Munich Music Questionnaire: adaptação para a língua portuguesa e aplicação em usuários de implante coclear

Munich Music Questionnaire: adaptação para a língua portuguesa e aplicação em usuários de implante coclear

Autores:

Natália Barreto Frederigue-Lopes,
Maria Cecilia Bevilacqua,
Orozimbo Alves Costa

ARTIGO ORIGINAL

CoDAS

versão On-line ISSN 2317-1782

CoDAS vol.27 no.1 São Paulo jan./fev. 2015

http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20152013062

INTRODUÇÃO

A música desempenha um papel importante na vida das pessoas e tem o potencial para restaurar e manter a saúde mental. Música é entretenimento, diversão e relaxamento( 1 ). Usuários de implante coclear (IC) descrevem que a música é uma questão importante a ser considerada após a melhora na percepção dos sons de fala( 2 ).

Pesquisas realizadas na década de 1990 já mencionavam que os usuários de IC evidenciavam o desejo pela percepção musical agradável( 3 ). Outras constataram que menos de um terço dos pacientes conseguiam perceber a música com o IC( 4 , 5 ).

O impacto da música na qualidade de vida de adultos implantados foi investigado e os autores observaram que os níveis de apreciação musical foram significativamente mais baixos após a cirurgia, quando comparados ao período antes da deficiência auditiva (DA). Em adição, o tempo despendido para ouvir música por semana foi significativamente menor após o IC( 5 ).

De uma maneira geral, usuários de IC julgam a percepção musical como insatisfatória e deixam de participar de atividades musicais em decorrência disso( 6 ).

Estudos apontam a necessidade da utilização de medidas subjetivas que detalhem a real impressão da percepção da música por usuários de IC(7-10).

Essa tem sido uma prática científica comum, porém, a maioria dos instrumentos de medida subjetiva relacionados à percepção musical em implantados está disponível na língua inglesa.

No Brasil há uma escassez desses materiais voltados à Fonoaudiologia, portanto, uma estratégia para amenizar essa dificuldade é a tradução de instrumentos já disponíveis em outras línguas( 11 ).

O Munich Music Questionnaire (MUMU) foi desenvolvido especialmente para a população adulta com DA adquirida no período pós-lingual e usuária de IC. Esse questionário inclui seções que abrangem o passado e o presente das atividades relacionadas ao hábito de ouvir música( 8 ).

O MUMU já foi traduzido e adaptado para Francês, Espanhol e Alemão. O questionário tem sido utilizado como uma medida adicional aos testes objetivos de percepção musical e reconhecimento da fala, mostrando-se um instrumento complementar e necessário para avaliar os aspectos da apreciação musical em adultos pós-linguais implantados(9-12).

Uma recente pesquisa utilizou o MUMU para parear a experiência musical e a motivação para ouvir música entre 12 adultos com DA pós-lingual usuários de IC e 12 adultos com audição normal. Outra medida utilizada pelos autores foi o teste de classificação da emoção para sons musicais (Mu.S.I.C. Test). Nesse, os sujeitos foram solicitados a ouvir partes de uma música e selecionar se o trecho refletia felicidade ou tristeza. Foi utilizada uma escala de 1 a 10 pontos, sendo que 1 representava um sentimento muito triste e 10, muito feliz. Os resultados indicaram que o grupo de implantados apresentou escore médio semelhante na pontuação da emoção da música quando comparado ao grupo normo-ouvinte, porém, os implantados reduziram sua experiência auditiva para a música após o IC, já que demonstraram se sentir menos motivados para participar de atividades que envolviam a música quando comparado ao período anterior à perda auditiva( 13 ).

Os objetivos deste estudo foram:

  • adaptar culturalmente o MUMU para a língua portuguesa;

  • descrever os resultados obtidos com a aplicação desse questionário em adultos usuários de IC.

MÉTODOS

Esta pesquisa foi desenvolvida no Centro de Pesquisas Audiológicas do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC) da Universidade de São Paulo (USP). A aprovação pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos do HRAC foi obtida sob o protocolo nº 309/2007-SVAPEPE-CEP. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Os critérios de inclusão dos participantes foram adultos usuários de IC com DA adquirida no período pós-lingual com mínimo de um ano de uso do dispositivo.

Instrumentos e procedimentos

O MUMU contém 25 questões para registro dos hábitos de ouvir música em relação aos vários estilos musicais, aos diferentes instrumentos, ao ambiente de escuta, ao uso de equipamentos auxiliares e à participação em atividades musicais nos diferentes momentos da vida do usuário de IC.

O instrumento oferece diversas opções de respostas, desde o formato sim (S) ou não (N), escalas de classificação, bem como questões de múltipla escolha com a possibilidade de assinalar quantas forem necessárias.

As questões de número 1, 2, 3, 14, 15, 19 e 20 abordam três ocasiões: anterior à DA, após a DA antes da realização do IC e após a cirurgia de IC. As questões 17 e 18 englobam, adicionalmente aos três períodos, a época na qual o usuário era criança.

A tradução e adaptação cultural do MUMU seguiram a metodologia indicada por Guillemin et al.( 14 ), que incluiu a tradução da língua inglesa para a portuguesa e adaptação linguística, revisão da equivalência gramatical e idiomática e adaptação cultural.

Tradução da língua inglesa para a portuguesa e adaptação linguística

O questionário MUMU na versão original em Inglês foi distribuído para três tradutores-intérpretes fluentes nessa língua, que não se conheciam e não conheciam previamente o questionário, visando elaborar individual e sigilosamente três versões independentes do MUMU na língua portuguesa.

Em seguida, formou-se o grupo revisor, o qual foi constituído por duas fonoaudiólogas brasileiras, fluentes na língua inglesa. A responsabilidade do grupo foi a de analisar os três documentos resultantes das primeiras traduções e, por consenso, reduzir as diferenças encontradas, escolhendo as melhores expressões e palavras em todas as questões, adaptando o texto ao conhecimento cultural brasileiro.

Dessa forma, foi obtido um novo e único questionário denominado Questionário de Música de Munique.

Revisão da equivalência gramatical e idiomática

Essa etapa constituiu-se da tradução reversa. O Questionário de Música de Munique foi encaminhado para três outros tradutores, de mesma condição linguística e cultural dos primeiros. Esses tradutores, desconhecedores do texto original, realizaram nova versão para o Inglês. Não foi permitido que esses novos tradutores tivessem contato com o texto original, escrito em Inglês, para evitar qualquer influência à tradução das palavras. O mesmo grupo revisor realizou nova avaliação das três versões resultantes, comparando-as com a original em Inglês.

Adaptação cultural

A adaptação cultural objetivou estabelecer a equivalência cultural entre as versões nas línguas inglesa e portuguesa do questionário. De acordo com Guillemin et al.( 14 ), a equivalência cultural é estabelecida, não se verificando dificuldades de compreensão das questões elaboradas ou dos termos utilizados por parte da população pesquisada, quando no mínimo 80% dos indivíduos não mostram algum tipo de dificuldade para responder a cada questão formulada. Caso esse número ultrapasse o limite estabelecido, essa questão é submetida, individualmente, a novo processo de tradução e versão.

A aplicação do questionário foi realizada sempre pela mesma pesquisadora, a qual leu oralmente cada questão. Todos os participantes foram entrevistados individualmente.

Análise dos dados

Para a análise dos dados e apresentação dos resultados, optou-se por descrever, para esse grupo estudado, as questões 1, 2, 3, 7, 14 e 15, as quais abrangiam diferentes aspectos da percepção musical no dia-a-dia da população estudada, já que o questionário oferece diversos formatos de questões e respostas.

As questões 1, 2 e 3 apresentavam apenas uma alternativa de resposta a ser selecionada. Nesse caso, foram construídas tabelas com frequências e porcentagens da resposta obtida. Para as questões 7, 14 e 15, o participante poderia assinalar mais de uma resposta. Na análise dessas questões, foram construídas tabelas com as distribuições de frequências e porcentagens de cada categoria de resposta.

Para as questões 1 e 2, as atitudes medidas foram analisadas utilizando a escala Likert de 5 pontos. A seguinte classificação foi aplicada:

Q1: 1=nunca, 2=raramente, 3=ocasionalmente, 4=frequentemente e 5=sempre.

Q2: 1=nenhum, 2=pequeno, 3=médio, 4=importante e 5=muito importante.

Foi utilizada estatística descritiva para caracterizar a amostra.

RESULTADOS

Com base nos critérios estabelecidos, 19 adultos participaram deste estudo. Os mesmos foram atendidos durante a rotina de acompanhamento no serviço de IC no período de novembro de 2009 a fevereiro de 2010. A idade média dos participantes foi de 44 anos (22 a 63), sendo 14 do gênero masculino e 5 do gênero feminino. As informações individuais dos participantes estão apresentadas na Tabela 1.

Tabela 1. Características individuais e dados demográficos de todos os participantes avaliados (n=19) 

Participante Gênero Idade Etiologia Tempo de surdez (anos) Tipo IC/estratégia Tempo uso IC (anos)
1 M 42 Ototoxicidade 5 C40/CIS 12,3
2 M 52 TCE 4 C40+/CIS+ 5,5
3 F 47 Ototoxicidade 22 Nucleus 24K/ACE 3,9
4 F 59 TCE 27 N24 Contour/ACE 1,8
5 M 49 Idiopática 5 C40+/CIS+ 5,3
6 F 51 Idiopática 28 N24 Contour/ACE 3,8
7 M 28 Genética 3 Nucleus 24M/ACE 2,8
8 M 62 Ototoxicidade 31 N24 Contour/ACE 1,4
9 M 28 Idiopática 1 Nucleus 24K/ACE 1
10 M 50 Idiopática 15 CI22/SPEAK 7,6
11 F 45 Idiopática 24 HiRes 90K/HiResP 1
12 M 46 Idiopática 30 N24 Contour/ACE 1,6
13 M 22 Meningite 4 Nucleus 24K/ACE 1,5
14 M 54 Otosclerose 3 Nucleus 24K/ACE 2,7
15 F 63 Genética 2 Nucleus 24M/ACE 12
16 M 37 Ototoxicidade 3 Nucleus 24K/ACE 2
17 M 38 TCE 0,7 Sonata ti100/FSP 1,4
18 M 42 Caxumba 12 N24 Contour/ACE 2,5
19 M 24 TCE 1 Nucleus 24K/ACE 2,7
Média±DP NA 44,1±9,7 NA 11,6±11,4 NA 3,8±3,4

Legenda: IC = implante coclear; M = masculino; F = feminino; TCE = trauma cranioencefálico; DP = desvio padrão; NA = não se aplica

Na etapa de equivalência cultural não foi observada dificuldade na compreensão das questões, não sendo necessária a reformulação das mesmas.

O Questionário de Música de Munique (versão em português) está exposto no Anexo 1.

Anexo 1. Questionário de Música de Munique 

Para as questões que caracterizavam atividades musicais em períodos variados da vida do usuário, foram considerados para apresentação dos resultados apenas os momentos anteriores à DA e após a realização do IC, já que a época após a instalação da DA anteriormente à cirurgia demonstrou ausência de atividades relacionadas à música, para a população estudada, em decorrência da privação auditiva.

A análise das respostas da questão 1 "Com que frequência você ouve e/ou ouvia música?" evidenciou que entre os 19 participantes, 6 (31,6%) referiram ouvir música frequentemente e 8 (42,1%) referiram ouvir música sempre, quando questionados em relação ao período anterior à perda de audição. Porém, após o IC, apenas 4 sujeitos (21,1%) ouviam música sempre e 2 ouviam com frequência (10,5%). A distribuição de frequências e porcentagens das demais respostas para essa questão foi:

  • antes de perder a audição: 10,5% (n=2) responderam que ouviam música raramente e 15,8% (n=3) pontuaram ouvir música ocasionalmente;

  • após o IC: 3 participantes (16,8%) nunca ouviram música, 5 (26,3%) responderam ouvir música raramente e 5 (26,3%) o faziam ocasionalmente.

Na Questão 2 "Que papel a música desempenhou/desempenha em sua vida?", os resultados indicaram que 31,6% (n=6) dos usuários de IC consideraram a música muito importante no período pós IC. As demais respostas se dividiram entre as opções nenhuma importância (5,3%; n=1), pouca importância (15,8%; n=3), média importância (21,1%; n=4) e importante (26,3%; n=5). No período anterior à perda de audição, as respostas foram distribuídas como: média importância (21,1%; n=4), importante (42,1%; n=8) e muito importante (36,8%; n=7).

O número de horas dispendido nas atividades de ouvir música no período anterior à DA foi similar para as opções de repostas existentes na questão 3 "Quando você ouve/ouvia música, durante quanto tempo o faz/fazia?", de forma que os participantes escolheram desde 30 minutos a 1 hora até o dia todo. No entanto, após o IC 42,1% (n=8) dos entrevistados ouviam música menos de 30 minutos por dia. Os resultados completos das respostas estão expostos na Tabela 2.

Tabela 2. Distribuições de frequências e porcentagens das respostas na questão 3 (n=19), "Quando você ouve/ouvia música, durante quanto tempo o faz/fazia?" 

Ocasião <30 min 30 min–1 h 1–2 h +2 h Dia todo Total
n % n % n % n % n % n %
Antes de perder a audição 1 5,3 5 26,3 4 21,1 5 26,3 4 21,1 19 100
Após implante coclear 8 42,1 5 26,3 2 10,5 3 15,8 1 5,3 19 100

Os motivos pelos quais os usuários de IC ouviam música foram variados. Esse aspecto foi avaliado na questão 7, "Por que você ouve música?". Nessa análise foi considerado o número de participantes que selecionaram cada motivo possível. Referiram ouvir música por prazer 16 implantados (84,2%). As demais razões pontuadas foram por satisfação e para relaxar, ambas escolhidas por 11 indivíduos (57,9%). Os detalhes obtidos com a aplicação dessa questão estão expostos na Tabela 3. Nessa questão, cada participante poderia escolher quantas alternativas fossem necessárias.

Tabela 3. Número de participantes e porcentagem para cada motivo selecionado na questão 7 (n=19), "Por que você ouve música?" 

Motivo n %
Prazer 16 84,2
Satisfação 11 57,9
Relaxar 11 57,9
Humor 8 42,1
Dançar 8 42,1
Motivos profissionais 1 5,3
Ficar acordado 0 0

Em resposta à pergunta "Onde você já ouviu música ou onde você ouve música atualmente?" (questão 14), os usuários de IC selecionaram todos os locais possíveis. Porém, as respostas mais frequentes ocorreram para os ambientes: no rádio do carro, no rádio de casa e na TV (Tabela 4).

Tabela 4. Número de participantes e porcentagem para cada tipo de música selecionado para a questão 15 (n=19), "Que tipo de música você ouve?" 

Tipo n %
MPB 14 73,7
Sertaneja 11 57,9
Para dançar 10 52,6
Religiosa 10 52,6
Rock 8 42,1
Clássica 6 31,6
Jazz 2 10,5
Ópera 1 5,3

Legenda: MPB = música popular brasileira

Outro aspecto abordado no questionário foi o estilo musical mais ouvido pelos implantados, avaliado pela questão 15. Os tipos de música mais ouvidos foram música popular brasileira (MPB), sertaneja, música para dançar e religiosa (Tabela 5).

Tabela 5. Número de participantes e porcentagem para cada local selecionado para a questão 14 (n=19), "Onde você ouve música?" 

Local n %
Rádio em casa 12 63,2
TV 12 63,2
Rádio do carro 11 57,9
Eventos sociais 9 47,4
LP/CD/MC/MP3 8 42,1
Instituições religiosas 5 26,3

Legenda: TV = televisão; LP = long play; CD = compact disc; MC = microcomputador; MP3 = MPEG audio layer-3

DISCUSSÃO

A percepção e apreciação musical são consideradas medidas valiosas na população usuária de IC. Porém, no Brasil, não há instrumentos de avaliação subjetiva padronizados. Assim, disponibilizar um instrumento para avaliar tais aspectos possibilita conhecer as atividades musicais de implantados.

Nessa perspectiva, a adaptação cultural do MUMU para a língua portuguesa foi de fundamental importância, pois existem diferenças culturais e sociais que poderiam estar presentes na versão original desenvolvida em Inglês.

Essas diferenças não se resolvem apenas com uma simples tradução literal, sendo necessário levar em consideração o procedimento de adaptação cultural e a aplicação do questionário para que se determine a igualdade de características métricas entre a versão original e a traduzida( 14 ).

A obtenção da versão do Questionário de Música de Munique foi seguida da aplicação em 19 usuários de IC com DA pós-lingual, conforme recomendação da autora do questionário, já que o MUMU compara as atividades entre diferentes períodos da vida do implantado, incluindo os períodos antes e após o IC( 8 ).

Os resultados evidenciaram uma diminuição na frequência com que os implantados ouviam música ao comparar o período pré e pós IC. Isso reflete a dificuldade dessa população em manter os hábitos musicais anteriores à perda de audição. Lassaleta et al.( 5 ) registraram o mesmo resultado ao utilizarem uma adaptação do questionário de Gfeller et al.( 7 ). Porém, ainda assim o papel que a música desempenhou na vida de cada participante deste estudo não mudou, mantendo-se importante. Isso traz implicações na qualidade de vida dos implantados, os quais deixam de ouvir música, mas ainda a consideram importante.

Diferentes fatores podem influenciar a apreciação musical, desde os aspectos tecnológicos do dispositivo, bem como fatores individuais da DA, tempo de privação sensorial, entre outros. Neste estudo, essas características não foram correlacionadas às respostas obtidas com a aplicação do questionário, pois a proposta foi a descrição das atividades musicais obtidas por meio da adaptação cultural. Pesquisas futuras poderão avaliar tais fatores.

Embora os implantados avaliados não participassem efetivamente de atividades que envolviam a música após o IC, quando o faziam era por prazer, por satisfação e para relaxar. Repostas semelhantes foram pontuadas no estudo que utilizou o MUMU para avaliar a apreciação musical em usuários de IC uni e bilateral( 15 ).

As respostas obtidas em relação ao tipo de música mais ouvido evidenciaram a influência da cultura brasileira nas preferências musicais. Os autores do questionário pontuaram que as questões culturais apresentam seu valor e, por isso, a importância de se ter o instrumento em diferentes idiomas.

As questões escolhidas para a análise das respostas desse grupo estudado foram baseadas nas sugestões dos autores do MUMU, já que se trata de questionário extenso, composto por 25 questões( 9 , 15 ).

Em estudos futuros, o Questionário de Música de Munique possibilitará a comparação e correlação entre medidas objetivas e subjetivas relacionadas à música em usuários de IC. As medidas objetivas que avaliam a percepção musical por meio de testes poderão ser comparadas com as percepções e julgamentos subjetivos, obtidos pelo questionário.

CONCLUSÕES

Este estudo possibilitou a adaptação cultural do Munich Music Questionnaire para a população brasileira, denominado Questionário de Música de Munique.

Houve equivalência cultural entre as versões do MUMU nas línguas inglesa e portuguesa, uma vez que os usuários de IC não manifestaram dificuldades de interpretação e compreensão das questões elaboradas e dos termos utilizados.

O estudo permitiu verificar a aplicabilidade do Questionário de Música de Munique na rotina clínica de acompanhamento de adultos usuários de IC, estabelecendo, assim, um perfil das atividades ligadas à música no dia a dia.

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