O tratamento atual da fibromialgia

O tratamento atual da fibromialgia

Autores:

José Oswaldo de Oliveira Júnior,
Mauro Brito de Almeida

ARTIGO ORIGINAL

BrJP

versão impressa ISSN 2595-0118versão On-line ISSN 2595-3192

BrJP vol.1 no.3 São Paulo jul./set. 2018

http://dx.doi.org/10.5935/2595-0118.20180049

INTRODUÇÃO

A fibromialgia (FM) é uma síndrome idiopática, ou seja, de etiologia desconhecida. Sua principal característica é a dor crônica generalizada. A sua distribuição populacional é predominantemente feminina.

A dor da FM não é devida a um aumento da estimulação dolorosa detectada. Também não é secundária à uma lesão ou doença que acomete o sistema nervoso somático-sensitivo, e desse modo é classificada como um tipo de dor disfuncional. Parece estar associada à disfunção do sistema nervoso central (SNC) que confere uma insuficiência aos mecanismos supressores da dor.

Antes mesmo da consagração da FM pela Sociedade Americana de Reumatologia, em 1990, Goldenberg1 já estabelecia que o diagnóstico daquela, então condição emergente e até hoje controversa, seria feito pela exclusão das demais síndromes que evoluem com dores difusas.

A FM, nos dias de hoje, é considerada uma condição bastante frequente (prevalência média de 2% na população geral mundial), dispendiosa e, sobretudo, ainda controversa2.

O melhor tratamento de qualquer dor é aquele que debela sua causa3. No caso da FM, sua condição criptogenética ou primária impede o desejável tratamento etiológico.

Os sintomas incluem além da dor (espontânea, difusa concomitante e/ou itinerante, presença de hiperalgesia e/ou alodínia, modificada pela condição emocional), redução da força e/ou desempenho muscular, fadiga, rigidez, estresse elevado, depressão, ansiedade, vigilância exagerada, transtorno da redução da atenção, sono não reparador, entre outros.

O caráter sindrômico da FM, cujas manifestações clínicas não têm causa conhecida, mas sim a implicação de diversos fatores em sua fisiopatologia, tem como consequência a ausência de exames diagnósticos objetivos e de tratamento específico.

A compreensão incompleta da fisiopatologia da FM impele à adoção de opções focadas no gerenciamento e controle de sintomas para melhorar a função e a qualidade de vida (QV) de seus portadores e não nas causas subjacentes4-6.

O conhecimento acumulado acerca desta doença possibilitou o desenvolvimento de estratégias terapêuticas de aplicação multidisciplinar e multiprofissional, embora, permaneçam ainda, insatisfatórias.

INTERVENÇÕES FARMACOLÓGICAS

O tratamento farmacológico permanece como elemento comum na maioria dos casos de FM7. Diversos fármacos já foram empregados para o controle dos sintomas da FM. Os antidepressivos provavelmente são os mais utilizados no tratamento de manutenção. Entre os tricíclicos, a amitriptilina é o fármaco que reúne mais informação na literatura, inibe a recaptação tanto de noradrenalina como de serotonina, o que em sistemas moduladores descendentes gera analgesia central. Seu nível de recomendação entre diretrizes é elevado, com tendência a se orientar doses abaixo de 50mg/dia com melhora não somente da dor, como de fadiga e sono8. O perfil de efeitos adversos, incluindo ganho de peso, sonolência exagerada e possíveis alterações de conteúdo de consciência, sobretudo em idosos, tendem a ser os maiores obstáculos ao uso regular da amitriptilina, uma vez que possui baixo custo e posologia cômoda.

A ciclobenzaprina, possui uma estrutura semelhante à amitriptilina, o que lhe classifica também como tricíclico. No entanto, não é conhecida por ter efeitos antidepressivos9. Está disponível em países como Estados Unidos, Canadá e Brasil, mas não em outros como o Reino Unido. A ciclobenzaprina foi, inicialmente, lançada como um fármaco com efeito antipsicótico; e, atualmente, sua prescrição mais frequente tem como indicação a de relaxante muscular de ação central. Uma meta-análise do uso desse fármaco em pacientes com FM relatou que leva à melhora sintomática em um em cada cinco pacientes10. Os efeitos adversos comumente associados ao uso de ciclobenzaprina são semelhantes aos da amitriptilina. Doses de 1 a 4mg à noite demonstraram melhorar o sono8.

A amitriptilina e a ciclobenzaprina são recomendadas no tratamento da FM nas diretrizes de 2016 da Liga Europeia Contra o Reumatismo (European League Against Rheumatism ou EULAR)11 e da Sociedade Canadense de Dor (Canadian Pain Society ou CPS)8, de 2013.

Os inibidores da recaptação de noradrenalina e serotonina, também conhecidos como inibidores duais, de modo similar aos tricíclicos, produzem analgesia central por ação em vias nervosas inibitórias descendentes. De modo geral, apresentam melhor tolerabilidade e perfil de efeitos adversos que os tricíclicos.

A duloxetina é o fármaco desse grupo que apresenta melhor evidência de eficácia para o tratamento da FM, habitualmente em dose de 60mg/dia, especialmente quando há morbidade depressiva associada, acompanhada ou não de ansiedade12.

Em que pese a existência de indícios da participação da serotonina na fisiopatologia da FM, inclusive sendo sua recaptação fator comum de pelo menos parte da ação das classes de antidepressivos já descritos, os inibidores seletivos apenas da recaptação da serotonina, muito utilizados em passado recente no tratamento da FM, não encontram amparo para o controle dos sintomas da síndrome em diretrizes atuais13,14. Apresentam eficácia similar ao placebo, no entanto podem ser usados para tratamento de morbidade psiquiátrica associada, no contexto da FM8.

Além da duloxetina, outro antidepressivo dual, o milnaciprano, um inibidor seletivo de recaptação igualitário de serotonina e noradrenalina, também contribui no tratamento dos fibromiálgicos com a redução da fadiga e sintomas depressivos15-17.

O milnaciprano foi considerado útil nos pacientes que se queixavam também de dificuldades cognitivas18,19. Os efeitos variados dos duais em pacientes que sofrem por FM são consistentes com suas diferenças farmacológicas que incluem o efeito noradrenérgico superior do milnaciprano em relação ao da duloxetina. Outra diferença entre esses dois duais reside no metabolismo, que na duloxetina depende da via do citocromo P450 2D6, assim como de uma parcela próxima aos 25% dos outros fármacos comumente utilizados na prática clínica, conferindo uma boa chance de interação. Tal interação farmacológica é agravada pelas possíveis variações genéticas e respectivos polimorfismos do citocromo. O milnaciprano não é metabolizado pela referida via, seu metabolismo é mais previsível e sem tanta possibilidade de interação20.

Embora ambos os fármacos tenham bom perfil quanto aos seus efeitos adversos, diferenças importantes podem ser experimentadas por usuários portadores de FM21,22.

Entre os anticonvulsivantes, a pregabalina e a gabapentina são os mais usados. Em que pese ambas possuírem similaridade estrutural com o neurotransmissor ácido gama-aminobutírico (GABA), não possuem ação nessa via, mas sim em canais de cálcio voltagem-dependentes7,23. Esses anticonvulsivantes se ligam às subunidades alfa2-delta de canais de cálcio. No entanto, persiste desconhecido como eles atuam exatamente para benefício das manifestações clínicas na FM23.

O postulado atual mais aceito sugere que nessa síndrome haveria hiperatividade glutamatérgica que, por sua vez, seria controlada pelo bloqueio de influxo de cálcio em terminais pré-sinápticos por ação da pregabalina26. No tratamento da FM existe variabilidade na literatura quanto a recomendações desses fármacos. Cooper et al.27 consideraram escassa a evidência de benefício da gabapentina em doses entre 1200 e 2400mg/dia na terapia antálgica para a FM em comparação ao placebo, embora a maioria dos pacientes tenham referido sensação de melhora global. Ao passo que existem evidências de melhora da dor, sono e atividades gerais obtidas quando os portadores de FM utilizam pregabalina em doses diárias entre 300 e 600mg/dia, que foram significativamente superiores aos que receberam placebo7,23-25.

Ambos os fármacos gabapentinóides costumam ser bem tolerados, em geral tontura e sonolência são os efeitos adversos mais relatados23,27. Quando comparados, a pregabalina possui absorção três a quatro vezes mais rápida, e maior biodisponibilidade28,29. A gabapentina apresenta situação de saturação de absorção, o que não ocorre com a pregabalina que apresenta uma cinética linear29. A administração da pregabalina é mais cômoda, necessitando intervalos maiores de tempo entre as doses; suas doses são menores que as da gabapentina e destarte se associam a menos efeitos adversos29-32. Quando o efeito analgésico é analisado, o decorrente do uso da pregabalina é mais intenso que o da gabapentina29,33,34. Ao contrário da gabapentina cuja indicação para alívio dos sintomas fibromiálgicos sempre ficou fora da bula, a partir de meados de 2007, os níveis de evidência científica permitiram à pregabalina ser o primeiro fármaco aprovado para o tratamento dos portadores de FM nos Estados Unidos da América35.

Apesar da ação em vias inibitórias descendentes ser decisiva na eficácia do tratamento farmacológico da FM, curiosamente os opioides, de modo geral, não têm boa eficácia no tratamento dessa síndrome. Isso pode ser explicado, pelo menos em parte, pela baixa atividade opioide e paucidade de receptores mu em vias nociceptivas moduladoras descendentes em portadores da doença36,37.

A inibição dos sistemas facilitadores e/ou incremento de sistemas facilitadores da dor são frequente e repetidamente relatados em pacientes que se queixam de dor persistente em que ocorre sensibilização central, como os portadores de FM. No entanto, os efeitos exatos dos opioides prescritos com frequência na modulação central da dor ainda são desconhecidos38.

O aumento da atividade opioide endógena foi observada no SNC de pacientes com FM, e pode, de alguma maneira, estar relacionado a uma forma de hiperalgesia induzida pelo opioide39. O uso de um antagonista do receptor opioide como a naltrexona para bloquear a liberação de opioides endógenos tem sido proposto como uma estratégia de tratamento eficaz em pacientes fibromiálgicos40. Em estudo duplamente encoberto, randomizado e controlado com placebo em pacientes com FM, a naltrexona em baixa dose (4,5mg/d) reduziu a dor e melhorou o humor, mas não alterou a fadiga e o distúrbio do sono40.

Os efeitos benéficos observados com baixas doses de naltrexona em fibromiálgicos têm sido explicados pelo envolvimento do antagonismo à microglia, além de bloquear a liberação de opioides endógenos. Os fatores pró-inflamatórios liberados no SNC pela microglia, que parecem estar anormalmente sensibilizados na FM, podem levar à facilitação central do processamento da dor31. Esses resultados são encorajadores e promissores para o uso de baixas doses de naltrexona como um tratamento da FM. No entanto, mais estudos são necessários para identificar o valor desses mecanismos de ação, particularmente em relação às células da glia.

Um opioide fraco, como o tramadol, demonstra maior eficácia que os demais opioides no controle da dor na FM. Possivelmente por apresentar atividade de inibição de recaptação de aminas além de ser agonista mu7,42. Diretrizes de tratamento dessa condição recomendam o uso desse analgésico, entretanto é importante levar em consideração a tolerância e taquifilaxia comumente associadas a seu uso prolongado8,14.

Anti-inflamatórios não hormonais apresentam indicação bastante reduzida na FM33. Podem ter alguma utilidade, preferencialmente em baixas doses e por curtos períodos, em condições reumatológicas eventualmente associadas8.

Analgésicos comuns também não possuem recomendação de uso para a FM43. Todavia, alguns, como o acetaminofeno, em alguns estudos, mostraram indícios de ação central, inclusive em sistema canabinóide endógeno44. Fármacos com essa propriedade recentemente ganharam interesse por seu potencial de melhora do sono, dor e apetite. Algumas diretrizes sugerem a possibilidade de seu uso no caso de dissonia concomitante8. Outras não o recomendam, apontando necessidade de pesquisa mais aprofundada na matéria e preocupação com o risco de abuso14.

Os canabinóides foram propostos como fármacos úteis no tratamento da síndrome fibromiálgica pelo seu envolvimento na regulação do processamento da dor e do estresse crônico. Dois canabinóides, a nabilona (na dose de 0,5 a 1,0mg/dia) e o dronabinol (uma forma sintética de delta-9-tetrahidrocanabinol ou THC; na dose de 7,5mg/dia) reduziram significativamente os níveis de dor, depressão e ansiedade em portadores de FM, proporcionando-lhes melhora significativa na QV45-47.

A incidência de efeitos adversos e as taxas de abandono de até 25% durante os ensaios clínicos sugerem que o uso clínico de nabilona e dronabinol pode ser limitado45-47.

Acredita-se que os metabólitos hepáticos do primeiro metabolismo dos canabinóides sejam responsáveis pelos efeitos psicotrópicos. A entrega transdérmica do éster do ácido D-glicérico de THC, ZYN001, evita o metabolismo hepático de primeira passagem e leva a uma rápida hidrólise pelas esterases na pele ao THC48,49. A avaliação da aplicação transdérmica de ZYN001 em pacientes com FM deve fornecer um melhor perfil de tolerabilidade para um canabinóide48,50-52.

Na FM, os níveis do protótipo de substância algiogênica, a neurocinina, conhecida como substância P, são elevados no líquido cefalorraquidiano39. No entanto, quando testados, antagonistas dos receptores de neurocinina em ensaios clínicos em FM e em outras situações de dor crônica, falharam em demonstrar a eficácia ou forneceram resultados inconsistentes53. A ação da capsaicina nas subunidades tipo 1 dos receptores vaniloides (TRPV1), localizadas nos nociceptores periféricos, causa liberação de substância P. Essa neurocinina faz parte de um conjunto mais amplo de substâncias algiogênicas e pró-inflamatórias secretadas pelo neurônio pseudounipolar em suas duas extremidades (nociceptora periférica e medular central). A liberação inicial corresponde a um aumento do desconforto, com aumento nítido de inflamação neuromediada (neurogênica) na periferia e aumento presumido de sensibilização no SNC. No entanto, com o tempo, os processos nociceptivos são dessensibilizados devido à depleção das substâncias referidas, incluindo a chamada substância P54,55.

Na dependência da dose e tempo de exposição, a capsaicina pode causar desde disfunção temporária, degranulação, degeneração hidrópica, degeneração hialina, até necrose neuronal; destarte, nos dias atuais, a capsaicina é considerada um neurotóxico de fibras finas.

Pacientes com FM refratária a outros tratamentos mostram redução nos valores das escalas de intensidade de dor, aumento significativo dos limiares para estímulos dolorosos, melhora do humor e da sensação de fadiga, quando submetidos ao tratamento tópico com capsaicina em concentrações de 0,075% aplicadas 3 vezes ao dia durante 6 semanas)56. Embora a escala analógica visual (EAV) de intensidade da dor não tenha sido significativamente alterada neste estudo, o impacto da síndrome nos portadores, conforme determinado pelo questionário de impacto da FM, foi reduzido, levando a uma melhoria de curto prazo. Esses resultados são compatíveis com a modulação induzida pela capsaicina nos neurônios pseudounipolares que atingem desde a periferia como o SNC, modificando a somatória final da ativação e inibição de vários dos mecanismos responsáveis pelos sintomas da FM.

Os receptores N-metil D-Aspartato (NMDA) do glutamato, particularmente aqueles localizados na região posterior da substância cinzenta da medula espinhal, são fundamentais na transmissão nociceptiva e na plasticidade sináptica e, portanto, são considerados um alvo para o tratamento das dores neuropática e disfuncional57. Nos pacientes que sofrem de FM foram detectados níveis elevados de glutamato nas principais áreas de processamento de dor do cérebro, que evoluem com redução significativa concomitantemente ao tratamento que atenua a dor58,59.

Os antagonistas dos receptores NMDA como cetamina, dextrometorfano e memantina, mostraram eficácia em portadores de FM, o que corresponde a uma atenuação do aumento da atividade glutaminérgica53.

A memantina, em estudo randomizado, duplamente encoberto controlado por placebo, provocou uma redução significativa na dor e melhorou a avaliação da QV, mas não forneceu benefícios contra o estado cognitivo e a depressão em portadores fibromiálgicos50. Esses pacientes que receberam memantina também mostraram um aumento do metabolismo cerebral com uma correlação entre os valores de impacto da síndrome em seus portadores colhidas por questionário e os níveis de colina na ínsula posterior60.

Na prática, o uso de antagonistas de NMDA, como a memantina, é limitado devido ao perfil de efeitos adversos desses fármacos não bem tolerados pelos fibromiálgicos. Assim sendo, os benefícios dos anti-NMDA são restritos a apenas um subconjunto de pacientes. Acredita-se que vários efeitos adversos dos antagonistas do receptor de NMDA sejam secundários à modificação na função fisiológica do receptor NMDA no SNC57.

O desenvolvimento de antagonistas específicos do subtipo de receptor de NMDA (por exemplo, NR2A, NR2C, NR2D) que mantivesse a função fisiológica enquanto suprimisse a atividade aumentada das vias glutamatérgicas poderia oferecer uma abordagem de tratamento preferencial para a FM. Os alvos terapêuticos seriam os pontos responsáveis pelos mecanismos que regulam a atividade do receptor NMDA, tais como locais de fosforilação e as enzimas relacionadas, como as quinases interagentes (caseína quinase 2, Src¬NADH desidrogenase, entre outras), ao invés dos ionóforos, e poderiam oferecer uma abordagem alternativa para melhorar a janela terapêutica57.

Os níveis de expressão dos mecanismos reguladores do sinal da função do receptor NMDA foram aumentados nos neurônios da medula espinhal em um modelo de FM em camundongos, onde a hiperalgesia foi induzida por injeção intramuscular de solução salina ácida59. Os efeitos analgésicos nesse modelo animal foram associados à redução da sinalização do receptor NMDA, resultado que pode representar um novo alvo terapêutico para FM61. A contribuição da atividade do receptor NMDA nos sintomas da FM também tem sido relacionada à eficácia dos fármacos gabapentinóides. O tratamento com pregabalina diminuiu a atividade glutamatérgica na ínsula de pacientes com FM62, apoiando ainda mais a contribuição da atividade glutamatérgica para a fisiopatologia dos sintomas da síndrome fibromiálgica e destacando a modulação como uma abordagem terapêutica de interesse.

A melatonina (N-acetil-5’-metoxitriptamina) e os novos análogos da melatonina exibiram propriedades analgésicas, além de regular o sono de forma consistente com o uso potencial como abordagem terapêutica de condições de dor crônica, como a FM63. A intensidade da dor, o número de pontos dolorosos, a qualidade do sono, a depressão e a ansiedade foram significativamente melhorados pela melatonina (3 ou 5mg na hora de dormir) em estudos com FM64,65.

Estudos envolvendo a terapia combinada de melatonina e amitriptilina demonstraram melhora superior dos sintomas em relação à amitriptilina isoladamente, mas não ao tratamento isolado da melatonina54. Assim, os componentes noradrenérgicos e serotoninérgicos do sistema endógeno descendente de modulação da dor parecem ser melhorados pela estimulação concomitante dos receptores melatoninérgicos, o que sugere que a anormalidade do sistema melatoninérgico também pode desempenhar um papel na patogênese da FM. Corroborando essa teoria, a agomelatina, um análogo da melatonina com antagonista do receptor melatoninérgico que possui propriedades antagonistas do receptor 5-HT2C da serotonina, mostrou alívio dos sintomas dolorosos, e melhora da depressão e da ansiedade, mas não conseguiu melhorar a qualidade do sono em pacientes fibromiálgicos66,67.  

INTERVENÇÕES NÃO FARMACOLÓGICAS

A complexidade da síndrome fibromiálgica inclui fatores psicológicos, sociais e biológicos que requer uma abordagem biopsicossocial, preferencialmente concomitante, não consecutiva68. Como consequência, frequentemente são associados aos fármacos de praxe, tratamentos não farmacológicos como acupuntura, biofeedback, terapias cognitivo-comportamentais, terapia corpo-mente, terapia mente-plena, massagem, exercício, hidroterapia, oxigenoterapia hiperbárica, ozonioterapia, estimulação magnética transcraniana, entre outras.

A técnica milenar da acupuntura parece mais efetiva em benefício de dores agudas que em crônicas, e consegue reduzir a intensidade dolorosa em várias condições crônicas, incluindo a FM69. A acupuntura reduz a inflamação, libera opioides endógenos e reduz a ansiedade. Os efeitos analgésicos da acupuntura podem estar associados ao aumento do teor de adenosina metabolizada a partir do trifosfato de adenosina (ATP) que ativa os receptores A1 de adenosina.

O ATP foi bem estabelecido como fonte de energia intracelular há muitos anos. O conceito de sinalização purinérgica foi introduzido, em 1972, sugerindo que o ATP também pudesse agir como um agente extracelular de sinalização70. No entanto, esse conceito foi rejeitado, aproximadamente por duas décadas, até que o desenvolvimento tecnológico possibilitasse a clonagem e caracterização dos receptores de ATP e de produtos de sua decomposição no início dos anos 1990. Assim, a partir de então, o conceito foi aceito e a sinalização purinérgica, atualmente, é considerada um campo em rápida expansão71. Fármacos relacionados com os receptores purinérgicos estão sendo desenvolvidos para tratar uma variedade de doenças e situações de risco (trombofilia, incontinência urinária, xerostomia, fibrose cística, osteoporose, dor e câncer)72. O envolvimento da sinalização purinérgica nos efeitos benéficos da acupuntura fertilizaram o campo e levaram a uma intensificação da pesquisa sobre os agora chamados acupurinos73-75.

Nos pacientes com FM, a acupuntura ofereceu pouca melhora na dor e na fadiga69.

As intervenções intituladas como terapias comportamentais ou psicocomportamentais, psicológicas ou psicoterápicas, são métodos não invasivos úteis no tratamento da dor. O biofeedback é um método psicofísico, um dos ramos de investigação científica da conexão corpo-mente, tendo como vetor que se inicia do corpo. A psicofisiologia é definida como o campo de estudo que examina as relações entre as atividades mentais e funções físicas. Interessa-se pelas características mentais que afetam o corpo, assim como as experiências das informações corporais e as alterações induzidas nele pelas emoções76. A psicofisiologia aplicada é disciplina que se utiliza dessas informações para propósitos práticos, especialmente a investigação do controle das funções corporais e problemas de saúde, incluindo o mental. Psicoterapias e terapias corpo-mente, incluem além das técnicas de biofeedback (já mencionada), mente-plena (em que os processos mais psicológicos são acessados e modulados para depois aproximar com a sensibilidade e outras sensações provenientes do corpo), relaxamento, incorporam estratégias para melhorar o bem-estar psicológico e físico76.

As intervenções psicoterápicas do tipo mente-corpo e de predomínio mental foram sugeridas para melhorar o funcionamento, a dor e o humor. Porém, devido à inconsistência na concepção e no delineamento dos ensaios clínicos e demais tipos de estudos, a qualidade de evidência ainda persiste baixa77. As psicoterapias cognitivo-comportamentais podem ser benéficas em reduzir a intensidade da dor por até 6 meses, melhorar o humor negativo e reduzir a incapacidade de portadores de FM. Recentemente, diretriz europeia mostrou que o biofeedback foi eficaz na redução da intensidade da dor, apesar de todos os ensaios serem de baixa qualidade. Não houve evidência de eficácia em termos de fadiga ou sono e a análise de subgrupos sugeriu que qualquer efeito foi limitado à eletromiografia em vez de biofeedback eletroencefalográfico11,78.

As terapias cognitivo-comportamentais são importantes no tratamento de dores crônicas, e, no caso da síndrome fibromiálgica não é diferente. As dores crônicas parecem ser influenciadas pelos processos de aprendizagem e memória, sugerindo que o tratamento pode ser focado também na alteração desses itens. Os métodos comportamentais e cognitivos, ou uma combinação entre eles, são especialmente adequados para esse propósito, pois podem modular especificamente as alterações na função cerebral ou na química do cérebro, presentes em uma condição de dor específica, enquanto os tratamentos farmacológicos agem de maneira mais inespecífica. O treinamento comportamental operacional visa especificamente situações em que as queixas são associadas a valores elevados de intensidade da dor. Os objetivos do treinamento cognitivo são: diminuir os comportamentos de dor em um esforço para extingui-la; aumentar os níveis de atividade e comportamentos saudáveis relacionados ao trabalho, lazer e família; redução e manuseio de fármacos; e, mudar o comportamento de outras pessoas significativas79. O objetivo geral é reduzir a incapacidade diminuindo a dor, e aumentando os comportamentos considerados saudáveis. Para evitar o aprendizado de reforço negativo, o fármaco é trocado de um contingente de dor para um cronograma de tempo fixo, onde o fármaco é administrado em determinados momentos do dia. O aprimoramento da atividade e a redução da inatividade e da invalidez serão direcionados com princípios semelhantes. Estudos mostraram a eficácia desse treinamento em pacientes com FM, bem como outras síndromes dolorosas80-82, e é especialmente eficaz na redução dos comportamentos de dor. Depois de um tratamento comportamental operante na FM, foi relatada uma mudança de um processamento motivacional emocional da dor experimental para um processamento discriminativo mais sensitivo82. Houve uma estreita correlação entre o efeito do treinamento e a resposta cerebral para os estímulos experimentais da dor.

O modelo cognitivo-comportamental da dor crônica enfatiza o papel dos fatores cognitivos, afetivos e comportamentais no desenvolvimento e manutenção da dor crônica83. O treinamento cognitivo-comportamental modifica a dor e evita comportamentos, cognições e emoções para reduzir sentimentos de desamparo e falta de controle com o objetivo de estabelecer um senso de controle sobre a dor. Várias técnicas são ensinadas aos pacientes para lidar com episódios de dor, como reestruturação cognitiva, estratégias de enfrentamento da dor e técnicas de relaxamento e imagética. O manuseio cognitivo-comportamental da dor tem se mostrado um tratamento muito efetivo para a dor crônica, incluindo a FM84. Considerando que o tratamento operante especialmente reduz os comportamentos de dor e também a sua intensidade, a terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem um efeito especial sobre os aspectos afetivos e cognitivos da dor81. O TCC parece alterar o processamento encefálico da dor por meio de conexões alteradas entre sinais de dor, emoções e cognições, o que leva a um maior acesso a regiões executivas para a reavaliação da dor85.

As funções reconhecidas como cerebrais superiores podem exercer, sobre a rede neuronal a elas subordinadas, influências que modificam as de maior saliência. A percepção dolorosa surge através de uma interação entre a aferência sensitiva e o conhecimento prévio. Provavelmente, pelo menos duas áreas cerebrais são necessárias para tal interação: o local onde ocorre a análise dos sinais aferentes e a que aplica o conhecimento prévio relevante. No cérebro humano, as imagens funcionais demonstradas desde a última década do século XX, demonstraram que a atenção seletiva modifica a atividade em áreas de processamento visual precoce, especificamente para o recurso assistido. As áreas iniciais de processamento também são modificadas quando o conhecimento prévio permite emergir de um estímulo sem sentido. Fontes dessa modificação foram identificadas nos córtices parietal e pré-frontal. A modificação das áreas iniciais de processamento também ocorre com base em conhecimento prévio sobre os efeitos sensitivos previstos das próprias ações do sujeito. A atividade associada à imagem mental se assemelha à associada à preparação da resposta (para imagens) e atenção seletiva (para imagens sensitivas), sugerindo que as imagens mentais refletem os efeitos de conhecimento prévio sobre as áreas de processamento sensitivo na ausência de sensibilidade ortodrômica normal. Lesões em áreas de processamento sensitivo podem levar a uma forma de alucinação sensitiva que parece surgir da interação do conhecimento prévio com a atividade sensitiva aleatória. Contraposição a esta situação ocorre em alucinações associadas à esquizofrenia que podem surgir de uma falha de conhecimento prévio sobre as intenções motoras de modificar a atividade em áreas sensitivas relevantes. Quando funciona normalmente, esse mecanismo permite distinguir nossas próprias ações das ações independentes de agentes no mundo exterior86. Utilizando mecanismos moduladores descendentes que respeitam uma hierarquia funcional de submissão com vetor neocórticofugal, conhecida em inglês como efeito “top-down”.

Muitos pacientes portadores de FM são fisicamente descondicionados e, portanto, podem obter, de programas de atividade física que envolvem a ativação de condições analgésicas endógenas, incremento da sensação de bem-estar e melhora da QV87. Em ensaios de exercício aeróbico e resistência, a melhora do treinamento em dor, da função física e do bem-estar foi observada88. O exercício terrestre ou aquático foram considerados como igualmente eficazes, no entanto, em pacientes descondicionados, o exercício em ambiente aquático pode ser particularmente valioso88,89.

A oxigenoterapia hiperbárica e a ozonioterapia podem induzir mudanças neuroplásticas proporcionando que células remanescentes após lesões isquêmicas voltem a assumir funções antigas ou até iniciem novas, possibilitando a reparação de funções cerebrais cronicamente comprometidas. Também podem mudar para melhor o metabolismo cerebral e respectiva função glial para reduzir os sinais e sintomas de síndromes fibromiálgicas associadas à atividade cerebral anormal90-95.

Estudo de uma população de pacientes portadores de FM submetida à oxigenoterapia hiperbárica resultou em melhora de todos os sinais e sintomas, com mudanças significativas na redução da dor, melhora na avaliação de função e QV96. Embora sejam encorajadoras, as publicações favoráveis, tanto sobre a oxigenoterapia hiperbárica como sobre a ozonioterapia, são carentes em qualidade e ainda insuficientes quanto a fornecerem evidência científica. Ambos os métodos requerem mais e melhores estudos para reconhecê-los como um tratamento eficaz para fibromiálgicos.

Há evidências de que a estimulação magnética transcraniana seja eficaz na redução da intensidade da dor em pacientes com FM, que levou ao uso dessa abordagem de tratamento há pelo menos uma década97. No entanto, outros estudos com o tratamento de fibromiálgicos pela estimulação magnética transcraniana falharam em reproduzir os resultados benéficos obtidos por Hou, Wang e Kang97 questionando a recomendação rotineira desse método98,99.

As dores difusas dos pacientes que sofrem de FM são atribuídas predominantemente a fontes musculares. Doses baixas de fármacos relaxantes musculares (curares) adespolarizantes podem ser utilizadas no tratamento preventivo das dores musculares secundárias aos espasmos transitórios das fibras musculares (fasciculações) observados com os despolarizantes. O uso de curares em doses reduzidas, administradas de modo fracionado, com monitoramento da função motora ocular extrínseca e de deglutição voluntária, promoveu analgesia significativa na maioria dos pacientes fibromiálgicos. A analgesia obtida foi prolongada quando associada a alongamento e realongamento dos músculos envolvidos com as queixas álgicas mais frequentes100.

CONCLUSÃO

O tratamento da FM é individualizado, e exclusivamente sintomático. O objetivo é a redução do sofrimento de seus portadores, a melhora da funcionalidade, e na medida do possível da autonomia pessoal e da QV. A maioria das condutas e recomendações, adotadas e defendidas pelas diretrizes publicadas nos últimos 30 anos, possui muito em comum, porém, não são totalmente congruentes, mostram dinamismo e mudanças conforme as versões se sucedem. Os resultados ainda permanecem insatisfatórios.

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