Inter-relações entre o estado nutricional, fatores sociodemográficos, características de trabalho e da saúde em trabalhadores de enfermagem

Inter-relações entre o estado nutricional, fatores sociodemográficos, características de trabalho e da saúde em trabalhadores de enfermagem

Autores:

Kali Siqueira,
Rosane Harter Griep,
Lúcia Rotenberg,
Aline Costa,
Enirtes Melo,
Maria de Jesus Fonseca

ARTIGO ORIGINAL

Ciência & Saúde Coletiva

versão impressa ISSN 1413-8123versão On-line ISSN 1678-4561

Ciênc. saúde coletiva vol.20 no.6 Rio de Janeiro jun. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/1413-81232015206.00792014

Introdução

A obesidade é uma doença crônica, de origem multifatorial, caracterizada pelo excesso de gordura corporal e está associada ao desenvolvimento de doenças crônico-degenerativas14, cujos riscos aumentam significativamente quando o índice de massa corporal (IMC) excede 25kg/m2 5.

No Brasil, os resultados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) 2008-2009 revelaram um crescimento acelerado do excesso de peso. Em 34 anos (1974/1975 a 2008/2009), a prevalência de excesso de peso entre os homens passou de 18,5% para 50,1%. Entre as mulheres, os respectivos valores são de 28,7% e 48,0%. No mesmo período, a prevalência de obesidade aumentou mais de quatro vezes para homens e mais de duas vezes para mulheres6.

As diferenças no estilo de vida atual, comparadas a décadas anteriores, têm sido consideradas uma das principais razões para o aumento da prevalência do excesso de peso. Tais mudanças compõem o chamado “ambiente obesogênico”7, termo cunhado por Swinburn et al.8 em referência a aspectos físicos, econômicos, sociais e culturais do ambiente que podem incentivar o equilíbrio de energia positiva, promovendo a obesidade.

Alguns autores apontam a associação inversa entre a posição socioeconômica (PSE), tanto atual como pregressa, e o ganho de peso912. Esta associação sugere que o ritmo diferencial de ganho de peso segundo a PSE pode, eventualmente, começar cedo na vida, influenciado pela PSE dos pais10,13.

Além desses fatores, aspectos relacionados ao ambiente de trabalho também têm sido associados ao aumento do risco para o excesso de peso. Dentre estes, destacam-se trabalho em turnos, sobretudo o noturno1417, a carga excessiva de trabalho18 e o estresse psicossocial no trabalho19.

Essas características são típicas do trabalho da enfermagem no Brasil, cujas jornadas de trabalho prolongadas (12 horas) se somam aos plantões noturnos20. Além disso, no contexto brasileiro, os múltiplos vínculos de trabalho são frequentes entre os profissionais de enfermagem21. A interação desses fatores pode afetar negativamente esses trabalhadores, tanto fisiologicamente como psicologicamente22,23, com possíveis repercussões no ganho de peso.

Embora diversos estudos analisem os determinantes da obesidade e sobrepeso, na busca bibliográfica realizada, não identificamos artigos usando a técnica de análise de correspondência, com o objetivo de visualizar a distribuição do IMC e sua relação com as diversas variáveis que influenciam o ganho de peso. Esta abordagem ganha relevância no estudo de desfechos de caráter multifatorial, como descrito por Carvalho e Struchiner24, pela possibilidade de estudar simultaneamente as relações existentes entre um grande conjunto de variáveis.

O objetivo desse estudo é explorar as inter-relações entre o estado nutricional, variáveis relacionadas às condições sociodemográficas, trabalho e comportamentos de saúde em profissionais de enfermagem de um hospital público do Rio de Janeiro, utilizando a técnica de análise de correspondência.

Métodos

População e fonte de informação

Trata-se de um estudo seccional realizado com 1.182 trabalhadores de enfermagem (enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem) de um hospital público do Rio de Janeiro, que preencheram um questionário em 2006, quando participaram da pesquisa intitulada: “Gênero, trabalho e saúde em profissionais da enfermagem: morbidade e sua associação com o trabalho noturno, as longas jornadas e o trabalho doméstico”.

Definição das variáveis

As variáveis utilizadas neste estudo refletem aspectos do estado nutricional, condições sociodemográficas, variáveis relacionadas ao trabalho, e comportamentos de saúde.

Para a classificação do estado nutricional utilizou-se o peso e a estatura autorreferidos. O IMC foi categorizado em baixo/adequado (IMC1 ≤ 24,9), sobrepeso (IMC2 = 25,0 −29,9) e obesidade (IMC 3 ≥ 30,0)3.

As variáveis relacionadas às condições sociodemográficas foram: o sexo (feminino/masculino); a idade dicotomizada na mediana (16 a 44 anos, 45 a 70 anos); cor da pele autorreferida (branca, parda, preta); a escolaridade (fundamental completo, médio completo, superior completo); a renda familiar per capita em dólar (USD), considerando a taxa de conversão no período da coleta de dados (29/12/2006) - classificada segundo o piso salarial dos auxiliares de enfermagem no período da coleta (> US$ 421,00 até US$ 421,00); a situação conjugal (casado, solteiro, divorciados, separados e viúvos); filhos (sim, não); situação econômica pregressa baseada na percepção do entrevistado de sua situação familiar aos 12 anos de idade em relação a situação atual (rica-média, pobre, muito pobre); e escolaridade materna (não frequentou escola, até o fundamental, médio ou mais).

Em relação ao trabalho, foram analisadas as seguintes variáveis: categoria profissional (enfermeiro, auxiliar e técnico de enfermagem); o vínculo empregatício (permanente, não permanente); o trabalho noturno (nunca noturno, exnoturnos, noturno com até 5 noites de trabalho por quinzena, noturno com 6 noites ou mais de trabalho por quinzena); a carga de trabalho profissional (até 40 horas por semana, > 40 horas por semana); e horas de trabalho doméstico, categorizada na mediana (até 11 horas por semana, > 11horas por semana).

As variáveis relacionadas à saúde foram: a autopercepção de saúde (boa, ruim); o diagnóstico de hipertensão autorreferido (sim, não); insônia (sim, não); tabagismo (fumante, ex-fumante, nunca fumante); consumo álcool (sim, não); pratica de atividade física (sim, não); o consumo de alimentos fritos (pelo menos 1 vez por semana, menos de 3 vezes por mês); consumo de frutas (pelo menos 1 vez por semana, menos de 3 vezes por mês); e consumo de hortaliças (pelo menos 1 vez por semana, menos de 3 vezes por mês).

Análise estatística

Na análise descritiva da idade, utilizou-se a média, o desvio padrão e percentuais para as variáveis categóricas. Foi aplicado o teste Qui-Quadrado, considerando o nível de significância de 20%, para testar a associações entre as variáveis categóricas.

Para explorar as relações conjuntas entre o estado nutricional e condições sociodemográficas, variáveis relacionadas ao trabalho e comportamentos de saúde, utilizou-se a análise de correspondência e análise de cluster.

A análise de correspondência é uma técnica estatística multivariada de caráter exploratório e descritivo, utilizada para a análise de dados categóricos25. Este método permite a visualização das relações mais importantes de um grande conjunto de variáveis entre si.

O tratamento dos dados seguiu as etapas descritas a seguir. Inicialmente, a representação gráfica obtida na análise de correspondência possibilitou visualizar a distribuição das categorias na sua relação com todas as outras. Cada categoria foi representada por um ponto, e as distâncias entre os pontos representaram as relações entre as categorias.

Considerou-se que cada autovalor corresponde a um dos eixos que define o espaço multidimensional, respondendo por uma percentagem da variância total. Esse percentual permitiu avaliar a capacidade de cada eixo de representar a nuvem de pontos. Quanto maior o percentual, melhor a representação da distribuição dos pontos no espaço e, consequentemente, das relações existentes entre as categorias24.

A importância de cada categoria de variável na construção dos eixos foi avaliada por meio da contribuição absoluta. A análise da contribuição absoluta das categorias, juntamente com a observação da posição dos pontos no gráfico em relação aos eixos, auxiliou a interpretação dos fatores e contribuiu para caracterizar os eixos conceitualmente.

A análise de cluster complementou a análise de correspondência na identificação e divisão dos grupos.

Para as análises foi utilizado o programa R versão 2.15.0 (www.r-project.org).

Aspectos éticos

Este estudo foi submetido e aprovado pelos Comitês de Ética em Pesquisa da Fiocruz e do Hospital participante do estudo.

Resultados

Dos 1.182 trabalhadores da enfermagem investigados, foram excluídos os dados de 265 (22,4%), por apresentarem informações incompletas em alguma variável do questionário. O grupo analisado (N = 917) não diferiu da amostra excluída do estudo quanto à idade, sexo, escolaridade, IMC e categoria profissional (teste qui-quadrado, p > 0,05).

Do grupo estudado, 85,9% eram do sexo feminino. A idade média foi de 40,9 (DP = 13,3) anos. Observou-se a predominância de brancos; nível de escolaridade superior; renda familiar per capita até US$ 421,00; casados; e sem filhos. A distribuição do IMC na população estudada foi de 30,1% de sobrepeso e 16% de obeso.

A Tabela 1 descreve os dados obtidos segundo o IMC. As maiores prevalências de sobrepeso e obesidade foram observadas entre os homens (35,7% e 18,6, respectivamente), na faixa etária de 45 a 70 anos (37,6% e 21,8%, respectivamente), com escolaridade até o ensino fundamental (40,5% e 27,8%, respectivamente), com filhos (35,4% e 20,4%, respectivamente), da raça negra (37,4% e 17,8%, respectivamente), com renda per capita até US$ 421,00 (31,4% e 17,2%, respectivamente), e com diagnóstico de hipertensão autorreferido (37,2% e 30,2%, respectivamente).

Tabela 1 Distribuição da população do estudo segundo o estado nutricional e Contribuição Absoluta nos dois eixos de maior autovalor. 

Variáveis Símbolo Baixo/Adequado Sobrepeso Obesidade P valor Contribuição Absoluta
Eixo 1 Eixo 2
Sexo 0,135
Feminino S1 435 (55,2) 230 (29,2) 123 (15,6) 0,02 0,00
Masculino S2 59 (45,7) 46 (35,7) 24 (18,6) 0,09 0,01
Idade <0,001
16 a 44 anos ID1 309 (66,9) 105 (22,7) 48 (10,4) 6,74 2,86
45 a 70 anos ID2 185 (40,7) 171 (37,6) 99 (21,8) 6,85 2,91
Escolaridade <0,001
Fundamental E1 25 (31,6) 32 (40,5) 22 (27,8) 2,89 0,10
Médio E2 147 (46,4) 110 (34,7) 60 (18,9) 0,69 11,25
Superior E3 322 (61,8) 134 (25,7) 65 (12,5) 1,72 8,27
Escolaridade materna <0,001
Não frequentou escola EM1 41 (36,3) 51 (45,1) 21 (18,6) 1,65 0,49
Até fundamental EM2 292 (50,2) 187 (32,1) 103 (17,7) 0,72 0,01
Médio ou mais EM3 161 (72,5) 38 (17,1) 23 (10,4) 5,27 0,40
Situação econômica pregressa <0,001
Rica/média SE1 240 (59,9) 103 (25,7) 58 (14,5) 1,77 2,15
Pobre SE2 230 (51,9) 139 (31,4) 74 (16,7) 0,71 1,39
Muito pobre SE3 24 (32,9) 34 (46,6) 15 (20,5) 1,08 0,28
Situação congugal <0,001
Casado SC1 194 (47,5) 133 (32,6) 81 (19,9) 0,91 0,01
Solteiro SC2 218 (66,7) 76 (23,2) 33 (10,1) 4,24 0,32
Divorciado, separado e viúvo SC3 82 (45,1) 67 (36,8) 33 (18,1) 1,78 0,86
Filhos <0,001
Tem filho NF1 201(44,2) 161(35,4) 93(20,4) 3,47 0,06
Não tem filho NF2 293(63,4) 115(24,9) 54(11,7) 3,42 0,06
Raça autorreferida 0,003
Negra C1 98 (44,7) 82 (37,4) 39 (17,8) 0,89 0,65
Parda C2 175 (52,7) 107 (32,2) 50 (15,1) 0,01 2,28
Branca C3 221 (60,4) 87 (23,8) 58 (15,8) 0,68 4,26
Renda 0,158
> US$421,00 R1 204 (57,8) 99 (28) 50 (14,2) 1,21 11,04
Até US$421,00 R2 290 (51,4) 177(31,4) 97 (17,2) 0,75 6,51
Função <0,001
Enfermeiro ENF 174 (65,4) 65 (24,4) 27 (10,2) 0,88 5,96
Não enfermeiro NENF 320 (49,2) 211 (32,4) 120 (18,4) 2,16 11,46
Vínculo <0,001
Permanente V1 195 (41,8) 176 (37,8) 95 (20,4) 6,69 2,52
Não permanente V2 299 (66,3) 100 (22,2) 52 (11,5) 6,91 2,61
Horas de trabalho 0,110
Até 40 horas/semana HR1 219 (51,7) 142 (33,5) 63 (14,9) 2,33 0,73
> 40 horas/semana HR2 275 (55,8) 134(27,2) 84 (17) 2,01 0,63
Trabalho noturno 0,002
Nunca noturno TN1 136 (61,5) 57 (25,8) 28 (12,7) 0,22 2,35
Ex-noturno TN2 141 (48,5) 96 (33) 54 (18,6) 2,20 1,72
Até 5 noites/quinzena TN3 91 (45,5) 76 (38) 33 (16,5) 0,85 0,39
> 6 noites/quinzena TN4 126 (61,5) 47 (22,9) 32 (15,6) 4,78 0,35
Trabalho doméstico <0,001
Até 11 horas/semana TD1 274 (60,4) 123 (27,1) 57 (12,6) 2,69 0,18
> 11 horas/semana TD2 220 (47,5) 153 (33,1) 90 (19,4) 2,64 0,17
Autopercepção de saúde <0,001
Boa PS1 420 (56,6) 225 (30,3) 97 (13,1) 0,15 0,00
Ruim PS2 74 (42,3) 51 (29,1) 50 (28,6) 0,67 0,00
Hipertensão autorreferida <0,001
Não H1 415 (61,5) 186 (27,6) 74 (11) 1,77 0,01
Sim H2 79 (32,6) 90 (37,2) 73 (30,2) 4,94 0,01
Insnia 0,328
Sim I1 121 (49,8) 79 (32,5) 43 (17,7) 0,44 0,22
Não I2 373 (55,3) 197 (29,2) 104 (15,4) 0,16 0,08
Consumo de álcool 0,943
Sim A1 178 (54,6) 97 (29,8) 51 (15,6) 0,00 0,51
Não A2 316 (53,5) 179 (30,3) 96 (16,2) 0,00 0,28
Tabagismo 0,003
Fumante T1 65 (45,8) 47 (33,1) 30 (21,1) 0,42 0,49
Ex-fumante T2 63 (43,2) 54 (37) 29 (19,9) 1,50 0,05
Nunca fumante T3 366 (58,2) 175 (27,8) 88 (14) 0,80 0,19
Consumo de fritura 0,060
Pelo menos 1 vez/semana FI1 360 (56,4) 183 (28,7) 95 (14,9) 0,60 0,85
Menos de 3 vezes/mês FI2 134 (48) 93 (33,3) 52 (18,5) 1,36 1,96
Consumo de fruta 0,296
Pelo menos 1 vez/semana FU1 431 (53,4) 241(29,9) 135 (16,7) 0,09 0,17
Menos de 3 vezes/mês FU2 63 (57,3) 35 (31,8) 12 (10,9) 0,73 1,24
Consumo de hortaliça 0,887
Pelo menos 1 vez/semana VD1 456 (54) 255 (30,2) 134 (15,9) 0,01 0,06
Menos de 3 vezes/mês VD2 38 (52,8) 21 (29,2) 13 (18,1) 0,11 0,78
Prática de atividade física 0,761
Não EF1 338 (54,1) 184 (29,4) 103 (16,5) 0,05 1,22
Sim EF2 156 (53,4) 92 (31,5) 44 (15,1) 0,10 2,61

Legenda

Sigla Variáveis

IMC1

baixo/adequado

IMC2

sobrepeso

IMC3

obesidade

S1

feminino

S2

masculino

ID1

16 a 44 anos de idade

ID2

45 a 70 anos de idade

C1

cor da pele preta autorreferida

C2

cor da pele parda autorreferida

C3

cor da pele branca autorreferida

E1

ensino fundamental

E2

ensino médio

E3

ensino superior

R1

renda > US$421,00

R2

renda até US$421,00

SC1

casado

SC2

solteiro

SC3

divorciado, separado e viúvo

NF1

tem filho

NF2

não tem filho

SE1

situação econômica pregressa rica/ média

SE2

situação econômica pregressa pobre

SE3

situação econômica pregressa muito pobre

EM1

mãe que não frequentou escola

EM2

escolaridade materna até fundamental

EM3

escolaridade materna de ensino médio ou mais

ENF

enfermeiro

NENF

auxiliar e técnico

V1

vínculo permanente

V2

vínculo não permanente

TN1

nunca noturno

TN2

ex-noturno

TN3

trabalho noturno até 5 noites/quinzena

TN4

trabalho noturno > 6 noites/quinzena

HR1

jornada de trabalho até 40 horas/semana

HR2

jornada de trabalho >40 horas/semana

TD1

trabalho doméstico até 11 horas/semana

TD2

trabalho doméstico > 11 horas/semana

PS1

autopercepção de saúde boa

PS2

autopercepção de saúde ruim

H1

diagnôstico de hipertensão autorreferido - não

H2

diagnôstico de hipertensão autorreferido - sim

I1

tem insônia

I2

não tem insonia

T1

fumante

T2

ex-fumante

T3

nunca fumante

A1

consome álcool

A2

não consome álcool

FI1

consome alimentos fritos pelo menos 1 vez/semana

FI2

consome alimentos fritos menos de 3 vezes/mês

FU1

consome frutas pelo menos 1 vez/semana

FU2

consome frutas menos de 3 vezes/mês

VD1

consome hortaliças pelo menos 1 vez/semana

VD2

consome hortaliças menos de 3 vezes/mês

EF1

não pratica atividade física

EF2

pratica atividade física

A contribuição absoluta de cada categoria das variáveis pode ser interpretada como a parte da variação do eixo explicada pela respectiva categoria (Tabela 1). Assim, quanto maior a contribuição absoluta, maior a importância da categoria no eixo. Nesse caso, as categorias que mais contribuíram no primeiro eixo foram a faixa etária de 45 a 70 anos e ‘vínculo não permanente’; a variável que menos contribuiu foi o ‘consumo de álcool’. No segundo eixo as categorias que mais contribuíram foram ‘escolaridade até ensino médio’ e ‘enfermeiros’, e a que menos contribuiu foi a ‘autopercepção de saúde’.

A Tabela 2 apresenta os autovalores e percentuais de variância explicada por cada eixo, que define o espaço multidimensional. As duas primeiras dimensões explicaram 18,88% da variação global dos dados, a primeira contribuindo com 12,95%, e a segunda com 5,93%. Essas duas dimensões foram utilizadas para as análises subsequentes, já que do segundo eixo em diante, a percentagem de explicação diminuiu, tornandose homogênea e sem maior significado.

Tabela 2 Dimensôes, autovalores, percentual de variação e percentual acumulado. 

Dimensôes Autovalores % de variação % de variação acumulado
1 0,18 12,95 12,95
2 0,08 5,93 18,88
3 0,07 4,74 23,62
4 0,06 4,35 27,97
5 0,06 4,06 32,03

A análise gráfica dos dois primeiros eixos (Figura 1) permitiu a visualização da distribuição das categorias de cada variável, configurando uma nuvem de pontos em um espaço multidimensional e mostrando a proximidade entre as categorias das variáveis. Grupamentos foram definidos de acordo com a distribuição das variáveis e relações entre as mesmas. Desta forma, verificou-se a formação de quatro grupos, heterogêneos entre si, selecionados a partir da inspeção visual do gráfico gerado pela análise de correspondência e confirmados pelo dendrograma (Figura 2). Esta figura indica a formação de quatro grupos quando utilizamos um ponto de corte na altura de 2,5, confirmando o mesmo grupamento identificado na representação gráfica obtida através da análise de correspondência.

figura 1 Representação gráfica dos dois primeiros eixos da análise de correspondência. 

figura 2 Dendrograma das coordenadas dos dois primeiros eixos. 

No grupo que contém a categoria obesidade (IMC3) predomina as seguintes características: autopercepção de saúde ruim; insônia; diagnóstico de hipertensão autorreferido; separados, divorciados e viúvos; aqueles que se autorreferiram como pretos; vínculo de trabalho permanente; mais velhos (idade entre 45 e 70 anos); ex-trabalhadores noturno; baixo consumo de fritura; mãe que não frequentou escola; situação econômica pregressa muito pobre, e menor grau de instrução.

O grupo que engloba a categoria ‘sobrepeso’ (IMC 2) apresentou relação com ‘fumantes’, ‘consumo de bebida alcoólica’, ‘profissionais que trabalham até cinco noites por quinzena’ e ‘homens’.

Já o grupo com a categoria ‘baixo/adequado’ (IMC 1) foi composto por enfermeiros, profissionais com ‘nível superior completo’, ‘maior renda familiar per capita’ (maior que US$ 421,00), ‘situação econômica pregressa rica/média’, ‘cor da pele autorreferida como branca’, escolaridade materna ensino médio ou mais, vínculo de trabalho não permanente, mais jovens ‘(idade entre 16 e 44 anos)’, ‘menor carga de trabalho doméstico (até 11 horas por semana)’, ‘maior carga de trabalho profissional (maior que 40 horas semanais)’, ‘maior exposição ao trabalho noturno’ (mais de 6 noites por quinzena), ‘solteiros’, ‘sem filhos’, ‘baixo consumo de frutas e hortaliças’.

Um quarto grupo se caracteriza, principalmente por técnicos e auxiliares, ‘renda familiar per capita de até US$ 421,00’, ‘situação econômica pregressa pobre’, ‘cor da pele autorreferida como parda’, ‘ensino médio completo’, ‘autopercepção de saúde boa’, ‘sem insônia’, ‘sem autorreferir diagnóstico de hipertensão’, ‘maior consumo de alimentos fritos’, ‘escolaridade materna’ ‘até o fundamental’, ‘maior consumo de frutas e hortaliças’, ‘não fumantes’, ‘não consomem bebida alcoólica’, ‘mulheres’, ‘prática de atividade física (sim e não)’, ‘nunca noturnos’, ‘trabalho doméstico maior que 11 horas por semana’, ‘menor carga de trabalho profissional (até 40 horas por semana)’, ‘ex-fumantes’, casados e aqueles com filhos.

Discussão

Dentre as relações conjuntas de categorias associadas aos níveis de estado nutricional, destacaram-se aquelas relacionadas às condições socioeconômicas atuais e pregressas avaliadas, confirmando a importância dos determinantes sociais ao longo da vida. Se por um lado, as condições socioeconômicas atuais e pregressas mais desfavoráveis se mantiveram no grupo da obesidade, por outro, o grupo de ‘baixo/adequado’ agregou as condições mais favoráveis. De fato, nas últimas décadas tem-se observado o acúmulo de evidências indicando que a incidência e a progressão das doenças e incapacidades envolvem a relação complexa de determinantes socioeconômicos, comportamentais, demográficos e psicossociais. Como observa Kaplan et al.26, esses fatores estariam associados à ocorrência das doenças, como também às trajetórias de saúde ao longo de um período substancial de vida. Assim, os modelos epidemiológicos que exploram a trajetória de vida e saúde consideram os efeitos de exposições ao longo da vida, especialmente durante períodos vulneráveis do ponto de vista biológico e social, e que poderiam influenciar a saúde em idades mais avançadas27. No caso das doenças crônicas, como a obesidade, além de fatores genéticos, diversos aspectos de determinação social ao longo da vida poderiam favorecer ou não o ganho de peso, inclusive a influência da fase intrauterina28. Modelos que investigam exposições relacionadas ao curso de vida apontam que o impacto de uma exposição pode depender da idade ou do período de desenvolvimento em que a pessoa foi exposta29. Assim, as estratégias preventivas da obesidade deveriam se iniciar em fases precoces da vida.

No que se refere aos aspectos do trabalho, o grupo dos obesos foi composto pelos ex-trabalhadores noturnos, ou seja, pessoas que trabalham de dia, mas que já fizeram plantões noturnos no passado. Este resultado remete ao efeito do trabalho em turnos, em especial ao trabalho noturno, sobre o ganho de peso30. Estudos que avaliaram os ex-trabalhadores noturnos observaram maior ganho de peso neste grupo, quando comparado aos que nunca trabalharam à noite31,32. Além disso, os trabalhadores que deixam o trabalho noturno apresentam maiores chances de persistirem com dificuldade de manter o sono31,33. Os distúrbios de sono têm se mostrado associados a obesidade e a outros problemas de saúde16.

De fato, a categoria de indivíduos sem experiência no trabalho noturno se agrupou com as categorias que refletem melhor condição de saúde, como a ausência de diagnóstico de hipertensão autorreferido, a boa autopercepção de saúde e a ausência de insônia, enquanto os aspectos de saúde desfavoráveis analisados (autopercepção de saúde ruim, insônia e o diagnóstico de hipertensão autorreferido) se agruparam à obesidade.

O sobrepeso, por sua vez, agrupou-se com aqueles que realizam até cinco plantões noturnos/quinzena. Diversos fatores explicam o maior ganho de peso entre trabalhadores noturnos, dentre os quais se destacam o desajuste circadiano e alterações nos padrões de comportamentos de saúde15,3436. Esses trabalhadores são cronicamente privados do sono noturno, alterando, assim, eventos bioquímicos sucessivos que podem alterar a liberação de hormônios durante o sono, tais como o hormônio de crescimento, a leptina, a grelina e o cortisol37. A privação de sono e a fadiga a ela associada estimulam a alimentação e reduzem o gasto de energia para aumentar as reservas de energia, levando a um aumento no ganho de peso38. Aliado a estes fatores, há dificuldades na absorção do alimento durante a noite, em função da organização circadiana, que é adaptada para a atividade diurna39.

Interagindo com os aspectos biológicos, os comportamentos dos trabalhadores noturnos também afetam o ganho de peso, já que eles tendem a apresentar padrões alimentares mais irregulares que os trabalhadores diurnos, além de fazer maior número de refeições, com lanches, em geral, de fácil preparo durante o turno noturno de trabalho40. Por fim, o ganho ponderal pode ser consequência da falta ou redução da atividade física, especialmente no dia posterior ao plantão noturno41, em função do sono e desgaste físico e mental.

As relações entre o horário de trabalho e a idade podem explicar o agrupamento dos indivíduos baixo/adequado com o trabalho noturno frequente (seis ou mais noites por quinzena) e os mais jovens. Outros estudos com esta população mostram que o trabalho noturno mais frequente é mais comum entre os mais jovens42, que por sua vez podem ter sido expostos ao trabalho noturno por menos tempo. Neste sentido, as evidências de aumento do IMC, com o aumento do tempo de exposição ao trabalho noturno32,43 e de menor IMC entre os mais jovens, explicam este agrupamento de variáveis, já que tanto a menor idade como o menor tempo de exposição ao trabalho noturno contribuem para aumentar as chances de eutrofia. Entretanto, o tempo de exposição ao trabalho noturno não foi analisado, sendo essa uma das limitações deste estudo.

Outra característica observada no agrupamento dos indivíduos com baixo/adequado estado nutricional foi o baixo consumo de frutas e hortaliças. No entanto, essa categoria também é composta por indivíduos mais jovem. Estudos apontam associação positiva entre o consumo de frutas e hortaliças e a idade, já que as pessoas mais velhas parecem reconhecer e valorizar a relação entre alimentação e saúde44. Além disso, a população brasileira apresenta baixa prevalência de consumo regular de frutas e hortaliças4446.

A categoria sobrepeso também se agrupou com o tabagismo, o consumo de álcool e o sexo masculino. O tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas são padrões do estilo de vida relacionados às mudanças sociais, culturais, ambientais e comportamentais que têm contribuído para o ganho de peso4749. Nossos achados corroboram com o que vem sendo observado nos últimos anos sobre a prevalência de sobrepeso no Brasil, ou seja, prevalência maior no sexo masculino6,50,51. A comparação entre as pesquisas realizadas pelo IBGE no período de 1974 a 2009, o Estudo Nacional de Despesa Familiar (1974-1975), a Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição (1989) e as Pesquisas de Orçamento Familiar (2002-2003 e 2008-2009), destaca que nos últimos anos, a prevalência de excesso de peso em adultos aumenta mais no sexo masculino.

Há um grupo definido por um padrão misto, que apresentou relação com as condições sociodemográficas intermediárias, melhores condições de saúde (autopercepção de saúde boa, sem insônia e sem hipertensão autorreferida), hábitos de vida mais saudáveis (maior consumo de frutas e hortaliças, não fumantes, não consomem álcool) e algumas categorias desfavoráveis (menor renda, mais trabalho doméstico e maior consumo de fritura). Esse grupo, no entanto, não se agrupou com categorias relativas ao estado nutricional. Esse perfil pode ser explicado, em parte, pelo fato de que nesse tipo de modelagem não se realiza uma seleção a priori de variáveis que vão compor o modelo final, analisando de forma simultânea todas as variáveis. Os agrupamentos formados por características medidas (categorias das variáveis) são homogêneos entre si e heterogêneos em relação aos outros grupos52.

A complexidade da etiologia da obesidade está dentro de um entendimento de vários níveis. Existem inúmeros fatores em diferentes níveis de influência (biológicos, comportamentais, de grupo e níveis macrossocial)53, todos têm implicações para o desenvolvimento da doença, esses fatores influenciam uns aos outros e, além disso, são, por vezes, influenciados pela própria doença54.

Além dos pontos apresentados no presente estudo, algumas limitações devem ser destacadas. Salienta-se a utilização do IMC para a análise do estado nutricional das pessoas, haja visto que o mesmo não permite avaliar a composição corporal. Em contrapartida, a facilidade de obtenção de dados de massa corporal e de estatura em estudos de base populacional, bem como a sua boa correlação com a mortalidade e a morbidade justificam o seu emprego em estudos epidemiológicos como marcador de adiposidade5557.

Com a análise de correspondência foi possível explorar as inter-relações existentes entre o estado nutricional e características de trabalho, saúde e sociodemográficas, extraindo o máximo possível de informações e servindo como uma ferramenta útil e que se revelou adequada para identificar grupos bem definidos com relação ao estado nutricional. Se por um lado a análise de correspondência mostra-se muito útil na identificação de perfis relacionados ao estado nutricional, dado a natureza multifacetada do problema e sua relação com sistemas complexos articulados, por outro a conformação de grupos não permite que sejam feitas inferências a respeito dos achados. Desta forma os resultados descritos estão circunscritos à população que foi estudada.

Espera-se que os resultados deste estudo possam contribuir para subsidiar estratégias preventivas de saúde pública, podendo assim auxiliar o planejamento de ações direcionadas à prevenção e ao manejo do sobrepeso e da obesidade, bem como o incentivo ao acompanhamento periódico da saúde no contexto do trabalho.

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