Mutação do Gene GLA na Cardiomiopatia Hipertrófica com Descrição de Nova Variante: É Doença de Fabry?

Mutação do Gene GLA na Cardiomiopatia Hipertrófica com Descrição de Nova Variante: É Doença de Fabry?

Autores:

Ândrea Virgínia Chaves-Markman,
Manuel Markman,
Eveline Barros Calado,
Ricardo Flores Pires,
Marcelo Antônio Oliveira Santos-Veloso,
Catarina Maria Fonseca Pereira,
Andréa Bezerra de Melo da Silveira Lordsleem,
Sandro Gonçalves de Lima,
Brivaldo Markman Filho,
Dinaldo Cavalcanti de Oliveira

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.113 no.1 São Paulo jul. 2019 Epub 10-Jul-2019

https://doi.org/10.5935/abc.20190112

Resumo

Fundamento:

A doença de Fabry (DF) é uma doença de armazenamento lisossômico ligada ao cromossomo X, devido a mutações no gene da alfa galactosidase A (GLA), levando a deficiência enzimática de alfa-galactosidase (α-Gal A) e acúmulo de globotriaosilceramida (Gb3) e globotriaosilsulfingosina (liso-Gb3), causando disfunção de múltiplos órgãos.

Objetivo:

realizar a triagem do gene GLA em um grupo de pacientes com diagnóstico ecocardiográfico de cardiomiopatia hipertrófica (CMH).

Métodos:

estudo transversal realizado com pacientes com CMH em um hospital universitário. Pacientes com doença arterial coronariana e valvopatias foram excluídos. Foi realizada análise de mutação do gene GLA. Em indivíduos do sexo masculino, a análise foi realizada após evidência de baixa atividade de α-Gal A.

Resultados:

Foram incluídos 60 pacientes com diagnostico ecocardiográfico de CMH. A idade variou de 12 a 85 anos e 60% eram mulheres. O percentual médio de fibrose miocárdica na RM foi 10,7 ± 13,1% e a espessura ventricular média foi 18,7 ± 6,7 mm. Quatro pacientes tinham as seguintes mutações do GLA: c.967C>A (p.Pro323Thr), ainda não descrita na literatura; c.937G>T (p.Asp313Tyr); e c.352C>T (p.Arg118Cys). Todos os pacientes apresentavam níveis normais de liso-Gb3 e fibrose miocárdica não isquêmica na ressonância magnética; um paciente apresentou proteinúria; um paciente apresentou taquicardia ventricular.

Conclusão:

Neste estudo, a frequência de mutação no gene GLA em pacientes com CMH foi 6,7%. Uma nova mutação no exon 6 do gene GLA, c.967C>A (p.Pro323Thr), foi identificada. Pacientes com CMH podem ter mutações do GLA e a DF deve ser excluída. Os níveis plasmáticos de (liso-Gb3) não parecem ser suficientes para fazer um diagnóstico e biópsia de órgãos deve ser considerada.

Palavras-chave: Doença de Fabry/genética; Cardiomiopatia Hipertrófica; Hipertrofia Ventricular Esquerda; Glicoesfingolipídeos

Abstract

Background:

Fabry disease (FD) is an X-linked lysosomal storage disorder caused by mutations in the alpha galactosidase A gene (GLA) that lead to the enzymatic deficiency of alpha galactosidase (α-Gal A), resulting in the accumulation of globotriaosylceramide (Gb3) and globotriaosylsphingosine (lyso-Gb3), causing multiple organ dysfunctions.

Objective:

To perform GLA gene screening in a group of patients with echocardiographic diagnosis of hypertrophic cardiomyopathy (HCM).

Methods:

a cross-sectional study was conducted with HCM patients from a university hospital. Patients with coronary artery disease and valvulopathies were excluded. Mutation analysis of the GLA gene was performed. In male subjects, the analysis was performed after evidence of low α-Gal A activity.

Results:

60 patients with echocardiographic diagnosis of HCM were included. Age ranged from 12 to 85 years and 60% were women. Mean myocardial fibrosis percentage on MRI was 10.7 ± 13.1% and mean ventricular thickness was18.7 ± 6.7 mm. Four patients had the following GLA gene mutations: c.967C>A (p.Pro323Thr), not yet described in the literature; c.937G>T (p.Asp313Tyr); and c.352C>T (p.Arg118Cys). All patients had normal levels of lyso-Gb3 and non-ischemic myocardial fibrosis on magnetic resonance imaging; one patient had proteinuria and one patient had ventricular tachycardia.

Conclusion:

in this study, the frequency of mutation in the GLA gene in patients with HCM was 6.7%. A novel mutation in exon 6 of the GLA gene, c.967C>A (p.Pro323Thr), was identified. Patients with HCM may have GLA mutations and FD should be ruled out. Plasma (lyso-Gb3) levels do not seem to be sufficient to attain a diagnosis and organ biopsy should be considered.

Keywords: Fabry Disease/genetic; Cardiomyopathy, Hypertrophic; Hypertrophy, Left Ventricular; Glycosphingolipids

Fundamento

A cardiomiopatia hipertrófica (CMH) é a cardiopatia de origem genética mais prevalente, causada por >1.400 mutações em genes codificando proteínas que são componentes de sarcômeros cardíacos e outras proteínas de estruturas relacionadas, tais como discos Z e discos intercalados.1-3 Devido a avanços nas técnicas de biologia molecular, o diagnóstico diferencial da CMH foi ampliado e outros distúrbios genéticos que se apresentam com hipertrofia ventricular têm sido relatados.4

A doença de Fabry (DF) é uma condição genética rara ligada ao cromossomo X. É causada por erros inatos no metabolismo dos glicoesfingolipídeos, devido a mutações no gene que codifica a enzima α-galactosidase A (α-Gal A). A deficiência total ou parcial dessa enzima resulta em acúmulo progressivo de globotriaosilceramida (Gb3) e globotriaosilsulfingosina (liso-Gb3) em alguns tecidos, particularmente nos vasos sanguíneos, rins e miocárdio.5-7 Mais de 900 mutações com diferentes efeitos sobre a atividade enzimática da α-Gal já foram descritas.8,9

A incidência de DF é estimada em 1: 40.000 a 117.000 indivíduos, homozigotos masculinos e heterozigotos femininos podem ser afetados.5,6,8,9 Dois fenótipos são reconhecidos: uma forma clássica, que é caracterizada por um início precoce com manifestações durante a infância, e uma forma de início tardio, que frequentemente afeta apenas um órgão.5,6,8 As alterações cardíacas parecem estar presentes nos estágios iniciais da vida; entretanto, geralmente não é clinicamente detectável até a terceira ou quarta décadas de vida.

Depósitos de glicoesfingolipídeos em válvulas e vasos coronarianos são frequentes, podendo causar bloqueio atrioventricular total, insuficiência mitral, hipertrofia ventricular esquerda (HVE) ou isquemia miocárdica.10

Atualmente, mutações específicas estão associadas à variante cardíaca mostrando hipertrofia miocárdica que é clinicamente semelhante à CMH.11,12 Os pacientes com DF estão em risco de desenvolver doença cerebrovascular (DCV), morte súbita cardíaca e insuficiência renal, e esses pacientes podem se beneficiar de tratamentos específicos.13-15

Neste estudo, foi realizada uma triagem para o gene GLA em um grupo de pacientes com diagnóstico ecocardiográfico de cardiomiopatia hipertrófica (CMH).

Métodos

Amostra

Um estudo transversal foi realizado em uma amostra de conveniência de pacientes com CMH atendidos no ambulatório de cardiologia de um hospital universitário de Recife, Pernambuco, Brasil. Todos os pacientes com diagnóstico ecocardiográfico de CMH com base nos critérios da European Society of Cardiology16 foram incluídos. Pacientes com doença arterial coronariana, valvopatias e cardiomiopatia hipertensiva foram excluídos.

Definições de CMH

Um ecocardiograma transtorácico (ETT) foi utilizado para estabelecer o diagnóstico de CMH com base nos seguintes critérios: hipertrofia ventricular máxima (HVM) inexplicável ≥ 15 mm em qualquer segmento cardíaco ou HVM ≥ 13 mm em um paciente com história familiar de CMH. A apresentação obstrutiva foi definida por um gradiente da via de saída do ventrículo esquerdo ≥ 30 mmHg em repouso ou após manobra de Valsalva ou em ortostatismo.13,16

Avaliação Ecocardiográfica

O ETT foi previamente realizado em todos os indivíduos para estabelecer o diagnóstico de CMH (Vivid 7 ou Vivid E9 GE) com análise de conjuntos de dados off-line (EchoPac®, GE Healthcare, Little Chalfont, Reino Unido). Os diâmetros do septo interventricular e da parede posterior do ventrículo esquerdo (VE), volume diastólico final do VE e volume sistólico final do VE foram determinados pelo modo M ou da imagem em 2D. O MVT de todos os segmentos foi medido no eixo curto paraesternal. A fração de ejeção (FE) e a função diastólica foram calculadas pelo método de Simpson e pelo Doppler pulsátil, respectivamente.17,18

Imagem de ressonância magnética

A avaliação por ressonância magnética (RM) foi realizada em todos os pacientes com mutação do GLA para avaliar a presença de fibrose miocárdica, utilizando a técnica do realce tardio miocárdico (RTM). Um aparelho de RM de 1,5 T (MAGNETOM Essenza, Siemens Healthcare, Erlangen, Alemanha) com uma bobina de oito canais do tipo Phased Array foi utilizado. As imagens foram adquiridas no eixo curto cardíaco, da base ao ápice, com cortes de 8 mm e intervalos de 2 mm, utilizando a sequência Gradiente Eco ponderada em T1. Um pré- pulso inversão-recuperação e tempo de inversão ajustado foram utilizados para neutralizar o sinal miocárdico. A aquisição da imagem foi iniciada aproximadamente 8 a 10 minutos após a infusão do contraste de gadolínio a uma dose de 0,2 mmol/kg. O RTM aumenta a quantidade de contraste entre o tecido normal (escuro devido à neutralização do sinal) e o tecido fibrótico (branco devido ao aumento do gadolínio na sequência ponderada em T1).19

Eletrocardiografia e eletrocardiografia dinâmica (Holter de 24 h)

Um eletrocardiograma de 12 derivações em repouso foi realizado em todos os pacientes. Um gravador digital contínuo (Cardio Light®, Cardio Sistemas Comerciais Industriais, São Paulo, Brasil) foi utilizado para registrar e analisar os testes Holter por 24 horas. Os eletrodos foram posicionados nas derivações eletrocardiográficas MV1, MV4 e MV6. Os resultados foram analisados utilizando o software Cardiomanager 540® (Cardio Sistemas Comerciais Industriais, São Paulo, Brasil) por um observador independente em busca de arritmias cardíacas.

Ensaios moleculares e enzimáticos

Todos os pacientes incluídos foram submetidos a dígito punção de sangue capilar e amostras coletadas em papel de filtro e colocadas para secar por 3-4 horas à temperatura ambiente, armazenadas em envelope plástico a 4°C e enviadas ao Centogene Laboratory (Rostock, Alemanha).

A análise molecular para determinar as mutações do gene GLA foi realizada nas amostras dos indivíduos do sexo feminino, enquanto a análise de mutação foi realizada após evidência de baixa atividade de α-Gal A em indivíduos do sexo masculino. O nível de expressão e a atividade enzimática do biomarcador liso-Gb3 foram identificados através de cromatografia líquida de alta performance e espectrometria de massa em tandem.

O gene GLA foi analisado utilizando reação em cadeia da polimerase (PCR) e sequenciamento de todas as regiões codificadoras e limites exon-intron altamente conservados através de sequenciamento de próxima geração com Illumina HiSeq (Illumina, Califórnia, EUA). A análise do gene GLA foi realizada em todos os pacientes com CMH.

Análises estatísticas

Os dados foram analisados de forma descritiva utilizando o software Statistical Package for Social Sciences, versão 20.0 (IBM Company, Armonk, NY, EUA). Antes de analisar as variáveis contínuas, os conjuntos de dados foram testados quanto à normalidade através do teste de Shapiro-Wilk. Variáveis contínuas com distribuição normal foram apresentadas com medidas de tendência central e dispersão (média e desvio-padrão), e as variáveis categóricas foram descritas como frequências absolutas (n) e relativas (%). A análise comparativa foi realizada pelo teste de qui-quadrado de Pearson para variáveis categóricas. As variáveis numéricas foram analisadas usando o teste t de Student pareado. O nível de significância foi definido como 5% através de toda a análise estatística (p < 0,05).

O teste t de Student pareado foi utilizado para comparar as características basais de ambos os grupos, HCM e com mutações no gene GLA, e o teste qui-quadrado de Pearson foi utilizado para identificar quaisquer associações entre as variáveis clínicas.

Padrões éticos

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética Institucional e foi realizado de acordo com a Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, que trata das diretrizes e normas para pesquisas envolvendo seres humanos. A investigação também foi conduzida de acordo com a Declaração de Helsinque. O consentimento livre e informado foi obtido de todos os pacientes antes da inclusão neste estudo.

Resultados

Foram incluídos 60 pacientes com diagnóstico ecocardiográfico de CMH submetidos a testes moleculares para DF. Sua idade variou de 12 a 85 anos (média de 42,3 ± 17) e 60% (n = 36) eram mulheres. Quatro pacientes, sendo três mulheres, apresentaram mutações no gene GLA, correspondendo a 6,7% da nossa amostra.

Síncope e dispneia foram os sintomas cardíacos mais frequentes em todos os pacientes. A cardiomiopatia hipertrófica septal assimétrica foi o tipo mais frequente em pacientes sem mutações no gene GLA (61,5%) e no grupo com mutação no GLA (50%). A FE foi semelhante em ambos os grupos. Os padrões eletrocardiográficos mais comuns de todos os pacientes foram hipertrofia ventricular esquerda (37,9%), bloqueio atrioventricular (13,8%) e bloqueio de ramo esquerdo (10,3%). As características clínicas e epidemiológicas da nossa amostra são mostradas na Tabela 1.

Tabela 1 Características clínicas e resultados de exames complementares de pacientes 

CMH (n = 56) Mutação do GLA (n = 4) p-valor
Idade (anos) 42,3 ± 17,0 58,5 ± 15,2 0,11
Sexo (feminino) 59,9% 75% 0,53
FE (%) 67,6 ± 8,6 65,0 ± 4,2 0,43
Sintomas Cardíacos Dispneia 8% 25% 0,80
Dor Precordial 5% -
Síncope 17,5% 50%
Palpitação 5% -
Tontura 7% -
Predominância de HVE Apical 5,56% 25% 0,38
Concêntrica 25% 25%
AS 61,1% 50%
AM 0,05% -
HMP 2,78% -
HVM (mm) 19,1 ± 6,4 18,7 ± 0,9 0,98
Fibrose na RM (%) 11,0 ± 13,9 12,0 ± 11,6 0,82
Alteração no ECG VSVE 38,5% 100% 0,83
AEA 10,3% -
RVA 28,6% -
BCRE 10,3% 25%
BAV 5,1% 50%
QRSFrag 20,5% -

CMH: cardiomiopatia hipertrófica; FE: fração de ejeção; HVE: hipertrofia ventricular esquerda; AS: assimétrica septal; AM: ânteromedial; HMP: hipertrofia do músculo papilar; HVM: hipertrofia ventricular máxima; RM: ressonância magnética; ECG: eletrocardiograma; VSVE: via de saída do ventrículo esquerdo; AEA: átrio esquerdo aumentado; RVA: repolarização ventricular anormal; BCRE: bloqueio de ramo esquerdo; BAV: bloqueio atrioventricular; QRSFrag: fragmentação de QRS.

medida via ecocardiografia transtorácica (ETT).

Três mutações com variantes heterozigotas foram encontradas: c.967C>A (p.Pro323Thr), a qual é uma nova mutação ainda não descrita na literatura (Figura 1); c.937G>T (p.Asp313Tyr); e c.352C>T (p.Arg118Cys). Uma variante homozigota também foi encontrada: c.352C>T (p.Arg118Cys). Cinco pacientes do sexo masculino foram submetidos à análise molecular devido à baixa atividade da enzima α-Gal A; no entanto, nenhum deles apresentava mutações no gene GLA. As características clínicas e epidemiológicas dos pacientes com mutações no GLA estão descritas na Tabela 2.

Figura 1 Cromatograma da nova mutação do gene GLA: c.967C>A (p.Pro323Thr). 

Tabela 2 Características clínicas e resultados de exames complementares de pacientes com DF 

Paciente 1 Paciente 2 Paciente 3 Paciente 4
Idade (anos) 69 39 72 53
Sexo F F F M
Sintomas Cardíacos Síncope Síncope, dispneia Não Não
Sintomas Extracardíacos AIT Acroparestesia, intolerância ao calor/frio, alterações de humor Acroparestesia, trombose arterial AVCi
ECG FCN, SVE, BAVPG, BCRE FCN, SVE FCN, SVE, BAVPG FCN, SVE
Holter de 24h 8 episódios de TV, 677 CVP Sem arritmias AFib Paroxística Sem arritmias
EF 67% 60% 70% 65%
Predominância de HVE Apical Hipertrofia septal assimétrica Hipertrofia septal assimétrica Concêntrica
HVM (mm) 19 20 18 18
Disfunção diastólica Leve Pseudo-normal Leve Leve
LVOTO Não Não No Não
Fibrose na RM 6% 28% 13% 1,36%
MSF Yes Yes No No
CDI Yes Yes No No
Mutação no gene GLA c.967C>A (p. Pro323Thr) c.937G>T (p.Asp313Tyr) c.352C>T (p.Arg118Cys) c.352C>T (p.Arg118Cys)
Alto nível de lyso-Gb3 Não Não Não Não
Baixo nível de α-Gal A NM NM NM Sim
Proteinúria Não Não Sim Não

F: feminino; M: masculino; AIT: ataque isquêmico transitório; AVCi: acidente vascular cerebral isquêmico; ECG: eletrocardiograma; FCN: frequência cardíaca normal; SVE: sobrecarga ventricular esquerda; BAVPG: bloqueio atrioventricular de primeiro grau; BCRE: bloqueio de ramo esquerdo; TV: taquicardia ventricular, CVP: contração ventricular prematura; AFib: fibrilação atrial; FE: fração de ejeção; HVE: hipertrofia ventricular esquerda; HVM: hipertrofia ventricular máxima; LVOTO: obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo; RM: ressonância magnética; MSF: morte súbita familiar; CDI: cardioversor-desfibrilador implantável; NM: não medido.

medição via ecocardiografia transtorácica (ETT).

Discussão

Em nossa amostra de 60 pacientes com CMH, determinamos através de testes moleculares que a prevalência de mutações no GLA foi de 6,7%. Além disso, encontramos uma nova mutação no gene GLA. A reposição de enzimas foi iniciada em um paciente com mutação no GLA.

A DF tem herança ligada ao X. O distúrbio clássico ligado ao cromossomo X geralmente mostra uma transmissão vertical, na qual as mulheres heterozigotas transmitem o alelo para sua descendência. A maioria das mutações nos genes ligados ao X resulta em doenças que só ocorrerão em homens. No entanto, algumas doenças ligadas ao cromossomo X apresentam diferentes taxas de penetrância e expressividade em ambos os sexos. Na DF, os indivíduos heterozigotos (mulheres) geralmente são afetados, mas tendem a ter um fenótipo mais leve e mais variável do que os homozigotos (homens).20

Estima-se que a prevalência de DF seja de 0,02-0,09: 10.000 na população geral, embora a triagem molecular em recém-nascidos tenha sugerido uma prevalência maior.21,22 Em relação à variante cardíaca, a prevalência pode ser de até 12%, dependendo do método utilizado.23-26

A média da HVM em pacientes com mutação do GLA em nossa amostra foi maior do que a encontrada em estudos anteriores. A média da HVM foi de 11,6 ± 3,3 mm no estudo de Koskenvuo et al.,27 e, apenas, oito pacientes tinham HVE. A média da HVM foi de 16,7 ± 1,9 mm no estudo de Takenaka et al.,28 mais próximo do encontrado neste estudo. Pacientes com mutação no gene GLA foram selecionados de uma amostra de CMH, o que pode explicar a tendência para os valores médios mais elevados da HVM. Em nosso estudo, pacientes com mutações no GLA tinham média de idade maior. Esse achado talvez possa ser atribuído ao fato de que a variante cardíaca da DF apresentar início mais tardio.

Em relação ao padrão de hipertrofia, a DF está predominantemente associada à hipertrofia concêntrica.29 No entanto, alguns estudos encontraram maior prevalência da variedade assimétrica,25 o que está de acordo com nossos resultados. Essa variedade é geralmente associada às formas graves da doença.25,29

O bloqueio atrioventricular estava presente nos achados eletrocardiográficos (ECG) em dois pacientes com mutação do GLA (50%), o que está de acordo com achados de estudos anteriores.29 Entretanto, anormalidades de repolarização foram comuns em pacientes com CMH, mas não em pacientes com DF, como esperado. Essas anormalidades estão associadas à hipertrofia concêntrica leve.30 Em nosso estudo, apenas um paciente apresentou hipertrofia concêntrica, o que pode explicar a ausência de anormalidades de repolarização nos resultados do ECG de nossos pacientes com mutação do GLA.

A média do porcentual de fibrose miocárdica na RM foi 12 ± 11,6% e 10,5 ± 13,7% em pacientes com mutação do GLA e sem mutação, respectivamente. No entanto, não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos comparados (p = 0,85). Embora a apresentação clínica da DF tenha sido bem descrita, o mecanismo fisiopatológico que liga o acúmulo intracelular de Gb3 ao dano tecidual e às manifestações clínicas ainda não está bem estabelecido.31 Pressupõe-se que o armazenamento intracelular de Gb3 desencadeie importantes cascatas fisiopatológicas relacionadas aos processos inflamatórios, levando a alterações celulares miocárdicas e, com o tempo, à fibrose.31-33

A mutação do GLA não foi associada a nenhum padrão específico de realce tardio pelo gadolínio (RTG) na ressonância magnética. O paciente 2 mostra o RTG no septo médio ventricular basal, septo anterior, segmento lateral inferior e apical do ventrículo esquerdo. O paciente 3 mostra o RTG no septo interventricular, na parede inferior e nos pontos de inserção do ventrículo direito. O paciente 4 mostra o RTG nos segmentos basais do septo inferior e segmentos da parede inferior do ventrículo direito. Informações sobre o RTG no paciente 1 não estavam disponíveis.

Uma das variantes encontradas não foi descrita em estudos anteriores nos bancos de dados do Exome Aggregation Consortium, Exome Sequencing Project ou 1000 Genomes Browser. A variante c.967C>A (p.Pro323Thr), está localizada no exon 6 do gene GLA. Esta mutação resulta na substituição de um aminoácido de treonina por um aminoácido prolina na posição 323 da proteína. Esta posição mostra um nucleotídeo altamente conservado e um aminoácido altamente conservado, com diferenças físico-químicas moderadas entre os aminoácidos prolina e treonina. Ela apresenta características de patogenicidade, com base na análise utilizando os programas Polyphen-2, SIFT, MutationTaster e Align-GVGD. O paciente 1, portador dessa mutação, apresentava defeitos cardíacos graves, manifestando-se como arritmia e hipertrofia, sem outras causas explicáveis.

A variante 352C>T (p.Arg118Cys) no exon 2 do gene GLA foi inicialmente descrita como sendo patogênica por Spada et al.,34 De acordo com Ferreira et al.,35 a deficiência enzimática moderada relacionada à variante p.Arg118Cys pode não ser suficiente para causar complicações maiores da DF, sugerindo baixa patogenicidade.35 Essa mutação foi encontrada em dois pacientes não aparentados (pacientes 3 e 4), ambos com HVE. O paciente 3 também apresentou bloqueio atrioventricular de primeiro grau e fibrilação atrial paroxística no ECG, bem como proteinúria. O paciente 4 tinha histórico de acidente vascular cerebral isquêmico. Apesar da controvérsia sobre a patogenicidade dessa variante, os autores acreditam que ela pode causar manifestações órgão-específicas, tais como comprometimento cardíaco e cerebral.

Com relação à terceira variante encontrada no exon 6 do gene GLA, GLA c.937G> T (p.Asp313Tyr) no paciente 2, há também resultados contraditórios sobre sua patogenicidade. Alguns estudos mostraram que o genótipo D313Y não é responsável por lesões orgânicas graves similares àquelas associadas aos genótipos bem estabelecidos da DF clássica.36

Lenders et al.,36) e Niemann et al.,37) relataram que a presença dessa variante está potencialmente associada a lesões importantes da substância branca no sistema nervoso central.36,37 A paciente apresentava hipertrofia cardíaca grave, história de hipertensão arterial sistêmica descontrolada e queixava-se de dor generalizada com labilidade emocional. Ela vem recebendo terapia de reposição enzimática há seis meses e tem mostrado melhora significativa dos sintomas e controle da pressão arterial.

O estudo das variantes c.937G>T (p.Asp313Tyr) e c.352C>T (p.Arg118Cys) mostra resultados contraditórios na literatura, mas os autores acreditam que as mesmas sejam patogênicas. A variante p. Asp313Tyr, encontrada neste grupo, foi identificada em membros da mesma família e todos seguem a herança ligada ao X, com hipertrofia e sintomas cardíacos importantes. Em relação à p.Arg118Cys, que também mostrou resultados controversos na literatura, foi encontrada em dois pacientes de diferentes famílias nesse grupo. Um é um homem homozigoto com hipertrofia cardíaca e acidente vascular cerebral isquêmico; a outra é uma paciente heterozigota, também com hipertrofia cardíaca, trombose arterial e proteinúria. Os autores estão atualmente trabalhando com o objetivo de reunir mais evidências sobre a patogenicidade dessas variantes nos outros membros da família.

A nova variante encontrada, c.967C>A (p. Pro323Thr), parece ser patogênica, de acordo com a análise realizada com os softwares Polyphen-2, SIFT, MutationTaster e Align-GVGD. Como dito anteriormente, a paciente é uma mulher heterozigota com hipertrofia cardíaca e ataque isquêmico transitório, e a investigação dos membros da família sugere patogenicidade.

Embora as variantes 352C> T (p.Arg118Cys) e c.937G> T (p.Asp313Tyr) apresentem resultados controversos em relação à patogenicidade, o heredograma das famílias confirma uma herança ligada ao X. Um dos resultados mais relevantes do estudo foi a identificação de uma nova mutação no gene GLA que parece ser patogênica, além da identificação de outros 14 portadores entre os familiares dos quatro pacientes-índice. A probabilidade de realizar terapia de reposição enzimática e acompanhantes farmacológicos enfatiza a importância do diagnóstico precoce da DF38-40 e a busca para identificar a patogenicidade das variantes encontradas.

Limitações

As principais limitações do nosso estudo foram: a ausência de cálculo amostral, o pequeno tamanho da amostra devido à raridade da doença e o pequeno número de pacientes com mutações no GLA (as análises estatísticas foram limitadas). Além disso, a análise molecular dos genes sarcoméricos em pacientes com CMH não foi realizada.

O mapeamento de T1 foi realizado em imagens de ressonância magnética apenas para o paciente 4. No momento das outras avaliações por imagem, o mapeamento de T1 por RM não estava disponível em nossa instituição. Os autores entendem que uma biópsia renal ou cardíaca poderia ser realizada para confirmar a patogenicidade dessas variantes incertas.

Conclusão

Neste estudo, a frequência de mutação no gene GLA em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica foi de 6,7%. Uma nova mutação no exon 6 do gene GLA, c.967C>A (p.Pro323Thr), foi identificada. Pacientes com CMH podem ter mutações do GLA e a doença de Fabry deve ser excluída. Os níveis plasmáticos de liso-Gb3 parecem não ser suficientes para o diagnóstico, e a biópsia de órgãos deve ser considerada.

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