Instrumentos que avaliam a independência funcional em crianças com paralisia cerebral: uma revisão sistemática de estudos observacionais

Instrumentos que avaliam a independência funcional em crianças com paralisia cerebral: uma revisão sistemática de estudos observacionais

Autores:

Patrícia Domingos dos Santos,
Franciele Cascaes da Silva,
Elizandra Gonçalves Ferreira,
Rodrigo da Rosa Iop,
Gisele Graziele Bento,
Rudney da Silva

ARTIGO ORIGINAL

Fisioterapia e Pesquisa

versão On-line ISSN 2316-9117

Fisioter. Pesqui. vol.23 no.3 São Paulo jul./set. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1809-2950/15260723032016

RESUMEN

En este texto se pretende llevar a cabo una revisión sistemática de instrumentos que evalúan la independencia funcional de niños con parálisis cerebral. Se emplearon las bases de datos electrónicas MEDLINE/PubMed, Scopus y Web of Science en las búsquedas. En esta revisión se incluyeron estudios observacionales de los últimos cinco años, con texto completo y disponible, sin restricción de idioma. De los 222 textos encontrados, 63 fueron evaluados y 24 incluidos. Los principales instrumentos encontrados fueron: PEDI, WeeFIM, ASK, PODCI, VABS-II, LIFE-H y CAPE/PAC.

Palabras clave: Parálisis Cerebral; Niño; Evaluación de la Discapacidad; Revisión

INTRODUÇÃO

A paralisia cerebral (PC) consiste numa lesão de caráter não progressivo que acomete o sistema nervoso central imaturo e em desenvolvimento, ocasionando déficits posturais, disfunções motoras, alterações cognitivas e na execução dos movimentos1)- (3. O conjunto de desordens presentes na criança com PC pode limitar seu desempenho nas atividades funcionais e afetar a realização de suas atividades de vida diária, como alimentação, vestuário, locomoção, higiene pessoal e participação social1), (4), (5.

A avaliação funcional da criança com PC deve ser individualizada e realizada por uma equipe multidisciplinar. O objetivo dessas avaliações é coletar o máximo de informações da atividade funcional da criança e, assim, facilitar a determinação dos objetivos do tratamento6. As avaliações da funcionalidade são divididas em dois grupos: avaliação da estrutura e função corporal (sistema musculoesquelético, mobilidade, locomoção); e avaliação das atividades (habilidades de vida diária: alimentação, vestuário, higiene) e participação (socialização, vida em comunidade), conforme consenso da Organização Mundial de Saúde (OMS) e Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) (6)- (8.

A escolha e o emprego dos instrumentos, que avaliam a funcionalidade, dependem dos objetivos terapêuticos e das metas a serem alcançadas; portanto, o conhecimento dos instrumentos favorece o delineamento do quadro das estratégias terapêuticas6. Diante do exposto, o objetivo desta revisão sistemática foi identificar os instrumentos que avaliam a independência funcional de crianças com paralisia cerebral mediante estudos observacionais.

METODOLOGIA

Esta revisão sistemática foi realizada no período entre setembro e outubro de 2014. Os estudos foram buscados nas bases de dados MEDLINE/PubMed (Medical Literature Analysis and Retrieval System Online), Web of Science e Scopus. Os descritores utilizados para a busca, segundo o Medical Subject Headings (MeSH)/PubMed, estão listados na Tabela 1. Além dos termos MeSH foram usadas palavras-chave encontradas nos artigos previamente obtidos.

Tabela 1 Descritores utilizados na busca segundo o Medical Subject Headings (MeSH)/Pubmed 

Principais temas Descritores utilizados
Instrumentos de avaliação "Patient Outcome Assessment"[Mesh] OR "Assessment, Patient Outcome" OR "Outcome Assessment, Patient" OR "Assessments, Patient Outcome" OR "Outcome Assessments, Patient" OR "Patient Outcome Assessments" OR "Assessment, Patient Outcomes" OR "Patient Outcomes Assessment" OR "Outcomes Assessments, Patient" OR "Disability Evaluation"[Mesh] OR "Disability Evaluations" OR "Evaluation, Disability" OR "Evaluations, Disability" OR "Outcome Assessment (Health Care)"[Mesh] OR "Assessment, Outcomes" OR "Assessments, Outcomes" OR "Outcomes Assessments" OR "Instruments" OR "Inventory" OR "Questionnaires"[Mesh] OR "Evaluation instruments" OR "functional outcome" OR "Scales" OR "Form"
Independência funcional "Disability Evaluation"[Mesh] OR "Disability Evaluations" OR "Evaluation, Disability" OR "Evaluations, Disability" OR" Functional independence" OR "Functional Independence Measure" OR "Functional Assessment" OR "Disability measures" OR "Functional status measures" OR "Performance evaluation" OR "Disability evaluation" OR "Functional capacity" OR "Functional performance"
Paralisia cerebral "Cerebral Palsy"[Mesh] OR "CP (Cerebral Palsy)"
Crianças "Children" OR "Child" OR "Preschool" OR "Disabled children"
Tipo de estudo "Epidemiologic studies" OR "Exp case control studies" OR "Exp cohort studies" OR "Case control" OR "Cohort adj" (study or studies) OR "Cohort analys" OR "Follow up adj" (study or studies) OR "Observational adj" (study or studies) OR "Longitudinal" OR "Retrospective" OR "Cross sectional" OR "Cross-sectional studies"

Os critérios de inclusão foram os seguintes: estudos observacionais (transversais, de coorte e caso controle), publicados nos últimos cinco anos, com texto completo disponível, que avaliaram funcionalidade e que tiveram como amostra crianças com paralisia cerebral de ambos os sexos. Foram excluídos os artigos que avaliaram outras populações (adolescentes, adultos e idosos) ou crianças com outros tipos de deficiência; estudos semiexperimentais ou experimentais; artigos que não avaliaram a funcionalidade ou que usaram instrumentos que não atendiam os domínios principais da independência funcional (mobilidade, autocuidado e participação); e os estudos em duplicata, como mostra Figura 1.

Figura 1 Fluxograma dos estudos incluídos na revisão 

A busca foi realizada por três revisores independentes, que fizeram primeiramente a leitura dos títulos, na sequência, a leitura dos resumos e finalmente, dos artigos na íntegra. Nos casos de divergências dos artigos selecionados, foram repetidos os procedimentos por diferentes revisores até que fossem corrigidas as discrepâncias.

Após a seleção de 24 artigos para análise qualitativa e quantitativa, as informações coletadas foram as seguintes: autor(res) e ano de publicação, local do estudo, tipo de estudo, objetivo do estudo e tempo de acompanhamento, número amostral, média de idade, gênero dos participantes, instrumento usado para classificar a gravidade da paralisia cerebral, classificação do nível funcional da PC e instrumento utilizado para avaliar a independência funcional das crianças, e os aspectos relacionados à escolha do instrumento como mostra a Tabela 2.

Tabela 2 Instrumentos utilizados para avaliar a independência funcional de crianças com PC 

Autor/ano Local/ Tipo de Estudo Objetivos do estudo Média de idade e desvio-padrão (anos) Amostra (n) Sexo (n) Classificação da gravidade da PC Nível de classificação n(%) Instrumento utilizado Justificativa da escolha do instrumento
HOLSBEEKE et al. (2009)9 Holanda / Transversal Examinar a relação entre a capacidade motora (o que a criança pode fazer em um ambiente padronizado e controlado e o que pode fazer em seu ambiente diário), e entre desempenho motor de crianças com PC. 1,5 (±NI)*** n=85 Masc=47 Fem=38 GMFCS I=27(32,0) II=10(12,0) III=23(27,0) IV=17(20,0) V=8(9,0) PEDI O PEDI apresenta boas propriedades psicométricas.
GUNEL et al. (2009)10 Turquia / Transversal Investigar a relação entre os sistemas de classificação funcional: MACS (Manual Ability Classification System), GMFCS (Motor Function Classification System) e WeeFim em crianças com PC espástica. 7,0 (±NI)*** n=185 Masc=101 Fem=84 GMFCS I=64(34,5) II=27(14,5) III=38(20,5) IV=35(18,9) V=21(11,6) WeeFIM É um dos métodos mais utilizados para a avaliação funcional pediátrica; estudos têm demonstrado sua confiabilidade e validade, tanto para crianças com deficiência quanto para crianças saudáveis.
SMITS et al. (2010)11 Holanda / Coorte Examinar a relação entre a capacidade motora grossa e mobilidade diáriaem crianças com PC; e explorar a moderação desta relação com a gravidade da PC. 6,2 (±1,0) n=116 Masc=76 Fem=40 GMFCS I=56(48,0) II=20(17,0) III=17(15,0) IV=9(8,0) V=14(12) PEDI A versão holandesa do PEDI foi usada por apresentar boas propriedades psicométricas.
MEESTER- DELVER et al. (2009)12 Holanda / Transversal Validar o CAP e verificar a associação entre os domínios do CAP e do PEDI (Assistência do cuidador), assim como a contribuição independente de cada domínio do CAP ao PEDI (Habilidades Funcionais) 2,6 (±NI)*** n=72 Masc=56 Fem=16 GMFCS I=24(33,3) II=8(11,1) III=18(25,0) IV=14(19,5) V=8(11,1) PEDI O CAP classifica as necessidades de cuidados adicionais das crianças.
HALEY et al. (2009)13 Canadá e Estados Unidos / Transversal Examinar as propriedades psicométricas de um novo banco de dados e simular um teste adaptado para avaliar habilidades em crianças com PC. 10,7 (±4,0) n=308 Masc=169 Fem=139 GMFCS I=75(24,3) II=91(29,6) III=79(25,6) IV=37(12,0) V=26(8,5) PODCI WeeFIM O PODCI é comumente usado em ambientes clínicos e em pesquisas para medir a habilidades em crianças com PC. O WeeFim é uma medida padrão usada em muitos hospitais e seus escores incluem uma pontuação da função motora.
MOREAU et al. (2010)14 Estados Unidos / Caso Controle Desenvolver um modelo de regressão preditivo de torque máximo do extensor do joelho; e quantificar as relações entre os parâmetros estruturais musculares e medidas de atividade e participação em crianças e adolescentes com e sem PC. 12,0 (±3,2) 12,3 (±3,9) n=18 PC* 12 DT** Masc=9PC Fem=9 PC Masc=2DT Fem=10DT GMFCS I=4(22,2) II=2(11,1) III=9(50,0) IV=3(16,6) V=0(0,0) PODCI ASKp O PODCI tem sido amplamente administrado em crianças com PC, tem alta consistência interna, boa confiabilidade teste-reteste, excelente validade concorrente com o GMFCS e é sensível a alterações após cirurgias ortopédicas. O ASKp é capaz de discriminar entre os níveis do GMFCS em indivíduos com PC em todos os subdomínios; tem excelente confiabilidade teste-reteste e boa validade (conteúdo, concorrente e de constructo) em crianças com distúrbios musculoesqueléticos.
ÖHRVALL et al. (2010)15 Suécia / Transversal Investigar a aquisição de habilidades de autocuidado e mobilidade em crianças com PC em relação à sua capacidade manual e função motora grossa. 8,1 (±3,9) n=195 Masc=122 Fem=73 GMFCS I=90(46,0) II=32(16,0) III=29(15,0) IV=21(11,0) V=23(12,0) PEDI Não informado.
PARKES; McGULLOUGH; MADDEN (2010)16 Irlanda do Norte (UK) / Transversal Descrever a participação de crianças com PC em situações da vida diária; investigar a relação entre a participação das crianças com características paternas; comparar a frequência de participação de crianças com PC com crianças sem deficiência. 9,81 (±NI)*** n=102 Masc=63 Fem=39 GMFCS I=17(17,0) II=32(31,0) III=17(17,0) IV=14(14,0) V=22(22,0) LIFE-H O LIFE-H já foi usado anteriormente em populações com PC, é validado e mostra evidências de confiabilidade satisfatória.
KERR et al. (2011)17 Irlanda / Longitudinal Prospectivo Descrever a relação da idade com a eficiência energética durante a marcha, atividade e participação em crianças com PC. 10,8 (±3,6) n=184 Masc=112 Fem=72 GMFCS I=57(31,0) II=91(49,5) III=22(12) IV=14(7,5) V=0(0,0) PEDI O PEDI foi desenvolvido para avaliar a funcionalidade de crianças com idades entre 6 meses a 7 anos de idade, mas pode ser utilizado em crianças mais velhas, desde que apresentem habilidades funcionais inferiores a esperada de crianças com desenvolvimento típico com idade entre 7 anos e 6 meses.
TSENG et al. (2011)18 Taiwan / Transversal Identificar os determinantes da função diária em uma amostra de crianças com PC. 8,2 (±3,4) n=216 Masc=124 Fem=92 GMFCS I=44(20,4) II=51(23,6) III=52(24,1) IV=30(13,9) V=39(18,1) PEDI Quando usado em crianças com PC, o PEDI mostra excelente consistência interna, confiabilidade teste-reteste, validade concorrente, e validade discriminativa.
KIM; PARK (2011)19 Coreia / Transversal Examinar a relação causal entre a espasticidade, fraqueza, função motora grossa, e resultado funcional em crianças com PC e modelos testados de medidas funcionais mediada pela função motora grossa. 10,3 (±1,7) n=81 Masc=50 Fem=31 GMFCS I=14(17,3) II=9(11,1) III=13(16,0) IV=5(6,2) V=40(49,4) PEDI Não informado.
MOREAU; FALVO; DAMIANO (2012)20 Estados Unidos / Caso Controle Examinar a taxa de desenvolvimento de força e as características de impulso dos extensores do joelho em crianças com PC e aquelas com desenvolvimento típico e determinar quais os parâmetros musculares preditivos da força e impulso. 11,9 (±2,9) G911,3 (±3,0) n=12 PC* 11 DT** Masc=NI*** Fem=NI*** GMFCS I=4(33,3) II=2(16,7) III=6(50,0) IV=0(0,0) V=0(0,0) PODCI ASKp O PODCI mede a função física autorreferida e aspectos psicossociais do estado de saúde em crianças com deficiência musculoesquelética. O ASK também é uma medida de autorrelato da criança, confiável, válido e responsivo à deficiência física.
RAMSTAD et al. (2012)21 Noruega / Transversal Explorar a contribuição da dor musculoesquelética recorrente e da saúde mental para os elementos da participação em crianças com PC. 14,0 (±3,0) n=105 Masc=54 Fem=51 GMFCS I=35(33,0) II=42(40,0) III=16(15,0) IV e V=12(11,0) LIFE-H O LIFE-H tem mostrado boa discriminação entre níveis de participação; e a versão para crianças tem sido validada em crianças com várias deficiências, incluindo a PC, com resultados de moderados a excelentes.
CAMARGOS et al. (2012)22 Brasil / Transversal Avaliar a relação entre independência funcional e qualidade de vida de crianças com PC. 7,7 (±2,3) n=30 Masc=21 Fem=09 GMFCS I=9(30,0) II=6(20,0) III=2(6,7) IV=2(6,7) V=11(36,6) PEDI Não informado.
VOS et al. (2013)23 Holanda / Longitudinal Prospectivo Descrever as trajetórias de desenvolvimento da mobilidade e desempenho nas atividades de vida diária em crianças e jovens com PC; e explorar a influência da função motora grossa e deficiência intelectual sobre estas trajetórias. NI (±NI)*** Idade variou entre 1 e 16 anos n=424 Masc=NI*** Fem=NI*** GMFCS I=212(50,0) II=55(13,0) III=60(14,0) IV=55(13,0) V=42(10,0) VABS O VABS é um instrumento confiável e validado.
BJORNSON et al. (2013)24 Estados Unidos / Longitudinal Prospectivo Examinar a hipótese de que a influência da capacidade de exercício físico sobre a participação é mediada por meio do desempenho de atividade. 6,2 (±2,3) n=128 Masc=76 Fem=52 GMFCS I=44(35,0) II=54(42,0) III=30(23,0) IV=0(0,0) V=0(0,0) LIFE-H ASKp CAPE/CAP O LIFE-H e o CAPE/CAP foram escolhidos porque foram desenvolvidos a partir de diferentes modelos teóricos, foram validados com diferentes metodologias e medem a participação sob perspectivas complementares. O ASKp é uma medida autorreferida ou relatada por pais destinado a crianças entre 5 e 15 anos.
PARK; KIM (2013)25 Coreia / Transversal Confirmar o constructo do comprometimento motor e realizar um modelo de equações estruturais entre comprometimento motor, função motora grossa, e os resultados funcionais sobre as atividades de vida diária em crianças com PC. 11,4 (±1,75) n=98 Masc=59 Fem=39 GMFCS I=16(16,3) II=10(10,2) III=15(15,3) IV=6(6,1) V=51(52,0) PEDI Não informado.
ELAD et al. (2013)26 Israel / Transversal Investigar a concordância entre os profissionais de saúde e mães em relação à capacidade e desempenho de crianças com PC, e o impacto da gravidade da PC nesta concordância. 8,8 (±2,1) n=73 Masc=40 Fem=33 GMFCS I=6(8,2) II=26(35,6) III=15(20,5) IV=16(21,9) V=10(13,7) PEDI O PEDI é uma medida amplamente utilizada e bem vista na pesquisa em PC e em ambientes clínicos; e é considerado válido e confiável em crianças com PC com idades entre 6 e 12 anos.
KWON et al. (2013)27 Coreia / Transversal Investigar a relação entre a função motora grossa e habilidade funcional diária em crianças com PC e explorar como esta relação é moderada pelo GMFCS, BFMF (Bimanual Fine Motor Function), tipos neuromotores e acometimento dos membros na PC. 5,9 (±1,5) n=112 Masc=64 Fem=48 GMFCS I=32(28,6) II=31(27,7) III=28(25,0) IV=16(14,3) V=5(4,5) PEDI Avalia as habilidades funcionais diárias em crianças com PC para fins clínicos e experimentais.
ASSIS-MADEIRA; CARVALHO; BLASCOVI-ASSIS (2013)28 Brasil / Transversal Investigar a influência do nível socioeconômico sobre o desempenho funcional de crianças com PC. 5,13 (±1,4) n=49 Masc=24 Fem=25 GMFCS I e II=16(32,6) III=17(34,7) IV e V=16(32,6) PEDI Não informado.
BULT et al. (2012)29 Holanda / Longitudinal Determinar qual criança, família e variáveis ambientais medidas na idade de 2 anos de idade preveem a participação no lazer, em atividades formais e informais de crianças em idade escolar e com PC. 2,6 (±1,0) n=46 Masc=26 Fem=20 GMFCS I=14(30,0) II=3 (7,0) III=13(28,0) IV=11(24,0) V=5(11,0) CAPE/PAC VABS PEDI Não informado.
BJORNSON et al. (2014)30 Estados Unidos / Coorte Examinar a relação entre o desempenho na marcha e participação na mobilidade relacionada aos hábitos de vida diária em crianças PC. 6,2 (±2,3) n=128 Masc=76 Fem=52 GMFCS I=44(35,0) II=54(42,0) III=30(23,0) IV=0(0,0) V=0(0,0) LIFE-H Não informado.
SMITS et al. (2014)31 Holanda / Longitudinal Prospectivo Investigar as relações entre mudanças na capacidade motora (o que faz no ambiente padronizado e o que é capaz de fazer no ambiente diário), e desempenho motor em crianças com PC. 6,6 (±3,9) n=321 Masc=200 Fem=121 GMFCS I=135(42,0) II=48(15,0) III=54(17,0) IV=42(13,0) V=42(13,0) PEDI O PEDI identifica mudanças na capacidade motora e no desempenho motor de crianças com PC.
KETELAAR et al. (2014)32 Holanda / Coorte Descrever o desenvolvimento da capacidade de mobilidade e de autocuidado em crianças com PC e analisar se o desenvolvimento dessas capacidades difere pelo grau de gravidade da PC. NI*** (±NI)*** Idade variou de 1 a 4 anos n=92 Masc=54 Fem=38 GMFCS I=28(30,4) II=12(13,0) III=23(25,0) IV=20(21,7) V=09(9,8) PEDI O PEDI é um instrumento padronizado que utiliza o relato dos pais por meio de uma entrevista estruturada.

RESULTADOS

No total, foram identificados sete instrumentos que buscaram avaliar a independência funcional das crianças com paralisia cerebral. Como pôde ser visto na Tabela 2, o instrumento mais utilizado foi o PEDI (15 estudos), seguido pelo LIFE-H (4 estudos), ASK e PODCI (cada um utilizado em três estudos) e WeeFIM, VABS-II e CAPE/PAC (cada um utilizado em dois estudos). Alguns estudos aplicaram mais de um instrumento para avaliar a funcionalidade das crianças. Esses instrumentos avaliaram diferentes domínios para buscar caracterizar a independência funcional, como mostra a Tabela 3.

Tabela 3 Domínios avaliados pelos instrumentos 

Instrumento de avaliação Número de domínios avaliados Domínios avaliados
PEDI 3 Autocuidado, mobilidade e função social.
WeeFIM 3 Autocuidado, mobilidade e cognição.
ASK 9 Autocuidado, capacidade de se vestir, alimentação (comer e beber), locomoção, brincadeiras, habilidades em pé, transferências, uso de escadas e outras tarefas.
PODCI 5 Extremidade superior e função física; transferências e mobilidade; esportes e atividade física; dor e conforto; expectativa do tratamento, felicidade e satisfação com os sintomas.
VABS 5 Comunicação, habilidades de vida diária (autocuidado, alimentação e higiene pessoal), socialização, habilidades motoras e comportamentos não adaptativos.
LIFE-H 12 Nutrição, autocuidado, aptidão física, comunicação, atividades domésticas, mobilidade, responsabilidade, relações interpessoais, vida na comunidade, educação, trabalho e recreação.
CAPE/PAC 5 Atividade física, recreação, atividades sociais, autocuidado e habilidades.

* Paralisia cerebral ** Desenvolvimento típico ***Não informado, a idade foi transformada em anos

O Gross Motor Function Classification System (GMFCS) foi o instrumento usado por todos os estudos desta revisão para classificar o grau de gravidade da PC. Foi a escala mais empregada na classificação desse tipo de gravidade pelos instrumentos que avaliaram a funcionalidade. Este consiste numa escala que utiliza a locomoção da criança para avaliação, classificando a criança em cinco níveis de desempenho motor6.

O Pediatric Evaluation of Disability Inventory (PEDI) é um instrumento padronizado que utiliza informações fornecidas pelos pais ou responsáveis pela criança (de 6 meses e 7 anos e meio) na forma de uma entrevista estruturada. Os itens do questionário são agrupados em três domínios: autocuidado, mobilidade e função social, e para cada domínio são calculados três escores independentes: (1) nível de habilidade funcional; (2) ajuda de um cuidador e (3) modificações22.

Já o Pediatric Functional Independence Measure (WeeFIM) foi desenvolvido para medir a independência funcional de crianças com inaptidões. É um questionário preenchido pelas respostas dadas pelos pais/responsáveis, podendo ser também realizado por meio de observações da criança33. O WeeFIM foi elaborado para medir a necessidade de auxílio e a gravidade da inaptidão em crianças com idades entre 6 meses e 7 anos. Esse instrumento mensura o nível de independência no autocuidado, no controle esfincteriano, na locomoção, na mobilidade, na comunicação e na função social34.

O Activities Scale for Kids (ASK) é um instrumento que avalia e monitora alterações funcionais em crianças de 5 a 15 anos com limitações físicas, devido a desordens musculoesqueléticas. É um questionário autoadministrado, podendo ser respondido por pais ou cuidadores quando a criança não é capaz. O instrumento possui trinta itens, agrupados em nove domínios: autocuidado, ato de vestir-se, comer e beber, outras habilidades, locomoção, brincadeiras, habilidades em pé, transferências e uso de escadas35),(36.

Já o Pediatric Outcomes Data Collection Instrument (PODCI) avalia a saúde geral, dor e participação nas atividades de vida diária. É usado em crianças entre 2 e 18 anos com problemas gerais de saúde. É composto por 108 itens, agrupados em domínios: extremidade superior e função física, transferências e mobilidade, esportes e atividade física, dor e conforto, expectativas do tratamento, felicidade e satisfação com os sintomas35), (36.

O Vineland Adaptive Behavior Scale (VABS) foi desenvolvido para avaliar comportamentos adaptativos de indivíduos do nascimento aos 90 anos de idade. Possui cinco domínios (com dois ou três subdomínios cada): comunicação, habilidades de vida diária (autocuidado, higiene pessoal, alimentação), socialização, habilidades motoras e comportamentos não adaptativos (indesejáveis) (37. É usado para avaliar a funcionalidade na vida cotidiana, para medir déficits no comportamento adaptativo, complementar diagnósticos de transtorno do espectro autista, distúrbios emocionais e comportamentais, e atrasos no desenvolvimento37.

Desenvolvido para adultos e crianças, o Assessment of Life Habits (LIFE-H) busca avaliar hábitos de vida e situações desvantajosas, que são conceitos relacionados à participação social. O instrumento inclui 12 categorias: nutrição, autocuidado, aptidão física, comunicação, atividades domésticas, mobilidade, responsabilidades, relações interpessoais, vida na comunidade, educação, trabalho e recreação38.

O Children Assessment of Participation and Enjoyment (CAPE) e o Preferences for Activities in Children (PAC) são instrumentos desenvolvidos juntos para avaliar a natureza da participação e para avaliar a eficácia de intervenções destinadas a aumentar essa participação (social e na comunidade). São usados em crianças a partir dos 6 anos, e podem ser empregados até os 21 anos de idade39. Podem ser autoadministrados ou em forma de entrevista. O CAPE/PAC inclui 55 atividades formais e informais, que são organizadas em cinco categorias: atividade física, recreação, atividades sociais, autocuidado e habilidades39.

DISCUSSÃO

Nos estudos analisados foram encontrados sete instrumentos que se propõem a avaliar a independência funcional das crianças com PC. Esses instrumentos buscaram avaliar o grau de independência, mobilidade, comprometimento, participação social, desempenho nas atividades de vida diária (AVD) e saúde geral. São instrumentos bastante usados e difundidos no meio clínico e acadêmico. Alguns são empregados exclusivamente em crianças, outros em crianças com ou sem deficiências e alguns avaliam a funcionalidade de adultos e idosos. Os instrumentos encontrados nesta revisão buscaram avaliar as crianças com PC com os mais diversos objetivos: complementar diagnósticos clínicos, auxiliar nas estratégias de intervenções (médicas, fisioterapêuticas, de terapia ocupacional, pedagógicas, entre outras), ampliar pesquisas acadêmicas e validar novos instrumentos (validade concorrente).

Atualmente a funcionalidade é considerada como um componente de saúde, e os instrumentos utilizados para avaliar crianças com PC devem ser capazes de descrever detalhadamente o desenvolvimento delas, quantificar a função e permitir a análise objetiva de sua evolução. Crianças com PC devem ter seu desenvolvimento acompanhado, e a utilização desses instrumentos facilita o encaminhamento de estratégias, intervenções e tratamentos, bem como verifica a eficácia destes40.

Os instrumentos que procuram avaliar a funcionalidade se baseiam na CIF buscando priorizar a funcionalidade como componente da saúde e o ambiente como facilitador ou barreira para o desempenho das ações e tarefas do dia a dia. Portanto, esses instrumentos buscam avaliar a "estrutura do corpo" (partes anatômicas como o sistema musculoesquelético), "função do corpo" (funções fisiológicas e psicológicas: digestão, crescimento, comportamento e memória), "atividades" (comunicação, vestuário, leitura e resolução de problemas) e "participação" (envolvimento na família e na vida em comunidade) (6), (40.

O PEDI é um instrumento bastante difundido e um dos mais empregados para mensurar a funcionalidade da criança com incapacidades. Ele examina a função motora e de autocuidado, bem como a participação da criança na sua dimensão social. O PEDI, portanto, reflete muito mais de perto os domínios de atividade e participação da CIF que outros instrumentos. Sua relevância clínica é ainda apoiada pela evidência de que as habilidades motoras não são necessariamente representativas de todas as melhoras funcionais seguida por intervenções terapêuticas22), (41), (42. No Brasil, o PEDI foi validado no ano 2000, e desde então é um instrumento que vem sendo bastante utilizado na prática clínica e conta com vários trabalhos publicados no país, o que dá suporte a seu emprego. Apresenta evidências de boa utilidade clínica e por abranger uma ampla faixa etária, torna-se útil no planejamento de programas voltados para melhoria do desempenho funcional de crianças43.

O PEDI, o WeeFIM e o PODCI são questionários genéricos que medem o efeito de uma condição sobre a funcionalidade de um indivíduo, sua saúde e/ou autocuidado em uma variedade de ambientes41. Esses instrumentos são muito aplicados nas pesquisas com crianças e são amplamente aceitos. O WeeFIM é pouco utilizado no Brasil, e isso se deve ao fato de ainda não ter sido validado em português brasileiro6.

Por ser um instrumento multidisciplinar, o PODCI pode ser aplicado por profissionais de diversas áreas de pesquisa. É considerado um instrumento sensível para detectar mudanças nas condições de saúde e é abrangente, pois pode ser usado para avaliar crianças, adolescentes e cuidadores. É amplamente empregado em pacientes pediátricos e em uma variedade de condições, como asma, apneia do sono, doenças neuromusculares e musculoesqueléticas44. Os instrumentos LIFE-H e ASK, no estudo de Andrade45, foram uns dos selecionados como estando entre os instrumentos que atendem a maioria dos critérios da avaliação da CIF. O VABS é o instrumento mais utilizado para a avaliação da adaptação social no Brasil46.

A criança com PC deve ser avaliada em diversos ambientes (escola, em casa, clínicas, parques, momentos de lazer) e não apenas em ambientes controlados, como fazem muitos instrumentos. Assim, determinados instrumentos são mais adequados que outros e alguns se complementam. O essencial é saber qual instrumento é o mais adequado à situação, para a criança e para atender o objetivo da avaliação e/ou tratamento.

O movimento é fundamental para a independência do ser humano. É por meio do movimento que o homem explora o meio em que vive. A criança com PC deve ser estimulada, pois a melhora de sua capacidade motora significa a aquisição de sua independência e capacidade de adaptar-se à sociedade. Avaliar o impacto funcional da incapacidade motora é fundamental na avaliação de crianças com PC, pois a capacidade funcional está relacionada à saúde delas e é um dos fatores determinantes de sua qualidade de vida40. A importância da independência na rotina diária para o desenvolvimento integral da criança com PC é fundamental, pois à medida que a criança vai adquirindo autonomia na execução de tarefas simples, ela vai se tornando menos dependente, o que facilita e possibilita sua inserção na vida em sociedade.

CONCLUSÃO

Atualmente existe uma grande variedade de instrumentos desenvolvidos para avaliar crianças com e sem deficiências. Alguns foram desenvolvidos exclusivamente para crianças com paralisia cerebral, mas que já estão difundidos e são empregados em outras patologias. Esta revisão procurou encontrar instrumentos usados na avaliação da independência funcional de crianças com PC e o mais encontrado foi o PEDI que, segundo a literatura, é um instrumento que segue a maioria das recomendações da OMS e da CIF, assim, é confiável, sensível, amplamente disseminado e utilizado. Alguns dos instrumentos encontrados não são usados exclusivamente em crianças, o que poderia explicar sua menor utilização nos estudos.

REFERÊNCIAS

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