Memórias póstumas da loucura mulata: as apropriações de Machado de Assis sob o corte patológico

Memórias póstumas da loucura mulata: as apropriações de Machado de Assis sob o corte patológico

Autores:

Alexandre de Carvalho Castro

ARTIGO ORIGINAL

História, Ciências, Saúde-Manguinhos

versão impressa ISSN 0104-5970versão On-line ISSN 1678-4758

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.26 no.3 Rio de Janeiro jul./set. 2019 Epub 16-Set-2019

http://dx.doi.org/10.1590/s0104-59702019000300008

Abstract

Studies to identify possible relations between artistic creation and psychopathology (starting in nineteenth-century Europe) have influenced Brazilian thought on this topic. The objective of this article, from the perspective of the history of health sciences, is to analyze viewpoints throughout the twentieth century which considered the neurological and psychiatric diseases of Machado de Assis as fundamental to the development and content of his literary work. A theoretical and methodological reading based on Bakhtin found that many authors considered Machado de Assis’s epilepsy to be the main reason behind his creativity, which allowed a review of the appropriation of different psychiatric theories in Brazil, as well as various theoretical concepts.

Key words: history of psychiatry; history of psychology; Mikhail Bakhtin (1895-1975; Machado de Assis (1839-1908; literature

A história das ciências da saúde é pródiga em mostrar o quanto saberes inicialmente vinculados ao horizonte da psiquiatria atravessaram fronteiras disciplinares e desenvolveram influências variadas. Segundo o foco de interesse deste artigo, no entanto, convém ressaltar que isso é particularmente verdadeiro no que diz respeito à construção de premissas para dar base de sustentação às interpretações literárias e culturais, mormente aquelas interessadas em identificar eventuais relações entre a criação artística e a psicopatologia (Lima, 2009).

Na virada dos séculos XIX e XX, por exemplo, já era prática corrente na Europa considerar que autores como Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (1821-1881) e Gustave Flaubert (1821-1880) deviam sua criatividade à epilepsia ou histeria (Scotti, 2003), supostamente porque tais doenças desempenhariam um papel crucial na criação e no conteúdo de suas produções literárias (Fari, 2003). Uma revisão bibliográfica muito ampla das relações entre diferentes literatos e a psicopatologia, apresentando a diversidade das linhas teóricas sobre os quadros nosológicos, no entanto, fugiria ao enquadramento aqui pretendido, uma vez que o horizonte dessa pesquisa é bem mais estrito.

Mesmo considerando-se apenas o contexto brasileiro, tais relações entre literatura e saberes médico-psicológicos mantêm extensa produção historiográfica. Alguns estudos, com foco mais amplo, investigaram até mesmo o quanto aspectos do discurso médico constituíram matrizes de interpretações cientificistas sobre o povo brasileiro e sua raça (Rago, 1997, p.65), sobretudo a partir dos anos 1920 e 1930, ainda que muitas vezes esses saberes não tenham sido citados de modo formal e objetivo, mas apenas genericamente referidos. Para além, então, desse cenário de multifacetadas análises voltadas para demonstrar vínculos dos saberes e representações médico-psiquiátricas na literatura sobre o país, este artigo tem como cerne principal a questão fulcral de Machado de Assis.

Esse recorte se justifica porque, em função da disseminação, no Brasil, de obras acerca de doenças psiquiátricas e criação literária, o caso de Machado de Assis pode ser compreendido, bakhtinianamente, como expressão dos dialogismos mantidos no âmbito de práticas socioculturais bastante difundidas desde finais do século XIX, nas quais o discurso das ciências médicas foi dialogicamente incorporado em análises literárias.

De modo efetivo, o fato de que muitos biógrafos machadianos desenvolveram explicações de sua obra em função de uma leitura supostamente marcada pelas experiências individuais de Machado se deve sobretudo a dois fatores. O primeiro deles é que, ao escreverem suas críticas literárias, alguns autores – tais como Alfredo Pujol (advogado e jornalista), Luiz Ribeiro do Valle (médico), Américo Valério (médico), Lucia Miguel Pereira (escritora), Augusto Meyer (jornalista), Peregrino Júnior (jornalista e médico), Afrânio Coutinho (escritor), José Leme Lopes (médico) e Maria Luiza Seminerio (psicanalista), entre outros – desenvolveram dialogismos com o saber psiquiátrico da época. Entendendo-se, nesse sentido, o conceito de “dialogismo” como um elemento constitutivo do próprio discurso pela dinâmica da incorporação do discurso do outro (Bakhtin, 2004), pois a noção de que a expressão literária exterior dava conta de um comprometimento psicopatológico interior foi construída como verdade científica em diferentes momentos dessa história pregressa.

O segundo fator a ser destacado, entretanto, é que a vida desse romancista brasileiro tinha peculiaridades que possibilitaram usá-lo para ilustrar um enfoque literário das teorias psiquiátricas (Passos, 2002). De fato, não só no início, mas ao longo de todo o século XX, a obra de Machado de Assis foi recorrentemente lida e relida sob critérios que sobrelevaram dinâmicas psíquicas. Tais leituras são de especial interesse para a história das ciências e da saúde, pois mostram como as teorias psiquiátricas ensejaram dado tipo de apropriação sociocultural. Principalmente a partir do contexto da belle époque brasileira, cujo verniz de erudição francesa como referência cultural primava por comparar Flaubert e Machado, tendência, aliás, que se mantém até hoje (Galíndez-Jorge, 2013).

Ao que parece, além do quadro neurológico da epilepsia, a história de vida de Machado também se mostrou especificamente adequada a essas leituras psicologizantes. Por desconsideração do fato de que a ascensão social de mulatos foi um fenômeno social característico dos incipientes centros urbanos do Brasil oitocentista (Freyre, 2004),1 intérpretes machadianos em geral o consideram dono de uma biografia incomum. Mestiço e pobre, filho de uma lavadeira portuguesa e de um pintor de paredes, saiu do morro do Livramento, no Rio de Janeiro, e se transformou em trabalhador manual, tipógrafo, jornalista, poeta, dramaturgo, crítico literário, romancista e, já em idade mais avançada, presidente da Academia Brasileira de Letras.

Diante dessa trajetória pessoal, muitos escritores advogaram a opinião de que seus contos e romances seriam mais bem compreendidos à luz da superação que Machado experimentou em relação à vida de pobreza e às marcas da negritude (Candido, 1971), ou ainda que os temas recorrentes nos textos machadianos se devem a aspectos também recorrentes de sua existência pessoal (Piza, 2005).

Vale lembrar, todavia, que não só pela biografia, mas pela bibliografia acerca de Machado de Assis, foi-se criando paulatinamente um lastro teórico marcado pelo forte estereótipo de que o autor de Memórias póstumas era um absenteísta, ou seja, alguém ausente e distante da realidade sociopolítica circundante. Essa tese do absenteísmo de Machado de Assis, muito forte, por exemplo, em órgãos culturais do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) que davam suporte ao Estado Novo de Getúlio Vargas (Salla, 2012), foi primeiramente defendida por Sílvio Romero que, em 1897, escreveu um livro criticando-o, entre outras coisas, por não se ter engajado nas principais lutas de finais do século XIX: os embates abolicionistas e republicanos.2 De acordo com esse escritor sergipano, numa crítica ácida, Machado de Assis até foi representante do espírito brasileiro, “mas num momento mórbido, indeciso, anuviado, e por um modo incompleto, indireto, e como que a medo” (Romero, 2002, p.205).

Assim, o que se constata é que essa tônica – a ideia era que Machado experimentara uma vivência estritamente individual, desligado das condições sociais brasileiras – com o tempo foi criando raízes. Muitos machadianos, então, empreenderam viagens ao centro do psiquismo do bruxo do Cosme Velho, imaginando que na fonte da subjetividade interior existiria a causa da expressão exterior. Numa eventual busca, segundo alguns, pelas camadas mais profundas do que seria a formação do pensamento individual.

O objetivo deste artigo, em face do cenário apresentado, é analisar as leituras, interpretações e apropriações sobre a obra machadiana que se basearam em premissas nas quais doenças neurológicas e psiquiátricas de Machado de Assis desempenharam importante papel na criação e conteúdo de suas produções literárias. Nesse sentido, representa importante contribuição porque amplia resultados de estudos anteriores – um deles com recorte mais reduzido, baseado em apenas “três estudos produzidos nos anos 1920 e 1930” (Lima, 2009, p.642) – e também pelo motivo de apresentar enfoque diferenciado, com abordagem pautada nas proposições bakhtinianas (Castro, Portugal, Jacó-Vilela, 2011). Tal ampliação do escopo de análise, portanto, implica tanto a incorporação de um número maior de estudos machadianos quanto a exploração de novas possibilidades analíticas, conquanto com convergências e aproximações com outras investigações, mormente a de Lima (2009).

Destarte, a base teórico-metodológica de tal análise alude diretamente à perspectiva de Mikhail Bakhtin, sobretudo porque, para esse autor russo, um grave equívoco acontece quando a investigação textual sucumbe ao psicologismo, ou seja, quando se estabelece o pressuposto de que aspectos individuais dão conta da produção do discurso. Pois, em suas palavras, “a consciência individual não é o arquiteto dessa superestrutura ideológica, mas apenas um inquilino do edifício social dos signos ideológicos” (Bakhtin, 2004, p.36).

O dialogismo bakhtiniano, por conseguinte, implica forte inflexão nessa tendência da “fortuna crítica” (Chagas, 1994) de Machado de Assis, que interpreta sua produção textual como ato puramente individual, como expressão de sua consciência, como fruto de seus desejos, gostos, intenções e impulsos criadores. Basicamente porque, de acordo com Bakhtin (2004), essa linha de análise, que concebe um dado autor como arquiteto, planejador e planificador da expressão total das relações culturais e simbólicas contidas em sua obra, é inadequada por dois motivos básicos.

O primeiro deles é que, dentro dessa perspectiva, a enunciação ganha um caráter meramente monológico e passa a ser entendida como se todo o conteúdo temático tivesse se formado no interior do psiquismo, ganhando uma expressão objetiva apenas em função de algum código de signos exteriores. O outro motivo é que desse modo se supõe, no âmbito da consciência do indivíduo, certo dualismo entre o que é interior e o que é exterior, com evidente primazia dos conteúdos interiores.

Ora, o enfoque bakhtiniano demanda basicamente a eliminação dessa distinção qualitativa entre um suposto conteúdo interior e a expressão exterior. Isso porque o conteúdo a exprimir e sua objetivação externa são criados a partir de um único e mesmo material – o contexto social.

Leituras e interpretações da obra de Machado de Assis

A pesquisa realizada levou a termo um levantamento bibliográfico criterioso de críticos e analistas da obra de Machado de Assis. De toda forma, não é possível, neste artigo, fazer um tratamento bibliográfico muito exaustivo, a ponto de incluir autores e escritores de menor expressão. Há limitações de espaço e, em todo caso, seria improdutivo, pois o estudo analítico das diferentes etapas de recepção, apropriação e interpretação da obra de Machado de Assis já foi feito – com muito rigor – por Antonio Candido, no ensaio “Esquema de Machado de Assis”, originalmente produzido em 1969, e incluído no livro Vários escritos (Candido, 1970). O mesmo pode ser dito do levantamento da extensa bibliografia dispersa em jornais, livros e revistas; igualmente já elaborada e publicada numa relação com mais de três mil registros (Machado, 2005). De fato, as referências a obras e autores aqui apresentadas visam apenas apontar tendências gerais nas leituras psiquiátricas feitas por comentadores machadianos que relacionaram sua obra com quadros nosológicos da psiquiatria.

Dessa forma, verificou-se que os intérpretes adeptos da orientação do psicologismo, numerosos, reproduziram basicamente a seguinte argumentação: a epilepsia de Machado de Assis, entendida em termos de uma doença psíquica, foi a força criadora que exteriorizou objetivamente os conteúdos subjetivos encontrados em sua obra.3

Em apoio a esse pensamento, tais comentadores aludiram e exploraram alguns aspectos biográficos (Barbosa, 1957), tendo por base depoimentos pessoais, principalmente em torno das crises de epilepsia.4 Um dos mais citados, de sua esposa, dona Carolina, é o que permite vincular as mudanças de estilo dos primeiros romances para a produção posterior. Os historiadores presumem que, dois anos depois de casado, Machado teve a primeira crise da fase adulta (Coutinho, 1959), pois, segundo o relato da esposa, ele declarara, voltando à consciência ainda meio atordoado, ter sofrido em pequeno umas coisas esquisitas que cessaram posteriormente. Outra opinião compartilhada é que o mal orgânico se intensificou pouco antes de escrever Iaiá Garcia, o último livro do seu período romântico (Pujol, 1917, p.108). O período de finais de 1878 e início de 1879, quando passou alguns meses em Nova Friburgo se recuperando da doença, também é tido como responsável pela grande transformação qualitativa na sua obra, visto que, na perspectiva de alguns críticos literários, ao se recuperar da moléstia interna robusteceu também o seu talento de romancista (Pereira, 1988, p.168).

Em suma, da perspectiva dos referenciais bibliográficos, pode se considerar que as linhas mestras dessa interpretação foram definidas pelas conferências promovidas pela Sociedade de Cultura Artística de São Paulo, no Clube Germânia, de novembro de 1915 a março de 1917. Proferidas por Alfredo Pujol, essas sete conferências, acolhidas inicialmente num ambiente de saraus, poesias e declamações, acabaram sendo reunidas em um livro – Machado de Assis – considerado a primeira biografia machadiana (Werneck, 1996). Nessa obra, sempre referida como clássica (Chagas, 1994), o conferencista Alfredo Pujol desenvolveu um viés de interpretação que, em certo sentido, influenciou muitos outros machadianos. Referindo-se de maneira mais específica ao romantismo, afirmou que, por conta de sua extrema originalidade, Machado não sofreu a ação do ambiente de sua época e, tendo sido superior ao seu tempo, viveu a vida interior do pensamento.

A análise de Pujol, que traçou um paralelo entre o ilustre romancista brasileiro e Flaubert (autor de Madame Bovary), também epiléptico, lançou mão de um sugestivo dado documental para mostrar o pudor e horror de Machado à sua “nevrose”: na primeira edição das Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado havia escrito a palavra “epilética”, e, a partir da segunda edição, preferiu substituí-la por “convulsa”.5

Essa primeira biografia de Machado de Assis é bastante exemplar da linha que Bakhtin (2004) denominou “subjetivismo individualista”. Ou seja, para o biógrafo, a par das causas sociais que determinaram aspectos do pessimismo (supostamente) encontrado nos textos de Machado de Assis, maior destaque devia ser dado ao seu mal incurável, às “condições fisiológicas, criadas pelo veneno da nevrose que atormentou a sua existência” (Pujol, 1917, p.107).

Luiz Ribeiro do Valle, em Psicologia Mórbida na Obra de Machado de Assis, tese à cadeira de psiquiatria da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, publicada originalmente em 1917, e em segunda edição no ano seguinte, se baseou em Pujol para igualmente concordar que “Machado de Assis quis que o seu estado mental patológico de epiléptico não se refletisse nas suas obras, mas neste intento foi tão infeliz como o seu glorioso companheiro de arte e sofrimento: Flaubert” (Valle, 1918, p.167).6

Nos anos 1930, particularmente, desenvolveu-se de modo ainda mais intenso a tendência – compartilhada por vários machadianos que lançaram livros no período – de se buscar na vida do autor apoio para o que se encontrava na obra. Dentro desse enfoque, um estudioso que precisa ser considerado é Américo Valério. Sua obra, Machado de Assis e a psicanálise, publicada em 1930, desenvolveu relações entre o estilo machadiano e sua doença, alegando que ela era marcada pela hereditariedade e “colateralidade de taras neuropsicopáticas”, em que representavam preponderante papel “a sífilis e a diátese neoplástica”, o que lhe dava “o aspecto de paroxismos psíquicos e convulsivos” (Valério, 1930, p.59). Discordando explicitamente de Pujol, procurou esclarecer que, no caso machadiano, a denominação geralmente dada – de “neurose/nevrose” – à epilepsia era equivocada. Segundo sua avaliação, tratava-se antes de uma “psicose”, onde o psiquismo assumia um caráter mais importante que os ataques convulsivos.

Essa investigação autorreferida como psicanalítica, a pretexto de incorporar os estudos freudianos, então ainda pouco conhecidos no país, alegou que a vivência machadiana foi uma explosão de latente psicose epiléptica causada pela herança mista: “Machado de Assis bem comprova os fatos da degeneração humana, quando se afirma que entre dois degenerados, um aberra no crime, outro, no gênio. Um, é Febronio, outro, é Machado de Assis” (Valério, 1930, p.63).

A genialidade do prosador que escreveu Memórias póstumas, aliás, fez com que ele fosse, ao longo de toda a obra, considerado o “avô do freudismo”, sob a constatação de que, assim como a relatividade já existia antes de Einstein, também antes de Freud o freudismo já estava presente nos livros de Machado de Assis. Para Américo Valério (1930, p.140), “como os especialistas fazem, hoje, a inspeção direta da bexiga urinária ou da traqueia, Machado de Assis fez também a inspeção das almas … como um verdadeiro antepassado de Freud”.

Essa linha de análise de Machado de Assis e a psicanálise, associada ao fato de o ciclo de conferências de Alfredo Pujol ter sido republicado pela Editora José Olympio em segunda edição em 1934, contribuiu ainda mais para a influência de tais teses. Fato que ficou evidente tanto pelas resenhas em linhas gerais elogiosas a Pujol, divulgadas junto ao público em jornais da época,7 quanto pela obra lançada em 1935 por Augusto Meyer.

Com efeito, Meyer (1935) também seguiu a trilha aberta pela hermenêutica da nevrose. Muito embora afirmasse que a epilepsia não tinha como explicar as características literárias machadianas, não considerava indiferente para a análise de sua obra saber que o autor foi um epiléptico: “Um Machado normal não seria mais, quem sabe, Machado de Assis” (p.111).8

Em setembro de 1936, uma das mais consagradas biógrafas machadianas, Lúcia Miguel Pereira, publicou, pela Companhia Editora Nacional, o livro Machado de Assis (Estudo crítico e biográfico), defendendo a ideia da ascensão social da condição de mulato e o consequente afastamento em relação ao morro como elementos básicos na formação de Machado, com reflexos claros na produção de seus romances. Há quem considere a interpretação apresentada nessa biografia (ampliada e revisada em 1938, e depois em sucessivas edições no decorrer dos anos), sobretudo a apropriação da análise científica relativa à epilepsia, como influenciada pelo pai da autora, o médico Miguel Pereira, presidente da Academia Nacional de Medicina (em 1911-1912), instituição que, juntamente com a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, editava a publicação Brasil Médico (Werneck, 1996). De fato, Lúcia Miguel Pereira citou Mme. Minkowska,9 psiquiatra responsável pelo conceito de “gliscroidia”, para apontar a constituição gliscroide de Machado de Assis, assim como suas “inequívocas tendências esquizoides” (Pereira, 1988, p.82).

Em 1938, o livreto Machado de Assis, epiléptico trouxe o texto de um discurso proferido por ocasião da passagem do 96o aniversário de nascimento de Machado, ocorrido três anos antes, no qual Othon Costa criticara Sílvio Romero, para quem o aspecto mórbido na obra de Machado seria mero artifício. De acordo com Costa (1938), Machado era realmente epiléptico, citando, para sustentar sua opinião, alguns depoimentos e, prova cabal, um precioso flagrante fotográfico, datado de 1º de agosto de 1907, em que Machado, acometido de uma crise, estava caído sobre um banco e cercado de populares. Preocupado em fazer uma apologia, Costa (1938) ponderou que a doença de Machado proporcionou efeitos positivos aos textos, assim como a doença de certos moluscos produzia pérolas – “A exemplo de Machado de Assis e de todos os outros que Lombroso incluiu na ‘psicose dos gênios’, a mesma cousa se verifica: vingam-se de seu mau destino enobrecendo a humanidade” (p.16).

Naquele que talvez tenha sido o livro mais emblemático dessa época, Doença e constituição de Machado de Assis, Peregrino Júnior (1938) seguiu mais ou menos na mesma direção – para mostrar a “imagem torturada e complexa, difícil e obscura do glicroide que foi também um esquizoide” (p.158) – diagnosticando Machado como um leptosômico de Kretschmer ou um longilíneo astênico de Pende, com certo grau bem nítido de displasia.10 A clareza de Machado ao escrever seus textos foi interpretada em termos de “tendência explicativa”, e tida como sintoma epileptoide. A eventual referência a animais foi considerada “zoopsia”, sendo esse zoomorfismo sinal de antecedentes alcoólicos na família.11

Peregrino Júnior (1938) usou como método inclusive exames grafopsicológicos dos lapsos e correções nos originais dos romances. Inusitada também foi a relação que viu entre o ritmo ternário – na disposição dos vocábulos, na acentuação e nos períodos lógicos dos últimos romances – e as fases também ternárias da epilepsia, sendo um dos críticos para quem a doença de Machado era a causa não só do conteúdo dos temas abordados, mas do estilo adotado pelo escritor.

Os anos 1930 de fato constituíram uma época muito marcada por essa tendência que delineou Machado de Assis com traços psiquiátricos. Tal abordagem não era, contudo, plenamente consensual, tanto que, ao final dessa década, em 1939, Modesto de Abreu (1939, p.158) fez um levantamento dos Biógrafos e críticos de Machado de Assis, desenvolvendo uma postura crítica em relação a Américo Valério, Meyer e, principalmente, Peregrino Júnior.

É um dado evidente, entretanto, que o livro Doença e constituição de Machado de Assis causou forte influência à época. Hélcio Pereira da Silva publicou, em 1949, A megalomania literária de Machado de Assis (relançado em 1957, em edição revisada como Machado de Assis: a megalomania), ensaio em que fez alusão ao “temperamento tão bem estudado clinicamente pelo Sr. Peregrino Júnior” (Silva, 1949, p.117), numa abordagem em que também admitiu que na obra machadiana havia um desdobramento de sua personalidade. A megalomania machadiana “era uma forma de libertar recalques ou transferi-los das grades mentais para as da tinta sobre o papel” (p.126), e implicaria uma obra constituída como “compensação psicológica” (p.17) de sentimentos recalcados, por meio de rememoração “enterrada não no esquecimento, mas alojada no subconsciente” (p.46).

Na década de 1950, a segunda edição da obra de Meyer (1952) e outro livro ampliado com outros ensaios (Meyer, 1958) colocaram mais uma vez em evidência essa tendência interpretativa. Brandão (1958), num ensaio em que acusa Machado de niilista, reitera a ideia de que ele se perdeu em personagens mórbidos e decadentes porque foi um caso patológico. Entrementes, tal ponto de vista aos poucos passou a enfrentar algumas novas resistências. Mota Filho, em palestra proferida na Universidade da Bahia por ocasião do cinquentenário da morte de Machado de Assis, criticou explicitamente Augusto Meyer e os que não se cansavam em ver os textos machadianos como recalques e complexos associados à psicologia mórbida de seu autor (Mota Filho et al., 1958). Seu argumento, contudo, também incorria no psicologismo, pois não estava preocupado em negar a produção do texto como ato puramente individual, mas em afirmar que, conquanto a obra machadiana fosse expressão do psiquismo individual, na consciência de Machado não prevaleciam os aspectos mórbidos.

Para Coutinho (1959), autor que também pode ser incluído nesse elenco, o fator psiquiátrico era um elemento importante na origem das concepções de Machado. Elemento esse entendido como conflito íntimo resultante de uma consciência de inferioridade advinda tanto da condição social (pela origem humilde e mestiçamento) quanto de sua doença. Para esse autor, que chegou a se referir a uma “constituição psicológica semianormal” (p.34), o mal físico teve uma enorme e deprimente influência nas mudanças de rumo da produção machadiana na fase situada mais ou menos em 1879. Em sua interpretação da obra de Machado de Assis,12Coutinho (1959) entendeu que o escritor recalcou essas experiências ruins para, por meio do inconsciente, vingar-se, demonstrando um “ódio sistematizado da vida” (p.40).

Depois de algum tempo, essa metodologia da análise literária psicopatológica, especialmente representativa dos anos 1930 e 1950, emergiu mais uma vez em 1974 com A psiquiatria de Machado de Assis, de José Leme Lopes, e sobretudo em 1981, quando da edição ampliada com o acréscimo do capítulo “A doença de Machado de Assis”. Escrito por aquele que foi um dos responsáveis pela introdução do teste de Rorschach no Brasil na década de 1930, o livro mostra que a loucura machadiana ganhou novo fôlego nos anos 1970 e 1980. Nesse texto, Lopes (1981) diagnosticou o mal de Machado como “epilepsia temporal” e defendeu a ideia de que o fascínio pela doença mental era um deslocamento, feito pelo escritor, “de seu problema vital – a convulsão epilética – para o mais impessoal da loucura” (p.216).

Os artigos da psicanalista Maria Luiza Teixeira de Assumpção Lo Presti Seminério, publicados a partir dos anos 1990 na revista Arquivos Brasileiros de Psicologia – “O projeto inconsciente de Machado de Assis” (1991); “Machado de Assis: história e pré-história” (1993); “O dito e o não dito no discurso geral dos romances de Machado de Assis” (1995); “A mobilização libidinal criativa nos romances de Machado de Assis” (1998); “Ato criador na narrativa dos romances de Machado de Assis” (1999); e “A atualidade de Machado de Assis vista através de uma apreciação transdisciplinar” (2001) – também repercutem tal viés psicologizante. Para a autora, “na organização da libido pelo suposto não dito ... rejeita as mulheres, os pais, e acaba por rejeitar os filhos, como se lê em Memorial de Aires. Acaba por se rejeitar enquanto filho de pais simbolizados: Joaquim-Maria, para se aceitar enquanto filho de Machado e Assis. Mas, todavia, não podemos deixar de reconhecer que toda a produção literária, romances, é fruto da luta por uma maior organização da estrutura psíquica” (Seminério, 1993, p.184).

Outros estudos poderiam ser citados para mostrar essa preocupação com “uma gênese psicossomática” (Bosi, 2002) dos textos machadianos,13 alguns, aliás, bem mais recentes.14 Este levantamento, entretanto, já é suficiente para constatar que a análise feita por esses autores girou em torno da mesma ideia fundamental: há uma experiência de vida – vinculada à condição de mulato, mas fundamentalmente marcada por uma doença psiquiátrica15 – que dá conta de explicar a singularidade individual de Machado de Assis como escritor.

Vale lembrar, no entanto, a título de ressalva, que há uma outra linha de interpretação da obra machadiana, diametralmente oposta a essa aqui apresentada, que tende a avaliar seus textos a partir de aspectos que sobrelevam a dinâmica cultural (Schwarz, 2012; Jobim, 2015). Tal perspectiva mais crítica, no entanto, não fez parte do recorte do presente objeto de estudo.

Considerações finais

O objetivo deste artigo foi o de analisar, a partir de Bakhtin, as interpretações acerca da obra de Machado de Assis que se pautaram no pressuposto de dada suposta constituição psiquiátrica ter implicado aspectos de suas produções literárias.

Em linhas gerais, o que se verificou foi que os autores investigados consideraram características individuais da vida do escritor – sobretudo sua epilepsia, mas eventualmente também a superação social de sua condição de mulato – como responsáveis pelo seu ato criador. Tal tendência, identificada praticamente ao longo de todo o século XX, mas principalmente nas décadas de 1930 e 1950, acompanhou a apropriação de diversas teorias psiquiátricas no Brasil, permitindo passar em revista a recepção de conceitos teóricos tais como: degeneração, nevrose, psichose, gliscroidia, leptosomia, zoopsia, subconsciente e megalomania.

Esses conceitos psiquiátricos, contudo, foram em geral utilizados sob uma perspectiva superficial, eclética e fora do enquadramento teórico de onde inicialmente emergiram, o que fica particularmente evidente quando se analisa a apropriação que Américo Valério fez da obra de Freud (1856-1939), e que Peregrino Júnior fez dos conceitos de Ernst Kretschmer (1888-1964) e Nicola Pende (1880-1970).

A bibliografia levantada, em particular a linha que se estende de Alfredo Pujol (1917) até Maria Luiza Seminério (2001), analisou as narrativas de Machado de Assis a partir da premissa de que a sua atividade mental, com a peculiaridade de ser mórbida e doentia, é que organizava a temática expressa nos textos. Essas leituras, enviesadas por uma perspectiva biográfica psicologizante e pela interpretação dos elementos condicionantes individuais do autor, permitem tanto evidenciar que o discurso das ciências da saúde marcou a cena cultural brasileira nesse período quanto ressaltar a contribuição dos aportes bakhtinianos.

Isso porque, numa perspectiva bakhtiniana, o lugar social de eventuais interlocutores também é parte constitutiva do processo de atribuição do sentido de um texto. Há relações de força, interesses coletivos e disputas pessoais nos componentes que o constituem, cujo significado, em última instância, pode ser determinado pelo poder social e pela posição que ocupam aqueles que o produzem. Desse modo, a análise dos comentadores machadianos não pode ser feita à parte das relações de poder no interior da sociedade brasileira.

No Brasil do final do século XIX e início do XX, as práticas discursivas estavam longe de um alinhamento consensual e unívoco. Ocorriam embates históricos. A libertação dos escravos teve forte impacto em todos os domínios da vida nacional, e o advento da República trouxe em seu bojo o discurso da transformação social, do surgimento de uma nova sociedade (Carvalho, 1990). E esse projeto de mudança andou lado a lado com as aspirações da ciência, principalmente em função da emergência, mesmo que a princípio cambaleante, do higienismo social (Patto, 2000).

Todos esses elementos precisam ser contemplados, pois para muitos estudiosos machadianos a incorporação do discurso médico-psiquiátrico trazia em seu bojo o poder de designar a verdade dos fatos sociais. O que, numa sociedade em que individualizações eram subjacentemente naturalizadas, significava atribuir à experiência do indivíduo uma categoria quase que inata em quaisquer investigações socioculturais. Numa visão bakhtiniana, entretanto, a dinâmica se inverte por completo, pois a situação social mais imediata – ou seja, a condição real da enunciação – é que orienta a expressão discursiva. Assim sendo, a necessidade de expressão e suas contingências é que determinam a orientação da consciência, e não o contrário.

Ora, a orientação discursiva de Machado de Assis não decorria de uma circunstancial condição psíquica individual, mas das demandas presentes no meio social de finais do século XIX, com a emergência do saber psiquiátrico – do alienismo – no país. O próprio Machado criticava a suposta determinação enunciativa de uma psyché interior, posto que estava profundamente preocupado em problematizar o campo social que conduziu, no Brasil de então, à construção do indivíduo moderno, como pode ser verificado em alguns de seus contos (Castro, 2012). Do mesmo modo, pode-se dizer que os biógrafos de Machado aqui estudados igualmente se orientavam discursivamente pelos ditames do meio social, em função de conjunturas culturais que prestigiavam os saberes e representações médico-psiquiátricas como estatuto de verdade em diversas esferas da vida humana, incluindo a análise da expressão literária.

Portanto, a investigação dessa assimilação, muitas vezes acrítica, de conceitos psiquiátricos por comentadores machadianos, mais do que assinalar a superficialidade de alguns escritores, indica a importância de se retirarem as noções de “indivíduo” do estado de naturalização em que se encontram nas apropriações discursivas feitas diante de categorias das ciências da saúde. Ou, quem sabe, pôr em questão a própria afirmação do “sujeito individual” como referência básica de análise da historicidade das ideias e experiências humanas.

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