Os paulistanos, "ianques do sul", e a "doença moderna", a neurastenia, nas primeiras décadas do século XX

Os paulistanos, "ianques do sul", e a "doença moderna", a neurastenia, nas primeiras décadas do século XX

Autores:

Sebastian Dorsch

ARTIGO ORIGINAL

História, Ciências, Saúde-Manguinhos

versão impressa ISSN 0104-5970

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.21 no.1 Rio de Janeiro jan./mar. 2014 Epub 17-Fev-2014

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702014005000009

ABSTRACT

In a brief period of time the coffee boom, European immigration and the “atlanticization” of various sectors of life saw São Paulo transform from a small village into a thriving Atlantic metropolis. In the early decades of the twentieth century, observers described the city as Yankee City, due to its progress and activity. To what extent does neurasthenia, namely “the most modern and American of disorders”, tally with that image? After analysis of advertisements, scientific books and texts for the dissemination of science, as well as articles in journals, it can be stated that neurasthenia was prevalent and widespread. This work emphasizes the socio-cultural familiarity of São Paulo with the phenomenon of neurasthenia.

Key words: São Paulo (Brazil); neurasthenia; modernity; urban lifestyle; Atlantic history

Em 23 de dezembro de 1900, o New York Times registrava: “São Paulo é chamada a ‘cidade ianque do Brasil’. É uma surpresa para o viajante americano encontrar entre as montanhas do sul do Brasil uma cidade tão pujante, com tanto impulso e atividade local, parecendo sugerir, naturalmente, um caráter americano” (Yankee..., 23 Dec. 1900). 1

Treze anos mais tarde, o mesmo jornal afirmava: “Em São Paulo, os filhos progressistas da terra se descrevem – talvez com mais direito do que em muitos outros casos – como os ‘ianques do Brasil’” (Reyes, 3 Aug. 1913). 2 Outros observadores dessa época também relatavam que São Paulo “desperta a admiração de todos os brasileiros, embasbacados e orgulhosos de terem, também eles, uma cidade “americana”, isto é, imbuída daquele espírito de orgulho, de empreendimento, de ardor, de atividade incessante que falta às antigas capitais brasileiras” (Lombroso-Ferrero, 1981, p.146).

Em 1907, outro viajante relatou saber que São Paulo era “sem contestação, a cidade mais ativa do Brasil... Sem dúvida seu desenvolvimento tem sido algo de muito precoce, digamos, muito americano... acredito que os paulistas são de certa forma um pouco os ianques do sul; venceram todos os obstáculos” (Burnichon, 1981, p.154).

O boom do café das décadas anteriores, a imigração europeia em massa e a atlantização de diversos setores de vida, desde a economia (de exportação), passando pela arquitetura, hábitos de consumo e pela moda até as formas de lazer transformaram, em pouco tempo, o antigo povoado de jesuítas, com vinte mil habitantes em meados da década de 1870, em uma próspera metrópole. Em 1891, após o fim do Império – com sua orientação centralista voltada para a capital, Rio de Janeiro – São Paulo conseguiu concretizar a ambição de supremacia por meio da política do “café com leite”, durante a qual se alternavam no poder as elites de São Paulo (café) e Minas Gerais (leite) (Love, 1980; Dorsch, Wagner, 2007). Em meados da década de 1910, com muita autoconfiança, inseriu-se na bandeira paulista a frase Non ducor, duco (“Não sou conduzido, conduzo”).

Em torno da virada do século XIX para o XX e logo após, historiadores e políticos paulistanos tentaram consolidar em seus discursos a sua cidade como o centro brasileiro do progresso. As reivindicações políticas e econômicas de supremacia deveriam ser fundamentadas e legitimadas de forma histórica e transcendente. Segundo o discurso majoritário, a marca cunhada pelo espaço fazia dos paulistanos uma selecionada “raça de gigantes”, expressão demarcada, já no início do século XIX, pelo naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853), que viajou pelo Brasil. No estudo sociológico Raça de gigantes de 1926, Alfredo Ellis Junior (1926, p.362) interpretou esse termo da seguinte forma: “o planalto paulista é uma região predeterminada ao sucesso e à prosperidade”. Segundo o autor, os bandeirantes, marcados pela fronteira e pelos encontros espaciais, climáticos e culturais, foram os responsáveis pela conquista do território nacional e pela americanização do Brasil. Considerando essa “ideia de pioneirismo de São Paulo” (Brefe, 2005, p.192) em relação ao presente e, sobretudo, ao futuro, apostando em um enorme desenvolvimento econômico, o Rio seria apresentado como “antinação, lugar de atraso”, e “São Paulo, inversamente, como a nação, a locomotiva do progresso que embalava o país rumo a um futuro moderno” (Brefe, 2005, p.190). Na busca do “sentido de identidade” e do “destino de cidade”, o foco, sustentado por essa prosperidade, estava voltado especialmente para o futuro ou nas palavras de Nicolau Sevcenko (2009, p.37): “cortada do passado pelo seu modo de desenvolvimento abrupto, São Paulo, tal como era figurada pelos seus cronistas, aparecia insistentemente refletida num improvável espelho do futuro”. Diante desse panorama, o presente trabalho dissertará sobre concepções existentes na virada do século e como deveria ser a natureza dos paulistanos para poderem construir esse futuro. Exemplificando, tratar-se-á de imagens corporais relacionadas à doença nervosa moderna, a neurastenia.

O médico e eletroterapeuta nova-iorquino George Miller Beard (1839-1883) publicou, em 1869, o artigo “Neurasthenia, or nervous exhaustion” (Neurastenia, ou exaustão nervosa) no Boston Medical and Surgical Journal, aprofundando o tema em 1880, na monografia A practical treatise on nervous exhaustion (neurasthenia) (Um tratado prático sobre exaustão nervosa [neurastenia]) e ainda, em 1881, no volume complementar American nervousness: its causes and consequences (Nervosidade americana: suas causas e consequências). Nesse período, tanto nos EUA quanto na Europa Central, parecia claro que Beard acertava a “sintomatologia da época” com a descrição da “neurastenia”, uma vez que apresentava uma conceitualização médico-mental para os efeitos de sobrecarga psíquica e física provocada pela vida urbana moderna com suas mudanças aceleradas. Até os anos 1920, na literatura, a neurastenia foi predominantemente considerada doença muito frequente e, ao mesmo tempo, sinal de atividade econômico-tecnológica e de progresso, tanto individual como da sociedade em geral.

Durante esse período e paralelo ao relatório médico de Beard, comentaristas e analistas sociais escreveram amplamente sobre o tema do sucesso econômico americano e do estilo de vida dos cidadãos dos Estados Unidos. A temática central desses relatos era o estresse sofrido pelos americanos que eram estereotipados como viciados em trabalho e carentes de tempo livre (Goetz, 2001, p.513). 3

A historiografia também descreveu o fenômeno como “a mais moderna e americana das doenças” (Campbell, 2007, p.III) 4 e fazia dos EUA da época uma neurasthenic nation(nação neurastênica) (Schuster, 2006). Outros, sobretudo contemporâneos alemães e franceses, seguiram essa noção de neurotic nationalism (nacionalismo neurótico) (Gijswijt-Hofstra, Porter, 2001; ver também Radkau, 1998, p.324-338). Portanto, segundo a interpretação de alguns historiadores, nesses países, a doença teria adquirido um caráter gerador de identificação nacionalista.

Na historiografía, a neurastenia foi pesquisada em especial nas citadas regiões do Atlântico Norte, sendo que lá foram constatadas diversas “culturas de neurastenia” (Gijswijt-Hofstra, Porter, 2001). Com relação à América Latina, há mais observações do que estudos sobre o conceito (ver, p. ex., Drinot, 2004; Schmidt, 2007). Rafaela Teixeira Zorzanelli (2009, 2010) publicou artigos sobre neurastenia, focalizando mais o Atlântico Norte, porém muito pouco o Brasil. Já Luiz Fernando Duarte (1986) publicou sua dissertação de mestrado, relacionada ao conceito de nervosismo nas classes trabalhadoras.

O presente trabalho enfatiza São Paulo e a relação sociocultural dos paulistanos com o fenômeno da neurastenia. Neste trabalho, médicos e suas avaliações desempenham um importante papel, sobretudo como discursos sobre a sociedade. Anúncios publicitários, livros científicos e de ciência popular, assim como artigos em jornais e revistas serviram como fontes centrais de pesquisa. Posto que os documentos analisados foram publicados ou escritos em São Paulo, também informam sobre o contexto histórico da doença naquela cidade. Infelizmente os registros sobre pacientes não puderam ser considerados, pois o acervo do Hospital de Juquery (hoje Franco da Rocha), o antigo Manicômio Judiciário de São Paulo, foi totalmente destruído por um incêndio em 2005 – de acordo com Maria C. Pereira Cunha (1986, p.17), ele possuía “uma riqueza surpreendente”, que foi mantida fora do alcance dos historiadores até meados dos anos 1980. 5 Os dados dos “neurastênicos brasileiros, [que] com frequência, viajavam para realização de tratamento com os grandes especialistas na Europa e nos EUA” (Zorzanelli, 2010, p.442) ainda não foram integrados a esta pesquisa. Assim, neste artigo, o foco foi centralizado sobre os debates públicos na imprensa.

Será que a reserva, até agora observada em relação à historiografia sobre o tema, deve-se à falta de importância ou à inexistência da neurastenia na época? A escassez de dados existentes sobre números de pacientes aponta nessa direção: anualmente, entre 1910 e 1917, no Hospital Central da Santa Casa de São Paulo, no âmbito de um contingente geral de 11 mil casos de doenças nas categorias de medicina, cirurgia e oftalmologia, foram tratados apenas entre 27 e 51 neurastênicos – um número ínfimo de casos (Morbidade..., 1912, 1913, 1915, 1917, 1918). Porém, outros materiais pesquisados apontam em outra direção. Assim, em 1913, o médico Augusto Vergely, da cidade de Jaú, no interior de São Paulo, escreveu na revista paulistana Gazeta Clínica, que “a neurastenia, sobretudo a ‘pequena neurastenia’, é uma afecção das mais frequentes em todas as classes sociais”, especialmente a “pequena neurastenia que se encontra a cada passo na clínica corrente tantas vezes passa despercebida” (Vergely, 1913, p.66). 6

Outros até elevaram a neurastenia à doença da época. O doutor Ascanio Villas Boas, inspetor sanitário de São Paulo, expôs na Gazeta Clínica em 1909 que cada época tem suas “formas de nervosidade” específicas: “No nosso tempo de industrialismo e de positivismo científico ... as formas de nervosidade se manifestam muito claramente, denunciando o espírito, o modo de sentir, a mentalidade do tempo atual. São os estados neurastênicos que as caracterizam. A forte concorrência em todos os ramos de atividade, a intensidade da vida cerebral para afrontá-la, a rapidez das comunicações e da transmissão do pensamento, a falta de crenças sólidas para base da conduta, ligadas a predisposição mais ou menos poderosa, influem essencialmente na criação do desequilíbrio mental” (citado em Neves, 2008, p.321). Segundo o inspetor, a aceleração do ritmo e a crescente insegurança da época tornaram a neurastenia uma doença que revelava “a mentalidade do tempo atual”.

Em 1907, o doutor dom Justino, um frade beneditino médico, constatava que: “a neurastenia é um dos assobrosos e mortais perigos do XX século [sic], que estão vindo sobre nós, por trazer tanto prejuízo à vida, à energia e ao trabalho da humanidade” (Justino, 2010, p.395). A declaração de Antônio Austregésilo Rodrigues Lima (1876-1960) do Rio de Janeiro, em meados dos anos 1910, parece, então, estar correta: “com a vida moderna a ‘debilidade nervosa’ se exalta, e os sintomas ansiosos dominam o cômputo das populações das cidades. Acha-se o ‘nervosismo’ tão espalhado que podemos dizer que todo o mundo foi, é, ou será nervoso” (Austregésilo, 1937, prefácio). Nessa obra, a neurastenia era considerada a doença nervosa por excelência.

No entanto, não apenas os médicos avaliavam a situação dessa maneira. A partir da virada do século XIX para o XX, nos jornais paulistanos encontravam-se diversos anúncios publicitários, que se referiam a um grande e diferenciado mercado. Os anúncios exaltavam diversos medicamentos, aparelhagens e métodos de cura. Nesse contexto, uma farmácia promovia um tipo de granulado à base de noz-de-cola, que continha cafeína, contra “neurastenia, fraqueza geral, cansaço físico e intelectual”, declarando ser um “fortificante geral e reconstituinte de primeira ordem” (A Notícia, 13 fev. 1907, p.3). Kola-Werneck era declarado “o mais seguro tônico, contra as moléstias ou excessos que produzem o esgotamento nervoso” (Revista Médica..., 1907, s.p.). Fortificar-se contra o esgotamento nervoso era o tema dominante. Em outro lugar, propagandeava-se um “Vinho Reconstituinte Granado” que “conquistou a preferência da ilustre classe médica”: “o uso deste preparado é o mais racional, sendo um tratamento simultaneamente tônico, estimulante, nutritivo e digestivo, de grande eficácia para combater a anemia, neurastenia, raquitismo, fraqueza… Os seus efeitos benéficos manifestam-se rapidamente pelo aumento do apetite e das forças” (Gazeta Clínica, 1917, s.p.).

Indicações referentes a uma eficácia especial em comparação a outras aplicações bem como alusões a especialistas ou autoridades apontam para uma forte competitividade. “Digestivos Picard” eram indicados “para os nervosos e neurastênicos”, afirmando que “inúmeros atestados que temos comprovam a eficiência destes preparados” (A Cigarra, 1915, s.p.). Um anúncio da “Deschiens (Paris)” ilustrado com uma mulher dizia que “todos os médicos proclamam que vinho e xarope de hemoglobina curam sempre” nos casos de “anemia, debilidade, neurastenia, tísica” (A Cigarra, 1915, s.p.). O “Elixir de Papaina de P. Braga. aprovado pela Inspectoria Geral de Higiene” deveria fazer efeito não apenas nos casos de “anemia”, mas também nos de “debilidade, neurastenia”: “dezenas de atestados dos mais abalizados clínicos ... atestam sua eficácia” (A Notícia, 21 jan. 1907, p.4). Orlando Rangel preconizava o seu licor “Kola-Bah”, “aprovado pela Diretoria Geral de Saúde Pública e adotado pela classe médica brasileira”, recomendado, entre outros, nos casos de “esgotamento nervoso, na surmenage (cansaço por excesso de trabalho intelectual ou físico), na neurastenia” (O Comércio, 4 jul. 1902, p.5; Revista Médica..., 1907, s.p.). Em outro anúncio de Orlando Rangel – de uma maneira geral, Rangel era muito presente – neurastenia era o foco principal: “O maior tônico restaurador das forças – O melhor tônico do sistema nervoso cérebro-espinhal – O mais poderoso antineurastênico” (O Comércio, 2 jul. 1902, p.5). Chama atenção que, embora frequentemente a neurastenia fosse o foco central do tratamento, raramente era a única afecção a ser tratada. “Panbiline de Annonay (Ardèche/França)... medicação… única... ativando [sic] simultaneamente sobre a ‘secreção hepática’ e sobre a ‘excreção biliar’” (Gazeta Clínica, 1919, p.48) superava os demais anúncios citados e, de acordo com sua publicidade, fazia efeito sobre mais de trinta doenças.

Também parecia haver um mercado para aparelhagens maiores e mais caras. Assim, o doutor N.T. Sanden publicou reiteradas vezes em diversos jornais um dispendioso anúncio sob o título “Neurastenia” para o seu “Cinturão Elétrico Herculex”. Uma grande imagem de um usuário masculino acompanhava a oferta de livros gratuitos sobre “saúde” e “vigor”. As cartas de usuários curados provenientes do estado de São Paulo são de supremo interesse: um desses usuários havia sido “radicalmente curado de uma neurastenia”. Anteriormente, ele “sofria horrivelmente, não podia escrever e tinha dias que não podia levar uma xícara de café à boca”. Após três meses de tratamento com o cinturão elétrico “tinham desaparecido todos esses incômodos. Sinto-me feliz em declarar que até hoje (isto [há] quase dois anos) não têm voltado os meus antigos sofrimentos.” Outro escrevia: “o meu estado de saúde impossibilitava de [me] ocupar antes de me submeter à vigorosa influência do vosso Herculex”. Os “sofrimentos” de um comandante da polícia de Vila Americana também eram “terriveis... não podia mais alimentar-me nem com leite”, seu “sistema nervoso estava inteiramente enfraquecido”. Porém, com a aplicação do Herculex, sua força retornou: “Depois que fiz uso do vosso cinturão, como bem, de tudo, durmo bem e nada sofro; não podia virar-me nem na cama, e agora faço marchas forçadas e exercícios musculares militares” (A Notícia, 18 maio 1907, p.2).

O doutor Sanden declarou então que “muitos homens que estão sujeitos a muitas preocupações, incômodos de espírito, a excesso de trabalho, em pouco tempo mostram sinais de prostração nervosa. Os sinais de perturbação nervosa são a irritabilidade, a impaciência, a irresolução e muitas vezes a incompetência… Quando a energia do sistema nervoso não pode mais recuperar-se, é tempo de lhe dar auxílio” (A Notícia, 18 maio 1907, p.2). O princípio desse método de cura é: “o poder motriz que atua sobre vós, a força física, sexual e mental, chama-se força nervosa: isto é, eletricidade”. Pois “os maiores sábios da atualidade dizem que a vala do sistema nervo-sexual [sic] é uma rede de fios elétricos” (A Notícia, 29 ago. 1907, p.3). “Centenares [sic] de doentes recobram a saúde” (A Notícia, 10 jul. 1907, p.2), mais tarde, foram até “milhares”, e também “caso[s] crônico[s]” (A Notícia, 29 ago. 1907, p.3), a serem curados com o Herculex. Em outros anúncios alertava-se explicitamente contra “imitações baratas” (A Notícia, 18 maio 1907, p.2) que, evidentemente, encontravam-se à venda no mercado.

Um certo doutor Wood exaltava “a mais formidável descoberta do século! O ‘rádio’” e o seu “cinto rádio-ativo [sic]”: segundo ele, este seria “a base da vida, porque a morte não é mais do que a perda total da rádio-atividade [sic] humana”. Com o cinturão a “maior força dinâmica conhecida acaba a entrar no campo prático da vida, triunfante como entrara no da ciência!”. Ele era muito eficaz no caso de “neurastenia, doenças nervosas” e outras doenças, pois era o mais moderno em termos científicos: “a ciência moderna abandonou os velhos elixires de longa vida para substituí-los pelos princípios vitais universais” (A Notícia, 16 jun. 1908, p.4). Ao mesmo tempo também, doutor Wood alerta: “De todos os campos explorados pelos empíricos, certamente a medicina tem sido o mais fecundo à vasta classe dos charlatães”. Diante de um cenário de maior desconfiança, até era possível devolver o “cinto rádio-ativo [sic] de Dr. Wood (único oficialmente reconhecido)”: “Daí o descrédito de toda descoberta nova, pois que as cartas, atestados e tributos de gratidão já foram desacreditados, que, de usá-los, inspira-se logo desconfiança; ... Porém, quando se tem confiança num resultado verdadeiro, pode-se fazer o que fazemos. Reembolsaremos o comprador, se em quinze dias não ficar satisfeito” (A Notícia, 18 ago. 1908, p.2).

Todavia, quase não encontrei alusões a estações de tratamento ou sanatórios. Então, parece não haver existido neurasthenia business, a neurastenia como negócio (Kaufmann, 2001, p.164), ao menos não nos moldes do que ocorreu na Alemanha ou nos EUA. Porém, aparentemente, houve forte demanda. Argumento em favor disso é a frequência de anúncios publicitários e a diversidade de preparados com variações de preço de $800 até 160$000 réis. Eles deveriam se dirigir a pessoas com “trabalho intelectual ou físico”. Nos primeiros tempos, a neurastenia era considerada, sobretudo, uma doença da classe superior, masculina, que executava trabalhos intelectuais (ver Held, 2008, p.30; Schuster, 2006, p.15 e s.). Ainda que a publicidade focalizasse homens, as mulheres não eram excluídas. Até valia a pena importar medicamentos e aparelhagens da região do Atlântico Norte, sendo que as marcas francesas predominavam. Apenas os dois cinturões eram anunciados com nomes ingleses (Dr. Wood, Dr. Sanden). Também a invocação de diversas autoridades, que declaravam a eficácia do produto, a inclusão gratuita de livros e a garantia da possibilidade de devolução são argumentos em favor de uma intensa competitividade, portanto, da existência de um mercado. Assim como em outros lugares, supõe-se que os anúncios contribuíram para a divulgação da doença (ver Schuster, 2006, p.321).

As repetidas advertências em relação a imitações e a uma “vasta classe dos charlatães” indicam um próspero mercado negro. Nesse âmbito, por exemplo, “uma Senhora” recomendava nos casos de “fraqueza geral, neurastenia” etc. “um remédio maravilhoso que por acaso conheceu”, que foi eficaz em “numerosos enfermos, depois de terem experimentado, sem resultado, todos os remédios recomendados”. Ela fala de um “dever sagrado” e de um “voto desejado” como motivação para o seu “fim, essencialmente humanitário” (Vida Moderna, 1907, s.p.).

Eram justamente esses indícios, aos quais o doutor Saul de Avilez se referia, em 1907, na Revista Médica de São Paulo, em um artigo com o marcante título: “O médico na sociedade do futuro”. Nele, criticava os “médicos que fazem espetáculo na imprensa”, o “charlatão” que aclama “com reclames escandalosos, burlescos e imorais” “específicos milagrosos”. A partir dos citados anúncios, pode-se compreender muito bem a crítica à propaganda para “panaceias que curam todas as moléstias, aparelhos maravilhosos, sistemas infalíveis de cura etc.”. Nesse contexto, Saul de Avilez (1907, p.320, 322, 328) que, em geral, também se detinha com a neurastenia e doenças nervosas, enumerava, por exemplo, junto às doenças acompanhadas de febre, o “nervosismo”.

De acordo com a experiência dos médicos, a neurastenia era uma doença “benquista”. Em sua obra Esboço de psiquiatria forense, de 1904, o doutor Franco da Rocha, figura central nos primórdios da psiquiatria em São Paulo 7 , “refere que não chegam muito ao psiquiatra, pois são diagnosticados como ‘neurasthenia’ por clínicos: um diagnóstico que, segundo ele, agrada os familiares do doente” (Neves, 2008, p.87). Em 1912, Henrique Roxo escreveu um artigo inteiro sobre “Falsos neurastênicos” na Revista Médica de São Paulo: “O indivíduo tem muitas vezes a aparência do neurastênico, e a família insinua e busca apegar-se a esta hipótese, certamente muito mais favorável. Quantas vezes me tem sido dado constatar a demência precoce onde os parentes buscam patentear a moléstia de Beard!” (Roxo, 1912, p.389). O doutor Vergely (1913, p.67), resumia em seu artigo sobre neurastênicos: Esses “podem ficar tranquilos, pois não são histéricos”. Em 1909, Antônio Austregésilo (p.8) era da opinião que antigamente se constatava de uma forma geral que, “qualquer nervosidade feminina era histérica, no sexo masculino – neurastenia”. Segundo Roxo (1912, p.386), mesmo no caso de médicos não especializados, a neurastenia é uma “diagnose” que “tem de ser contestada”, geralmente trata-se muito mais de uma “psicastenia, esgotamento nervoso originário”. Evidentemente, não era difamatório ser considerado neurastênico, sendo dada preferência a esse diagnóstico em comparação à histeria ou à demência precoce.

No entanto, por que razão essa doença tinha uma reputação relativamente boa e era bem difundida nos discursos médicos e populares, porém não na clínica? Podem-se encontrar alguns indícios para isso nos documentos até agora examinados. Parece que a sintomatologia havia atingido exatamente o espírito da época, isto é, a questão da força e da fraqueza do corpo (ver, com relação aos trabalhadores urbanos, Duarte, 1986, p.75), do indivíduo confrontado com um mundo cheio de novas exigências em relação a ele. Quase todos os anúncios giram em torno desses conceitos. Certamente não é uma coincidência que a fonte do fortalecimento se encontre na eletricidade – a representação e a base da atividade econômica e da vida moderna – e que ainda seja combinada com uma imagem corporal amplamente difundida, segundo a qual os nervos eram comparados a cabos elétricos e o “sistema nervo-sexual” com “uma rede de fios elétricos” (A Notícia, 29 ago. 1907, p.3; ver também Zorzanelli, 2009, p.608; Roelcke, 2001). Por meio dos métodos de cura, os pacientes alcançavam forças “hercúleas”; sendo abastecidos com nova energia elétrica ou “rádio-ativa” para, com isso, poder enfrentar as exigências pouco especificadas da modernidade, a “forte concorrência em todos os ramos de atividade, ... a rapidez das comunicações e da transmissão do pensamento”, mencionadas no artigo do doutor Villas Boas (1909, citado por Neves, 2008, p.321). Na neurastenia, o medo em relação à degeneração, ao contrário do que ocorria com outras doenças psíquicas da época, desempenhava um papel subordinado (ver também Caponi, 2012). A neurastenia era classificada como sendo pouco substancial, mais como uma doença funcional e menos como constitucional. Assim como para os EUA e a Alemanha, pode-se afirmar em relação a São Paulo: “numa época de medicalização, essa ambiguidade fazia claramente parte do apelo popular do colapso nervoso. As pessoas gostavam mais da ideia de uma doença que descrevia os sintomas e angústias que elas sentiam, do que de um conceito claramente definido pelo crescente conjunto de profissionais de saúde mental” (Barke, Fribush, Stearns, 2000, p.566). 8

Como causas da neurastenia se consideravam o ritmo acelerado, assim como a sobrecarga da vida moderna e, finalmente, o surmenage, ou seja, o excesso de trabalho intelectual ou físico. Essas eram características que distinguiam o ser humano moderno. Mesmo que, aqui, possivelmente com frequência estivessem sendo tratadas afecções sérias – pois, infelizmente, os registros dos pacientes não se encontravam disponíveis – identifica-se, assim como na Alemanha, no Peru ou nos EUA, compreensão e uma certa admiração em relação aos neurastênicos (curados): eles eram encarados como um sinal de modernidade e como propriamente modernos (ver Drinot, 2004; Radkau, 1998). Eram capazes de superar seus “sofrimentos terríveis”, provenientes das compreensíveis condições gerais e, assim, recuperar suas forças “hercúleas”.

O foco se encontrava então no sofrimento subjetivo e individual, por meio do qual o neurastênico era capaz de se diferenciar em relação às doenças epidêmicas ocorrentes, tais como febre amarela, varíola, etc. Estas dominavam o amplamente difundido discurso de medicalização, que declarava, por meio de uma generalização, os “grupos populares” como “massa bestializada” (Mota, 2005, p.32; para uma perspectiva sanitária, ver também Cunha, 1986, p.21-54). Com isso, conferia-se aos neurastênicos a possibilidade de escapar individualmente da medicalização disciplinante.

Além disso, a doença tinha o caráter de um “conceito geral” 9 (Gijswijt-Hofstra, 2001, p.20), não dispunha de uma “patologia física clara” 10 (Schuster, 2006, p.3). No Brasil também ocorreram intensos debates em torno da doença, sua localização, seu tratamento etc. (ver, p. ex., Austregésilo, 1919; Duarte, 2010; Roxo 1912, 1919). Essas incertezas por parte da classe médica ofereciam aos doentes possibilidades individuais de acesso. Os anúncios dirigiam-se diretamente aos doentes em potencial: “Doentes, aqui está a vossa cura” (A Notícia, 18 ago. 1908, p.2); explicavam de forma pseudocientífica o modo de ação dos tratamentos e suas qualidades – a confiabilidade dos remédios era um tema importante para um amplo público. 11 Parece que os (supostos) doentes em geral se autodiagnosticavam e se tratavam de forma correspondente. Em seguida, alguns pacientes se dirigiam aos médicos com os diagnósticos dos quais suspeitavam: “os parentes buscam patentear a moléstia de Beard” (Roxo, 1912, p.389). Saul de Avilez (1907, p.322) criticava esse “individualismo exacerbado” que, entre outros, se manifestava com a consulta a inúmeros médicos diferentes: “O direito que tem o doente de escolher o médico é exercido, nos nossos dias, com singular desenvoltura”. Franco da Rocha (citado por Neves, 2008, p.94) também atestou indignado que “esses indivíduos vagueiam por todos os médicos e mudam sempre de opinião sobre suas próprias moléstias”. Com certeza, essa crítica também pode ser interpretada como uma defesa da supremacia por parte dos médicos, que parecia estar sendo ameaçada (ver Mota, 2005). Presumivelmente, esse é mais um dos motivos para a atitude de reserva por parte dos médicos em relação ao diagnóstico da doença, num momento em que investiam grande esforço para legitimar seu saber no âmbito de uma disciplina ainda pouco institucionalizada (Muñoz, 2010).

Pode-se, então, verificar um momento individualizante que também por ser perceptível em especial nas “classes abastadas” (Imprensa Médica, 1905, p.173), tornava a neurastenia atraente para o paciente: o momento de força. Um tema que ocupava intensamente os paulistanos em sua busca pelo “sentido de identidade” e pelo seu “destino de cidade” (Sevcenko, 2009, p.37). Ainda está por ser pesquisado se, assim como na região do Atlântico Norte, a redução da atividade em torno desse tema esteve ligada à psicologização da doença em São Paulo (ver Duarte, 1986, p.67 e s.).

Henrique Roxo – como vimos, oriundo do Rio de Janeiro – dissertou, em 1916, no primeiro Congresso Médico Paulista: “Poderia parecer que eu buscasse fazer associação de ideias por contraste, escolhendo para tema de uma palestra – a neurastenia – numa cidade, em que há tanta atividade e progresso. Poder-se-ia antolhar extravagante buscar ver aqui neurastênicos, mas é que me não passou desapercebido que não há progresso sem esforço, que não há atividade sem cansaço, que a luta pela vida exaure o indivíduo e que nas grandes cidades sobejam os neurastênicos” (citado por Neves, 2008, p.403).

Nesse caso, São Paulo parece ser o palco ideal para o surgimento de neurastênicos. “A mais moderna e americana das doenças” não combina perfeitamente com a imagem da “Yankee City of Brazil”? Tendo em vista as características dessa época, não se poderia conceber São Paulo como “nação neurastênica” ou como “cidade/estado neurastênico”? Certamente são necessários mais estudos para provar essas teses. 12 Entretanto, pode-se afirmar que, evidentemente, a doença era muito popular. Na publicidade de jornais e revistas paulistanos, ela era um fenômeno amplamente difundido e bastante comercializável. Ela se refletia especialmente sob forma de “pequena neurastenia” (Vergely, 1913, p.66), problemas do cotidiano no campo da “nervosidade” e uma “fraqueza geral”. Fraqueza e forças individuais num mundo em transformação eram tematizadas pelos contemporâneos até mesmo no que dizia respeito ao corpo. Com forças “hercúleas” poder-se-ia enfrentar as exigências da vida moderna e construir o futuro da “raça de gigantes”.

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