O Índice de Massa do Ventrículo Esquerdo: Uma Variável Confundidora do Strain Longitudinal Global a ser Observada

O Índice de Massa do Ventrículo Esquerdo: Uma Variável Confundidora do Strain Longitudinal Global a ser Observada

Autores:

Eduardo Thadeu de Oliveira Correia,
Letícia Mara dos Santos Barbetta

ARTIGO ORIGINAL

Arquivos Brasileiros de Cardiologia

versão impressa ISSN 0066-782Xversão On-line ISSN 1678-4170

Arq. Bras. Cardiol. vol.114 no.1 São Paulo jan. 2020 Epub 10-Fev-2020

https://doi.org/10.36660/abc.20190708

Caro Editor,

Nós lemos, com grande interesse, o artigo intitulado “Avaliação da Função Ventricular Esquerda na Associação de Cardiomiopatia Hipertrófica e Hipertensão Arterial Sistêmica pela Técnica de Strain”. Nesse trabalho, os autores avaliaram o strain longitudinal global (SLG) do ventrículo esquerdo (VE) em dois grupos distintos: pacientes portadores de cardiomiopatia hipertrófica (CMH) e pacientes portadores de CMH com hipertensão arterial sistêmica (HAS), e demonstraram que o SLG foi menor no segundo grupo. Essa importante descoberta pode indicar um maior comprometimento da função do VE nos pacientes com HAS e CMH.1

Entretanto, apesar dessas descobertas, é importante observar o impacto da massa do VE sobre o SLG, infelizmente, não relatado pelos autores. Um estudo anterior desenvolvido por Soufi Taleb Bendiab et al.,2 mostrou que os pacientes hipertensos com hipertrofia do VE apresentaram uma redução do SLG.2 Além disso, no estudo de Lópes-Candales et al.,3 os pacientes com aumento da massa do VE tiveram uma redução significativa o SLG.3 Do ponto de vista mecânico de um modelo cardíaco fisiológico validado pelo ecocardiograma, o volume do tecido cardíaco é constante ao longo do ciclo cardíaco, uma vez que ele é incompressível.4 Desse modo, os pacientes com aumento da espessura do VE apresentariam menor deformação miocárdica longitudinal.3

Uma vez que a população desse estudo foi composta por pacientes portadores de cardiomiopatia hipertrófica com ou sem hipertensão, o cálculo da massa do VE se torna ainda mais importante para relatar uma análise multivariada e mensurar o impacto desse importante fator confundidor nas conclusões do estudo.

REFERÊNCIAS

1 Gil TGP, Castier MB, Gondar AFP, Sales AF, Santos M de O, Lima FC da S de, Mourilhe-Rocha R. Strain Analysis of Left Ventricular Function in the Association of Hypertrophic Cardiomyopathy and Systemic Arterial Hypertension. Arq Bras Cardiol. 2019;113(4):677-684.
2 Soufi Taleb Bendiab N, Meziane-Tani A, Ouabdesselam S, Methia N, Latreche S, Henaoui L, et al. Factors associated with global longitudinal strain decline in hypertensive patients with normal left ventricular ejection fraction. Eur J Prev Cardiol. 2017;24(14):1463-72.
3 López-Candales A. Automated functional imaging for assessment of left ventricular mechanics in the presence of left ventricular hypertrophy. Echocardiography. 2014;31(5):605-14.
4 Ghosh E, Shmuylovich L, Kovács SJ. Vortex formation time-to-left ventricular early rapid filling relation: model-based prediction with echocardiographic validation. J Appl Physiol. 2010;109(6):1812-9.