Insatisfação com a imagem corporal em estudantes universitários – Uma revisão integrativa

Insatisfação com a imagem corporal em estudantes universitários – Uma revisão integrativa

Autores:

Aline Cavalcante de Souza,
Marle dos Santos Alvarenga

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Psiquiatria

versão impressa ISSN 0047-2085versão On-line ISSN 1982-0208

J. bras. psiquiatr. vol.65 no.3 Rio de Janeiro jul./set. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/0047-2085000000134

ABSTRACT

Objective

To characterize body dissatisfaction among university students.

Methods

Integrative literature’s review on databases PubMed, Lilacs, Bireme, portal SciELO and thesis data using indexed keywords with inclusion criteria: exclusively college students population, featuring directly data about frequency/prevalence of body dissatisfaction and/or characterization of related factors.

Results

Seventy-six studies were selected (40 national and 36 international). The body dissatisfaction wide range in both sexes was from 8.3% to 87% in national studies, and from 5.2% to 85.5% in international; evaluated, primarily, by silhouettes scale and/or questionnaires (as the Body Shape Questionnaire, Eating Disorder Inventory and Body-Self Relations Questionnaire Appearance Scales). Factors like media and social networking service exposition, menstrual period, and low self esteem were related to body dissatisfaction.

Conclusion

Body dissatisfaction is a common phenomena among college students, but featuring wide range depending on sex, instrument, method and study’s objective. Construct evaluation’s standardization is necessary in order to better comprehend and discuss the problem.

Key words: Body image; student; adult; review

INTRODUÇÃO

O corpo está situado em uma dimensão que ultrapassa o fisiológico, por meio de sensações físicas, emoções, pensamentos, sentimentos, crenças e história, e, portanto, expressa a comunicação do indivíduo com o universo que o cerca. A imagem corporal (IC) é definida como a imagem que o indivíduo tem em sua mente sobre o tamanho, a estrutura, a forma e o contorno de seu próprio corpo, bem como dos sentimentos em relação a essas características e às partes que o constituem”1,2. Constituída pela cognição e também por aspectos que envolvem a subjetividade do indivíduo e a interação social, a IC pode ser dividida nas dimensões perceptiva – que define o julgamento do tamanho, forma e peso corporais – e a atitudinal, que envolve os componentes afetivo, cognitivo e comportamental3.

A insatisfação corporal é um distúrbio do componente atitudinal da IC e inclui as esferas avaliativa, caracterizada pela diferença entre o corpo atual e o considerado ideal; e afetiva, ou seja, o quanto o indivíduo sofre em função dessa diferença2. A insatisfação corporal é multidimensional e pode estar relacionada de forma isolada ou conjunta ao peso, às formas corporais e à aparência4.

No contexto da modernidade dotada de tecnologia em constante evolução, o imediatismo das relações também influencia as atitudes em relação ao corpo, que é tratado como objeto5,6 de consumo, cujo valor é dado pelo quanto se pode investir7. A beleza tornou-se um dever moral8, cuja esperança é de que todo esforço despendido seja recompensado com elogios; todavia, esse ideal de beleza é, na maioria das vezes, inatingível e cria um sentimento de frustração, culpa, vergonha e insatisfação9.

As intensas alterações biológicas e a instabilidade psicossocial decorrentes da adolescência e início da juventude associadas às mudanças referentes ao ingresso no meio universitário10-15 – como novas relações sociais, maior independência da família e adoção de novos comportamentos16,17 – torna os estudantes vulneráveis às pressões exercidas pela sociedade quanto aos aspectos corporais10,11,13,18-20. Tipicamente, às mulheres é imposto um padrão de beleza fortemente associado ao ideal de magreza5,6,9,21-32 e aos homens, à muscularidade23-25,27,30,33-37.

A insatisfação corporal pode ter como consequências prejuízos no comportamento e atitudes alimentares, tendência ao desenvolvimento e manutenção de transtornos alimentares (TA), depressão, baixa autoestima, comparação social, ansiedade, aumento de cirurgias plásticas estéticas, diminuição da qualidade de vida8,17,18,23,28,30,38-44 e ideação suicida45-48. Nesse sentido, a compreensão desse fenômeno é de fundamental importância.

Considerando o contexto dos padrões de beleza atuais e sua repercussão sobre a imagem corporal dos universitários, bem como as consequências dos distúrbios de IC, o objetivo do presente estudo de revisão foi caracterizar a insatisfação corporal entre os estudantes universitários.

MÉTODOS

Trata-se de uma revisão integrativa49 da literatura nacional e internacional, realizada nas bases de dados PubMed (US National Library of Medicine), Lilacs (Literatura Latino-americana e do Caribe em Ciências da Saúde), Bireme, portal SciELO (The Scientific Electronic Library Online), banco de teses da Universidade de São Paulo bem como banco de teses da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). Não houve restrição de período ou tipo de estudo para a busca bibliográfica.

Foram utilizados os seguintes descritores indexados e suas combinações em português e inglês: imagem, imagem corporal, image, body image e student – além de outros descritores não indexados, mas específicos ao tema, como universitário, university e dissatisfaction.

A combinação de descritores para cada estratégia de busca em cada base/portal está descrita na Tabela 1. Houve diferença na estratégia de busca na base de dados Lilacs e bancos de teses, nos quais o descritor insatisfação (dissatisfaction) não foi utilizado, pois com este a busca resultou em um número muito restrito de referências. Por outro lado, nas bases de dados PubMed e na Bireme, a inclusão do descritor dissatisfaction resultou em um maior aproveitamento de referências diretamente relacionadas à temática de estudo.

Tabela 1 Número de referências encontradas em cada base de dados segundo a estratégia de busca utilizada para insatisfação corporal entre universitários 

Base de dados Estratégia de busca N
PubMed – Imagem corporal Image AND body AND student (“title/abstract”) 131
PubMed – Insatisfação corporal Body AND dissatisfaction AND university AND image ( “title/abstract”) 78
Lilacs Imagem AND corporal AND universitários (“palavras”) 50
Bireme Body AND dissatisfaction AND university AND image (“Título, resumo, assunto”) 100
SciELO – Busca 1 Body AND dissatisfaction AND university AND image (no campo “resumo”) 20
SciELO – Busca 2 Image AND body AND student (“resumo”) 18
SciELO – Busca 3 Imagem corporal universitários (“todos os índices”) 17
Banco de teses – Capes Imagem AND corporal AND universitários (busca básica) 6
Banco de teses – USP Imagem E corporal (“palavras-chave”) E universitário (“resumo”) 1
TOTAL 421

Os critérios de inclusão adotados para inclusão nesta revisão foram: estudos que avaliaram (com instrumentos validados) a insatisfação corporal em população exclusivamente universitária e que apresentaram diretamente os dados referentes à frequência/prevalência de insatisfação corporal e/ou a caracterização da insatisfação corporal nessa população (no caso de não haver frequência/prevalência, apontar, por exemplo, em que grupo era maior ou menor).

A análise e a seleção das referências encontradas foram divididas em três etapas: na primeira, a partir da leitura dos títulos excluíram-se as referências listadas que eram incompatíveis ao objetivo da revisão e também as referências repetidas. A segunda etapa consistiu na leitura dos resumos, e nesta fase foram excluídas as referências cujo objetivo era incompatível, a amostra não composta (ou não exclusivamente) por universitários, e quando o estudo avaliou apenas o componente perceptivo da imagem corporal. Prosseguiu- -se para a terceira etapa com a leitura na íntegra dos estudos selecionados, e nesta foram excluídos aqueles que tratavam apenas da validação de escalas (sem apresentar diretamente os dados de insatisfação corporal), os que utilizaram instrumentos não validados ou não descreviam adequadamente os instrumentos utilizados, e os que não caracterizaram diretamente a insatisfação corporal.

A fim de ampliar o universo de estudo, utilizou-se também a estratégia de “repescagem”, a partir da verificação das referências de cada artigo para a inclusão de estudos complementares que não haviam sido encontrados por meio das buscas nas bases de dados, mas que preenchessem os critérios de inclusão adotados no presente estudo. Realizou-se também a “repescagem” por meio da busca de referências no Google Acadêmico.

RESULTADOS

A primeira busca na base de dados PubMed, com estratégias gerais (utilizando-se, por exemplo, diferentes combinações dos descritores no campo “all fields”), originou 2.776 referências. Todavia, pelo fato de as referências encontradas apresentarem conteúdo muito distante do objetivo desta revisão, optou-se apenas por duas estratégias: imagem corporal e especificamente insatisfação corporal, restringindo-se o campo de busca para “title/abstract”, que, somadas aos resultados das outras bases de dados, totalizaram 421 referências. A Tabela 1 apresenta o número de referências encontradas em cada base de dados segundo a estratégia de busca utilizada para a insatisfação corporal entre universitários.

Na primeira etapa da análise e seleção, excluíram-se 219 artigos, sendo 88 de acordo com o título e 131 repetidos. Dos 202 artigos selecionados para a segunda etapa (leitura dos resumos), 54 foram excluídos pelo objetivo, 40 por não incluir uma amostra exclusivamente composta por universitários, quatro por avaliar apenas percepção corporal, e outros quatro pelos instrumentos utilizados (desenvolvidos pelos próprios autores e/ou não validados; ou ainda quando não houve clareza na sua descrição). Para a terceira etapa iniciou-se, portanto, com a leitura na íntegra de 100 estudos; desta se excluíram 40: 20 tratavam de validação de escalas e não apresentaram os dados de insatisfação corporal, 11 não apresentaram diretamente a frequência/prevalência de insatisfação corporal, e outros sete em virtude do instrumento utilizado (não validado); foram excluídos ainda dois artigos em função do idioma (grego e lituano) – pela impossibilidade de compreensão do trabalho e resultados. Assim, ao fim das três etapas, foram selecionadas 60 referências.

A estratégia de “repescagem” realizada no Google Acadêmico resultou na inclusão de mais oito referências, e a checagem das referências dos estudos resultou também em mais oito artigos. Dessa maneira, o total de referências selecionadas para a presente revisão integrativa foi de 76.

As etapas de seleção das referências e da estratégia de “repescagem” podem ser visualizadas na Figura 1.

Figura 1 Etapas de seleção dos artigos incluídos na revisão integrativa sobre insatisfação corporal entre universitários. 

Dos artigos selecionados, que avaliaram a insatisfação corporal dentre os universitários, foram destacados a autoria, o ano de publicação, a amostra (de acordo com o sexo), o local, o objetivo central, os cursos (dos quais os universitários eram alunos), os instrumentos utilizados e os resultados encontrados. As Tabelas 2 e 3 apresentam os estudos nacionais e internacionais, respectivamente.

Tabela 2 Estudos nacionais realizados sobre avaliação da insatisfação corporal entre estudantes universitários (N = 40) 

Autoria (ano) Amostra e local Objetivo (cursos) Instrumentos Resultados
Kakeshita e Almeida (2006)50 65 mulheres e 51 homens – SP Analisar as relações entre o IMC* e a autopercepção da imagem corporal (cursos não descritos) Escalas de silhuetas brasileiras e BSQ* ♀ eutróficas ou com sobrepeso: 87% superestimaram seu tamanho corporal ♀ obesas e ♂: 73%, independente do IMC*, subestimaram o tamanho corporal
Bosi et al. (2006)6 193 mulheres – RJ Identificar a autopercepção da imagem corporal (Nutrição) BSQ* Insatisfação moderada e grave: 18,6% (82,9% eram eutróficas)
Coqueiro et al. (2008)51 128 mulheres e 128 homens – SC Verificar associação entre insatisfação e estado nutricional, e identificar melhor preditor de insatisfação (Educação Física) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: 78,8% → não associada ao sexo e ao IMC* Preditor de insatisfação: dobras cutâneas
Gonçalves et al. (2008)27 141 mulheres e 86 homens – SP Avaliar a percepção corporal e a porcentagem de risco de transtornos alimentares(1) (Nutrição e Educação Física) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: 75,8% Nutrição; 78,2% Educação Física Risco de transtornos alimentares: 14,1% Nutrição; 10,3% Educação Física
Bosi et al. (2008)52 191 mulheres – RJ Caracterizar práticas alimentares e fatores de risco associados aos transtornos alimentares(1) (Educação Física) BSQ* Insatisfação moderada e grave: 65,6% (dentre aquelas com > risco de transtorno alimentar)
Bosi et al. (2009)44 175 mulheres – RJ Caracterizar práticas alimentares e fatores de risco associados aos transtornos alimentares(1) (Psicologia) BSQ* Insatisfação moderada e grave: > entre aquelas que desejavam perder peso e ↑ 2 vezes o risco de comportamentos de transtorno alimentar
Di Pietro e Silveira (2009)53 71 mulheres e 93 homens – SP Adaptar a escala BSQ* para o Brasil; estudar validade interna e dimensionalidade da escala quando usada em população não clínica (Medicina) BSQ* Escore ♀: 89,7 ± 31,3 (insatisfação leve) Escore ♂: 58,7 ± 25,1 (ausência de insatisfação)
Laus et al. (2009)54 127 mulheres – SP Avaliar percepção da imagem corporal, risco de transtornos alimentares(1) e o estado nutricional (Nutrição, Educação Física, Publicidade e Administração) BSQ* Insatisfação (de moderada a grave): 31% a 46% dentre os cursos (sem diferença significativa entre eles). Alunas de Nutrição apresentaram > risco de transtornos alimentares
Costa e Vasconcelos (2010)11 220 mulheres – SC Estimar a porcentagem de insatisfação e associação com fatores socioeconômicos, comportamentais e nutricionais em universitários ingressantes (55 cursos diversos) BSQ* Insatisfação: 47,3% (moderada e grave: 20%) Associados a insatisfação: IMC* (> IMC > insatisfação) e prática de dietas
Costa et al. (2010)55 220 mulheres – SC Estimar fatores que influenciam as atitudes alimentares inadequadas(1) (55 cursos diversos) BSQ* Insatisfação: ↑ 13,5 vezes as chances de apresentar atitudes alimentares inadequadas
Hirata e Pilati (2010)23 251 mulheres e 250 homens – GO Desenvolver e validar um instrumento de satisfação corporal situacional (cursos não descritos) ESSC* ♂: > pontuação no fator “insatisfação e gordura” e “insatisfação com as partes inferiores do corpo”
Alvarenga et al. (2010)8 2.402 mulheres – Todas as regiões Avaliar insatisfação nas cinco regiões do país e associações com idade, estado nutricional, renda e grau de escolaridade do chefe da família (Enfermagem, Psicologia, Fisioterapia, Farmácia e Biomedicina) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: 64,4% desejavam ser menores em algum grau (47,8% delas eram eutróficas)
Costa et al. (2010)56 634 mulheres e 123 homens – AL e SE Analisar nível de insatisfação (Educação Física, Enfermagem, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Medicina, Nutrição, Psicologia, Terapia Ocupacional) ESIC* 51% mudariam sua aparência 64% gostariam que a aparência fosse melhor 11% preocupavam-se em parecer gordos
Quadros et al. (2010)57 370 mulheres e 504 homens – SC Investigar relação entre imagem corporal, estado nutricional e sexo (cursos diversos) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: 77,6% (amostra geral) → 62,4% das ♀ desejavam ser menores e 43,3% dos ♂ desejavam ser maiores
Quioca et al. (2010)37 49 mulheres e 51 homens – SC Analisar percepção da imagem corporal e saúde corporal (Educação Física) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: 72% para a amostra geral (♀: 73,47% / ♂: 70,59%)
Garcia et al. (2010)59 100 mulheres e 4 homens – RS Avaliar a porcentagem de atitudes alimentares inadequadas(1) e os níveis de insatisfação (Nutrição) BSQ* Insatisfação moderada e grave: 13,5% > risco para atitudes alimentares inadequadas entre os insatisfeitos com a imagem corporal
Rech et al. (2010)28 158 mulheres e 136 homens – PR Analisar a autopercepção da imagem corporal e associar a imagem corporal com indicadores sociodemográficos, estado nutricional e nível de atividade física (Educação Física) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: 61,2% (♀: 67,6% desejavam uma silhueta menor / ♂: 66,7% desejavam silhueta maior) Indivíduos com excesso de peso: 78,7% desejavam ter uma silhueta menor do que a atual. Não houve associação entre o nível de atividade física e a insatisfação
Silva et al. (2011)32 101 mulheres e 129 homens – SC Avaliar a insatisfação (Educação Física) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: ♀: 67% (53% queriam ser menores) ♂: 62,8% (33,9% queriam ser maiores)
Fortes et al. (2011)60 82 mulheres e 92 homens – MG Analisar influência do nível de atividade física e do estado nutricional na insatisfação (Educação Física) EAC* Houve diferença na insatisfação entre os grupos: - Eutrófico e sobrepeso (62,53% e 59,44%) - Eutrófico e obeso (62,53% e 51,67%) Não houve associação do nível de atividade física na insatisfação
Damasceno et al. (2011)13 89 mulheres – PR Investigar associação entre comportamentos de risco para transtornos alimentares(1) e imagem corporal em praticantes de atividade física (cursos diversos) BSQ* Insatisfação: 47% (moderada e grave: 21,3%) Insatisfação moderada ou grave: associadas a comportamentos de risco de transtornos alimentares
Silva et al. (2012)38 175 mulheres – MG Avaliar relação entre risco para transtornos alimentares(1), imagem corporal e estado nutricional (Nutrição) BSQ* Insatisfação moderada e grave: 13,7% Risco de transtornos alimentares: 21,7% → Insatisfação e risco de transtornos alimentares simultaneamente: 16,9% Obesidade e sobrepeso: 5 a 7 vezes mais chances de insatisfação
Ferrari et al. (2012)10 109 mulheres e 127 homens – SC Verificar associação entre a percepção da imagem corporal e estágios de mudança de comportamento para atividade física (Educação Física) Escala de silhuetas de Stunkard ♀: 54,1% queriam ser menores/15,6% queriam ser maiores ♂: 35,4% queriam ser menores/33,9% queriam ser maiores ♀ fisicamente inativas: 10 vezes mais chances de desejar ser maior e 5 vezes mais chances de desejar ser menor
Legnani et al. (2012)61 125 mulheres e 104 homens – PR Identificar associações entre excesso de peso, risco para transtorno alimentar(1) e imagem corporal – (Educação Física) BSQ* Insatisfação: 8,3% para a amostra geral (♀: 11,6% / ♂: 4,3%) Insatisfação: ↑ 5,6 vezes a chance de risco para transtorno alimentar
Martins et al. (2012)62 367 mulheres e 498 homens – SC Analisar a insatisfação e verificar associação com estado nutricional e variáveis sociodemográficas (cursos não descritos) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: 77,9% (62,4% das ♀ desejavam ser menores e 43,8% dos ♂ desejavam ser maiores) Excesso de peso: ↑ 6,83 vezes a chance de desejar ser menor
Miranda et al. (2012)63 290 mulheres e 245 homens – MG Verificar a porcentagem de insatisfação, e relação com sexo e com estado nutricional (cursos diversos: exatas, humanas e saúde) BSQ* e Escala de silhuetas brasileiras Escore BSQ*: 68,00 ± 28,74 (ausência de insatisfação) → ♀ e indivíduos com sobrepeso e obesidade: significativamente + insatisfeitos Escala de silhuetas: 76,6% insatisfeitos → 61,7% das ♀ queriam ser menores e 39,9% dos ♂ queriam ser maiores
Ferrari et al. (2012)64 347 mulheres e 485 homens – SC Verificar a associação da insatisfação com o nível de atividade física e o estado nutricional (cursos não descritos) BSQ* Insatisfação: 10,1% (90,1% eram ♀) Associação com estado nutricional: > IMC: > insatisfação Não houve associação entre o nível de atividade física e a insatisfação
Silva et al. (2012)30 98 mulheres 119 homens – SE Verificar o impacto da escolaridade materna e paterna na percepção da imagem corporal (Educação Física) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: ♀ = 30,6% / ♂ = 31,1% Desejo de ser menor: 7 a 8 vezes > nos acadêmicos com escolaridade materna superior a 4 anos
Ferrari EP (2012)65 109 mulheres e 127 homens – SC Verificar a porcentagem de insatisfação e a associação com características sociodemográficas, comportamentos relacionados a saúde e estado nutricional (Educação Física) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: ♀ = 69,3% / ♂ = 69,7% Desejo de ser menor: associado ao sexo feminino e ao IMC* ≥ 25,0 kg/m2
Prado MCL (2012)12 125 homens e 283 mulheres – PE Verificar a porcentagem de risco de transtornos alimentares(1) (cursos da área da saúde) BSQ* Insatisfação: ♀ = 35,5% / ♂ = 4,8% Comportamento de risco para transtornos alimentares: ♀ = 32,5% / ♂ = 18,4%
Laus MF (2012)24 80 mulheres e 79 homens – SP Avaliar influência do “corpo ideal” propagado pela mídia na satisfação corporal e na escolha alimentar (Cursos diversos) Escala de silhuetas brasileiras e ESSC* ♀: 61,25% desejavam uma silhueta menor e 21,25%, uma silhueta maior ♂: 35,44% desejavam uma silhueta menor e 37,97%, uma silhueta maior
Souza e Verrengia (2012)66 126 mulheres - PR Verificar a porcentagem de risco de transtornos alimentares(1), bem como a associação com a imagem corporal (Nutrição) BSQ* Insatisfação: 14,29% → houve associação com o risco de transtornos alimentares Comportamento de risco para transtornos alimentares: 32,5%
Teixeira et al. (2013)67 44 mulheres – MG Examinar a influência do ciclo menstrual na percepção e satisfação corporal (cursos não descritos) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: > durante o período menstrual
Ferrari et al. (2013)68 109 mulheres e 127 homens – SC Verificar a porcentagem e os fatores associados à insatisfação (Educação Física) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: 69,5% (44,1% desejavam ser menores) Desejo de ser menor: associado ao IMC* ≥ 25,0 kg/m2 Desejo de ser maior: associado ao sexo masculino, alimentação inadequada e tabagismo
Assis et al. (2013)69 41 mulheres e 45 homens – RO Analisar a autoavaliação do peso corporal e compará-la com a classificação de IMC* (cursos não descritos) Escala de silhuetas de Thompson e Gray** Insatisfação: 64% para a amostra geral (♀: 57,3%, ♂: 69,6%) ♀: > tendência a superestimar o IMC* (40%) / ♂: > tendência a subestimar o IMC* (35,6%)
Carvalho et al. (2013)17 276 mulheres e 311 homens – MG Avaliar a checagem corporal, as atitudes alimentares inadequadas(1) e a imagem corporal (Ciências da Computação, Direito, Engenharia, Civil, Engenharia Elétrica, Filosofia, Fisioterapia, Matemática, Medicina e Psicologia) BCQ*, MBCQ* e BSQ* Insatisfação: ♀ = 17,4% e ♂ = 2,25% ♀: > % de checagem corporal e > porcentagem de atitudes alimentares inadequadas
Miranda et al. (2013)63 93 mulheres e 104 homens – MG Analisar a satisfação corporal e o nível de atividade física (Educação Física) EAC* Insatisfação: > em universitários mais velhos e em ♀
Nilson et al. (2013)70 24 mulheres e 41 homens – RS Analisar a imagem corporal de universitários (Educação Física) BSQ* e BFS* Insatisfação: BSQ (leve e moderado): 37,5% das ♀ e 7,3% dos ♂ Escala de silhuetas BFS: 55,4%
Claumann et al. (2014)58 61 mulheres e 88 homens – SC Investigar satisfação com a imagem corporal e fatores associados em ingressantes (Educação Física) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: 79,2% (53% desejavam ser menores) Desejo de ser menor: ♀: 3 vezes mais chances Indivíduos com excesso de peso: 14 vezes mais chances
Silva e Nunes (2014)71 98 mulheres e 119 homens – SE Avaliar a associação da imagem corporal com o estágio de mudança de comportamento para atividade física (Educação Física) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: ♀ = 69,4% e ♂ = 68,9% ♀ no estágio de pré-contemplação: 2 vezes mais chances de desejar ser menor ♂ no estágio de preparação: 3,5 vezes mais chances de desejar ser menor
Jaeger e Câmara (2015)40 256 mulheres e 65 homens – RS Avaliar os preditores de insatisfação em relação a variáveis demográficas, mídia e satisfação com a vida (cursos da área da saúde) Escala de silhuetas brasileiras; SATAQ-3* Insatisfação: 79,1% (81,1% destes desejavam reduzir o tamanho corporal) Preditores de insatisfação: IMC, insatisfação com a vida, internalização de mensagens midiáticas e exposição à televisão

* BCQ = Body Checking Questionnaire; BFS = Body Figure Silhouettes; BSQ = Body Shape Questionnaire; EAC = Escala por Áreas Corporais; ESIC = Escala de Satisfação com a Imagem Corporal; ESSC = Escala Situacional de Satisfação Corporal; IMC = Índice de Massa Corpórea; MBCQ = Male Body Checking Questionnaire; SATAQ = Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire.

** Thompson MA, Gray JJ. Development and validation of a new body-image assessment scale. J Pers Assess.1995; 64:258-69.

(1) Avaliado por meio do Eating AttitudesTest (EAT).

Tabela 3 Estudos internacionais realizados sobre avaliação da insatisfação corporal entre estudantes universitários (N = 36) 

Autoria (ano) Amostra e local Objetivo (cursos) Instrumentos Resultados
Estados Unidos (EUA)
Hesse-Biber et al. (1987)74 281 mulheres e 114 homens – Nova Inglaterra Explorar a relação entre o peso, o peso desejado e a imagem corporal (cursos não descritos) EDI* Insatisfação: ♀ = 84,1% e ♂ = 45% Houve associação entre o desejo de mudar o peso (alcançar o peso desejado) e a insatisfação corporal
Davis e Katzman (1998)75 275 mulheres e 126 homens – Califórnia e Hong Kong (China) Comparar a insatisfação, a autoestima e a depressão entre chineses em universidades em Hong Kong e nos EUA (cursos não descritos) EDI* Chineses em Hong Kong: > insatisfação corporal, > prática de dietas e depressão do que os chineses que viviam nos EUA
Rozin et al. (2001)76 Antes: 200 mulheres e 191 homens/Depois: 300 mulheres e 173 homens – Pensilvânia Comparar a imagem corporal de universitárias após período de 15 anos (Psicologia) Escala de silhuetas de Stunkard Comparando-se as amostras anterior e recente, houve efeito do sexo (♀ continuam mais insatisfeitas do que ♂), mas não houve efeito do tempo
Hausenblas e Fallon (2002)34 243 mulheres e 231 homens – Flórida Investigar a relação entre imagem corporal, prática de exercícios físicos, IMC* e sintomas de dependência ao exercício físico (Educação Física) EDI* e BASS* ♀: > IMC* = > insatisfação ♂: o mais forte preditor de insatisfação foi a atitude em relação à atividade física
Estados Unidos (EUA)
Cash et al. (2004)42 2.504 mulheres e 738 homens – Virgínia Examinar as mudanças na imagem corporal entre os anos de 1983 e 2001 (Psicologia) EDI*, MBSRQ* e BASS* Estudo de coorte: 1983-2001 ♀ de etnia branca, asiática e hispânica: ↑ avaliação negativa sobre sua aparência e também a preocupação com o peso até o início da década de 1990 ♀ de etnia africana: ↓ sua satisfação com o peso ♂ de todas as etnias: sem mudanças significativas na imagem corporal
Robinson e Ferraro (2004)31 108 mulheres – Dakota do Norte Examinar as diferenças de imagem corporal entre as que praticavam modalidades esportivas e as que não praticavam (Psicologia) EDI* Insatisfação: > naquelas que não praticavam modalidades esportivas
Parker et al. (2005)77 215 mulheres e 82 homens – Illinois Examinar atitudes alimentares, com enfoque em insatisfação corporal e prática de dietas (cursos da área da saúde) EDE-Q* Insatisfação: 82% (36% moderada e grave) Prática de dietas e restrição alimentar: 45%
Serifović et al. (2005)78 96 mulheres – Bellingham e Tuzla (Bósnia) Investigar a relação entre insatisfação e estresse em universitárias da Bósnia e EUA, bem como comparar a insatisfação e as influências culturais (Psicologia e outros cursos) BSQ* e FRS* Insatisfação: BSQ: estadunidenses eram significativamente mais insatisfeitas FRS: não houve diferença significativa entre os países para a figura escolhida como “corpo ideal” O estresse foi relacionado à insatisfação corporal apenas para as ♀ da Bósnia
Neighbors e Sobal (2007)36 237 mulheres e 73 homens – Nova York Examinar a magnitude da insatisfação (Ciência dos Alimentos) FRS* ♀: > insatisfação do que os ♂ Indivíduos com sobrepeso e obesidade: > desejo de ser menores
Grossbard et al. (2011)15 543 mulheres e 299 homens – Washington Investigar a insatisfação relacionada à magreza e à muscularidade (cursos não descritos) FRS* ♀: escolheram como ideal as silhuetas + magras e menos musculosas ♂: escolheram como ideal as silhuetas + musculosas
Sides-Moore e Tochkov (2011)43 70 mulheres – Texas Examinar o papel da competitividade e depressão no desenvolvimento da insatisfação (cursos não descritos) BSQ* e BIAQ* Insatisfação: > para as expostas às imagens de ♀ magras (do que as expostas às imagens de ♀ com maior peso e do que os controles) → depressão e a competitividade contribuíram para > insatisfação
Mayo e George (2014)33 441 mulheres e 339 homens – Flórida Investigar a relação entre o risco de transtornos alimentares(1), a insatisfação e a atratividade (14 cursos diversos) BIG* Insatisfação → correlação positiva com risco de transtornos alimentares ♂: escolheram figuras + musculosas do que as ♀ julgavam ser atraentes
Europa
Bernárdez et al. (2011)29 107 mulheres e 38 homens – Ourense (Espanha) Detectar as possíveis mudanças no comportamento alimentar em virtude da imagem corporal (cursos não descritos) EDI* Insatisfação: ♀: > quando apresentaram baixo peso ou sobrepeso → maior risco de comportamentos alimentares inadequados ♂: > quando apresentaram sobrepeso e obesidade
Hernández et al. (2012)21 55 mulheres – País Basco (Espanha) Explorar a relação entre a satisfação corporal e as atitudes em relação ao corpo, à obesidade, à qualidade da dieta e saúde emocional (cursos não descritos) CIMEC* e EDI* Insatisfação: 85,5%: ↑ > IMC* e > ansiedade Desejo ser magra: > tendência a estigmatizar a obesidade e ter menor diversidade na dieta
van den Brink et al. (2013)80 319 mulheres – Utrecht (Holanda) Investigar a relação entre a satisfação corporal e a saúde sexual (cursos não descritos) MBSRQ* Satisfação: < IMC, < preocupação com o peso, < investimento na aparência e < preocupação com o corpo durante o ato sexual
Santos (2012)81 198 mulheres e 202 homens – Algarve (Portugal) Compreender a relação entre a composição corporal, imagem corporal, nível de atividade física e inteligência emocional (17 cursos diversos) FRS* e BSQ* Insatisfação: - Escala de silhuetas FRS*: 73,6% para a amostra geral (15,7% desejavam ser maiores e 57,9 desejavam ser menores) -BSQ*: 22,5% (moderado e grave) Indivíduos fisicamente ativos: > satisfação corporal e > inteligência emocional
Zaccagni et al. (2014)82 354 mulheres e 380 homens – Ferrara (Itália) Examinar a insatisfação e a insatisfação com o peso corporal em relação ao sexo, ao peso corporal e à atividade física (Ciência do Esporte) Escala de silhuetas de McElhone et al.** Insatisfação: ♀ = 87% / ♂ = 66,7% ♀ fisicamente ativas: > peso corporal do que as menos ativas ♂ fisicamente ativos: > insatisfação corporal
Brytek-Matera et al. (2015)83 283 mulheres e 44 homens – Polônia Explorar a relação entre a ortorexia nervosa, a imagem corporal e o peso corporal (Psicologia, Pedagogia e Nutrição) MBSRQ* ♀ com sintomas de ortorexia nervosa: > satisfação corporal, < preocupação com peso e aparência ♂: a imagem corporal não esteve associada aos sintomas de ortorexia nervosa
Outros países
Wilson et al. (2005)22 138 mulheres – Canadá Explorar a contribuição da percepção corporal, IMC* e relação cintura-quadril no risco de transtornos alimentares, prática de exercícios e imagem corporal (Psicologia) EDE-Q* e SATAQ* IMC* → melhor preditor de insatisfação e de risco de transtorno alimentar
Willinge et al. (2006)25 54 mulheres e 64 homens – Sydney (Austrália) Investigar os julgamentos sobre o tamanho de celebridades do sexo feminino, de acordo com a satisfação corporal (Psicologia) BES* Indivíduos com insatisfação julgaram as celebridades mais magras do que realmente são
Mahmud e Crittenden (2007)26 390 mulheres – Austrália e Paquistão Comparar a imagem corporal de australianas e paquistanesas (Psicologia) BDS*, BSQ* e FRS* Australianas: > insatisfação e > IMC* do que as paquistanesas
Mills e Miller (2007)79 138 mulheres – Toronto (Canadá) Investigar os efeitos de comentários negativos sobre o peso corporal no humor, autoestima e imagem corporal de adeptas à restrição alimentar (Psicologia) FRS* Insatisfação: > para as adeptas à restrição alimentar, após receber algum comentário negativo sobre peso corporal
Taqui et al. (2008)84 89 mulheres e 67 homens – Karachi (Paquistão) Determinar a porcentagem de transtorno dismórfico corporal e as diferenças de gênero, preocupações corporais e sintomas (Medicina) BIDQ* Preocupação em se tornar gordo (a): ♀ = 40,4% (significativamente a > preocupação entre elas) e ♂ = 32,8% ♂: a maior preocupação foi se tornar magro, seguida pela preocupação com os cabelos
Atencio et al. (2008)20 134 mulheres e 55 homens – Mérida (Venezuela) Avaliar a insatisfação e sua relação com baixa autoestima causada pela aparência (Medicina, Nutrição e Enfermagem) BSQ* Insatisfação: 37,5% para a amostra geral Medicina e Enfermagem: autoestima mais baixa por causa da aparência
Nichols et al. (2009)16 184 mulheres e 199 homens – Trinidad e Tobago, Jamaica e Barbados Determinar se a insatisfação está associada ao risco para transtornos alimentares(1) (Ciências Sociais, Humanidades e Educação, Engenharia, Medicina e Direito) BSQ* e escala de silhuetas de Stunkard > Insatisfação = > risco de transtornos alimentares
Koskina e Giovazolias (2010)85 381 mulheres e 100 homens – Creta (Grécia) Examinar o efeito da insegurança no desenvolvimento de insatisfação e risco de transtornos alimentares(1) (cursos diversos) BSQ* Insatisfação: mediou a relação entre a ansiedade de separação e risco para transtornos alimentares em ♀
Thomas et al. (2010)86 228 mulheres – Dubai (Emirados Árabes Unidos) Investigar a porcentagem de transtornos alimentares(1) e explorar sua associação com a insatisfação corporal (cursos não descritos) FRS Insatisfação: 74,8% → houve correlação positiva com risco para transtornos alimentares
Cortes et al. (2011)87 279 mulheres e 211 homens – Hidalgo (México) Investigar os fatores associados à insatisfação nos diferentes sexos (cursos não descritos) CIMEC* Insatisfação: ♀: 82% (57% desejavam ser mais magras) ♂: 70% (35% desejavam ser mais magros) > IMC* e influência da mídia = > insatisfação
Yahia et al. (2011)5 144 mulheres e 108 homens – Beirute (Líbano) Compreender as práticas inadequadas com o objetivo de atingir um peso ideal e determinar a magnitude da insatisfação (cursos não descritos) BSQ* Insatisfação: 36% (17% moderada e grave) Dentre os universitários com insatisfação grave, 89% eram ♀ Práticas inadequadas: 8% usavam laxantes, 4% utilizavam “emagrecedores”, 26% fumavam cigarros
Vartanian e Dey (2013)19 278 mulheres – Austrália Examinar a associação entre internalização de um ideal de magreza, tendência de comparação social e insatisfação (Psicologia) SATAQ-3*, UDACS* e EDI* Internalização de um ideal de magreza: mediou a tendência de comparação social e insatisfação
As-Sa’edi et al. (2013)48 242 mulheres – Tayba (Arábia Saudita) Estimar a porcentagem de insatisfação, identificar fatores de risco e explorar a relação entre IMC atual, percebido e desejado (Medicina) Escala de silhuetas de Stunkard Insatisfação: 73,4% para a amostra geral (55% desejavam ser menores e 18,4% desejavam ser maiores)
Ozimok B (2014)35 66 homens – Ontário (Canadá) Examinar fatores psicológicos e a resposta de cortisol em resposta à “ameaça” de avaliação externa do corpo (cursos não descritos) DMS*, BISS*, WBRSS* Insatisfação e níveis de cortisol: > quando houve “ameaça” de avaliação externa do corpo
Nergiz-Unal et al. (2014)14 294 mulheres e 479 homens – Turquia Investigar os sintomas de transtornos alimentares(1) e insatisfação (Nutrição e Educação Física) BSQ* e FRS* Insatisfação corporal grave: Nutrição: 5,2%; Educação Física: 7,4% Risco de transtornos alimentares: Nutrição: 2,9%; Educação Física: 10,7%
Fardouly e Vartanian (2015)39 227 mulheres – Austrália Examinar a relação entre o uso do Facebook e preocupações com a imagem corporal (Psicologia) EDI* e PACS* Maior tempo de uso do Facebook > preocupações com a imagem corporal (comparação corporal a amigos, familiares e celebridades)
Cohen e Blaszczynski (2015)88 193 mulheres – Sydney (Austrália) Determinar se a relação entre comparação corporal e insatisfação é mais forte dentre os expostos às mídias convencionais em comparação aos expostos ao conteúdo do Facebook (Psicologia) BASS* e MBSRQ* Insatisfação e comparação corporal: positivamente associada à exposição ao conteúdo do Facebook
Alipour et al. (2015)41 184 mulheres – Tabriz (Irã) Avaliar a insatisfação e os determinantes sociodemográficos e nutricionais (Medicina) FRS* Insatisfação: 51,63% > insatisfação < tempo de atividade física

* BASS = Body Areas Satisfaction Scale; BDS = Body Dissatisfaction Scale; BES = Body Esteem Scale; BIAQ = Body Image Avoidance Questionaire; BIDQ = Body Image Disturbance Questionnaire; BIG = Bodybuilder Image Grid; BISS = Body Image State Scale; BSQ = Body Shape Questionnaire; CIMEC = Cuestionario de Influencia de los Modelos Estéticos Corporales; DMS = Drive for Muscularity Scale; EDE-Q = Eating Disorder Examination Questionnaire; EDI = Eating Disorder Inventory; FRS = Figure Rating Scale; IMC = Índice de Massa Corpórea; MBSRQ = Multidimensional Body-Self Relations Questionnaire; PACS = Physical Appearance Comparison Scale; SATAQ = Sociocultural Attitudes Towards Appearance Questionnaire; UDACS = Upward and Downward Appearance Comparison Scale; WBRSS = Weight and Body Related Shame Scale.

** McElhone S, Kearney JM, Giachetti I, Zunft HJ, Martínez JA. Body image perception in relation to recent weight changes and strategies for weight loss in a nationally representative sample in the European Union. Public Health Nutr. 1999;2(1)143-51.

(1) Avaliado por meio do Eating Attitudes Test (EAT).

Observa-se a existência de 40 estudos nacionais, com tamanho amostral de 44 a 2.402 indivíduos (10% destes utilizaram amostra probabilística), realizados em 11 estados, entre os anos de 2006 e 2015 – dentre os quais se destacam sete realizados por autores do Núcleo de Pesquisa em Cineantropometria e Desempenho Humano da Universidade Federal de Santa Catarina10,51,57,58,62,64,68, e quatro por membros do Departamento de Fundamentos da Educação Física da Universidade Federal de Juiz de Fora17,18,60,63 – nos idiomas português e inglês.

Dentre os estudos que descreveram o curso no qual os universitários eram matriculados, houve maior frequência para os cursos de Educação Física e Nutrição. Dos instrumentos utilizados para avaliação da IC, houve maior frequência para as escalas de silhuetas – como a de Stunkard72 e a de Silhuetas Brasileiras73 – (44,7%), e dentre os questionários, destaca-se o uso do Body Shape Questionnaire53 – BSQ (38,3%), sendo que alguns estudos utilizaram questionários e escala de silhuetas.

Quanto à frequência de universitários brasileiros – de ambos os sexos – insatisfeitos com a IC, encontrou-se uma variação de 8,3% a 87%; já no âmbito populacional (entre os quatro trabalhos com amostragem probabilística), a prevalência de insatisfação foi de 47,3% a 77,9% (sem distinção de avaliação entre sexos).

Nos estudos que apresentaram a distinção da frequência em relação ao sexo, encontrou-se insatisfação de 17,4% a 82,5% para as mulheres, e de 2,25% a 73,41% para homens. A frequência/prevalência de insatisfação variou em função dos instrumentos utilizados: estudos que avaliaram esse construto por meio de escalas de silhuetas mostraram variação de 61,2% a 79,2% – quando houve a separação por sexo, para mulheres a variação foi de 30,6% a 82,5% e para os homens, de 31,1% a 73,41%. Já nos estudos que utilizaram apenas o BSQ a variação foi de 8,3% a 47,3% (dados para amostra geral). Dois estudos utilizaram a escala de silhuetas e o questionário BSQ simultaneamente: um deles em MG encontrou ausência de insatisfação por meio do BSQ, mas pela escala de silhuetas a insatisfação foi de 76,6%18; enquanto outro no RS encontrou insatisfação moderada de 16,7% de acordo com o BSQ, mas, pela escala de silhuetas, a insatisfação foi de 55,4%70.

Houve maior frequência de estudos realizados nas regiões sul (47,5% – destes, 30% realizados em SC), e sudeste do Brasil (35%). Os estudos realizados em SC avaliando esse construto exclusivamente por meio de escalas de silhuetas encontraram elevadas frequências de insatisfação corporal (de 69,5% a 79,2%) para amostra geral51,57,58,62,68, enquanto os que utilizaram apenas o BSQ encontraram de 10,1% a 47,7%11,64. Também no sul do Brasil (RS e PR) houve frequência de 61,2% e 79,1% para estudos que utilizaram apenas a escala de silhuetas28,40 e de 8,3% e 47,1% nos estudos que utilizaram apenas o BSQ13,61,66.

Na região sudeste, para estudos que utilizaram apenas escalas de silhuetas, encontraram-se frequências de 75,8% para amostra geral27, 82,5% e 73,41% para mulheres e homens, respectivamente24; e a variação foi de 13,7% a 46%6,38,54 quando apenas o BSQ foi utilizado.

Um dos estudos avaliou a insatisfação corporal em amostra composta por universitários de dois estados do Nordeste (AL e SE), sem distinção nos resultados para insatisfação corporal entre os estados56. Apenas um estudo avaliou a insatisfação de imagem corporal em amostra composta por universitárias de todas as regiões do Brasil e não encontrou diferença significativa entre elas8.

Os resultados dos estudos internacionais estão na Tabela 3.

Foram selecionados 36 estudos internacionais, realizados em 22 países, com amplitude amostral de 55 a 3.127 indivíduos (e ausência de estudos com amostra probabilística), no período entre 1987 a 2015 (destes, apenas dois foram realizados antes do ano de 2001). Os idiomas dessas referências foram inglês e espanhol. Quando houve a descrição dos cursos avaliados, foram mais frequentes o de Psicologia, seguido pelo curso de Medicina.

Quanto aos instrumentos utilizados, podem-se citar as escalas de silhuetas – de Stunkard72, a Body Figure Silhouettes72 e a Figure Rating Scale72 – (26,3%); e questionários como o BSQ18 (15,8%), o Eating Disorder Inventory89 – EDI (15,8%), e o Body-Self Relations Questionnaire Appearance Scales – MBSRQ (7%).

No cenário internacional, a frequência de universitários com insatisfação da IC foi de 5,2% a 85,5%. Quando houve a distinção da frequência por sexo, a insatisfação variou de 40,4% a 87% para mulheres, e de 32,8% a 70% para homens. Quanto à variação da frequência de insatisfação corporal em função dos instrumentos utilizados – dados para a amostra geral – naqueles que usaram apenas escalas de silhuetas a variação foi de 51,6% a 74,8%. Nos estudos que utilizaram apenas o BSQ, as frequências de insatisfação foram de 36% a 41,1%; e o estudo que utilizou apenas o EDI encontrou 85,5% de insatisfação.

Quanto às frequências de insatisfação corporal por países e continentes (em estudos que apresentaram os resultados por meio de frequências), verificou-se, para a amostra geral (sem divisão entre sexo), 82% nos Estados Unidos da América (EUA)77, 41,1% na Venezuela20, de 5,2% a 74,8% na Ásia Ocidental5,14,41,48,86 e de 73,6% a 85,5% na Europa21,81. Nos estudos em que houve distinção dos sexos, para mulheres a insatisfação de IC foi de 87% na Europa82, 84,1% nos EUA74, 82% no México87 e 40,4% no Oriente Médio84; enquanto para os homens foi de 66,7% na Europa82, 45% nos EUA74, 70% no México87 e 32,8% no Oriente Médio84 – todavia, a efetiva comparação não pode ser realizada, uma vez que esses estudos não utilizaram amostra probabilística e outros não apresentaram necessariamente os resultados em frequência de indivíduos insatisfeitos.

Apenas três estudos internacionais compararam a insatisfação corporal de universitários de diferentes países: o primeiro encontrou (por meio de escalas de silhuetas) que as universitárias australianas eram mais insatisfeitas (e tinham menor autoestima) do que as paquistanesas26; o segundo verificou que universitários chineses que viviam em Hong Kong apresentaram maior insatisfação corporal, prática de dietas e depressão do que os universitários chineses que viviam nos EUA75; e o terceiro encontrou (por meio do BSQ) que as universitárias dos EUA eram mais insatisfeitas do que as da Bósnia78.

Alguns estudos (nacionais e internacionais) não apresentaram exatamente a frequência de universitários insatisfeitos com sua imagem corporal, mas sim analisaram a influência de alguns fatores como estado nutricional, fatores fisiológicos e psicológicos (como idade, período menstrual, depressão, ansiedade), bem como a exposição ao conteúdo de mídias e redes sociais. Embora esse não seja foco desta revisão, esses trabalhos destacaram que a exposição a esse tipo de conteúdo, o período menstrual e a baixa autoestima são fatores que podem aumentar a insatisfação corporal (Tabelas 2 e 3).

O delineamento da maior parte dos estudos foi transversal, com exceção de um estudo de coorte realizado nos EUA, no qual as mulheres de etnia branca, asiática e hispânica aumentaram a avaliação negativa sobre sua aparência e também a preocupação com o peso até o início da década de 199042. Embora o desenho tenha sido transversal, outro estudo realizado nos EUA comparou a insatisfação de IC em universitárias em períodos diferentes (em 1983-1984 e 1995-1998) e verificou que houve efeito do sexo (as mulheres continuavam mais insatisfeitas do que os homens), mas não houve efeito do tempo na insatisfação corporal76.

DISCUSSÃO

A presente revisão integrativa teve como objetivo caracterizar a insatisfação corporal entre universitários e encontrou uma ampla frequência dependendo do sexo, instrumento utilizado e local de realização do estudo. A amplitude da insatisfação considerando-se ambos os sexos e em todos os países foi grande, variando de 5% a 87%. Como a metodologia (incluindo tipo do instrumento) e amostragem são muito diversos, a comparação e a interpretação desses resultados não são simples.

De qualquer forma, considerando-se a amostra geral, a variação de frequência/prevalência de insatisfação foi semelhante nos estudos nacionais e internacionais (menos de 10% até mais de 85%), parecendo indicar que o problema se apresenta de maneira semelhante em termos de localidade para jovens universitários e que as variações se devem ao sexo e metodologia de análise do construto. Deve-se considerar, no entanto, que pequena parcela desses estudos usou amostragem probabilística, o que não permite a extrapolação dos resultados para todos estados/países estudados.

Em qualquer localidade, a insatisfação foi maior quando avaliada por meio de escalas de silhuetas do que quando avaliada por meio do BSQ. As escalas de silhuetas avaliam apenas o tamanho e forma corporal, enquanto os questionários avaliam também pensamentos, sentimentos e comportamentos do indivíduo em relação ao seu corpo18; dessa forma, as silhuetas limitam a escolha do indivíduo a apenas uma das figuras, e, quando se escolhe uma figura diferente, já se configura insatisfação – todavia, trata-se de um método válido, fidedigno e usualmente aplicado18,24,50.

Quando houve a descrição do curso, verificou-se maior frequência de estudos realizados com universitários da área da saúde (no Brasil: Educação Física e Nutrição; e internacionalmente, Psicologia). Os cursos de Educação Física e Nutrição podem ser mais avaliados por terem uma base fundamentalmente biológica em que, implicitamente, se espera que esses futuros profissionais sejam exemplos de “saúde perfeita” (incluindo questões corporais), mas, na verdade, sabe-se que estudantes desses cursos apresentam maior risco para desenvolvimento e manutenção de transtornos de IC e/ou alimentares6,10,32,37,38,68. Ressalta-se também que indivíduos predispostos a esses transtornos podem optar por carreiras na área da saúde, atraídos por conteúdos como alimentação, prática de atividade física, bioquímica e metabolismo54,59,70.

No Brasil, 80% dos estudos foram realizados nas regiões sul e sudeste. Nas demais regiões do país, a frequência/prevalência da insatisfação aparentemente foi menor12,56,69,71; todavia, em função do objetivo e amostragem não é possível saber se há diferença entre regiões nesta comparação, mas sim que o fenômeno é muito mais estudado em algumas regiões do que outras. Além disso, apenas um estudo comparou as diferentes regiões do Brasil e não encontrou diferença significativa para a insatisfação corporal das universitárias8. Tal achado aponta para a concepção de que, embora o Brasil seja um país com uma ampla diversidade cultural, há um “descontentamento normativo” no que diz respeito ao corpo, no qual as exigências socioculturais de beleza tornam o padrão de corpo ideal muito semelhante, independente do local. Entretanto, como este estudo não utilizou amostragem probabilística8, não se pode generalizar o resultado encontrado.

No âmbito internacional, observou-se que insatisfação corporal em ambos os sexos apresentou frequências amplamente variadas e relativamente semelhantes nos EUA77, Ásia Ocidental5,14,41,48,86 e Europa21,81. Nos estudos em que houve a distinção da insatisfação entre os sexos, as mulheres da Europa82, EUA74 e México87 apresentaram frequências bastante semelhantes e maiores do que as mulheres do Oriente Médio84, enquanto os homens do México87 eram mais insatisfeitos, seguidos dos europeus82, estadunidenses74 e dos homens do Oriente Médio84. Tais achados evidenciam a diferença sociocultural no contexto da IC, uma vez que, nos países ocidentais, os ideais de beleza são mais firmemente impostos e amplamente propagados pela mídia e redes sociais, provocando maior insatisfação corporal pela discrepância entre o corpo real e os padrões cada vez mais rígidos e inatingíveis26,48,60,77,78,80,84,90.

Quanto aos estudos que avaliaram fatores possivelmente associados à IC, estudo nacional verificou que estudantes com obesidade e sobrepeso apresentaram de cinco a sete vezes mais chances de insatisfação do que as eutróficas – sendo que o maior percentual de gordura corporal e perímetro da cintura elevado também aumentou a insatisfação38. Nos EUA, o índice de massa corpórea (IMC) foi o mais forte preditor de insatisfação corporal entre as universitárias (> IMC, > insatisfação)34 – e o mesmo se encontrou para universitárias canadenses22 e universitários espanhóis29.

Sabe-se que a prática de dietas está intimamente relacionada aos transtornos alimentares18,27,34,43,52,54,83 e é usualmente avaliada por meio do questionário Eating Attitudes Test (EAT). No Canadá as universitárias mais adeptas às dietas eram também mais insatisfeitas com sua IC79; já as universitárias de Trinidad e Tobago, Jamaica e Barbados mais insatisfeitas com a IC apresentaram também maior risco para TA16. Para universitários do sexo masculino dos EUA, houve correlação positiva entre a pontuação no EAT e a insatisfação com a gordura corporal, e correlação negativa entre a pontuação no EAT e a insatisfação relacionada à muscularidade (indicando um desejo por menor massa muscular)33. Em universitárias gregas85, a insatisfação corporal mediou a relação com os TA. No âmbito nacional, a insatisfação corporal moderada e grave foi maior nas universitárias com maior risco para TA52, bem como aumentou o risco de comportamentos de TA44,55,59,61.

Entre outros fatores, estudo nacional encontrou maior insatisfação durante o período menstrual67; e outro nacional verificou que os mais velhos eram mais satisfeitos63. Em relação à influência da mídia e exposição aos padrões de beleza, observou-se que, para universitárias australianas, o maior tempo gasto no Facebook foi positivamente correlacionado com a insatisfação e comparação corporal88, e que houve relação positiva entre maior tempo de uso da rede social e preocupações com a IC (frequência de comparação corporal com amigos, familiares e celebridades)39. Também na Austrália a insatisfação corporal influenciou a percepção que os universitários de ambos os sexos tinham sobre as celebridades, ao julgarem-nas mais magras do que realmente são25. Nos EUA a insatisfação de IC foi maior para as universitárias expostas às imagens de mulheres magras do que as expostas às imagens de mulheres com maior peso e do que os controles43.

Os resultados encontrados chamam a atenção para a variedade de instrumentos utilizados para avaliar o construto da IC entre universitários. O fato de haver grande variação de tamanho amostral, seleção da amostra (probabilística ou não) e objetivo do estudo torna a comparação ainda mais difícil. De qualquer forma, pode-se observar que, independente do método utilizado, as mulheres são mais insatisfeitas do que os homens, uma vez que a elas é imposto um padrão normativo de beleza (fortemente associado à magreza, autocontrole e juventude) de forma mais rígida do que aos homens – o que as torna também mais suscetíveis a internalização de ideais estéticos impostos pela mídia e pela sociedade6,15,36,91,92.

A imagem corporal é um construto que abrange diversas esferas e, por esse motivo, são inúmeros os fatores que podem contribuir para a insatisfação, como prática de dietas e os transtornos alimentares13,16,33,44,55,56,61,78,79,85, exposição ao conteúdo de mídias e redes sociais6,12,39,40,88, sexo feminino5,6,9,21-32, além do padrão ocidental de beleza6,26,48,55,77,78,84,90.

Considerando esse contexto multidimensional da imagem corporal, não se pode afirmar com certeza se a insatisfação corporal é maior no Brasil ou em qualquer outro país. Embora cada país tenha suas particularidades culturais, quando o assunto é corpo, existem outros fatores de grande influência que podem predizer a insatisfação corporal com maior efeito do que o país em si. Estudo realizado com cerca de 7.400 indivíduos de 26 países diferentes (não inclui Brasil), encontrou que há diferenças intrarregionais significativas no padrão de corpo considerado ideal, mas o tamanho de efeito do país foi pequeno, comparado a outros preditores de maior efeito como a exposição ao conteúdo midiático ocidental, IMC e idade90.

A população universitária é comumente estudada em diversas áreas do conhecimento, uma vez que o ambiente universitário propicia a facilidade de acesso a um número considerável de indivíduos com características relativamente semelhantes, mas que ao mesmo tempo possui experiências e vivências diversas. Pode-se citar como uma limitação metodológica do presente estudo a não comparação da insatisfação corporal com a população em geral, uma vez que os estudos aqui analisados tratam dessa temática exclusivamente em população universitária – de qualquer forma, estudos sobre IC concentram-se muitas vezes em públicos específicos, como adolescentes93-96, atletas97-100 e não população geral. Dessa maneira, destaca-se a importância dos resultados aqui apresentados no panorama nacional e internacional no que diz respeito às particularidades da insatisfação corporal, e os detalhes de avaliação na população jovem universitária, elucidando a complexidade do fenômeno e chamando atenção para a necessidade de padronização na avaliação do construto, para melhor compreensão do tema.

CONCLUSÕES

Foi encontrada uma ampla variação de frequência/prevalência, e formas como a insatisfação corporal se apresentam entre a população universitária nos estudos incluídos nesta revisão. A insatisfação corporal foi influenciada principalmente por fatores como sexo, instrumento, método e objetivo do estudo. Os cursos da área da saúde são mais frequentemente avaliados; instrumentos diversos são utilizados, mas nacionalmente em especial as escalas de silhuetas e o Questionário de Imagem Corporal BSQ. O fenômeno é mais estudado em países ocidentais; e no âmbito nacional, em estados do sul e sudeste.

Sugere-se que estudos probabilísticos de comparação em todo o território nacional, com padronização de instrumentos, possam ser realizados para esclarecer pontos ainda desconhecidos sobre diferenças e semelhanças regionais, culturais, econômicas e biológicas quanto aos distúrbios de imagem corporal.

REFERÊNCIAS

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