Nascer no Brasil

Nascer no Brasil

Autores:

Maria do Carmo Leal,
Silvana Granado Nogueira da Gama

ARTIGO ORIGINAL

Cadernos de Saúde Pública

versão impressa ISSN 0102-311X

Cad. Saúde Pública vol.30 supl.1 Rio de Janeiro 2014

http://dx.doi.org/10.1590/0102-311XED01S114

Nascer no Brasil não tem sido uma experiência natural nem para pobres nem para ricos. O parto vaginal, mais frequente nos estabelecimentos públicos, quase sempre ocorre com muita dor e excesso de intervenções. Nos estabelecimentos privados, a cesariana, uma cirurgia muitas vezes desnecessária e quase sempre pré-agendada, vem se constituindo em uma opção para minimizar esse sofrimento. Diante desse quadro tão peculiar, o Ministério da Saúde lançou um edital via Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) para a realização de uma grande pesquisa nacional visando estudar o parto e o nascimento em nosso país. O projeto INOVA-ENSP e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) também deram importante suporte a essa investigação.

O estudo foi coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tendo contemplado 266 maternidades com 500 ou mais partos por ano, sendo representativo dos nascimentos hospitalares neste universo onde ocorrem 83% dos partos do país. Foram visitados 191 municípios e 23.940 mulheres foram entrevistadas entre fevereiro de 2011 e outubro de 2012.

Os resultados, apresentados em 14 artigos originais neste Suplemento, abordam aspectos metodológicos da amostra, a criação de um algoritmo para cálculo da idade gestacional e estimação da mortalidade materna; resultados sobre a assistência pré-natal; decisão sobre a via de parto; intervenções sobre as parturientes e recém-nascidos de risco habitual; tipo de parto nas adolescentes; satisfação com o atendimento e presença de acompanhante durante a internação; near miss e mortalidade materno e neonatal, além de uma análise sobre a estrutura das maternidades e a descrição de uma experiência bem sucedida para a redução de cesarianas na rede privada.

A pesquisa demandou a participação de um grande número de instituições e de pesquisadores que se congregaram num Grupo de Pesquisa do CNPq. Sem esse time a realização dessa pesquisa seria difícil e, principalmente, menos significativa. Da mesma forma, o projeto possibilitou a formação em pesquisa de vários jovens profissionais, muitos dos quais desenvolverão suas dissertações e teses com esses resultados.

O trabalho da equipe técnica, de suporte computacional não foi menos significativo, dada a complexidade da logística do trabalho de campo de uma pesquisa desta dimensão. Os hospitais que participaram desse estudo merecem o nosso reconhecimento pela confiança e generosidade em permitir que as suas instalações fossem visitadas e seus documentos manuseados.

Nessa fase final de publicação, foi de fundamental importância a participação da editoria de CSP e de toda a equipe da revista, que viabilizaram a publicação em tempo recorde, sem abrir mão do rigor científico e do incansável trabalho de revisão dos manuscritos.

Particularmente, agradecemos às mulheres que atenderam ao nosso convite para integrarem a pesquisa, porque sem elas o estudo não aconteceria. Seus depoimentos foram registrados e organizados sob a forma de vídeos. Com as informações por elas fornecidas esperamos mostrar para a sociedade brasileira um panorama do parto e nascimento no Brasil, sensibilizando profissionais, gestores, gestantes e seus familiares para a necessidade de mudanças no atual modelo de atenção obstétrica.

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