Nefropatia por IgA em Salvador, Brasil. Apresentação clínica e laboratorial no momento do diagnóstico

Nefropatia por IgA em Salvador, Brasil. Apresentação clínica e laboratorial no momento do diagnóstico

Autores:

Brenda Navarro de Souza,
Maria Brandão Tavares,
Maria Fernanda Sanches Soares,
Washington Luis Conrado dos Santos

ARTIGO ORIGINAL

Brazilian Journal of Nephrology

versão impressa ISSN 0101-2800versão On-line ISSN 2175-8239

J. Bras. Nefrol. vol.40 no.3 São Paulo jul./set. 2018 Epub 07-Maio-2018

http://dx.doi.org/10.1590/2175-8239-jbn-3851

INTRODUÇÃO

A nefropatia por IgA (NIgA) é a doença glomerular mais prevalente em todo o mundo.1,2 No entanto, a prevalência estimada de NIgA em amostras de biópsia apresenta grande variação em diferentes países e em diferentes regiões de um mesmo país, como o Brasil.3,4,5 Diferenças na frequência de NIgA são atribuídas à etnia ou viés de seleção, que decorre de políticas de indicação de biópsias heterogêneas.2 Por exemplo, a prevalência de NIgA é alta no Japão (30%), Itália (35%) e Espanha (15%), e está se tornando a doença glomerular mais prevalente nessas áreas.6,7,8 No entanto, é muito menor na Arábia Saudita (4,7%), África (2,8%), Índia (8,1%), Colômbia (11,8%), Peru (1,5%) e México (7%).9,10,11,12,13,14 A prevalência de NIgA nos EUA é alta em populações caucasianas (38%) e do leste asiático (36%), e baixa em populações afro-americanas (3%) e hispânicas (19%).15 A prevalência estimada de NIgA varia em diferentes estados brasileiros. É alta nos estados de Minas Gerais (16,15%) e São Paulo (17,8%), e é baixa nos Estados do Pará (6,3%), Amazonas (4,3%) e Bahia (5%).16,17,18,4,19

A prevalência estimada de NIgA em Salvador, BA, é de 7% das doenças glomerulares primárias (dos-Santos et al., sendo publicado).[1] O histórico étnico de Salvador pode ser responsável por esse número baixo: aproximadamente 73% da população se autodeclara como sendo de descendência africana, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Comparativamente, a população estimada autodeclarada de descendência africana é de 27,2% e 45,4% em São Paulo e Minas Gerais (IBGE), respectivamente, onde a prevalência de NIgA é de 17,8% e 16,15%, respectivamente.16,17 Por outro lado, a descendência africana autodeclarada, estimada no Estado do Pará é de 71,9% (IBGE), enquanto a prevalência de NIgA é de 6,3%.18 No entanto, não está claro se essas diferenças se devem às origens étnicas ou a critérios diferentes para indicar a biópsia renal.

O presente estudo investigou o padrão de apresentações clínicas e histológicas de pacientes com NIgA de Salvador, Brasil, no diagnóstico da doença. Nosso objetivo foi estudar a prevalência real da doença nesta área altamente povoada no Nordeste do Brasil.

MÉTODOS

Casos: Este relato é um estudo exploratório descritivo de todos os casos de NIgA comprovados por biópsia, diagnosticados em serviços de nefrologia de referência de hospitais públicos de Salvador, Bahia, Brasil, e examinados no Instituto Gonçalo Moniz, Fiocruz (IGM-Fiocruz) entre 2010 e 2015. Apenas biópsias de rins nativos com material histológico disponível e suficiente e registros clínicos foram incluídos.

Biópsias renais: Todas as biópsias renais foram submetidas a: 1) processamento para microscopia óptica de rotina (fixado em solução de Bouin, embebido em parafina, seccionado com 2 µm de espessura e corado com hematoxilina e eosina, Ácido Periódico de Schiff, Prata de Schiff-Metenamina Periódica, Azan e Picro Sirius vermelho); e 2) processamento para imunofluorescência (incorporado em meio de criopreservação e incubado com soros anti -IgA, -IgG, -IgM, cadeias kapa, cadeias lambda, C1q, C3 e fibrinogênio). Todas as amostras foram fixadas em glutaraldeído a 1% em tampão cacodilato, pós-fixadas em tetróxido de ósmio, e embebidas em Poly/Bed® para análise ultraestrutural, quando necessário.

Análise histológica: Dois patologistas (MFSS e WLCS) sem conhecimento prévio do padrão relatado de lesão renal, revisaram independentemente as lâminas histológicas de cada paciente. As discrepâncias nas análises independentes entre os dois patologistas foram resolvidas em uma análise de consenso. As análises histológicas são classificadas de acordo com a classificação Oxford de NIgA (escore MEST-C).20,21

Dados clínicos: Os seguintes dados foram obtidos dos formulários de solicitação de biópsia: Idade, gênero, presença de hipertensão arterial sistêmica, síndrome nefrótica, presença e quantidade de proteinúria, presença de hematúria macroscópica e microscópica, marcadores de função renal (ureia sérica e creatinina), albumina sérica, colesterol total, triglicerídeos, data da biópsia e registro do material recebido para exame (microscopia óptica). O limite superior da idade para casos pediátricos foi estabelecido como menor ou igual a 16 anos. A síndrome nefrótica e a presença de proteinúria e hematúria macroscópica foram consideradas quando listadas no formulário de solicitação de biópsia. A proteinúria nefrótica foi considerada quando > 3,5 g/24h, ou sua presença foi descrita no formulário de solicitação de biópsia. A hematúria microscópica foi considerada quando a presença de mais de cinco hemácias por campo foi relatada no exame de urina rotina ou descrita no formulário de solicitação da biópsia.

Análise de dados: Os dados são reportados como porcentagens e números absolutos e sumarizados como média ± desvio padrão ou mediana e percentis 25% e 75%. Os dados foram resumidos usando o Prism 5.01 (GraphPad, San Diego, CA, EUA) e o software StataIC11.

Considerações éticas: O estudo foi realizado de acordo com a resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde e do Comitê de Ética em Pesquisa Envolvendo Seres Humanos do Instituto Gonçalo Moniz; A Fiocruz aprovou o procedimento (Protocolo nº 1642146).

RESULTADOS

Características gerais do paciente: Foram analisadas 1.045 biópsias renais no IGM-Fiocruz entre 2010 e 2015. No entanto, 134 biópsias foram de rins transplantados, 110 tinham parênquima renal sub-representado (principalmente devido à ausência de glomérulos para imunofluorescência), sete casos tiveram diagnóstico inconclusivo, e dois casos foram recebidos para uma segunda opinião. Um total de 253 casos foi excluído do estudo e 792 casos foram incluídos. Dos casos incluídos, 556 eram glomerulopatias primárias e 236 glomerulopatias secundárias. Trinta e dois casos foram diagnosticados como NIgA, e um caso apresentou achados clínicos sugestivos de vasculite de Henoch-Shoenlein. Portanto, a prevalência de NIgA foi de 6% nos casos de glomerulopatia primária e de 4% nas biópsias renais dos rins nativos.

A Tabela 1 mostra as principais características clínicas e demográficas desses pacientes. A idade variou entre 2 e 59 anos, com mediana de 30 (22-40; primeiro e terceiro quartis, respectivamente) anos. Quatro (12,5%) pacientes eram crianças e 28 (87,5%) pacientes eram adultos, com leve predomínio do sexo masculino.

Tabela 1 Características gerais dos pacientes com nefropatia por IgA submetidos à renal em Salvador, BA, entre 2010 e 2015 

PARÂMETRO (N) VALOR (%) [Q1-Q3]
Pacientes 32 (100%)
Gênero: (32)
Feminino 14 (44%)
Masculino 18 (56%)
Idade
Mediana 30 [22-40]
Intervalo 2- 59
Apresentação clínica:
Hematúria (28) 22 (79%)
Microscópica 18 (64%)
Macroscópica 13 (46%)
Hipertensão arterial sistêmica (26) 18 (69%)
Proteinúria não-nefrótica (28) 17 (61%)
Síndrome nefrótica (28) 11 (39%)
Exames laboratoriais:
Proteinúria (g/24 h) (19) 2,0 [1,3-4,0]
Albumina sérica (g/dL) (31) 3,1 [3,0-4,0]
Uréia sérica (mg/dL) (31) 41 [28-74]
Creatinina sérica (mg/dL) (31) 1,1 [0,9-2,5]
Colesterol sérico (mg/dL) (16) 214 [179-288]
Triglicérides séricos (mg/dL) (16) 208 [109-344]

As principais apresentações clínicas relatadas foram hematúria em 22/28 (79%), hipertensão arterial sistêmica em 18/26 (69%) e proteinúria não-nefrótica em 17/28 (61%) dos casos.

A Tabela 2 mostra a distribuição dos escores MEST-C das biópsias renais dos pacientes com NIgA. A lesão mais comum observada foi a esclerose segmentar (26; 81%). Houve predomínio de esclerose crônica nas lesões glomerulares proliferativas. Como esperado, as lesões intersticiais tubulares crônicas foram associadas à disfunção renal (Fig. 1). As concentrações séricas de uréia e creatinina foram maiores nos pacientes com a combinação dos escores M1 e T2 (Tabela 2 e Fig. 2). Houve uma tendência para o aumento da proteinúria, ureia sérica e concentrações de creatinina em indivíduos com S1 em comparação com pacientes com S0, mas essa diferença não foi estatisticamente significativa. Além disso, todos os seis pacientes com S0 também tinham T0, enquanto 14/26 (54%) pacientes com S1 tinham T1 ou T2. Tal associação foi estatisticamente significativa (teste de Fisher p = 0,02).

Tabela 2 Escores MEST-C e distribuição de variáveis laboratoriais de pacientes com NIgA submetidos a biópsia renal em Salvador, Brasil, 2010-2015 

MEST N URÉIA CREATININA ALBUMINA COLESTEROL TRIGLICÉRIDES 24 h PTU
ALL 32 (100) 41 [28-74] 1,1 [0,9-2,5] 3,1 [3,0-4,0] 213 [179-288] 208 [109-344] 2,0 [1,3-4,0]
M0 17 (53) 30 [22-59]a 1,0 [0,8-1,9]b 3,1 [2,5-4,0] 220 [198-368] 103 [71-354] 1,9 [1,2-2,0]
M1 15 (47) 67 [36-85]a 2,1 [1,1-3,2]b 3,1 [3,0-4,0] 187 [172-259] 212 [201-335] 2,3 [2,2-4,7]
E0 23 (72) 37 [25-74] 1,1 [0,9-2,4] 3,1 [3,0-4,0] 211 [185-318] 214 [86-318] 1,7 [1,2-3,1]
E1 9 (28) 42 [36-83] 1,6 [0,9-2,5] 3,6 [3,0-4,0] 216 [173-269] 202 [125-350] 2,3 [2,0-5,1]
S0 6 (19) 28 [21-30] 0,8 [0,8-1,1] 2,0 [1,5-4,1] 417 [216-513] 354 [103-578] 1,2 [0,4-2,0]
S1 26 (81) 46 [31-74] 1,4 [0,9-3,0] 3,1 [3,0-4,0] 189 [173-249] 204 [115-283] 2,2 [1,5-4,0]
T0 18 (56) 30 [23-36]c,d 0,9 [0,8-1,1]e 3,5 [2,4-4,0] 216 [189-308] 216 [100-354] 1,5 [1,2-2,2]
T1 8 (25) 60 [46-88]c 2,0 [1,3-2,8] 3,1 [2,8-3,6] 173 [170-225] 204 [201-514] 3,0 [1,9-5,1]
T2 6 (19) 74 [65-130]d 4,2 [3,1-6,0]e 3,1 [3,0-4,0] 227 [169-294] 174 [125-248] 2,2 [2,1-3,5]
C0 25 (78) 39 [79-28] 1,1 [2,8-0,8] 4,0 [4,0-3,0] 189 [249-173] 208 [335-103] 2,0 [2,8-1,3]
C1 7 (22) 41 [51-25] 1,2 [2,1-0,9] 3,1 [2,1-2,5] 269 [308-225] 250 [364-135] 3,4 [4,7-2,2]

Os testes de Mann-Whitney ou Kruskall-Wallis foram empregados quando aplicável.

a, b e cp < 0.05;

d e ep < 0.005. (%), [Q1-Q3]

Figura 1 Escores glomerular e túbulo-intersticial do MEST-C e concentrações de creatinina sérica. As cores representam as pontuações positivas do MEST-C: M1-vermelho, E1-verde, S1-azul. 

Figura 2 Combinações de escores M1 e T1 / 2 e concentrações de creatinina sérica. As cores representam as pontuações positivas do MEST-C: M1-vermelho, E1-verde, S1-azul. 

DISCUSSÃO

Este estudo é o primeiro relato sobre as características dos pacientes com NIgA em Salvador, Brasil. Essa doença glomerular é considerada rara no Estado da Bahia, pois não foi relatada na maioria dos estudos anteriores sobre doenças glomerulares nessa parte do país.22,23 Uma pesquisa recente entre 2003 e 2010 demonstrou uma prevalência de 5% de doenças renais e 7% de doenças glomerulares primárias (dos-Santos et al., sendo publicado)[1], o que é semelhante aos resultados deste estudo, bem como quanto às taxas reportadas em populações não caucasianas e não asiáticas. No entanto, é menor do que as taxas relatadas em outras partes do Brasil. Essa baixa prevalência de NIgA pode ser explicada pela constituição étnica da população de Salvador, que é em grande parte afrodescendente. Outra possível explicação pode ser o critério de indicação da biópsia renal utilizado por nefrologistas, que favorecem a biópsia renal em pacientes com síndrome nefrótica, mantendo o padrão de prática no Brasil.24 A apresentação clínica da maioria dos pacientes deste estudo foi hematúria e pequenas alterações urinárias, o que mostra que essas condições também são relevantes para indicação de biópsia renal em centros de referência em nefrologia em Salvador. No entanto, a proporção de hematúria macroscópica e proteinúria nefrótica relatada neste trabalho está entre as mais altas relatadas na literatura, o que sugere que os casos de hematúria microscópica, isolada ou combinada com outras alterações urinárias menores, podem ser preteridos.25,26 Estudos adicionais são necessários para excluir um potencial viés de seleção para indicação de biópsia.

As características demográficas e a apresentação clínica dos pacientes neste trabalho, como idade, gênero, frequência de hematúria e proteinúria não-nefrótica, são semelhantes aos estudos publicados anteriormente.20,27-29 A hematúria microscópica com proteinúria mínima é a apresentação mais comum de NIgA e está associada a um prognóstico favorável. Em contraste, a presença de proteinúria significativa, hipertensão e diminuição da taxa de filtração glomerular está relacionada a um mau prognóstico. A mediana da concentração proteica na urina foi ligeiramente maior neste estudo do que os estudos publicados anteriormente,20,25,28 e a hipertensão foi registrada em 69% dos pacientes. Esses dados sugerem que pacientes com NIgA relatados neste estudo já teriam evoluído para um estágio tardio de progressão para doença renal crônica no momento da biópsia.

Nossa série demonstrou uma alta frequência de escores positivos MEST-C para esclerose segmentar (81%) e lesão intersticial-tubular (44%). Outros autores relataram proporções semelhantes.26,28 Juntos, os escores positivos de T ou M foram associados ao aumento das concentrações séricas de uréia e creatinina no presente estudo. Alterações túbulo-intersticiais estão consistentemente associadas à apresentação clínica e ao desfecho da NIgA.28,29 Apesar das associações entre M1 e disfunção renal estarem menos bem estabelecidas, Lee et al. demonstraram uma associação M1 com progressão da doença.25,28 Um modelo para usar os escores MEST para desfecho renal no momento da biópsia foi proposto por Barbour e colaboradores (2016).30 Os autores propõem que uma combinação do escore MEST com os dados de pressão arterial, proteinúria e TFGe no momento da biópsia pode predizer o desfecho renal de forma semelhante ao uso de dados clínicos ao longo de dois anos de seguimento. O desenvolvimento adicional de modelos de associação entre os escores MEST-C combinados e a apresentação clínica ou o resultado de NIgA ainda são necessários.

A observação de uma alta proporção de escores MEST-C positivos para esclerose segmentar e interstício túbulo-intersticial neste estudo combinada com a gravidade da apresentação clínica indica que pacientes com NIgA em Salvador estão em estágio avançado da doença quando submetidos à biópsia renal. Novos estudos serão úteis para determinar os fatores associados à gravidade da apresentação e prognóstico da NIgA nessa cidade.

CONCLUSÃO

  1. A prevalência de NIgA em pacientes submetidos a biópsia renal em Salvador, Bahia, está entre as mais baixas relatadas no Brasil.

  2. Os pacientes com NIgA nessa série apresentaram altas concentrações proteicas na urina e alta frequência de hipertensão, o que sugere um estágio tardio de progressão da DRC.

  3. Uma alta frequência de escores MEST positivos associados à doença renal progressiva foi observada nesses pacientes: esclerose segmentar (81%) e lesão intersticial-tubular (44%).

  4. Os escores T ou M positivos foram associados ao aumento das concentrações séricas de uréia e creatinina.

LISTA DE ABREVIAÇÕES

NIgA - Nefropatia por IgA DRC - Doença Renal Crônica IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

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