Insuficiência Cardíaca no Brasil Subdesenvolvido: Análise de Tendência de Dez Anos

Insuficiência Cardíaca no Brasil Subdesenvolvido: Análise de Tendência de Dez Anos

Autores:

Amanda D. F. Fernandes,
Gilson C. Fernandes,
Manuel Rivera Mazza,
Leonardo M. Knijnik,
Gustavo Soares Fernandes,
Andre Telis de Vilela,
Amit Badiye,
Sandra V. Chaparro

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.114 no.2 São Paulo fev. 2020 Epub 20-Mar-2020

https://doi.org/10.36660/abc.20180321

Resumo

Fundamento:

Dados sobre a epidemiologia da insuficiência cardíaca (IC) em áreas pouco desenvolvidas são escassos.

Objetivos:

Nosso objetivo foi determinar a morbidade e a mortalidade por IC na Paraíba e no Brasil, e sua tendência em dez anos.

Métodos:

Realizou-se uma busca retrospectiva de 2008 a 2017 utilizando-se o banco de dados do DATASUS incluindo pacientes com idade ≥ 15 anos, com diagnóstico primário de IC. Os dados da morbimortalidade por IC foram coletados e estratificados por ano, sexo e idade. Foram realizados correlação de Pearson e teste para tendências de Mantel-Haenzsel. Um nível de 5% foi definido como estatisticamente significativo.

Resultados:

De 2008 a 2017, as internações por IC diminuíram 62% (p = 0,004) na Paraíba, e 34% (p = 0,004) no Brasil. A taxa de mortalidade hospitalar aumentou na Paraíba e no Brasil [65,1% (p = 0,006) e 30,1% (p = 0,003), respectivamente], mas a mortalidade hospitalar em números absolutos apresentou uma diminuição significativa somente na Paraíba [37,5% (p = 0,013)], o que foi mantido após a estratificação por idade, exceto para os grupos 15-19, 60-69 e > 80 anos. Observou-se um aumento no período de internação [44% (p = 0,004) na Paraíba e 12,3% (p = 0,004) no Brasil]. De 2008 a 2015, a taxa de mortalidade por IC na população diminuiu 10,7% na Paraíba (p = 0,047) e 7,7% (p = 0,017) no Brasil.

Conclusões:

Apesar de a taxa de mortalidade por IC estar diminuindo na Paraíba e no Brasil, observou-se um aumento na taxa de mortalidade hospitalar e na duração da internação por IC. Devem ser realizados estudos clínicos em hospitais para serem identificadas as causas dessa tendência de aumento.

Palavras-chave: Insuficiência Cardíaca/fisiopatologia; Insuficiência Cardíaca/mortalidade; Insuficiência Cardíaca/epidemiologia; Comorbidade; Insuficiência Cardíaca/tendências; Hospitalização

Abstract

Background:

Data on heart failure (HF) epidemiology in less developed areas of Brazil are scarce.

Objective:

Our aim was to determine the HF morbidity and mortality in Paraiba and Brazil and its 10-year trends.

Methods:

A retrospective search was conducted from 2008 to 2017 using the DATASUS database and included patients ≥ 15 years old with a primary diagnosis of HF. Data on in-hospital and population morbidity and mortality were collected and stratified by year, gender and age. Pearson correlation and linear-by-linear association test for trends were calculated, with a level of significance of 5%.

Results:

From 2008 to 2017, HF admissions decreased 62% (p = 0.004) in Paraiba and 34% (p = 0.004) in Brazil. The in-hospital mortality rate increased in Paraiba and Brazil [65.1% (p = 0.006) and 30.1% (p = 0.003), respectively], but the absolute in-hospital mortality had a significant decrease only in Paraiba [37.5% (p = 0.013)], which was maintained after age stratification, except for groups 15-19, 60-69 and > 80 years. It was observed an increase in the hospital stay [44% (p = 0.004) in Paraiba and 12.3% (p = 0.004) in Brazil]. From 2008 to 2015, mortality rate for HF in the population decreased 10.7% (p = 0.047) in Paraiba and 7.7% (p = 0.017) in Brazil.

Conclusions:

Although HF mortality rate has been decreasing in Paraiba and Brazil, an increase in the in-hospital mortality rate and length of stay for HF has been observed. Hospital-based clinical studies should be performed to identify the causes for these trends of increase.

Keywords: Heart Failure/physiopathology; Heart Failure/mortality; Heart Failure/epidemiology; Comorbidity; Heart Failure/trends; Hospitalization

Introdução

A insuficiência cardíaca (IC) é a principal causa de internações hospitalares nos Estados Unidos em pacientes com idade superior a 65 anos,1,2 e afeta 26 milhões de pessoas em todo o mundo segundo estimativas.3 Sua prevalência tem aumentado rapidamente devido ao envelhecimento da população.1,4 Uma maior expectativa de vida tem sido atingida graças à adesão ao tratamento medicamentoso, ao uso de dispositivos de assistência ventricular (DAV) e a um aumento no número de transplantes cardíacos.1

A Paraíba é um dos nove estados na região nordeste do Brasil e teve uma população estimada de 4 025 558 habitantes em 2017, o que corresponde ao 13º estado em população entre os 27 estados do país. O produto interno bruto per capita da Paraíba foi de 3 594,94 dólares americanos em 2010, correspondendo ao quarto estado mais pobre do país, e o índice de desenvolvimento humano em 2014 foi de 0,701, o sexto mais baixo do país.5,6 Dados sobre a epidemiologia da IC em países subdesenvolvidos são ainda limitados e baseados principalmente em coortes de pacientes hospitalizados ou ensaios clínicos.2 Não existem, no Brasil, dados sobre a epidemiologia da IC na Paraíba, e existem poucos estudos que relatem os números da IC na região nordeste do Brasil.7,8

Um melhor entendimento da epidemiologia da IC em áreas subdesenvolvidas do Brasil, tal como a Paraíba, por meio de estudos populacionais, poderia levar a um planejamento em saúde mais efetivo e adequado. O objetivo deste estudo foi descrever e realizar uma análise de tendência de 10 anos da morbidade e da mortalidade da IC no estado da Paraíba e no Brasil.

Métodos

Modelo do estudo

Trata-se de um estudo populacional de análise de série temporal utilizando o Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS), disponível no banco de dados do DATASUS (Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde - SUS).6 O DATASUS é responsável pela administração de todas as informações sobre saúde e finanças declaradas por todos os estados e cidades e pelo Distrito Federal. Essa base de dados compila informações sobre assistência à saúde, epidemiologia, morbidade e demografia.

População do estudo

A população de interesse foi composta por brasileiros com idade superior a 15 anos que utilizaram qualquer serviço de saúde sob o diagnóstico primário de IC, representado pelo código I50 da décima revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), entre 2008 e 2017.

Variáveis

Foram extraídos dados epidemiológicos da IC, incluindo mortalidade absoluta e relativa da população, mortalidade hospitalar (números absolutos), taxa de mortalidade hospitalar, número de internações e período de internação. As variáveis foram estratificadas por ano, sexo e grupos etários (15-19, 20-29, 30-39, 40-49, 50-59, 60-69, 70-79 e ≥ 80 anos). Dados hospitalares do período entre 2008 e 2017, e dados populacionais do período entre 2008 e 2015 estavam disponíveis. Utilizou-se último censo populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2010.5

Análise dos dados

As variáveis categóricas foram expressas em frequências e as variáveis contínuas em média ± desvivo padrão (DP). A taxa de mortalidade hospitalar causada por IC foi obtida dividindo-se o número de todas as mortes hospitalares por IC na Paraíba ou no Brasil pelo número de hospitalizações por IC no ano correspondente. A taxa de mortalidade populacional por IC foi calculada dividindo-se o número de todas as mortes por IC na Paraíba ou no Brasil pela respectiva população no ano correspondente.

As análises foram realizadas utilizando o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 21.0 (SPPS Inc., Chicago, USA). O teste de Shapiro-Wilk foi usado para avaliar a normalidade das distribuições dos dados para as análises posteriores. A correlação de Pearson foi usada para avaliar a correlação entre variáveis numéricas com distribuição normal. O teste do qui-quadrado foi realizado por tabela de contingência e pelo teste de tendência linear de Mantel-Haenzsel, o qual corresponde ao teste de Cochran-Armitage disponível em outros pacotes estatísticos.9 O nível de significância estabelecido foi de 5%.

Resultados

A estatística descritiva das variáveis está apresentada na Tabela 1.

Tabela 1 Estatísticas descritivas da epidemiologia da Insuficiência Cardíaca na Paraíba, de 2008 a 2017 

Variáveis Média Desvio padrão Shapiro-Wilk significância*
Óbitos (população) 739,88 32,92 0,385
Mulheres 387,88 24,07 0,916
Homens 349,63 17,71 0,099
Óbitos (no hospital) 474,50 95,52 0,324
Mulheres 238,80 46,15 0,763
Homens 234,70 52,04 0,161
Taxa de mortalidade populacional (por 100.000) 19,16 1,09 0,775
Taxa de mortalidade hospitalar (por 100) 9,76 1,84 0,659
Número de admissões 5117,20 1805,13 0,176
Tempo médio de internação (dias) 5,92 0,80 0,121

Fonte dos dados: Sistema de Informação do SUS (DATASUS) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2010).

*No teste de Shapiro-Wilk, a hipótese nula é que a população segue uma distribuição normal; se p < 0,05, os dados não são normalmente distribuídos;

Intervalo do ano: 2008-2015;

Hospitalizações

O número total de internações hospitalares por IC na Paraíba entre 2008 e 2017 foi 51 172, representando a principal causa de internações por doenças cardiovasculares (29,4%), seguido por outras doenças cardíacas isquêmicas (13%), acidente vascular cerebral (11%), hipertensão primária (10%), e infarto agudo do miocárdio (5%). Durante o mesmo período, a IC também foi a principal causa cardiovascular de hospitalizações no Brasil, com 2 380 133 casos (21%). A IC foi responsável por 2,54% e 2,25% de todas as causas de internações hospitalares na Paraíba e no Brasil, respectivamente.

Uma tendência decrescente no número absoluto de hospitalizações por IC na Paraíba e no Brasil foi observada entre 2008 e 2017, correspondendo a um decréscimo de 62% (R = -0,970; p = 0,004; Tabela 2; Figura 1A) e 34% (R = -0,964; p = 0,004; Tabela 3; Figura 1B), respectivamente. A frequência de homens internados por IC na Paraíba foi de 52% e no Brasil de 51%.

Tabela 2 Tendências da insuficiência cardíaca na Paraíba, de 2008 a 2017 

Variáveis 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Valores de p para tendências* Pearson (R)
Número de mortes (população) 722 777 772 753 719 768 725 683 ------ ------ 0,175 -0,513
Mulheres 365 398 390 413 386 421 383 347 ------ ------ 0,665 -0,164
Homens 351 374 379 337 332 347 341 336 ------ ------ 0,130 -0,573
Número de óbitos (no hospital) 472 588 581 561 551 462 461 374 378 317 0,013* -0,824
Mulheres 220 310 294 282 265 235 224 207 188 173 0,022* -0,762
Homens 252 278 287 279 286 227 237 167 190 144 0,012* -0,837
Taxa de mortalidade (população) 19,25 20,53 20,21 19,55 18,51 19,62 18,38 17,19 ------ ------ 0,047* -0,751
Taxa de mortalidade (intra-hospitalar) 6,60 8,50 7,90 8,50 10,10 9,8 11,20 12,00 12,10 10,90 0,006* 0,917
Mulheres 6,35 9,32 8,52 9,02 10,08 10,39 11,49 13,56 12,69 11,93 0,006* 0,908
Homens 6,76 7,67 7,36 8,15 10,20 9,12 11,02 10,61 11,59 9,40 0,013* 0,828
Número de admissões 7143 6890 7331 6571 5450 4739 4102 3112 3115 2719 0,004* -0,970
Mortes por faixa etária (população)
15-19 anos 2 2 3 2 1 0 1 1 ------ ------ 0,067 -0,693
20-29 anos 3 8 8 5 5 6 2 6 ------ ------ 0,588 -0,205
30-39 anos 8 16 9 13 9 10 10 8 ------ ------ 0,389 -0,326
40-49 anos 21 22 29 23 25 23 24 13 ------ ------ 0,292 -0,399
50-59 anos 47 42 53 33 45 48 46 36 ------ ------ 0,479 -0,267
60-69 anos 84 88 92 75 92 101 82 93 ------ ------ 0,457 0,281
70-79 anos 164 172 152 172 147 179 174 154 ------ ------ 0,979 -0,010
Mais de 80 anos 387 422 423 427 394 401 385 372 ------ ------ 0,143 -0,553
Óbitos por faixa etária (no hospital)
15-19 anos 3 2 3 3 2 2 2 2 4 2 0,815 -0,078
20-29 anos 11 10 8 5 5 4 4 7 2 2 0,010* -0,859
30-39 anos 17 19 16 11 16 12 7 8 6 8 0,008* -0,887
40-49 anos 24 35 35 35 36 30 19 10 10 17 0,029* -0,727
50-59 anos 55 53 53 55 63 47 46 24 38 35 0,025* -0,748
60-69 anos 77 97 96 97 101 86 93 72 76 44 0,061 -0,625
70-79 anos 129 150 136 142 131 119 129 96 89 75 0,009* -0,865
Mais de 80 anos 149 213 227 211 194 157 156 153 148 129 0,052 -0,649
Tempo médio de internação (dias) 5 5,2 5,3 5,5 5,6 5,6 6,1 6,5 7,2 7,2 0,004* 0,953

Fonte dos dados: Sistema de Informação do SUS (DATASUS) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (contagem de 2010).

*p < 0,05;

Valor de P para tendências de acordo com teste de tendência linear de Mantel Haenzel;

Tabela 3 Tendências da insuficiência cardíaca no Brasil, de 2008 a 2017 

Variáveis 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 Valores P para tendências* Pearson (R)
Número de mortes (população) 27.567 27.314 27.544 27.818 26.694 27.290 26.783 27.434 ------ ------ 0,276 -0,412
Mulheres 13.990 14.136 14.236 14.525 13.824 14.014 13.846 14.435 ------ ------ 0,929 0,034
Homens 13.428 13.047 13.159 13.130 12.756 13.166 12.825 12.900 ------ ------ 0,069 -0,689
Número de óbitos (no hospital) 22.513 23.043 23.667 24.451 23.071 22.858 22.031 22.756 23,519 19,209 0,131 -0,504
Mulheres 11.021 11.356 11.740 12.099 11.426 11.305 10.963 11.450 11,738 10,509 0,401 -0,280
Homens 11.198 11.395 11.676 12.092 11.408 11.301 10.823 11.097 11,577 10,213 0,119 -0,520
Taxa de mortalidade (população) 14,54 14,26 14,44 14,46 13,76 13,57 13,21 13,42 ------ ------ 0,017* -0,905
Taxa de mortalidade (intra-hospitalar) 8,3 8,5 8,9 9,4 9,5 9,7 9,8 10,5 11,0 10,8 0,003* 0,981
Mulheres 8,5 8,7 9,2 9,6 9,8 10,0 10,2 11,0 11,5 11,2 0,003* 0,980
Homens 8,2 8,4 8,7 9,2 9,3 9,4 9,6 10,1 10,6 10,4 0,003* 0,985
Número de admissões 270.988 269.891 265.038 260.995 242.919 236.550 223.825 217.050 214,432 178,445 0,004* -0,964
Mortes por faixa etária (população)
15-19 anos 56 55 47 49 51 41 40 35 ------ ------ 0,014* -0,926
20-29 anos 206 204 180 176 165 174 159 145 ------ ------ 0,012* -0,947
30-39 anos 468 415 379 387 396 373 358 355 ------ ------ 0,022* -0,863
40-49 anos 1.039 1.002 1.034 957 913 920 836 815 ------ ------ 0,011* -0,957
50-59 anos 2.389 2.303 2.293 2.269 2.259 2.214 2.072 2.157 ------ ------ 0,016* -0,910
60-69 anos 4.296 4.249 4.196 4.268 4.057 4.230 4.123 4.255 ------ ------ 0,328 -0,370
70-79 anos 7.178 7.027 7.062 7.013 6.727 6.969 6.707 6.845 ------ ------ 0,037* -0,788
Mais de 80 anos 11.788 11.928 12.206 12.539 12.012 12.259 12.383 12.733 ------ ------ 0,039* 0,782
Óbitos por faixa etária (no hospital)
15-19 anos 87 97 75 73 61 65 59 61 61 38 0,007* -0,898
20-29 anos 284 271 264 241 220 230 188 176 175 152 0,003* -0,984
30-39 anos 597 529 503 501 475 451 445 437 434 369 0,008* -0,887
40-49 anos 1.278 1.216 1.227 1.216 1.104 1.102 981 1.004 1,052 853 0,005* -0,931
50-59 anos 2.687 2.722 2.736 2.793 2.700 2.620 2.372 2.498 2,569 2,149 0,019* -0,783
60-69 anos 4.358 4.578 4.739 4.769 4.599 4.452 4.439 4.601 4,783 4,149 0,533 -0,208
70-79 anos 6.337 6.371 6.583 6.820 6.237 6.343 5.984 6.174 6,496 5,706 0,101 -0,546
Mais de 80 anos 6.591 6.967 7.289 7.778 7.438 7.343 7.318 7.596 7,745 7,306 0,064 0,617
Tempo médio de internação (dias) 6,5 6,4 6,5 6,6 6,7 6,9 7,1 7,3 7,4 7,3 0,004* 0,960

Fonte dos dados: Sistema de Informação do SUS (DATASUS) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (contagem de 2010).

*p < 0,05;

Valor de P para tendências de acordo com o teste de tendência linear de Mantel Haenzel;

Figura 1 Tendência do número (absoluto) de internações por insuficiência cardíaca de 2008 a 2017 na Paraíba (A) e regiões do Brasil (B). 

Quando estratificados por idade, os indivíduos com idade superior a 60 anos corresponderam a 71% e 73% de todos os casos de internação por IC na Paraíba e no Brasil, respectivamente, com o maior número na faixa de idade entre 70 e 79 anos.

Mortalidade absoluta da população

A mortalidade por IC em números absolutos da população apresentou um declínio não significativo de 2008 a 2015 na Paraíba (R = -0,513; p = 0,175; Tabela 2) e Brasil (R = -0,412; p = 0,276; Tabela 3), sem diferença quanto ao gênero. As mulheres representaram 53% dos óbitos na Paraíba e 52% no Brasil. Na Paraíba, a diminuição no número absoluto de mortes por IC na população em todas as faixas etárias não foi estatisticamente significativa (Tabela 2).

Entre 2008 e 2015, a maior proporção de mortes por IC ocorreu na faixa etária ≥ 80 anos tanto em homens como em mulheres na Paraíba (50% e 59%, respectivamente) e no Brasil (38% e 52%, respectivamente). As proporções de mortes por IC em indivíduos com idade ≥ 60 anos na Paraíba foi 87% nos homens e 90% nas mulheres, e no Brasil 83% nos homens e 89% nas mulheres.

Taxa de mortalidade da população

A média da taxa de mortalidade por IC na população foi de 19,2/100 000 (±1,09) na Paraíba e 14,0/100 000 (±0,53) no Brasil, com um declínio significativo de 10,7% (R = -0,751; p = 0,047; Tabela 2) na Paraíba e 7,7% (R = -0,905; p = 0,017; Tabela 3) no Brasil entre 2008 e 2015, respectivamente (Figura 2).

Figura 2 Tendências na taxa de mortalidade da população (por 100 000 habitantes) por insuficiência cardíaca na Paraíba (verde) e Brasil (azul) de 2008 a 2015. 

Mortalidade hospitalar em números absolutos

A mortalidade hospitalar em números absolutos entre 2008 e 2017 apresentou um decréscimo significativo de 37,5% na Paraíba (R = -0,824; p = 0,013; Tabela 2; Figura 3B) e uma diminuição não significativa de 14,6% no Brasil (R = -0,504; p = 0,131; Tabela 3; Figura 3B). Na análise estratificada, observou-se uma diminuição significativa no número absoluto de mortes hospitalares por IC tanto para homens como para mulheres na Paraíba (R = -0,837; p = 0,012 e R = -0,762; p = 0,022; Tabela 2); tal tendência estatisticamente significativa não foi observada no Brasil (Tabela 3).

Figura 3 (A) Tendência da taxa de mortalidade hospitalar na Paraíba (verde) e Brasil (azul) de 2008 a 2017. (B) Tendência da mortalidade hospitalar (número absoluto) por insuficiência cardíaca (verde) e Brasil (azul) de 2008 a 2017. 

Indivíduos com idade superior a 80 anos apresentaram a maior proporção de morte hospitalar por IC em números absolutos na Paraíba e no Brasil de 2008 a 2017 (37% e 32%, respectivamente) (Figura 4). Na Paraíba, houve uma redução estatisticamente significativa nas mortes hospitalares por IC para as categorias de idade: 20-29 anos (p = 0,010), 30-39 anos (p = 0,008), 40-49 anos (p = 0,029), 50-59 anos (p = 0,025) e 70-79 anos (p = 0,009) (Tabela 2).

Figura 4 (A) Mortes hospitalares (número absoluto) por insuficiência cardíaca por faixa etária na Paraíba, de 2008 a 2017; (B) Mortes hospitalares (número absoluto) por insuficiência cardíaca por faixa etária no Brasil, de 2008 a 2017. 

Outros dados do número de mortes hospitalares por IC por faixa etária no Brasil estão descritos na Tabela 3.

Taxa de mortalidade hospitalar

A taxa de mortalidade hospitalar aumentou significativamente em 65,1% na Paraíba (R = 0,917; p = 0,006; Tabela 2), de 6,6% em 2008 a 10,9% em 2017, e em 30,1% no Brasil (R = 0,981; p = 0,003; Tabela 3), de 8,3% em 2008 a 10,8% em 2017 (Figura 3A). O aumento na taxa de mortalidade hospitalar por IC por sexo também foi significativo tanto para homens quanto mulheres na Paraíba (R = 0,828; p = 0,013 e R = 0,908; p = 0,006, respectivamente; Tabela 2). Tal tendência também foi observada no Brasil, em uma magnitude similar (R = 0,985; R = 0,980; p = 0,003; Tabela 3).

A taxa de mortalidade hospitalar por IC por faixa etária foi maior nos indivíduos com idade superior a 80 anos, com uma média de 14,7% na Paraíba e 14,5% no Brasil (Figura 5) de 2008 a 2017. Nessa faixa de idade, a taxa de mortalidade hospitalar por IC por sexo na Paraíba foi 12,4% nos homens e 15,2% nas mulheres e, no Brasil, 13,7% nos homens e 14,9% nas mulheres.

Figura 5 (A) Tendência da taxa de mortalidade hospitalar por insuficiência cardíaca na Paraíba, por faixa etária, de 2008 a 2017; (B) Tendência da taxa de mortalidade hospitalar por insuficiência cardíaca por faixa etária no Brasil, de 2008 a 2017. 

Duração da internação hospitalar

O tempo médio de internação hospitalar por IC foi de 5,9 dias (±0,8) na Paraíba e 6,9 dias (±0,4) no Brasil, com aumento significativo de 44% (R = 0,953; p = 0,004; Tabela 2) e 12,3% (R = 0,960; p = 0,004; Tabela 3), respectivamente entre 2008 e 2017 (Figura 6). Na Tabela 4, nós apresentamos a duração da internação por ano, e os custos associados, tanto na Paraíba como no Brasil.

Figura 6 Tendência do período médio de internação (dias) por insuficiência cardíaca na Paraíba (verde) e Brasil (azul) de 2008 a 2017. 

Tabela 4 Custo total das internações por IC (US $) e tempo de internação por IC (dias) na Paraíba e no Brasil, de 2008 a 2017 

PARAÍBA BRASIL
Ano Custo total com hospitalizações (US$) Duração da admissão (dias) Custo total com hospitalizações (US$) Duração da admissão (dias)
2008 1.762.825,91 5 77.940.473,93 6,5
2009 2.286.531,90 5,2 89.837.575,25 6,4
2010 2.541.429,71 5,3 92.835.802,31 6,5
2011 2.378.139,40 5,5 93.939.042,90 6,6
2012 1.939.284,53 5,6 91.509.632,22 6,7
2013 1.694.005,09 5,6 93.561.446,18 6,9
2014 1.578.506,24 6,1 96.199.113,56 7,1
2015 1.233.302,85 6,5 99.069.494,68 7,3
2016 1.249.580,27 7,2 102.181.019,88 7,4
2017 1.103.600,05 7,2 85.390.241,41 7,3
Total 17.767.205,95 5,9 ± 0,8 (média ± DP) 922.463.842,32 6,9 ± 0,4 (média ± DP)

Fonte dos dados: Sistema de Informação do SUS (DATASUS) e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (contagem de 2010).

DP: desvio padrão;

Discussão

Em nosso conhecimento, este é o primeiro estudo a descrever as tendências da epidemiologia da IC em uma região subdesenvolvida do Brasil. Informações sobre a incidência, a prevalência, a morbidade e a mortalidade da IC na América Latina e no Caribe são heterogêneas e escassas. A maioria dos dados são provenientes da América do Sul (92%), com o Brasil e a Argentina sendo responsável por 86% dos estudos.10 No Brasil, a maioria dos dados publicados são originários de áreas desenvolvidas, as regiões sudeste e sul.

A IC foi a principal causa de internações entre as doenças cardiovasculares na Paraíba e no Brasil, e correspondeu a 2,54% e 2,25% de todas as internações, respectivamente. De maneira semelhante, nos EUA, a IC foi a causa de mais de um milhão de internações por ano de 2001 a 2009,11 e representou 1-2% de todas as internações.3

Fang et al.,12 realizaram um estudo para determinar as tendências na IC nos EUA, utilizando os dados da Pesquisa Nacional sobre Altas Hospitalares (National Hospital Discharge Survey) entre 1979 e 2004, e observaram um aumento de 185% no número absoluto de internações por IC (de 409 000 para 1 166 000), e as taxas de internações por IC (por 100 000) aumentou de 219 para 390 no mesmo período. Outros autores, no entanto, relataram que o número de internações por IC como diagnóstico primário tem diminuído nos EUA entre 1,0% a 4,3% por ano desde 2001.11,13 Na América Latina e Caribe, Godoy et al.,14 mostraram um decréscimo de 32% nas internações por IC entre 1992-1993 e 2008-2009, o que é consistente com os nossos resultados de uma diminuição de 34% no número absoluto de internações por IC no Brasil, e 62% na Paraíba. Essa redução pode ser um sinal de melhora no manejo dos fatores de risco para IC,4 de diminuição na incidência de doença cardíaca isquêmica,15 e melhoria no manejo da IC.16

As internações por IC na Paraíba e no Brasil foram mais frequentes em indivíduos com idade entre 70 e 79 anos. Indivíduos com idade superior a 60 anos representaram 71% e 73% das internações por IC na Paraíba e no Brasil, respectivamente. Tais frequências foram similares à observada (70%) em estudos prévios conduzidos na América Latina e Caribe, e nos EUA.2,4 Na Paraíba e no Brasil, a proporção de mulheres hospitalizadas por IC foi 48% e 49%, similar a de estudos realizados nos EUA, com 40% a 50% de mulheres.3,17 Um pequeno estudo realizado em uma comunidade no Brasil relatou que 58% dos pacientes internados com IC eram mulheres.18 Ainda, o I Registro Brasileiro de Insuficiência Cardíaca (estudo BREATHE)8 descreveu que 60% de um total de 1263 internações por IC em 51 centros no Brasil eram mulheres.

Em nosso estudo, a taxa de mortalidade por IC encontrada no período entre 2008 e 2015 foi 19,2/100 000 (±1,09) casos na Paraíba e 14,0/100 000 (±0,53) casos no Brasil, com uma redução de 10,7% e 7,7%, respectivamente. Um decréscimo na taxa de mortalidade por IC também foi descrita no Brasil e na Argentina: em São Paulo, maior cidade do Brasil, ocorreu uma diminuição em 29%, de 19,1/100 000 (1992-1993) para 13,6/100 000 (2008-2009);14 na Argentina, um estudo de abrangência nacional mostrou uma redução de 23% na taxa de mortalidade por IC na população de 1995 a 2005.10,19 Nos EUA, Go et al.,20 compararam o número de mortes por IC de 1995 a 2010, e encontraram um decréscimo de 2,8% (287.000 vs. 279.000), o que potencialmente representa uma diminuição significativa na taxa de mortalidade, dado o aumento na população norte americana nesses quinze anos.

Nosso estudo relata uma taxa média de mortalidade hospitalar por IC na Paraíba de 9,2% entre 2008 e 2017. Um estudo prospectivo realizado em 52 centros de todas as regiões brasileira, somente com pacientes internados por IC, relatou um total de 12,6% mortes em 1.263 pacientes internados.8 Na América Latina e Caribe, uma metanálise de 37 estudos revelou uma mortalidade hospitalar similar de 11,7%.10

Nosso estudo mostrou um aumento na taxa de mortalidade hospitalar por IC tanto no estado da Paraíba (65%) como no Brasil (30%) entre 2008 e 2017. Godoy et al.,14 entre 1992-1993 e 2008-2009, também relataram uma diminuição de 15% na taxa de mortalidade hospitalar que era de 15% no Brasil. Nos EUA, no entanto, a taxa de mortalidade hospitalar diminuiu de 4,5% em 2001 para 2,9% em 2014 segundo estudo que incluiu pacientes com diagnóstico primário de IC.13 A diminuição no número de internações por IC durante o período estudado, tanto na Paraíba como no Brasil, é a razão mais provável para o aumento da taxa de mortalidade hospitalar. Outra explicação plausível poderia ser o aumento na sobrevida dos pacientes com IC, levando ao aumento no número de pacientes idosos, com IC mais avançada e muitas comorbidades, resultando em um risco aumentado de morte durante internação. Ainda, é importante considerar a falta de terapias avançadas em áreas pouco desenvolvidas, tais como suporte circulatório mecânico e transplante cardíaco, o que contribuiria para essa tendência de aumento na taxa de mortalidade por IC na Paraíba, Brasil, e na América Latina e Caribe.

Apesar do aumento na taxa de mortalidade hospitalar, a mortalidade hospitalar em números absolutos mostrou um decréscimo significativo de 37,5% na Paraíba e 14,6% no Brasil para o mesmo período. Nos EUA, Bueno et al.,21 também observaram uma diminuição de 50% da mortalidade hospitalar por IC na população composta por idosos participantes do programa Medicare entre 1993 e 2008, ao passo que Ni & Xu22 relataram uma diminuição em 30%.

As mulheres representaram 53% e 52% da mortalidade por IC em números absolutos na Paraíba e no Brasil, respectivamente. A mortalidade hospitalar por IC na Paraíba teve uma proporção de mulheres semelhante (50,5%). Nos EUA, em 2010, 54,6% de todas as mortes por IC ocorreram em mulheres.20 Hsich et al.,23 não observaram diferença na mortalidade hospitalar entre mulheres e homens, considerando pacientes com fração de ejeção reduzida e pacientes com fração de ejeção preservada.

Entre 2008 e 2017, a duração média de internações por IC foi de 5.9 (±0.8) dias na Paraíba e 6,8 (0,4) dias no Brasil, com um aumento de 44% e 12,3%, respectivamente. Na América Latina e Caribe, Bocchi et al.,2,24 relataram um período médio de internação de 5,8 dias entre 1998 e 2012. Ciapponin et al.,10 relataram uma média de 7 dias em 18 estudos, e Godoy et al.,14 encontraram um aumento de 25% no período de internação, de 8,8 (1992-1993) a 11,3 dias (2008-2009) no Brasil. Nos EUA, dois autores relataram uma diminuição no período de internação por IC, de 8,8 para 6,3 dias (1993-2008)21 e de 6,8 (1999-2000) para 6,4 dias (2007-2008).4

Nos EUA, o custo per capita em saúde foi maior que o produto interno bruto per capita na Paraíba (US$8364,00 e US$3594,94, respectivamente).24 O status socioeconômico mais baixo na Paraíba pode representar um fator de risco para maior morbidade e mortalidade observada em nosso estudo, já que a população tem acesso limitado a tratamento efetivo para IC.24 Nos EUA, 52,5% da população com renda familiar menor que 10 000 dólares apresentam doença cardiovascular,20,25 e Eapen et al.26 identificaram que uma maior renda associou-se com menor chance de mortalidade 30 dias após internação por IC.

Limitações

Este é um estudo observacional retrospectivo, e a ausência de dados individuais dos pacientes impediu o estabelecimento de relações entre as variáveis. Uma vez que nossos dados foram derivados de um banco de dados nacional, é possível que haja ocorrido subnotificação ou notificação errônea dos dados. Ainda, uma vez que reinternações não são consideradas no número total de internações por IC, a taxa de mortalidade hospitalar pode ter sido subestimada.

Conclusões

Este é o primeiro estudo a analisar a epidemiologia da IC na Paraíba, um estado de baixo status socioeconômico no Brasil, e a comparar os resultados com dados nacionais e internacionais. Durante os últimos dez anos, o aumento na taxa de mortalidade hospitalar por IC na Paraíba e no Brasil acompanhou a tendência na América Latina e Caribe, enquanto o aumento na duração da internação por IC difere da diminuição observada nos EUA. Na Paraíba e no Brasil, observamos uma diminuição nas internações por IC como diagnóstico primário bem como no número de mortes por IC, o que também foi descrito na América Latina, Caribe e nos EUA. Mais de 87% das mortes por IC na Paraíba e no Brasil envolveram pacientes com mais de 60 anos de idade. Observou-se uma maior frequência de mulheres admitidas por IC, na Paraíba e no Brasil, com taxas de mortalidades similares em comparação a homens. Uma vez que as mulheres são geralmente pouco representadas nos ensaios clínicos, há necessidade de mais estudos com foco nessa população. Deveriam ser realizados estudos clínicos em hospitais para identificar as causas para a tendência do aumento da taxa de mortalidade hospitalar por IC.

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