre outros documentos, do Relatório Anual sobre o Sistema Nacional de Saúde26. Em âmbito regional, destacamos o Observatório de Saúde Pública de Cantabria (OSPC), criado em 2006, como uma unidade de investigação, análise e informação sobre a situação de saúde dessa região localizada no extremo norte da Espanha27. Sua finalidade é gerar informações relevantes para os formuladores de políticas, gestores, pesquisadores, profissionais de saúde e o público em geral para melhorar as políticas, programas e serviços, para que eles respondam de forma equitativa e eficiente às necessidades de saúde da população e à redução das desigualdades saúde em Cantabria27.

O Observatório da Saúde das Asturias (OBSA) – uma comunidade autônoma e uma província espanhola, também localizada no extremo norte do país - é um projeto desenvolvido pela Direção-Geral de Saúde Pública do Governo das Astúrias, em colaboração com o Population Health Institute da Universidade de Wisconsin, que “trata de gerar informações, conversações e ações”28. Um dos objetivos do Observatório, lançado em maio de 2011, é fornecer informações sobre a situação da saúde da região e de seus municípios, através de uma série resumida de indicadores de determinantes de saúde (sistema de saúde, condutas, entorno socioeconômico e meio ambiente) e de resultados de saúde28.

Após esta breve revisão da literatura sobre alguns dos mais importantes Observatórios em Saúde Pública, na Europa, destacamos algumas possibilidades de análise utilizadas nos diversos países e regiões pesquisadas:

  1. monitoramento do estado de saúde da população ou subpopulações, identificando suas necessidades de saúde;

  2. integração das diversas bases de dados de interesse da saúde, em um grande repositório para análises futuras (‘big data’);

  3. realização da vigilância epidemiológica das doenças transmissíveis e não transmissíveis no âmbito da saúde ambiental;

  4. monitoramento e avaliação dos efeitos e impacto do desempenho dos serviços e programas de saúde, sobretudo na melhoria da saúde e diminuição das desigualdades em saúde;

  5. realização e apoio de pesquisas operacionais e aplicadas, utilizando-se a captura e coleta de dados inclusive online;

  6. compartilhamento em rede da produção do conhecimento gerada;

  7. proposição de recomendações e comunicação adequada ao público-alvo (public health reporting);

  8. disseminação e atualização periódica dos resultados em mídias sociais adequadas e devidamente formatadas para esta finalidade;

  9. utilização de fonte de dados secundárias e outras bases de dados geradas pelos Institutos Nacionais de Estatística, Ministério da Saúde, e regiões específicas de cada País.

Assim, o presente artigo tem por objetivo descrever os resultados obtidos com a implementação da Rede de Observatórios locais pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, no âmbito das dez áreas de planejamento em saúde da cidade.

A Rede de Estações Observatório de Serviços de Saúde das Áreas de Planejamento da Cidade do Rio de Janeiro

A Rede de Estações “Observatório de Tecnologias de Informação em Serviços de Saúde da Cidade do Rio de Janeiro” (OTICS-RIO) é uma parceria entre a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro (SMS-RJ) e diversas instituições acadêmicas. A Rede tem como visão “ser a referência do SUS carioca para os projetos estratégicos de formação, extensão e apoio em rede da Subsecretaria de Atenção Primária, Vigilância e Promoção da Saúde – SUBPAV”29 para as dez áreas de planejamento da saúde da cidade. Como missão, promover a integração entre as ações de extensão e educação em saúde dos serviços de atenção primária, vigilância e promoção da saúde e, em particular, apoiar as ações em rede dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASFs). Como principais valores, informação em tempo real, interatividade, profissionalismo, simplicidade, transparência, solidariedade em rede, inovação, foco nos resultados. A Rede é formada por dezesseis Estações divididas entre as dez Áreas de Planejamento da cidade do Rio de Janeiro. Sua implantação consolida a produção das Equipes de Saúde da Família em mídias sociais, tais como blogs, com manutenção periódica pelos próprios profissionais de saúde, desde 2011, assim como permite a análise de indicadores estratégicos consolidados nos prontuários eletrônicos da atenção primária em saúde - como o “Tabnet-Ficha-A”, lançado pela Rede30 – e de todo o processo de territorialização em mapas por equipe de saúde da família/microáreas, construídos pelos agentes comunitários de saúde e validados pelos demais membros de suas equipes, gerentes e gestores locais31.

Os espaços físicos das Estações “Observatório de Tecnologias de Informação e Comunicação em Serviços de Saúde” da Cidade do Rio de Janeiro surgiram como resposta da SMS-RJ à necessidade de estruturação de espaços para acolher, com qualidade, 47 turmas com alunos do Programa de Formação de Agentes Locais de Vigilância em Saúde (PROFORMAR) da Fiocruz, no ano de 2009. Esta formação em larga escala, a partir das 1.392 vagas inicialmente ofertadas, finalizou seu processo formativo em 2011. Atualmente, cada Estação funciona junto ao espaço físico de uma unidade municipal de saúde, sendo formada por um auditório, sala de tutoria/leitura, laboratório de informática e uma secretaria acadêmica.

Juntamente com a estruturação destes espaços, houve a criação de um espaço virtual – um Portal –, que teve duas fases de implementação: uma, no ano de 2010, com apoio acadêmico, e outra a partir de 2011. Nesta segunda fase, as Estações se organizaram para formar o Portal das Estações, chamado de REDE OTICS-RIO (Figura 1), desenvolvido pela própria SMS-RJ para dar conta da crescente expansão das unidades de saúde em cada uma das dez APs.

Figura 1 Portal da Rede de Estações Observatório de Serviços de Saúde das Áreas de Planejamento da Cidade do Rio de Janeiro, disponível em http://www.redeoticsrio.org/. 

Essa nova diretriz de manutenção da Rede pela própria SMS foi fundamental para assegurar a atualização diária das mídias sociais na APS, e descentralizar as ações desenvolvidas para as Áreas de Planejamento. Os profissionais que atuam nas Estações da “Rede de Observatórios locais” começaram então a capacitar e multiplicar o conhecimento desenvolvido em oficinas junto aos profissionais das Equipes de Saúde da Família na formação de blogueiros em APS. Contudo, a parceria com docentes e outros pesquisadores, que existia até 2010 (primeira fase do Projeto), foi mantida, como forma de enriquecer com diferentes olhares e inovações da rede de blogs da atenção primária em saúde. Portanto, já a partir de 2011, a REDE passou a ser “real” (espaços físicos constituídos, chamados de “ESTAÇÕES”) e “virtual” (Portal da REDE, blogs, twitteres e instagram de cada ESTAÇÃO), reunindo soluções e conhecimentos para a educação permanente e continuada em saúde, no âmbito da integração das ações da atenção primária, vigilância e promoção da saúde, e permitindo aos usuários (de diferentes lugares) conhecer o dia-a-dia das Equipes de Saúde da Família da Cidade do Rio de Janeiro. Afinal, segundo Ramalho32, as mídias sociais deram voz para milhões de pessoas manifestarem suas opiniões e experiências para uma audiência global a custo zero ou próximo a isso”.

Resultados do uso de mídias sociais na Atenção Primária em Saúde

Na cidade do Rio de Janeiro, 860 Equipes de Saúde da Família e 346 Equipes de Saúde Bucal estavam ativas em maio de 2015, conforme dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) do Ministério da Saúde33.

Ao longo de 2014, todas as Estações foram institucionalizadas pela SMS-RJ, a partir do seu registro junto ao CNES, passando a ter, como uma de suas ações, a produção de atividades educativas de promoção da saúde e vigilância em saúde, informadas mensalmente no código SIA-SUS, adequado como produção ambulatorial. No ano de 2014, foram desenvolvidas um total de 15.782 ações de promoção e vigilância em saúde (Tabela 1).

Tabela 1 Estações da Rede de Observatórios e produção registrada - Secretaria Municipal de Saúde, Rio de Janeiro, 2014. 

Fonte: SIA/SUS, disponível em: http://www0.rio.rj.gov.br/cgi-bin/dh?sia/definicoes/producao_2008.def, acesso em maio de 2015.

* O nome de cada Estação acompanha o bairro em que a mesma está localizada junto a uma unidade municipal de saúde e a descrição das mesmas pode ser visualizada em: http://www.redeoticsrio.org/. ** A Estação inaugurada em dezembro de 2013 só começou a informar sua produção a partir de julho de 2014.

No período de 2011 a 2013, as principais ações desenvolvidas e os resultados obtidos podem ser agrupados em três grandes objetivos iniciais, planejados quando da concepção da Rede em 2009-2010: (i) apoio à formação dos trabalhadores do SUS, (ii) apoio à disseminação de dados e comunicação em saúde, (iii) apoio à qualificação e gestão da informação em atenção primária em saúde (Quadro 1).

Quadro 1 Rede de Estações OTICS-RIO: objetivos, ações e principais resultados alcançados, Secretaria Municipal de Saúde, Rio de Janeiro, 2011-2013. 

Fonte: Elaboração própria a partir do planejamento inicial das ações aprovadas pela SMS-RJ no ano de 2010 e os resultados observados no período de 2011-2013.

A partir do desenvolvimento da equipe da Rede de Observatórios descentralizados em todas as Áreas de Planejamento, foi possível a consolidação de 193 blogs semi-institucionais, criados após a realização de Oficinas para formação de blogueiros nas unidades de atenção primária em saúde ou nas Estações, e utilizando-se como ferramenta uma hospedagem gratuita na internet. Registrou-se um total de cerca de sete milhões de acessos aos blogs, até maio de 2015 (Tabela 2). O fato dos moradores das áreas cobertas em cada uma dessas comunidades e bairros acessar um blog é um indicativo indireto da comunicação realizada no cotidiano entre o poder público e os cidadãos, na medida em que como dissemos, nesta ferramenta de mídia social, estão disponíveis diversas informações, desde o horário de funcionamento, contato telefônico, território de abrangência e lista de ações/atividades de saúde desenvolvidas em cada Centro Municipal de Saúde e Clínica da Família na Atenção Primária em Saúde.

Tabela 2 Distribuição das unidades de atenção primária em saúde por ano de inauguração das unidades, implantação da Estratégia de Saúde da Família, número de equipes, número de acessos ao blog da unidade, segundo Áreas de Planejamento da Saúde (AP) - Secretaria Municipal de Saúde, Rio de Janeiro, maio/2015. 

Fonte: SMS/RJ, Rede de Estações OTICS-RIO/SMS-RJ, CNES/DATASUS36, maio de 2015 e Cazelli37.

Legenda: CF = Clínica da Família, CMS A = Centro Municipal de Saúde que possui apenas ESF, CMS B = Centro Municipal de Saúde que possui modelo misto (com ESF e com outros especialistas), CSE = Centro de Saúde-Escola. ESF = Equipes de Saúde da Família, ESB = Equipes de Saúde Bucal.

Os blogs tentam induzir boas práticas de comunicação e informação com a população, na medida em que alguns conteúdos mínimos são padronizados (“categorias”) e o layout é comum para todos. Isto é realizado mediante o fomento de um Concurso de Blogs de Saúde da Família do SUS, em que a Secretaria Municipal de Saúde lança um Edital e reconhece os melhores blogs em diversas categorias: (1) Melhor agenda disponibilizada em tempo real, (2) Conheça esta história contada por um ACS, (3) Como eu faço, (4) Melhor fotografia, (5) Melhor vídeo de curta metragem, (6) Programa Academia Carioca, (7) Protagonismo juvenil, (8) Melhor cobertura fotográfica, (9) Melhor cobertura audiovisual, (10) Melhor conteúdo, (11) Melhor interatividade, (12) Maior criatividade, (13) Saúde nas Escolas, (14) Melhor integração ensino-serviço-comunidade, (15) Melhor integração entre vigilância e Saúde da Família, (16) Melhor blog.

Outra ferramenta que pode ser utilizada para a gestão do conteúdo das mídias sociais em atenção primária em saúde é a “nuvem de palavras” (Word clouds)34. Ela ajuda na consolidação de um grande volume de textos, questionários ou outras enquetes para gestão, permitindo análises temáticas, tal como aquelas preconizadas por Bardin35.

Considerações finais

Os Observatórios de Saúde tem-se constituído em estratégias de ampliação e disponibilização de informações e evidências para a tomada de decisões no campo da saúde, incluindo as áreas de vigilância, promoção, atenção primária e gestão da educação em saúde. A importância dos Observatórios está relacionada à qualidade da informação disponibilizada, mas também à possibilidade de produzir análises que permitam a monitorização e a avaliação dos dados e suas tendências. Além disso, enquanto plataformas tecnológicas, os Observatórios permitem contínuas atualizações e facilitam a interação e colaboração entre os vários atores interessados.

No caso do OTICS-RIO, essa forma inovadora de comunicação social, com custo muito reduzido para o SUS e com uso das tecnologias de informação, permite um registro mais ágil do dia-a-dia de cada unidade de saúde, assim como viabiliza o acessado tempo real de documentos, vídeos, fotografias e outros registros que podem ser compartilhados com a sociedade. Permite, ainda, a troca de experiências e o reconhecimento institucional das melhores práticas. Nos últimos cinco anos, a criação de uma cultura organizacional permitiu incorporar ao processo de trabalho das ESF, a atualização regular dos blogs de cada unidade que servem como um dos principais canais de comunicação com a população de suas áreas cobertas. A partir de 2014, o diretor ou gerente de cada unidade passou a ser responsável pela validação dos conteúdos dos blogs e foi introduzida essa discussão no âmbito das reuniões semanais das equipes.

A principal limitação da Rede OTICS-RIO é a falta de integração em alguns dos atuais Centros de Estudos das áreas de planejamento que focam apenas no apoio à formação dos alunos em estágios curriculares e extracurriculares dos Cursos de Graduação parceiros da SMS em capacitações pontuais, não conseguindo acompanhar a velocidade das inovações implementadas nas unidades de saúde.

Como perspectivas para a Rede de Observatórios OTICS-RIO, temos: a construção de um ambiente virtual de aprendizagem (AVA) com ferramenta de educação a distancia que possa mediar a troca de informações e formações enunciadas pelos profissionais de saúde, quer seja na modalidade de educação permanente em saúde, quer seja como educação continuada. Nesse sentido, considerando-se a rotatividade de profissionais das Equipes de Saúde da Família, a capilaridade da REDE OTICS-RIO potencializa, através das ferramentas EAD, o compartilhamento de conteúdos multimídia.

Registra-se, por fim, que a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade reconheceu o uso da ferramenta “blog” para comunicação em saúde para as Equipes de Saúde da Família (ESF), convidando a equipe do OTICS-RIO para ministrar oficinas de edição de vídeos, territorialização em atenção primária em saúde e elaboração de blogs em seus últimos congressos científicos nacionais, realizados nas cidades de Belém (2013)38 e de Gramado (2014)39. As oficinas de territorialização permitem que os agentes comunitários em saúde possam revisar/consolidar as microáreas de abrangência de sua responsabilidade e auxiliam a gestão local na redefinição de novos territórios além de aproximar os agentes de vigilância em saúde na discussão do território integrado com a APS.

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