Leucemia mieloide crônica: passado, presente, futuro

Leucemia mieloide crônica: passado, presente, futuro

Autores:

Patricia Weinschenker Bollmann,
Auro del Giglio

ARTIGO ORIGINAL

Einstein (São Paulo)

versão impressa ISSN 1679-4508versão On-line ISSN 2317-6385

Einstein (São Paulo) vol.9 no.2 São Paulo abr./jun. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/s1679-45082011rb2022

INTRODUÇÃO

A leucemia mieloide crônica (LMC) constitui uma desordem mieloproliferativa, que se caracteriza pela presença de uma mutação adquirida, a qual afeta a célula tronco hematopoiética.

A LMC representa cerca de 20% das leucemias do adulto e ocorre com a mesma frequência ao redor do mundo. Sua incidência anual é de 1,6 casos/100.000 habitantes/ano, havendo um discreto predomínio masculino (1,4/1,3), com mediana de idade à apresentação de 55 anos. Menos de 10% dos casos ocorrem em pacientes com menos de 20 anos(1).

Há maior incidência da LMC em sobreviventes da bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial, assim como em pacientes submetidos à radioterapia para tratamento de doenças oncológicas. Apesar dessa provável relação causal entre LMC e radiação ionizante, a maioria dos casos parece ser esporádica, não havendo fator predisponente.

FISIOPATOLOGIA

Em 1960, um pequeno cromossomo foi identificado em pacientes com LMC(2). Pela primeira vez na história da Medicina, foi descrita a associação entre uma anormalidade cromossômica e uma doença oncológica. Posteriormente, demonstrou-se que essa alteração cromossômica era resultado de uma translocação recíproca e balanceada entre os braços longos dos cromossomos 9 e 22, t(9;22)(q34;q11), sendo denominado cromossomo Filadélfia (Ph). Presente em 95% dos pacientes com LMC, o cromossomo Ph resulta da translocação balanceada entre o gene ABL (Abelson Murine Leukemia ) localizado no cromossomo 9, com o gene BCR (breakpoint cluster region ) no cromossomo 22(2,3). O gene híbrido resultante, o BCR-ABL, codifica uma proteína de fusão anormal que contém atividade tirosina quinase (TK) continuadamente ativada na região ABL, sendo responsável pelo desenvolvimento da leucemia.

A partir da identificação da patogênese molecular da LMC, esforços têm sido feitos com o objetivo de identificar as vias de sinalização que influenciam a atividade TK do BCR-ABL, ligando essas vias às alterações características da LMC. Essas alterações incluem: aumento da proliferação celular (ativação da via RAS); diminuição da apoptose (via STAT5, hiperativação da molécula antiapopitótica BCLxl, inativação da molécula pró-apoptótica BAD via AKT); desregulação da citoadesão celular, havendo liberação prematura de células mieloides imaturas na circulação (efeito da CRKL); alterações na angiogênese; e aumento da instabilidade genética responsável pela progressão da doença(4,5).

A descoberta dessa alteração molecular não apenas aprimorou o diagnóstico da LMC, mas possibilitou o desenvolvimento de terapia dirigida contra esse defeito molecular e, posteriormente, de métodos de monitoração de doença residual mínima(6).

CURSO CLÍNICO

A LMC apresenta inicialmente uma fase crônica (FC) de duração variável, seguida de progressão para fase blástica (FB), precedida ou não por uma fase acelerada (FA). Cerca de 90% dos pacientes são diagnosticados em FC, sendo, destes, 20 a 45% assintomáticos. Apresentam leucocitose com desvio à esquerda, com células granulocíticas bem diferenciadas, e esplenomegalia. Quando sintomáticos, apresentam sintomas de hipercatabolismo (fadiga, perda ponderal, sudorese noturna e febre) e desconforto abdominal decorrente da esplenomegalia. Complicações trombóticas ou hemorragia ocorrem em menos de 5% dos casos em FC.

Os pacientes podem evoluir da FC para FB bruscamente ou passar por um período de transição, a FA acelerada(7).

Diversas definições de FA foram descrita nos últimos 20 anos; as mais empregadas são as do MD Anderson Cancer Center (MDACC), a da International Blood and Marrow Transplantation (IBMTR) e da Organização Mundial da Saúde (OMS)(8). Em todas essas classificações, existem critérios objetivos, como o número de blastos, basófilos e presença de evolução clonal, além de critérios de características mais subjetivas, como leucocitose persistente e esplenomegalia não responsiva ao tratamento (Quadro 1).

Quadro 1 Comparação das três classificações da LMC em fase acelerada 

Tipos de células MDACC IBMTR OMS
Blastos (%) ≥ 15 ≥ 10 10 – 19
Blastos + promielócitos (%) ≥ 30 ≥ 20 NA
Basófilos (%) ≥ 20 ≥ 20 ≥ 20
Plaquetas (/mm3) < 100.000 ↑ ou ↓ persistente, independente do tratamento < 100.000 ou > 1.000.000
Leucócitos (/mm3) NA Difícil controle NA
Anemia NA Não responsiva ao tratamento NA
Esplenomegalia NA Em aumento NA
Citogenética Evolução clonal Evolução clonal Evolução clonal

MDACC: MD Anderson Cancer Center; IBMTR: International Bone Marrow Transplant Registry; NA: não se aplica.

Após período de 1 a 2 anos, a FA transforma-se em FB mieloide (70%), linfoide (20 a 30%) ou indiferenciada, caracterizada por infecções, sangramentos, falência de múltiplos órgãos, com sobrevida média de 3 a 6 meses sem tratamento(7).

A transição da FC para os estágios mais avançados da doença não é bem compreendida, mas acredita-se ser decorrente da instabilidade genética. A proliferação celular induzida pelo BCR-ABL levaria à aquisição de anormalidades cromossômicas adicionais, conhecida com evolução clonal(9).

FATORES PROGNÓSTICOS

Com o intuito de identificar precocemente pacientes em FC da doença que pudessem ter uma evolução desfavorável com terapia convencional, Sokal(10), em 1984, desenvolveu um sistema para subclassificar pacientes com LMC em FC em três grupos em relação à sobrevida e de acordo com suas características clínicas e laboratoriais (contagem de plaquetas, tamanho do baço, idade e percentagem de blastos em sangue periférico). Escore prognóstico similar foi desenvolvido por Hasford et al.(11) utilizando como parâmetros idade, tamanho do baço, contagem em periférico de plaquetas, eosinófilos, basófilos e blastos. Ambos os escores são ainda hoje altamente reprodutíveis e aceitos como modelos prognósticos para pacientes em FC (Quadro 2).

Quadro 2 Escore de risco em leucemia mieloide crônica 

Risco sokal sobrevida mediana (m) Hasford sobrevida mediana (m)
Alto < 0,8 60 ≤ 780 98
Intermediário 0,8 – 1,2 30 781 – 1480 65
Baixo > 1,2 24 > 1480 42

Link para cálculo on-line: www.roc.se/sokal.asp; www.phamacoepi.dem=meses

TRATAMENTO

O tratamento da LMC passou por uma verdadeira revolução ao longo dos anos. A radioterapia paliativa esplênica, a partir do início do século 20, permaneceu como terapia padrão por mais de 50 anos. Em 1960, surgiu o bussulfan(12) e, a seguir, a hidroxiureia, que se mostrou superior em relação ao primeiro, provavelmente por ser melhor tolerada, haven-do pequeno ganho de sobrevida(13). Entretanto, nenhum desses agentes tinha a capacidade de induzir qualquer grau de negativação do cromossomo Ph, sendo, assim, incapazes de alterar a história natural da doença.

Em 1980, verificou-se a eficácia do interferon-alfa (IFN-α) em estabelecer respostas hematológicas e citogenéticas, parciais ou completas, prolongando, desse modo, a sobrevida(14). Gradativamente, o IFN-α substituiu a hidroxiureia e o bussulfan no manuseio de pacientes em FC recém-diagnosticados(15).

Ainda em 1980, surgem as primeiras experiências de transplante alogênico de célula tronco hematopoiética (TACTH) em LMC FC, constituindo a primeira modalidade curativa, com mortalidade relacionada ao transplante de 10 a 20% em um ano e sobrevida em cinco anos em torno de 60%(16), com grande parte dos pacientes sem evidência de doença. Os pacientes que eventualmente recidivavam eram resgatados com sucesso por meio da infusão de linfócitos do doador, com ou sem quimioterapia prévia(17). Tornou-se, então, evidente que o benefício obtido com TACTH na LMC é devido ao efeito enxerto versus leucemia, mediado pelos linfócitos do doador, embora o alvo específico desse efeito ainda não esteja completamente elucidado(18). A partir de 1990, o TACTH torna-se o tratamento de escolha para pacientes com menos de 50 anos em FC, sendo o IFN, associado ou não a citarabina, reservado para os pacientes não eligíveis para TACTH(19). A descoberta da oncoproteína BCR-ABL em 1986 permitiu, nos anos subsequentes, o desenvolvimento de uma nova droga, capaz de inibir a atividade da oncoproteína BCR-ABL(20). Denominada inicialmente STI571, hoje conhecida como imatinibe, revolucionou o tratamento da LMC.

A LMC passou, então, a ser o primeiro modelo de doença da chamada terapia-alvo. Embora o imatinibe não atue diretamente na base da patogênese da LMC impedindo a codificação de BCR-ABL, ele age competindo pelo sítio de ligação do ATP da tirosinoquinase, restaurando seu mecanismo de morte celular. Durante estudos realizados in vivo e in vitro por Druker et al., verificou-se que essa droga reduzia entre 92 a 98% o número de colônias BCR-ABL, mas sem inibir a formação de colônias normais(21).

O imatinibe foi usado pela primeira vez em 1998 para tratar pacientes resistentes ao IFN(22). O sucesso resultante desse pequeno estudo levou ao desenvolvimento do estudo IRS (International Randomized Study of Interferon and STI 571 ), o qual demonstrou a superioridade do imatinibe 400 mg/d em relação à combinação de IFN e citarabina, nas taxas de resposta citogenética (RCg), sobrevida livre de eventos (SLE), sobrevida livre de progressão (SLP) e sobrevida global (SG)(23). A partir do ano 2000, o imatinibe se tornou o tratamento de primeira escolha para pacientes com LMC em FC, na dose de 400 mg/dia. Doses iniciais de 800 mg de imatinibe foram comparadas com 400 mg, pelo estudo TOPS(24). No estudo francês SPIRIT, a dose de 400 mg/d foi comparada a 600 mg/d(25). Apesar da observação de que pacientes recebendo doses maiores de imatinibe atingiam mais rapidamente resposta citogenética completa (RCgC), até o momento ainda não foi demonstrada vantagem de sobrevida.

A combinação de imatinibe 400 mg/d com IFN alfa-2b peguilado foi feita em dois estudos em pacientes em FC e, apesar das taxas de RCgC e resposta molecular maior (RMM) serem superiores, a maioria dos pacientes descontinuou o IFN apôs um ano de tratamento(25,26).

A partir do advento do imatinibe, novos critérios de resposta e monitoramento da doença surgiram com o objetivo de otimizar e padronizar o manuseio da LMC. Esses critérios são criados pelo grupo Leukemia Net(27), por meio de uma revisão crítica dos artigos relevantes da literatura e de reuniões de consenso.

DEFINIÇÃO DE RESPOSTA

Resposta hematológica completa (RHC) é definida por: plaquetas ≤450 × 109/L; leucócitos ≤10 × 109/L, com diferencial normal; basófilo < 5%; e ausência de esplenomegalia.

A RCg pode ser completa (ausência de células Ph+), parcial (Ph presente em 1 a 35% das células), menor (Ph presente em 36 a 65% das células), mínima (Ph presente em 66 a 95% das células), ou sem resposta (Ph presente em mais 95% das células).

A RMM é definida pela redução de três logs dos transcritos de BCR-ABL e corresponde a BCR-ABL/ABL ≤0,1% padronizado pela escala internacional(28); a resposta molecular completa (RMC) é definida pela ausência de transcritos BCR-ABL por RT-PCR e/ou nested PCR em duas amostras consecutivas (Quadro 3).

Quadro 3 Definição de resposta hematológica, citogenética e molecular, e monitorização 

Resposta hematológica completa
  • Plaquetas ≤ 450 × 109/L

  • Leucócitos ≤ 10 × 109/L, com diferencial normal

  • Basófilo <5%

  • Sem esplenomegalia

Monitorização: cada 2 semanas até resposta completa. Após, a cada 3 meses
Resposta citogenética
Completa: ausência de Ph
Parcial: Ph (+) em 1 – 35 % das células
Menor: Ph (+) em 36 – 65% das céluas
Mínima: Ph (+) em 66 – 95% das células
Sem resposta: > 95% das células com Ph (+)
Monitorização: ao diagnóstico, 3 meses, e a cada 6 meses, até RcyC; após, anualmente, sempre que houver falência no tratamento ou citopenias inexplicáveis
Resposta molecular
Completa: transcritos mRNA BCR-ABL indetectáveis por RT-PCR e /ou nested PCR em 2 amostras consecutivas
Maior: taxa de BCR-ABL/ ABL < 0,1% padronizado pela escala internacional, correspondendo a redução de ≥ 3 logs dos transcritos BCR-ABL
Monitorização: cada 3 meses até RMM ser atingida e confirmada; após, a cada 6 meses
A análise mutacional deverá ser realizada nos casos de falência, resposta subótima ou aumento do número de transcritos, antes da mudança do ITK

Ph: cromossomo Filadélfia; RT-PCR: reação de polimerase em cadeia em tempo real; ITK: inibidor tirisinoquinase.

Com base no grau de resposta hematológica, citogenética e molecular, e no tempo necessário para a resposta ser atingida, a resposta ao imatinibe pode ser definida como ótima, subótima ou falência (Quadro 4). A resposta ótima significa que não há indicação de mudança na terapia, com provável aumento da sobrevida, a qual é projetada próxima dos 100% após 6 a 7 anos; se subótima, significa que o paciente ainda apresenta benefício com a manutenção do tratamento, mas poderia ser elegível para tratamento alternativo; em falência, significa que uma evolução favorável é improvável e o paciente deve receber outro tratamento, desde que disponível e aplicável. Essas definições de resposta ainda podem ser moduladas por fatores de prognósticos que podem afetar de maneira adversa a resposta da terapia e que, assim, requerem uma monitorização mais cuidadosa, como, por exemplo, pacientes alto risco de Sokal, que apresentem evolução clonal ao diagnóstico, pacientes que não obtenham RMM aos 12 meses ou ainda naquele em que há aumento dos transcritos BCR-ABL.

Quadro 4 Definição resposta ao imatinibe em pacientes com leucemia mieloide crônica em fase crônica precoce 

Resposta 3 meses 6 meses 12 meses 18 meses
Ótima RHC < RCg menor RCgP RCgC RMM
Subótima Sem RCg < RCgP RCgP < RMM
Falha Sem RHC Sem RCg < RCgP < RCgC

RHC: resposta hematológica completa; RCgP: resposta citogenética parcial; RCgC: resposta citogenética completa; RMM: resposta molecular maior; falha: em quaquer tempo se perda da RH, perda da RCgC ou presença de mutação.

Com o surgimento dos inibidores de tirosina quinases (ITK) de segunda geração, fez-se necessária a definição, ainda que provisória, de novos critérios de resposta(27) (Quadro 5).

Quadro 5 Definição resposta aos inibidores de tirosina quinases de segunda geração (como terapia segunda linha) em pacientes com leucemia mieloide crônica em fase crônica intolerantes ou resistentes a imatinibe 

Resposta 3 meses 6 meses 12 meses
Subótima RCg menor RCgP < RMM
Falência Sem RCg RCg mínima RCgP
Novas mutações Novas mutações Novas mutações

RCg: resposta citogenética; RCgP: resposta citogenética parcial; RMM: resposta molecular maior.

MONITORIZAÇÃO DA RESPOSTA AO TRATAMENTO

A monitorização de resposta ao imatinibe requer hemograma, citogenética e quantificação dos transcritos de BCR-ABL(27) (Quadro 3). O hemograma deve ser realizado a cada 2 semanas, até se que se obtenha resposta completa e, após, a cada 3 meses. A citogenética deve ser realizada ao diagnóstico, com 3 meses e a cada 6 meses, até RCgC, e, após, anualmente e sempre que houver falência no tratamento ou citopenias inexplicáveis. Os transcritos de BCR-ABL devem ser quantificados pela técnica de RT-PCR a cada 3 meses até ser atingida e confirmada a RMM.

A análise mutacional deve ser realizada nos casos de falência, resposta subótima ou aumento do número de transcritos, antes da mudança do ITK.

O seguimento de 8 anos do estudo IRIS demonstra taxa de RCgC em 83% dos pacientes, com projeção em 8 anos de SLE e SG de 81 e 85%, respectivamente(29). Entretanto, apesar desses resultados, cerca de 1/3 dos pacientes não apresentaram uma evolução favorável: 17% dos pacientes nunca atingiram RCgC; 15% obtiveram RCgC, mas perderam durante evolução; e 5% apresentaram intolerância ao imatinibe, sendo necessárias novas estratégias(29,30).

A resistência ao imatinibe pode ser primária ou secundária. Na primária, o paciente nunca apresentou resposta desde o início do tratamento, enquanto que, na resistência secundária, o paciente inicialmente apresenta resposta, porém esta é perdida ao longo da evolução. Os mecanismos de resistência podem ser dependentes ou não do BCR-ABL. Os dependentes do BCR-ABL incluem amplificação da sequência ABL e pontos de mutação na molécula ABL, que alteram sua conformação e dificultam a ligação com imatinibe(31,32). Os mecanismos de resistência independentes ABL e, assim, responsáveis pela resistência primária ao imatinibe, incluem: efluxo da droga por meio da expressão glicoproteína P, embora não se saiba precisamente se esse mecanismo é clinicamente relevante; baixa atividade do transportador celular hOCT-1(33); ligação do imatinibe com glicoproteína ácida-1 (GPA)(34), o que reduz sua atividade; ativação de outras vias de sinalização, como, por exemplo Ras/ Raf/Mek kinase, Src(35).

Entre os mecanismos de resistência, pontos de mutação no oncogene BCR-ABL representam a causa mais comum, ocorrendo entre 35 a 70% dos pacientes com resistência secundária(36). Com o intuito de resgatar os pacientes resistentes ou intolerantes ao imatinibe, surgem os ITK de segunda geração.

ITK de segunda geração

Dasatinibe

O dasatinibe, um derivado da piperazinila, possui potente ação inibitória contra quinases Src e ABL, incluindo conformação ativa do BCR-ABL, e a maioria das formas mutadas, com exceção à mutação T315I(37,38). Em 2006, o dasatinibe 70 mg duas vezes ao dia foi aprovado para tratamento de pacientes com LMC EM FC, FA e FB e em pacientes resistentes ou intolerantes ao imatinibe.

No estudo START-R, pacientes que falharam a 400 e 600 mg de imatinibe foram randomizados, 2:1 para dasatinibe 70 mg duas vezes ao dia ou 800 mg de imatinibe. Após 2 anos, a RCg maior foi 53% no braço dasatinibe e 33% para alta dose de imatinibe. Dasatinibe também se mostrou superior em relação à RCgC (44 versus 18%) e na RMM (29 versus 12%)(39).

Estudo prospectivo randomizou quatro diferentes posologias de dasatinibe, identificando que a dose de 100 mg uma vez ao dia mostrou-se efetiva e melhor tolerada em relação às demais posologias para pacientes em FC(40).

Pacientes em FC intolerantes ao imatinibe apresentaram taxas de RCg maior e RCgC de 76 e 75%, respectivamente, em um estudo, e de 71 e 63%, respectivamente, em outro estudo(41,42). Pacientes em FC resistentes ao imatinibe apresentaram taxas de RCg maior e RCgC de 51 e 40%, respectivamente, em um estudo, e de 50 e 36%, respectivamente, em outro estudo(4042).

A mediana de tempo para atingir resposta foi de 5,5 meses(43), com resposta mantida por 2 anos para pacientes em FC, com SLP de 80% e SG 90%.

Um estudo multinacional randomizou 519 pacientes com LMC EM FC recém-diagnosticados para receber dasatinibe na dose de 100 mg uma vez ao dia ou imatinibe 400 mg uma vez ao dia. Após um seguimento de 12 meses, o dasatinibe mostrou-se superior em relação à taxa de RCgC (77 versus 66%, p = 0,007) e em relação à taxa de RMM (46 versus 28%, p < 0,0001). As respostas foram atingidas mais precocemente com dasatinibe (46 versus 28%, p < 0,0001). A taxa de progressão para FA foi menor no braço do dasatinibe (1,9 versus 3,5%). O perfil de toxicidade foi semelhante(44).

Entre os eventos adversos do dasatinibe, destaca-se a mielotoxicidade, sendo graus 3 e 4 em 21% neutropenia, 19% trombocitopenia e 10% de anemia. Efeitos adversos não hematológicos, todos graus 1 ou 2, incluem: derrame pleural (10%), diarreia (17%), rash cutâneo (11%) e cefaleia (12%)(45). Recentemente, dasatinibe foi aprovado na dose de 100 mg uma vez ao dia para pacientes em FC, resistentes ou intolerantes ao imatinibe(45), e 140 mg uma vez ao dia para pacientes em FA ou CB(45). Estudos demonstram taxas de respostas semelhantes, com perfil de toxicidade mais favorável, principalmente em relação ao derrame pleural(46,47), na posologia de uma vez ao dia.

Nilotinibe

Nilotinibe, um derivado da aminopirimidina, inibe a atividade TK do BCR-ABL, PDGF, c-kit, e a maioria das formas mutadas do ABL, exceção feita à mutação T315I, sendo mais potente e seletivo que imatinibe(4853). Liga-se apenas BCR-ABL na sua conformação inativa.

Em 2007, o nilotinibe foi aprovado para tratamento de pacientes com LMC em FC resistentes ou intolerantes ao imatinibe e pacientes em FA da doença, na dose de 400 mg duas vezes ao dia. Bem tolerado, as anormalidades laboratoriais mais comuns graus 3 e 4 são: elevação da lípase (17%), hipofosfatemia (16%), hiperglicemia (12%) e elevação da bilirrubina total (8%). As alterações hematológicas graus 3 e 4 foram neutropenia (31%), plaquetopenia (31%) e anemia (10%). Derrame pleural ou pericárdico graus 3 e 4 ocorreram em menos de 1%(54).

O estudo LMC-CP demonstra a o efeito do nilotinibe em 321 pacientes em FC imatinibe resistentes (30%) ou intolerantes (70%) com um seguimento mínimo de 19 meses. Respostas obtidas revelaram taxa de RCg maior em 59% atingida com mediana de 2,8 meses e RCgC em 44% dos pacientes com mediana de 3,3 meses. As respostas foram duradouras após 24 meses (RCg mantida em 78% e RCgC em 83%). Após 2 anos de seguimento, 59% dos pacientes descontinuaram nilotinibe devido à progressão (27%) ou por efeito adverso (15%)(54).

Um estudo envolveu 137 pacientes em FA imatinibe resistentes (80%) ou intolerantes a imatinibe (20%) com seguimento mínimo de 11 meses. As respostas foram: RHC de 31% com mediana de tempo de 1 mês para sua obtenção; RCg maior em 32% com mediana de 2,8 meses, e RCgC 20% dos pacientes, sendo que 70% destes pacientes permanecem com RCgC com 24 meses de seguimento e com SG 67% após 2 anos(55).

O emprego do nilotinibe em pacientes com LMC em FC recém-diagnosticados foi testado por meio de estudo multicêntrico que randomizou pacientes com LMC em FC recém-diagnosticados para receber imatibe 400 mg, nilotinibe 300 mg duas vezes ao dia ou nilotinibe 400 mg duas vezes ao dia.

Após 12 meses, as taxas de RMM para nilotinibe (44% na dose 300 mg e 43% para dose de 400 mg) foram praticamente o dobro para imatinibe (22%; p < 0,001). As taxas de RCgC em 12 meses foram maiores para nilotinibe (80% na dose de 300 mg e 78% na dose de 400 mg) em relação ao imatinibe (65%; p < 0,001). Houve redução significativa na SLP com o nilotinibe(56).

Novos agentes

Bosutinibe (SKI606), inibidor 30 vezes mais potente que imatinibe, inibe TK Src/Abl. Estudo em fase I estabeleceu que a dose de 500 mg ao dia demonstrou ser eficaz. O estudo fase II em pacientes com FC que falharam ao imatinibe e aos ITK de segunda geração está em andamento.

Dados preliminares evidenciam que, entre os 69 pacientes resistentes a imatinibe, 81% atingiram RHC, 45% RCg maior, incluindo 32% RCgC. O tratamento foi bem tolerado, sendo os efeitos adversos mais comuns os gastrintestinais(56).

Novos ITK estão sendo desenvolvidos(57), ainda em estudos fase I, com atividade sobre a mutação T315I, como o AP24534(58); inibidores da aurora quinase como: PHA-739358 PHA-739358 (Nerivano Medical Sciences, Milan, Italy)(58), KW-2449 (Kyowa Hakko Kirin Pharma, Tokyo, Japan)(58), ambos com ação sobre mutação T315I.

A homoharringtonina (ChemGenex, Victoria, Austrália), um modulador da apoptose, foi testado em todas as fases da LMC em pacientes resistentes a imatinibe e em outros resistentes a ITK de segunda geração, com ação sobre a mutação T315I. Resultados preliminares de estudos em fase II mostraram respostas hematológicas e citogenéticas, com desaparecimento do clone T315I em 60% dos pacientes que puderam ser avaliados(58). DCC-2036 (Deciphera, Lawrence, Kansas), um inibidor de multi-TK, não via ATP, com ação sobre a mutação T315I em estudo fase I, mostrou atividade significativa sobre células Ph +(58)

Recomendações de tratamento LMC segundo a

Leukemia Net

Imatinibe 400 mg/dia constitui o tratamento padrão para LMC em FC. O IFN é o agente de escolha durante a gestação ou em pacientes de baixo risco que apresentam comorbidades ou façam uso de outras medicações que tornam o uso de imatinibe inapropiado.

Em pacientes intolerantes ao imatinibe, as escolhas são dasatinibe ou nilotinibe. A opção de qual agente utilizar deve se basear no status mutacional do paciente e de acordo com as comorbidades que o paciente possa apresentar. Pacientes que apresentam falência com imatinibe, particularmente perda de resposta hematológica, devem receber nilotinibe ou dasatinibe. Para os pacientes com resposta subótima, não há, até o momento evidência sólida de que a mudança do tratamento traz benefício, mas há as opções de aumentar a dose de imatinibe ou trocar por ITK de segunda geração.

Recomenda-se alotransplante para pacientes em FA, CB ou com mutação T315I e para pacientes que falharam aos ITK de segunda geração. Eventualmente, pode-se considerar em pacientes com resposta subótima aos ITK de segunda geração, principalmente se pertencerem ao grupo de alto risco.

Pacientes em FA ou CB virgens de tratamento devem receber alotransplante, se elegíveis, após tratamento inicial com 600 a 800 mg/dia de imatinibe ou aos ITK de segunda geração se resistentes ao imatinibe. O tratamento com ITK eficaz não deve ser descontinuado e não devem ser reduzidas as doses abaixo das padronizadas na ausência de efeitos adversos significativos.

CONCLUSÃO

A evolução no entendimento da biologia da LMC proporcionou o desenvolvimento de terapia-alvo altamente efetiva, que revolucionou o tratamento da LMC, mudando sua história natural. Pacientes em FC, diferente de 10 a 15 anos atrás, possuem uma expectativa de longa sobrevida com imatinibe.

Os ITK de segunda geração são eficazes na maioria dos pacientes resistentes ou intolerantes ao imatinibe. Entretanto, não são eficazes em uma parcela de pacientes devidos a outros mecanismos, incluindo a mutação T315I, representando, ainda um desafio.

A melhor compreensão dos mecanismos de resistência, assim como o desenvolvimento de novas moléculas, contribuirá para o aprimoramento ainda maior do tratamento da LMC.

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