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Klebsiella pneumoniae ESBL formando esferoplastos em sedimento urinário a fresco sem coloração

Klebsiella pneumoniae ESBL formando esferoplastos em sedimento urinário a fresco sem coloração

Autores:

José Antonio Tesser Poloni,
Gisele Meinerz,
Alexandre de Almeida Monteiro,
Elizete Keitel,
Liane Nanci Rotta

ARTIGO ORIGINAL

Brazilian Journal of Nephrology

versão impressa ISSN 0101-2800versão On-line ISSN 2175-8239

J. Bras. Nefrol. vol.38 no.2 São Paulo abr./jun. 2016

http://dx.doi.org/10.5935/0101-2800.20160038

Prezado Senhor,

Um homem de 60 anos de idade foi submetido a um transplante renal em 2013 por doença renal crônica causada por hipertensão. O paciente apresentava episódios recorrentes de infecção do trato urinário e compareceu ao hospital em função de uma febre que persistia há quatro dias, dor abdominal, sensação de queimação ao urinar e náusea. A urina de rotina revelou quadro de infecção (> 50 leucócitos/HPF associada a bacteriúria intensa). O sedimento urinário apresentou elementos alongados com parte alargada na porção média de sua estrutura corporal (Figura 1).

Figura1 Sedimento urinário fresco não corado. Microscopia de contraste de fase. Ampliação original 400x. 

A coloração de Gram do sedimento urinário revelou que a estrutura adquiria padrão de coloração Gram negativa. Klebsiella pneumoniae.

ESBL foi identificado como o único germe na amostra de urocultura em lâmina CHROMagar (> 100.000 UFC/mL). A identificação do microrganismo foi confirmada por MALDI-TOFF (Log Score 2,426). O antibiograma revelou sensibilidade a meropenem e foi iniciada antibioticoterapia (28 dias) para pielonefrite aguda. A função renal foi reduzida, mas melhorou durante o período de internação. Foram realizados exames por ultrassom e pielografia anterógrada percutânea por conta dos episódios repetidos de infecção do trato urinário sem revelar evidências de estase ou estenose do cálice renal para a bexiga. O paciente recebeu alta em boa condição geral e foi orientado a manter a medicação em uso e dar prosseguimento ao atendimento ambulatorial na unidade de transplante renal.

As estruturas observadas durante a urinálise de rotina apresentadas na Figura 1 tinham formas filamentares e esferoplastos que podem ser formados por bactérias Gram-negativas na presença de concentrações sub-inibitórias de antibióticos beta-lactâmicos.

Clínicos e especialistas em microbiologia devem estar cientes das alterações morfológicas dos organismos Gram-negativos associadas a concentrações sub-inibitórias de beta-lactâmicos.1 O achado é uma indicação clara de formas resistentes de bactérias Gram-negativas que podem ser facilmente identificadas na urinálise, uma informação costumeiramente desprezada no laudo sobre o sedimento urinário.

REFERÊNCIAS

1 Suwantarat N, Jacobs MR. Photo quiz: positive blood culture in a patient with sickle cell crisis. Answer: Klebsiella pneumoniae bacteremia showing filamentous forms and spheroplasts due to the presence of subinhibitory concentrations of beta-lactams. J Clin Microbiol 2013;51:2475, 2807.