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Marca-passo Transvenoso sem Eletrodos: um Novo Conceito de Estimulação Cardíaca Artificial

Marca-passo Transvenoso sem Eletrodos: um Novo Conceito de Estimulação Cardíaca Artificial

Autores:

Nicodemus Lopes,
Diogo Cavaco,
Pedro Carmo,
Maurício Ibrahim Scanavacca,
Pedro Adragão

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.107 no.4 São Paulo out. 2016

https://doi.org/10.5935/abc.20160144

Paciente de 67 anos, sexo feminino, portadora de marca-passo desde 1983, devido a bloqueio atrioventricular total. Entre 1991 e 2004 sofreu seis cirurgias. A primeira, para substituição da bateria, e as outras por deslocamento de eletrodos, extrusão de gerador e, finalmente, por endocardite, quando se procedeu à extração cirúrgica do sistema e ao implante de eletrodo epicárdico no ventrículo direito (VD). Na última avaliação, em 2015, apresentava limiar de estimulação ventricular muito elevado e esgotamento da bateria. Devido a problemas técnicos anteriores, foi considerado o implante do marca-passo transvenoso sem eletrodos (Micra- Medtronic). Esse novo sistema de estimulação cardíaca tem como características principais a dimensão reduzida do gerador (volume de 0,8 cm3) e a ausência de eletrodos, tornando possível o implante do sistema diretamente no VD.

O implante foi realizado no Hospital Santa Cruz, Carnaxide, Portugal. Após anestesia local, uma bainha (23F) foi introduzida pela veia femoral direita para levar o sistema até o VD. Uma vez dentro do ventrículo, o cateter de entrega foi dirigido para sua porção septal e apical e a cápsula liberada. A fixação do aparelho nas trabéculas do VD, por meio de suas hastes flexíveis, foi confirmada pelos testes de fixação mecânica. Em seguida, foi realizada a avaliação eletrônica, obtendo-se bons parâmetros. Após assegurarmos que os parâmetros estavam adequados e a cápsula bem fixada, a mesma foi liberada, e o sistema de entrega removido. A paciente não apresentou complicações imediatas, e após 45 dias de seguimento, os parâmetros eletrônicos mantinham-se estáveis.

Figura 1 A) Sistema utilizado para implantar o marca-passo sem eletrodos no ventrículo direito. B) Micra na ponta do cateter. C) Posicionamento do Micra em região ápico-septal: vista oblíqua esquerda. D) Avaliação dos parâmetros intraoperatórios. E) Posição final do marca-passo sem eletrodos. F) Radiografia de tórax no primeiro dia após o implante.