Jornal Brasileiro de Pneumologia: 40 anos de tradição

Jornal Brasileiro de Pneumologia: 40 anos de tradição

Autores:

Nelson Morrone

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Pneumologia

versão impressa ISSN 1806-3713versão On-line ISSN 1806-3756

J. bras. pneumol. vol.41 no.5 São Paulo set./out. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/S1806-37132015000500002

Para o homem, quando a idade chega aos "enta" é quase um desespero porque assinala o fim da juventude e um futuro menos esplendoroso.

Para uma revista médica, entretanto, os 40 anos de existência traduzem que sua história anterior foi satisfatória e, mais importante, que seu futuro será cada vez mais grandioso.

Nosso Jornal, comemorando seus 40 anos, se destaca nos dias atuais por vários motivos, sendo o principal ser o divulgador de pesquisas de especialistas brasileiros e internacionais, refletindo, com essa internacionalização, sua maturidade e seu poder de divulgação. Uma contribuição importante para a internacionalização e para a atração de pesquisadores nacionais foi a indexação no LILACS, PubMed/MEDLINE e outras fontes de referência. A publicação de todos os artigos na Internet, em português e inglês (tradução pelo JBP) e nos números impressos, de acordo com os autores, em português, inglês e espanhol, é uma conquista de valor inestimável e um fator considerável de prestígio.

A mudança de nome de Jornal de Pneumologia para Jornal Brasileiro de Pneumologia foi, sem dúvida, uma contribuição considerável para seu prestígio atual.

Outro aspecto importantíssimo do JBP, ao contrário de muitas publicações, é estar disponível gratuitamente na Internet e, portanto, se diferencia por não ser uma fonte financeira para nossa Sociedade; é claramente uma contribuição importante para o conhecimento médico e com óbvias vantagens para os pacientes, distinguindo-se das revistas que cobram dezenas de dólares para a visualização de um artigo.

Esta grandiosidade do JBP reflete a remoção de inúmeras dificuldades iniciais, das quais muitas foram contornadas pelo progresso geral e pela informática. Por exemplo, lembramos que o governo financiava a publicação com uma verba anual, que constantemente era desvalorizada pela inflação, e que eram proibidas aplicações financeiras. A prestação de contas era terrível, pois até a selagem da correspondência tinha que ser detalhada (como curiosidade: alguns anos após deixar o JBP, fui multado pela Receita Federal, pois havia, em moeda atual, R$ 3,00 não justificados). Tal chateação terminou quando o papel para a impressão foi comprado de uma só vez para ser utilizado por um ano. A venda de espaços para a publicidade em geral exigia a contribuição de vários colegas com acesso aos laboratórios, pois esses não acreditavam muito no poder de divulgação do JBP. Ressalte-se, ainda, que a propaganda não divide a parte científica do JBP.

A revisão dos artigos para publicação era muito trabalhosa, pois os originais eram enviados com múltiplas cópias ou "xerocados" e enviados pelo correio para, no mínimo, três revisores. Em geral, o julgamento de cada artigo demorava alguns meses; hoje, essa demora está nitidamente reduzida. Viva a Internet!

Os pesquisadores nacionais nem sempre privilegiavam o JBP para suas publicações, e, assim, a disponibilidade de artigos nem sempre era a ideal. Para contornar tal dificuldade, nos primeiros tempos, a publicação de cursos em várias seções, em números sucessivos, ocupava espaço considerável, mas o atraso de algum convidado retardava a periodicidade do JBP. Para contornar essa dificuldade, as revisões passaram a ser feitas principalmente por convidados, mas sem restrição às enviadas espontaneamente e publicadas em um só número.

Após o fechamento do material, a publicação também demandava algumas semanas por dificuldades técnicas do então nosso responsável pela impressão. A postagem era outro fator de atraso considerável, bastando lembrar com arrepios que um dos diretores (Dr. Bogossian) passava, na época, horas no Correio.

Essas considerações, algumas vividas por mim mesmo e muitas por outros editores, são justificadas para que a tradição do JBP não se perca.

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