Interdisciplinaridade do cuidado a idosos com doença de Alzheimer: reflexão à luz das teorias de Leininger e de Heller

Interdisciplinaridade do cuidado a idosos com doença de Alzheimer: reflexão à luz das teorias de Leininger e de Heller

Autores:

Maria Emilia Marcondes Barbosa,
Etiene Rabel Corso,
Giovana Aparecida de Souza Scolari,
Lígia Carreira

ARTIGO ORIGINAL

Escola Anna Nery

versão impressa ISSN 1414-8145versão On-line ISSN 2177-9465

Esc. Anna Nery vol.24 no.1 Rio de Janeiro 2020 Epub 28-Nov-2019

http://dx.doi.org/10.1590/2177-9465-ean-2019-0083

INTRODUÇÃO

A Doença de Alzheimer é caracterizada como doença neurodegenerativa, de causa não conhecida, com elementos neuroquímicos e patológicos específicos, que ultrapassam o curso fisiológico do envelhecimento e modificam o seguimento social, culturalmente estabelecido do doente, com interferência a nível individual e familiar. Condição que altera de forma impactante os níveis de autonomia e a independência, acarretando importantes mudanças e sérias limitações na realização das atividades cotidianas da vida. Portanto, cuidar de um membro da família com essa enfermidade configura responsabilidade e desafio de caráter multidimensional, contexto pouco explorado que suscita novas reivindicações sociais e adoção de diferentes ferramentas para lidar com a situação, tanto pela família afetada, como pelos prestadores de serviço1.

Nesse sentido, foram desenvolvidos, na última década, modelos de cuidados às pessoas com demência na atenção primária: o cuidado colaborativo ou cuidados centrados no paciente, para auxiliar as complexas necessidades de saúde de doentes e cuidadores, oportunizando atendimento multidisciplinar. Para colaboração bem-sucedida, é fundamental integração interdisciplinar, visto que o cuidado colaborativo se concentra em abordagens sistemáticas, de longo prazo, para melhorar o gerenciamento da doença e não apenas tratar sintomas agudos2.

No rol das necessidades de pessoas com demência, em especial daqueles com a Doença de Alzheimer, encontram-se as relacionadas à saúde biológica e psicossociais. Nesse domínio, sobressai a prevenção de risco de vulnerabilidade social. Para atender a essa problemática, os usuários podem utilizar das ações da política de assistência social, inserida no sistema do bem-estar social do Brasil que, junto à previdência social e o direito à saúde, compõem o denominado tripé da seguridade social no País. Conforme o Plano Nacional de Assistência Social (PNAS), a assistência social deve ser prestada a quem dela precisar3. Ademais, entre os objetivos desta, encontra-se a proteção à família, desde a infância até a velhice4.

Ao considerar que no idoso ocorrem, naturalmente, perdas decorrentes de alterações fisiológicas e orgânicas inerentes ao processo de envelhecimento, o indivíduo passa a conviver com a redução de algumas habilidades5. Tais condições podem torná-los frágeis e susceptíveis à situação de vulnerabilidade, e quando acometidos por alguma comorbidade, como a Doença de Alzheimer, o risco aumenta, requerendo mobilização de rede de atenção, tanto para atender às questões biológicas, sociais e comportamentais que ocorrem com o doente, como para proteção do cuidador que, geralmente, apresenta idade avançada6.

É notório o esforço de instâncias governamentais e não governamentais para desenvolver políticas de promoção à saúde e ao bem-estar da população. No que concerne à saúde do idoso, destaca-se a Constituição de 1988, com a instituição do Sistema Único de Saúde (SUS), garantindo o livre acesso e equidade a todas as ações e aos serviços com vistas a proteger, promover e recuperar a saúde, assegurando a integralidade do cuidado, nos distintos ambientes e problemas da coletividade e dos indivíduos7.

Nesse processo, entre outros pilares, foi criada a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, cujo alvo é resgatar, conservar e propiciar a independência e autonomia das pessoas com 60 anos ou mais, direcionando medidas coletivas e individuais de saúde para esse fim7.

Na mesma época, foi elaborado o Caderno de Atenção Básica, com menção no Pacto pela Vida 2006 e nas Políticas Nacionais, o qual abrange um leque de ações e instrumentos educativos que incluem desde a atenção básica, saúde do idoso, programa de humanização no SUS e promoção da saúde, sendo ponderada a realidade do envelhecimento populacional. Esses instrumentos possuem o intuito de disponibilizar subsídios tecnológicos direcionados à saúde da pessoa idosa, no intuito de capacitar e melhor preparar os trabalhadores, das mais variadas profissões que atuam na Atenção Básica8.

Especificamente, sobre a Doença de Alzheimer, o Ministério da Saúde do Brasil (MS) criou, no âmbito do SUS, em 2002, o Programa de Assistência às pessoas com Doença de Alzheimer que regulamenta, principalmente, a medicação de distribuição gratuita utilizada para o tratamento9. Em 2013, foi lançado pelo MS o protocolo clínico com as diretrizes terapêuticas da DA, a qual apresenta conceitos básicos da doença e fármacos indicados para o tratamento medicamentoso10. E, mais recentemente, em 2016, o MS distribuiu gratuitamente adesivos de rivastigmina para este recurso terapêutico11. Medicamento que fixado à pele libera gradativamente o princípio ativo, com a vantagem de entrar diretamente na corrente sanguínea, reduzindo efeitos colaterais causados pela ingestão11.

Dentre os serviços que demandam atenção à pessoa idosa, especialmente àqueles com a Doença de Alzheimer, encontram-se a enfermagem e o serviço social, campos distintos, mas que interagem e se complementam na prestação da assistência. Ao considerar que o idoso, independentemente da condição clínica, está inserido em contexto cultural no cotidiano, a consolidação das ações profissionais deve ser pautada em referencial teórico filosófico, ou seja, a prática, fundamentada pelas teorias.12

Pondera-se, apropriada, nos campos da Enfermagem, a Teoria Transcultural de Madeleine Leininger; e, no Serviço Social, a Teoria do Cotidiano de Agnes Heller. A complementaridade de intervenções suscita reflexão a partir das referidas teorias como alicerce para o fazer profissional de enfermeiros e assistentes sociais, no âmbito do cuidado a idosos com Doença de Alzheimer e respectivos entornos.

A ideia dessa reflexão emergiu a partir da vivência no campo de prática assistencial, por ocasião do doutorado em curso pela Universidade Estadual de Maringá, realizado em associação que presta assistência a idosos com Doença de Alzheimer, Organização da Sociedade Civil (OSC - Lei 13019/2012) que realiza orientação e acompanhamento de caráter continuado, permanente e planejado na área social e da saúde, com abrangência em domicílio13.

Para atender à demanda de serviços, a referida instituição conta com profissionais do serviço social, da psicologia e pedagogia, caracterizando, assim, o tripé de referência no atendimento de Proteção Social Básica, conforme a NOB/RH/SUAS13. Pelas caraterísticas marcadas por demanda específica da saúde, a instituição adequou o quadro, incluindo profissionais da enfermagem, fisioterapia e nutrição, formando corpo interdisciplinar, que atua de forma integrada.

Interdisciplinaridade se caracteriza como ponto de intercepção entre as operações das disciplinas e entre elas, com sentidos distintos, relaciona-se à busca de harmonia entre a fragmentação e fusão sintética, demanda equilíbrio entre o olhar assinalado pelo nexo da razão, subjetiva e instrumental e, não somente com o trabalho em equipe, como também individual. O papel da interdisciplinaridade na enfermagem e a abertura desta para outras disciplinas fazem o cuidar algo mais que uma profissão14.

Esse processo de integração recíproca entre disciplinas é um ponto intermediário entre a trans e a multidisciplinaridade, acontecendo trocas e melhoramentos recíprocos entre as disciplinas. Todas se esforçam longe da sua área e do vocabulário técnico específico, para arriscar-se em especialidade a qual não tem aproximação. Dessa forma, procura estimular nova compreensão da realidade, articulando elementos que passam entre, além e através das profissões, em busca de compreensão da complexidade do mundo real15.

Esse contexto interdisciplinar, com profissões distintas, embasadas em referenciais teóricos específicos que sustentam a práxis, suscitou a elaboração deste artigo que objetivou refletir sobre a integração das teorias Transcultural de Leininger e a do Cotidiano de Heller, no suporte ao cuidado de idosos com Doença de Alzheimer e respectivos cuidadores.

Como procedimentos, buscou-se trazer estudos nos campos da Enfermagem e do Serviço Social que contemplassem a questão voltada ao cuidado cultural e cuidado cotidiano, similaridades e integração na prática. O texto foi organizado em duas partes, com abordagem nas temáticas: Cuidado Cultural a Idosos com Doença de Alzheimer e Cotidianidade do Cuidado a Idosos com Doença de Alzheimer”.

Cuidado Cultural a Idosos com Doença de Alzheimer

A Enfermagem, como ciência em estabilização, precisa da definição de arcabouço de conhecimentos próprios, bem como de vocabulário específico que possa fundamentar o saber-fazer no cotidiano e nortear o método de trabalho com componentes que simbolizem a identidade profissional, desenvolvendo a expertise.16 Nesse sentido, enfermeiros ancoram as ações a partir do referencial teórico para consolidação do objeto de cuidado e perfil profissional. A teoria de enfermagem viabiliza o fortalecimento da prática profissional cientificamente guiada, habilitando-a para incrementar o cuidado holístico e humano ao indivíduo, à família e comunidade. Essa integração configura-se no cuidado cultural17.

A maioria dos problemas de saúde da população tem etiologia sociocultural. Frente às mudanças demográficos e de mobilidade das pessoas, aumenta-se a diversidade cultural, modificando, também, as relações sociais. Nessa perspectiva, a percepção antropológica repercute como recurso plausível. A Antropologia e a Enfermagem formam "aliança natural", com elementos em comum. Enquanto a primeira concentra-se mais nos grupos humanos, a enfermagem dedica-se mais à pessoa. Dessa aliança, surgiu a Teoria Transcultural, proposta por Leininger, que tem o cuidado cultural como base17.

Leininger afirma que a enfermagem precisa conhecer o âmbito cultural da pessoa para melhor viabilizar o cuidado, respeitando os diferentes modos de pensar, conhecimentos e práticas de saúde, ciente de que cada cultura influencia no cuidado, sem, no entanto, perder a essência do afeto e do amor nas ações deste cuidado. Nesse processo, a convivência de enfermeiros no ambiente de convívio das pessoas e a observação participante são fundamentais18.

Madeleine Leininger apresentou, em 1970, preceito implícito e respeitoso à profissão da enfermagem, ao agregar Antropologia no seu fazer. Graduou-se em Enfermagem em 1948. Tornou-se bacharel em Ciências em 1950, e concluiu o Doutorado em Antropologia em 1965, na University of Washington. Em sua tese, observando crianças e respectivos pais, comprovou que estes apresentavam diferenças de comportamento conforme a origem, atribuindo-as a um eixo de base cultural. A partir de então, dedicou-se a esta nova área da Enfermagem, ou seja, a Enfermagem transcultural, sendo a primeira enfermeira do mundo a doutorar-se em Antropologia. Ao considerar a base antropológica, a Teoria Transcultural apresenta grande amplitude19.

A atuação profissional de enfermeiros junto a idosos com Doença de Alzheimer engloba o cuidado ao indivíduo propriamente dito, ao cuidador que, muitas vezes, também se encontra em idade avançada, e a família, pois é uma doença que atinge toda estrutura familiar, impelindo-os a novos arranjos. Pessoas que, independentemente da origem, classe ou social, são integrantes da sociedade, com determinada cultura, costumes e tradições20.

Cuidar do paciente envolve o entorno deste, a vizinhança. No cuidado cultural, a proximidade é valor essencial. É impossível não se incomodar com o descaso da distância, pois o cuidado está inter-relacionado com a pessoa cuidada. A relação dialógica com o paciente e a família enriquece a prática de cuidar17.

A cultura define os sistemas de crenças de relações afetivas, de cura, bem-estar e morte. Determina que tipo de tratamento será dado, quem deve fornecer o tratamento e quem pode tomar decisões. Os preconceitos e as carências de conscientização e compreensão cultural do cuidador contribuem para ausência de confiança e respeito do paciente, resultando em má comunicação, não adesão, desfechos negativos e disparidades de saúde. Para os profissionais de saúde, compreender a cultura é um processo de aprendizado ativo e constante que requer compromisso de longo prazo21.

O cuidado cultural, entendido como o ato de ajudar, ampara e facilita um sentido cultural, focaliza as necessidades reais ou antecipadas para saúde e bem-estar da pessoa, com objetivo de enfrentar as situações22.

Madeleine Leininger explorou o conceito de cuidar na Teoria do Cuidado Cultural: Diversidade e Universalidade, destacando a apreensão da diversidade (desigualdades) e universalidades (equivalências) dentro e entre culturas, relacionadas ao cuidado. A cultura é essencial para o discernimento de saúde e a assistência ao paciente deve a ela se adequar. Os cuidados fornecidos não apenas devem ser congruentes à cultura, como também úteis para ajudar a alcançar os resultados desejados. O papel do enfermeiro é vital para auxiliar o paciente na busca do bem-estar. Por isso, é importante construir vínculos confiáveis e terapêuticas, os quais são melhores promovidos a partir de consciência e conhecimento cultural23.

A teorista reitera que existem três construtos a serem considerados pelos profissionais: adaptação do cuidado, que ajuda o paciente a alcançar os resultados desejados, preservando a cultura; acomodação ou negociação de cuidados culturais e reestruturação do cuidado cultural. No que diz respeito à acomodação do cuidado cultural, trata-se do reconhecimento de que o paciente possui práticas culturais que não influenciam negativamente na saúde. O papel do enfermeiro é ajudá-lo a manter os valores culturais e o estilo de vida em relação as próprias preocupações com a saúde. A reestruturação de cuidados culturais deve ser aplicada, quando são necessários melhores resultados de saúde e bem-estar19.

O mérito da competência cultural em cada espaço de prática de enfermagem, na esfera atual, não pode ser subestimado16. As ações de enfermagem devem apoiar pacientes, seja qual for a cultura, a se adaptar ou mediar com a comunidade de saúde para obter melhores resultados. Por fim, o papel dos enfermeiros na reformulação do cuidado cultural é prover às pessoas de consciência, possibilitando-lhes tomar decisões esclarecidas, acolhendo valores culturais. Isso poderá ajudá-los transformar condutas negativas de saúde pessoal para conseguir benefícios19.

Destaca-se que oferecer cuidado culturalmente competente não significa que a pessoa seja autoridade sobre os valores e as crenças de todas as culturas ou que sempre aceita as crenças de um paciente ou uma família. O cuidado culturalmente competente exprime que se apresente demasiado respeito pelas diferenças culturais e entendam-se os efeitos do cuidado prestado ao indivíduo e à cultura deste. O cuidado culturalmente competente denota estar disposto a admitir que existem muitos modos de ver o mundo e que nenhum trajeto pode ser considerado o caminho certo19.

Nesse sentido, na Doença de Alzheimer, Leininger aponta que um dos meios de conseguir isso é propiciar cuidados culturalmente congruentes, ou seja, considerando contexto, valores, crenças, estilo de vida e práticas habituais de idosos e respectivas famílias24.

Na prática, o cuidado cultural se concretiza pelo modo de abordar paciente e cuidador, bem como no desenvolvimento das intervenções, desde um processo educativo até um procedimento mais complexo. A exemplo, idosos possuem crenças e costumes que os distinguem enquanto personalidades, ao desenvolver a Doença de Alzheimer, a memória recente de início é atingida, mas o passado é preservado por maior tempo, assim a adesão ao cuidado será melhor, na medida em que hábitos e costumes sejam respeitados. Dentre os cuidados, um dos mais relevantes é evitar mudanças, como exemplo, retirar o idoso de sua residência.

O cuidado cultural consiste em tecnologia que emprega o diálogo e a aceitação do mundo do outro como alicerce para promover o bem-estar, implica respeito ao doente e à família, no contexto sociocultural e cotidiano, em que emergem, também, as demandas sociais, características da cotidianidade.

Cotidianidade do cuidado a idosos com Doença de Alzheimer

O Serviço Social é uma área de conhecimento relativamente nova e, como outras disciplinas, requer adequada definição de domínio teórico metodológico. Nesse contexto, as ideias de Agnes Heller surgiram, na década de 1990, como premissa de um referencial teórico-metodológico, no âmbito da formação e atuação profissional do assistente social, com a teoria do cotidiano. A autora parte do conceito de que o cotidiano é o cenário onde ocorrem os acontecimentos da vida social e há evolução da vida de todo ser humano25.

Enfatiza-se, ainda, que no cotidiano de intervenção profissional, é de extrema importância a interdisciplinaridade dos profissionais imersos nesse campo, trabalhando de forma a integrar os elementos presentes da Teoria do Cotidiano de Heller, quais sejam: espontaneidade, imediatismo e analogia.

A Teoria da Cotidianidade de Heller busca a compreensão dos elementos que permeiam o cotidiano, a interação com o senso comum e o resgate do incomum dentro da cotidianidade, é descobrir que a essência do cotidiano está na não cotidianidade. A vida cotidiana é a vida do homem inteiro, ou seja, aquele que participa da vida, do dia a dia, com todos os aspectos da individualidade e personalidade. Na vida cotidiana, é colocado “em movimento” os sentidos, as faculdades intelectuais, as habilidades persuasivas, os sentimentos, as paixões, os pensamentos e as convicções26.

As conjecturas filosóficas de Heller compreendem a cotidianidade, imediaticidade, historicidade, papéis sociais, ciência dos valores, comportamento ético/moral, juízos provisórios, objetividade e subjetividade, particularidade, individualidade, ou seja, os fundamentos ontológicos do ser social, padrão de análise do pensamento Helleriano, por meio de experiências cotidianas. O cotidiano é o “mundo da vida” onde cria e se recria por meio do diálogo, em eterna movimentação. O conceito de cotidiano está relacionado àquilo que é vivido e à vida social dos indivíduos sociais. Um e outro se relacionam entre si27.

A aplicabilidade da Teoria do Cotidiano junto a idosos com Doença de Alzheimer é percebida ao se deparar com situações de vulnerabilidade social (baixa renda) e conflitos familiares, que devem ser amenizados de imediato (imediatismo), para possibilitar suporte ao doente e à família. O decurso de ressocialização não se limita ao acesso à cidadania, trabalho e direitos sociais. A cidadania posiciona a pessoa a condições básicas de inclusão social, no entanto, são os propósitos de vida de cada indivíduo que mostram um caminho a ser seguido para que a inclusão aconteça. Logo, é preciso estar atento aos desejos e às necessidades individuais e ajudá-los a viver a partir de suas singularidades no contexto social, no qual estão inseridos25.

No cuidado à saúde, é importante buscar a completude da existência, de modo a permitir oferecer significado e sentido não apenas à saúde, mas ao próprio projeto de vida, o qual ressignifica tudo, inclusive, o cuidado de si25.

Segundo a Teoria de Heller, cada homem vive a existência cotidiana, com suas experiências, habilidades, afetos, paixões, pensamentos e ideologias. O global está incluo em todo homem. É específico e, concomitantemente, uma criatura genérica, uma vez que é consequência de seus vínculos sociais, herdeiro e conservador da desenvolução humana; não é só, mas sempre integrado com outros homens, em uma esfera sociocultural. A vida cotidiana dos homens possibilita, em termos gerais, o modelo de como se apresenta a sociedade onde vive esse cidadão25. Assim, ao analisar a vida cotidiana das pessoas entrevistadas, percebe-se a orientação à forma de organização e reprodução da sociedade em que estão inseridos.

A aproximação das bases do saber marcadas pela cotidianidade de Heller, como forma essencial de cuidado, como eixo cultural da atenção, segundo os pressupostos de Leininger, ocorre pela utilização do mesmo campo e na ação conjunta no mesmo paciente/espaço. Enfermeiros e assistentes sociais realizam o diagnóstico situacional de saúde e social, em seguida, o planejamento interdisciplinar das intervenções, em momentos específicos de cada área, as quais se fundem, posteriormente, em único contexto, a resolução dos problemas sociais, atendendo aos valores culturais do indivíduo e da família.

No contexto de idosos com Doença de Alzheimer, é frequente encontrar famílias desestruturadas, tanto financeira como emocionalmente, em condição de ameaça, não necessariamente de circunstância de dano, mas com risco de fragilidade. Determinados idosos com a doença apresentam maior risco de agravos, em consequência de exíguas condições econômicas, portanto, estão susceptíveis a outras comorbidades. São idosos em vulnerabilidade social, com estabelecida condição desfavorável de privação no cotidiano28, cenário que exige intervenção social vigorosa e imediata, visando proteção e bem-estar do doente e da família, conforme os pressupostos de imediatismo da cotidianidade de Heller.

Outra condição do cotidiano na Doença de Alzheimer que gera desgastes nas relações sociais que demandam intervenções da assistência social, são as relacionadas à comunicação. As dificuldades de comunicação, em maioria, são decorrentes do desconhecimento sobre a doença27. Isso, muitas vezes, acarreta conflitos. Nesse sentido, a cotidianidade do cuidado cultural aponta o diálogo, em constante movimentação, como a melhor estratégia para resolução de problemas de pacientes e cuidadores. O fator comunicação é, também, potencial base no cuidado cultural.

O cuidado cotidiano é representado pela atitude de resolução de problemas quando emergem da organização social, tendo como premissa a solução de conflitos e o atendimento das necessidades vivenciadas por idosos com Doença de Alzheimer e respectivas famílias, o mais precocemente possível. É no seio da família, no cotidiano das relações que dela decorrem, que a vida acontece. Dessa forma, os problemas decorrentes dentro da família são diagnósticos sociais29.

O cotidiano é uma classe de estudo composto por fatores de organização da vida pessoal, do trabalho, do espaço de entretenimento e da coletividade como um todo, configurando-se num local hierárquico e heterogêneo, arraigado no presente tempo, em que o indivíduo se põe integralmente, com todos os elementos da singularidade e personalidade. Neste universo, são empregados conhecimentos, habilidades comunicativas, paixões, sentimentos, concepções, valores. Analisar as pessoas é, por conseguinte, acabar com o paradigma de que o homem biológico é o centro em matéria de importância e valor, e repensá-lo como integrante de seguimento histórico-social, que perpassa por demandas objetivas e subjetivas do contexto em que se encontra30.

Nesse processo de compreensão dos pressupostos de Heller, com destaque na dimensão teórico-prática, aplicados a idosos com Doença de Alzheimer e entornos destes, cumpre esclarecer sobre as principais características da doença, que exige a pronta intervenção da assistente social: despersonalização (progressiva perda da memória), exclusão social, conflitos familiares no enfrentamento da doença, desiquilíbrio financeiro para tratamento, entre outros fatores, exigindo ajustes familiares, necessidade de contratação de profissionais, entre outros.

Assim, as intervenções precisam ser pautadas no atendimento das necessidades sociais imediatas, com suporte às famílias, seguidas de processos de inclusão no âmbito cultural, oferecendo meios para que idoso, cuidador e família sejam reinseridos na sociedade.

Congruência do cuidado Cultural e da Cotidianidade do Cuidado

Conceber a pessoa idosa com Doença de Alzheimer e as expressões sociais e culturais que dela decorrem significa pensar em respostas imediatas para cada situação que emerge. A conformidade do cuidado cotidiano e cultural se configura em nova tecnologia de cuidado, com abrangência interdisciplinar, que possibilita maior eficácia na resolução dos problemas que afetam idosos com Doença de Alzheimer. Nesse processo, prioriza-se o atendimento nas situações agudas de saúde e/ou social (espontaneidade) e investe-se na prevenção de agravos e promoção da saúde destes idosos e respectivos cuidadores, por meio de ações pautadas no respeito aos aspectos culturais e na cotidianidade desses indivíduos.

Nesse respeito, a cultura das famílias envolvidas nessa relação, fortemente marcada pela sociedade patriarcal, de passado não tão distante, em que as mulheres eram destinadas ao cuidado familiar no ambiente privado, e ao homem, o cuidado em prover o sustento, ou seja, a mulher no privado, homem no público19, encontra-se a Enfermagem e o Serviço Social, para disposição das distintas intervenções, com respeito pelos valores familiares, e a sociedade, em que esses idosos um dia foram sujeitos ativos na roda da vida do nascer, trabalhar, adoecer e precisar de outrem que lhe cuide, devem estar presente.

Levando em conta que a maioria dos cuidadores de idosos com Alzheimer são do sexo feminino, na mesma medida, é preciso adentrar nesse cotidiano familiar, despido de preconceitos e valores pessoais e, apto a agir com respeito a essas mulheres que mesmo sabendo que estão sendo banidas de vida social, de direitos que lhes são inerentes como ser humano, estão dispostas à abnegação de cuidar de idosos com Doença de Alzheimer. Esse cuidado inclui o encaminhamento, quando necessário para os serviços públicos e/ou privados de atendimento, bem como requerer benefício eventual, oriundo da Lei Orgânica da Assistência Social (como a cesta básica), entre outros3. Assim, a atuação interdisciplinar neste contexto seria preparar o cuidador para exercer o cuidado com mais propriedade.

Somente o atendimento não é suficiente, é preciso enxergar além do aparente, desvendar a realidade de cada família, respeitando valores e crenças, tendo a sensibilidade e responsabilidade social de saber intervir em cada caso, da maneira mais eficaz possível, com vistas à emancipação e autonomia.

As ações conjuntas da enfermagem e do serviço social conferem o caráter de congruência das bases teóricas de Leininger e Heller. Entre as demandas frequentes das famílias pelos serviços desses profissionais, tem-se a resolução de conflitos. A exemplo, é comum, principalmente em famílias numerosas, o cuidado recair para apenas um membro da família, pelas inúmeras exigências para o cuidado do idoso com Doença de Alzheimer, ou seja, o que o torna sobrecarregado. Solução que envolve a necessidade de conhecer o contexto sociocultural dessa família e a comunicação como ferramenta de apoio.

Assim, a resolução de conflitos envolve o respeito e a cultura, além de considerar o contexto familiar do idoso para prestação do cuidado, no papel de mediação, orientar os familiares sobre as características da doença, em que a manutenção da rotina, no ambiente do idoso com Doença de Alzheimer, por exemplo, promove bem-estar deste. Assim, também sensibilizar os familiares quanto às necessidades do cuidador em sobrecarga, pois este precisa ter momentos para cuidar de si, atender a compromissos pessoais, ter momentos de lazer, para preservar a própria saúde e, em conjunto, encontrar a melhor solução22,27.

Em outras intervenções de cuidado, a conformidade entre as teorias também é percebida. No âmbito da promoção à saúde, atividades físicas desenvolvidas em grupo têm como objetivos estimular a memória, melhorar a mobilidade de idosos/cuidadores e promover a socialização. São realizadas em ambiente externo (como um parque), possibilita o contato próximo à natureza, motivando idosos com Doença de Alzheimer e cuidadores à sensação de bem-estar, percebida pela expressão de alegria e contentamento de participantes. Tal atividade integra a cotidianidade do cuidado, no aspecto de socialização, e o fato de ser realizada em espaço aberto, ao mesmo tempo em que promove a saúde, estimula reminiscências, principalmente daqueles que têm origem na região rural, revisitam o passado, com costumes e tradições24,19.

CONCLUSÃO E IMPLICAÇÕES PARA A PRÁTICA

A interdisciplinaridade do cuidado em Heller e Leininger, com origem na Antropologia, pode ser explicada pela presença de elementos em comum, tanto teóricos quanto práticos. Conceitos como holismo, meio ambiente, necessidades básicas, vínculo, apoio e cotidiano são análogos.

Na Antropologia, concentram-se grupos humanos, de onde vem a compreensão do universo cultural do indivíduo. Assim, o Serviço Social se ocupa da parcela populacional com risco de vulnerabilidade social; e, a Enfermagem, da pessoa como um todo. Das ações interdisciplinares, no contexto de idosos com a Doença de Alzheimer, entende-se como doença da família, necessitando da relação dialógica, do respeito as diferenças e da busca pela promoção de bem-estar dos envolvidos.

Ocorrem, também, semelhanças nos aspectos metodológicos. O acompanhamento no campo é o atributo comum a todas as disciplinas, assim como a observação participante é o instrumento que aproxima o profissional do universo das pessoas, recurso indispensável para compreensão da realidade, tanto nos processos saúde-doença quanto socioculturais, de modo a possibilitar a aproximação terapêutica com a criação de vínculo, imprescindível na atuação junto à família, cujo idoso apresenta a Doença de Alzheimer.

A congruência das teorias implica cuidado integral, sólido, envolve ações concretas, baseadas em pressupostos diferentes, que se fortalecem quando se juntam, beneficiando idosos e cuidadores, com cuidado individualizado e diferenciado. Essa integração, marcada pela soma de esforços, de um lado o respeito pela cultura, e do outro, o imediatismo na resolução de problemas, aprimora o cuidado qualificado realizado. Ademais, envolve condutas objetivas, pautadas nas demandas específicas onde isoladamente nem a enfermagem nem o serviço social dariam conta de resolver, realizadas com foco na assistência a idosos com Doença de Alzheimer.

Essa reflexão possibilitou a imersão no universo da base teórica que norteia a práxis de enfermeiros e assistentes sociais. Outrossim, permitiu melhor compreensão das ações do outro e a interação deste no processo de cuidado a idosos com Doença de Alzheimer, em multidimensionalidade, contribuindo, entre outros fatores, para harmonia da equipe. O conhecimento das bases filosóficas do fazer do outro fortalece a interdisciplinaridade, resultando em maior qualidade do cuidado.

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