Nenhuma ferida fala por si mesma. Sofrimento e estratégias de cura dos imigrantes por meio de práticas de ethnography-based art

Nenhuma ferida fala por si mesma. Sofrimento e estratégias de cura dos imigrantes por meio de práticas de ethnography-based art

Autores:

Chiara Pussetti

ARTIGO ORIGINAL

Interface - Comunicação, Saúde, Educação

versão impressa ISSN 1414-3283versão On-line ISSN 1807-5762

Interface (Botucatu) vol.20 no.58 Botucatu jul./set. 2016

http://dx.doi.org/10.1590/1807-57622016.0090

ABSTRACT

In this photo essay I present “Woundscapes. Suffering, creativity and bare life”, an ethnography-based art exhibition collaboratively produced by 11 anthropologists and artists from different countries, whose work focuses on the reproduction of post-colonial gazes and stereotypes and individual memories that are all connected to their respective diasporic dynamics and to immigrants’ healing strategies in the wider therapeutic market of Greater Lisbon.

Key words: Ethnography-based art; Public exhibition; Immigration; Suffering; Cure

RESUMEN

En este ensayo fotográfico, presento “Woundscapes. Suffering, creativity and bare life”, una exposición de arte basada en la etnografía producida a partir de la colaboración de once antropólogos y artistas de diferentes países, cuyo trabajo se centra en la reproducción de las miradas y los estereotipos postcoloniales así como en las memorias individuales que están vinculadas a las respectivas dinámicas diaspóricas y a las estrategias curativas de los inmigrantes en el gran mercado terapéutico de Lisboa.

Palabras-clave: Arte basado en la etnografía; Exposición pública; Inmigración; Sufrimiento; Curación

Projeto Ghetto Six: Lorenzo Bordonaro; Fotografias: Vitor Barros, 2012 

As práticas de ethnography-based art apresentam-se hoje como metodologias alternativas de pesquisa de terreno capazes de envolver os diferentes sentidos por meio do emprego de múltiplas estratégias comunicativas, e de revelar a natureza processual, interativa e criativa da aquisição, da construção e da transmissão do conhecimento etnográfico. Estas experiências participativas e colaborativas que utilizam a arte tanto na aquisição como na transmissão do conhecimento etnográfico e na afirmação política de formas de resistência e de intervenção política pública, podem ser interpretadas como tentativas de desestabilizar categorias disciplinares rígidas, defendendo a criatividade como uma estratégia para transmitir, ao público, o que Paul Stoller definiu como ’a taste of ethnographic things’1.

Neste ensaio fotográfico, decidi apresentar alguns momentos da exposição baseada em etnografia “Woundscapes. Sofrimento, criatividade e vida nua”, que reunia o trabalho artístico e de pesquisa de 11 antropólogos/imigrantes/artistas provenientes de diferentes países, cujo trabalho se dedicava a refletir criticamente sobre os olhares e os estereótipos pós-coloniais que marcavam o seu próprio quotidiano e sobre as memórias individuais e coletivas ligadas à diáspora2. Woundscapes constitui a primeira experiência de exposição artística baseada em etnografia e de pesquisa de campo efetuada por intermédio de metodologias artísticas do Coletivo EBANO, associação sem fim lucrativos que se propõe realizar intervenções públicas resultantes do diálogo entre prática artística e sensibilidade etnográfica, com o objectivo de incidir sobre problemáticas sociais e urbanas mais amplas (www.ebanocollective.org). Os curadores desta exposição partilham tanto a insatisfação com os limites da comunicação textual como a vontade de criar alternativas aos habituais circuitos legítimos de expressividade artística, e consideram que a arte pode ser catalisadora de mudança social e promotora de inclusão mesmo nos contextos mais vulneráveis.

Por meio de imagens, objetos, instalações, desenhos, vídeos e sons, Woundscapes retratava os sintomas, os itinerários e as estratégias de cura dos seus protagonistas, identificando percursos inéditos no mercado terapêutico da Grande Lisboa. O objetivo era, em primeiro lugar, tornar públicos os resultados das nossas pesquisas etnográficas com o propósito de revelar, ao mais amplo público da cidade de Lisboa, novos mapas urbanos e geografias simbólicas ligadas aos percursos migratórios, do sofrimento e da cura. Ao nível curadorial, a exposição foi montada de forma a propor diferentes itinerários expositivos possíveis, convidando, assim, o público a percorrer caminhos alternativos, ligados a diferentes sistemas de interpretação e processos de ressignificação do sofrimento ligado à experiência migratória, assim como as práticas e modelos de cura subjacentes a estes sistemas.

Esta reconstrução de percursos de oferta e procura de produtos e saberes médicos, permite ao público repercorrer as várias rotas terapêuticas que os imigrantes percorrem no espaço urbano, assim como de interagir com as suas vozes, os seus sintomas e com os problemas sociais que estas comunidades enfrentam diariamente, atravessando barreiras linguísticas, burocráticas e culturais.

Fotografias: Vitor Barros, 2012 

A colaboração e o envolvimento dos protagonistas dos mercados da cura na criação artística – imigrantes, antropólogos, curandeiros e pacientes psiquiátricos, numa lógica participativa e de coautoria – inspiraram a criação de dinâmicas inesperadas e novas reflexões. A dimensão pública e itinerante da exposição entre a Europa e Brasil permitiu: 1) inspirar uma reflexão sobre o próprio processo curadorial na sua tentativa de iludir a distância entre objeto e representação, entre “dentro” e “fora”, entre “nós” e “os outros”, “centro” e “periferias”, norte-sul, criando dinâmicas de exclusão e integração, de distanciamento e participação; 2) abalar a distinção categórica convencional entre etnografia e arte, causando interferências e cruzamentos nos circuitos estabelecidos da academia e da arte contemporânea; 3) examinar, a partir de novos pontos de vista e perspectivas, as causas sociais e as experiências individuais de sofrimento; e, enfim, 4) intervir do ponto de vista político, sublinhando publicamente a responsabilidade coletiva na construção das prisões invisíveis da exclusão e da doença.

Como imigrantes, os autores da exposição são quotidianamente imersos em fluxos contínuos de mensagens que sublinham – no positivo como no negativo – a sua alteridade; como artistas não se limitam a apropriar-se deste fluxo mas criam reflexões multissensoriais originais, tornando-se protagonistas; como antropólogos refletem sobre os processos de criação do sofrimento e sobre as dinâmicas sociais envolvidas nas histórias individuais e coletivas.

Esta exposição nasce das histórias recolhidas por antropólogos do Centro em Rede de Investigação em Antropologia (CRIA) no âmbito de dois projetos financiados pela FCT e coordenados por Chiara Pussetti como Pesquisadora Principal: Políticas de Saúde e Práticas Terapêuticas: Sofrimento e Estratégias de Cura dos Migrantes na Área da Grande Lisboa e Imigrantes e serviços de apoio social: tecnologias de cidadania em Portugal.

Com o conceito de sofrimento nestes projetos, indicamos não só a dimensão da doença, mas o mais amplo âmbito de mal-estar que junta os aspetos individuais com os processos históricos, económicos e políticos, com particular atenção à progressiva institucionalização das intervenções a seu favor. Os projetos tinham como objetivo comum examinar as causas sociais e as experiências individuais do sofrimento em diferentes contextos, focando, em particular, questões como: a natureza social e política da doença e do mal-estar; as interfaces entre os significados da pertença identitária e social dos sujeitos e os saberes e as práticas da agenda institucional dirigida às políticas da cura e do acolhimento; as narrativas subjetivas da dor e a linguagem metafórica do sintoma; as formas locais de agência, individual ou coletiva, para “lidar” com a experiência do sofrimento nos espaços da marginalidade social.

Na passagem entre pesquisa e projeto expositivo, o emprego de métodos artísticos colaborativos simboliza a natureza social, processual e dialógica do conhecimento etnográfico, promovendo a criação de novas reflexões, e reforçou o entendimento mútuo e a empatia entre os participantes e o público por meio da partilha de memórias e emoções que criam processos de ressonância e identificação.

Fotografias: Vitor Barros, 2012 

Bem sabemos que, depois da crise da representação nas ciências humanas e sociais das décadas de 1980 e 1990, os antropólogos começam a experimentar estratégias comunicativas alternativas capazes de evocar a complexidade experiencial do campo, se afastando, assim, definitivamente da órbita das ciências exatas e das leis universais, para se aproximarem da literatura, da semiótica e da arte. As distinções disciplinares convencionais entre antropologia e arte principiaram a ficar mais ténues, admitindo o recurso à arte como forma de pesquisa, e à etnografia como campo de produção e inspiração artística, e abrindo novos espaços de experimentação e de intervenção social, como bem evidencia o debate sobre o sensory turn na antropologia, que começa depois do texto de James Clifford e Jorge Marcus, Writing Culture, em 19863; e pelo ethnographic turn na arte contemporânea, inaugurado pelo texto ‘The artist as ethnographer?’ de Hal Foster, em 19954. Em outros trabalhos, referi-me a este encontro como confusão de gêneros, parafraseando uma expressão de Clifford Geertz5, para me referir a este espaço de interface ou, ainda melhor, de contato, como diria Mary Louise Pratt6, onde se torna possível problematizar e redefinir os confins, abrindo o debate sobre a autoridade etnográfica e estimulando práticas autorreflexivas.

A própria produção artística em Woundscapes foi, de facto, não só uma metodologia privilegiada de pesquisa, mas, também, um veículo de reflexão e cura para os próprios artistas/antropólogos envolvidos. É o caso da artista e pesquisadora brasileira Letícia Barreto7 que, por meio de uma série de autorretratos, reflete sobre os obstáculos que ela própria teve de ultrapassar para se integrar num novo contexto, nem sempre acolhedor, e para desconstruir estereótipos e imaginários ligados à figura da mulher brasileira: um percurso artístico que ela mesma define como terapêutico, um processo de cura, fruto de uma “pura necessidade de sobrevivência emocional, uma necessidade física de criar, de transformar, de forma positiva, os desafios do dia a dia”7 (p. 25).

Projeto Estrangeiro em mim: Letícia Barreto; Fotografias: Vitor Barros, 2012 

Assim, durante a pesquisa de campo, tentamos definir as diferentes formas de entender, expressar e lidar com o sofrimento, examinando os processos individuais e coletivos de significação da dor, as estratégias de cura, e as diferentes formas de legitimação, resistência ou reconceituação da própria posição social. Na tradução destes resultados em obras de arte, procuramos, depois, identificar a dimensão física destes itinerários, que se tornam formas alternativas de viver a cidade: da apropriação criativa do espaço, à tensão com as novas geografias de cura e sofrimento, à inovação e recriação dos antigos mapas urbanos.

A possibilidade de representar os diferentes percursos físicos e simbólico ligados à dor da imigração por meio de imagens, desenhos, mapas, vídeos, instalações plásticas, sons e fotografias permite, por um lado, uma divulgação mais ampla dos resultados da reflexão académica, e, pelo outro, possibilita a criação de impressões e reflexões inesperadas no encontro entre artistas e visitantes. Dentro de um território restrito e no tempo efémero de uma exposição, o público pode explorar caminhos de pesquisa, percursos de sofrimento e cura, itinerários de autorreflexão crítica e revindicação política, alcançando, assim, leituras múltiplas dos fenômenos sociais representados. Como cada ponto de observação é sempre particular e subjetivo, os observadores se podem deslocar no espaço expositivo de forma original, de sua própria vontade, sabendo que o mapa pode ser lido de diferentes direções e que o mesmo caminho pode ser percorrido (e interpretado) de forma diferente por cada observador.

Os artistas/antropólogos/imigrantes põem em cena os seus próprios corpos como espelhos mágicos que, ao mesmo tempo, refletem os dramas e as transformações sociais que estão sujeitos a enfrentar e que, nas suas fragmentações, retratam os diferentes estereótipos e olhares que o público encarna. Como espelhos mágicos, não refletem as suas imagens de uma forma unidirecional e verídica, mas, em vez disso, operam uma hibridação criativa, deformando propositadamente as suas aparências. Carimbos e selos, símbolos da burocracia da Fortaleza Europa, reproduzem obsessivamente a foto do passaporte de uma artista, lembrando-a da sua posição irregular e clandestina. Datas, cidades, rupturas e reencontros inscrevem-se no corpo fragmentado de mulheres que não manifestam as suas identidades individuais mas que se apresentam como biocartografias ou diários de viagens. Como feridas, a pele apresenta as marcas de migração; como tatuagens, as memórias da diáspora e de suas lutas incidem a carne, realizando, na dor da incisão, as vivências dos seus protagonistas. Assim, os corpos já não são simplesmente objetos passivos de representação, mas sujeitos políticos que falam por meio da linguagem metafórica e criativa do sintoma e da doença, que manifestam aqui a incorporação da violência estrutural, social e simbólica.

Projeto Healing Market: Chiara Pussetti; Fotografias: Vitor Barros, 2012 

Entendemos aqui, com o conceito de incorporação, a interseção do biológico e do social no âmbito da experiência vivida, como, também, a inscrição e a codificação da memória em forma somática. A incorporação do sofrimento, da alteridade e da memória nos corpos individuais tem, pelo menos, dois aspetos que vale a pena aqui considerar. O primeiro aspeto é objetivo: a marca física deixada pela história em termos de fadiga, violência, deterioração, desgaste, privações. Os corpos despidos que se afirmam frente ao público com a força da biolegitimidade, e os sintomas múltiplos e polissêmicos dos sujeitos protagonistas desta exposição, não constituem somente uma consequência imediata da pobreza ou da exclusão social, mas, antes, refletem o efeito duradouro das opressões históricas, das culturas do terror e das violências do quotidiano. O segundo aspeto é subjetivo. É o rasto, no imaginário coletivo, deixado pela memória em termos de interpretação do mundo social e da construção criativa de metáforas e estratégias narrativas; é a marca da relação incómoda entre o sujeito e a ordem social8.

O sofrimento do qual as imagens falam é, antes de tudo, social, isto é, resultado de uma violência cometida pela própria estrutura social: o corpo reflete os efeitos nocivos das relações desiguais de poder que caracterizam a organização social. As imagens aludem, ao mesmo tempo, a uma série de problemas individuais cuja origem e consequência têm as suas raízes nas fraturas devastantes que as forças sociais podem exercitar sobre a experiência humana. A marginalidade, a opressão institucional ou policial, a discriminação, as separações, as perdas e as despedidas estão aqui representadas não como conceitos a serem descritos e verbalizados, mas como vivências emocionais atuadas e sentidas (lembradas) ao nível carnal. Numa metáfora vivida, liga-se, literalmente, a anatomia individual ao corpo social: a rede de músculos, ossos, nervos e sangue reflete a rede das relações sociais. O rosto individual replica-se na repetição obsessiva da linguagem da burocracia e da instituição, nas palavras sempre idênticas do estereótipo e do preconceito. E a subjetividade perde-se na confirmação da comum invisibilidade dos marginais. Cada marca, cada mapa corpóreo, tatuagem ou desenho, elaborados no contexto de uma narrativa que integra sofrimento social e corporal, constitui um comentário moral, uma crítica social, uma reconstrução de histórias individuais e coletivas. A força expressiva do corpo exposto grita as palavras dos que não têm voz. Os trabalhos apresentados entendem, por meio de diferentes estratégias visuais, problematizar de forma crítica os diferentes fatores que contribuem para a definição e a vivência individual do mal-estar, para devolver dignidade a outros idiomas do sofrimento, outros vocabulários da crise, outros registos da subjetividade e do simbólico. A necessidade de repensar e reconstruir as geografias migratórias, os estereótipos e os imaginários que opacizam a singularidade dos sujeitos, os tempos da história, além das suas roturas, para descodificar o complexo enredo entre biografias individuais, memórias coletivas, heranças coloniais e violências económicas e sociais, representa, hoje, uma obrigação teórica, e, sobretudo, política e moral.

Os projetos artísticos colaborativos baseados em pesquisas etnográficas têm potencialmente o poder de tornarem-se arenas de denúncia, revindicação e intervenção política9. A consciência de que o projeto será público, que irá receber visitantes de diferentes ambientes, classes, posições sociais, estimula os protagonistas a pensar em como e com que fins e objetivos se dirigir a estes diferentes públicos. Se, como informantes de projetos académicos clássicos, sabem que suas vozes serão ouvidas para um público circunscrito, enquanto autores de um projeto artístico público, aberto à mais ampla sociedade civil, sabem que podem encontrar, na exposição, uma ocasião de reivindicação de direitos. É o caso da instalação Ghetto Six, curada por Lorenzo Bordonaro em colaboração com a comunidade do bairro 6 de Maio, que é um bairro autoconstruído às portas de Lisboa, que abriga, desde o final da década de 1970, uma comunidade de origem maioritariamente Cabo-Verdiana em posição irregular.

A instalação – baseada na etnografia efetuada em Cabo Verde e no próprio bairro - apresenta uma crítica tanto às políticas públicas de requalificação urbana que preveem a demolição do bairro e o realojamento da população não clandestina, segundo um esquema de saneamento urbano já aplicado a outras urbanizações espontâneas na área da grande Lisboa, como à precariedade das instalações construídas em amianto e às contradições e violências que caracterizam hoje o Portugal pós-colonial e a Europa de Schengen. Construído a partir de fragmentos das habitações clandestinas, o projeto Ghetto Six - depois da sua exposição no Museu da Cidade - foi reinstalado no seu lugar de origem, o próprio bairro 6 de Maio, até a sua destruição final, símbolo extremo da provisoriedade e da precariedade de espaços e vidas às margens do sistema.

A utilização de métodos colaborativos e participativos e práticas artísticas na aquisição e difusão do conhecimento acadêmico reflete a natureza dialógica e processual de encontro etnográfico, e, ao mesmo tempo, cria um intercâmbio dinâmico entre memórias, sonhos, visões, emoções e ansiedades, revelando aspectos da realidade social que permaneceriam invisíveis – se observados apenas através das lentes das ciências sociais – e mudos – se contados apenas nas páginas de monografias acadêmicas. A produção artística baseada em etnografia permite alcançar conhecimento mútuo e reflexões profundas, assim como proporciona uma comunicação sensorial, experiencial e corporal mais ampla dos resultados da pesquisa, envolvendo o público de forma mais abrangente do que a leitura solitária de um texto; e abre a possibilidade de criar mudança social e reivindicação política, dando voz e alma a sujeitos geralmente passivos e silenciados, que não contam as suas próprias histórias e que vivem somente na reprodução que deles é feita.

Projeto My body is my history: Cristina Santinho. Desenhos de Sara Serrão, 2012 

Projeto Umbanda and Candomblé: Clara Saraiva; Fotografias: Vitor Barros, 2012 

Projeto Embodied histories: Vitor Barros e Chiara Pussetti; Fotografias: Vitor Barros, 2012 

Projeto The stranger inside: Leticia Barreto; Fotografias: Leticia Barreto, 2012 

Projeto Biocartography. The body as a canvas: Angela Alegria; Fotografias: Angela Alegria, 2012 

Projeto Biocartography. The body as a canvas: Angela Alegria; Fotografias: Angela Alegria, 2012 

Projeto Ghetto Six: Lorenzo Bordonaro; Fotografias: Vitor Barros, 2012 

Projeto My body is my history: Cristina Santinho. Desenhos de Sara Serrão, 2012 

Projeto My body is my history: Cristina Santinho. Desenhos de Sara Serrão, 2012 

REFERÊNCIAS

1. Stoller P. The taste of ethnographic things: the senses in anthropology. Philadelphia: University of Pennsylvania Press; 1989.
2. Pussetti C. Woundscapes: suffering, creativity and bare life. Practices and processes of an ethnography-based art exhibition. Crit Arts. 2013; 27(5):599-617.
3. Cliffors J, Marcus G. Writing culture: the poetics and politics of ethnography. Berkeley: California UP; 1986.
4. Foster H. The artist as ethnographer? In: Marcus G, Myers F, editors. The traffic in culture: refiguring art and anthropology. Berkeley: University of California Press; 1995. p. 302-9.
5. Geertz C. Local knowledge. New York: Basic Books; 1983.
6. Pratt ML. Arts of the contact zone. Profession 91. 1991; 33-40.
7. Barreto L. The stranger inside. In: Pussetti C, Barros V, editors. Woundscapes: maps of suffering and healing. Exhibition catalogue Woundscapes. Lisbon: CRIA Editor; 2012. p. 24-31.
8. Pussetti C. Woundscapes: sofrimento e criatividade nas margens – diálogos entre antropologia e arte. Cad Arte Antropol. 2013; 2(1):9-23.
9. Pussetti C. Os frutos puros enlouquecem: percursos de arte e antropologia. Antropol Rev Cont Antropol. 2015; (38):221-43.
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