Maria Bandeira: uma botânica pioneira no Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Maria Bandeira: uma botânica pioneira no Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Autores:

Begonha Bediaga,
Ariane Luna Peixoto,
Tarciso S. Filgueiras

ARTIGO ORIGINAL

História, Ciências, Saúde-Manguinhos

versão impressa ISSN 0104-5970versão On-line ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.23 no.3 Rio de Janeiro jul./set. 2016 Epub 26-Jan-2016

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702016005000002

Abstract

This article sheds light on Maria Bandeira, the first female botanist to work at the Botanic Garden of Rio de Janeiro. She was active in the 1920s, but is absent from the historiography and little cited in the scientific literature. The significant number of plant, fungus, and lichen specimens she collected, her capacity to reach far-flung places, her extensive correspondence with foreign experts, and her studies at Sorbonne are all sources for the analysis of the way botany was practiced and the social networks at play in science at the time. The end of her scientific career, when she adopted a cloistered life with the Barefoot Carmelite nuns, can be interpreted variously, and partially explains why her contributions to Brazilian botany have been forgotten.

Key words: gender and science; bryophytes; fungi; lichens; Brazil

A década de 1920 no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) pode ser considerada um período especialmente profícuo para a instituição. Cientistas como Adolpho Ducke (1876-1959), João Geraldo Kulhmann (1882-1958), Paulo Campos Porto (1889-1968), entre outros, envolveram-se no inventário da flora do país por meio de inúmeras excursões a campo, a fim de coletar, identificar e documentar as amostras nas coleções do herbário e do arboreto da instituição. No período, incrementaram-se as permutas com herbários internacionais como também ações com vistas ao treinamento de novos botânicos.

Com objetivo de estabelecer uma relação entre a área de cultivo, representado pelo arboreto, e vegetação em área natural ampliou-se o espaço de pesquisa, inaugurando a Reserva Florestal de Itatiaia – atual Parque Nacional de Itatiaia – no sudeste do estado do Rio de Janeiro, então vinculada ao JBRJ, e de especial interesse para as pesquisas botânicas (Bediaga, Guedes-Bruni, 2008; Peixoto, Morim, 2008).

À frente dessa empreitada estava o médico Antônio Pacheco Leão (1872-1931), diretor do JBRJ de 1915 até sua morte. Ao iniciar sua gestão trazia na bagagem experiências advindas da sua participação em excursões científicas do Instituto Oswaldo Cruz à Amazônia, lideradas por Carlos Chagas. A convivência e admiração pelo projeto institucional de Oswaldo Cruz e, posteriormente, de Carlos Chagas, decerto influenciaram Pacheco Leão na implantação de projetos exitosos no JBRJ, no avanço do conhecimento científico e no aumento significativo no acervo de espécimes do herbário e de plantas vivas no arboreto (Casazza, 2012).

Nesse contexto, Maria do Carmo Vaughan Bandeira (1902-1992), com cerca de 20 anos, ingressa no JBRJ e, durante aproximadamente uma década, desempenha variadas atividades na instituição, tanto na rotina das coleções do herbário quanto nas coletas de plantas e no contato com especialistas estrangeiros. Em 1930, viaja a Paris convidada pelo fisiologista Louis Lapicque (1866-1952) com propósito de trabalhar em seu laboratório na Sorbonne e, simultaneamente, estudar a fim de obter o diploma de nível superior. Essa promissora carreira é, entretanto, bruscamente interrompida quando, em 1932, ela ingressa no Convento de Santa Teresa da ordem das Carmelitas Descalças, no Rio de Janeiro, onde viveu 60 anos em clausura, portanto, fora do cenário da botânica.

Apesar de inicialmente causar estranhamento a presença de uma mulher nas atividades técnico-científicas do JBRJ na época, constatou-se que outras mulheres atuaram nos quadros de instituições dedicadas às ciências naturais, ainda em número bem menor que o de homens. Algumas delas com destaque nas ciências, a exemplo de Emília Snethlage (1868-1929), no Museu Goeldi (Junghans, 2008) e Bertha Lutz (1894-1976) (Lopes, 2006) no Museu Nacional. Na apresentação de dossiê dedicado a estudos de gênero e ciência, no Cadernos Pagu, Lopes (2006, p.10) afirma que, nas primeiras décadas do século XX, a presença feminina no universo das ciências no Brasil não era tão rara quanto parece indicar a historiografia: “Em seu conjunto, esses artigos mostram de forma contundente que mais mulheres do que estamos acostumadas a admitir participaram de práticas científicas, mesmo em áreas pouco propensas a reconhecê-las”.

A análise da trajetória de cientistas mostra que o cotidiano das pesquisas científicas engloba diversos atores, alguns com maior destaque, outros quase invisíveis, mas não menos importantes, como a personagem que ora apresentamos. Figueirôa (2007, p.9), ao discorrer sobre biografias de cientistas, afirma que: “a fim de contrabalançar o peso excessivo das biografias de grandes vultos, e fornecer um quadro bem mais realista do que seja a atividade técnico-científica, necessário se faz não só rever o que se contou a respeito de alguns poucos, mas preencher os vazios com os cientistas comuns – aqueles que participam e sustentam o cotidiano das práticas científicas”.

As análises de Revel (1998), ao discorrer sobre a escala de observação na história, chamam atenção para a importância de estudar aqueles que não deixaram seu nome na história, mas cuja vida, no entanto, traduz, em parte, seu tempo. Analisar o passado por meio das estratégias individuais não deve ser considerado menos importante, apenas mostra uma maneira diferente de construção da memória e permite acesso a “lógicas sociais e simbólicas que são lógicas de grupo, ou mesmo de conjunto muito maiores” (p.13).

O presente artigo objetiva analisar a trajetória científica de Maria Bandeira e, assim, colaborar na compreensão do “fazer botânica” no período, identificar redes de relacionamentos nas ciências e contribuir para a história do JBRJ.

Procedimentos adotados na pesquisa

Com vistas a alcançar os objetivos propostos, a pesquisa baseou-se, sobretudo, em duas fontes: o herbário do JBRJ e as correspondências e fotografias do acervo da família Bandeira. Os herbários são fontes de informação ainda pouco exploradas pela historiografia; no entanto, mediante exsicatas e suas etiquetas de identificação, cadernetas de campo, livros de tombo, correspondências para intercâmbio, entre outros documentos, é possível acompanhar, por exemplo, as expedições realizadas e os cientistas que identificaram os espécimes coletados em diferentes tempos. Funk (2002) discute a importância de um herbário e lista 72 usos para eles, afirmando, entretanto, que tal lista de usos pode chegar facilmente a cem.

Foi possível identificar cerca de oitocentas exsicatas de plantas, fungos e liquens coletados por Maria Bandeira no banco de dados do herbário do JBRJ que disponibiliza, incluindo imagens, os espécimes dessa coleção.1 Esse conjunto de dados possibilitou reconhecer os locais e datas das expedições e cientistas que identificaram os espécimes, assim como informações sobre intercâmbio entre instituições científicas. Tais informações permitiram inferir sobre a rede de colaboração entre cientistas da época. Posteriormente, exemplares desse conjunto foram analisados diretamente na coleção do herbário e alguns deles foram fotografados. Analisaram-se os livros de tombo da coleção do herbário do período.

Utilizou-se também a rede speciesLink,2 sistema de informação que integra e disponibiliza dados de cerca de cem herbários do Brasil e seis do exterior em que foram localizados espécimes coletados por Maria Bandeira e distribuídos a outros herbários.

A partir da análise desse conjunto de documentos, foram feitos contatos com instituições que se inferia ter sob sua guarda correspondências de Maria Bandeira, a saber: Smithsonian Institution Archives (EUA); University of Helsinki (Finlândia); University of Texas Health Science Center at San Antonio, Archives (Texas) nos quais foram obtidas cópias de nove correspondências de Agnes Chase, Viktor Ferdinand Brotherus e Louis Lapicque, respectivamente.

Na biblioteca do JBRJ foram consultados artigos e livros técnicos com o objetivo de localizar referências a exemplares coletados por Maria Bandeira. Nos livros de registro de admissão de funcionários do período de 1915 a 1932 foram encontradas anotações de parte de sua trajetória na instituição. Infelizmente, o JBRJ não possui as correspondências com outros herbários anteriores a 1940, com os quais realizou intercâmbio de espécimes.

No acervo iconográfico do Museu do Meio Ambiente do JBRJ foi localizada apenas uma fotografia de Maria Bandeira, reproduzida neste artigo (Figura 1).

Figura 1 : Maria Bandeira no arboreto no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. As demais pessoas não foram identificadas (Fonte: Museu do Meio Ambiente/JBRJ) 

Com o objetivo de buscar testemunhas que conviveram com Maria Bandeira, foram realizadas entrevistas não estruturadas com três monjas do Convento de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, além de dois familiares – a sobrinha, Marina Bandeira; e o sobrinho-neto, João Bandeira de Freitas, residentes na cidade do Rio de Janeiro. No parlatório do convento permanecemos três horas em entrevista com as monjas, que, após as apresentações adequadas às circunstâncias e a exposição resumida do nosso interesse em saber sobre a vida de Maria Bandeira, discorreram livremente, ora uma, ora outra, com muito entusiasmo, sobre o tema. Ao final da entrevista, entregaram-nos cópias da “Circular” da irmã Maria do Carmo do Cristo Rei (nome adotado no convento por Maria Bandeira). Segundo nossas entrevistadas, após o falecimento de uma monja, redige-se a “Circular” que resume a vida religiosa da carmelita. Esse documento é, em seguida, enviado aos demais conventos da ordem. Na oportunidade, elas também nos forneceram o endereço e o número do telefone de João Bandeira de Freitas, com o qual as religiosas ainda mantêm contatos frequentes.

Com Marina Bandeira e João Bandeira de Freitas foram feitas três entrevistas, todas realizadas na residência de Marina Bandeira, com duração total de cerca de dez horas, no transcorrer das quais nos foram mostradas 28 cartas e 36 fotografias. Com o consentimento da família, em ocasião específica e pré-agendada, os documentos foram digitalizados utilizando-se equipamentos e apoio técnico especializado, na residência de Marina Bandeira. As cópias desses documentos encontram-se no JBRJ.

No Arquivo Nacional, consultamos o fundo “Federação Brasileira para o Progresso Feminino”. Nos cadernos com recortes de jornais, encontram-se notícias sobre a vinda de Marie Curie ao Brasil e a presença de Maria Bandeira como participante do comitê de recepção. No entanto, não consta seu nome entre os membros da referida federação.

A pesquisa buscou analisar o contexto científico em que Maria Bandeira esteve inserida como uma via de mão dupla, em que a cultura da época colabora para o entendimento da personagem e, à medida que sua trajetória se desvela, depara-se com novos aportes que colaboram para o entendimento do período em que ela viveu.

Notas biográficas

Maria do Carmo Vaughan Bandeira nasceu no Rio de Janeiro, em 1902. O pai, Raimundo Carneiro de Souza Bandeira (1885-1929), pernambucano, era médico, diretor do Hospital dos Ingleses, depois Hospital dos Estrangeiros, no Rio de Janeiro. A mãe, Helena Dubeux Vaughan (1866-1930), de origem inglesa, nasceu em Salvador e tinha habilidades musicais. O casal teve cinco filhos, um homem e quatro mulheres, e empenhou-se na educação das filhas enviando-as à Inglaterra, ao colégio Holy Child Jesus, em Mayfield, formação, no entanto, interrompida pela Primeira Guerra Mundial, obrigando-as a retornar ao Brasil em 1915. Maria Bandeira completou os estudos secundários no Colégio Sacré Coeur de Jésus, no Rio de Janeiro, em 1918. Algum tempo depois, por meio do contato de seu pai com Pacheco Leão, então diretor do JBRJ, ingressa nessa instituição.

Os documentos disponíveis não permitiram determinar com precisão a data de seu ingresso no JBRJ. Oficialmente, foi contratada em 1925 sob a rubrica “Emprego: funcionária de 1ª classe” e “Profissão: estudante” (JBRJ, 5 jun. 1925). No entanto, desde 1923 coletava regularmente e fazia identificações botânicas, como demonstram espécimes depositados no herbário do JBRJ (Figura 3). A qualidade de suas coletas e identificações permite supor que ela passou por um período de aprendizado anterior a 1923, possivelmente trabalhando no herbário e em outras tarefas na instituição. As figuras 1 e 2, não datadas, mostram Maria Bandeira em distintas atividades no JBRJ. Na primeira ela acompanhava poda de árvore no arboreto, provavelmente com o objetivo de coletar exemplares dos grupos taxonômicos de seu interesse (briófitas, fungos e liquens) que crescem em galhos ou copa de árvores. Além dos jardineiros que estão executando o trabalho, vê-se à direita, segurando um facão, um homem, de paletó, não identificado. A Figura 2 retrata Maria Bandeira examinando, através de microscópio, exemplares de plantas, parte do trabalho de identificação de espécies.

Figura 2 : Maria Bandeira em laboratório do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Fonte: Arquivo particular da família Bandeira) 

Figura 3 : Espécime de briófita da coleção do herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro coletado e identificado por Maria Bandeira e referendado por V.F. Brotherus, especialista nesse grupo de plantas (Fonte: Herbário do JBRJ) 

A partir da sua primeira contratação, Maria Bandeira envolve-se cada vez mais nas atividades de crescimento e qualificação das coleções científicas do herbário, além de representar oficialmente a instituição. Assim, por ocasião da chegada ao Rio de Janeiro da química e duas vezes prêmio Nobel Marie Curie, em 1926, Maria Bandeira encontrava-se representando o JBRJ na comitiva de recepção da cientista no Porto do Rio de Janeiro, como demonstram notícias de jornais da época que se referem a ela como funcionária “da secção de briófitos” (Figura 4). Dias depois, os jornais informam que Marie Curie, ao visitar o JBRJ, fora recebida por Pacheco Leão e Maria Bandeira (Mme. Curie..., 14 ago. 1926).

Figura 4 : Artigo de jornal noticiando a chegada de Marie Curie ao Rio de Janeiro (Fonte: Mme. Curie..., 14 ago. 1926) 

No relatório do JBRJ, em 1927, ao Ministério da Agricultura Indústria e Comércio, são atribuídas a ela atividades características de uma pesquisadora botânica:

A senhorita Maria do Carmo V. Bandeira fez estudos sistemáticos da flora briológica e micológica do Brasil, cujos herbários foram enriquecidos com mais de 500 espécies, efetuando também excursões no Distrito Federal para a coleta de material botânico. A permuta de exsicatas se realizou assim: de hepáticas com o prof. Th. Herzog, de Jena; de musgo com o prof. F.V. Brotherus, de Helsingfords e mrs. Britton de Nova York, e de polyporaceas com o sr. P. Torrend, da Bahia, auxiliando-se, com o mesmo intuito, o dr. Günsberger, professor de fitogeografia e ecologia de Viena (Brasil, 1927, p.89).

No ano seguinte, foi publicado no Diário Oficial seu “termo de contrato” como “botânico, especialista em sistemática vegetal” por um período de três anos (Brasil, 19 abr. 1928, p.10120).

O envolvimento de Maria Bandeira com as briófitas3 e os fungos4 estava associado ao projeto de ampliação do conhecimento acerca dos distintos grupos de plantas que constituem a flora brasileira, com o respectivo incremento das coleções do herbário do JBRJ. Casazza (2012, p.108) corrobora essa afirmação ao analisar a gestão de Pacheco Leão, tendo como base os relatórios ministeriais: “Para se ter uma ideia do incremento constante do número de espécies do herbário, em 1917 este abrigava 8.139 exsicatas, em 1920 este número já era de 14.600 exsicatas e, cinco anos depois, em 1925, havia atingido o número de 19.643 exsicatas”.

A associação de Maria Bandeira com Viktor Ferdinand Brotherus (1849-1929), briólogo finlandês de grande prestígio na época, deve ter ocorrido em decorrência do maior interesse dela em estudar briófitas e do papel que lhe coube no projeto de ampliação e qualificação das coleções científicas do JBRJ. Brotherus publicara, em 1891, trabalho seminal intitulado La flore bryologique du Brésil e havia contribuído com o estudo de famílias desse grupo para a obra Die natürliche Pflanzenfamilien, de Adolf Engler e Karl Anton Prantl, entre 1902 e 1909. A colaboração profissional entre Brotherus e Maria Bandeira foi bastante intensa, conforme se verifica nas correspondências localizadas no acervo da família Bandeira e nas etiquetas dos espécimes, como mostra a Figura 3. Geralmente Maria Bandeira fazia uma identificação preliminar do material por ela coletado, enviava-o a Brotherus que ratificava ou retificava as determinações, qualificando-as, com a autoridade de especialista nesse grupo de plantas, mas também recomendava ou enviava bibliografia especializada. A parceria acresceu qualidade à coleção de briófitas, o que pode ser confirmado na observação feita por Molinaro e Costa (2001, p.108) ao publicar o inventário das briófitas do arboreto do JBRJ, em 2001, quando atualizaram a nomenclatura e enriqueceram a coleção do herbário com espécimes: “foram estudados os exemplares depositados no acervo do herbário RB [do JBRJ] coletados entre 1923-1927. Todas estas amostras foram checadas, algumas auxiliaram na identificação dos exemplares coletados [pelas duas autoras entre ago. 1999 e fev. 2001] e poucas necessitaram de identificação”.

Brotherus teve a intenção de homenagear Maria Bandeira com epítetos específicos em dois distintos gêneros, Floribundaria bandeirae e Stereophyllum bandeirae, a partir de espécimes coletadas por ela: a primeira, em 1923, no Rio de Janeiro, em Monnerat, (atualmente município de Duas Barras) fazenda Cachoeira; a segunda, em 1924, em Minas Gerais, Providência (município de Leopoldina) fazenda Bom Destino. Em carta a Brotherus, Maria Bandeira (2 dez. 1926) agradece a homenagem; contudo, a publicação de tais epítetos não chegou a se concretizar. Esses binômios encontram-se anotados manualmente nas etiquetas dos espécimes no herbário do JBRJ em uma duplicata no herbário do The New York Botanical Garden.5 Também encontram-se listados em Vattimo-Gil, Vattimo (1980) e em Yano (2008).

A facilidade de Maria Bandeira em comunicar-se em diferentes idiomas (inglês, francês e alemão) foi fundamental no estabelecimento de contatos profissionais com cientistas de diversos países. O fato de também conhecer latim certamente facilitou a consulta à literatura taxonômica da época. Entre as correspondências enviadas por Maria Bandeira e localizadas em arquivos fora do Brasil, constam as de Brotherus e Agnes Chase, respectivamente nos Arquivos University of Helsinki (Finlândia) e Smithsonian Institution Archives (EUA). No acervo da família Bandeira encontram-se cartas enviadas a Maria Bandeira pelos cientistas Herzog (Universidade de Jena, Alemanha), Lapicque (Universidade de Sorbonne, Paris, França), Keissler (Museu de História Natural, Viena, Áustria).6

As correspondências também revelam que Maria Bandeira mantinha bom relacionamento não apenas com os cientistas, mas também com suas esposas, como as de Pacheco Leão, Ducke e Lapicque, além de Chodat7 e Hadamard,8 e outras mulheres com título de nobreza, a exemplo da princesa de Orleáns e Bragança, a baronesa de Loreto e a marquesa de Gondi. Assim, podia contar com uma rede de apoio e nela circulava com intimidade e desenvoltura. Além das correspondências, algumas fotografias também ilustram o seu relacionamento nessa rede, como aquela retratada junto à princesa Elizabeth de Orléans e Bragança no Parque Nacional de Itatiaia, Rio de Janeiro, divulgada em Filgueiras, Peixoto, Bediaga (2014).

Convém ressaltar o estreito contato que manteve durante anos com a agrostóloga norte-americana Agnes Chase, figura quase lendária no cenário da botânica mundial dada a sua reconhecida competência científica. Ademais, desde a década de 1910, Chase militava em prol dos direitos da mulher, e, em especial, na campanha do sufrágio feminino, durante a qual chegou a ser presa duas vezes e, em uma delas, liderou uma greve de fome na prisão (Henson, 2003).

Das expedições realizadas por Chase para coleta de material botânico na América do Sul, algumas foram feitas no Brasil e, em pelo menos duas, houve participação ativa de Maria Bandeira. A Figura 5 mostra Chase e Maria Bandeira no pico das Agulhas Negras, em Itatiaia, provavelmente fotografadas por Campos Porto. Em relato sucinto sobre essa expedição, realizada em janeiro de 1925, Chase (1925) informa que o doutor Campos Porto e dona Maria Bandeira, que trabalhava com musgos do Brasil, gentilmente a levaram a Itatiaia onde escalaram o pico das Agulhas Negras. A viagem de Chase se estendeu a Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Figura 5 : Maria Bandeira e Agnes Chase no pico das Agulhas Negras, Itatiaia, Rio de Janeiro. No verso da foto há uma anotação “Summit of Agulhas Negras, Jan. 17, 1925” (Fonte: Arquivo particular da família Bandeira) 

Outras fotos, bem como correspondências, documentam a parceria originada durante essas expedições e que evoluiu para uma longa amizade. Em carta enviada a Chase, em 1931, Maria Bandeira agradece textualmente: “Todas as suas cartas de apresentação me foram muito úteis” (Bandeira, 8 jan. 1931).9 Pamela Henson (2003, p.190), historiadora do Smithsonian Institution em artigo sobre Agnes Chase, descreve o encontro entre as duas botânicas:

Dona Maria Bandeira pesquisava musgos no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Chase ajudou-a e encorajou-a durante anos. Quando Chase chegou ao Brasil, Bandeira fez de tudo para ajudar seu trabalho e chegou até mesmo a viajar com ela. A viagem foi tudo o que Chase havia sonhado .... Chase e Maria Bandeira escalaram um dos mais altos picos no Brasil, as Agulhas Negras na Serra do Itatiaia, e desceram com suas saias cheias de espécimes vegetais ... Voltaram ao Rio, escreveu Chase, ‘felizes, sujas e cansadas’.

Interessante observar que Maria Bandeira conviveu com Bertha Lutz, outra cientista feminista que lutava pelo direito de voto das mulheres. Além de se terem encontrado na época da visita de Marie Curie (também sufragista) ao Brasil, elas trabalharam no mesmo período na Seção de Botânica e Fisiologia Vegetal do JBRJ, quando Bertha Lutz, em 1927, foi transferida do Museu Nacional para o JBRJ (Brasil, 3 fev. 1927, p.2813), onde permaneceu durante cinco anos. Contudo, não foi possível identificar o nível de aproximação entre elas. Nas correspondências de Bandeira não há menção a Bertha Lutz. Por sua vez, tampouco foi localizada qualquer referência a Maria Bandeira no Arquivo Nacional, na documentação referente à Federação Brasileira para o Progresso Feminino, da qual Bertha Lutz foi presidente honorária. Apesar da aproximação de Maria Bandeira com essas mulheres vinculadas aos movimentos de emancipação feminina, não foi identificado nenhum indício de seu envolvimento em campanhas sufragistas.

A pesquisa não encontrou o caderno de campo de Maria Bandeira com anotações de coleta. Contudo, as bases de dados mostram que ela coletou cerca de oitocentos espécimes entre 1923 e 1929, depositou as amostras no herbário do JBRJ e distribuiu duplicatas para outros herbários brasileiros, europeus e americanos. O seu nome é grafado de diferentes maneiras nas coleções dos herbários e também em literatura taxonômica: M. Bandeira, M.C. Bandeira, M.C.V. Bandeira, M.C. Vaughan Bandeira; Vaughan ocasionalmente aparece grafado como “Vaugham”.

As primeiras plantas coletadas foram briófitas em Nova Friburgo (RJ), na fazenda de propriedade da família, e no JBRJ e chácara do Lage (parque Lage). Na cidade do Rio de Janeiro (na época, estado da Guanabara), percorreu diversas localidades, coletando espécimes, principalmente briófitas, fungos e liquens, destacando-se áreas que compõem hoje o Parque Nacional da Tijuca: Gávea, morro Dois Irmãos, pico Dois Irmãos, Sumaré, Tijuca, pico da Tijuca, Alto da Boa Vista, Cascatinha, Corcovado, pico do Corcovado, Paineiras, aqueduto das Paineiras, estrada Excelsior, vista Chinesa, ponte do Inferno.

Nas expedições científicas percorreu os municípios de Itatiaia, Friburgo, Petrópolis e Teresópolis10 (na época com outras configurações geográficas). Em Itatiaia ocorreram as mais longas expedições, uma delas com duração de 36 dias. Embora aí as coletas tenham sido realizadas predominantemente na então Reserva Florestal de Itatiaia, há coletas registradas em outras localidades ou municípios, como Maromba, Mauá e Agulhas Negras. A Figura 6 retrata Maria Bandeira e Paulo Campos Porto na Reserva Florestal de Itatiaia, integrada então ao JBRJ. Em Minas Gerais, coletou amostras na fazenda Bom Destino, em Providência, distrito do município de Leopoldina. As localidades são frequentemente detalhadas, possibilitando o retorno ao local exato, a exemplo destas: “Jardim Botânico (na base dos bambus, perto da jaqueira do Lago Frei Leandro, na beira do riacho)” (Exemplar tombado sob o número RB 224023), “Jardim Botânico do Rio de Janeiro. No estipe de 3 palmeiras, perto da Bombanaceae [sic] à direita de quem entra na ala das jaqueiras” (RB 221154) , “Alto da Boa Vista, Chácara da Residência Travessa Boa Vista 34” (RB 174453).

Figura 6 : Maria Bandeira e o botânico Paulo Campos Porto na sede da Reserva Florestal de Itatiaia, JBRJ, atualmente Parque Nacional de Itatiaia (Fonte: Arquivo particular da família Bandeira) 

Sua habilidade em escalar montanhas, inclusive utilizando técnicas de alpinismo, possi-bilitou coletar em locais de difícil acesso e nos mais variados habitats, tais como “pico das Agulhas Negras”, “morro da Tapera”, “pico do Corcovado”, “pico da Tijuca, cume”, “alto da serra de Friburgo”, “pico Dois Irmãos”, “morro em Petrópolis”, conforme constam em etiquetas de plantas por ela coletadas e depositadas no herbário do Jardim Botânico.

Maria Bandeira provavelmente coletava sozinha ou com um dos coletores do JBRJ (provavelmente Pedro Occhioni), ou ainda com botânicos da época (Ducke, Campos Porto e Chase). Na propriedade da família era acompanhada por empregados, um dos quais foi com ela retratado (acervo da família Bandeira). É possível afirmar que, durante as expedições, agia como uma especialista, isto é, coletava predominantemente as plantas objeto de seu estudo (briófitas, fungos e liquens), e são frequentes, em etiquetas das exsicatas, anotações sobre o substrato, o hábito e as estruturas morfológicas que normalmente apenas um pesquisador especialista no assunto registraria: “Sem frutificações, notei arquegônios”; “vegetando sobre estípite de uma palmeira nos viveiros, pendente. Sem frutificações, porém com numerosos anterídios”. Nas exsicatas de número 635 e 636 se lê a seguinte anotação: “No gramado na aleia das Jaqueiras (neste material foram observadas pelo prof. Lapicque faletas cintilantes)”.

Após sua contratação como botânica no JBRJ, em 1928, Maria Bandeira passa a integrar a comissão de redação do periódico Arquivos do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, com Pacheco Leão e Fernando Rodrigues da Silveira, conforme consta na contracapa do volume 5, publicado em 1930. O Arquivos, criado em 1915, foi o primeiro periódico científico da instituição (Bediaga, 2005). No editorial do volume 1, Pacheco Leão (1915) justifica a criação do periódico como forma de dar publicidade aos trabalhos executados na instituição: “Com a publicação dos Arquivos do Jardim Botânico, realizamos um dos principais objetivos de uma instituição destinada ao estudo das plantas, principalmente pela sua sede, e ao das espécies tropicais e subtropicais. ... A sistemática constituirá, como é obvio, o assunto primordial das nossas publicações, de preferência a que referir as plantas econômicas ou de alta importância biológica”.

Chama atenção a presença dela, aos 28 anos, em posição relevante na carreira científica, em um ambiente predominantemente masculino. Também a confiança depositada na jovem editora por cientistas já então consagrados, como expresso por Ducke (22 set. 1929), em carta escrita de Manaus, ao solicitar a supressão de um trecho do seu manuscrito referente ao terceiro relatório de viagem que seria publicado no volume 5 dos Arquivos.

O envio desse periódico para instituições de ensino e pesquisa de vários países também foi importante instrumento de enriquecimento dos acervos institucionais que recebiam, em permuta, livros, periódicos e exemplares para as coleções. Surpreende que Maria Bandeira não tenha publicado nenhum artigo ou nota científica nesse periódico, embora fosse merecedora da admiração dos seus pares, que a acatavam como membro da comissão de redação e a tinham em alto apreço, como evidencia outra carta de Ducke (13 set. 1930) a ela: “Aproveito a oportunidade para lhe reiterar o meu conceito já verbalmente expresso quanto ao sucesso que a sra., se persistir nesses estudos, deve alcançar na botânica sistemática para a qual possui aptidão invulgar”.

Adolpho Ducke (1876-1958) nasceu em Trieste, na época território do Império Austro-húngaro, veio para o Brasil em 1899, a convite de Emílio Goeldi, para trabalhar na seção de entomologia do Museu Paraense, tornando-se grande especialista nesse campo e, posteriormente, também, em botânica. Ingressou no JBRJ em 1917, onde permaneceu até 1940. Cavalcante (1963) ressalta que esse notório pesquisador de campo, com expedições em várias regiões do país, especialmente na Amazônia, soube valorizar o fruto de suas coletas na forma de publicações escritas em diferentes línguas e disseminadas em periódicos variados do Brasil e do exterior.

A vinculação de Maria Bandeira com os trabalhos de Ducke foi registrada em relatório do JBRJ ao Ministério da Agricultura Indústria e Comércio: “A senhorita Maria do Carmo Vaughan Bandeira, auxiliar da seção de botânica e fisiologia vegetal, tem acompanhado os trabalhos do chefe da seção de botânica, dr. Adolpho Ducke, auxiliando-o na revisão do herbário e do fichário correspondente” (Brasil, 1929, p.70).

A expertise desse cientista em trabalhos de campo e em herbário influenciou, sem dúvida, a jovem que se iniciava na botânica. Além de lidar com as numerosas coletas que Ducke realizava em expedições, sobretudo à Amazônia, eles estiveram juntos no campo, inclusive em propriedade da família Bandeira em Friburgo, conforme os relatos de Marina Bandeira.

Quando em expedições à Amazônia, Ducke (22 set. 1929) compartilhava informações que fortaleciam Maria Bandeira não apenas como taxonomista, mas referendando-a como integrante do time de cientistas da instituição:

Toda a vegetação está em atraso este ano, devido à enchente muito prolongada dos rios. Em virtude d’isso serei obrigado a demorar mais do que projetara, para apanhar os frutos das Hevea. D’este gênero reuni grande material florífero, suponho de 11 espécies em parte decerto novas. De cada espécie preparei material de vários indivíduos para elucidar a questão da variabilidade das espécies. Posso afirmar que ninguém reuniu material tão abundante do dito gênero. Sobre isso e os resultados dos meus trabalhos relatarei ainda esta semana por carta ao nosso diretor, por cujo intermédio a sra. terá decerto informações a respeito dos meus trabalhos até agora efetuados.

O relacionamento de Ducke com Maria Bandeira, entretanto, ultrapassava os limites da instituição, pois ele e sua esposa eram recebidos com frequência na residência da família Bandeira. Nas três entrevistas realizadas com sua sobrinha, Marina Bandeira, ela se referiu várias vezes a Ducke: “ele vinha, de modo geral, uma vez por mês nos visitar, sempre com a esposa. Muito alto e magro, e ela bem pequena. Faziam visitas demoradas, mantendo-se em conversas prolongadas com meus avós e minha tia”. No arquivo particular da família Bandeira há uma fotografia de uma dessas visitas, na qual estão retratados o cientista, sua esposa e as quatro sobrinhas de Maria Bandeira, que é a provável autora da foto.

As entrevistas com familiares de Maria Bandeira revelam aspectos da sua vida privada que explicam algumas de suas opções ousadas à época e, ainda, demonstram que ela não se enquadrava no padrão das moças da elite, a exemplo de sua preferência em nadar na praia em Copacabana, onde havia feito amizades na colônia de pescadores. Não era comum uma jovem ir à praia desacompanhada, menos ainda relacionar-se com pescadores. Um episódio que segundo eles – também narrado pelas monjas carmelitas – era contado por Maria Bandeira com muita graça: no trajeto de sua casa até o Jardim Botânico, que ela percorria caminhando uma longa distância, certa vez, jogou sua marmita em um senhor português que já por algumas vezes lhe dizia galanteios, chamando-a de “belezinha”. A partir de então, podia passar diariamente pelo local que ninguém se atrevia a mexer com ela. Depois, comprou um automóvel (uma “baratinha”) em que se deslocava até o trabalho, e também o utilizava para levar os filhos de jardineiros, ou mesmo os jardineiros, a espetáculos de música e outros passeios. Ao que tudo indica, os pais eram bastante liberais e apoiavam suas escolhas.

Estudo e trabalho na Sorbonne

Em 1930, Maria Bandeira realizou uma viagem de quatro meses pela Europa onde passeou por diversas cidades, entre as quais Londres, Roma, Genebra e Chamonix. Em carta à irmã, conta com detalhes, desenhos e muito humor a aventura de escalar o Montblanc, a mais alta montanha dos Alpes, e ter alcançado 4.300 metros de altitude. Relata, ainda, que não conseguiu dormir na cabana e passou muito medo por conta dos perigos com as avalanchas de neve (Bandeira, 27 ago. 1930).

Em outubro desse mesmo ano se instala em Paris para trabalhar no Laboratório de Fisiologia Geral da Sorbonne, sob a orientação de Lapicque, na pesquisa sobre protoplasma de musgos. Ao mesmo tempo, frequenta um curso na própria Sorbonne com a intenção de receber o “diploma de estudos superiores” (Bandeira, 30 nov. 1930) que, segundo seu relato, seria possível obter após defender os resultados de sua pesquisa. A associação com Lapicque (Figuras 7a e 7b) ocorrera a partir de 1927, quando ele passou cerca de um mês desenvolvendo parte de sua pesquisa no JBRJ. Em carta a Maria Bandeira (Lapicque, 22 dez. 1927), o cientista francês agradece o acolhimento no JBRJ, refere-se às experiências realizadas com Mimosa velloziana (sensitiva) e, em anexo, envia suas anotações sobre o curso que ministra na Sorbonne. Nessa viagem, Lapicque estava acompanhado da esposa, e também fisiologista, Marcelle de Heredia Lapicque (1873-?).

Figuras 7a e 7b : Carta de Louis Lapicque a Maria Bandeira, em 18 jul. 1928 (Fonte: Arquivo particular da família Bandeira) 

As análises de Petitjean (1996, 2001) e Sá et al. (2009) acerca do intercâmbio científico entre a França e o Brasil, no entreguerras, auxiliam a entender o contexto e as causas que cercam a vinda de Louis Lapicque ao Rio de Janeiro e a posterior ida de Maria Bandeira para trabalhar em seu laboratório, na Sorbonne. Mediante as relações com o Groupement des Universités et Grandes Écoles de France pour les Relations avec l’Amerique Latine, cientistas brasileiros, reunidos em torno da Academia Brasileira de Ciências, buscavam consolidar laços que ampliassem a formação de estudantes e cientistas brasileiros. À frente desse projeto estava Miguel Ozório de Almeida (1890-1952), autoridade brasileira em fisiologia, que se empenhou na vinda de Lapicque ao Rio de Janeiro com o objetivo de proferir conferências para a comunidade científica e, por outro lado, assegurou ao cientista francês condições para realizar pesquisas no JBRJ. É possível, então, compreender o convite de Lapicque a Maria Bandeira, possivelmente intermediado por Miguel Ozório de Almeida, com vistas a estudar e trabalhar em um laboratório de fisiologia dirigido por um médico.

Em carta a familiares, Maria Bandeira (30 nov. 1930) comenta que recebe do fisiologista francês o apoio necessário para sua pesquisa:

Tenho meu tempo muito ocupado, passo os dias na Sorbonne e estou seguindo alguns cursos que me interessam especialmente. Todos são ‘amabilíssimos’ e todas as portas me são franqueadas ‘graciosamente’ (quer dizer, sem pagar!). O Lapicque comprou-me um ótimo microscópio com magníficos acessórios; aliás, o casal (Ms. Mme) me trata como filha até na intimidade do lar. Realmente nada tenho a desejar. Mas justamente por causa disso é que eu não quero ficar abaixo do que eles esperam de mim. Os auxiliares são muito amáveis, e eu já sou da rodinha dos laboratórios (destaques no original).

Em outra carta (Bandeira, 3 jan. 1931), comenta que Lapicque “durante várias aulas descreveu os trabalhos que ele fez conosco no Jardim Botânico” e que o fato de ele e outras “celebridades terem intimidade comigo” tinha virado motivo de pilhéria na “república” em que estava morando juntamente com professoras de ginásio e estudantes universitários. Explica, ainda, que sua sobrevivência financeira estava garantida com o dinheiro que recebia pelo trabalho de secretária da Comissão de Cooperação Intelectual da União – apesar de não ficar claro, parece que se tratava da Liga da União Católica – e finaliza dizendo que “estou ainda em um meio muito fino etc., onde as despesas são poucas. No Rio não poderia viver tão bem por tão pouco, 30 fr. com tudo incluído” (Bandeira, 30 nov. 1930).

A leitura das correspondências de Maria Bandeira na Europa mostra que ela economizava em tudo que podia, como nas passagens de trem, em que optava por viajar em vagões da terceira classe, na hospedagem em pensões de preços módicos e, em relação à alimentação, deixava para usufruir a boa comida francesa apenas nas visitas que fazia às chamadas “senhoras da sociedade” que ela trata apenas pelo sobrenome, às de título de nobreza, amigas da princesa Isabel e da família imperial, ou, ainda, amigos do poeta Manuel Bandeira, seu primo. Seus comentários bem humorados mostram alegria e prazer na vida que estava levando no final do ano de 1930: “Eu pretendo passar o ano escolar, que termina lá para maio, junho, em Paris. Estou fazendo uns trabalhos sob a orientação do ‘Patron’ (Lapicque) e se der resultado poderei apresentar e defender, o que me dará um diploma de estudos superiores ... e com franqueza, prefiro ficar por aqui, onde estou muito mais acompanhada, e onde aproveito muito mais em todos os sentidos” (Bandeira, 30 nov. 1930; destaques no original).

Em carta a Agnes Chase, em janeiro 1931, conta que planejava visitá-la em Washington e mostra preocupação com as mudanças políticas que estavam ocorrendo no Brasil. Conta com mais detalhes as atividades que desenvolvia sob orientação de Lapicque e refere-se a sua estada em Paris como “quase um sonho” (Bandeira, 8 jan. 1931).

Causa estranheza que, em abril do mesmo ano de 1931 (Circular..., 1993), Maria Bandeira ingresse na ordem das Carmelitas Descalças, no Convento de Santa Teresa, Rio de Janeiro. Lamentavelmente, no acervo da família, a última carta é datada de 3 de janeiro. Em entrevista, a sobrinha Marina Bandeira informou que, em algum momento, ao longo do ano de 1931, Maria Bandeira recebera uma carta da superiora do Convento de Santa Teresa do Rio de Janeiro, Madre Maria José de Jesus, informando que a esperada “vaga” para entrar no convento havia, finalmente, surgido. Esse foi um momento de decisão que culminou em um ponto de inflexão na vida de Maria Bandeira, pois ela abandona seus estudos, volta ao Brasil e, meses depois, ingressa no referido convento, apesar da resistência familiar.

A influência religiosa na vida dessa botânica vinha de uma tradição de família. Os pais eram católicos praticantes, ela estudou em escolas católicas e duas de suas três irmãs já haviam optado, nessa época, pela vida religiosa na ordem do Sagrado Coração de Jesus.

Difícil apreender os motivos que a levaram a tomar essa decisão; entretanto, o contexto religioso em que Maria Bandeira estava inserida foi discutido em Filgueiras, Peixoto, Bediaga (2014). Contudo, chama atenção o fato de ela não ter escolhido ingressar em uma ordem religiosa em que pudesse continuar na botânica, na pesquisa ou como professora. Ela optou pela ordem das Carmelitas Descalças, fundada por santa Teresa d’Ávila, uma das mais rigorosas ordens monásticas da Igreja católica, na qual as monjas procuram a perfeição no silêncio, na oração e no afastamento do mundo, chamada clausura papal maior.

Surpreende, entretanto, que, na carta à família, em janeiro de 1931, ou seja, poucos meses antes de ingressar no convento, ela tenha tecido duras observações sobre o comportamento de freiras em geral. Após participar de um encontro internacional na Basileia, possivelmente da Liga Internacional das Mulheres Católicas, escreveu o seguinte comentário:

a satisfação que tive ao verificar que em ‘todo o mundo’ o atraso formidável de ‘certas e determinadas’ ordens religiosas (com menção honrosa o Sacré-Coeur) é constatado de modo irrefutável em matéria de educação e ensino, com prejuízo lastimável para a Igreja. E que Roma, consciente de sua responsabilidade como guarda da ‘fé e costumes’, está agindo, tarefa porém dificílima, pois as pobres freiras são eminentemente pobres de espírito e, vivendo em atraso de dois séculos e à distância incomensurável da sociedade atual, não entendem e não há santo nem Papa que as faça compreender (Bandeira, 3 jan. 1931; destaques no original).

Essas críticas, um tanto mordazes, mostram que ela não alimentava simpatia pelas ordens religiosas de freiras, ao menos as não enclausuradas. Entretanto, é possível supor, por meio das correspondências, breves comentários acerca da proximidade que tinha com a Madre Maria José de Jesus, priora do Convento de Santa Teresa. Assim, em relação à ordem das Carmelitas Descalças, esta animosidade não existiria? Essa inferência é reforçada pelo fato de ter dedicado 60 anos de sua vida a essa ordem, e, no Carmelo de Santa Teresa, ter-se dedicado a uma vida de oração, em total recolhimento, vivenciando de maneira cabal a espiritualidade carmelitana, renunciando, portanto, aos estudos botânicos que tanto a fascinaram e, para os quais, segundo Ducke (13 set. 1930), ela tinha “aptidão invulgar”.

Segundo relatos dos familiares, durante as visitas regulares que faziam no convento, ela não demonstrava tristeza ou arrependimento, ao contrário, era alegre e acompanhava os fatos relacionados à família sempre com grande interesse. No entanto, a família conta que a decisão de ingressar na ordem das Carmelitas foi recebida com enorme surpresa, e sua irmã Nelita teve um grande desgosto e tentou demovê-la da ideia. Também no JBRJ, a reação à sua entrada no convento não foi bem recebida, pois Ducke ficara “furioso” (Filgueiras, Peixoto, Bediaga, 2014).

Uma opção individual, por mais que se busque inseri-la no contexto da época, na cultura familiar, entre outros instrumentos que auxiliam na análise, nem sempre é passível de compreensão à luz da racionalidade. Místicos do passado (Teresa d’Ávila, São João da Cruz e Catarina de Siena), como também outros mais recentes (Teresa de Lisieux e Thomas Merton), ao falar sobre sua vocação narram um “chamado interior”, algo a que eles não conseguem resistir, ao qual atendem com amor, sofreguidão e urgência.

É possível que Maria Bandeira tenha tido uma experiência mística que, segundo Michel de Certeau (2006), seria uma forma particular de dialogar com o divino, uma linguagem de difícil entendimento. Certeau não apresenta uma proposta conclusiva de interpretação; ele lança mão de teoria literária, psicanálise, filosofia e outras disciplinas para analisar a mística não como um discurso universal, mas como uma experiência singular. O assunto demanda uma incursão na historiografia sobre o misticismo que, apesar de instigante, ultrapassa os objetivos deste artigo.

Considerações finais

Até a presente data, a trajetória e o legado de Maria Bandeira encontravam-se ocultos para a historiografia, além de ser pouco conhecidos na comunidade científica em geral. Salienta-se que o uso na botânica de prenomes abreviados “M. Bandeira” ou “M.C. Bandeira” dificultou a percepção de que se tratava de uma mulher, entre os inúmeros homens cientistas do JBRJ, à época.

Entretanto, a invisibilidade de Maria Bandeira foi ocasionada, principalmente, pelo fato de ela não ter publicado trabalhos científicos. A discussão na comunidade científica acerca do publish or perish parece se adequar ao caso. As anotações nas etiquetas de exsicatas de herbário mostram que ela identificou briófitas em nível de família, gênero e espécie, porém, não chegou a publicar sequer um trabalho sobre essas plantas. É possível supor que, se ela tivesse publicado uma lista com os nomes de espécies de liquens, fungos ou briófitas do acervo do herbário do JBRJ, na época, ou uma listagem de espécies ocorrentes no arboreto do JBRJ, seu nome fosse lembrado como uma das pioneiras da botânica brasileira.

Contudo, ela viveu as dificuldades das mulheres pioneiras nas profissões tradicionalmente masculinas no Brasil, onde a expansão da educação feminina, de fato, ocorreu depois da ascensão de Getúlio Vargas ao poder, na década de 1930 (Azevedo, Ferreira, 2006). Sua trajetória profissional fornece elementos ilustrativos com potencial para investigações posteriores acerca de gênero, especialmente gênero e ciência, e possibilita novas leituras acerca de suas opções pessoais.

Algumas atividades que ela desempenhou, como escalar montanhas em busca de espécimes, participar de excursões científicas nas matas durante semanas seguidas, podem parecer algo excêntrico para uma mulher do começo do século XX. A esse respeito, Lopes (1998, p.367) adverte sobre possíveis preconceitos: “Aos homens que enfrentaram as agruras do campo em prol das ciências confere-se o atributo de heróis, às mulheres, quando muito o de aventureiras”. Distante da intenção de apresentá-la como exótica e fora do seu tempo, buscamos mostrar Maria Bandeira inserida em uma época em que as mulheres tiveram dificuldades em seguir carreiras que socialmente eram compreendidas como destinadas aos homens, e, assim, ela o fez: estudou e trabalhou com afinco e, com perseverança, recebeu o reconhecimento de seus pares. Por meio do seu esforço pessoal, logrou alcançar um de seus sonhos: estudar na Sorbonne. Contudo, por razões não esclarecidas, optou por mudar o rumo de sua vida.

Na época, a maioria das mulheres brasileiras que se firmaram nos ofícios tradicionalmente masculinos contou com a aprovação e incentivo paterno e/ou do marido, a exemplo de Bertha Lutz, filha do cientista Adolpho Lutz. Anos depois, Graziela Maciel Barroso, primeira naturalista mulher contratada no JBRJ mediante concurso público, começou sua carreira de botânica com o apoio e ao lado do marido, conforme explicou em entrevista:

Eu era mais dona de casa e mãe de família. Mas quando meu marido estudava eu estava sempre perto dele ... Fiz o concurso de botânica, para ser naturalista do Jardim Botânico. Nenhuma mulher tinha feito esse concurso, de modo que houve uma certa prevenção por parte dos candidatos homens, que eram cinco, sendo eu a única mulher ... Eles achavam que era uma barbaridade uma mulher fazer esse concurso. Fiz e passei muito bem, em segundo lugar, e em 1946 fui trabalhar com meu marido em sistemática botânica. Mas meu marido morreu logo depois, em 1949, e continuei o trabalho dele (Barroso citada em Massarani, Duque-Estrada, 1997, s.p.).

A trajetória de Maria Bandeira mostra o percurso de uma cientista que caminhava numa carreira exitosa. No entanto, após o falecimento de seus pais11 e o rompimento afetivo com o irmão (cf. Filgueiras, Peixoto, Bediaga, 2014), ela fez a opção de interromper os estudos botânicos para dedicar-se à vida religiosa em clausura. Acrescenta-se a perda de uma importante referência científica para ela, Brotherus, falecido em 1929. Provavelmente, nunca saberemos os motivos profundos que levaram Maria Bandeira a abandonar a profissão, tampouco conseguiremos entender sua opção religiosa, mas podemos inferir que a mudança pode ter sido ocasionada pelas dificuldades e inseguranças de uma mulher de 29 anos, solteira, que não contava mais com o amparo masculino e, certamente, sentia os preconceitos de gênero, à época.

A invisibilidade dessa mulher, ocasionada por circunstâncias diversas, completou-se com sua entrada para o Convento de Santa Teresa, quando se concretiza na figura simbólica da clausura religiosa.

REFERÊNCIAS

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