Mobilizando estudantes em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS): experiências interprofissionais do VER-SUS - Sobral, CE, Brasil

Mobilizando estudantes em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS): experiências interprofissionais do VER-SUS - Sobral, CE, Brasil

Autores:

Vitória Ferreira do Amaral,
Ana Suelen Pedroza Cavalcante,
Quitéria Larissa Teodoro Farias,
Marcos Aguiar Ribeiro,
David Gomes Araújo Júnior,
Diógenes Farias Gomes

ARTIGO ORIGINAL

Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versão impressa ISSN 1414-3283versão On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.22 supl.2 Botucatu 2018

http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622017.0715

Resumen

Se trata de un relato de las experiencias del proyecto VER-SUS en el período de 2012 a 2016 en el proceso de formación interprofesional de los académicos del área de la Salud y similares en el municipio de Sobral / Estado de Ceará. Los ejes analíticos incluyeron: Construcción Histórico y Social del VER-SUS y la Experiencia Interprofesional en el VER-SUS. Durante este trayecto temporal se realizaron seis ediciones del proyecto que, por medio de ruedas de conversaciones, talleres de desarrollo interprofesional y devolutivas de las inmersiones en los territorios y servicios de salud, posibilitaron una formación dialógica y horizontal sobre la realidad del SUS. Así, el VER-SUS / Sobral se mostró una estrategia robusta, por incentivar la interprofesionalidad y el desarrollo de experiencias del trabajo de salud entre los alumnos de graduación y el servicio. Para ello, esas experiencias proporcionaron espacios dialógicos para la (re)construcción del saber.

Palabras clave: Sistema Brasileño de Salud; Educación superior; Relaciones interprofesionales

Introdução

A formação profissional em Saúde teve importantes mudanças com o passar dos anos, decorrentes de transformações culturais e da incorporação das tecnologias nas diferentes áreas do conhecimento, o que influenciou nas maneiras de ensinar e aprender1. Mesmo diante dessa revolução, a visão tradicional do ensino ainda semeia no cenário da educação na saúde perspectivas verticalizadas, de transmissão do conhecimento, sob as clausuras de um modelo acrítico, o que tem dificultado o avanço das perspectivas da formação interprofissional em Saúde e da prática colaborativa.

Essas mudanças de paradigmas levaram à reformulação do ensino superior no Brasil, o que motivou a definição das Diretrizes Curriculares Nacionais dos cursos de graduação (DCN), que proporcionaram às instituições de ensino superior (IES) um direcionamento para formas inovadoras de projetos político-pedagógicos. Esse processo foi iniciado com a publicação do Edital no 04/1997 pela Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC), que convocou as IES à apresentação de propostas a serem sistematizadas pelas Comissões de Especialistas de Ensino (CEE) de cada área do conhecimento e encaminhadas ao Conselho Nacional de Educação (CNE)2.

As DCN dos cursos da área da Saúde passaram a alocar na formação e educação das profissões da saúde a responsabilidade de capacitar os futuros profissionais para a atuação do trabalho em equipe interprofissional, por preconizar currículos interdisciplinares, alinhados às políticas públicas instituídas pelo SUS3.

Nesta conjuntura, a Sesu/MEC, embasada nas sugestões e críticas das propostas das IES e na percepção das demais referências nas discussões acerca das DCN, desde a Constituição Federal de 1988; a Lei Orgânica do Sistema Único de Saúde (no 8.080 de 19/9/1990); a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (no 9.394 de 20/12/1996); a Lei que aprova o Plano Nacional de Educação (no 10.172 de 9/1/2001); o Parecer da CES/CNE (no 776/97 de 3/12/1997); o próprio Edital no 04/1997; o Plano Nacional de Graduação do ForGRAD de maio de 1999; os documentos da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Rede Unida, buscaram o fortalecimento de ações relativas à melhoria da qualidade do ensino de graduação2.

A partir dessas determinações jurídico-legais, o Ministério da Saúde (MS) assumiu o compromisso com a formação profissional em saúde, instituindo políticas públicas orientadoras dessa formação. Com a criação da Secretaria da Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), em 2003, foi definida a Política de Educação e Desenvolvimento para o SUS: Caminhos para a Educação Permanente em Saúde (EPS), que fortaleceu os Polos de Educação Permanente em Saúde, o que estimulou a revisão das estratégias de formação, atenção, gestão, formulação de políticas e controle social na saúde4,5.

Com a instituição da educação permanente como uma das suas diretrizes de orientação, a SGTES assumiu o papel de formular e qualificar os profissionais e trabalhadores da saúde do Brasil, fortalecendo o artigo 200, inciso III, da Constituição Federal do Brasil, que afirma que compete ao SUS “ordenar a formação de recursos humanos na área da saúde”6. Nessa tangente, surgiram propostas de qualificar o ensino na saúde, tencionando a graduação para orientação das práticas interprofissionais, como o projeto do VER-SUS7.

O VER-SUS é um projeto desenvolvido por estudantes e para estudantes em todo o território nacional e reconhece o sistema de saúde como espaço de aprendizagem. O projeto conta com comissões organizadoras locais que envolvem gestores, estudantes, IES, profissionais de serviços de saúde e movimentos sociais que prestam apoio descentralizado para a realização das vivências, mantendo contato com diferentes atores e com a comissão nacional, composta pelo MS, em parceria com a Rede Unida, com a Rede Governo Colaborativo em Saúde, com a União Nacional dos Estudantes (UNE), com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e com o Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde (Conasems)5.

Esse projeto tem influenciado a educação interprofissional como meio para o fortalecimento da educação na saúde e da colaboração interprofissional, por priorizar o trabalho em equipe, a integração entre as ciências e o domínio de estudo de disciplinas de forma a integrar seus níveis teóricos e práticos, a fim de alcançar um reconhecimento ampliado e a respeitar as especificidades de cada profissão8.

A colaboração interprofissional é vivenciada quando profissionais de diferentes áreas da saúde têm habilidades de colocar em prática conhecimentos interprofissionais, que irão promover o fortalecimento das interações do espaço de trabalho e gerar melhores resultados de saúde. A educação interprofissional emerge nesse cenário da formação, como a estratégia que tem o potencial para o alcance da prática colaborativa, por permitir a interação de troca de saberes de estudantes de diferentes categorias, promovendo um aprendizado colaborativo9,10.

Para tanto, torna-se importante conhecer experiências exitosas no que diz respeito à abordagem colaborativa interprofissional na graduação dos cursos da área da Saúde e áreas afins, de modo a fortalecer a própria formação e o desenvolvimento de profissionais éticos e sensibilizados com os problemas inerentes à sociedade e as propostas de valorização do SUS. A partir do exposto, este artigo tem como objetivo relatar as experiências interprofissionais vivenciadas no projeto VER-SUS, em Sobral, Ceará.

Metodologia

Este compilado de vivências modela-se em um relato de experiência, construído por meio do histórico do Projeto VER-SUS/Sobral, Ceará, nos anos de 2012 a 2016, período em que os autores deste relato tiveram participação ativa nas seguintes edições: 2012, 2013.1, 2013.2, 2014, 2015 e 2016, abordando as contribuições que promoveram aos estudantes dos mais variados períodos de formação, categorias e instituições de ensino.

O relato de experiência diz respeito à documentação das experiências humanas, que possibilita o pesquisador relatar suas vivências e ainda contextualizá-las com a literatura pertinente, fazendo essa relação com o saber técnico-científico11.

Nesse recorte de 2012 a 2016, o projeto contou com a participação de estudantes dos cursos de Ciências Sociais, Educação Física, Enfermagem, Engenharia Elétrica, Farmácia, Fisioterapia, Psicologia, Letras, Medicina, Nutrição, Terapia Ocupacional e outras áreas afins, como Engenharia Elétrica e Administração, com o interesse em vivenciar a realidade do sistema de saúde de Sobral. Foram cerca de 100 estudantes participantes do projeto, contabilizando uma média de 20 estudantes por edição.

As vivências do VER-SUS são realizadas a partir da metodologia de imersão, teórica, prática e vivencial, em que os estudantes imergem no projeto de modo integral, 24 horas por dia, dentro dos serviços de saúde dispostos no território12. Os participantes são divididos em grupos de trabalhos (GT) que congregam estudantes de diferentes categorias, como forma de proporcionar diálogos a partir dos diversos saberes e práticas.

Cabe destacar que as vivências ocorrem para além de serviços de saúde com estrutura física, contemplando também espaços em que são desenvolvidas práticas complementares e integrativas ao processo de promoção à saúde.

Assim, a opção pelo relato dessas vivências traduz, de um lado, o reconhecimento dos movimentos de transformação da educação que possibilitaram às instituições o aprimoramento da formação em saúde e, por outro, a experiência dos autores no processo de acompanhamento das vivências do projeto VER-SUS no sistema de saúde local.

O enfoque no projeto VER-SUS foi constituído pela identificação da potência da integração ensino-serviço-comunidade, das estratégias instituídas na Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS), para atender de modo concreto às necessidades da população brasileira na formação de profissionais e trabalhadores da saúde, constituindo um dos instrumentos que pode responder à produção do conhecimento e às práticas de atenção à saúde, comprometidas com o fortalecimento do SUS13.

Os resultados aqui apresentados e discutidos centram-se sobre a perspectiva da educação interprofissional e das visões acerca do ensino-aprendizagem na saúde, que é uma prática metodológica produzida com significado, a partir de realidade vivenciada14.

Os eixos analíticos abrangem: construção histórica e social do VER-SUS Sobral e a experiência interprofissional no VER-SUS Sobral. A construção desses eixos ocorreu de modo retrospectivo, a partir de diários de campo construídos pelos autores deste artigo.

Construção histórica e social do VER-SUS Sobral

O projeto VER-SUS teve a edição-piloto em 2002 no estado do Rio Grande do Sul, a partir do resultado de diálogos iniciados na década de 1990 entre as IES, o MS e entidades sociais, com a finalidade de promover vivências que integrem mudanças na matriz curricular e no fortalecimento do sistema de saúde. A referida edição contou com a participação de 16 profissionais e duzentos estudantes da área da saúde5,15.

A partir do êxito da experiência local, no ano de 2003, foi lançada a primeira edição VER-SUS em âmbito nacional em articulação com sessenta secretarias até o ano de 2004. No mesmo ano, Sobral (Ceará) integrou o grupo dos dez municípios que compuseram o projeto-piloto do VER-SUS/Brasil. Após a realização do projeto-piloto, foi lançada a primeira edição nacional do VER-SUS em sessenta municípios brasileiros15.

Ainda em 2003 com a criação da SGTES, outros projetos de estímulo à formação para o SUS foram desenvolvidos e priorizados pelo MS. Destaca-se ainda a aproximação entre Saúde e Educação, a partir da parceria entre os Ministérios da Saúde e da Educação para cooperação técnica na formação e desenvolvimento de recursos humanos na área da Saúde, instituída pela Portaria no 2.118, de 3 de novembro de 200516.

Essa parceria impulsionou a criação do Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde (Pró-Saúde) instaurado pela Portaria Interministerial no 2.101, de 3 de novembro de 2005, e posteriormente o Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), criado pela Portaria Interministerial no 1.802/MS/MEC, de 26 de agosto de 200817,18.

No entanto, os estudantes que vivenciaram o projeto VER-SUS nacional e apoiadores impulsionaram em diversos espaços políticos e acadêmicos as discussões acerca da retomada do projeto. Essas discussões levaram ao desenvolvimento de iniciativas locais, com restrito financiamento, porém, com ideal de construção de uma militância em defesa do SUS. Salienta-se ainda que muitos dos estudantes que vivenciaram o VER-SUS em 2004 começaram a atuar em cenários estratégicos, tais como universidades, escolas de saúde pública, secretarias municipais de saúde e o próprio MS, o que amplificou o discurso de retomada e potência do projeto para a formação para o SUS15.

O Projeto VER-SUS em Sobral foi retomado no ano de 2011, com uma edição local de iniciativa da Escola de Formação em Saúde da Família Visconde Sabóia (EFSFVS), voltada para estudantes das diferentes graduações das áreas da Saúde e afins; e docentes de IES e do sistema local de saúde.

No fim de 2011, o projeto VER-SUS/Brasil foi retomado em âmbito nacional. Em 2012, a partir do estímulo para a interiorização da vivência, Sobral realizou a edição de inverno do projeto, por meio do fortalecimento da comissão local, formada por estudantes que vivenciaram a edição verão do VER-SUS/Brasil em 2011 e por profissionais da saúde apoiadores que vivenciaram o VER-SUS/Brasil em 2004, o que representou a força e a energia do processo coletivo dos estudantes.

No que concerne às vivências do ano de 2012, estas tiveram como cenário de atuação a rede de atenção à saúde do município de Sobral, com destaque para Estratégia Saúde da Família (ESF), vigilâncias em saúde, serviços de assistência social e movimentos sociais, de modo a possibilitar também a vivência em cenários de participação popular e controle social. Além disso, as edições do projeto incluíram vivências em dois municípios vizinhos: o Assentamento Valparaíso, oriundo do Movimento Sem Terra (MST), em Tianguá (CE), e a tribo indígena de etnia Tremembé, em Itarema (CE).

A aproximação com a EFSFVS fortaleceu as práticas de educação popular e de colaboração interprofissional, por meio do Grupo de Trabalho de Arte e Educação Popular (GT-AEP), do Grupo de Trabalho de Educação Permanente (GT-EP) e da Residência Multiprofissional em Saúde da Família (RMSF).

Nas edições do ano de 2013 (inverno e verão) do projeto VER-SUS/Sobral, para além das vivências na rede de atenção à saúde do município, houve a oportunidade de imersão na Pastoral Carcerária, um movimento social composto por grupos religiosos que prestam serviços comunitários na cadeia pública do município, bem como a vivência no Grupo Espírita Francisco de Assis (Gefa), na cidade de Groaíras (CE), que presta serviços à população em geral, nas mais variadas vertentes, a saber: esporte, saúde, educação, arte e cultura. A realização de práticas nos mais variados espaços possibilitou aos acadêmicos uma visão ampla e crítica das mais diversas necessidades da população e, assim, a reflexão sobre qual é o papel a ser tomado para contribuir positivamente com a situação19.

Na edição do ano de 2014, a imersão permanece no envolto à rede de saúde de Sobral e equipamentos sociais do município, com destaque à inserção na Casa dos Conselhos de Sobral - que abrange os conselhos da criança, do adolescente e do idoso e que possibilitou a aproximação dos acadêmicos às lutas e ações desenvolvidas pelo equipamento para intensificar o apoio a estes grupos - e, ainda, à visita à Associação Sobralense das Trabalhadoras do Sexo (Astras), que se faz como um potente espaço no que diz respeito à busca pelo rompimento de tabus e à promoção do cuidado à saúde das envolvidas, fomentando para um trabalho seguro e criando alternativas criativas por meios de cursos de capacitação para melhoria da qualidade do trabalho.

Em 2015, o VER-SUS/Sobral passou por mudanças inovadoras na metodologia pedagógica das vivências, que aproximaram a articulação do ensino com a pesquisa e extensão. Assim, foi lançado o VER-SUS/Sobral/Extensão como uma estratégia de contribuir com respostas sociais efetivas no município. A edição de 2015 ocorreu em dois momentos: o primeiro, em caráter de imersão na rede de saúde, rede de assistência social e nos espaços dos movimentos sociais, durante o período de 11 dias; e o segundo, em uma perspectiva de extensão e pós-imersão, em um serviço selecionado pelos grupos de trabalhos no período de imersão.

A extensão foi construída a partir de projetos de intervenção disparados pela problematização das vivências. No entanto, é preciso compreender que os viventes, ou mesmo a universidade, não são os únicos agentes transformadores, mas podem também ser transformados no processo de vivência propiciado pela extensão. O I Encontro Nacional de Extensão e Pró-Reitores de Extensão (1980) afirma que “a extensão é uma via de mão dupla”, pois possibilita o encontro da construção do saber na sociedade e a produção de conhecimento na universidade20.

Durante essa vivência do VER-SUS Extensão, por exemplo, um grupo de quatro estudantes da categoria da Enfermagem, Educação Física e Psicologia articulou e desenvolveu um projeto de intervenção na “Casa Acolhedora do Arco: cuidando da mãe e do bebê”, que é uma estratégia do município de Sobral para a redução da mortalidade materna e infantil, a partir do suporte a mulheres usuárias de crack. As ações desenvolvidas no serviço tiveram como enfoque potencializar o espaço. Durante o período das ações, as mulheres expressaram sentimentos e anseios e relataram expectativas positivas durantes os encontros promovidos a partir do referencial teórico do Círculo de Cultura de Paulo Freire21.

Desse modo, o VER-SUS, ao adotar a extensão como ferramenta de mobilização social, possibilitou um sentido de aprendizagem permanente e significativa para a formação profissional, contribuindo, consequentemente, com a integração entre ensino, serviço e comunidade.

No ano de 2016, a edição VER-SUS Sobral retomou com a metodologia de vivência e estágio, articulado ao Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde/Graduasus), que se pauta na proposta de mudança curricular alinhada às DCN dos cursos de graduação na área da saúde, bem como na qualificação dos processos de integração ensino-serviço-comunidade articulados entre o SUS e as instituições de ensino22; dessa forma, assumiu o papel de apoiador da edição. Além disso, a vivência teve como diferencial a visita à cidade de Meruoca (CE), ao grupo de permacultores, que trabalha com produção orgânica, bem como a visita à comunidade indígena da aldeia de Queimadas, da etnia Tremembé, na cidade de Acaraú (CE). Foram vivências que promoveram contato com comunidades que adotam maneiras alternativas de promoção à saúde, a partir de fontes naturais e práticas integrativas.

Para além do deslocamento das vivências, há ainda as atividades de educação popular que acontecem no próprio espaço de estadia dos “versusianos”. Por exemplo, há a construção do livro de contos populares, no qual cada vivente teve a possibilidade de explanar de forma criativa um conto/crença popular que tenha um valor significativo em sua vida; o momento “Núcleo e saberes”, em que os viventes são divididos por cursos e têm a oportunidade de explanar seus saberes sobre as demais categorias presentes dentro do SUS, como a Enfermagem sobre a Fisioterapia e vice-versa; e a Psicologia sobre a Educação Física e vice-versa, rendendo assim uma construção coletiva acerca do exposto; e a prática de biodança, que, além de proporcionar relaxamento, oportuniza ainda um encontro consigo e com o outro.

Ressaltando a parceria contínua com os movimentos sociais, em todas as edições supracitadas ocorreram rodas de discussões sobre diversidade, gênero e etnia, que contaram sempre com a participação de representantes das lutas de tais causas e nas quais todos os viventes têm a oportunidade de explanar um pouco sobre suas visões e experiências dentro do contexto. Além disso, na edição de 2016, houve ainda a realização do Transversus, no qual, após as discussões, mulheres vestiram-se de homens e vice-versa para realização de uma apresentação de dança; cada um esteve livre para expressar da sua forma a “mulher” ou o “homem” que existe em si, sem preconceitos.

Assim, pode-se afirmar que, nas diferentes vivências, os estudantes tiveram a oportunidade de realizar diversas atividades, em caráter de imersão, divididos em GT com os viventes. As visitas aos diferentes dispositivos de atenção à saúde e equipamentos sociais, rodas de discussão com os integrantes do VER-SUS, profissionais e trabalhadores da saúde e gestores, por meio de atividades desenvolvidas a partir de metodologias ativas, permitiram instigar o protagonismo dos participantes enquanto atores sociais e os incentivaram a serem multiplicadores do conhecimento (re)construído como potentes mobilizadores de corações e mentes em defesa do SUS.

Experiência interprofissional no VER-SUS Sobral

O VER-SUS mostrou-se como uma estratégia que instigou a colaboração interprofissional desde a graduação, pois permitiu experiências singulares de contato e colaboração entre estudantes de diversas categorias profissionais.

Nas edições do VER-SUS/Sobral, os estudantes de universidades públicas estaduais, federais e particulares, dos cursos de graduação em Enfermagem, Educação Física, Psicologia, Medicina, Fisioterapia, Terapia Ocupacional, Farmácia, Nutrição, Ciências Sociais, Letras, Engenharia Elétrica, Administração e outras áreas, interessados em vivenciar a realidade no sistema de saúde de Sobral, tiveram a oportunidade de construir, discutir e ampliar o olhar a partir da junção das diferentes perspectivas de cada categoria profissional, a partir de reflexões críticas e do protagonismo estudantil.

As mudanças que potencializam a formação profissional são mais efetivas quando os sujeitos se sentem importantes e ativos no processo de ensino-aprendizagem23. Nessa perspectiva, o VER-SUS/Sobral foi organizado por estudantes, com apoio de docentes e profissionais dos serviços de saúde, para outros estudantes. O potencial transformador do VER-SUS concentra-se justamente na integração de diversos atores sociais que acreditam no SUS e que lutam para sua qualificação.

Divididos em GT (propositalmente) multiprofissionais, a imersão nos diferentes serviços e equipamentos sociais proporciona aos envolvidos a possibilidade de integrar e compartilhar conhecimentos específicos da categoria para o processo de tomada de decisão compartilhada, assim como identificar as possibilidades de suas atribuições em comum, passando a interpretar e ver a construção da saúde e de áreas inerentes a partir de múltiplos olhares.

Cabe enfatizar ainda ao longo das vivências o interesse de estudantes de áreas distintas que não se encontram ligadas diretamente ao SUS em participar do projeto, mas que expressam a sua importância para a construção de um espaço de saúde interdisciplinar e para a ampliação das reflexões sobre os diferentes cenários de ensino-aprendizagem.

Para os estudantes que tiveram a oportunidade de participar do VER-SUS/Sobral, o projeto constitui-se como um divisor de águas em sua formação, por ampliar seus diversos olhares e pela relação dialógica com as diferentes categorias profissionais, gestores e usuários do SUS. Para a educação dos profissionais da saúde, representa um espaço que instiga à educação permanente a partir das reflexões de suas práticas com o olhar de estranhamento dos estudantes. Por fim, para a comunidade e para a própria universidade, representa a possibilidade de cada vez mais estreitar essa relação. Assim, pode-se afirmar que o VER-SUS, no município, constitui-se em uma estratégia efetiva que busca a integração ensino-serviço-comunidade.

Logo, nota-se que o VER-SUS/Sobral no atual cenário de formação profissional em Saúde e áreas afins é uma das estratégias protagonizadas por estudantes que fortalece a atuação profissional no SUS. A educação interprofissional contribui com a construção de relações mais colaborativas entre as diversas categorias profissionais, o que permite potencializar os serviços de saúde e as políticas públicas, de maneira a fortalecer a qualificação de profissionais mais aptos à atuação interprofissional, além de colaborar com a promoção do respeito, da ética e da eliminação de estereótipos entre os profissionais9,24.

Uma das contribuições mais evidentes do VER-SUS, visível em todo seu percurso, foi a oportunidade de construir um espaço de formação compartilhado, que permitiu a execução de práticas colaborativas, visto que futuramente os acadêmicos inseridos nas diversas categorias profissionais irão trabalhar em equipe24. Além disso, o projeto favorece a construção de vínculos e saberes e proporciona, ainda no campo universitário, a formação de profissionais mais comprometidos com o sistema público de saúde.

Os graduandos precisam desenvolver uma formação crítica, reflexiva, comprometida socialmente com as necessidades de saúde e assim atuar de forma a promover a emancipação das pessoas, tornando-se cidadãos no seu processo de humanização25.

Embasados pelo referencial metodológico da roda26, no qual cada um é responsável e protagonista do seu aprendizado, estimula-se a autonomia dos estudantes e a corresponsabilização pela formação em saúde e pelas práticas em saúde oferecidas à população. As atividades de discussão em coletivo foram realizadas em roda de forma que todos se olhassem e se reconhecessem como importantes no processo de ensino-aprendizagem. Para Brasil27, a roda de conversa se apresenta como uma estratégia pedagógica que transmite a ideia de condução, de continuidade e de reciprocidade, em que a relação entre os sujeitos ocorre horizontalmente, a partir da participação democrática, de modo a permitir a integração dos diferentes saberes.

A partir das experiências vivenciadas na edição de 2012 no VER-SUS/Sobral, sentiu-se a necessidade de conhecer as diversas categorias profissionais que estiveram envolvidas no projeto. Surgiu então a ideia da oficina “Encontro com o outro (troca de figurinhas): discussão de núcleo e saberes de práticas”, com enfoque sobre os campos e os núcleos28 dos estudantes da vivência, para que tivessem a possibilidade de reconhecer as atribuições comuns e as de cada profissão.

O espaço de encontro entre as categorias buscou minimizar a dicotomia vivenciada na formação dos profissionais em saúde, pois permitiu a existência de uma formação ampliada e compartilhada, atendendo às demandas de atuação do campo da saúde, como oferta às mudanças necessárias para a existência do trabalho colaborativo e interprofissional na Saúde28,29.

Entretanto, é importante ressaltar que a vivência vai além da possibilitada pelos grupos de trabalho, uma vez que, após cada visita aos serviços e espaços de promoção à saúde, os “versusianos” são convidados a compartilhar suas percepções e sentimentos. Esse momento é definido como devolutiva, que são feedback das vivências em análise às políticas de saúde local, sendo estas desenvolvidas de forma criativa e envolvendo a educação popular em saúde, permitindo que todos conheçam os serviços pelo olhar do outro. As devolutivas rompem com o modelo tradicional de apresentação e permitem o desenvolvimento da autonomia e valorização da criatividade30.

A devolutiva das visitas à rede de saúde mental foi denominada de “oficina da loucura”, que vem sendo desenvolvida desde a edição de 2015. Tal oficina consiste na entrega de uma coroa a cada um dos presentes, com um adjetivo escrito que remete a algum estigma que as pessoas com transtorno mental têm, como “doido”, “desmiolado”, “louco”, etc. Assim, à medida que vai havendo a discussão das visitas, uma “capa magna” é passada e a pessoa que estiver com ela se desloca até o centro da roda para dizer qual a sua loucura, de forma a trabalhar a empatia, visto que oportuniza a compreensão de como a pessoa se sente ao ser rotulada e possibilita uma intimidade e fortalecimento ainda maior dos vínculos entre os viventes.

A partir do exposto, as vivências foram sistematizadas por meio da elaboração de um portfólio no qual os viventes registraram as experiências. Os portfólios foram publicados na página do Observatório de Tecnologias em Informação e Comunicação em Sistemas e Serviços de Saúde (Otics) na rede mundial de computadores, estando disponível a todos, o que possibilitou a publicação das reflexões e das experiências do projeto VER-SUS, que aconteceu em vários municípios do país, em busca do fortalecimento de uma rede de estudantes implicados com o sistema.

O VER-SUS pode ser então alocado com um dos processos inovadores que Silva8 afirma ser necessário para provocar e desencadear discussões acerca da prática em saúde, de forma que seja problematizada constantemente, questionando sua responsabilidade social a partir dos modelos e valores a serem construídos na prática, construindo e (re)construindo os processos educacionais, competências profissionais e integrando a formação à realidade dos serviços e da comunidade.

A experiência do VER-SUS/Sobral se assemelha a edições do projeto realizadas em outras cidades, como a do VER-SUS Oeste Catarinense edição inverno 2014 e a do VER-SUS de Santiago/RS, na edição de verão, que também utilizaram metodologias ativas como estratégia para a construção e troca de conhecimentos durante as vivências, como rodas de conversas, diálogos e dinâmicas que envolveram todos os participantes, instigando a formação de coletivos, possibilitando discussão dos temas e de momentos que a própria graduação não proporciona de maneira efetiva, como a interdisciplinaridade; a importância do trabalho em equipe; e a oportunidade de visitar e conversar com profissionais e usuários de diversos pontos da rede, visualizando o funcionamento do sistema e todos os pontos que merecem um olhar diferenciado23,31.

Assim, este projeto possibilita conhecer a realidade do SUS de forma participativa, a partir da reflexão crítica sobre o seu funcionamento, atuação profissional, atendimento e entendimento do usuário e pelo protagonismo estudantil23.

Neste ínterim, a interação entre estudantes de diferentes cursos de graduação, propiciado pelo Projeto VER-SUS, foi importante para um processo de aprendizagem colaborativa e de caráter interprofissional. Ou seja, os estudantes do VER-SUS compartilharam de um mesmo processo de aprendizagem com sinergia e diálogo efetivo entre eles, durante um período de tempo em imersão, para que se desenvolvessem as competências necessárias para a prática colaborativa interprofissional no SUS, pelo SUS e para o SUS.

Considerações finais

As estratégias de formação interprofissional como o VER-SUS revelam que, para a melhoria do trabalho em equipe, é preciso privilegiar relações afetuosas, na perspectiva de articulações de ações permeadas pela prática da comunicação intra e interequipe. Nessa direção, o trabalho em equipe é norteado pelo investimento na criatividade e pela busca de novos mecanismos para o aprimoramento da qualidade da produção de cuidado em saúde e da formação interprofissional.

O VER-SUS é um projeto que ressignifica ideias e concepções de profissionais unidos, capazes de lutar por um sistema de saúde público, de qualidade, que aceita a diferença do outro e contempla-o com um olhar diferenciado, mas sensível e acolhedor. É um espaço onde se vivencia que não existe apenas um único curso e que é necessária a interação e a troca de ideias com outras áreas para que se possa de fato fazer e promover saúde.

Entende-se que projetos como o VER-SUS contribuem para o aprimoramento da formação dos profissionais e trabalhadores da saúde, pois a relação entre ensino-serviço-comunidade tem proporcionado uma formação diferenciada aos acadêmicos, que passam a vivenciar os desafios da materialização do SUS e estimulam, assim, uma visão crítica para a rede de serviços no sistema. Cada vez mais se coloca em pauta a necessidade da integração entre os diversos profissionais, para que estes possam inventar e reinventar formas de atuar de forma colaborativa e interprofissional, proporcionando melhores resultados ao trabalho.

Os dias de vivência são um despertar para os estudantes, aproximando-os por meio dos vínculos criados e afetos compartilhados. Portanto, faz-se necessário que as oportunidades de formação nessa linha sejam multiplicadas, para atender às demandas sociais crescentes, contribuindo na construção de um modelo assistencial pautado nos princípios do SUS que venham a fortalecer a promoção ao cuidado integral e possibilitar que os profissionais saibam atuar em equipe, ofertando serviços resolutivos e de qualidade para a população.

REFERÊNCIAS

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