Nódulo em vidro fosco de crescimento rápido, causado por melanoma metastático e sem captação de 18F fluordesoxiglicose na tomografia por emissão de pósitrons com 18F fluordesoxiglicose/tomografia computadorizada

Nódulo em vidro fosco de crescimento rápido, causado por melanoma metastático e sem captação de 18F fluordesoxiglicose na tomografia por emissão de pósitrons com 18F fluordesoxiglicose/tomografia computadorizada

Autores:

Giorgia Dalpiaz,
Sofia Asioli,
Stefano Fanti,
Gaetano Rea,
Edson Marchiori

ARTIGO ORIGINAL

Jornal Brasileiro de Pneumologia

versão impressa ISSN 1806-3713versão On-line ISSN 1806-3756

J. bras. pneumol. vol.44 no.2 São Paulo mar./abr. 2018

http://dx.doi.org/10.1590/s1806-37562017000000298

AO EDITOR:

Em novembro de 2003, um homem de 33 anos foi submetido a tratamento cirúrgico de melanoma maligno no tórax. A taxa mitótica era de 4 mitoses/mm2, e o tumor tinha 1,35 mm de espessura, sem ulceração da pele, invasão linfovascular ou invasão perineural. Após 5 anos de acompanhamento, a TC revelou um nódulo semissólido (nódulo em vidro fosco puro) de 15 mm no lobo inferior direito (Figura 1A). A TC de controle, realizada 6 meses depois, mostrou que o nódulo aumentara de tamanho e apresentava um componente sólido excêntrico (Figura 1B). A tomografia por emissão de pósitrons com 18F fluordesoxiglicose (FDG-PET, do inglês 18 F-fluorodeoxyglucose positron emission tomography) com TC (FDG-PET/TC) mostrou que o nódulo não apresentava captação de FDG (Figura 1C). Não havia metástases nodais ou à distância. Foi realizada a resseção cirúrgica da lesão pulmonar. O exame histológico revelou a disseminação de células de melanoma ao longo das paredes alveolares, com crescimento lepídico (Figura 1D). Não se detectou hemorragia em torno da lesão. A análise imuno-histoquímica da proteína S-100 mostrou que as células do melanoma estavam próximas de epitélio alveolar normal com resultado positivo para citoqueratina 7. Portanto, o paciente recebeu diagnóstico de câncer de pulmão metastático proveniente de um melanoma cutâneo primário. Ele passou a receber quimioterapia com dacarbazina e cisplatina, mas não mostrou sinais de melhora. O paciente morreu alguns meses depois, em virtude da progressão da doença.

Figura 1 Em A, TC axial de tórax mostrando nódulo semissólido (nódulo em vidro fosco puro) de 15 mm no lobo inferior direito. Em B, TC de tórax realizada 6 meses depois da primeira, mostrando que o nódulo havia aumentado de tamanho e apresentava um componente sólido excêntrico. Em C, tomografia por emissão de pósitrons com 18F fluordesoxiglicose/TC mostrando que o nódulo não apresentava captação de 18F fluordesoxiglicose. Em D, fotomicrografia mostrando a disseminação de células de melanoma ao longo das paredes alveolares, com crescimento lepídico (coloração com H&E; aumento: 50×). A imuno-histoquímica mostrou que as células eram positivas para a proteína S-100, que é um marcador melanocítico (não mostrado). 

Nódulos semissólidos são achados tomográficos que podem ser classificados em nódulos em vidro fosco puros e parcialmente sólidos. Já se relatou que nódulos pulmonares semissólidos apresentam relação com diversas doenças pulmonares, tais como doenças não neoplásicas, neoplasias primárias e neoplasias metastáticas. Os padrões tomográficos do comprometimento do parênquima pulmonar em virtude de melanoma maligno variam. Nódulos sólidos múltiplos constituem o achado tomográfico mais comum. O melanoma metastático pulmonar que aparece em forma de nódulo solitário em vidro fosco é muito incomum.1-3 A captação negativa de FDG na FDG-PET/TC é esperada, assim como o é em outras lesões com crescimento lepídico, tais como adenocarcinomas pulmonares periféricos (e seus precursores) e metástases provenientes de adenocarcinoma do trato gastrintestinal.4 São várias as etiologias dos nódulos semissólidos, tanto benignas como malignas. Quando os nódulos pulmonares semissólidos são persistentes, é muito provável que representem parte do espectro patológico do adenocarcinoma pulmonar.5 Embora os achados de imagem não tenham sido patognomônicos em nosso paciente, o rápido crescimento em curto espaço de tempo levantou a suspeita de doença metastática.1,5 A FDG-PET/TC tem um papel importante no estadiamento nodal para decisões referentes à resseção cirúrgica; está sendo investigado o uso de resseção cirúrgica limitada em pacientes com nódulos semissólidos, porém sem metástases nodais documentadas.4 A resseção cirúrgica é o método preferido para o diagnóstico histológico de nódulos semissólidos.5 Em pacientes com melanoma maligno, a presença de um nódulo pulmonar semissólido solitário que cresça rapidamente ao longo de alguns meses deve levantar a suspeita de metástase, não obstante a captação negativa de FDG na FDG-PET/TC.

REFERÊNCIAS

1 Kang MJ, Kim MA, Park CM, Lee CH, Goo JM, Lee HJ. Ground-glass nodules found in two patients with malignant melanomas: different growth rate and different histology. Clin Imaging. 2010;34(5):396-9.
2 Dalpiaz G, Kawamukai K, Parisi AM, La Torre L, Forcella D, Leuzzi G. Ground-glass opacity of the lung in a patient with melanoma: "The radiological seed of doubt". Rev Esp Med Nucl Imagen Mol. 2015;34(6):390-2.
3 Mizuuchi H, Suda K, Kitahara H, Shimamatsu S, Kohno M, Okamoto T, et al. Solitary pulmonary metastasis from malignant melanoma of the bulbar conjunctiva presenting as a pulmonary ground glass nodule: Report of a case. Thorac Cancer. 2015;6(1):97-100.
4 Erasmus JJ, Macapinlac HA. Low-sensitivity FDG-PET studies: less common lung neoplasms. Semin Nucl Med. 2012;42(4):255-60.
5 Naidich DP, Bankier AA, MacMahon H, Schaefer-Prokop CM, Pistolesi M, Goo JM, et al. Recommendations for the management of subsolid pulmonary nodules detected at CT: a statement from the Fleischner Society. Radiology. 2015;266(1):304-17.
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