Instituto de psiquiatria da Universidade do Brasil como campo de estágio da Escola Anna Nery (1954-1962)

Instituto de psiquiatria da Universidade do Brasil como campo de estágio da Escola Anna Nery (1954-1962)

Autores:

Bárbara Tavares da Silva,
Juliana Cabral da Silva Guimarães,
Gisele Fernandes Tarma,
Tânia Cristina Franco Santos,
Antonio José de Almeida Filho,
Maria Angélica de Almeida Peres

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.21 no.3 Rio de Janeiro 2017 Epub 01-Jun-2017

http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2016-0379

INTRODUÇÃO

O estudo trata do desenvolvimento do estágio em enfermagem psiquiátrica na Escola Anna Nery (EAN) da Universidade do Brasil (UB), no período de 1954 até 1962. O marco inicial é o ano em que a Escola começou o estágio em enfermagem psiquiátrica no Instituto de Psiquiatria da UB (IPUB) e o marco final, o ano em que se instalou uma crise na disciplina de Enfermagem Psiquiátrica devido ao afastamento da professora responsável pela mesma, levando a escola a buscar uma especialista em enfermagem psiquiátrica para assumir esse lugar.

Na EAN, inaugurada em 1923, a introdução de conteúdo referente à psiquiatria se deu gradualmente, tendo início em 1925 com ensino teórico, ministrado por professores da Faculdade de Medicina da UB, na disciplina de Higiene Mental. Em 1931, foi incluída a disciplina Psiquiatria no currículo, também teórica e ministrada por médicos, tornando a formação da enfermagem, nessa especialidade, muito influenciada pelo discurso médico. A Enfermagem Psiquiátrica foi introduzida no currículo em 1933, ministrada por docente enfermeira da EAN, constituída em dois blocos em sala de aula, um teórico e outro com treinamento de técnicas de enfermagem usadas na psiquiatria.1,2

Essa trajetória de ensinar psiquiatria para a enfermagem através do discurso médico não foi exclusividade da EAN. Médicos psiquiatras assumiram os saberes para a formação do pessoal de enfermagem, por meio da criação de escolas de enfermagem e/ou a partir da implementação de métodos informais de ensino dentro das instituições de trabalho, por dois motivos: o de não existir profissionais de enfermagem qualificados para tal tarefa e para promover a moralização dos mesmos, para que fossem capazes de executar o que era conhecido por Tratamento Moral.3

Sendo a EAN uma escola reconhecida pelo Decreto nº 20.109 de 1931 como modelo padrão de ensino de Enfermagem no país até o ano de 1949, mantinha rigorosa disciplina e conduta moral em seus espaços, e, portanto, o hospital psiquiátrico por suas características nas décadas de 1920-1950, não era considerado local adequado para o ensino prático das estudantes. O chamado "hospício" era um local de segregação das pessoas, onde a força bruta e as práticas punitivas eram usadas para a abordagem ao longo do tratamento psiquiátrico, incluindo contenção física, mecânica, eletrochoque, choque cardiazólico, choque insulínico, entre outros.4-6

Uma reformulação das práticas assistenciais em psiquiatria se deu na década de 1960, a partir do movimento denominado "nova psiquiatria", que visava à transformação dos hospitais psiquiátricos em centros de cura e reabilitação, indo além da intenção de somente abrigar os doentes mentais.4 Contudo, o tratamento não se modificou a ponto de transformar o hospício em um ambiente propício ao ensino de enfermagem para os padrões da EAN. Tal fato se relacionava com a não qualificação dos profissionais de enfermagem e também com o preconceito e o estigma que esses profissionais demonstravam, em torno do comportamento do doente mental. Sendo assim, esses profissionais não se apresentavam preparados para supervisionar o ensino prático em enfermagem psiquiátrica nem para servir de modelo para as estudantes.3,7

Até hoje, no Brasil e em outros países, é difícil o preparo de profissionais enfermeiros para atuarem na psiquiatria. Isto está diretamente relacionado ao ensino, uma vez que é essencial o papel das universidades na formulação de estratégias educativas com vistas ao aperfeiçoamento dos currículos em saúde mental. Para resolver os problemas de recrutamento atuais, uma importante estratégia é a especialização do enfermeiro em saúde mental.8,9

A EAN se manteve afastada do estágio em psiquiatria até 1950, quando a Lei n. 775/49 tornou obrigatório a sua existência, exigindo que todas as escolas de enfermagem do país tomassem providências para obterem campo de prática em psiquiatria. A promulgação da Lei propiciou mudanças no conceito de assistência em enfermagem psiquiátrica, direcionando a enfermagem para um modelo assistencial de prevenção e despertando o olhar do enfermeiro para os problemas asilares.4

Para se manter em situação legal no que tange à formação de enfermeiras, a EAN teve que iniciar o estágio em psiquiatria. Nos artigos da Revista Annaes de Enfermagem da década de 1950, as enfermeiras discutiram como conseguir campos de estágio em psiquiatria, de modo a colocar as alunas diante de experiências mais atualizadas, constatando que isso não era possível no Brasil, uma vez que os hospícios, em geral, não contavam com enfermeiras diplomadas e o cuidado de enfermagem era prestado por atendentes e enfermeiros práticos, ou seja, aqueles formados antes do "Padrão Anna Nery".6,10

Para atender a Lei, no período de 1950 a 1953, a EAN realizou estágio no Centro Psiquiátrico Nacional (CPN), localizado no bairro do Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. A ida para o CPN foi estratégica, uma vez que lá se encontrava fazendo estágio outra escola de enfermagem, a Escola de Enfermagem Alfredo Pinto (EEAP), que tem em sua trajetória histórica laços estreitos com a psiquiatria, desde 1890 e, dessa forma, tanto as alunas quanto a professora da EAN teriam oportunidade de aprender com a mesma.1,4 Mas o estágio em psiquiatria no CPN era limitado apenas a observação, sem que houvesse atuação assistencial das alunas da EAN.

Para qualificar o ensino na EAN, a diretora dessa escola convidou a professora Maria Dolores Lins de Andrade, primeira responsável pelo estágio em psiquiatria na EAN, para realizar especialização em enfermagem psiquiátrica nos Estados Unidos da América (EUA) com uma bolsa de estudos. A professora Maria Dolores cursou sua especialização em enfermagem psiquiátrica no Teacher College da Columbia University, de setembro de 1952 a julho de 1953, onde recebeu um ensino pautado no conceito de relacionamento interpessoal terapêutico, com a teorista Hildegard Peplau, retornando ao Brasil nesse mesmo ano. Com o retorno da professora especialista, o campo de estágio foi transferido para o Instituto de Psiquiatria da UB (IPUB), ainda em 1954.

Diante do exposto, o objetivo do estudo é analisar os primeiros anos do estágio em enfermagem psiquiátrica da EAN no IPUB.

O estudo se justifica pela necessidade de se registrar o desenvolvimento histórico do ensino prático de Enfermagem Psiquiátrica no Brasil, o que oferece possibilidades para reflexões teóricas que podem levar à compreensão de aspectos hoje vivenciados, como o fato de, em plena Reforma Psiquiátrica, ainda haver dificuldades para a formação dos enfermeiros na área.

Esta pesquisa trará contribuições para a enfermagem em saúde mental, bem como para a história da enfermagem, uma vez que irá revelar aspectos da trajetória do ensino de psiquiatria, em determinado período, além do cuidado de enfermagem prestado em um hospital escola, propiciando a difusão do conhecimento a partir da divulgação dos seus resultados para a sociedade, em especial, para a comunidade científica.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo documental que objetiva descrever e compreender um fato histórico a partir de diversos documentos, utilizando-se métodos e técnicas que vão desde a coleta de informações, passando por etapas e procedimentos que permitem categorizar e, por fim, analisar os dados encontrados.11 Além disso, a obtenção das informações se dá por meio de um método histórico comparativo, sendo o próprio documento investigado a justificativa da necessidade de análise.12

Para o desenvolvimento do estudo, foram selecionados como documentos escritos uma Lei, um Decreto e oito ofícios, localizados no Centro de Documentação (CDOC) da Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EEAN/UFRJ) e documentos orais - entrevistas gravadas de duas professoras da EAN, Isabel da Cunha Dantas (2003) e Teresa de Jesus Sena (1990), que doaram os mesmos ao acervo de história oral desse Centro para a utilização em outras pesquisas. A coleta de dados ocorreu nos meses de abril a maio de 2015.

Os documentos selecionados foram organizados em um quadro de análise com informações sobre o ano, a autoria e o assunto. Empregou-se a técnica de análise de dados com base em critérios de seleção dos conteúdos que serviriam para o propósito da pesquisa, etapa esta que consiste num processo de interpretação e inferências acerca das informações presentes nos documentos investigados.13

Os resultados são apresentados nas seguintes categorias temáticas: Contexto da inserção do estágio de Enfermagem Psiquiátrica da EAN no IPUB; Desenvolvimento do estágio em enfermagem psiquiátrica no IPUB e a crise no ensino de enfermagem psiquiátrica na EAN; Desdobramentos para superar a crise da assistência de enfermagem na EAN/IPUB.

Esta pesquisa, por ser de cunho documental, não foi submetida à Comitê de Ética em Pesquisa.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Contexto da inserção do estágio de Enfermagem Psiquiátrica da Escola Anna Nery no Instituto de Psiquiatria da Universidade do Brasil

As escolas de enfermagem, por força da lei 775/49, iniciaram um processo de adaptação dos seus currículos às novas exigências para o ensino de enfermagem. De acordo com o art. 7º do Diário Oficial, Sessão I de 1949:

[...] a prática e os estágios se farão mediante rodízio dos alunos em serviços hospitalares, ambulatórios e unidades sanitárias" deixando à escola liberdade de escolha quanto à tamanho, categoria, organização, fins e objetivos da instituição.14

No entanto, encontrar campos de estágio nas áreas de saúde pública e psiquiatria era uma grande dificuldade, pois esses serviços, por suas características à época, eram considerados inadequados para receberem as estudantes de enfermagem, o que levou as enfermeiras a solicitarem medidas necessárias às mudanças na concepção assistencial, voltando o enfermeiro para os problemas dos asilos, onde se amontoavam os doentes mentais, os velhos esclerosados e as crianças deficientes.15,16

Com o objetivo de modificar a realidade caótica da maioria dos serviços psiquiátricos, devido ao desgaste do modelo asilar, as escolas de enfermagem, com o apoio da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn), se articularam com os diretores e com os chefes de enfermagem dos serviços de saúde, argumentando que só seria possível ensinar uma enfermagem qualificada se as estudantes observassem e convivessem com uma prática de enfermagem atualizada.

A entrada da EAN no IPUB era conveniente, uma vez que ambos pertenciam a mesma universidade. O IPUB se preparava para aperfeiçoar seu papel de hospital-escola, o que implicava em promover mudanças no seu modelo assistencial e a EAN buscava um campo para desenvolver uma assistência psiquiátrica para servir de exemplo para suas estudantes. Assim, eram duas instituições com interesses que se coadunavam: desenvolver a assistência e o ensino na área da psiquiatria.1,4

Em 1955, uma consultora de Enfermagem Psiquiátrica, Verna Fraser, trazida dos EUA pelo Serviço Especial de Saúde Pública (SESP), para prestar assessoria às escolas de enfermagem brasileiras, afirmou que ao preparar as estudantes para iniciarem o estágio, a professora de psiquiatria tinha que fazer uso de bases teóricas sobre a doença mental, seus sintomas e estratégias para lidar com o doente, pois "um dos maiores obstáculos a estágios satisfatórios de psiquiatria é o medo do doente mental, que o estudante novato traz consigo".17

No entanto, a discussão sobre campos de prática se estendia para outras áreas como doenças infecto-parasitárias e saúde pública, pois uma reformulação nas regras do ensino da enfermagem nas escolas iria contribuir para sua melhoria, além de proporcionar subsídios para uma reconfiguração da assistência nos serviços.1

Para auxiliar nas discussões entre as escolas, foi promovido pela ABEn, em 1956, o "I Seminário de Ensino em Enfermagem no Rio de Janeiro", no qual as limitações do ensino de enfermagem psiquiátrica foram explicitadas e emergiram as seguintes medidas: uniformizar currículos das escolas, correlacionar a teoria com a prática e organizar campos adequados ao estágio das alunas em enfermagem de saúde pública e enfermagem psiquiátrica.18

Além disso, foi organizada uma "Comissão de Enfermagem Psiquiátrica", que desenvolveu um documento com considerações e recomendações acerca do assunto. Tal documento fora apresentado em 1957 no IX Congresso Brasileiro de Enfermagem e continha:

Considerando a importância do estágio em enfermagem psiquiátrica para maior compreensão do dinamismo e comportamento humano; recomenda às Escolas de Enfermagem que proporcionem às estudantes, pelo menos oito semanas de estágio em enfermagem psiquiátrica. Considerando a escassez de enfermeiras devidamente preparadas em enfermagem psiquiátrica; recomenda às Escolas de Enfermagem que favoreçam meios para estudos avançados em psiquiatria, para enfermeiras que desejem dedicar-se a esse ramo da enfermagem. Considerando a necessidade de todas as instrutoras auxiliarem as estudantes a aplicarem os princípios psicológicos e psiquiátricos à situação de vida e trabalho e que as instrutoras, em sua maioria, não estão capacitadas para essa função; recomenda às Escolas de Enfermagem que as enfermeiras adequadamente preparadas em psiquiatria sejam solicitadas a cooperar com o corpo docente, a fim de auxiliar as instrutoras em seu trabalho.18

Percebe-se no conteúdo do documento acima que é atribuído à enfermagem psiquiátrica o valor de favorecer uma compreensão mais esclarecida do comportamento humano e promover melhorias nas relações sociais. Isto justifica a importância da enfermagem psiquiátrica na formação de todas as estudantes, independente da carreira profissional que seguirão, além da necessidade das professoras serem capazes de compreender e aplicar um saber especializado nos demais campos de estágios, ampliando para todos os serviços de saúde e para a comunidade o novo conceito de Enfermagem Psiquiátrica que começava a ser utilizado por estudiosos da área.4

Nessa perspectiva é que ocorreu a articulação entre a EAN e o IPUB, tendo como ponto comum de interesse o desenvolvimento de um novo modelo psiquiátrico, com suas reformulações no espaço científico e assistencial.

Desenvolvimento do estágio em enfermagem psiquiátrica no IPUB e a crise no ensino de enfermagem psiquiátrica na EAN

O número de docentes na EAN era insuficiente para o acompanhamento das estudantes em campos de estágio referentes a todas as disciplinas conforme exigia a Lei nº 775/49, como se vê na exposição de motivos que a diretora à época, Waleska Paixão, dirige ao presidente de comissão de orçamento da UB em ofício de 28/09/1960:

Há dez anos na direção da EAN, tento obter o número de enfermeiras necessário à orientação de nossas alunas, em estágios, sem consegui-lo. [...] o antigo quadro extraordinário do MEC, consignava para a EAN 42 enfermeiras. Hoje, por várias razões, algumas absolutamente injustificáveis, está reduzido esse número a 28. [...] Como fazer progredir o ensino da enfermagem em tais condições?

A importância do estágio prático para o aprendizado das alunas era uma das preocupações da EAN, principalmente no que se refere à psiquiatria, como se pode notar pela avaliação de uma professora da Escola:

Importante contribuição ao ensino de enfermagem é a orientação programada das alunas em estágio hospitalar [...]. O estágio em enfermagem psiquiátrica ainda está em fase de organização. Muitos e sérios são os problemas a resolver tais como: problema de pessoal em quantidade e qualidade, inadequação do ambiente físico e de recursos materiais do hospital.19

Passados dois anos de utilização do IPUB como campo prático, o serviço de enfermagem ainda não se apresentava ideal para atender ao ensino de enfermagem psiquiátrica segundo os padrões apreendidos com a consultora norte-americana. Com a substituição da professora Maria Dolores Lins de Andrade, que viajou para fazer curso de especialização, por uma professora de saúde pública, em 1957, a situação se agravou, causando uma interrupção no projeto didático-pedagógico da EAN no IPUB.

A professora de saúde pública, Isabel da Cunha Dantas, teve que ir para o campo de estágio apenas com os conhecimentos teóricos sobre psiquiatria adquiridos quando aluna da EAN. Além disso, conforme depoimento da mesma, existia apenas um enfermeiro formado pela EEAP, sendo a maioria do pessoal de enfermagem do IPUB composta por antigos atendentes, sob a supervisão de um funcionário administrativo, sem treinamento, o que dificultava a sua atuação no campo, pois além de não ocupar cargo algum no IPUB, não dispunha naquele momento de poder conferido pelo saber especializado.

A nova professora deveria permanecer na disciplina de julho a dezembro de 1957, porém, como Maria Dolores não retornou no tempo previsto, a permanência da professora Isabel Dantas foi sendo prorrogada. Enquanto aguardava o retorno da professora Maria Dolores, apesar de todos os obstáculos, a EAN persistiu em manter o campo de estágio do IPUB na perspectiva de retomar as mudanças necessárias ao desenvolvimento do saber da enfermagem psiquiátrica.

A partir desse momento, o discurso da enfermagem psiquiátrica sofreu uma transformação radical, passando a encontrar suporte apenas nos recursos pessoais de uma professora de saúde pública que, inicialmente, enfrentava os mesmos medos e angústias que as alunas. Isto não quer dizer que a prática da enfermagem psiquiátrica deixou de existir, mas que a produção de um saber sobre essa prática teve um novo ponto inicial.

Ao preparar as alunas para iniciar o estágio, a professora de psiquiatria deve fazer uso de bases teóricas sobre a doença mental, seus sintomas e estratégias para lidar com o doente. Embora sem o suporte de uma teoria psiquiátrica, a professora Isabel Dantas conseguiu desenvolver estratégias de convencimento para que as alunas entrassem no espaço psiquiátrico, a partir do processo de adaptação ao mesmo, que se transformava em recurso para cuidar, permitindo a continuidade do estágio no IPUB.20

Mesmo sem o devido preparo, a atuação de uma professora de enfermagem e suas alunas no espaço do IPUB certamente contribuiu para a qualidade geral da assistência quando lá estavam, pois os cuidados prestados pelas alunas ainda eram de qualidade melhor do que aqueles prestados pelos funcionários do IPUB, principalmente porque a estes faltavam embasamento teórico, o que os tornava desprovidos de iniciativa para melhorarem a condição da assistência.

A professora Isabel Dantas conta que os doentes mais agitados ficavam praticamente sem assistência. Diante disso, sua estratégia era a de tentar corrigir a situação sem, no entanto, repreender o funcionário:

Eu encontrei um [doente] amarrado, eu cheguei e disse: mas o que é isso, menino? Ele não está na cadeia, não! Fiz que nem sabia o que era e tirei. Eu desmanchava as coisas erradas que elas faziam, mas sem demonstrar.20

Assim, as mudanças na assistência de enfermagem ocorriam lentamente, mediante pequenas alterações na sua rotina e, apesar de seu despreparo, a presença de uma professora da EAN constituiu, por si só, em um fator de melhoria do cuidado de enfermagem no IPUB, pela sua capacidade de impor uma ordenação na assistência prestada pelas alunas, estabelecendo um relacionamento terapêutico entre o doente mental e a equipe de enfermagem.

Em consonância, é perceptível pelo relato a seguir, que a adaptação ao ambiente do IPUB se deu de forma concreta, tanto que as aulas de enfermagem psiquiátrica passaram a ser majoritariamente ministradas no instituto:

Dependia do assunto, se eu quisesse ilustrar com alguma paciente, ficávamos lá [no IPUB]. Mais tarde eu gostei tanto e as meninas também, que nós ficávamos lá o dia todo [...]. Nós melhoramos muito [...] Eu ficava o dia todo com as alunas, eu ficava até à noite.20

A professora da EAN também colaborava efetivamente na organização e no funcionamento do serviço, fato que contribuiu para que sua figura de professora fosse acatada: "O clima era bom, aliás, eu sempre tive sorte, todos os médicos por onde eu passei, me chamavam 'Professora Isabel' e me respeitavam".20

Nesse sentido, por não haver no depoimento da professora Isabel Dantas referência a conflitos com os médicos, pode-se considerar como análise a utilização de uma estratégia de evitar o confronto com o poder médico, por não haver suporte teórico por parte dela, ou seja, não possuir saberes bem estruturados e divergentes.

A persistência da professora Isabel Dantas permitiu, acima de tudo, a continuidade da ocupação do IPUB, pois sua figura foi acatada e ela permaneceu na instituição sem confrontos diretos. Além disso, com os conhecimentos e experiência que tinha, mesmo em outra especialidade, a professora promovia melhorias no cuidado aos doentes mentais.

Não obstante, considera-se que nesse período da década de 1950, o ensino de enfermagem psiquiátrica na EAN entrou em crise, devido a descaracterização da prática da enfermagem psiquiátrica no campo de estágio, pela substituição de uma professora especialista na área por outra sem conhecimento específico. Essa circunstância levou a diretora da EAN a desenvolver grandes esforços para superar o problema.

Desdobramentos para superar a crise da assistência de enfermagem na EAN/IPUB

A situação da disciplina de Enfermagem Psiquiátrica na EAN era delicada: a professora Isabel Dantas, por ela responsável desde 1957, há dois anos encontrava-se desviada de sua função, apesar da EAN possuir no seu quadro uma professora especializada em psiquiatria, que permanecia nos EUA, onde fora fazer um curso de especialização em didática aplicada à enfermagem no Teacher's College e acabou constituindo família e ficando naquele país.

Convencida de que a crise no ensino na área de psiquiatria não poderia ser resolvida pelo retorno da professora Maria Dolores, a partir de 1959, a diretora da EAN decidiu empreender esforços para contratar uma nova professora, especialista em enfermagem psiquiátrica, apesar de existirem poucas enfermeiras na época com essa especialidade no Brasil.

Destarte, recorreu a diversas solicitações da EAN ao Reitor da UB para contratação de especialistas para atuarem como professoras na EAN, sem sucesso. Diante disso, a diretora utilizou como recurso inicial colocar duas estudantes do último ano de graduação na EAN como bolsistas no IPUB para auxiliarem a professora Isabel Dantas naquele momento.

Por outro lado, a consultora americana de Enfermagem Psiquiátrica Verna Fraser, foi mediadora na solução desse problema crítico para os padrões de ensino da EAN, uma vez que havia visitado o Hospital Central do Juqueri, em São Paulo, onde a enfermeira Teresa de Jesus Sena, chefe do serviço de enfermagem, atuava de forma competente na condução da assistência. Teresa Sena tinha experiência como enfermeira e como professora de "Enfermagem Psiquiátrica", "Neurologia" e "Enfermagem Neurológica" na Escola de Enfermagem da Universidade Federal da Bahia, além de ser funcionária do Departamento de Assistência ao Psicopata (DAP) de São Paulo.21

Teresa Sena conheceu Verna Fraser no início do seu trabalho no Hospital do Juqueri e, como não falava inglês, conta em depoimento que começou a aprender a língua com Verna, já que ambas tinham muito interesse em ser entendidas. Em uma ocasião, Verna perguntou à Teresa se não gostaria de fazer um curso nos EUA caso ela conseguisse uma bolsa de estudos.22 Ao longo dos dois anos em que Verna Fraser trabalhou no Brasil, Teresa Sena foi a única enfermeira brasileira por ela indicada para ter bolsa de estudos nos EUA, para onde embarcou, em janeiro de 1958, para fazer o curso de Mestrado em Enfermagem Psiquiátrica no College of Nursing/Wayne State University- Detroit, Michigan. Também fez estágio no Saint Elizabeth's Hospital, em Washington e no Health, Education and Comfort Department, regressando em 1959.21

Em dezembro de 1959, Teresa Sena estava trabalhando como enfermeira chefe do Hospital Psiquiátrico do Juqueri e como supervisora de estágio das alunas da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), quando a diretora da EAN a procurou para fazer uma proposta. Em seu depoimento, Teresa Sena disse que não conhecia pessoalmente Waleska Paixão e que foi por telefone que recebeu seu convite para ir ao Rio de Janeiro para conversar sobre a possibilidade de lecionar enfermagem psiquiátrica na EAN.

A pressa que Waleska Paixão demonstrou ao tratar do assunto pelo telefone indicou a premência em que se encontrava em conseguir uma professora qualificada para resolver os problemas no campo de estágio e remodelar a disciplina de enfermagem psiquiátrica. Sua escolha por uma enfermeira especializada e com experiência no ensino e na assistência reflete sua intenção de melhorar tanto o ensino teórico-prático, quanto o cuidado de enfermagem psiquiátrica. Também ia ao encontro das necessidades do IPUB, que se encontrava em processo de adequação à "nova psiquiatria".

No entanto, enormes dificuldades burocráticas se apresentavam à vinda de Teresa Sena para a EAN: por um lado, a EAN, pertencente à UB, só poderia admiti-la por meio de concurso ou interinamente; por outro lado, o DAP de São Paulo se recusava a liberá-la, embora ela houvesse pedido oficialmente sua demissão e já tivesse vindo trabalhar na EAN, mesmo sem autorização, precisando retornar ao hospital em São Paulo durante cinco meses para dar supervisão.

Para tornar viável a contratação de Teresa Sena, a diretora da EAN admitiu oficialmente, perante a Reitoria, que a professora Maria Dolores Lins de Andrade não retornaria à disciplina de enfermagem psiquiátrica e pediu sua substituição. A estratégia que se mostrou eficaz no momento para a permanência de Teresa Sena na EAN acabou sendo sua contratação pela Campanha Nacional Contra a Tuberculose (CNCT), que podia contratar funcionários por um ano.

Conforme consta no oficio nº 36 de 18/01/60, em 31 de dezembro de 1959, Teresa Sena se apresentou à EAN como enfermeira cedida pelo Serviço Nacional de Tuberculose (SNT), órgão supervisor da CNCT, sendo designada para lecionar a disciplina de enfermagem psiquiátrica, em abril de 1960. Com isso, a disciplina "Enfermagem Psiquiátrica" passou a ser responsabilidade da professora Teresa Sena e as disciplinas de "Higiene Mental" e "Psiquiatria" continuaram sendo lecionadas por um médico.

O ano de 1960, foi marcado por várias tentativas da EAN para efetivar Teresa Sena em seu quadro de funcionários através de articulações com vários diretores de serviços e, principalmente, com o reitor da UB. A diretora da EAN oficia ao Reitor, comunicando a volta de Isabel Dantas para a disciplina "Enfermagem em Tisiologia", mas, ao mesmo tempo, a mantém como responsável pela disciplina "Enfermagem Psiquiátrica", embora desde janeiro de 1960, ambas as professoras [Isabel e Teresa] estivessem ministrando aulas teóricas e supervisionando o estágio das alunas no IPUB. Na oportunidade ela reitera o pedido da EAN de uma servidora especializada na matéria.

O período de crise anterior caracterizou-se como um recomeço diante da positividade na trajetória da enfermagem psiquiátrica na EAN e no IPUB, uma vez que os conhecimentos produzidos pela atuação da professora Isabel Dantas serviram de base para o trabalho posterior desenvolvido pela professora Teresa Sena. Observou-se a construção de novas proposições e desenvolvimento de descrições e verificações, que pudessem desdobrar-se em resultados e teorias.

Contudo, a professora Isabel Dantas continuou colaborando com a professora Teresa Sena, pois seu retorno à saúde pública foi gradual. Isabel deu aulas nas duas especialidades até se dedicar inteiramente a uma, mas sem perder o contato com a psiquiatria. A chegada da professora Teresa Sena realmente deu um novo alento à enfermagem do IPUB, na percepção da professora Isabel:

A Teresa acabou com o medo que as pessoas tinham, até com o meu. Eu ficava sentada, à tarde saía todo mundo e eu ficava sentada lá sozinha com os pacientes, botava eles redondo assim, cada um queria saber uma coisa, cada coisa mais bizarra, eu ia falando e eu adorava aquilo.20

Para a admissão oficial de Teresa Sena como funcionária da EAN, o empenho de Waleska Paixão era no sentido de uma nomeação interina, sendo feitos inúmeros pedidos ao reitor da UB, ao diretor de pessoal do Ministério da Educação e Cultura (MEC) e ao Presidente da Comissão de Orçamentos da UB. No conteúdo dos ofícios expedidos pela EAN a partir de setembro de 1960, com essa finalidade, se destacam as solicitações para que o reitor da UB, Pedro Calmon, obtivesse junto ao Presidente da República, Jânio Quadros, autorização para a nomeação.

Ao justificar seu pedido para o Presidente da Comissão de Orçamentos da UB, a EAN ressalta a importância da mão de obra de suas professoras e alunas nos hospitais que serviam de campo de estágio para a EAN e também para a Faculdade Nacional de Medicina (FNM), cujo ensino era em muito beneficiado por esse trabalho. A diretora cita como exemplo o Hospital São Francisco de Assis, onde a EAN se responsabilizava por 370 leitos, sendo 260 de Cadeiras da FNM, o que lhes trazia uma sobrecarga. Portanto, o apoio dado pela EAN à FNM, do qual, os catedráticos médicos se utilizavam para facilitar a obtenção de "auxílio para pesquisas e outras atividades", serviu de argumento de peso para o encaminhamento do problema.

No início de 1961, a EAN tinha apenas duas vagas a serem preenchidas, porém foram feitas quatro nomeações, de enfermeiras aprovadas no último concurso realizado. Então, a diretora da EAN verificou que entre os quatro nomes, figurava o de uma enfermeira que não constava na relação de aprovadas. Ao denunciar tal situação ao Ministro da Educação e Cultura, professor Brígido Tinoco, por meio do ofício nº 96 de 08/02/1961, ela propôs-se a negociar, pedindo solução para o grave problema que afligia a EAN:

Assim sendo, e deixando de lado, no momento, as divergências entre o número de vagas anotadas na UB para a EAN e as registradas no MEC, solicito a V. Excia. solução urgente para a nomeação interina de [...] Teresa de Jesus Sena [...].

Os documentos mostram que em 1962, Teresa Sena foi empossada como Enfermeira do Quadro Extraordinário da UB. A partir daí as disciplinas "Higiene Mental" e "Fundamentos Clínicos de Psiquiatria" passaram a ser ministradas por Teresa Sena em substituição aos professores médicos. Ao avaliar o ensino da disciplina até aquele momento, Teresa Sena o descreveu como "cinquenta anos atrasado".22

O modelo teórico-prático de enfermagem psiquiátrica, em construção na EAN, precisava de uma profissional com perfil para assumir, a chefia do serviço de enfermagem do IPUB e o ensino da disciplina de enfermagem psiquiátrica. Essa estratégia de articular assistência e ensino já vinha sendo adotada com êxito pela EAN em vários hospitais como o Hospital São Francisco de Assis, a Maternidade-Escola e o Instituto de Neurologia.

Com o ingresso de uma professora enfermeira especialista para chefiar o serviço de enfermagem do IPUB foram impostas mudanças gradativas na construção de conhecimentos teóricos, práticos e de relações de poder que resultaram em uma reforma assistencial e pedagógica no IPUB e na EAN.4

CONCLUSÃO

No Rio de Janeiro, mais especificamente na UB, a reformulação da prática da enfermagem psiquiátrica se deu a partir da presença da EAN no espaço do IPUB, proporcionando mudanças na assistência técnica-científica, em virtude de uma Lei que tornava obrigatório o estágio em psiquiatria. Primeiramente, a EAN providenciou a especialização no exterior de uma professora, mas a mesma acabou saindo da disciplina, sendo substituída por outra professora da área de saúde pública, quando se considera que o ensino de enfermagem psiquiátrica entrou em crise.

Diante disso, a EAN envidou esforços para a contratação de uma professora especialista para a EAN, visando acabar com a crise que se instalara no ensino de enfermagem psiquiátrica e adequar os campos de estágio para atender a legislação de ensino vigente, o que impulsionou o surgimento de um novo discurso da enfermagem psiquiátrica a partir de um saber especializado.

Assim, estudar as estratégias implementadas para promover adequações no ensino de enfermagem psiquiátrica na EAN e no IPUB, permitiu desvelar aspectos do desenvolvimento do ensino e da assistência aos doentes mentais, que sofreu influência das políticas de ensino no Brasil e da ABEn, que refletiram diretamente na formação do profissional de enfermagem.

REFERÊNCIAS

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