Integridade científica 2.0: má conduta. Vamos evitar, e não punir!

Integridade científica 2.0: má conduta. Vamos evitar, e não punir!

Autores:

Anna Carla Goldberg,
Oscar Fernando Pavão dos Santos,
Celso Moura Rebello,
Jacyr Pasternak

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.17 no.4 São Paulo 2019 Epub 01-Jul-2019

http://dx.doi.org/10.31744/einstein_journal/2019ed5064

A crescente complexidade das investigações modernas e inovadoras tem levantado questões importantes relacionadas ao compliance (governança) e à conduta responsável na pesquisa. A abrangência dos itens a serem administrados aumentou muito, de forma a incluir grande variedade de questões, desde autoria, plágio, gestão de dados, confidencialidade, direitos de patentes, conflitos de interesse, até conduta ética, bem-estar animal e aspectos sociais das pesquisas sendo feitas.(1) Todos esses fatores têm sobrecarregado a rotina diária de laboratórios experimentais, centros de pesquisa clínica e biotérios para animais onde a pesquisa científica é desenvolvida.

Um efeito nítido resultante da explosão mundial de ciência e inovação é o aumento de retratações de artigos publicadas por autores, periódicos e parceiros da indústria. As retratações estão no centro das atenções e ganharam ainda mais notoriedade após o lançamento do Retraction Watch Database (Banco de Dados de Retratações http://retractiondatabase.org/RetractionSearch.aspx?), em 25 de outubro de 2018.(2) Tanto a comunidade científica e as instituições acadêmicas, como os gerentes de compliance e outras partes interessadas têm que lidar e dar conta dessa nova situação. Isso se deve parcialmente à percepção do número crescente de retratações − cerca de 500 por ano. Consequentemente, há interesse cada vez maior das instituições acadêmicas em assumirem papel mais proativo e auxiliarem pesquisadores, estudantes de pós-graduação e parceiros colaboradores a cumprirem os requisitos da integridade em sua conduta na pesquisa. O primeiro passo para garantir o rigor exigido na realização de pesquisas é cumprir as regras e normas institucionais, o que pode ser feito com a ajuda dos gestores de pesquisa.(3)

O Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) implementou a gestão ativa da pesquisa em 2014, a qual tem se mostrado de grande valia para aprimorar o desenvolvimento científico em toda a organização. Mais um passo foi dado com a implementação do Escritório de Integridade em Pesquisa no HIAE, em junho de 2017. Em iniciativa pioneira para melhorar a qualidade de pesquisas, o escritório realiza auditorias preventivas das investigações em andamento e de artigos recém-publicados, para auxiliar e assegurar a integridade científica e a conduta responsável em pesquisa. Este tema foi ainda mais destacado recentemente, quando algumas universidades de padrão internacional reconheceram a necessidade de uma abordagem mais decisiva para melhorar a reprodutibilidade dos estudos e as práticas responsáveis em pesquisa.

Recentemente, Mayer et al.(4) chamaram a atenção, em seu editorial “Step up for quality research”, e Schrag et al.(5) recomendaram, corretamente, que existisse maior envolvimento das universidades para assegurar que suas próprias comunidades de pesquisa produzam dados reprodutíveis e de alta qualidade científica.(5) Esses autores relataram também que, para aumentar o rigor nos estudos sobre a integridade científica e os fatores que estimulam ou desencorajam o comportamento responsável, os participantes da 5ª Conferência Mundial sobre Integridade Científica endossaram a “Agenda de Amsterdã”.(6) Este documento descreve oficialmente os planos para estabelecer um registro das investigações sobre tópicos relacionados à integridade na pesquisa e para promover as boas práticas e estudos nesta área.

Com o trabalho contínuo realizado pelo Escritório de Integridade Científica do HIAE, esperamos promover um canal de comunicação profícuo com todos os envolvidos em pesquisa biomédica e clínica, e em gestão de serviços de saúde, com vistas a beneficiar a saúde e o bem-estar, tanto dos pacientes como de toda a sociedade.

REFERÊNCIAS

1. Shamoo AE. Responsible conduct of research. 3th edition. New York: Oxford University Press; 2015.
2. Oransky I, Marcus A. Retraction Watch. Tracking retractions as a window into the scientific process [Internet]. [cited 2019 Mar 14]. Available from:
3. Dade A, Olafson L, DiBella SM. Implementing a comprehensive research compliance program: a handbook for research officers. Charlotte, NC: Information Age Publishing; 2016.
4. Mayer T, Bouter L, Steneck N. Addressing scientific integrity scientifically. Science. 2017;357(6357):1248-9.
5. Schrag NJ, Purdy GM. Step up for quality research. Science. 2017; 357(6351):531.
6. World Conferences on Research Integrity (WCRI). Amsterdam Agenda, 5th World Conference on Research Integrity. Amsterdam: Paper presented at the Fifth World Conference on Research Integrity [Internet]. Amsterdam: WCRI; 2017 [cited 2019 Mar 14]. Available from:
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