O uso das conjunções por crianças com desenvolvimento típico de linguagem

O uso das conjunções por crianças com desenvolvimento típico de linguagem

Autores:

Yasmin Alves Leão Glória,
Letícia Pessota Hanauer,
Fernanda Marafiga Wiethan,
Letícia Arruda Nóro,
Helena Bolli Mota

ARTIGO ORIGINAL

CoDAS

versão On-line ISSN 2317-1782

CoDAS vol.28 no.3 São Paulo mai./un. 2016 Epub 04-Jul-2016

http://dx.doi.org/10.1590/2317-1782/20162015107

INTRODUÇÃO

A comunicação é indispensável à vida do ser humano, pois é através dela que se podem expressar sentimentos, emoções, desejos e opiniões. A língua consiste em um sistema convencional de símbolos arbitrários e de regras de combinação desses símbolos, representando ideias que se pretendem transmitir por meio dela. Entretanto, as alterações da linguagem constituem o problema mais frequente no desenvolvimento infantil, com incidências que variam entre 2% e 19% na literatura(1).

O desenvolvimento da linguagem processa-se de um modo previsível ao longo das diversas etapas do desenvolvimento psicomotor, e a sua avaliação deve ser parte integrante do desenvolvimento de todas as crianças. A detecção precoce das alterações da linguagem é fundamental, pois permite a orientação a equipes especializadas de intervenção, preferencialmente na idade pré-escolar.

É importante conhecer como ocorre o desenvolvimento típico para, então, identificar quando este o deixa de ser e se torna um desenvolvimento desviante e/ou patológico.

Alguns autores consideram que o início do desenvolvimento típico de língua surge quando a criança constrói frases de forma simples e que, embora consistam de duas orações, contêm apenas uma proposição única e pouca marcação gramatical(2,3). Posteriormente, a criança já é capaz de usar orações coordenativas e, mais tarde, subordinativas. Assim, começam a surgir as conjunções aditivas, que expressam relações temporais, causais e ideias contrárias, e aos três anos de idade a criança já as utiliza de forma flexível, pois compreende as regras sintáticas(3,4).

Dos elementos gramaticais, as conjunções são responsáveis por conectar orações ou termos de mesma função sintática, sendo classificadas como significado relacional abstrato(4). Mesmo sendo uma classe gramatical complexa, aos três anos de idade a criança já possui recursos lexicais de abstração suficientes para utilizá-las de forma flexível(5). Sua aquisição tem início pelas conjunções coordenativas e, posteriormente, pelas conjunções subordinativas.

Crianças da faixa etária que vai de um ano e seis meses a quatro anos e seis meses, começam a apresentar a expansão gramatical, incluindo as aquisições gramaticais. A partir de um ano e seis meses até os três anos de idade, ocorre um alargamento na produção de enunciados, incluindo os artigos determinados, algumas preposições, pronomes de primeira, segunda e terceira pessoa, os advérbios de lugar e as conexões entre sentenças(6,7).

Sendo assim, a partir dos três anos, a criança já produz orações complexas unidas por conjunções e forma orações coordenadas e subordinadas, nas quais as coordenadas surgem primeiro. Inicia, em seguida, o uso de distintas categorias, como, adjetivos, pronomes, advérbios e preposições, segundo estudo realizado na língua espanhola(6).

Outros autores(3,7,8) acreditam que as crianças, a partir dos 3 anos de idade, usam mais conectivos que expressam coerência espacial de sequência temporal e da maioria dos marcadores de conectividade, como as conjunções, que são utilizadas inicialmente. Assim, para uma narrativa bem formada, tanto em termos de coesão quanto em termos de coerência, o uso de conjunções é importante para que se desenvolvam as habilidades semântico-pragmáticas, ou seja, a capacidade de usar as palavras de conteúdo corretamente para descrever os eventos de forma adequada(9).

Neste estudo, será avaliada a faixa etária de três anos, pois as autoras acreditam que crianças de três anos já estariam aptas a utilizar as conjunções, uma vez que conseguem sair do concreto para então chegar ao abstrato.

Desse modo, para a prática clínica, a avaliação de seu uso é importante para observar quais os fenômenos que caracterizam o uso das palavras durante o período de desenvolvimento lexical nos anos pré-escolares(10,11) e detectar possíveis atrasos de linguagem como o distúrbio específico de linguagem (DEL), visto que as conjunções são sempre mais escassas nas produções orais dessas crianças(10,12,13). Isso pode ser justificado devido ao seu uso não envolver apenas a compreensão de regras sintáticas, mas também a organização de ideias e o estabelecimento de relações temporais e causais(3).

A importância deste estudo está voltada para o conhecimento de aspectos lexicais, sintáticos, de organização temporal e de ideias em crianças na faixa etária estudada e saber as implicações destes para a prática clínica. Visto que as conjunções têm por função conectar as palavras e frases por meio de relações de dependência e interdependência, é preciso que o falante seja capaz de dominar as habilidades morfossintáticas da língua para conseguir utilizá-las de forma coerente(8). Já que muitos estudos mostram que há uma relação direta entre a produção oral de narrativas e o uso desta classe gramatical, se fez a importância desta pesquisa, para notar a complexidade da narrativa das crianças e detectar possíveis atrasos na linguagem oral.

Com base no exposto, o objetivo do presente estudo foi verificar o uso das conjunções na fala espontânea de crianças de três anos de idade com desenvolvimento típico de linguagem em residentes do município de Santa Maria - RS.

MÉTODOS

Esta pesquisa é de caráter transversal, quantitativo e retrospectivo. A amostra estudada foi constituída por 45 crianças do banco de dados do Centro de Estudos de Linguagem e Fala (CELF). O estudo está vinculado a um projeto intitulado “Aquisição fonológica, lexical e padrões de fluência em crianças com desenvolvimento fonológico típico e desviante”, devidamente aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria sob o número 0219.0.243.000-11.

As crianças foram avaliadas em suas escolas nos aspectos auditivos, orofaciais e, especialmente, de linguagem. A partir da assinatura pelos responsáveis do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, as crianças foram autorizadas a participar da pesquisa.

Os critérios de inclusão na pesquisa foram os seguintes: assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE), sujeitos entre a faixa etária (1 - 3: 0; 0 a 3: 3; 29); (faixa etária 2 - 3:4;0 a 3:7:29) e (faixa etária 3 - 3:8;0 a 3:11:29) (anos: meses;dias) na data da coleta, ser membro de uma família monolíngue falante do PB e apresentar desenvolvimento típico de linguagem, ou seja, a criança ter iniciado a produção das primeiras palavras, frases e enunciados dentro do período esperado para o desenvolvimento da linguagem, bem como o desenvolvimento neuropsicomotor. E os critérios de exclusão: apresentarem perda auditiva, comprometimento neurológico, emocional e/ou cognitivo, detectável por meio de observação, a presença de alterações motoras orais e estarem realizando ou terem realizado fonoterapia previamente à intervenção pretendida.

Para os pais, foi entregue um questionário com perguntas relacionadas à gestação, parto, histórico clínico, desenvolvimento linguístico (balbucio e surgimento das primeiras palavras, frases) e aspectos gerais sobre a dinâmica familiar.

Na avaliação orofacial, foi utilizado o protocolo “Avaliação Miofuncional Orofacial com Escores – AMIOFE”(14). Esse protocolo tem como finalidade a caracterização das condições musculares e funcionais, como mobilidade, tensão, sensibilidade das estruturas orofaciais, bem como as funções de deglutição, mastigação, respiração e fala, permitindo, com base nos escores, definir não apenas a presença ou ausência de algum distúrbio miofuncional, mas também a graduação deste. Quanto às funções, apenas a respiração foi avaliada no presente estudo, pois se trata de uma triagem.

Para avaliação das praxias, utilizou-se o “Protocolo de avaliação da dispraxia”(15). Neste teste, solicita-se à criança a realização de seis movimentos de lábio, seis de língua, seis de face e seis articulatórios, sendo atribuído um ponto para cada movimento (bucofacial e articulatório) executado corretamente e nenhum ponto (0) para aqueles que não foram executados, permitindo identificar se há alguma alteração bucolinguofacial.

A avaliação da Linguagem oral foi realizada com o “Protocolo de Observação Comportamental”(16), que tem por objetivo sistematizar a avaliação de crianças pequenas quanto ao desenvolvimento das habilidades comunicativas e cognitivas por meio de uma observação comportamental, sendo organizado no sentido de propor uma situação planejada na qual se possa observar a criança durante alguns minutos. Esta avaliação permite compreender a evolução típica do desenvolvimento da linguagem, do simbolismo e a relação entre tais aspectos do desenvolvimento, mas, principalmente, possibilita configurar os níveis evolutivos e modos de funcionamento cognitivo e comunicativo apresentados por crianças com queixas de atrasos ou distúrbios no desenvolvimento.

Os aspectos fonéticos da fala foram examinados por meio do exame articulatório, que tem por objetivo auxiliar na detecção de possíveis alterações fonéticas durante a produção da fala, além do já observado na fala espontânea. Assim, por meio da repetição de palavras, a avaliação permite a obtenção de informações a respeito do nível perceptivo e emissivo do paciente, para concluir se as alterações, se presentes, são devidas à má discriminação auditiva e/ou a uma impossibilidade articulatória, descartando quaisquer alterações de fala nos indivíduos selecionados, pois problemas de articulação podem interferir na percepção correta dos sons produzidos na fala.

A avaliação auditiva constou da Audiometria lúdica condicionada, utilizando-se o audiômetro Interacoustics Screening Audiometer AS208, devidamente calibrado. Foi realizada a pesquisa dos limiares auditivos por via aérea de 500 a 4000 Hz testados a 20 dB NA, para eliminar quaisquer alterações auditivas.

Para a avaliação lexical, realizou-se filmagem da interação livre, realizada individualmente com a criança e com um adulto, geralmente por uma das pesquisadoras, em que se utilizou uma caixa com brinquedos variados do interesse à idade das crianças, durante 15 minutos.

As interações foram filmadas, pela primeira e segunda autora deste artigo, com filmadora da marca Samsung, modelo SMX-C200. Depois da coleta de dados, foi realizada a transcrição dos enunciados da criança e da examinadora. Esta foi feita pela primeira e segunda autora deste artigo. Para a transcrição, utilizou-se o método do consenso (17-18) para as crianças da primeira faixa etária. Neste método, duas julgadoras trabalharam independentes na transcrição e uma terceira julgadora verificou as discrepâncias, havendo a necessidade de concordância entre pelo menos duas das julgadoras. Se não houvesse essa concordância, o trecho era excluído da amostra. Nas duas faixas seguintes verificou-se a confiabilidade entre as transcrições (17). Considerando as duas faixas mencionadas, a concordância foi de 79,6%.

Neste estudo, foram avaliadas as conjunções subordinativas e coordenativas. Assim, as coordenativas se subdividem em Aditivas, Adversativas, Alternativas, Conclusivas e Explicativas. As subordinativas são Integrantes, Causais, Condicionais, Consecutivas, Comparativas, Conformativas, Concessivas, Temporais, Finais, Proporcionais (4). Assim, verificou-se o número e os tipos de conjunções produzidas por faixa etária.

Os dados foram analisados estatisticamente, com o Software R, utilizando-se os testes de Kruskal-Wallis e Wilcoxon a um nível de significância de 5%, ou seja, p<0,05.

RESULTADOS

Os resultados obtidos nesta pesquisa são apresentados em três tabelas. A Tabela 1 refere-se aos números médios de conjunções por faixa etária, com a comparação do uso das conjunções entre as faixas etárias. Observa-se que as crianças da faixa três, obtiveram a maior média. Houve diferença entre a primeira faixa e a segunda, e entre a primeira e terceira faixa.

Tabela 1 Número médio do total de conjunções por faixa etária 

Faixa Média Valor de p.
3:0;0-3:3:29 6,73a 0,032*
3:4;0-3:7:29 11,20b
3:8;0-3:11:29 15,00b

Legenda: *Teste estatístico utilizado: Kruskal-Wallis. Nível de significância: 5%. As letras sobrescritas indicam onde houve diferença – letras iguais indicam ausência de diferença, letras diferentes indicam que houve diferença

A Tabela 2 refere-se aos valores médios do número de conjunções coordenativas por faixa etária avaliada, com a comparação entre as faixas. Observou-se que nas conjunções aditivas não houve diferença estatística significativa. Já nas conjunções adversativas e explicativas houve diferença entre a primeira e a segunda faixa e entre a primeira e terceira faixa.

Tabela 2 Número médio das conjunções coordenativas produzidas por faixa etária 

Faixa Conj. Aditivas Conj. adversativas Conj. explicativas
3:0;0-3:3:29 5,600a 0,467a 0,400a
3:4;0-3:7:29 5,600a 2,533b 1,467b
3:8;0-3:11:29 8,667a 2,200b 1,133b

Legenda: Teste estatístico utilizado: Wilcoxon. Nível de significância: 5%. As letras sobrescritas indicam onde houve diferença – letras iguais indicam ausência de diferença, letras diferentes indicam que houve diferença

A Tabela 3 refere-se aos números médios de conjunções subordinativas por faixa etária avaliada. As conjunções subordinativas utilizadas pelos sujeitos avaliados mostram que as médias das conjunções condicionais, consecutivas, comparativas e temporais não evidenciaram diferença estatisticamente significante entre as faixas. As médias das variáveis das conjunções integrantes apresentou significância estatística entre as faixas 1 e 2 e entre 1 e 3.

Tabela 3 Número médio das conjunções subordinativas produzidas por faixa etária 

Faixa Conj. condicionais Conj. consecutivas Conj. Comparativas Conj. temporais Conj. Integrantes
3:0;0-3:3:29 --- --- --- --- 0,267a
3:4;0-3:7:29 0,067a 0,067a --- 0,133a 1,267b
3:8;0-3:11:29 0,400a --- 0,200a 0,333a 2,067b

Legenda: Teste estatístico utilizado: Wilcoxon. Nível de significância: 5%. As letras sobrescritas indicam onde houve diferença – letras iguais indicam ausência de diferença, letras diferentes indicam que houve diferença

DISCUSSÃO

Na Tabela 1, pôde-se observar que há um número considerável de conjunções nas três faixas de três anos estabelecidas na fala espontânea dos 45 sujeitos avaliados. Isto pode ser explicado, pois crianças com desenvolvimento típico de linguagem utilizam as conjunções desde os dois anos e aprimoram o seu uso com o avanço da idade, tornando-se o uso efetivo aos cinco anos de idade. Desta forma, a criança tem que dominar as regras de estrutura linguística para conseguir compreender e utilizar corretamente o uso das conjunções em sua produção oral(5).

Apenas no final do período telegráfico (18 e 24 meses), surgem as palavras de função gramatical como os artigos (o, a,), advérbios (não, sim, onde, aqui), preposições (para, em cima de), conjunções (que, por que) e ainda as formas flexionadas nas categorias nominais (gênero e número) e nas formas verbais para assinalar pessoa e tempo (9). Conforme pôde ser observado na Tabela 1, o número e o tipo de conjunções aumentaram conforme a idade, isso ocorre porque, no decorrer do desenvolvimento linguístico, a criança aprimora o seu vocabulário, tornando a fala mais rica com o uso tanto de palavras de classe aberta (nomes, adjetivos, verbos, advérbios) quanto de palavras de classe fechada (conjunções, pronomes, determinantes e preposições), para então expressar relações semânticas diferentes(5).

Vale ressaltar que o presente estudo é um recorte da faixa de 3:0 a 3:11:29, pois acredita-se que neste período a criança começa a utilizar as conjunções de forma mais efetiva, já que ocorre um desenvolvimento da sintaxe.

Já na Tabela 2, verificou-se a presença das variáveis aditivas, adversativas e explicativas em todas as faixas. As conjunções aditivas não variam entre uma faixa e outra; as conjunções adversativas e explicativas variam da primeira faixa em relação à segunda e à terceira.

A partir de alguns estudos realizados, espera-se que a aquisição de estruturas coordenativas seja feita desde muito cedo (2-3 anos). Os mesmos estudos afirmam que as conjunções aditivas são adquiridas primeiro e, por apresentarem estrutura fonética mais simples, também são usadas mais frequentemente, a fim de estabelecer interlocuções comunicativas(5-19).

Observando-se as conjunções aditivas, percebe-se que não houve uma diferença significativa entre as faixas, uma vez que estas são as primeiras conjunções a serem produzidas espontaneamente pelas crianças(20). As conjunções coordenativas aditivas são consideradas mais simples e mais comuns no uso da linguagem. Especificamente a conjunção “e”, que é a mais empregada entre as crianças, além de ser mais fácil do ponto de vista semântico, também o é do ponto de vista da fonologia (19). Verifica-se também que as crianças parecem mostrar maior facilidade em compreender e produzir palavras que começam com fonemas já presentes anteriormente em seu inventário fonológico, visto que tanto as palavras de classe aberta quanto palavras de classe fechada podem sofrer influência da fonologia das palavras(8-21).

Na Tabela 3, é possível observar o número de conjunções subordinadas na fala espontânea dos 45 sujeitos avaliados. As conjunções condicionais, consecutivas, comparativas e temporais não evidenciaram significância estatística, pois não aparecem em todas as faixas. Já as conjunções integrantes variam da primeira faixa em relação à segunda e à terceira, mostrando que a produção dessa conjunção se intensifica a partir da segunda faixa.

Relacionando os resultados da Tabela 2 e 3, pode-se inferir que as crianças avaliadas apresentam maior domínio das conjunções coordenativas, o que corrobora outros estudos(3,4-6).

Alguns autores consideram que o início do desenvolvimento típico de linguagem da criança surge quando esta constrói frases de forma simples e posteriormente é capaz de usar orações coordenativas e, mais tarde, subordinativas(3).

Isso se dá por que a criança começa a utilizar as conjunções subordinadas por volta dos quatro anos de idade e aprimoram seu uso por volta dos cinco anos(5). A produção das sentenças que envolvem as conjunções subordinadas abrange habilidades lexicais, gramaticais e fonológicas mais complexas. Devido a isto, a criança precisa ter o domínio das estruturas linguísticas mais simples para posteriormente lidar com questões de complexidade destes elementos que compõem as estruturas subordinadas, para, então, compreender e utilizar essas sentenças em sua produção oral(2).

Os resultados deste estudo permitem ver o surgimento da aquisição da classe das conjunções, importante para o uso da língua portuguesa e sugere que na avaliação fonoaudiológica sejam observados esses elementos gramaticais de acordo com o que é esperado para a faixa etária da criança.

CONCLUSÃO

Analisando-se os dados, conclui-se que a criança, aos três anos de idade, já apresenta um uso gramatical das conjunções, inicialmente com as conjunções coordenativas aditivas, adversativas e explicativas. Já, a partir dos 3:6, começam a surgir as conjunções mais complexas, como as subordinativas. Este estudo contribui para a prática clínica e para pesquisas futuras, sugerindo que é importante observar, durante a avaliação fonoaudiológica, a elaboração de frases mais complexas e com sentido, com elementos gramaticais do tipo conjunções, de acordo com o que é esperado para a faixa etária, pesquisada.

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